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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Liga Europa: O triunfo do Atlético de Madrid

O Atlético de Madrid é uma equipa inusitada. É irregular, deriva entre dois extremos com grande facilidade, não consegue manter-se sempre em cima, vive de momentos, não tem um rendimento uniforme e rectilíneo. Não é, nem pouco mais ou menos, uma das equipas mais fortes da Europa. Não é um colosso, um papão, alguém que faça tremer. Tem qualidade, sim, principalmente no ataque, com Forlán e Agüero, mas é permeável na defesa, tem brechas evidentes que podem ser bem aproveitadas. No entanto, o Altético de Madrid, dos portugueses Simão e Tiago, venceu, ontem, a primeira edição da Liga Europa. Bateu o Fulham, uma sensacional formação que, também, surpreendentemente chegou à final, conseguiu aprimorar a temporada em que falhou um novo acesso à Liga dos Campeões. Quique Flores voltou a triunfar.

Quando o Atlético, caído da Liga dos Campeões, vergado pelo FC Porto no penúltimo jogo a uma derrota por três golos no Vicente Calderón, uma derrota natural face ao que ambas as equipas haviam demonstrado até então, os colchoneros foram vistos como um adversário acessível para o Sporting. O empate alcançado pelos leões em Madrid, jogando uma hora com menos um jogador, apesar de não ser satisfatório, foi encarado como um resultado favorável à progressão da equipa portuguesa. Em Alvalade, o Atlético serviu-se da inspiração de Kun Agüero, foi letal nas oportunidades que teve, o Sporting dominou sem proveito, ficou de fora. A defesa espanhola falhou, é certo, e sofreu dois golos. Mas espondeu com outros dois e seguiu em frente. O Alético de Madrid é, portanto, a imagem ideal da máxima de que a melhor defesa é o ataque.

Ultrapassado o Valencia, usando a mesma fórmula da eliminatória ante o Sporting, um nulo caseiro e um empate a dois na casa do adversário, o Atlético de Madrid encontrou um Liverpool fortalecido por uma vitória categórica sobre o Benfica e rotulado como equipa mais forte para marcar presença na final de Hamburgo. Diego Forlán, avançado uruguaio, sobressaiu em ambos os jogos, foi um diabo constante para os reds e um abono de família para Quique Flores. Decidiu: marcou o tento da vitória no Vicente Calderón, marcou outro em Anfield Road, que, apesar da derrota, permitiu aos colchoneros seguirem para a final. Sem jogarem bem, sem serem uma equipa sólida, sem levantarem ondas. Atingiram o objectivo correndo por fora, jogando à parte. Caiu o estatuto de equipa débil e incapaz, pôde ser feita História perante o Fulham.

Na arena de Hamburgo, o Atlético saiu por cima. Entrou melhor, procurou ser mais incisivo para a baliza de Mark Schwarzer, pareceu sempre a equipa com melhores sob o relvado. Essa é, aliás, uma tendência que se comprova, uma vez que o Atleti conta com melhores individualidades do que os ingleses, onde sobressaem Zamora ou Gera. Foi igual a si própria: pragmática, sem brilho, servindo-se de Diego Forlán. O uruguaio voltou a ser decisivo: marcou dois golos, pelo meio Simon Davies deu esperança à extraordinária equipa do Fulham que cavalgou até à final, concedendo ao Atlético, comandado por Quique Flores e com Simão Sabrosa a titular, a oportunidade de festejar a conquista de um troféu, interrompendo um hiato que começara já em 1995/96 após as vitórias no campeonato e na Taça do Rei. Sem espectacularidade, o Atlético de Madrid voltou a sorrir.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Análise: O que falhou em Liverpool, Benfica?

Jorge Jesus caiu na tentação de mudar a sua equipa em função dos perigos do adversário. Fê-lo na base da equipa, remodelou uma defesa que tão boa conta de si tem dado mas que, estranhamente, denotara uma passividade pouco vista na Figueira da Foz. Pode ter sido um prenúncio. Em Anfield Road, para manter uma vantagem curta e com o enorme inconveniente de ter sofrido em casa, o treinador benfiquista colocou David Luiz na lateral esquerda, desfazendo a dupla de Luisão e lançando Sidnei, jogador com qualidade mas raramente utilizado em toda a temporada, a que se juntou a inclusão de Rúben Amorim na direita. Maxi Pereira e Fábio Coentrão, habituais donos das laterais, foram suplentes. Na baliza, continiou rotatividade. Há muito Quim é o guarda-redes do campeonato, Júlio César o da Liga Europa. Tinha resultado.

Quim foi o guarda-redes na Figueira da Foz. Júlio César, como esperado, assumiu a baliza em Liverpool. O brasileiro já provou ter capacidades. Em Anfield Road, contudo, falhou. Um guarda-redes não o pode fazer: erro é sinónimo de golo. Não conseguiu transmitir a segurança que a equipa necessitava, mostrou-se intermitente e intranquilo, deixou que Kuyt marcasse o primeiro golo na sua zona de acção e hesitou em lançar-se aos pés de Lucas no segundo tento dos reds. Teve uma noite infeliz, culminante numa lesão que o afastou dos minutos finais. Já com Moreira na baliza, o Benfica sofreu o quarto golo. Foi uma machadada nas aspirações dos encarnados, numa altura em que iria preparar-se para um cerco final à baliza de Pepe Reina, fazendo de tudo para um golo que valesse o apuramento. Até isso correu mal.

Maxi Pereira na direita, Fábio Coentrão à esquerda e a dupla Luisão-David Luiz no centro. Tem sido este o quarteto defensivo do Benfica em grande parte da temporada - a princípio, sob o lado esquerdo, jogava César Peixoto. Os encarnados são a melhor defesa do campeonato português, sofrem habitualmente poucos golos. Ou seja: não havia razões para mudar, até porque, embora com o Liverpool reduzido a dez jogadores, Kuyt e Torres haviam sido bem travados no jogo da primeira mão. Em Anfield, Jorge Jesus quis prevenir possíveis estragos que o holandês fizesse no lado direito. Fábio Coentrão ainda não é um lateral bem consolidado? Certo, mas tem sido titular, ganhando o duelo com César Peixoto, e merecido elogios na nova posição. Jesus optou por descair David Luiz. Ao fazê-lo, o Benfica perdeu uma referência central.

David Luiz é um jogador de enorme valia, ainda com margem de progressão para se consolidar e tem-se revelado fundamental para a consistência defensiva do Benfica. É bom, sem dúvida. Mas a central. Jogando a lateral esquerdo, tal como fazia na época anterior com Quique Flores, o brasileiro baixa o seu rendimento. Natural, está fora de posição. Em Anfield, não conseguiu ofuscar Dirk Kuyt, sentiu dificuldades para parar o atacante holandês e acabou por perder a bola que daria origem ao último golo do Liverpool. Foi esse o maior pecado de Jorge Jesus: com David Luiz na esquerda não ganhou um lateral e, mais do que isso, perdeu um excelente central. Sidnei denotou falta de rodagem e sua dupla com Luisão, tal como se viu no lançamento de Gerrard para o golo de Lucas Leiva, não resultou. Rúben Amorim foi outra adaptação.

Jorge Jesus falara em cansaço acumulado. Terá sido a intensa carga de jogos num curto período temporal a ditar as alterações na defesa? É uma hipótese. Não pela opção de colocar David Luiz à esquerda (mesmo que Coentrão não estivesse a cem por cento, havia César Peixoto) mas pela ausência de Maxi Pereira. O lateral uruguaio já denotara alguma fadiga. No entanto, no relvado, o Liverpool, em termos tácticos, superiorizou-se ao Benfica: começou expectante, não teve receio em deixar os encarnados circularem a bola, tapou os caminhos para a área de Reina e apostou forte no contra-ataque para ser letal - o primeiro golo nasce de um canto, todos os outros após transições rápidas. Não foram precisas muitas oportunidades, os reds tiveram grande eficácia: em oito remates, metade entrou na baliza do Benfica. Afinal, era o jogo da época.

Ao Benfica faltou sempre quem desse o toque final, quem assumisse o jogo sem receio e arrancasse com a bola controlada para a colocar em boa posição. O Liverpool jogou com os seus dois pivôs defensivos, Lucas e Mascherano, nas costas do tridente (Kuyt, Benayoun e Gerrard) de apoio a Fernando Torres. O meio-campo do Benfica não teve espaço nem imaginação para se soltar da teia: Javi García não conseguiu parar Steven Gerrard, Carlos Martins não pegou no futebol encarnado, Ramires demonstrou debilidades físicas e Di María foi uma sombra de si próprio. Sem Saviola, tal como na Luz, voltou a ser Aimar o parceiro de Cardozo. El Mago não é, contudo, a melhor escolha para auxiliar Tacuara: o paraguaio esteve sempre desapoiado. Fez o golo que deu esperança, ainda assim. Mas não chegou. Torres certificou-se disso.

Liga Europa: As Torres fundamentais no xadrez de Benítez

COMENTÁRIO

Sofrimento, coragem, audácia. Ingredientes essenciais para o Benfica sair de Liverpool com o carimbo para as meias-finais da Liga Europa estampado no passaporte europeu. Sofrimento para resistir ao assalto dos reds, coragem para não temer o ambiente infernal de Anfield Road, audácia para não cair na tentação de se fechar em torno da sua área e deixar o ataque de lado. O Benfica levava vantagem. Um golo a mais. Mas um golo sofrido na Luz. Vantagem agridoce, matreira e viperina. Sem margem de segurança. Seria demasiadamente arriscado tentar defendê-la em casa de um opositor forte, apesar das dificuldades que tem sentido no seu campeonato, empurrado por um estádio lotado. Os encarnados estavam prevenidos. Tiveram uma entrada forte, roubando a bola ao Liverpool, jogando perto da área de Reina. Essa era a mentalidade exacta para um jogo assim. Marcar primeiro seria ouro sobre azul.

Domínio territorial, mais bola, poucas oportunidades de golo. Resume-se assim o Benfica dos primeiros vinte minutos. Aos poucos, contudo, o Liverpool foi reagindo. Começara por ver o que queriam os encarnados, perdendo na entrada, era tempo de assumirem o jogo. Fernando Torres, bem identificado como perigo número um, ameaçou por duas vezes. À terceira veio o golo. Perto da meia-hora, sempre com o Liverpool em ascenção, Dirk Kuyt marcou. Na pequena área, perante a passividade de Júlio César. O lance foi confuso, a equipa de arbitragem baralhou-se, anulou e depois validou. Foi legal. E valeu mesmo. Os reds ficaram na frente da eliminatória. O primeiro objectivo, o de colocar o Benfica a correr atrás da bola para mudar o resultado, estava alcançado. Manter a estabilidade, recuperar a entrada forte, combater a superioridade que os ingleses haviam alcançado: o Benfica tinha de preparar a resposta.

Há, em futebol, uma máxima que diz que a melhor forma de conservar uma vantagem é ampliá-la. O Liverpool levou-a a peito. Oito minutos após ter virado a eliminatória, fez o segundo golo. Jogando prático, simples e eficaz: Steven Gerrard lançou a bola em profundidade para as costas dos centrais do Benfica, Lucas Leiva foi lesto, entrou na área, sentou Júlio César e rematou certeiro. A defesa encarnada abrira uma brecha no centro. Jorge Jesus quis travar Dirk Kuyt, por isso colocou David Luiz sob a esquerda no início. Mas arriscou ao desfazer a dupla do jovem brasileiro com Luisão. Mudar rotinas que tão bons resultados têm dado pode ser fatal. Também agora o foi. A equipa sentiu a falta da consistência defensiva habitualmente transmitida. Além disso, talvez devido ao cansaço acumulado, Maxi Pereira foi substituído por Rúben Amorim na direita. Jesus mudara a base. Apenas Luisão estava no seu sítio.

Antes do intervalo, o Benfica teve a sua melhor oportunidade para marcar: jogada às três tabelas, cruzamento de Sidnei, toques da defesa do Liverpool, Cardozo tão perto de um desvio para a baliza de Pepe Reina. Seria um momento importante. Não conseguiu. Chegou à segunda parte necessitado de mudar, ganhar maior acutilância, colocar em sobressalto a também modificada defesa do Liverpool (Agger jogou na esquerda, na vaga de Emiliano Insúa, juntando-se Kyrgiakos a Jamie Carragher no centro). O meio-campo encarnado estava, no entanto, bem manietado. Lutava mas era inconsequente. O Liverpool foi cínico, apostou no contra-ataque. E chegou ao golo. Um hino ao futebol, simplicidade triunfante para responder a um lance na área de Reina: Benayoun colocou a bola no lado direito, Kuyt cruzou de primeira para o segundo poste, Torres finalizou na pequena área. O Benfica estava encurralado.

Ainda havia esperança num golo que relançasse a eliminatória. Era preciso agir e jogar tudo o que havia: Kardec entrou para o lugar de Carlos Martins. Aos setenta minutos, Óscar Cardozo dispôs de um livre. Pousou a bola, olhou para Reina, pensou que podia dar alento aos encarnados. Rematou rasteiro, seco, Gerrard saltou da barreira, a bola entrou junto do guarda-redes espanhol. Ainda era possível. Mais um golo daria o apuramento ao Benfica. Cardozo, num livre em tudo idêntico, teve nova oportunidade. O remate bateu em Fernando Torres e saiu ao lado. Jesus preparava o assalto final: jogo directo para a área inglesa, bolas bombeadas à procura de um tento, tal como em Marselha. Mas Júlio César lesionou-se. Foi assistido, perderam-se segundos vitais, entrou Moreira. E antes que algum fantasma aterrasse em Anfield, até trazido de Old Trafford, Torres fechou o jogo. O Benfica cai. De pé.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Correr por um sonho (antevisão)

No inferno a um palmo do céu, olhando para a consagração, oportunidade para deixar as trevas de Liverpool fortalecido e ainda mais capaz. Há uma vantagem conquistada na primeira mão, na Luz, trazida por duas grandes penalidades de Cardozo, mas o golo marcado por Daniel Agger é um sério estimulante para os reds, carregados pelos seus apaixonados adeptos. O Liverpool tem as fichas todas em jogo, apenas com a Liga Europa para salvar a época terá de assumir os riscos, jogar nos limites, dar tudo para manter a esperança de triunfar na Europa. O Benfica tem de saber sofrer. Resistir ao inferno, às investidas dos reds, ganhar a bola, tirando-a da acção de Steven Gerrard e Fernando Torres. Se conseguir sair de Anfield Road com a passagem para a fase seguinte, a ambição do Benfica ficará fixada em Hamburgo. Na final da Liga Europa.

Sem se intimidar com o público, colocando essa força vinda das bancadas como factor de cobrança para o rival, o Benfica terá de ser uma equipa serena. Não poderá, claro, agarrar-se à magra vantagem conquistada na Luz. Seria entregar-se à sorte, ficar à mercê do adversário e dar-lhe um incentivo final para terem espaço no ataque. Nem este Benfica o faz: a melhor arma dos encarnados é o poderio ofensivo. Há que ter cautelas defensivas, obviamente, mas nunca caindo na tentação de jogar para salvaguardar o resultado da primeira mão, tentando que o nulo se arraste. Jorge Jesus já reconheceu que será complicado não haver golos em Anfield. A chave poderá estar em marcar primeiro. Saber aguentar a pressão é fundamental. A ideia é reeditar a estrondosa vitória de 2006, fazendo tombar o então campeão europeu. Agora há o sonho.

De regresso a Liverpool, depois do triunfo ante o Everton, de novo com David Luiz à esquerda. O central brasileiro, intocável na equipa de Jorge Jesus, deverá ocupar o lugar que tem vindo a ser ocupado por Fábio Coentrão, o que fará com que Sidnei se junte a Luisão na dupla do centro da defesa benfiquista. Sem que tenha qualquer impedimento que o obrigue a isso, a ideia de Jesus passa por dar mais centímetros à equipa, aumentando os cuidados para estancar o ataque inglês. O Benfica terá de estar preparado, com todos os meios disponíveis, para responder ao anunciado assalto do Liverpool. No ataque, mantém-se a ausência de Saviola. É um problema, de facto. Na primeira mão foi Aimar quem apoiou Cardozo. Contudo, El Mago fez todo o jogo ante a Naval. Poderá ser um sinal de que não estará hoje de início em Anfield. Alan Kardec? Talvez.

O Liverpool, por outro lado, tem problemas na defesa. Emiliano Insúa, lateral esquerdo argentino, viu cartão amarelo no jogo da primeira mão e, por isso, falhará a decisiva partida em Anfield Road. Ainda sem Fábio Aurélio, por lesão, Rafa Benítez será obrigado a improvisar: Jamie Carragher, central rotinado a jogar à esquerda, será a opção do treinador espanhol, devendo entrar Kyrgiakos para se juntar a Daniel Agger no centro da defesa - o grego foi titular no último jogo dos reds, ante o Birmingham, aí por ausência de Agger. No sector médio, Ryan Babel irá cumprir castigo pela vermelho que viu na Luz e Benayoun deverá juntar-se a Gerrard e Kuyt no tridente de apoio a Torres. O espanhol é a principal esperança dos ingleses. Inspirado e com espaço, é capaz de resolver. Ao Benfica, como na Luz, cabe a tarefa de o impedir.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Liga Europa: É curta, sim, mas é uma vantagem!

COMENTÁRIO

O golo de Daniel Agger foi um mau prenúncio. O Liverpool entrara mostrando-se preparado para assumir o jogo, fechando os espaços ao Benfica. Chegou à vantegem cedo. Aos nove minutos, Gerrard marcou um livre, a defesa encarnada ficou estática, sem reacção perante uma incursão fulgurante de Agger. Um toque de calcanhar, desvio em Luisão, golo. Sofrer em casa é mau numa eliminatória tão importante, péssimo se o adversário for um clube de classe mundial. O Benfica teria de mostrar reacção para impedir que o tento obtido pelos reds fizesse mossa, explanando o seu futebol, deixar bem patente que o jogo ainda teria muita história pela frente. Os encarnados conseguiram-no. Poderiam ter empatado nos instantes seguintes, Cardozo desperdiçou. O Benfica criava oportunidades, faltava finalizá-las. Uma estranha inépcia invadira Óscar Cardozo. O avançado paraguaio do Benfica está menos bem letal do que antes.

Os golos e Tacuara andam habitualmente de mão dada. Na Luz, contudo, pareciam zangados. Logo após o golo do Liverpool, Cardozo dispôs de uma oportunidade soberana para empatar. Na cara de Reina, num frente a frente onde costuma decidir, falhou. Voltaria a fazê-lo pouco depois. Os golos não queriam nada com o paraguaio, estava visto. Nem com Di María ou Ramires. À meia-hora, Luisão cometeu uma falta dura sobre Fernando Torres. O árbitro sueco, Jonas Eriksson (titubeante e errático nos noventa minutos) mostrou o amarelo ao capitão encarnado. Ryan Babel não se contentou, colocou a mão no rosto do central brasileiro, gerou uma confusão. Acabou expulso - excesso de zelo? boa decisão?. Foi a pedra de toque. A expulsão de Babel, deixando o Liverpool com dez com uma hora de jogo pela frente, motivou ainda mais os benfiquistas. O Benfica poderia agora explorar melhor a defensiva inglesa.

Já fizera por justificar marcar. Apesar de alguns erros na construção do seu futebol, os encarnados chegavam com perigo para a baliza de Pepe Reina. Antes do intervalo, por Di María e Javi García, mais duas oportunidades desperdiçadas. Guiado por Gerrard, o Liverpool respondeu, apareceu junto da baliza de Júlio César após o golo, fê-lo com perigo. Sempre por Fernando Torres. El Niño ainda marcaria, mas o árbitro assistente já anulara por fora-de-jogo. O Benfica não poderia arriscar dar um passo maior do que a perna. Na frente, lá continuava o desperdício... Até ao minuto cinquenta e nove. Óscar Cardozo tomou conta da bola num livre perigoso. Pouco estava a correr-lhe bem, tentou a sua sorte de bola parada: o remate saiu forte, embateu com estrondo no poste, Emiliano Insúa viu-se obrigado a derrubar Aimar junto da pequena área. Grande penalidade, oportunidade de ouro para o Benfica empatar.

Tacuara perante Reina, um especialista de cada lado da barricada. Remate em força para o golo. Finalmente!, agora aparecera Cardozo. A Luz explodiu de alegria. Afinal, era possível. Jorge Jesus fez entrar Nuno Gomes para o lugar de Maxi Pereira, era altura de explorar a inferioridade inglesa. Pouco depois entraria Rúben Amorim, em detrimento de Carlos Martins, para jogar sob a lateral direita e pressionar Insúa. Contudo, foi o Liverpool quem assustou. Torres combinou com Kuyt, soltou-se de Luisão, mas não foi capaz de bater Júlio César. O Benfica chegaria ao segundo golo. Nova grande penalidade, já depois de Eriksson ter deixado passar uma outra por falta de Carragher. Cardozo, agora em jeito, com uma frieza invejável para quem parecia demasiado ansioso, novamente para a esquerda de Reina. Reviravolta consumada. Para Anfield, o Benfica leva uma vantagem traiçoeira. Mas uma vantagem.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um Atlético surpreendente numa final... surpresa!

O Atlético de Madrid está na final da Liga Europa. Em pézinhos de lã, passando por entre os pingos da chuva, fazendo pouco furor. Os colchoneros caíram da Liga dos Campeões, após ficarem atrás de Chelsea e FC Porto, entraram na segunda competição europeia como possíveis candidatos à vitória final. Não foi, contudo, um estatuto logo acolhido. O Atlético tem jogadores de enorme valia, o ataque está recheado de talentos, mas é irregular, falha em demasia, oscila entre o bom e o mau com grande frequência. Viveu um período negro, recuperou com Quique Flores, deixou os lugares de descida e voltou-se para a Europa. Estagnou. Por culpa, precisamente, de ser inconstante. Para uma equipa de futebol, para quem pretende ter sucesso, é um brutal calcanhar de Aquiles. Mas, por outro lado, nunca se sabe realmente o que pode conseguir.

O Atlético chegou às meias-finais sem ganhar nenhum dos jogos na Liga Europa. Serviu-se dos resultados alcançados na casa dos rivais. Nos oitavos, a equipa madrilena passou o Sporting: um nulo no Vicente Calderón e um empate a dois em Alvalade. Os leões poderiam ter chegado mais longe, ficou um sabor a pouco, o Atlético de Madrid teve consigo a eficácia. Nos quartos-de-final, os colchoneros derrotaram o Valencia. Com um nulo e um empate a dois. A mesma fórmula. Foi a prova de que o Atlético mostrara força, conseguira ultrapassar as suas carências, sobretudo em termos defensivos, ganhando consistência na Liga Europa. Mesmo que no campeonato tropeçasse perante os mais improváveis. A equipa de Quique Flores, Simão Sabrosa e Tiago tanto vence o Barcelona como cede, em casa, perante o último classificado. São picos.

Seguiu-se o Liverpool. Para chegar à final de Hamburgo, alimentando um sonho que a princípio parecia uma utopia, o Atlético de Madrid encontrou os reds. Ganhou, por 1-0, na primeira mão. Diego Forlán marcou. E o golo pode bem sintetizar este Atlético: trapalhão, confuso, sem espectáculo. Em Anfield Road, fortaleza que o Liverpool utilizou para aniquilar as pretensões do Benfica e seguir em frente, o Atlético perdeu, sim, mas conseguiu um golo decisivo, de novo por Forlán, que lhe garante a presença na final. Os ingleses, maiores candidatos à vitória na prova, uma espécie de tábua de salvação para uma temporada bem abaixo das expectativas, caíram perante os colchoneros. Sem que ninguém apostasse o que quer que fosse, o Atlético de Madrid estará na final. Simão e Tiago, representantes portugueses, poderão ficar com a primeira Liga Europa.

O jogo final da Liga Europa é uma verdadeira surpresa. Ninguém apostaria no Atlético, já se disse. E no Fulham? Quem arriscaria que a equipa inglesa ultrapassaria todos os obstáculos colocados no caminho até Hamburgo? Quase ninguém, justamente. A verdade é que o Fulham, formação mediana comandada pelo veterano Roy Hodgson, foi mais forte nas eliminatórias com Shakthar Donetsk, Juventus, Wolfsburgo e, finalmente, Hamburgo, equipa anfitriã da final de 12 de Maio. Perdeu somente um dos dez últimos jogos na Europa (ante a Juventus, na primeira mão, por 3-1; resultado que anulou com uma vitória épica, em Craven Cottage, por 4-1). O décimo classificado do campeonato espanhol encontrará o décimo segundo do campeonato inglês. Atlético de Madrid e Fulham disputarão, em Hamburgo, a final. É uma surpresa. É o futebol.

Em busca do estatuto perdido (antevisão)

Em 2005-06, o Benfica viveu o seu último grande momento europeu. Não revalidou o título de campeão nacional, perdendo-o para um FC Porto que reiniciou a sua caminhada triunfante, mas chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Sob o comando de Ronald Koeman, os encarnados seria derrotados, em Camp Nou, por um Barcelona no auge com Ronaldinho e Frank Rijkaard, mais tarde glorificado com a conquista da Champions. Para lá chegar, nos oitavos, o Benfica eliminou o Liverpool, então detentor do título de campeão europeu, com duas vitórias: 1-0 na Luz e 2-0 em Anfield Road, duas noites mágicas, marcantes, épicas de um clube que pretendia voltar a ser grande na Europa. Daí para cá, contudo, não mais os benfiquistas viveram um momento assim. Esta temporada pode ser um virar de página. Com o mesmo adversário pela frente. Dia 1 de Abril de 2010. Não, não é nenhuma mentira!

Quatro anos é muito tempo. Muito mudou desde essa eliminatória até agora. Benfica e Liverpool não mais se defrontaram. Luisão e Nuno Gomes são os únicos sobreviventes. No entanto, somente o central brasileiro se mantém titular, um pilar, cada vez mais indiscutível na equipa encarnada. E está motivado por um golo crucial, um golo num jogo que o próprio definiu como valendo seis pontos, frente ao Sp.Braga. E pelos elogios de Luís Filipe Vieira à sua capacidade de liderança. Em 2006, foi Luisão quem deu a vitória ao Benfica no jogo da primeira mão. Na Luz, após um cruzamento de Petit, o Girafa elevou-se e deixou Pepe Reina agarrado ao relvado. O Benfica surpreendeu, ganhou vantagem, deixou o campeão europeu em sentido, mostrando que tinha valor. Em Anfield, a cereja no topo do bolo: obra de Simão e Miccoli. Ambos deixaram saudades aos benfiquistas. Mas agora há outros protagonistas.

Os reds de Liverpool têm feito um campeonato bem abaixo do que se lhe exigia, caíram da Liga dos Campeões deste ano e têm a edição do próximo ano em risco, a margem de manobra de Rafa Benítez é quase nula. Por isso sentem-se obrigados a apostar forte na Liga Europa. Apesar das dificuldades sentidas no caminho, é sempre o Liverpool. Não uma equipa qualquer. Atravessou um mau período, sim, mas nem por isso deixou de ter Fernando Torres ou Gerrard, reforçando-se com Maxi Rodríguez. O Benfica não queria o Liverpool. Os encarnados de Lisboa estão fortes, têm as portas do título português abertas, ambição de ir longe na Liga Europa, passagem para Hamburgo em mente, há muito não demonstravam tal força. Passar esta eliminatória não é nenhum bicho de sete cabeças. O Liverpool não queria o Benfica. Uma conclusão evidente: qualquer um deles precisará de jogar nos limites.

Para vencer esta primeira mão, apenas uma parte do jogo, noventa minutos que poderão ou não ser decisivos nas contas finais, o Benfica terá de ser igual a si próprio. Se conseguir manter os princípios que tão bem lhe têm servido, sendo consistente defensivamente e eficaz no ataque, os encarnados podem conseguir sair em vantagem para o jogo de Liverpool. No entanto, como acontece sempre que o primeiro jogo tem lugar em casa, mais importante do que marcar é não permitir um golo que seja ao adversário. Ante o Marselha, o Benfica cedeu e teve capacidade para, no Vélodrome, dar a volta. Fazendo das tripas coração. Permitir um golo aos ingleses será o pior que poderá acontecer para quem irá jogar em Anfield Road. Fernando Torres tem o carimbo de perigo iminente. A dupla Luisão-David Luiz, sobretudo, terá a missão de lhe ofuscar o brilho. E que Aimar, Di María e Cardozo façam a sua parte!...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Liga Europa: Fim de linha, leão!...

COMENTÁRIO

Jogando com dez durante uma hora, na casa do adversário, o nulo conseguido pelo Sporting, em Madrid, foi positivo. Permitia-lhe resolver a eliminatória em casa, onde se poderia tornar mais forte e discutir o jogo com as mesmas armas. Contudo, obviamente, não se trata, nem pouco mais ou menos, de um resultado confortável, pois, em contraste com as vantagens naturais de quem joga em casa, há o perigo de sofrer um golo que possa ser fatal na resolução final. O Atlético de Madrid não é nenhum papão, está em décimo no campeonato espanhol, mas é capaz do melhor e do pior num curto espaço, tanto consegue bater o Barcelona como logo de seguida escorrega frente ao Almería. O Sporting tinha motivos para acreditar, está no seu auge nesta temporada, a equipa respira confiança. Mas, atenção, eles têm um ataque invejável.

O Atlético de Madrid é uma equipa anárquica por natureza. Para além desse ataque poderoso, com Forlán, Simão e, sobretudo, Aguëro, os colchoneros têm uma defesa permeável, demasiadamente permeável para quem pretende ter sucesso. O Sporting, à última hora sem Marat Izmailov, um jogador fundamental na recuperação da equipa, teria de ser pressionante, incisivo no ataque para que fizesse tremer a zona defensiva do Atlético. Só assim, explorando até ao tutano o ponto fraco do rival, poderia ser bem sucedido. E assumir o jogo, sem receios, para mostrar que os espanhóis podem ser vencidos sem que isso seja algo sobrenatural. Porém, com uma defesa remendada: sem Tonel e Grimi, expulsos em Madrid, e com Daniel Carriço lesionado, jogaram Polga, Caneira e Pedro Silva. Segundas opções na ribalta para um jogo vital.

O ideal de o Sporting se assumir como empreendedor, assentando o seu jogo e tentando abrir brechas na defesa contrária, ficou pelo papel. Na prática, a equipa leonina foi obrigada a correr atrás do prejuízo, em jogo com dificuldades redobradas. Kun Aguëro, um craque com talento genuíno à solta em Alvalade, foi o responsável: marcou ao terceiro minuto, deixou os leões feridos e com a obrigação de ter de marcar dois golos para seguir em frente. Haveria pior início? Não, decerto. O Sporting demorou a reagir, precisou de explanar as suas capacidades, mas fê-lo com êxito. Saleiro encarou com Álvaro Domínguez e cruzou largo para o golo de Liedson. Uma sociedade perfeita, empate restabelecido. Era preciso mais, contudo. O Atlético estava bem, criando perigo, ameaçava com Aguëro, porém tremia na sua defesa. É um problema antigo.

Trinta e três minutos, exactamente meia-hora depois do primeiro golo, El Kun voltou a ser desmancha-prazeres: entrou na área leonina, finta para aqui e para ali, remate certeiro perante Rui Patrício. Nova desvantagem, de novo o Sporting necessitado de dois tentos, tarefa árdua, grande passo madrileno para a passagem. Mas ninguém pensou em desistir. Ainda havia tempo para tudo. Na última jogada antes do intervalo, Miguel Veloso cobrou um livre e, com um desvio subtil, Polga encostou para a baliza de De Gea. Empate alcançado. Outra vez. O Sporting regressou com força do descanso, viveu o seu melhor período, arriscou e teve oportunidades para ser feliz. Faltou-lhe aproveitamento, usou mais o coração do que a cabeça. O tempo passou, os leões sentiram uma quebra, as forças para ganhar foram diminuindo. O Atlético tivera um génio, agora tinha o relógio do seu lado...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Liga Europa: A vingança do senhor Benfica!

COMENTÁRIO

Quem com ferros mata, com ferros morre. O Marselha lançou o veneno na Luz, impediu a festa do Benfica e, com um golo nos últimos instantes, deixou a eliminatória a seu favor. Merecera-o, sim, mas foi cruel para os encarnados. Custa sofrer um golo no final. Nada como responder na mesma moeda. No Vélodrome, num ambiente intimidante, o Benfica esteve a perder. A desvantagem durou pouco, contudo, conseguiu empatar de novo. Era, então, o tempo de servir a vingança aos franceses. Fria, tal como deve ser, destroçando qualquer tentativa de reacção, um golpe de misericórdia. Um golo no último minuto. E a passagem da eliminatória assegurada. Com sofrimento, com uma grande crença e com qualidade, o Benfica voltou a deixar o Marselha pelo caminho. Vinte anos depois. Com Alan Kardec no lugar de Vata.

Desvantagem na eliminatória, o grande inconveniente de ter sofrido um golo em casa, jogando fora, num estádio tradicionalmente complicado, a tarefa do Benfica não se afigurava nada fácil. Além disso, o Marselha provara no jogo da primeira mão ter muito valor, delineando uma estratégia capaz de suster o jogo encarnado e impor um ritmo que lhe permitiu servir os seus interesses. Pela primeira vez nesta temporada, o Benfica tremeu na Luz. Não quer isto dizer, porém, que estivesse algo perdido. Não, obviamente, até porque um golo que fosse servia para a equipa portuguesa seguir em frente. A primeira parte em Marselha foi prometedora, os encarnados tiveram oportunidades mas, estranhamente, revelaram-se perdulários. Mas estavam bem acima do que haviam feito na Luz. Era essa a filosofia que importava.

O tempo foi passando, o Benfica mantinha-se mais perigoso, já com um remate de Cardozo travado pelo poste e uma grande penalidade que passou em claro a Damir Skomina - tal como outra na segunda parte -, o relógio estava do lado do Marselha. Aos franceses bastava manter o jogo em banho-maria, ritmo baixo, longe da baliza de Mandanda, perigo bem afastado. Ao Benfica era imperial marcar para seguir em frente. Tentou, ameaçou, mas foi o Marselha a concretizar. Minuto setenta: bola na área encarnada, descoordenação defensiva, encosto de Niang para uma baliza carecida de Júlio César. Um novo obstáculo no caminho do Benfica, uma equipa talhada para dominar e pouco dada a reviravoltas. Nada de pânico, porém: um golo dava prolongamento, os encarnados estavam bem, tinham que aumentar a eficácia.

Passaram cinco minutos do golo de Niang, o centésimo dos marselheses nesta época, Maxi Pereira empatou. Tal como na Luz, foi o lateral, um extremo de origem, a aproveitar as oportunidades que os atacantes não tinham concretizado. Jorge Jesus, atento, percebeu que era necessário apostar: lançou Aimar, o mago, seguindo-se Alan Kardec. Foi decisivo. O jovem brasileiro entrou aos oitenta e seis minutos. Pablito Aimar cobrou um livre, a bola não foi devidamente afastada, carambola atrás de carambola, remate de Kardec para o fundo da baliza de Mandanda. Uma enorme festa em tons de vermelho, o finalizar de uma reviravolta épica, silenciamento total no Vélodrome, uma imagem perfeita de que não há estatísticas que não se abatam. É assim o jogo. Viram-se os feitiços, os pagamentos não se demoram.


sábado, 13 de março de 2010

Liga Europa: Este Marselha é mesmo duro de roer!

COMENTÁRIO

Passaram-se vinte anos desde o último confronto oficial entre Benfica e Marselha, para a Taça dos Campeões Europeus, em Abril de 1990, imortalizado pela mão de Vata. O angolano insiste, quase jura a pés juntos, que marcou com o ombro, a partida ainda está bem presente na memória de qualquer adepto. Desta vez, foram os oitavos-de-final da Liga Europa a colocar os franceses novamente no trilho encarnado. Um jogo difícil, adversários de qualidade, perspectiva de jogo empolgante de uma competição europeia importante, embora sem o prestígio e os milhões da Champions. O Benfica, na fase de grupos, havia ultrapassado, como um verdadeiro rolo compressor que tudo destrói, um adversário forte: o Everton. Este Marselha, contudo, é bem diferente dos ingleses. Nunca nesta Liga Europa o Benfica encontrara opositor tão forte para ultrapassar.

Crónica de uma morte anunciada. Gabriel García Marquéz, escritor colombiano, um certo dia de 1981 lembrou-se de começar um livro pelo final. Desenvolveu-o a partir daí, teve sucesso, prendeu os leitores, mesmo já se conhecendo como a história iria terminar. O comentário a este Benfica-Marselha tem, também, de ser iniciado no minuto noventa. Pelo fim, portanto. O Benfica conseguira colocar-se em vantagem à um quarto de hora, sensivelmente. Num lance confuso, atabalhoado, Mandanda, guarda-redes francês, deixou a bola à disposição de Maxi Pereira. O lateral, claro, encostou para o fundo da baliza do Olympique de Marselha. Um golo de vantagem, não sofrendo em casa, é um resultado bom para a segunda mão. Em cima do final, Ben Arfa empatou. Um golpe duro, tudo virado do avesso. Já fora ameaçado pelos franceses.

Jorge Jesus reconhecera o poder do Marselha, Didier Deschamps o poder do Benfica. Respeito mútuo, então, sem favoritimo declarado de qualquer um deles. Jogar a primeira mão fora pode ser, nestas eliminatórias, favorável, pois a obtenção de um golo tenderá a ser fundamental na resolução das contas da passagem à fase seguinte. O treinador francês foi pragmático, procurou tapar os jogadores mais talentosos dos encarnados, já reconhecera que a sua estratégia dependeria da utilização, como foi o caso, ou não de Aimar. Teve sucesso. O Benfica não conseguiu ter o caudal ofensivo que o tem caracterizado, sentiu dificuldades para impor o seu ritmo dominador, impedido pelo Marselha de conseguir sair organizado para o ataque. A inspiração encarnada foi estancada pela equipa francesa. A táctica resultou.

Lucho González, sempre um comandante com o fino recorte que o caracteriza, de regresso a Portugal depois de saído do FC Porto, foi o primeiro a dispor de uma oportunidade clara de golo. Falhou, ficaram aliviados os portugueses. O remate do argentino teve o condão de abrir o jogo, torná-lo mais intenso, com bom futebol e lances de perigo. O Marselha dispôs de algumas chances, o Benfica, mesmo sem tendo um vendaval atacante, também as teve. O nulo manteve-se, porém, insistente. Aos setenta e seis minutos, Maxi Pereira desatou o nó: Di María cruzou, a defesa marselhesa foi displicente, Mandanda ofereceu o golo ao uruguaio. Custou, é verdade, mas o Benfica conseguiu. Ainda atirou à trave, por Ramires. Teria sido o conforto. Mas estaria para aparecer o tal golo de Ben Arfa. Gelado, gelado, gelado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Liga Europa: Um empate animador vindo de Madrid

COMENTÁRIO

À partida, para uma equipa que tem o primeiro jogo numa eliminatória a eliminar fora de casa, interessa, acima de tudo, marcar na casa do adversário. Mesmo que a vitória não seja alcançada, poderá será meio caminho andado para deixar a passagem bem encaminhada. Ou, pelo menos, terá a oportunidade de a discutir em casa. Em Madrid, ante o Atlético, o Sporting não conseguiu ganhar nem marcar, é certo, mas não comprometeu o seu futuro: empatou a zero, deixa tudo em aberto para o jogo de Alvadade, daqui a uma semana. Este nulo ganha maior relevância, contudo, pelo facto de os leões terem jogado uma hora com menos um jogador, por expulsão de Leandro Grimi. Sofrendo tal contrariedade, pouco mais se poderia pedir ao Sporting. A equipa teve entreajuda, garra e conseguiu impedir que o Atlético ganhasse ascendente no score.

Não deverão existir muitas equipas com a capacidade ofensiva dos colchoneros. Diego Forlán, Kun Aguëro, Reyes e Simão Sabrosa são, indiscutivelmente, jogadores de enorme valia e perigos constantes para as balizas contrárias. Falta, porém, uma defesa sólida que suporte o ataque, que dê confiança e sirva de base de sucesso. Este Atlético de Madrid, já é bem sabido, sente inúmeras dificuldades no seu último reduto. Algo que o Sporting, empolgado pelas vitórias e exibições recentes, período de elevação numa temporada funesta, teria de explorar. Os leões entraram bem, serenos e confiantes, mesmo órfãos da inspiração de Yannick (lesionado). O Atleti, aos poucos, conseguiu tornar-se mais perigoso, com Forlán e Aguëro em destaque, assumiu o controlo do jogo. Mas foi Liedson quem mais perto esteve de marcar. A trave impediu-o.

Somente dois minutos após o extraordinário remate do Levezinho, um golaço de primeira apanha travado pela baliza de De Gea, Reyes foi derrubado por Grimi, o lateral viu o segundo amarelo e deixou o Sporting com menos um. Somente à meia-hora de jogo. Em inferioridade, os leões ficaram, naturalmente, mais expostos, o Atlético intensificou a pressão, mas, verdade seja dita, nunca soube aproveitar verdadeiramente a vantagem numérica de que dispôs. Foi mais perigoso e conseguiu abrir algumas brechas na defensiva leonina, sim, embora nunca massacrante em busca do golo. Afinal, na mente de Quique Flores estava bem presente o facto de que um tento do Sporting poderia deitar tudo a perder, o treinador não quis correr riscos. Carlos Carvalhal, com o intuito de recompor a sua defesa, lançou Pedro Silva, um lateral direito adaptado à esquerda.

O Sporting encarou o nulo como sendo um bom resultado. E é, de facto, pois será em Alvalade, diante do seu público, que a eliminatória se decidirá. A expulsão precoce retirou força à vontade de marcar um golo, centrou-se em manter o empate que lhe abre boas perspectivas. A pressão ficou do lado do Atlético, era aos espanhóis que cabia a intensificação do futebol ofensivo para procurar ganhar, evitando desgostos na segunda mão, conseguindo uma vantagem. Não foi assim. À semelhança dos últimos jogos, os leões fizeram da união a sua principal força. Já em cima dos minutos finais, também Tonel recebeu ordem de expulsão, após se envolver com Aguëro, uma decisão precipitada de Pieter Vink, ficando o Sporting com nove nos cinco minutos finais. E sem dois dos seus defesas titulares na partida da próxima semana.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Liga Europa: Agora, sim, o leão rugiu!

COMENTÁRIO

Sete jogos sem vitórias, um mês negro e sucesso nas provas internas caído por terra não são bons presságios. Antes do jogo com o Everton, era esta a conjuntura interna do Sporting: uma equipa debilitada em termos anímicos, em verdadeira queda livre, perante um adversário num ciclo ascendente, culminando com vitórias sobre Chelsea e Manchester United, os dois primeiros do campeonato britânico. Acresce, ainda, que os toffees traziam vantagem da primeira mão, da vitória por 2-1 em Goodison Park. Com tal cenário, mesmo jogando em Alvalade, dificilmente não se diria que o Everton era favorito à passagem. Seja como for, contra as expectativas, o Sporting superou-se, mostrou um futebol desaparecido nesta temporada, teve audácia e foi feliz. Ganhou por 3-0. E ganhou bem.

Em Liverpool, na primeira mão, depois de uma boa primeira parte, o Sporting baixara muito o seu rendimento e, em sentido contrário, o Everton crescera, conseguindo vantagem e tivera a oportunidade de sentenciar a eliminatória. Deixou-a escapar, foi perdulário. Em cima do final, Miguel Veloso marcou um golo fundamental. Não tirou a vantagem aos ingleses, mas teve o condão de alimentar a réstia de esperança. Deixou tudo em aberto para Alvalade. Apesar de os ingleses chegarem na frente, ficou a certeza de que não seria missão impossível, nada disso, até porque um golo garantiria a passagem. Os toffees, talvez deslumbrados com a partida de Goodison Park, abusaram da altivez com que prepararam este jogo. Estiveram vários níveis abaixo do que têm produzido recentemente.

Não se pretende, porém, retirar qualquer mérito ao Sporting. Pelo contrário. Os leões transformaram as fraquezas em forças, atingiram o pico exibicional desta época, venceram e têm maior motivação para os jogos seguintes. Três-zero a um adversário inglês, incluído no grupo que se segue aos big four no seu campeonato, anima qualquer um. É caso para perguntar: onde estava escondido este leão? A mesma equipa que tão mal tem estado internamente, lutando agora para manter o quarto lugar, objectivo declaradamente prioritário nesta altura da época, foi capaz de um jogo perfeito contra o Everton. Depois dos dias de pesadelo, dos jogos com pouca alegria e organização, ao Sporting tudo correu de feição: aproveitou as oportunidades, soube aguentar o forcing contrário, teve coesão.

Nesta vitória do Sporting é incontornável que não se fale em Carlos Carvalhal. O treinador leonino encarou bem o jogo, apostou num 4x2x3x1, com Pedro Mendes e Veloso como pivôs defensivos e lançou Yannick para o tridente de apoio a Liedson - com Moutinho e Izmailov. A equipa jogou bem, houve ligação, tudo bem planeado. Na primeira parte faltou marcar, contudo. Aqui, mais uma vez, Carvalhal acertou no alvo. Noutros jogos comedido e pragmático, o treinador leonino arriscou, trocou Grimi por Saleiro, aos 62', recuando Miguel Veloso para a lateral esquerda. Dois minutos depois, já com uma ameaça de Pienaar pelo meio, Saleiro combinou com Veloso e o lateral marcou. Tal como fizera em Liverpool, foi por ele que começou a reviravolta leonina. O segundo golo chegaria num remate de Pedro Mendes, a um quarto-de-hora do final. Já Patrício guardara o resultado.

Outro exemplo de como, nesta partida, uma estrelinha acompanhou Carlos Carvalhal? Matías Fernandéz foi lançado aos noventa minutos, mais para tirar tempo de reacção ao Everton na procura de um golo que trouxesse o prolongamento, e teve efeitos práticos. No quarto minuto de compensação, o chileno recebeu um passe de Yannick, um autêntico diabo à solta que correra meio-campo com a bola no pé, e fechou o jogo. Com chave de ouro. Por fim, não há como não referir a alergia do Everton a Lisboa. A equipa de David Moyes, depois de ter sido cilindrada pelo Benfica, em Outubro, num 5-0 concludente, foi eliminado pelo Sporting, também sofrendo um resultado algo pesado. Em Alvalade, o jogo era mesmo dos leões. Diriam os Beatles: A Hard Day's Night.

NOTA: Devido a problemas informáticos, o comentário ao Sporting-Everton só pode ser colocado hoje.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Liga Europa: O melhor Benfica derrubou um frágil muro

COMENTÁRIO

O Benfica confirmou a presença nos oitavos-de-final da Liga Europa. Fê-lo com mérito, uma exibição mais perto do empolgante Benfica de início de época, num regresso às goleadas, e aproveitou todas as fragilidades deste Hertha de Berlim. Os alemães não são, nem pouco mais ou menos, um adversário que, se os encarnados cumprirem bem o seu trabalho, obrigue a preocupações inesperadas. Como a equipa portuguesa esteve num nível elevado, com bons lances de futebol atacante, sobretudo por inspiração individual, sobressaindo a técnica de jogadores bem superiores aos alemães, venceu de forma confortável. Depois do empate em Berlim, onde Jorge Jesus foi pragmático, guardou o que tinha e não quis arriscar para ambicionar resolver logo aí a questão, uma vitória categória. Para deixar bem vincadas as diferenças.

Com a eliminatória em aberto, apesar de em desvantagem por ter sofrido um golo em casa, restava ainda uma ténue esperança ao Hertha de Berlim. Mesmo se tendo qualificado para os dezasseis-avos-de-final da Liga Europa, atrás do Sporting, os alemães ocupam o último lugar do seu campeonato e apenas regressaram às vitórias na passada semana (3-0, ante o Friburgo), algo que não conseguiam desde Dezembro, altura em que bateram os leões. Na primeira mão desta eliminatória com o Benfica, é justo reconhecer, contudo, que os germânicos tiveram oportunidades e faltou-lhes uma pontinha de felicidade para trazerem um resultado positivo para o segundo jogo. Na Luz, porém, a ideia do Hertha era bem clara: prolongar o nulo, tentar esticar o mais possível, impedir que o Benfica tivesse espaço de progressão. Se não desse, paciência.

O objectivo dos alemães durou vinte e quatro minutos a ser derrubado. A teia desfez-se, o Benfica chegou ao golo: futebol trabalhado, jogado de pé para pé, de Di María para Aimar e de El Mago para o fundo da baliza de Drobny. Contra equipas que jogam fechadas, com as linhas extremamente juntas, importa marcar o quanto antes. O Hertha de Berlim, agora obrigado a correr atrás do prejuízo, apareceu longo depois, já Cardozo desperdiça o segundo golo dos encarnados. Júlio César, o guardião europeu, manteve tudo em susítio com uma defesa extraordinária. Foi esse o único lance dos alemães que fez despertar a defesa encarnada. O Benfica estava disposto a marcar o segundo golo, tranquilizar-se e cortar uma eventual resposta dos alemães pela base. Iria fazê-lo logo após o intervalo. Entrando em força.

Se Saviola já acertara na trave antes do descanso, Cardozo haveria de acertar na baliza. Um lance como o paraguaio tanto gosta: cruzamento perfeito de Di María, largo, nas costas da defensiva contrária, desvio de cabeça de Tacuara. O Hertha ficou-se por aqui. O Benfica não, continuou com ritmo alto, ofensivo, marcou mais. Tudo fácil: Javi García aproveitou a atrapalhação que um canto de Angelito causara, fez o terceiro golo. Nada mais tiraria a qualificação aos Benfica. O passaporte estava carimbado, portanto. Para abrilhantar a noite, nova assistência de Di María, o culminar de um jogo soberbo, bis de Cardozo. Com a passagem no bolso, os encarnados diminuíram o andamento da partida, entraram na versão mais soft, com gestão de esforços de jogadores influentes - Di María, Aimar e Saviola. E esperaram pelo apito final.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Liga Europa: Uma tradição não se quebra facilmente

COMENTÁRIO

Antes do jogo, nunca o Benfica ganhara na Alemanha. Teve, nesta primeira mão dos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa, uma boa oportunidade para o fazer, defrontando o Hertha de Berlim. Entrou a ganhar, mas acomodou-se e permitiu que a vantagem lhe escapasse - ficou com um empate que, afinal, foi mais sofrido do que era de esperar. As tradições são sempre difíceis de quebrar. Também é uma pequena tradição Di María marcar em solo germânico. Fê-lo novamente, também. Na prática, o resultado que o Benfica conseguiu em Berlim é bem positivo: a equipa portuguesa parte para o jogo da segunda mão em vantagem na eliminatória, por ter marcado fora de casa, e tem todas as condições para, na Luz, confirmar o acesso aos oitavos.

Ressalta, para além disso, uma evidência: o Benfica poderia ter feito mais. A qualidade exibicional que apresentou ficou aquém. O Hertha de Berlim é um adversário com fragilidades que poderiam ter sido mais bem aproveitadas, inferior aos encarnados, vive uma época negativa: está em último no seu campeonato e não vence desde 16 de Dezembro, dia em que bateu o Sporting, em casa, na última jornada da fase de grupos da Liga Europa. Facilmente se percebe, por isso, que a prestação dos alemães internacionalmente tem sido bem melhor do que a da Bundesliga. A vontade de querer apagar o mau percurso interno poderá ser uma motivação aos alemães. Daí que, ao Benfica, importava tranquilizar-se o mais rapidamente possível.

Um golo cedo seria um grande passo para esse objectivo. Assim foi: quatro minutos, passe teleguiado de Carlos Martins, golo da praxe de Di María. Tudo bem encaminhado. No entanto, após chegar à vantagem, o Benfica recuou em demasia, concedeu espaços a um Hertha que, por sua vez, conseguiu recuperar da falsa partida. Os alemães empataram, aos trinta e três minutos, num autogolo de Javi García. O Hertha foi feliz. O choque poderia ter feito despertar os encarnados, mas faltou clarividência. Com o tempo, a equipa alemã foi crescendo, jogando próxima da área do Benfica, teve oportunidades para passar para a frente do resultado - remate de Nicu, aos cinquenta e seis minutos, bateu no poste da baliza de Júlio César.

Nos encarnados, sempre com ritmo baixo, pouca inspiração e velocidade, fica a imagem de alguma displicência (como quando Cardozo, Saviola e Ramires se fizeram juntos a um lance, somente com o guarda-redes Drobny pela frente, perdendo uma grande oportunidade de golo). Jorge Jesus procurou dar alguma criatividade ao futebol do Benfica, lançou Aimar e Filipe Menezes. Depois, porém, também o treinador aceitou o empate: trocou Saviola por Miguel Vítor, guardou o que conquistara. Aos encarnados, ficam, ainda, razões de queixa do árbitro Terje Hauge, que deixou uma grande penalidade por marcar - falta de Friedrich sobre Ramires. Na Luz, no próximo dia 25, é necessário dar o passo final para a qualificação.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Liga Europa: A esperança é a última a morrer

COMENTÁRIO

O resultado, antes de mais: o Sporting perdeu 2-1, em Liverpool, frente ao Everton. Facilmente se conclui, por isso, que nada estará decidido até à partida de Alvalade. Para uma equipa que atravessa um momento tão conturbado, leva quatro derrotas consecutivas nas provas nacionais e apenas tem a continuação na Liga Europa como um objectivo intacto, o resultado não é totalmente negativo. Este Everton é, afinal, uma equipa bem diferente da que o Benfica cilindrou, ainda na fase de grupos, com um total de sete-zero nos dois jogos. Contudo, por aquilo que os leões fizeram na primeira parte poderiam ter ambicionado algo mais neste primeiro jogo, mas a exibição na segunda metade ficou abaixo do que era expectável. Daí que seja um mal menor.

Na prática, olhando à frieza dos números, é apenas mais uma derrota para o Sporting. Depois de ter alcançado sete triunfos consecutivos, entre 19 de Dezembro de 2009 e 29 de Janeiro de 2010, a partir da deslocação a Braga nunca mais os leões se conseguiram encontrar. Na primeira parte do jogo de Goodison Park, a equipa leonina, regressada ao 4x2x3x1 dos primeiros tempos de Carlos Carvalhal, com uma aposta clara para suster o ímpeto dos toffees que se fizeram valer de um futebol directo e pouco trabalhado. O jogo foi enrolado, dividido, com poucas ocasiões de golo. Saha e Osman, na mesma jogada, foram quem abriu as hostilidades. Rui Patrício agigantou-se, manteve o nulo.

O jogo ofensivo do Sporting desenrolou-se, sobretudo, pelo lado direito, muito por culpa da acção de Izmailov. Foi precisamente daí, numa boa incursão de Abel no ataque, que os leões criaram algum perigo para a baliza de Tim Howard. Pouco depois, o Everton desfez o equilíbrio dominante: Phil Neville abriu a defesa do Sporting, Tim Cahill jogou de calcanhar, Piennar rematou certeiro. O golo poderia ter abalado a equipa leonina, já por si fragilizada, mas teve um sentido contrário. O Sporting reagiu bem, criou oportunidades para o empatar, acertou no poste da baliza do Everton por Izmailov. Na segunda etapa, importava manter a pressão forte para chegar à igualdade rapidamente. Agora, contudo, foi o contrário.

Uma entrada em falso, uma intercepção falhada de Patrício e um novo golo dos toffees - marcado com o braço de Distin. Desta vez, com dois golos de desvantagem, a equipa portuguesa não reagiu bem. O Everton tomou conta do jogo, acentuou o seu domínio perante a passividade do Sporting. Carlos Carvalhal lançou Yannick e Saleiro, na procura de um golo que alimentasse a esperança da reviravolta, fosse imediata ou agendada para o segundo jogo, a 25 deste mês, os leões voltaram a acreditar. A cinco minutos dos noventa, Yannick lançou Liedson, Distin cometeu grande penalidade e Miguel Veloso, com categoria, enganou Howard. Um golo que pouco serviu em Goodison Park, mas que poderá fazer toda a diferença para a passagem.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Sortes europeias trazem bons reencontros

A Liga dos Campeões, primeiro. O FC Porto defrontará, nos oitavos-de-final, o Arsenal. De entre os possíveis adversários que compunham o lote, não se pode dizer que os portistas tenham tido azar. Neste momento, não há adversários fáceis, claro que não, mas este Arsenal está longe de fazer tremer como aconteceria com Barcelona ou Manchester United. A fase de grupos de 2008-09, uma época atrás, colocou ambas as equipas frente-a-frente: o FC Porto viveu um jogo de pesadelo em Londres - derrota por 4-0 - mas teve capacidade para terminar à frente dos ingleses, derrotados no Dragão por 2-0. Poderão os portistas ambicionar chegar mais além? Sim, sem dúvida, se conseguirem estar ao seu melhor nível. Até para vingar o sorriso de Arsène Wegner na goleada do Emirates Stadium.

Na Liga Europa, coincidência das coincidências, os adversários trocaram-se: o Benfica defrontará o Hertha de Berlim, opositor do Sporting na fase de grupos; os leões terão como opositor o Everton, equipa que se qualificou logo atrás do Benfica. Em teoria, nesta troca de rivais, foram os encarnados quem mais ficaram a ganhar: o Hertha, equipa que derrotou o Sporting na passada quarta-feira, está em último no campeonato alemão e já demonstrou algumas fragilidades que poderão ser bem exploradas pela equipa de Jorge Jesus, favorita nesta eliminatória. Na temporada transacta, o Benfica jogou, então na fase de grupos da Taça UEFA, em Berlim (empatou a um). O estado de ambas as equipas é, contudo, bem diferente e os encarnados têm tudo para seguir em frente.

Por outro lado, em relação ao Sporting, o Everton foi cilindrado na Luz e vencido em Liverpool pelo Benfica, mas tem mais potencial do que os alemães do Hertha de Berlim. As fragilidades que os leões possuem são bem conhecidas e, naturalmente, aumentam as complicações que a equipa portuguesa encontrará. Além do mais, é sempre indesejável defrontar adversários ingleses e este Everton, apesar de estar a fazer uma temporada abaixo do que era expectável (apenas no décimo quinto lugar), conta com jogadores de qualidade como Saha, Fellaini ou Tim Cahill que serão, por certo, perigos constantes para a equipa leonina. Por isso, só um Sporting transfigurado, mudado para muito melhor, procurando na Europa um escape para o fracasso interno, será capaz de derrotar o Everton.


Liga Europa: Terminar com show, em beleza ou mal

Faltavam, na altura, precisamente dezassete minutos para os noventa. Carlos Martins lança Di María nas costas da defesa do AEK, o argentino corre, corre, desconcerta o adversário e encara o guarda-redes Saja. Tudo para um golo fácil. Angelito quis colocar magia, ofuscar o que se passara até então, rematou de letra para o segundo golo do Benfica. E o seu segundo golo no jogo. Pelo meio, entre os remates certeiros, houve ainda uma bola na barra, outro que levantaria o estádio. Aquele Di María, não é o mesmo que tão mal esteve em Olhão: ser regular e mágico em todos é o que falta para o argentino se tornar num jogador de classe mundial. Num jogo em que o Benfica poupou e testou com o pensamento no clássico, onde nada havia a decidir, a genialidade valeu o preço do bilhete.

O resultado nada alterava, mas nem por isso o Sporting deixava de ter responsabilidades. Aliás, uma equipa que vive momentos tão delicados não se pode dar ao luxo de desperdiçar oportunidades para recuperar o ânimo. O ideal de Carlos Carvalhal passava, então, por procurar uma vitória que quebrasse o pessimismo. O opositor não era temível, é certo, mas para uma equipa que tantas dificuldades tem demonstrado, não se pode dizer que a primeira parte do Sporting não tenha tido algo positivo. Falhou a finalização, um problema bem conhecido, talvez agravado pela ausência de Liedson. Na segunda etapa, a exibição piorou, escassearam as ideias, não houve forma de marcar. Veio o golo do Hertha, bem mais letal, uma machadada nas aspirações leoninas.

Terminar em beleza. Mesmo sabendo que não existia qualquer possibilidade de continuar em prova, o Nacional corria em busca de uma vitória. Apesar de ter demonstrado qualidade, tendo mesmo sido superior em algumas partidas com equipa teoricamente mais fortes, o maior pecado passou pela falta de traquejo neste tipo de jogos. Esta última ronda, frente ao Áustria de Viena, o adversário mais identificado com o Nacional, foi perfeita: excelente exibição e eficácia na hora de rematar à baliza, cinco golos marcados aos austríacos. Sobressaiu, de novo, Ruben Micael, autor de dois golos, o jogador que mais se destacou nesta fase de grupos - melhor marcador da equipa portuguesa com sete golos marcados. Os madeirenses saem, então, com a cabeça bem levantada.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Liga Europa: Tudo resolvido

Uma vitória, qualificação assegurada para a próxima fase da Liga Europa. Acumulado a isso, o Benfica tem ainda o primeiro lugar do seu grupo e, assim, evitará as equipas provenientes da Liga dos Campeões. No ambiente gélido da Bielorrússia, os encarnados não fizeram um jogo de alta qualidade, sobretudo na primeira parte onde encontraram imensas dificuldades. No entanto, como superior que é ao BATE Borisov, serviu-se de dois toques de génio: Saviola, primeiro, Fábio Coentrão, depois, foram os responsáveis máximos. Não tendo o colectivo, funcionaram as individualidades. Porém, o Benfica passou ainda por um momento de intranquilidade após um autogolo de Miguel Vítor, que naturalmente levou os campeões bielorrussos a ambicionarem um resultado positivo. Sofrimento até ao apito final, objectivo cumprido.

O derby com o Benfica trouxe um Sporting mudado para melhor, mais aguerrido. Não venceu mas a exibição agradou. Era necessário, então, que frente ao Heerenveen continuasse a manter-se essa atitude. Contudo, o jogo com os holandeses foi um regresso ao passado. Ao mais escuro, o que os sportinguistas querem deitar para trás das costas e esquecer de vez: equipa sem chama, errática, pouca ambição e um futebol extremamente desorganizado. O culminar desse período mau chegou logo após o descanso, com um golo de Assaidi. O Sporting criou oportunidades, é verdade que melhorou, mas a partida continuou enrolada e com pouco discernimento. O golo, precioso e que garante a qualificação e também o primeiro lugar, chegou depois dos noventa: jogada de Izmailov - no regresso - e excelente remate de Grimi. Salvou a noite.

Agora, sim, o sonho do Nacional da Madeira ficou definitivamente por terra: os madeirenses foram derrotados, na Alemanha, pelo Werder Bremen e perderam as (remotas) possibilidades de ainda estarem presentes na fase seguinte da Liga Europa - resultado de 4-1. A equipa portuguesa não sai envergonhada, longe disso. Importa ressalvar que o facto de chegar à fase de grupos, eliminando o super-favorito Zenit, foi já um motivo de orgulho para o Nacional. Nos jogos disputados nesta fase, fica, porém, um sabor algo amargo: nas partidas com Bremen e Athletic Bilbao, em casa, e Áustria, em Viena, os pontos fugiram nos minutos finais. Por entre os dedos. No entanto, convenhamos, os adversários têm qualidade e, por isso, a participação do Nacional não deve nem pode ser menosprezada.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Liga Europa: O rumo da fase seguinte

Perto, pertinho da fase seguinte. O Benfica venceu o Everton, em Liverpool, e tem tudo para marcar presença nos dessazeis-avos-de-final da Liga Europa. Os encarnados tiveram capacidade de sofrimento, souberam sustenter o ímpeto inicial dos toffees e regressaram dos balneários com a determinação necessária para garantir a vitória. Pablo Aimar, fundamental nesta equipa de Jorge Jesus, foi guardado apenas para essa fase. Com a sua entrada, o Benfica mudou, tornou-se mais ofensivo e perigoso para a baliza de Tim Howard. Dois contra-ataques, dois golos: um de Saviola, outro de Cardozo. Não tivesse sido aquele tropeção em Atenas e os encarnados estariam já apurados.

Perto, pertinho da fase seguinte mas... sem conseguir ainda ter arrumado a questão. O Sporting desperdiçou, em Alvalade, dois pontos que o poderiam ter catapultado para além da fase de grupos. A Liga Europa, que tem trazido bons resultados e funcionado como uma escapatória às escorregadelas no campeonato português, não teve, desta vez, um efeito animador para os adeptos leoninos. O Sporting cedeu um empate frente à modesta equipa letã do Ventspils, não carimbou o passaporte para a próxima fase e, mais importante do que isso, voltou a exibir-se com pouca qualidade. A contestação, claro, voltou a fazer-se sentir. Os sportinguistas querem muito melhor.

Decididamente final do sonho. A utopia que era a continuação do Nacional nas provas europeias está encerrada. A equipa insular empatou, em casa, frente ao Atlhetic de Bilbao, e perdeu a oportunidade de ainda continuar a ambicionar chegar mais além. A inexperiência em competições internacionais fez-se sentir. Nesta partida, sim, mas também nas anteriores porque o filme foi precisamente o mesmo do que acontecera em Bilbao, Viena e ante o Bremen: jogo com qualidade, sem complexos, vantagem e, nos minutos finais, oportunidade ao adversário para marcar. Foi pena que assim tenha sido, sem dúvida. Porém, não lhes peçam mais do que o excelente trabalho que alcançaram.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Liga Europa: Da perfeição a morrer na praia

Nada poderia ter corrido melhor. O Benfica conseguiu, frente ao Everton, a melhor exibição da época. Roçou mesmo a perfeição. Novo recital de futebol ofensivo: cinco golos marcados aos ingleses que - embora o Everton seja uma equipa que se coloca logo após os big four em Inglaterra tinham várias ausências importantes - se mostraram impotentes para contrariar a verdadeira corrente futebolística lançada pelos encarnados. É uma verdade de La Palice mas que importa, cada vez mais, ser frisada: o ataque do Benfica é, de facto, terrível para as defesas contrárias e, ontem, Di María, Cardozo e Saviola foram os expoentes máximos. Juntou-se a derrota do AEK, frente ao BATE Borisov, para dar a liderança do grupo à equipa portuguesa e concluir uma noite de gala.

O resultado foi bom, a exibição poderia ter sido bem melhor. Distingamos, então, o importante do acessório. Importante: O Sporting alcançou o pleno de vitórias na Liga Europa e tem o apuramento para a fase seguinte praticamente assegurado. Acessório: tal como já havia sido apanágio em encontros anteriores, a prestação da equipa sportinguista voltou a deixar muito a desejar. Os leões entraram com o pé direito, graças a um golo de Miguel Veloso, criaram mais ocasiões para marcar mas... acabaram por ficar à mercê de algum sofrimento, agudizado pelo golo do empate dos letões do Ventspils - uma equipa bem abaixo da portuguesa. O tento da vitória, absolutamente merecido, surgiu de um remate extraordinário de João Moutinho, a cinco minutos do final. Assim sendo, objectivo cumprido.

Poderia ter havido outra sorte. O Nacional da Madeira foi derrotado, em San Mamés, pelo Athletic Bilbao. Não é, à primeira vista, um resultado surpreendente porque os espanhóis possuem argumentos superiores aos da equipa insular que se tem batido bem nas provas europeias. Porém, acabou por ser uma morte na praia. Rúben Micael, jogador do momento, à semelhança do que já havia feito ante o Áustria de Viena, deu aos portugueses a possibilidade de sonharem em como era possível vencer os bascos. A primeira parte foi, a todos os níveis, excepcional. Contudo, na segunda etapa, a equipa portuguesa ficou demasiadamente retraída e não resistiu à pressão do Athletic que conseguiu vencer a partida. Que pena foi não ter havido seguimento.