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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Taça de Portugal: FC Porto-D.Chaves, 2-1 (crónica)

A TAÇA SERVE PARA CONSOLAR O ESPÍRITO, DRAGÃO?

O FC Porto conquistou a Taça de Portugal. Poder-se-á dizer, sem ser descabido ou pouco digno para o adversário, que cumpriu a sua missão. Os dragões seriam sempre favoritos, contavam com altas probabilidades de arrecadarem o seu segundo troféu da temporada, juntando a Taça à Supertaça ganha em Agosto, para tentarem atenuar a má campanha realizada no campeonato nacional. O FC Porto falhou a conquista do quinto título de campeão consecutivo e, por isso, falhou. Ganhar a Taça de Portugal seria a única escapatória. Jogando com o Desportivo de Chaves, uma equipa caída em desgraça, procurando um sonho para por momentos esquecer a descida de divisão, os dragões foram mais fortes, venceram. Pela margem mínima, contudo passando ao lado de uma goleada. Demérito próprio e mérito de um Chaves que nunca se rendeu.

Páre, escute e olhe. Foi o que Helton fez. O guarda-redes brasileiro, uma surpresa superiorizando-se a Beto, saiu da baliza, hesitou, ficou a meio caminho, deixou-se antecipar. Edu, o jovem transmontano que foi herói na Figueira da Foz, repentinamente atirado para a ribalta, chegou primeiro do que o guardião, desviou a bola e levou-a no caminho da baliza. Esteve perto, perto, perto de ser feliz. Seria a coroação da história de fadas do Desportivo de Chaves, o melhor esquecimento para a depressão de ter caído de novo na II Divisão, a glória depois de deixar o futebol profissional e no meio de um mar de dificuldades que faz os flavienses verem o fim cada vez mais próximo. Foi a primeira grande oportunidade de golo da final da Taça. Serviu para demonstrar que o Chaves estava no Jamor para ser actor principal, não viver na sombra do FC Porto, fazer de tudo para contrariar as teorias e sair triunfante. Usando as suas armas.

Uma chance assim, próspera para fazer História ao estar presente na final da mítica Taça de Portugal, não pode ser facilmente deitada para trás das costas. O Desportivo de Chaves não tinha o que perder, restava acreditar, sonhar, expandir o seu futebol. O FC Porto é, em todos os sentidos, mais forte e mais capaz, ninguém o coloca em questão, mas o futebol é uma caixinha de surpresas, é um mundo diferente onde tudo pode acontecer. Jogando com respeito, sem abusar da altivez de quem realmente é superior, o FC Porto percebeu-o. O lance de Edu, aos oito minutos, era a prova que faltava para deixar bem claro que não haveria festa antecipada dos portistas. Para o conseguir, o FC Porto teria, primeiro, de trabalhar para isso. Respondeu a Edu com Falcao. No fundo, tratava-se de colocar o Chaves atrás, sem dar azo a investidas flavienses, mostrando superioridade. O FC Porto acelerou, fez tremer o rival, marcou.

UMA VANTAGEM NATURAL

A diferença entre equipas tão distantes esteve, afinal, no aproveitamento. E, até, na felicidade como chegaram às balizas adversárias. O sonho do Chaves, transportado por Edu, esbarrou no poste. O FC Porto ouviu o alarme, pressionou, obrigou os flavienses a errar e colocou-se em vantagem: Guarín rematou, a bola saiu enrolada, pouco tensa, mas passou por debaixo de Rui Rego e entrou juntinho ao poste. Dois erros, primeiro do lateral Eduardo e depois do guarda-redes, custaram caro aos flavienses. Os dragões sorriram, confirmaram o favoritismo, somaram umas décimas à abissal percentagem de favoritismo que o seu estatuto, o de equipa de topo nacional, lhe conferia. Em vantagem, o FC Porto sente-se bem: pode circular a bola, chamar o adversário, obrigá-lo a correr e apostar forte na velocidade para ser bem-sucedido. Hulk furou a defesa, criou, teve golos nos pés. Falhou a concretização para ter um dia memorável.

O golo de Fredy Guarín abalou o Desportivo de Chaves. Foi uma interrupção abrupta e precoce do sonho, fazendo os jogadores despertarem para a realidade, obrigando-os a ter de buscar força nas profundezas da sua alma. As oportunidades para o FC Porto sucederam-se, escorreram em catadupa, apareceram com extrema facilidade. Com Hulk transformado num diabo, levando a equipa, explodindo nos limites do fora-de-jogo, aproveitando a arriscada estratégia do Desportivo de Chaves ao jogar com uma defesa em linha. Numa dessas fugas, com a bola como um íman nos pés, o Incrível esteve a um palmo de aumentar a vantagem, mas Rui Rego opôs-se bem. Foi uma espécie de redenção do guarda-redes. À segunda, veio um golo. Com toda a naturalidade. Hulk escapou, a enésima vez isolado, foi altruísta e deu a Falcao a alegria de marcar. Um toque e já está.

DE UMA GOLEADA ANUNCIADA A UMA VITÓRIA TANGENCIAL

Vinte minutos jogados. O FC Porto com dois golos de vantagem e uma mão sobre a Taça de Portugal, o Chaves incapaz e impotente para lutar contra o destino e as evidentes assimetrias que o separam do topo. O pensamento generalizado foi o de que nada mais tiraria o triunfo ao FC Porto. Era legítimo. Nem os dragões pareceram interessados em desligar-se tão cedo do jogo. Pelo contrário: procuraram mais golos, mantiveram o domínio absoluto, anunciaram um novo tento. Hulk, sempre ele em destaque, somou oportunidades desperdiçadas. Foi displicente, não aproveitou a licença para matar que conseguira. Pelo meio das perdidas, Raúl Meireles foi abalroado na área por Danilo, Pedro Proença não entendeu falta. O Desportivo de Chaves não se encolheu, tentou reagir e jogar bem sempre que possível para chegar à frente. Conseguiu um golo, por Siaka Bamba, ainda festejou, mas o lance foi bem anulado por mão na bola.

O que poderia, então, mudar ao intervalo? Muito pouco. O início da segunda parte confirmou-o: Hulk cobrou um livre, Miguel Lopes desviou subtilmente, a bola embateu no travessão da baliza de Rui Rego. Mantinha-se a toada de mais, muito mais FC Porto. O jogo, contudo, perdera interesse, qualidade e vivacidade. Entrara num registo monótono, molengão, de passar do tempo sem que nada se alterasse. O FC Porto parecia ter o triunfo assegurado, o Chaves pouco mais daria. O tempo correu, o público tentou animar, cantou e festejou, embelezou a final da Taça de Portugal. Do relvado, porém, pouco havia para destacar. Aquele típico registo de final de época abateu-se sobre o Jamor. Hulk, numa das suas investidas, lá tentou abanar o jogo, alargar a vantagem do FC Porto; deu para Falcao e o lance perdeu-se. Era o tempo de Manuel Tulipa, crente numa gracinha, mudar. Para mostrar que ainda era possível acreditar.

Diop dera tudo o que tinha. Estava extenuado, sem mais forças para ajudar a sua equipa, precisava de ser substituído. E também o Desportivo de Chaves necessitava de sangue novo, alguém capaz de fazer tremer a defensiva do FC Porto. Entrou Clemente, um avançado com bons pormenores. Num daqueles lances atípicos, sem que se perceba muito bem o que passa pelos jogadores, o Chaves chegou ao golo. Foi um prémio querer flaviense. Mas, verdade seja dita, caiu do céu aos trambolhões. Rolando e Bruno Alves desentenderam-se, Helton voltou a não ser assertivo, Clemente foi mais astuto, utilizou a mão para ganhar a bola, passou despercebido e rematou para o fundo da baliza azul. O Chaves, antes entregue, acreditou num brilharete. Aumentaram os nervos,
Ricardo Rocha e Bruno Alves foram expulsos. A monotonia foi chutada para canto. O FC Porto, sem necessidade, ansiou pelo final. Faltava pouco. E veio a festa azul!

domingo, 16 de maio de 2010

Taça de Portugal: FC Porto-D.Chaves (antevisão)

Pólos opostos, diferenças incomensuráveis, uma barreira longa no meio. Também, contudo, uma semelhança a unir os dois finalistas da Taça de Portugal: ambos falharam os seus objectivos prioritários, estão no Jamor mas isso não apaga o campeonato, são noventa minutos à parte, o estado de espírito não é o melhor. O FC Porto viu-se suplantado pelo Benfica e pelo Sp.Braga, perdeu a hipótese de conquistar o pentacampeonato e, inclusive, de jogar na Liga dos Campeões na próxima temporada. Deixou o trono, ficou em terceiro na Liga. Vencer a Taça de Portugal é, por isso, uma obrigação, uma necessidade, uma carência. O Desportivo de Chaves chegou extraordinariamente ao Jamor, teve uma recuperação fantástica ante a Naval, pode alimentar o sonho, ser um novo David perante o Golias azul, deixar a lógica para trás e marcar a História. Apesar de deprimido pela descida à II Divisão.

Sejamos honestos, tirando os meios-termos, falando com clareza: o FC Porto tem que vencer a Taça de Portugal. Será essa a oportunidade de os dragões terminarem em beleza, chegando à décima vitória consecutiva, acabando a época exactamente da mesma forma como a começaram: a ganhar, conquistando troféus, juntando a Taça de Portugal à Supertaça Cândido de Oliveira assegurada, ante o Paços de Ferreira, na abertura oficial da época desportiva em Portugal. O FC Porto está no seu melhor momento da temporada, soma triunfos, muitos deles com resultados avolumados, parece finalmente ter despertado e encontrando capacidade para mostrar a sua qualidade. No campeonato de nada valeu. Pode valer, no Jamor, a décima quinta Taça de Portugal do seu historial, uma prova que os portistas têm o hábito de vencer. O Desportivo de Chaves corre por uma oportunidade única.

Este poderá ser, ainda, o ponto final na ligação de Jesualdo Ferreira ao FC Porto. O professor, natural de Mirandela e com ligações afectivas a Trás-os-Montes e ao próprio Desportivo de Chaves, quererá sair da melhor forma, repetindo a conquista da Taça de Portugal para deixar os dragões levando seis títulos na sua bagagem pessoal. Para isso, o FC Porto terá de ser igual a si próprios, não cair na tentação de interiorizar a vitória ainda antes de alcançada, permitindo que o Desportivo de Chaves acredite que pode ser feliz. Assumindo-se como favorito, sim, nunca subjugando o adversário, jogando com pouco empenho ou limitando-se a fazer os mínimos exigíveis. A Taça de Portugal tem essa magia, é capaz de colocar os mais fracos em superioridade perante os mais fortes. Como David fez com Golias. É o que Tulipa pretende. Conhecendo a realidade e sonhando.

No FC Porto, depois de poupados ante a União de Leiria, na última ronda do campeonato, Bruno Alves e Raúl Meireles estão de volta para entrarem directamente na equipa inicial. Esta poderá ser, também, a despedida dos dois internacionais portugueses, dois capitães e símbolos dos triunfos do passado recente dos portistas. Para além deles, há ainda o regresso de Helton, depois de uma lesão na mão o ter afastado, embora deva ser Beto, confiante pelas últimas prestações e radiante pela chamada ao Mundial da África do Sul, a assumir a baliza do FC Porto. Em relação ao Desportivo de Chaves, percebendo toda a envolvência de uma final de Taça, Tulipa convocou todo o plantel. É legítimo, embora difícil, que os flavienses acreditem numa proeza. Seria o seu ponto alto, logo após terem caído no abismo. Será o Chaves capaz de entrar para os livros da história do futebol?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Taça de Portugal: A necessidade contra o sonho no Jamor

COMENTÁRIO

Bastava confirmar a presença na final da Taça de Portugal. O trabalho estava feito: só uma noite verdadeiramente fantástica do Rio Ave e um tremendo desastre do FC Porto impediria os portistas de chegarem ao Jamor. O 3-1 da primeira mão, conquistado em Vila do Conde, deixou o FC Porto com a final à mercê, um último objectivo na época azul, permitindo que Jesualdo Ferreira rodasse o plantel. Os dragões iniciaram o jogo com oito alterações: Beto na baliza, Fucile do lado direito da defesa, David Addy na esquerda, Maicon ao lado de Bruno Alves, Belluschi e Valeri no meio-campo e uma dupla com Ernesto Farías e Orlando Sá. Três golos eram a meta do Rio Ave. Tarefa atroz. Um livre superiormente executado por Belluschi, aos vinte e um minutos, terminou com as ténues esperanças. Os portistas colocaram aí o ponto final.

O FC Porto fez descansar jogadores, lançou outros menos utilizados, testou novas alternativas. Tinha uma boa margem para o fazer. Pelo contrário, o Rio Ave percebeu que as suas ambições não passavam de utopias. Os vila-condenses tiveram consciência de que nada restava fazer e baixaram os braços precocemente. Só por uma vez, num cabeceamento de Ricardo Chaves (39'), o Rio Ave criou perigo: Beto elevou-se, atento, com uma bela defesa. O jogo foi, então, de sentido único. O FC Porto, mesmo dando mostras de natural falta de entrosamento, conseguiu assentar o seu jogo, estabilizar e partir para uma goleada. Ganhou, sem surpresa, por quatro golos - e desperdiçou uma grande penalidade. Houve, contudo, no meio de um jogo de baixa intensidade e sem incerteza no resultado, momentos para guardar. Sobretudo o golo de Guarín.

O colombiano entrara há poucos instantes para o lugar de Fernando. Tocou a bola pela primeira vez com o pé esquerdo, deixou-a à disposição, olhou para a baliza de Carlos, encheu-se de fé e rematou fortíssimo. Potência e colocação juntos num golo de bandeira. A beldade de Fredy Guarín, repetindo o golo ao Rio Ave - pois já marcara na primeira mão destas meias-finais da Taça de Portugal - serviu para animar um Dragão composto somente por doze mil adeptos. Já haviam entrado Hulk e Falcao, substitutos naturais de Farías e Orlando Sá, uma dupla que não rendeu o desejado. E o jogo mudara. O ataque portista ganhou cor: Hulk arrancou e Rúben Micael finalizou com categoria; Falcao, após ter acertado no poste, marcou de cabeça. O resultado é gordo, sim, mas deixa patentes as diferenças: só o FC Porto jogou, o Rio Ave logo se rendera.

Pela terceira época consecutiva, o FC Porto de Jesualdo Ferreira estará no Jamor. Leva uma derrota, com o Sporting, em 2007-08, e uma vitória, ante o Paços de Ferreira, na temporada transacta. Esta será, de novo, uma final nortenha. O adversário é o surpreendente e sensacional Desportivo de Chaves, equipa luta pela vida na Liga Vitalis mas vergou a Naval com duas vitórias - tarde épica na Figueira: ficou em desvantagem e, com menos um jogador, teve capacidade para dar a volta em tempo de prolongamento. A Taça de Portugal tem esse encanto especial, por isso é uma prova querida dos clubes de menor dimensão e, em geral, de todos os adeptos. Representa a quebra das barreiras entre grandes e pequenos. No Jamor será David contra Golias. O FC Porto é mais do que favorito, obviamente. Mas as surpresas não marcam vez.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Taça de Portugal: FC Porto com pé e meio no Jamor

COMENTÁRIO

Um jogo difícil, de carga intensificada pela final perdida para o Benfica, um ponto marcante na época titubeante, importância máxima na Taça de Portugal para salvar a honra do FC Porto nesta temporada. Falhado o campeonato, caído sem glória da Liga dos Campeões, perdendo de forma concludente a Taça da Liga, só resta aos portistas revalidarem a vitória na segunda prova nacional. É curto para um clube que se habituou a conquistas prolongadas no passado recente, tem sido dominadora internamente, mas serve de consolação. É, além disso, a oportunidade para o FC Porto ficar com algo de palpável numa temporada negativa. Impunha-se uma resposta forte. E uma vitória. O Rio Ave é um opositor com qualidade, joga bem, olhos nos olhos, poderia aproveitar a ansiedade contrária. O dragão reagiu bem. Ganhou, deu um passo fundamental.

Sem Hulk, sem Varela, sem Mariano e, agora, sem Rodríguez. Ou, resumindo tudo isso, um FC Porto sem extremos. Jesualdo Ferreira, no meio de todas as dificuldades que têm sido colocadas no caminho azul, foi obrigado a inovar. Deixou o seu 4x3x3, o esquema que sempre guiou os dragões desde que o professor assumiu o comando, optou por um 4x1x4x1: linha defensiva com Fucile no lugar de Miguel Lopes, junção de Guarín a Raúl Meireles, Rúben Micael e Belluschi, um quarteto de apoio a Falcao. A opção de Jesualdo deu resultado. O Rio Ave entrou com força, obrigou Beto a aplicar-se, mostrou estar disposto a disputar o jogo. Conseguiu o FC Porto reequilibrar, superiorizar-se e marcou cedo, aos vinte minutos, por Rúben Micael. Foi a estreia do madeirense a marcar com a camisola portista. O dragão parecia recomposto do Algarve.

Após chegar à vantagem, porém, o FC Porto baixou a intensidade. O Rio Ave tem mérito: Carlos Brito, quando percebeu que as faixas laterais haviam sido tomadas pelos portistas, fez com que Chidi e Bruno Gama contribuíssem para uma ajuda preciosa à sua defesa. Antes do intervalo, os vila-condenses chegaram ao empate. Bola no ataque, domínio de Vítor Gomes entre os centrais do FC Porto e remate colocado de Bruno Moraes, de regresso frente ao seu clube, bateu Beto. Se tantas vezes falhou noutros jogos, com demasiadas oportunidades falhadas, desta feita os dragões foram eficazes e tiveram bom aproveitamento: o jogo continuava enrolado, com o FC Porto por cima de um Rio Ave expectante, Raúl Meireles desbloqueou com um bom golo. Guarín abriu para Rúben Micael, o madeirense ofereceu o tento. Tudo simples, tudo certo.

Carlos Brito arriscou na procura de conseguir um golo capaz de deixar a eliminatória em aberto para o jogo do Dragão: lançou Bruno Fogaça e Nélson Oliveira, logo após veio Sidnei. Contudo, o
segundo golo do FC Porto batera com estrondo no Rio Ave e animicamente os vila-condenses sofreram uma quebra irreversível, nunca mais tendo capacidade para criar perigo para a baliza de Beto. Aproveitando a situação, deixando a pele de vítima para ser o explorador das debilidades alheias, os portistas alcançaram o terceiro golo. O que lhes permite encarar a segunda mão desta eliminatória com confiança. Entrado há instantes para extremo, Miguel Lopes cruzou para Rúben Micael, de novo ele, assistir Fredy Guarín. O colombiano é um mal-amado no FC Porto, mas há que dar mérito: esteve, directa ou indirectamente, nos três golos. Tal como Rúben.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Taça de Portugal: Um dragão em defesa da chave do Jamor

SEXTA ELIMINATÓRIA

No futebol, afinal, ainda há surpresas. Na Taça de Portugal, sobretudo, onde os clubes de menor dimensão ou teoricamente com menores probabilidades de vitória, se mostram capazes de ombrear com os mais fortes. Contudo, é natural que essas vitórias inesperadas surjam cada vez menos, por força do conhecimento que todas as equipas têm do adversário. O que não quer dizer, claro, que seja missão impossível. O resultado do FC Porto-Sporting não foi uma enorme surpresa? Para além disso, um tomba-gigantes não precisa necessariamente de fazer cair um grande: qualquer equipa com maior potencial, um primodivisionário que defronte um clube secundário, ganha esse estatuto de gigante. A Taça permite que seja tombado.

Nesta sexta eliminatória da Taça de Portugal, o Desportivo de Chaves cometeu a maior proeza: eliminou, na Mata Real, o Paços de Ferreira, mesmo tendo jogado mais de metade do tempo reduzido a dez elementos. A equipa flaviense, desde que Nuno Pinto assumiu as funções de treinador para substituir Ricardo Formosinho, tem feito uma excelente recuperação no campeonato, largando o desassossego dos últimos lugares, e agora alcança também a sua glória na Taça. Para além do Chaves, importa também destacar a presença do Rio Ave nas meias-finais. Por duas vezes no recurso a grandes penalidades, com Vitória de Guimarães e Sp.Braga, os vila-condenses mostraram que têm grande valor.

Por ser o líder do campeonato, jogando no seu estádio, tem mais sabor a vitória sobre o Sp.Braga - naquela que, para Carlos Brito, foi a melhor exibição da sua equipa. Mérito para o Rio Ave. Por outro lado, não foi o Braga do campeonato que ali jogou para a Taça: uma equipa demasiado cinzenta, com menos dinamismo e sem a mesma capacidade ofensiva. Nas mentes dos adeptos bracarenses ficam duas questões, fantasmas que poderão mudar o que de bom foi feito até aqui, ou apenas contribuir para aumentar a vontade de triunfar: como será o resto de campeonato sem Vandinho, a base da consistência, e os próximos dois jogos sem Mossoró, o maior virtuosista? Faltou essa força ao Sp.Braga e o Rio Ave foi mais feliz.

Para além de FC Porto, Rio Ave e Chaves, nas meias-finais da Taça de Portugal estará também a Naval - os figueirenses bateram o Pinhalnovense, terminando com o excelente caminhada da equipa do terceiro escalão do futebol nacional. Poder-se-á dizer, então, que os dragões têm caminho aberto para a conquista da Taça de Portugal, já que são, indiscutivelmente, a equipa mais forte - diferença que se sente, talvez, mais do que na temporada anterior, quando eram acompanhados por Nacional, Estrela da Amadora e Paços de Ferreira (que viria a chegar ao Jamor). No entanto, apesar dessa superioridade, há mais três candidatos preparados para fazer História. Exceptuando o FC Porto, apenas o Rio Ave (1984) marcou presença numa final.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Taça de Portugal: FC Porto-Sporting, 5-2 (crónica)

A DEGOLA DOS INOCENTES

Em Braga, o Sporting perdeu definitivamente o comboio do campeonato. Tinha, no Dragão, uma oportunidade de ouro para ultrapassar um adversário directo e marcar posição na Taça de Portugal, procurando ficar com algo de palpável nesta temporada. Para o FC Porto, um título para defender, uma diferença sobre os leões para atenuar no número de provas conquistadas. Jogo dividido, à partida. Sim, ninguém esperava que fosse uma verdadeira degola dos inocentes. Como foi. Resultado histórico: cinco para o FC Porto, dois para o Sporting. Loucura no Dragão, vergonha de corar dos sportinguistas. O dragão queimou o leão.

FC Porto-Sporting, clássico do futebol português, da Taça de Portugal, uma espécie de final antecipada e transferida do Jamor para o Dragão. Início de um mês louco, recheado de futebol, decisivo para as duas equipas: os leões estão arredados da luta pelo campeonato e viram atenções para as taças, ao passo que os dragões pretendem guardar um título conquistado na época anterior. Um clássico é sempre um clássico, ninguém se quer sentir vergado por um adversário directo. O FC Porto teve uma entrada a todo o gás: ganhou superioridade no meio-campo, tomou conta da bola, conseguiu criar lances de perigo para a baliza de Rui Patrício. Dezoito minutos, depois de o anunciar, chegou ao golo. O Sporting, esse, ainda não tinha entrado verdadeiramente em campo.

O FC Porto marcou. E fê-lo com justiça, perante a superioridade inicial que demonstrou. A vantagem, contudo, durou somente quatro minutos: Izmailov disparou um míssil, Beto não teve armas para o travar, o Sporting empatou. E despertou. Com o golo e com a mutação entre Izmailov e Miguel Veloso, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, claramente onde cada um deles obtém maior rendimento, a equipa leonina conseguiu equilibrar o jogo. Até aparecer uma nova oportunidade. Um novo golo. Eficácia invejável, não? Minuto trinta e quatro: Falcao ganhou a bola, disparou de fora de área, Patrício deixou que lhe fugisse, o dragão voltou a colocar-se na frente. Automaticamente, o FC Porto reassumiu a superioridade que evidenciara até ao empate. Izmailov apenas mexeu.

O EXTÂSE DE UNS É A VERGONHA DE OUTROS

Carlos Carvalhal percebeu que algo na sua equipa não estava bem. Era necessário aumentar a capacidade ofensiva, procurar equilibrar a balança no meio, trocou Adrien Silva por Matías Fernandéz. Imperativo que a equipa conseguisse ligar melhor o seu jogo, construindo futebol atacante e procurando descompensar a defesa do FC Porto. Na teoria, a ideia era essa. Na prática, contudo, antes de qualquer reacção que o Sporting mostrasse, os portistas aumentaram a vantagem: Rúben Micael desenhou o projecto e Falcao deu cor a um quadro azul, azulão, uma vantagem inequívoca. A substituição tinha sido feita há pouco, o FC Porto voltou a atirar o leão ao tapete sem dó. Se não foi o knock-out ao intervalo, quase. Futebol dinâmico e quatro golos. Que mais se lhes pede?

Restava, para a segunda parte, que o Sporting reagisse. Teria forçosamente de entrar pressionante, aguerrido, na busca de um golo que relançasse o resultado. A ideia, mais uma vez, só podia ser essa. Mais uma vez, o FC Porto não deu espaço para que tivesse efeito. Três minutos da segunda parte, golo de Varela, um leão cada vez mais combalido, um dragão imperial. Agora, sim, as dúvidas estavam desfeitas: o Sporting não tinha recursos para ainda discutir a eliminatória. Bateram os dez minutos da segunda parte, Mariano González resolveu fazer um daqueles golos de bandeira, puro espectáculo, visto e revisto. O mal-amado, patinho feio da equipa, levou o Dragão ao extâse. Cinco-a-um?! Carlos Carvalhal baixou a cabeça, absoluta desilusão. O público no clímax, olés ao rival.

Uma pergunta pertinente nesta crónica: que é feito da agressividade do leão? Desapareceu, simplesmente? Esta equipa, convenhamos, não tem nada de Sporting. Falta garra. Os leões estiveram demasiado mal, recuperaram com Carlos Carvalhal, pensou-se que seria a retoma total, mas não foi: as vitórias serviram apenas para atenuar a má imagem da primeira metade de temporada, esta equipa mantém todas as deficiências de outrora. Perdera em Braga, mesmo não sendo inferior, o título; cai, agora, da Taça de Portugal vergado a uma derrota humilhante na casa de um dos maiores rivais. O FC Porto aproveitou, alcançou uma vitória que injecta moral para uma fase decisiva da época. Voltando ao jogo: Liedson, em cima dos noventa, reduziu a derrota. Cinco-a-dois, ponto final.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Taça de Portugal: Emoções fortes

QUINTA ELIMINATÓRIA

Um estranho hábito de apenas despertar perante as adversidades. Este FC Porto tem sido assim, só empurra e domina o adversário depois de se sentir ameaçado. Após doze minutos enrolados, o Belenenses chegou ao golo - excelente visão de Lima - mas, somente um minuto volvido, Falcao fez com que tudo regressasse à fórmula inicial. Passados os golos, abanões na monotonia, tudo se manteve como até então. Apenas com duas mudanças, além de Tomás Costa na vaga de Fernando, com Beto e Valeri nos lugares de Helton e Belluschi, o futebol portista foi pouco incisivo junto à baliza contrária. Melhorou na segunda parte, certo, mas este dragão não está bem. Coloca-se demasiado à mercê dos rivais. Em cima do final, super-Lima voltou a deixar os portistas em sobressalto, contudo Rodríguez ainda teve tempo para empatar e levar o jogo para um tempo extra. E grandes penalidades, depois. Uma longa-metragem de quinze penaltis para cada lado, dois heróis nas balizas, Beto superior a Bruno Vale, vitória do FC Porto. A melhor parte do jogo, claro.

Almas gémeas, o início de jogo em Alvalade podia ser uma verdadeira fotocópia do que acontecera no Restelo. Doze minutos pouco clarividentes, golo do Sporting, num penalty de Matías Fernández, no décimo terceiro. A equipa mais forte em vantagem, nada de estranho. Mais dois minutos, empate do Mafra - golo de Zhang, euforia na equipa de Filipe Moreira. Semelhanças evidentes entre os dois jogos. Após o empate, mesmo não sendo muito pressionante, bem longe das exibições agradáveis das últimas partidas - embora apenas Polga, Matías e Vukcevic tenham entrado para os lugares de Tonel, Moutinho e Izmailov -, o Sporting, como equipa mais forte, conseguiu chegar aos golos. De forma natural, aproveitando fragilidades da equipa do Mafra, alcançou o 4-1 e Carvalhal aproveitou para ensaiar novas soluções. O final foi verdadeiramente inesperado: Zhang voltou a marcar por duas vezes, um com uma falha tremenda de Rui Patrício, o Sporting descontraiu em demasia.

Líder incontestável do campeonato, afastado da Taça da Liga, com esperanças legítimas de chegar longe na Taça de Portugal. Essa é, aliás, uma candidatura que nada custará a assumir aos responsáveis bracarenses: a ambição de estar no Jamor foi reforçada no início de temporada e, obviamente, não tem o mesmo peso nem a mesma pressão do campeonato. Em Freamunde, perante uma equipa do segundo escalão, sabedor das dificuldades que poderia ter pela frente, o Sp.Braga tremeu mas, no fim, acabou por imperar a lei do mais forte - vitória por 1-3. Tal como com a Naval, que, a custo, conseguiu ultrapassar o Aliados de Lordelo (0-1), equipa secundária que havia vencido, na ronda anterior, o Leixões.

Num duelo de primodivisionários, tal como nos quartos-de-final da temporada anterior, o Paços de Ferreira voltou a ser mais forte e alcançou a passagem ao eliminar, na Madeira, o Nacional (1-2). Na outra partida entre equipas do primeiro escalão do futebol profissional, Rio Ave e Vitória de Guimarães mantiveram a emoção até à decisão por grandes penalidades: na lotaria, os vila-condenses foram mais eficazes, sustentados por duas defesas de Mora, e confirmaram a presença nos quartos-de-final. Resta referir ainda que também o Pinhalnovense, após derrotar o Camacha, por 1-0, está na próxima fase da Taça de Portugal. Chaves e Beira-Mar jogarão ainda, no próximo domingo, a última partida da quinta eliminatória.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Taça de Portugal: Vitórias inesperadas

QUARTA ELIMINATÓRIA

O Benfica caiu. Na Luz, a sua fortaleza, frente ao Vitória de Guimarães. Uma espécie de repetição do que acontecera em 2005-06. Paulo Sérgio, treinador que na temporada anterior levou o Paços de Ferreira à final do Jamor, tinha dado o mote: não há nenhuma equipa invencível e, por isso, os vimaranenses podiam ser felizes. Para que a estratégia surtisse efeito perante este Benfica, seria necessária audácia, coragem e enorme concentração. O Vitória foi tudo isso. E eficaz, sobretudo: tanto a defender, com Nilson em destaque maior numa defesa muito consistente, quer no ataque, onde o golo de Gustavo Lazzaretti deu o acesso à fase seguinte da Taça de Portugal. O Benfica pressionou, Jorge Jesus lançou Weldon e Nuno Gomes, mas falhou no momento de finalizar - o ataque encarnado sente claramente a ausência de Cardozo.

Carlos Carvalhal estreou-se, à frente do comando do Sporting, com uma vitória. Contra o Pescadores da Costa da Caparica, equipa que lidera a série F da III Divisão. Resultado que era esperado, sim, mas a tarefa em nada foi facilitada. Bem pelo contrário, pois os Pescadores colocaram-se em vantagem através de um excelente golo de Tozé e chegaram ao intervalo a ganhar. Carvalhal apresentou, na equipa que iniciou o jogo, uma novidade em termos tácticos: deixou para trás o losango e optou por um 4x3x3. Porém, devido ao resultado adverso e à pouca consistência da equipa, remodelou a equipa no sistema preferido de Paulo Bento. Foi assim que, na segunda etapa, os leões conseguiram a reviravolta e partir para uma vitória folgada por 4-1. Os Pescadores conseguiram somente meia-surpresa.

Aliados de Lordelo, Freamunde e Beira-Mar são os tomba-gigantes desta eliminatória da Taça de Portugal. Recebem, justamente, esse estatuto porque eliminaram equipas primodivisionárias. Os primeiros deixaram o Leixões pelo caminho após uma vitória por 1-0 no tempo regulamentar, enquanto os outros sorriram após a marcação de grandes penalidades frente a União de Leiria e Académica, respectivamente. Em situação semelhante, no recurso às penalidades, estiveram Tirsense (ante o Paços de Ferreira) e Fátima (na Choupana, com o Nacional) mas aí levaram a melhor as equipas do principal campeonato português. O Gil Vicente morreu literalmente na praia: jogou na Figueira da Foz, aos noventa minutos tinha uma vantagem de dois golos, a Naval chegou ao empate e, após o prolongamento, deu a volta ao resultado. O Valenciano, que na eliminatória anterior havia eliminado o Olhanense, viu o sonho ser quebrado pelo Belenenses.

PS: Verdadeiramente bizarro o estado em que o Mafra jogou. Ou melhor: foi obrigado a jogar. Mesmo com jogadores de quarentena devido ao vírus da Gripe A, a equipa treinada por Filipe Moreira apresentou-se em campo, diante do União da Madeira, e venceu após o desempate por grandes penalidades. Grande mérito.

domingo, 18 de outubro de 2009

Taça de Portugal: Poucas surpresas!

TERCEIRA ELIMINATÓRIA

Seis golos marcados pelo Benfica ao Monsanto, quatro pelo FC Porto ao Sertanense, três pelo Sporting ao Penafiel. Todos eles sem resposta.
São resultados exagerados, sem dúvida. Mas, sejamos realistas: não se poderia pedir mais a nenhum deles, até porque têm recursos e orçamentos incomparáveis. Somente uma pequeníssima percentagem acreditaria que os clubes do seu coração fossem autores de surpresas na Taça de Portugal. Poucos, muito poucos mesmo. A outros, bem mais realistas, bastava uma exibição com brio e dignidade, fazendo de tudo para procurar adiar uma derrota inevitável. Os primeiros, claro, não tiveram a alegria que só a muito custo poderiam ter. Os que nunca ousaram contrariar a lógica, deverão ter ficado orgulhosos.

Monsanto, Sertanense e Penafiel, lutaram de princípio a fim nem que fosse por um golinho que ficasse na História. Ok, os números das derrotas, sobretudo dos dois primeiros, podem aparentar outra coisa mas são, acima de tudo, um espelho da diferença colossal entre equipas. No regresso de Torres Novas à festa do futebol que é a Taça de Portugal, os adeptos do Monsanto, pelo simples facto de defrontar uma das melhores equipas nacionais, desfrutaram da oportunidade única de estarem junto aos seus ídolos. No relvado, os jogadores aguentaram o nulo até aos limites: a meia-hora de jogo, quando Filipe Menezes desbloqueou o resultado. Sucederam-se, depois disso, os golos. Pouco mais haveria a fazer.

Um clássico da Taça. Assim foi apelidado, por dirigentes de um e de outro clubes, quando foi conhecido que FC Porto e Sertanense, militante do quarto escalão do futebol nacional, se reencontrariam. Já assim havia sido nas duas últimas temporadas. Com uma diferença, contudo: o jogo, desta feita, teria lugar no Dragão, ou seja, uma ocasião de ouro para os jogadores do Sertanense experimentarem um grande palco. No entanto, terminada a partida, nada foi diferente: o FC Porto voltou a vencer por quatro golos, com um bis de Ernesto Farías, aquele que é o goleador dos portistas talhado para a Taça de Portugal. Bem se aguentou uma equipa secundária que ficou reduzida a dez elementos quando estavam jogados somente nove minutos e terminou a partida com dois a menos. Atitude não lhes faltou.

O Penafiel, colocado pelo sorteio a jogar em Alvalade, é um caso diferente dos adversários de FC Porto e Benfica, porque disputa já uma prova profissional - a Liga de Honra que tem um grau de competividade bem elevado. Não que tivesse, por isso, alguma pressão para ganhar, nem pouco mais ou menos, mas poderia causar algum frisson a um Sporting que não atravessa um bom momento. O jogo foi cinzento, os pedidos de melhorias lançados pelos adeptos para aprimorar o futebol jogado não resultaram... mas apareceu Liedson. O Levezinho foi fundamental para a conquista dos três pontos: marcou o primeiro e esteve na origem da grande penalidade que viria a tranformar-se no segundo golo da equipa leonina. O Penafiel tentou, há que dizê-lo, mas saiu prejudicado por erros individuais.

Não houve quem conseguisse cometer a gracinha de eliminar um grande mas nem por isso deixou de haver surpresas. O papel de tomba-gigantes - os gigantes aqui são todos os clubes primodivisionários, entenda-se - ficou entregue ao Valenciano e ao Santa Clara: os primeiros, da III Divisão, venceram o Olhanense, após grandes penalidades; ao passo que os açorianos, do segundo escalão do futebol profissional, bateram o Marítimo numa partida que colocou os dois arquipélagos em confronto. Posto isto, falemos das estreias de novos treinadores à frente das suas equipa: André Villas Boas, na Académica, e Paulo Sérgio, no Vitória de Guimarães, tiveram ambos sucesso - vitórias sobre Portimonense e Feirense, respectivamente. Até ao Jamor, o sonho vai-se alimentando.

sábado, 17 de outubro de 2009

A festa da Taça de Portugal

A Taça de Portugal é uma competição de que a maioria dos portugueses deverá gostar. Não que seja exclusiva do nosso país mas tem um toque festivo e de grande união em torno do futebol. Acima de tudo, é também uma boa montra para jogadores de clubes inferiores aparecerem e se tornarem nomes conhecidos dos adeptos de futebol, sobretudo dos que têm como hábito apenas acompanhar os principais campeonatos e não relevar divisões amadoras. As pequenas populações que recebem FC Porto, Benfica ou Sporting têm ali uma oportunidade única de verem, perante si, equipas de topo nacional. Para os clubes, além de rechearem os seus cofres, sonham ser primeira notícia por um dia.

Até por serem eliminatórias de apenas um jogo - até às meias-finais, que serão já a duas mãos -, as probabilidades de sucesso são maiores. São noventa minutos, ou, se houver necessidade, cento e vinte e até grandes penalidades, onde tudo é possível. Claro que as equipas de maior escala terão junto a si o favoritismo mas nem por isso a vitória garantida. Eliminar um grande é um verdadeiro sonho que só a Taça de Portugal pode oferecer. Não há, assim, como não recordar as vitórias de Gondomar, em 2002, e de Atlético, em 2007, na casa de Benfica e FC Porto, respectivamente. Ninguém, por certo, esperaria que Cílio Sousa faria um golo monumental na velha Luz, nem que David, num golo meio aos tropeções, vencesse Golias, em pleno Dragão. É aquilo a que se convencionou chamar de tomba-gigantes.

Actualmente, mesmo continuando a ser a Taça de Portugal uma caixinha de surpresas, é mais difícil que aconteçam estas tais novidades. Os clubes maiores fazem um estudo cada vez mais exaustivo do adversário e entram com a mesma seriedade, sem abusar da altivez de quem é realmente mais forte. Enfim, preparam-se como se fosse um jogo com alguém do seu nível, para que nada corra mal e venha a dar razões para corar de vergonha. Uma entrada em falso, como que relaxada, é meio caminho andado para que o resultado seja bem desagradável. Se já é embaraçoso para uma equipa mediana da Liga Sagres, que explicações poderia ter um treinador de um grande perante uma derrota frente a uma equipa que tem um orçamento cem mil vezes inferior? Nenhuma. Os adeptos, pelo menos, nada aceitariam como desculpa.

É precisamente devido a essa imprevisibilidade que a Taça de Portugal tem o seu encanto. Contudo, nos dias que correm, devido aos factores que acima já foram referidos, cada vez menos sobressaem os tomba-gigantes frente aos três crónicos candidatos ao título nacional - embora desportivamente poucas chances tenham, é óbvio que pretendem receber quem lhes dê visibilidade e... lucro. Mas, para uma equipa de uma segunda ou terceira divisiões, eliminar um Olhanense ou um Rio Ave, com todo o respeito por ambos, é já uma proeza que faz chamar a atenção dos adeptos. Chegar ao Jamor, estádio mítico onde sempre se realiza a final da Taça, é o ponto máximo que um clube de menor nomeada pode ambicionar. Há esse tal clima de festa e de confraternização. É diferente de tudo. É, acima de tudo, bonito de ver.