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sábado, 21 de novembro de 2009

Tantas diferenças e uma semelhança

Luiz Filipe Scolari tinha uma capacidade de mobilização absolutamente notável. Incentivou os portugueses, não se coibiu de comprar algumas guerrilhas, ganhou o respeito e a admiração de um país que se transformou num grande apoio à sua Selecção. Goste-se ou não do estilo, tem mérito. Há, no futebol português, um antes e um depois de Scolari. Chegou após um enorme sarilho criado na Coreia, quando era necessário um treinador capaz de revitalizar a Selecção e lançá-la para a glória a curto prazo. O Europeu de 2004, realizado em Portugal, era um objectivo declarado. Falhou mas o nosso futebol mudou. Scolari é um grande responsável. Houve, contudo, algo que ficou esquecido: o futuro.

Carlos Queiroz é diferente. Ou melhor, é o total oposto. Não tem o mesmo discurso capaz de juntar a população portuguesa em torno da Selecção nem goza do mesmo estatuto. Porquê? Boa pergunta, mas o facto de Scolari ter sido campeão mundial na Ásia talvez tenha contribuído para ser bem recebido. Queiroz, pelo contrário, não teve muita sorte nos clubes onde passou e os seus melhores momentos foram passados nas Selecções jovens de Portugal. Ao longo da fase de qualificação para o Mundial 2010, foi notória a desconfiança dos portugueses para com o seleccionador. A certa altura, o descrédito instalou-se. Poucos, muito poucos, mantiveram a esperança intacta.

O seleccionador acreditou sempre no seu trabalho. Foi persistente, fez questão de lembrar que as contas só são feitas no final. Ganhou. Está de parabéns, agora. Evidentemente que teve erros, demonstrou receio nalgumas partidas e noutras não teve as opções mais correctas. Falhou como todos falham mas cumpriu: Portugal não esteve bem, conseguiu recuperar e justificou o apuramento. Foi repetido o último resultado de Scolari, pois, para o Euro 2008, Portugal alcançou a segunda posição do seu grupo, atrás da Polónia. Agora, para a África do Sul, voltou a ser segundo. A diferença, grande, é que o primeiro deu a qualificação directa. Tão diferentes no feitio, tão iguais nas qualificações.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Balanço de um apuramento sofrido

Comecemos com uma questão que, neste momento, importa colocar: teria Portugal obrigação de se apurar directamente para o Mundial 2010? Sim, afinal a maior parte dos jogadores que fazem parte da Selecção nacional, para além de jogarem em clubes de topo mundial, possuem qualidade que ninguém questiona. Para perceber melhor essa argumentação, precisamos olhar aos adversários. Entre Dinamarca, Suécia, Hungria, Albânia e Malta, nenhum deles se apresenta como uma equipa que faça temer os portugueses pelo seu poderio. Aliás, apenas dinamarqueses e suecos se destacaram e, sabia-se desde logo, que não seriam fáceis de levar de vencida. São equipas de média/alta valia. O sorteio foi, decerto, recebido com um sorriso de confiança.

Depois de estarem cumpridas todas as jornadas da fase de qualificação, chegamos à conclusão de que Portugal apenas cumpriu os requisitos mínimos porque deixou escapar, para a Dinamarca, a liderança do grupo. Ou seja, não conseguindo alcançar a única posição que certificava a presença na África do Sul, o playoff passou a ser uma boa via alternativa - sobretudo por culpa própria, verdade seja dita, fruto de alguns tropeções sem explicação plausível. Após ter estado tão próximo do abismo, este segundo lugar foi uma espécie de pequena vitória e recompensa por todo o esforço despendido na parte final da fase de qualificação. Agora é uma confirmação: estamos mesmo apurados.

Nos dez jogos de apuramento, ao todo, foram onze os pontos desperdiçados. A primeira metade dessa fase de qualificação revelou-se absolutamente desastrosa para Portugal. A ansiedade, claro, após jogos bem pouco conseguidos e até opções incertas de Queiroz, tomou conta de todo o povo português. Não houve, porém, partida alguma em que a Selecção nacional fosse inferior ao adversário. Mesmo na derrota com a Dinamarca, sofrida nos minutos finais após um volte-face incrível, foram os erros defensivos que apagaram aquilo que de bom havia sido produzido. Contudo, há resultados que são inaceitáveis para uma equipa que pretende chegar longe: empatar, em casa, frente a uma Albânia reduzida a dez jogadores... é uma coisa do Diabo.

Além disso, acentuou-se, até ao primeiro jogo frente à Hungria, em Budapeste, uma tendência que remonta já aos tempos de Scolari: não vencer os adversários directos na luta pelo apuramento. Frente à Dinamarca voaram cinco pontos, os suecos ficaram com quatro. Dois adversários directos, oito pontos perdidos. Juntam-se mais dois, verdadeiramente desperdiçados nesse encontro com a Albânia, para chegar aos onze. Foi após o jogo de Copenhaga, com os dinamarqueses, que o Mundial ficou quase como uma miragem para os portugueses. Poucos seriam, aliás, aqueles que realmente ainda mantinham a esperança porque, para além de vencer as duas partidas com a Hungria e ainda Malta, na última jornada, era necessário que a Suécia não vencesse os três jogos.

Com determinação, enorme espírito de sacrifício e entrega total, foi alcançado o objectivo que, em dado momento, passou a ser prioritário. As partidas, independetemente da beleza ou não do futebol apresentado, culminaram todas em vitórias. Numa fase tão delicada quanto esta, ninguém se atreveria a pedir jogos de deliciar. Importava ganhar, nada mais. Agora, com todas as contas feitas, causa uma enorme estranheza como Portugal não conseguiu resolver, desde logo, as contas do apuramento. Esteve demasiado tempo adormecido, talvez à procura de um fio condutor. Esteve em baixo mas teve a capacidade de se erguer. Renasceu das cinzas.O playoff foi uma ponte para o destino de sempre: África do Sul. Até lá, Queiroz terá tempo para melhorar o que ainda não está bem.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ultrapassar barreiras até ao sucesso

Portugal, no próximo ano, marcará presença no Mundial da África do Sul. Desde 2000 que não ficamos de fora de uma grande prova de Selecções. Este apuramento não foi, todavia, nada fácil. Antes pelo contrário, mas o objectivo foi atingido. A qualificação de Portugal foi conquistada com inúmero esforço, resultante do playoff que apareceu como um bónus pela boa ponta final da fase de apuramento. Após o empate em Copenhaga, frente à Dinamarca, a esperança portuguesa perdeu-se. Não toda. Foi necessário recorrer à calculadora mas o golo de Liedson, coroando a sua estreia por Portugal, serviu para manter viva a ambição. Poucos seriam os que realmente tinham a confiança intacta, o Mundial era quase utópico, mas ela ainda lá estava. No fundinho.

Dentro dessa percentagem que sempre acreditou no sucesso está Carlos Queiroz. O seleccionador nacional não baixou nunca os braços, deixou bem patente que o país nunca poderia sentir vergonha dos jogadores ou acusá-los de falta de entrega. A qualificação não é uma prova de sprint mas sim uma maratona, frase repetida várias vezes nessa fase delicada. No entanto, tudo indicava de que fosse apenas uma questão de tempo até Portugal perder definitivamente as aspirações. Seria assim se a equipa virasse à luta e se escondesse nas fases más. Agora, após a vitória de ontem, Portugal tem a presença garantida no Mundial. Como mudaram as coisas: a esperança de uma minoria transformou-se numa certeza e alegria de dez milhões de portugueses. Custou mas foi!

As exibições não terão deixado ninguém maravilhado e, por mais estranho que possa parecer, as partidas com a Dinamarca (derrota e empate) foram as que se situaram acima da média. O grupo não era fácil, por lá estavam boas equipas de dinamarqueses e suecos, mas Portugal tinha todas as condições para se ter apurado directamente. Acordou demasiado tarde para isso, passou por momentos bem negros mas felizmente ainda teve tempo de conseguir estar no playoff. A Bósnia foi o último obstáculo colocado no caminho. Com preserverança, com objectividade e com mérito foi vencido. Também houve sorte, sobretudo no jogo da Luz. Tanta falta fez na fase de apuramento, nada quis com os portugueses, veio no momento decisivo. Que equipa passa sem ela?

domingo, 8 de novembro de 2009

Problema desnecessário

Carlos Queiroz convocou Cristiano Ronaldo para a dupla jornada da Selecção nacional frente à Bósnia. Está, por isso, instalada a confusão. Recuemos algum tempo para uma melhor compreensão do problema. Desde a partida de Portugal com a Hungria, na Luz, que Ronaldo se encontra em recuperação da lesão que o afecta no tornozelo. No entanto, nos últimos dias foi avançada a hipótese de Queiroz convocar mesmo o jogador quanto mais não fosse para que os médicos portugueses avaliassem a extensão da lesão. De pronto, o Real Madrid se insurgiu alegando que, caso estivesse em condições, Ronaldo seria utilizado por Pellegrini. Agora, confirma-se: Cristiano Ronaldo está seleccionado. Fará assim tanta falta?

As desavenças entre os responsáveis da Selecção portuguesa e o Real Madrid, sobre Ronaldo, remontam ao jogo com o Liechtenstein que o jogador madeirense falhou devido a uma gripe. Gilberto Madaíl e Carlos Queiroz, na altura, criticaram a forma como o impedimento de Cristiano Ronaldo foi comunicada - que motivou mesmo uma reacção onde o jogador se mostrou desiludido com as desconfianças dos portugueses. Este é somente um novo capítulo. É certo que o Real não quererá perder a sua maior estrela e todos os cuidados são poucos. Mas... que adiantaria aos espanhóis inventar uma lesão se não lhe traz qualquer benefício e o jogador continua parado? Apenas contribui para uma polémica sem sentido.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quando a Matemática ajuda a explicar o futebol

A Selecção nacional portuguesa tem, por esta altura, um problema bicudo pela frente. A presença no Mundial 2010, na África do Sul, está em sério risco. Falhar uma competição de de Selecções representa algo a que nós, portugueses, não estávamos já habituados pois desde o falhanço para o França'98 que não acontecia algo do género. No entanto, a exclusão do Mundial do próximo ano terá de ser encarada como um cenário bem provável de acontecer. Há, contudo, ainda esperança em como Portugal, beneficiando de uma ajuda de terceiros, consiga chegar ao playoff. Será uma espécie de estrada secundária para a África do Sul.

Surge, neste período delicado, uma questão importante: seria este um grupo assim tão forte para que Portugal não alcançasse a primeira posição, ou seja, a única que garante o acesso directo ao Mundial? Não, na minha opinião e independentemente dos resultados que foram surgindo, a Selecção portuguesa é a mais forte do seu agrupamento. À partida, Dinamarca - primeira classificada e, em princípio, a que conseguirá carimbar o bilhete para África do Sul - e Suécia tratam-se dos adversários mais fortes mas não são, de forma alguma, equipas de topo mundial. A Hungria poderá ser colocada imediatamente atrás (embora mais frágil do que as escandinavas, tal como ficou provado no último jogo frente a Portugal) mas com bem mais qualidade do que Malta e Albânia, as formações mais débeis do grupo.

Não foi, nem de perto nem de longe, devido às últimas prestações que Portugal fracassou. Aliás, a primeira parte alcançada em Copenhaga foi, muito provavelmente, o que de melhor se viu desta Selecção - embora não tenha acertado com a pontaria. Antes, apenas ganhara em Malta e na Albânia. Em casa, o saldo não é agradável: derrota (dramática) com a Dinamarca e nulos com a Albânia - este sim, um resultado verdadeiramente inaceitável - e com a Suécia, score que se repetiu em terras suecas. São, ao todo, onze pontos desperdiçados.

Quase tantos como os somados que são treze, isto é, menos cinco do que os dinamarqueses e menos dois do que os suecos. Com duas partidas pela frente, resta aos portugueses acreditar no segundo lugar, aquele que dará a participação num playoff de acesso ao Mundial. Para que tal aconteça, será necessário vencer, em casa, a Hungria e Malta e esperar ainda que a Suécia perca pontos. Na próxima jornada deste grupo, sábado, os dois primeiros classificados defrontar-se-ão e poderá ser aqui que Portugal tenha mais benefícios. Há que chutar para canto o pessimismo e acreditar nas possibilidades.

sábado, 12 de setembro de 2009

As contas da Selecção

A Selecção nacional portuguesa tem, por esta altura, um problema bicudo pela frente: a presença no Mundial 2010, na África do Sul. Falhar uma competição de Selecção representa algo a que nós, portugueses, não estávamos já habituados pois desde o falhanço para o França'98 que não acontecia algo do género. No entanto, a exclusão do Mundial do próximo ano terá de ser encarada como um cenário bem provável de acontecer. Há, contudo, ainda esperança em como Portugal, beneficiando de uma ajuda de terceiros, consiga chegar ao playoff. Será uma espécie de estrada secundária para a África do Sul.

Surge, neste período delicado, uma questão importante: seria este um grupo assim tão forte para que Portugal não alcançasse a primeira posição, ou seja, a única que garante o acesso directo ao Mundial? Não, na minha opinião e independentemente dos resultados que foram surgindo, a Selecção portuguesa é a mais forte do seu agrupamento. À partida, Dinamarca - primeira classificada e, em princípio, a que conseguirá carimbar o bilhete para África do Sul - e Suécia tratam-se dos adversários mais fortes mas não são, de forma alguma, equipas de topo mundial. A Hungria poderá ser colocada imediatamente atrás (embora mais frágil do que as escandinavas, tal como ficou provado no jogo de quarta-feira com Portugal) mas com bem mais qualidade do que Malta e Albânia, as mais fracas do grupo.

Não foi, nem de perto nem de longe, devido a esta dupla jornada na Dinamarca e na Hungria que Portugal fracassou. Aliás, a primeira parte alcançada em Copenhaga foi, muito provavelmente, o que melhor se viu desta Selecção embora não tenha acertado com a pontaria. Antes, apenas ganhara em Malta e na Albânia. Em casa, o saldo não é agradável: derrota (dramática) com a Dinamarca e nulos com a Albânia - este sim, um resultado verdadeiramente inaceitável - e com a Suécia, um resultado que se repetiu em terras suecas. São, ao todo, onze pontos desperdiçados.

Quase tantos como os somados que são treze, isto é, menos cinco do que os dinamarqueses e menos dois do que os suecos. Com duas partidas pela frente, resta aos portugueses acreditar no segundo lugar, aquele que dará acesso a um playoff de acesso ao Mundial. Para que tal aconteça, será necessário vencer, em casa, a Hungria e Malta e esperar ainda que a Suécia perca pontos. Na próxima jornada deste grupo, em Outubro, os dois primeiros classificados defrontar-se-ão e poderá ser aqui que Portugal tenha mais benefícios.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Azar, sim, mas não só...

Azar. Após o empate frente à Dinamarca, sempre que o assunto é a Selecção nacional, esta palavra marcou lugar cativo no vocabulário dos portugueses. Diz-se que Portugal teve azar. Concordo e acrescento: teve imenso azar. Todos concordarão, decerto. O que não se pode fazer, no entanto, é usar essa má sorte para explicar o porquê de nos encontrarmos numa posição tão delicada e de ter a qualificação para o Mundial cada vez mais longe. Em Copenhaga, Portugal jogou bem, produziu muito em termos ofensivos mas faltou o mais importante: marcar. É preocupante quando uma equipa tem mais de trinta remates e apenas consegue um golo.

Caso Portugal falhe a presença na África do Sul - e é, admitamos, neste momento, o cenário mais provável embora ainda reste alguma esperança - deverão ser focados os jogos com a Albânia, a Suécia e a Dinamarca. Os que foram jogados em Portugal, entenda-se, pois existiria alguma margem de erro para as partidas além fronteiras porque, se a exibição fosse sempre como em Copenhaga, o panorama seria bem mais animador. Repare-se que, em todos os jogos, Portugal foi melhor e produziu mais do que o adversário. Falhou, sempre!, na pontaria. Por isso digo, leitor, que não poderá ser apenas azar.

Empatar, a zero, em casa frente aos albaneses e aos suecos e perder (dramaticamente) ante os dinamarqueses são espinhas atravessadas na garganta dos portugueses. Uma equipa que pretende apurar-se e que é, por certo, a que melhores resultados tem obtido nos últimos anos, não pode desperdiçar pontos desta forma. Houve, após o primeiro jogo com a Dinamarca, uma ansiedade muito grande que afectou completamente os bons resultados. Claro que houve, também, azar. Quer com a falta de golos quer com decisões erradas dos árbitros. Mas isso não pode, de forma alguma, ser a única explicação para o provável falhanço.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os problemas internos e as provocações externas

Todos os jogos são, para cada jogador, como gigantescos adversários que têm de driblar. Sabemos como o futebol pode ser cruel: num segundo cria um herói mas em metade do tempo o destrói. Não há jogador algum que tenha apenas bons momentos, que esteja sempre em alta, que tudo lhe saia bem. Seria impossível que assim fosse, também, porque não estamos a falar de um robot mas sim de um humano errante. É aqui, precisamente, que entra a componente psicológica de cada um. Para um jogador de topo mundial, não chega ter talento de sobra.

O mesmo acontece num clube: pode ter meia-dúzia de figuras de proa mas, se não houver uma equipa forte e unida, nunca conseguirá alcançar o sucesso. Pretendo, com isto, chegar ao actual momento da Selecção nacional. Portugal está, neste momento, numa situação complicada para conseguir o apuramento para o Mundial 2010. Aliás, penso que haverá uma larga percentagem de portugueses que já não têm esperança em que como Portugal consiga a presença na África do Sul. Portanto, como é uma situação complicada,deveria existir maior cuidado na forma como se tratam algumas situações.

Não pretendo colocar em causa o espírito de grupo da Selecção nem muito menos a atitude com que encaram cada jogo. Tivemos, no entanto, bem recentemente dois casos que podem melindrar a estabilidade que se exige nesta altura. Primeiro, houve o mal-entendido entre os dirigentes da Federação e Cristiano Ronaldo devido ao facto de o capitão nacional ter falhado o particular com o Liechtenstein - Madaíl e Queiroz criticaram o Real Madrid mas Ronaldo mostrou-se desiludido com os responsáveis e os adeptos portugueses por terem posto em causa a sua gripe que o impediu de jogar.

Agora, durante a semana que antecede os jogo decisivos frente à Dinamarca e à Hungria, Gilberto Madaíl falou num aumento dos prémios em caso de vitória sobre os dinamarqueses e os húngaros. Deco ficou incomodado com as declarações, considerou-as infelizes, garantiu que nada há a apontar à atitude dos jogadores e que não estão na Selecção devido aos prémios. Não querendo empolar em demasia estas duas situações, parece-me que foram mal geridas e são absolutamente prejudiciais, ainda para mais se atentarmos à fase complicada em que a Selecção nacional se encontra.

Houve ainda tempo para algumas provocações dos jogadores dinamarqueses. É a tal psicologia que se falou acima. John Dahl Tomasson, capitão da Selecção de Morten Olsen, afirmou que Portugal foi ao Brasil comprar um ponta-de-lança - algo que, de acordo com o Maisfutebol, já motivou um pedido de desculpa oficial. Simon Kjaer, defesa-central, quando questionado sobre a forma de parar Cristiano Ronaldo avançou que terá de levar algumas pancadas. São declarações que nos fazem recordar Stijn Stijnen, guarda-redes belga, que em 2007 afirmou algo semelhante (bem mais duro, contudo!). As palavras dos dinamarqueses, mais do que qualquer prémio monetário, devem ser motivadoras para os jogadores portugueses. E para afixar no balneário, como um dia fez Mourinho...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Liedson e a Selecção

Carlos Queiroz chamou, à primeira oportunidade, Liedson para fazer parte da Selecção portuguesa que irá atacar os jogos com a Dinamarca e a Hungria. Tratam-se de dois jogos absolutamente cruciais, de vitória obrigatória, para Portugal poder marcar presença no Mundial 2010. A chamada do jogador agora português, longe de ser consensual, era esperada face à crise de golos que a Selecção tem vivido. No entanto, Queiroz não poderá cair na tentação de alterar toda a sua filosofia e o modo de jogar para integrar Liedson.

Poderemos começar pela legitimidade da chamada do jogador do Sporting à Selecção nacional. Na opinião de alguns adeptos, tal não deveria ter acontecido. Duas objecções colocadas passam pelo crescente número de naturalizados - com Liedson serão três - e ainda pela idade do avançado - com trinta e dois anos é uma solução de momento e não com vista para o futuro - que contrasta com a renovação que Carlos Queiroz tem procurado levar a cabo. Pessoalmente, mantenho a minha visão desde o princípio: depois de Deco e Pepe, Liedson tem toda a legitimidade para ser chamado. Afinal, é a essa a vontade do treinador e do jogador.

Porém, existe essa tal diferença de idades entre Liedson e os outros dois naturalizados. É compreensível que se fale dos trinta e dois anos do Levezinho porque, caso Portugal falhe a ida à África do Sul, poucas mais oportunidades terá para se mostrar e ser útil à nossa Selecção. Seja como for, creio que, neste momento, Carlos Queiroz e os portugueses apenas se têm de preocupar com a qualificação para o Campeonato do Mundo do próximo ano. Só depois, olhar para novos horizontes que passarão pela renovação da equipa.

Com a inclusão de Liedson, surge outro problema: o esquema táctico. Queiroz afirmou, numa entrevista recente, que o 4x4x2 em losango seria a nova fórmula que aplicaria. Para Liedson é perfeito: está habituadíssimo a ele no Sporting e gosta de jogar com um parceiro na frente de ataque. No entanto, neste passado recente, nunca foi utilizado na Selecção. E poderá ser prejudicial para alguns jogadores. Para Cristiano Ronaldo, sobretudo, pois poderá passar a jogar como segundo ponta-de-lança e sabemos que essa não é a posição onde é mais forte. Neste momento, certo apenas que Carlos Queiroz apostará no losango.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A naturalização de Liedson

A naturalização de jogadores é um tema que serve para inúmeras conversas e outras tantas opiniões. Em Portugal, neste momento, isso também acontece em torno de Liedson. O avançado brasileiro-que-agora-também-será-português do Sporting é um jogador de enorme qualidade. Aliás, muitas vezes tem sido ele o abono de família da equipa leonina. É um caso em que se junta a fome à vontade de comer: Liedson joga cá, nunca foi chamado à selecção brasileira e quer representar Portugal, ao passo que os responsáveis nacionais há muito procuram um digno sucessor de Pauleta.

Pessoalmente, não vejo qualquer problema no facto de Liedson jogar pela selecção portuguesa. No entanto, não sou a favor da naturalização de jogadores. Confusos? Eu explico: defendo que cada um deve representar apenas o seu país mas há muito que foi aberto um precendente com as naturalizações de Deco e Pepe, dois brasileiros na mesma situação do Levezinho, para jogar por Portugal. Não faria sentido não concordar com a chamada de Liedson: por que razão alguns puderam fazê-lo e outros não? Bem diferente seria se este se tratasse de um caso pioneiro, nunca antes visto no nosso país.

Com certeza que o leitor poderá ter uma visão completamente contrária desta que aqui deixo. Existem os adeptos que não concordaram com as chamadas de Deco e Pepe e certamente também não concordarão com a de Liedson, por um motivo de bom senso. Porém, quem foi a favor das naturalizações dos dois primeiros não pode ser contra agora. Não sei se existirá alguém a pensar dessa forma mas que lógica teria se assim fosse? Nenhuma, quanto a mim. A convocatória de Deco abriu a porta às naturalizações em Portugal. Caso a entrada de Liedson fosse barrada, seria uma tremenda injustiça.

sábado, 6 de junho de 2009

Albânia-Portugal,1-2: Bruno Alves mantém o sonho

Era absolutamente imperativo que Portugal ganhasse na Albânia para continuar a sonhar com a presença no Mundial 2010. Para isso, havia a necessidade de eliminar a crise de golos que os avançados portugueses atravessam. Hugo Almeida conseguiu marcar. No entanto, apenas sessenta segundos passados, Bogdani empatou para os albaneses. Os noventa minutos chegaram com o empate. Carlos Queiroz mandou Bruno Alves para a frente, para jogar a ponta-de-lança. Com resultado: o defesa do FC Porto fez o golo que mantém viva a esperança.

Os primeiros minutos da partida não foram bem jogados, sempre com ritmo baixo por culpa dasdiversas faltas cometidas pelos albaneses. A mais grave delas, aos 18 minutos, sobre Cristiano Ronaldo ficou sem a punição do árbitro. Seria grande penalidade. Respondeu depois a Albânia num lance de enorme perigo para a baliza de Eduardo mas bem resolvido por Pepe em cima da linha. Veio o golo de Portugal, logo após, numa incursão de Bosingwa no ataque finalizada por Hugo Almeida. O mais difícil estava feito. Não fosse aparecer, apenas um minuto volvido, Bogdani a elevar-se a Duda e cabecear para dentro da baliza portuguesa. Até intervalo, o jogo não foi bonito mas, mesmo assim, Raul Meireles ainda dispôs de uma oportunidade de marcar.

CRISE DE GOLOS NÃO AFECTA A DEFESA

Para a segunda metade, Carlos Queiroz tinha que mudar com o objectivo de lançar Portugal para a vitória. Decidiu retirar Boa Morte, um verdadeiro corpo estranho, e lançar Simão Sabrosa. A equipa melhorou um pouco, é certo, mas continuava sem criar perigo iminente para a baliza de Hidi. Aliás, foi mesmo a Albânia a ter um lance de grande frisson para a defensiva portuguesa após um erro clamoroso de Ricardo Carvalho. Também aqui ficou uma grande penalidade por assinalar, há que dizê-lo. Entrado nos últimos vinte minutos da partida, e sem encontrar soluções, Queiroz voltou a mexer trocando Hugo Almeida por Edinho. Uma alteração de zero risco.

A toada da partida não mudou. O colectivo não funcionava, os jogadores procuravam cada vez mais as jogadas individuais que, porém, também não davam o resultado desejado. Entrou, por fim, Nani para mudar o sistema para 4x4x2 jogando Ronaldo e Edinho na frente de ataque. Contudo, não havia forma de marcar. O empate era uma realidade, a presença no Mundial 2010 cada vez mais uma miragem. Findos os noventa minutos, Floryan Meyer deu mais cinco de desconto. Foi já dentro desse período que Bruno Alves marcou um golaço de cabeça que deixa Portugal com esperança de rumar à África do Sul. Apesar do panorama ser ainda bem complicado.

terça-feira, 31 de março de 2009

As mudanças na Selecção

A Selecção Nacional é o tema que marca o panorama futebolístico. As contas do apuramento para o Mundial 2010 estão mais complicadas do que nunca, ainda para mais num grupo onde os principais adversários são a Dinamarca e a Hungria, sem que nenhum deles seja um todo-poderoso do futebol mundial. Portugal é, de longe, a equipa que dispõe de melhores jogadores e que tem mais obrigações de seguir para a África do Sul até pelo seu passado recente. Esta é uma situação atípica para qualquer português que já se tinha desabituado dessas coisas de ter de fazer contas e depender de terceiros.Desde o falhanço no apuramento para o Mundial'98, em França, que a nossa Selecção não passava por tal situação, tendo conseguido qualificar-se para os Europeus de 2000 e 2008 (em 2004 foi anfitrião, logo estava automaticamente qualificado) e para os Mundiais de 2002 e 2006.

Ora aqui há que reconhecer méritos a Scolari, um treinador nem sempre bem aceite e nem sempre acertado, pois catapultou Portugal para entre os melhores da Europa (2º lugar em 2004, atrás da Grécia) e até do Mundo (4º lugar em 2006), ultrapassando o feito de Humberto Coelho, em 2000 na Holanda e na Bélgica. Além disso, conseguiu unir o país em torno da Selecção, fazendo com que fosse apenas uma força e uma equipa com uma confiança inabalável. Portugal regressou aos grandes palcos, às grandes noites de futebol, estava outra vez entre os melhores depois dos Magriços de 66. Porém, o ciclo de Luiz Filipe Scolari chegou ao fim. Veio Carlos Queiroz, um treinador português bem cotado no estrangeiro. As expectativas eram elevadas, claro. Ainda para mais, Queiroz é um treinador com vistas para o futuro, trabalhador com provas dadas ao nível da formação. O mesmo equivale por dizer que é o contrário de Scolari que apostou em resultados imediatos, a curto prazo, deixando que a formação caísse no esquecimento.

É precisamente aqui que mora a principal diferença entre os dois técnicos, entre os dois períodos da Selecção: Scolari era um treinador com o apuramento em mente e para isso tornou a Selecção numa espécie de clube, sem dispensar o núcleo duro; Carlos Queiroz é um homem talhado para projectos a longo prazo que incluam trabalho nas camadas mais joves, um trabalho demorado e sem pressas - as apostas em Duda, Danny, Eduardo e Orlando Sá são exemplos disso mesmo. Contudo, o que os portugueses querem é conseguir o apuramento para o Mundial 2010. Porque se esse objectivo for falhado, de nada servirá o trabalho de renovação da Selecção que Queiroz quer colocar em marcha.

(Texto feito para o FUTEBOLARTTE, blogue do qual sou colaborador)

domingo, 29 de março de 2009

Os maus dias da Selecção

O momento da Selecção Nacional é preocupante. É acima de tudo algo a que já nenhum português estava habituado neste passado mais recente, se bem que a qualificação para o Euro 2008 também tenha sido conseguida apenas no último jogo. Porém, o panorama actual é bem pior. Em cinco jogos de qualificação, Portugal conseguiu vencer apenas um, frente a Malta, ou seja, a equipa mais fraca do grupo. Seguiu-se a injustíssima derrota com a Dinamarca e três empates a zero, dois com a Suécia e um (incrível!) com a Albânia.

Além dos resultados, os problemas estão também na equipa, na sua estrutura. Ou na falta dela. Existe quase uma relação causa-efeito. Carlos Queiroz tem feito experiências atrás de experiências e tem apostado na formação, algo totalmente esquecido por Scolari. Ora este, talvez, não seja o momento indicado para isso mas também é certo que Queiroz não dispôs de tempo para o fazer pois começou logo a preparar esta qualificação. O problema maior reside no ponta-de-lança - o calcanhar de Aquiles desde a saída de Pauleta - numa altura em que se fala tanto da naturalização de Liedson e do facto de ser ou não selecionável. No jogo de ontem com a Suécia, foi Danny a assumir essa função, ele que não é nem nunca será um verdadeiro homem-golo. Viria a entrar, na segunda parte, Hugo Almeida mas nada mudou. Face à convocatória, Carlos Queiroz pouco mais poderia ter feito, é verdade. Mas a falta de alguém que marque golos tem-se evidenciado nos jogos de Portugal que já leva 270 minutos em branco. É significativo. Os adeptos interrogam-se: por que não convocar Nuno Gomes e/ou Hélder Postiga?

O facto de não conseguir marcar golos é o problema mais gritante de Portugal. Remata muito e joga bem, sem dúvida, mas em futebol mandam os resultados e ganha quem marcar mais golos. Depois de tantos percalços, de todo inesperados, e com metade da qualificação cumprida, resta acreditar que ainda é possível. Para isso é necessário vencer todos os jogos que há pela frente, com deslocações à Hungria e à Dinamarca pelo meio. Depois de desperdiçar sete pontos em casa, há que recuperá-los fora para pelo menos entrar no play-off de acesso ao Campeonato do Mundo da África do Sul. É o triste fado português!

sábado, 28 de março de 2009

Selecção: Que venha a calculadora!

Foram ene remates mas zero golos. Não há forma de Portugal conseguir colocar a bola dentro da baliza. Num jogo fundamental para o apuramento para o Mundial 2010, já por si complicado, a Selecção voltou a vacilar. Jogou bem, teve momentos muito bons em termos colectivos e fartou-se de rematar. Não marcou, porém. Obteve um nulo com a Suécia, no Dragão. Agora há que acreditar.

Sabia-se, à partida, que o embate com a Suécia não seria nada fácil para Portugal. Contudo, este era o momento ideal para que a Selecção Nacional desse a volta às adversidades e ficasse mais próximo do apuramento para o Mundial da África do Sul. Na antevisão, Carlos Queiroz tinha pedido alegria e um jogo tipicamente português para o conseguir. Eduardo estreou-se na baliza, Duda foi o lateral esquerdo, Pepe subiu para trinco e a frente de ataque foi composta por Danny, Ronaldo e Simão. Além disso, Queiroz apostou em Tiago para o lugar de Deco, que ficou no banco por não estar na totalidade das suas capacidades devido a uma paragem prolongada. Contudo, sentiu-se a falta do médio do Chelsea e, sobretudo, da sua magia. Do outro lado, Lars Lagerback não pode contar com Ibrahimovic o que por si só já representa uma vantagem para o adversário.

A uma melhor entrada da Suécia respondeu Portugal com a primeira grande chance de golo, aos quinze minutos, num remate de Pepe que passou perto do poste. Esta foi, talvez, a pedra de toque para que a equipa nacional conseguisse assentar o seu jogo. Três minutos volvidos, nova chance: Cristiano Ronaldo, isolado por Tiago, tentou o chapéu a Isaksson mas a bola saiu ao lado. Veio depois um remate de Duda ao poste. Portugal dispunha de mais oportunidades, estava melhor e já seria justo se estivesse em vantagem. A isso responderam os suecos, num remate de cabeça de Elmander que passou por cima da baliza de Eduardo. Ainda antes do intervalo, Simão, depois de uma jogada colectiva genial, dispôs da melhor ocasião de golo mas a bola, teimosa, saiu para fora. Entretanto surgiu mais uma contrariedade para Carlos Queiroz com a saída, por lesão, de Bosingwa que estava a ser um elemento fulcral no jogo ofensivo devido ao entendimento com Ronaldo. Ricardo Carvalho foi a solução encontrada, com a entrada de Rolando para o centro da defesa.

TENTAR DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS

Na segunda parte era preciso marcar golos. A exibição estava a ser boa, havia oportunidades mas faltava marcar. Por essa razão, Portugal voltou a entrar no Dragão com uma enorme determinação e vontade de ganhar. Contudo, foram os suecos a criar mais perigo, num cabeceamento de Larsson após uma saída atabalhoada de Eduardo. Respondeu, depois, Danny com um remate à malha lateral. O jogo estava mais dividido e mais aberto. Voltou a estar perto do golo a Suécia mas Eduardo foi melhor e conseguiu parar o remate de Elmander. Os remates de Portugal sucediam-se quer fosse de longa distância ou de bola parada. Mas era mais do mesmo. Carlos Queiroz decidiu, então, fazer entrar Deco para o lugar de Tiago, para abrir mais espaços, aos 62 minutos.

Foi com o mágico em campo que a equipa lusa cresceu: aos 72 minutos, protagonizou um bom lance e obrigou Isaksson a uma defesa apertada; pouco tempo depois, voltou a tentar a sua sorte, sem sucesso. Como sempre. O tempo começava a apertar e a esperança em ver Portugal marcar já não era a mesma. A seis minutos do final, Cristiano Ronaldo, em plena pequena área, teve uma oportunidade soberana para o fazer mas cabeceou por cima. Foi o último lance de verdadeiro perigo. Agora, resta acreditar porque a qualificação está muito, muito complicada.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Brasil-Portugal, 6-2: era amigável, não era?


Não, não há engano: o Brasil ganhou mesmo a Portugal por 6-2. Num jogo particular (sim, porque de amigável não teve nada) tudo parecia indicar para um duelo entre Kaká e Cristiano Ronaldo, uma espécie de passagem de testemunho de melhor do Mundo. Puro engano! Até porque enquanto o brasileiro sacou uma exibição dos diabos, a de Ronaldo foi um inferno. Mau de mais para ser verdade.

Portugal até começou a ganhar. Ou melhor, entrou no jogo a ganhar. Remate de Bruno Alves já dentro da área e desvio de Danny, "à Madjer". Um golo sensacional, de calcanhar. Ainda não estavam decorridos cinco minutos.

Contudo, o golo trouxe um sentido contrário: acordou a equipa brasileira para uma exibição de gala. Defesa segura, controlo no meio-campo, velocidade e golo. O empate. Luís Fabiano, depois de um drible de Robinho a Pepe, bateu Quim. O meio-campo de Portugal era um autêntico passador, um
passe-vite. Não fazia cócegas aos brasileiros. Kaká partiu a defesa portuguesa, libertou-se de Paulo Ferreira e Bruno Alves e deu o golo a Fabiano. Bis do avançado numa rotação perfeita. Reviravolta no resultado.

Carlos Queiroz fez entrar Raul Meireles para o lugar de Danny (foi o menos mau) e Nani para o lugar do regressado Tiago. Portugal aumentou a agressividade, mas o escrete continuava a mandar no jogo. E cada vez mais. Robinho, supersónico, conduziu o contra-ataque, contou com Luís Fabiano como intermediário e Maicon fez um golaço. Loucura no Bezerrão. Que não iria ficar por aqui, contando com as mesmas personagens: depois de um remate de Robinho, Fabiano - enorme exibição! - antecipou-se a Quim e completou o seu "hat-trick". 4-1.

Portugal estava agora vergado, sem forças para tanto Brasil. Mesmo assim, ainda conseguiu reduzir a desvantagem, num remate cruzado de Simão. Mas este foi apenas um aparte na festa canarinha. Foi Elano quem fez questão de dar mais vida à festa (era mesmo preciso?) com um golo de levantar o estádio.O jogo praticamente acabou aqui. Depois houve substituições e mais substituições, que partiram o ritmo. Porém, antes do apito final, mais um golaço. Cabeceamento de Adriano e já está, 6-2. Impotente, Carlos Queiroz levou as maõs à cabeça.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Selecção: não foi azar, foi azelhice!


Inacreditável!! Portugal empatou, em Braga, com a Albânia, que a partir do minuto 40 jogou com menos um elemento. Não, não é nenhuma piada.

Portugal jogou lento, lento, lento. Sem imaginação, sem um médio criativo - que saudades, Deco! - sem chama, sem nada. Pior, o apuramento para o Mundial 2010 está muito, muito complicado. Num grupo onde os principais adversários da Selecção nacional são a Dinamarca e a Hungria. Custa a acreditar, mas é verdade.

É certo que a Albânia teve sorte. Bola no poste de Hugo Almeida, falhanços incríveis dos jogadores portugueses e um guarda-redes herói, Beqaj. Mas este empate não é só azar. É antes azelhice. A bandeirinha na janela, os gritos por "Portugaaaal" e as noites de glória deram lugar a assobios, bocejos e protestos. O triste fado de andar a fazer contas regressou e já há quem suspire por Scolari.

Pior do que tudo isto - será possível haver pior? - só as reacções no final da partida. Madaíl saiu do seu lugar quando ainda faltavam oito minutos para o fim; Carlos Queiroz não apareceu no "flash-interview" e Ronaldo - para melhor do mundo tem que dar muitíssimo mais - revoltou-se contra o público. Isto faz-me lembrar alguma coisa...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Selecção: como perder um jogo em dez minutos...


Faltam seis minutos para o fim do tempo regulamentar. Portugal ganha por 1-0 e já podiam ser três ou quatro. A vitória está no bolso. Eis então que a Dinamarca resolve dar uma aula de como ganhar um jogo em dez minutos. Ou de o perder, se for o caso de Portugal. Niklas Bendtner tira Bosingwa do caminho e remata para o fundo da baliza de Quim. Dois minutos depois, Nuno Gomes é abalroado dentro da área. Deco, na conversão da grande penalidade, volta a colocar Portugal em vantagem. Uff! Já não escapa, pensam os portugueses. Em cima dos noventa, Poulsen antecipa-se a Quim e volta a empatar a partida. Que balde de água fria! Três minutos depois, nos descontos, Jensen remata, a bola bate no corpo de Pepe e vai direitinha para dentro da baliza portuguesa. Inacreditável. Bizarro.

Portugal entrou mal no jogo. Por duas vezes, Bendtner mostrou que esta Dinamarca, a jogar em 4x2x4, não era apenas um figurante. Estava ali para discutir o jogo. A equipa nacional assentou e foi a vez de Deco pegar no jogo, colocando a Dinamarca no lugar. Mesmo sem massacrar, Portugal teve um claro domínio e criou várias oportunidades, entre elas um remate de Paulo Ferreira que obrigou Andersen a uma defesa fantástica. Os dinamarqueses criavam perigo, essencialmente, nas bolas paradas - o mesmo mal de sempre. Estiveram, mesmo, perto de marcar, num ressalto em Meireles, que Quim defendeu. Perto do intervalo, surgiu o golo de Portugal. Paulo Ferreira abriu na esquerda para Hugo Almeida, que cruzou para Nani marcar.
Uma jogada genial do ataque português.

FALHAR, FALHAR E FALHAR

A segunda parte tinha tudo para ser a confirmação da vitória de Portugal. Tudo não, porque Simão, Nani e Hugo Almeida não queriam nada com a baliza. A Dinamarca não criava perigo e Carlos Queiroz lançou Nuno Gomes e Danny, para os lugares de Hugo Almeida e Simão Sabrosa. Foram os recém-entrados que quase acabaram com o jogo. Primeiro Danny, numa grande jogada de contra-ataque atirou ao lado, só com Andersen pela frente; depois, aos 77 minutos, foi Nuno Gomes, que de baliza escancarada atirou a bola para a bancada.

Tanto falhanço não dá bom resultado. Não pode dar. Aos 84 minutos, Agger jogou bem para Bendtner, que empatou o jogo. Que gelo em Alvalade. Na jogada seguinte, Deco - não merecia perder por nada deste mundo - sacou um coelho da cartola. Começou e concluiu a jogada do penalty, com Nuno Gomes como intermediário e Portugal estava de novo em vantagem. A quatro minutos do fim, a vitória estava quase garantida. Faltava o quase. Morten Olsen meteu a carne toda no assador e mandou a equipa para cima dos portugueses. Queiroz tirou Nani e fez entrar Moutinho para o meio-campo. Não teria sido melhor ter posto Bruno Alves? Até pela estatura dos dinamarqueses. Foi mesmo por aí, pelas alturas, que surgiu o golo de Polsen, o segundo da Dinamarca. Gelado, gelado. Três minutos depois, Martin Jensen marcou o terceiro. Um golo caído do céu aos trambolhões que deu a vitória. Incrível!


"Na noite em que Quim parecia que andava a ver jogos do Bétis, pela maneira como saía da baliza" - Pedro Sousa (RR)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Foi cobardia, sim senhor!

A decisão de Scolari em nunca convocar Vítor Baía para a Selecção Nacional foi a polémica que fez correr mais tinta em Portugal, nestes últimos anos. Apito Dourado à parte, é lógico. Uma decisão que ninguém percebe.

Vítor Baía falou, ontem, pela primeira vez sobre Scolari. Sim, porque durante todos estes anos, não fez uma única crítica ao seleccionador para não criar as tais pressões. E falou para dizer que ainda espera uma explicação por não ter sido convocado e para dizer que Scolari foi cobarde. O agora treinador do Chelsea respondeu dizendo que foi apenas "opção técnica". Como é que o melhor guarda-redes da Europa não é convocado para a Selecção por "opção técnica"? Alguém percebe? Eu acho que é impossível perceber.

Depois é claro que se criam as teorias da conspiração. Ou Vítor Baía criava instabilidade no grupo; ou era testemunha de não sei o quê; ou se fosse convocado era sinal que o seleccionador estava a ceder a pressões exteriores e bla bla bla. Algumas delas ridículas. Mas afinal e, segundo Scolari, a explicação é simples: opção. Não entendo! Alguém entende?

Mas há mais. Com a chegada de Carlos Queiroz, parece que Ricardo perdeu de vez a titularidade da baliza de Portugal. Ele que era intocável para Scolari. Assim à primeira vista, pode parecer que estamos perante dois casos muito semelhantes. Mas nada disso! Ricardo não tem lugar no Bétis, o seu clube. Por isso não joga na Selecção. Vítor Baía era simplesmente o melhor da Europa. Semelhanças? Nenhumas.

Foi cobardia, sim senhor.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ricardo de fora da Selecção!

Estava visto. Ricardo não foi convocado por Carlos Queiroz para o amigável com as Ilhas Faroé. Alguma surpresa? Não. Era lógico. A baliza de Portugal há muito que precisa de mudar de dono.