Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Queiroz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carlos Queiroz. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caso Queiroz: Consumatum Est

O título da crónica é este (dá sempre um ar de intelectualidade recorrer ao latim) mas poderia usar o já gasto (ao longo destes dois últimos meses) "crónica de uma demissão anunciada". Independentemente do título, Carlos Queiroz já foi, não na altura em que devia ter ido, pois a sua dispensa deveria ter acontecido logo após o regresso do Mundial, mas foi de um modo vergonhoso, empurrado pela porta dos fundos como se fosse um criminoso. É malcriado e agressivo? Arrogante? Orgulhoso? Mau, tecnicamente, no banco? Treinador medroso? Pois, que seja tudo isto e o que mais lhe queiram chamar, mas continuo a dizer que o modo encontrado - aliança ADoP/Secretário de Estado - foi a mais delegante e persecutória que se podia arranjar. Já aduzi em anterior crónica os motivos incongruentes que encontrei. Agora, para ajudar a esse raciocínio, vem a explicação da Federação Portuguesa de Futebol.

A FPF declara que, dos três objectivos a cumprir pelo seleccionador, só dois foram cumpridos. Faltou o terceiro, elucidando nós que dizia respeito a "tirar do fundo" o futebol jovem, e aí o falhanço foi claro com a escolha de "amigos" que nada tinham "provado" como técnicos (Oceano, Emílio Peixe) e os resultados das selecções jovens são elucidativos do falhanço. Os outros dois foram conseguidos, mas sem brilhantismo e com muito sofrimento na fase de qualificação,aliando a um futebol retrógrado e medroso da selecção na fase final do Mundial.

Rei morto, rei posto. Vai Queiroz (com muita tinta ainda para correr a nível jurídico) e vem outro seleccionador. Candidatos há muitos: Paulo Bento, o nome lançado pela comunicação social e por alguns elementos da Direcção da Federação, será neste momento o mais bem colocado; Humberto Coelho foi alvitrado por Gilberto Madail mas tem muitos anti-corpos na direcção federativa; os estrangeiros do costume (Aragonés, Eriksson, etc.); um outsider que ainda recebe ordenado federativo depois de rasgado o seu contrato com Madail (Manuel José) e os "abutres" do costume, já picam sobre o pseudo cadáver ainda nos últimos estertores, com Cajuda à cabeça (parece que abandonou o fax e recorre às páginas sociais).

Mas ainda agora começou a verdadeira guerra, a corrida à cadeira federativa, com vários candidatos: Fernando Seara proposto pela facção benfiquista, Carlos Ribeiro (presidente da Associação de Futebol de Lisboa) proposto pelas associações, Luís Figo com Madail a apadrinhar há muito esta hipótese, Vítor Baía proposto pelas mais diversas instituições (algumas associações, Sindicato dos Jogadores e Treinadores, médicos, etc.) e o candidato do FC Porto e Sp. Braga que está no segredo dos deuses mas promete vir a ser uma "bomba". Aguardemos, que a procissão ainda vai no adro e a Federação ainda está a viver na irregularidade, mas as armas vão começar a ser terçadas na comunicação social e prometem dar que falar.

Tenho pena do novo seleccionador que vai encontrar uma selecção à deriva, sem verdadeiro número dez (será tentado o regresso de Deco para os próximos jogos) e sem verdadeiros craques, pois os que assim se auto-denominam (Cristiano Ronaldo, Nani e Quaresma) são egoístas e adoradores do seu umbigo, cuidando mais do individual do que do colectivo. Para além disso, tem o ónus de correr contra o destino mais que traçado - não qualificação para o Europeu -, o que lhe poderá, paradoxalmente, dar algum lastrro para a desejada vassourada nos treinadores das selecções jovens.

PS: Não abdico nunca de expressar a minha opinião. Ainda bem que não é convergente e tem opositores, mas este nunca será o local para perguntas ou esclarecimentos que queiram colocar, pois não costumo jogar pingue-pongue de ideias no espaço de comentários deste espaço no qual sou convidado. Quem o quiser fazer tem essa hipótese no email bernardinobarros@gmail.com, dentro dos limites da decência e a boa educação.

BERNARDINO BARROS

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Candidatos ao Mundial? Não...

Se nos apurarmos, somos candidatos a ganhar o Mundial. A própria frase poderá parecer algo paradoxal, porque coloca duas extremidades quase que lado a lado. Será, à partida, atribuída a um adepto crente e pleno de ambição. Os responsáveis máximos, pelo contrário, costumam preferir um discurso bem mais cauteloso. Porém, a frase que abre este texto foi proferida por Carlos Queiroz. Pessoalmente, parece-me uma afirmação desajustada. Ou melhor: precipitada. O melhor argumento que sustenta essa opinião passa pelo facto de a nossa Selecção não ter ainda o apuramento garantido para a África do Sul. Sim, Queiroz colocou um condicionalismo - se nos apurarmos - mas, antes disso, há que dobrar a complicada eliminatória com a Bósnia.

Evidentemente que qualquer português tem confiança em como Portugal, que é favorito sem que se levante qualquer contestação, se apurará mas os bósnios não serão fáceis de ultrapassar. Bem pelo contrário. Carlos Queiroz não o fez, claro, até porque sabe que subjugar o adversário seria um verdadeiro hara-kiri. No entanto, leitor, causa-me uma enorme estranheza como poderá uma equipa, que ainda nem tem certeza que esteja no Mundial, poderá ser candidata a vencer a prova. Acontecerá o mesmo com a Bósnia? Não, absolutamente. Assim, Portugal, embora tenha sido vice-campeão da Europa e alcançado um quarto lugar em 2006, com as dificuldades que sentiu nesta primeira fase, não pode ser colocado no lote dos favoritos.


terça-feira, 31 de março de 2009

As mudanças na Selecção

A Selecção Nacional é o tema que marca o panorama futebolístico. As contas do apuramento para o Mundial 2010 estão mais complicadas do que nunca, ainda para mais num grupo onde os principais adversários são a Dinamarca e a Hungria, sem que nenhum deles seja um todo-poderoso do futebol mundial. Portugal é, de longe, a equipa que dispõe de melhores jogadores e que tem mais obrigações de seguir para a África do Sul até pelo seu passado recente. Esta é uma situação atípica para qualquer português que já se tinha desabituado dessas coisas de ter de fazer contas e depender de terceiros.Desde o falhanço no apuramento para o Mundial'98, em França, que a nossa Selecção não passava por tal situação, tendo conseguido qualificar-se para os Europeus de 2000 e 2008 (em 2004 foi anfitrião, logo estava automaticamente qualificado) e para os Mundiais de 2002 e 2006.

Ora aqui há que reconhecer méritos a Scolari, um treinador nem sempre bem aceite e nem sempre acertado, pois catapultou Portugal para entre os melhores da Europa (2º lugar em 2004, atrás da Grécia) e até do Mundo (4º lugar em 2006), ultrapassando o feito de Humberto Coelho, em 2000 na Holanda e na Bélgica. Além disso, conseguiu unir o país em torno da Selecção, fazendo com que fosse apenas uma força e uma equipa com uma confiança inabalável. Portugal regressou aos grandes palcos, às grandes noites de futebol, estava outra vez entre os melhores depois dos Magriços de 66. Porém, o ciclo de Luiz Filipe Scolari chegou ao fim. Veio Carlos Queiroz, um treinador português bem cotado no estrangeiro. As expectativas eram elevadas, claro. Ainda para mais, Queiroz é um treinador com vistas para o futuro, trabalhador com provas dadas ao nível da formação. O mesmo equivale por dizer que é o contrário de Scolari que apostou em resultados imediatos, a curto prazo, deixando que a formação caísse no esquecimento.

É precisamente aqui que mora a principal diferença entre os dois técnicos, entre os dois períodos da Selecção: Scolari era um treinador com o apuramento em mente e para isso tornou a Selecção numa espécie de clube, sem dispensar o núcleo duro; Carlos Queiroz é um homem talhado para projectos a longo prazo que incluam trabalho nas camadas mais joves, um trabalho demorado e sem pressas - as apostas em Duda, Danny, Eduardo e Orlando Sá são exemplos disso mesmo. Contudo, o que os portugueses querem é conseguir o apuramento para o Mundial 2010. Porque se esse objectivo for falhado, de nada servirá o trabalho de renovação da Selecção que Queiroz quer colocar em marcha.

(Texto feito para o FUTEBOLARTTE, blogue do qual sou colaborador)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ricardo de fora da Selecção!

Estava visto. Ricardo não foi convocado por Carlos Queiroz para o amigável com as Ilhas Faroé. Alguma surpresa? Não. Era lógico. A baliza de Portugal há muito que precisa de mudar de dono.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Queiroz: de Manchester para a Selecção

Depois do reinado de cinco anos de Scolari chega a vez de um português reassumir a liderança da Selecção Portuguesa. Carlos Queiroz é o novo seleccionador nacional.

Queiroz é um treinador bem visto em Portugal, muito por aquilo que conseguiu com as selecções jovens - campeão do Mundo em 89 e 91 - mas também por ser durante alguns anos o braço direito de Sir Alex Ferguson no Manchester United. Mas, mesmo assim, há sempre aqueles desconfiados. Até porque, quando foi colocado à prova como treinador principal, descontando as selecções jovens de Portugal não conseguiu resultados brilhantes. Apenas para dar um exemplo, foi treinador do Real Madrid, mas regressou a Old Trafford para voltar ser adjunto de Ferguson apenas com uma Supertaça espanhola - no tempo dos galácticos.

Queiroz estava na pole-position para dentro de 3/4 anos suceder a Alex Ferguson. Mas preferiu regressar a Portugal. Boa sorte!

Carlos Queiroz: o novo seleccionador!

É oficial: Carlos Queiroz assinou um contrato com a Federação Portuguesa de Futebol válido por quatro anos. Ou seja, o ex-adjunto de Alex Ferguson no Manchester vai ser seleccionador até ao final do Euro 2012.

Fica o comunicado da FPF:

A Federação Portuguesa de Futebol tem o prazer de anunciar que o Professor Carlos Queiroz é o novo Seleccionador Nacional. O técnico português terá um contrato com a duração de quatro anos e será apresentado na quarta-feira, dia 16 de Julho, às 12h30, na sede do organismo que tutela o futebol em Portugal.

Gilberto Madaíl e Carlos Queiroz concretizaram o desejo mútuo de que o técnico português voltasse a trabalhar na FPF. Tal como os técnicos que o antecederam, Queiroz vai ser responsável pela Selecção Nacional – Clube Portugal e todas as outras Selecções jovens, nas quais teve um trajecto particularmente bem sucedido e marcante.

“O Professor Carlos Queiroz é, indiscutivelmente, uma referência de topo entre os técnicos portugueses e foi a minha primeira opção para ocupar o cargo de Seleccionador Nacional. Apesar de nunca ter trabalhado com ele, uma vez que ele já não estava na Federação quando eu cheguei, tenho acompanhado a sua carreira com muito interesse e creio que as experiências que adquiriu por todos os locais onde trabalhou serão importantes para que alcance os êxitos que todos pretendemos. Estou muito esperançado de que possa fazer um excelente trabalho, quer ao nível da Selecção A, nomeadamente com a qualificação para o Mundial 2010, quer ao nível das Selecções mais jovens, onde também tem provas dadas. Fizemos um esforço grande, até do ponto de vista financeiro, para trazer o Professor Carlos Queiroz de volta e vamos fazer tudo para que tenhas as melhores condições para desempenhar as tarefas para as quais foi contratado. Cabe-me reconhecer a atitude cooperante que o Manchester United teve desde o início deste processo.”, afirmou o Presidente da FPF, Gilberto Madaíl, ao Portal do Futebol.

Por seu turno, Carlos Queiroz, também não escondeu a alegria por regressar ao comando da “equipa de todos nós”. “Estou muito orgulhoso e honrado por poder voltar a servir o meu país. É um desafio muito especial e um cargo que qualquer profissional ambiciona. Desde que recebi o primeiro contacto e o Dr. Gilberto Madaíl me apresentou o projecto, mostrei-me receptivo a abraçar este grande desafio. Embora a Federação e eu próprio tenhamos evoluído bastante nestes últimos anos, ainda conheço suficientemente bem os cantos à casa para poder me integrar rapidamente e implementar a minha estratégia. Creio que temos condições para continuar a projectar uma excelente imagem do nosso país através dos bons desempenhos das Selecções Nacionais e, em particular, da Selecção Nacional A, cujo primeiro grande objectivo é a qualificação para o Mundial da África do Sul. Não podia também deixar de agradecer ao Manchester United pelo acordo estabelecido para que o meu regresso a Portugal se pudesse concretizar.”, disse o técnico.

A FPF aproveita para desmentir categoricamente que um ou vários dos patrocinadores da Selecção Nacional, bem como qualquer outra empresa ou instituição tenham participado financeiramente ou de outra forma no processo de contratação do Professor Carlos Queiroz.

Federação Portuguesa de Futebol, Carlos Queiroz e Manchester United foram as únicas partes envolvidas.


A mim parece-me uma boa escolha. Bem-vindo de volta, professor!