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sábado, 11 de dezembro de 2010

Made in England: O que tens tu, campeão?

Ponto prévio: o Chelsea está definitivamente em baixo de forma. Teve, agora, mais um empate comprometedor, em Stamford Bridge, frente ao Everton. A equipa de Liverpool entrou com toda a força, carregou forte no acelerador e poderia ter chegado à vantagem cedo. Contudo, após a surpresa inicial, os anfitriões recuperaram a compostura, pressionaram, equilibraram as forças e falharam uma série de oportunidades. Aos quarenta e um minutos, o campeão chegou à vantagem: depois de uma distração de Phil Neville, Tim Howard viu-se forçado a cometer uma grande penalidade e Drogba não desperdiçou. Na segunda parte, porém, o equilíbrio desapareceu e, com o passar do tempo, o Everton foi ganhando ascendente. Já muito perto do final, Jermaine Beckford restableceu a igualdade, colocando justiça no marcador. O Chelsea é agora terceiro, com apenas mais um ponto que Manchester City - que é quarto. Dias difícies para o actual campeão. Depois de uma entrada desconcertante e audaz, o Chelsea tem apenas uma vitória nos últimos seis jogos. What's happening?

O Arsenal está, provisoriamente, no primeiro lugar, graças ao empate do Chelsea e ao adiamento do jogo do Manchester United, anterior líder, devido à neve - a vitória sobre o Fulham coloca os gunners com um ponto de vantagem sobre a equipa de Alex Ferguson. A exibição do Arsenal não foi convincente, nada disso, mas o mais importante, os três pontos, foram alcançados num jogo pintalgado de momentos cintilantes de Nasri. Os níveis de confiança estão mais elevados, contudo, nos próximos tempos, os gunners têm pela frente importantes desafios. Esta equipa ainda não está afinada, mas neste momento nenhuma da Premier League parece ter atingido a plenitude dos seus recursos. As apostas para adivinhar o futuro campeão estão agora totalmente baralhadas.

O Manchester City, outsider rico na luta pelo título, recebeu e ganhou a uma das equipas sensação do momento, o Bolton, com uma exibição segura e dominante. Um golo madrugador de Carlitos Tévez foi o suficiente para garantir a vitória, embora tenha ficado a sensação de ter sabido a pouco. O Bolton não é, no entanto, esta época, presa fácil. Os citizens aproximaram-se, assim, dos primeiros, estando a escassos três pontos do Arsenal. Finalmente o Tottenham, para não destoar, também continua a ter performances irregulares. Se no ano passado jogar em Birmingham era sinónimo de não ganhar, este ano nem por isso, excepto para o Tottenham. Os spurs são melhor equipa e isso notou-se durante o jogo. Os da casa conseguiram o empate graças a uma exibição muito esforçada, plena de garra. O empate final penaliza os visitantes mas não escandaliza. Ainda a seis pontos do topo, o Tottenham continua na luta, nem que seja por um lugar na Liga dos Campeões.

MADE IN ENGLAND: Espaço quinzenal, produzido em parceria com Armando Vieira, sobre as incidências da Premier League inglesa.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Made in England: As contas do título inglês

A grande surpresa da última jornada em Inglaterra foi a derrota caseira do Chelsea frente ao Sunderland, maior ainda por ter sido por 0-3. O facto do Chelsea já não perder em casa desde Março e o Sunderland, em confrontos com os londrinos de Stamford Bridge, não pontuar há nove anos - tudo derrotas -, deixava os visitantes com as probabilidades de vitória nas apostas em 1/14. Mas há mais a dizer: os homens de Ancelotti apenas esboçaram uma tentativa de domínio no início da partida e depois foram incapazes de contrariar os forasteiros. O Sunderland controlou o jogo e materializou esse controlo com três golos sem resposta. O todo-poderoso Chelsea volta, assim, a ter uma exibição aquém do esperado e relança a corrida para o título, uma vez que perdeu terreno e sente já a pressão dos perseguidores.

O Liverpool, que vinha a encetar uma recuperação muito boa, acabou por ser travado mais uma vez. Em casa do Stoke City, Raúl Meireles e companhia pareciam não estar preparados para a partida. Os da casa jogaram mais e melhor e nunca pareceram estar em risco de perder - ou, sequer, empatar. Apesar de já estarem em melhor posição e de obviamente ser muito dificil, nesta liga, ganhar sempre, esperava-se um pouco mais do Liverpool, abatido por dois golos sem resposta, um no início e outro no fim da segunda parte. As duas equipas seguem agora com os mesmos pontos no meio da tabela.

No Villa Park a, vinte minutos do fim, o jogo estava empatado a zero. Uma partida dividida, entre Aston Villa e Manchester United, onde os visitantes entraram a dominar e durante meia-hora ameaçaram marcar por diversas vezes. Os da casa, com nove jogadores indisponíveis, equilibraram e passaram, também eles, a criar perigo. E assim foi até aos setenta minutos: oportunidades de parte a parte, embora nesta fase um maior domínio do Aston Villa. Consequência? Em três minutos marcaram dois golos. Quinze minutos para jogar e a tarefa dos homens de Alex Ferguson parecia gigantesca. Mas a inspiração dos red devils levou-os a encostar o adversário na defesa, reduzindo aos oitenta e empatando quatro minutos depois. Grande partida de futebol e muita emoção. No entanto, o Manchester acaba o fim-de-semana ultrapassado pelo Arsenal e está agora em terceiro, a três pontos da liderança.

Em Liverpool, mas em casa do Everton, os blues, sem perder há sete jogos, receberam o Arsenal, que lutavam, então, para se aproximar do Chelsea e passar o Manchester United. O jogo foi, tal como esperado, muito renhido. Grandes oportunidades de parte a parte e sem nenhuma das equipas a evidenciar um domínio sobre a outra. Sagna, com um potente remate de ângulo apertado, abriu o marcador, ainda na primeira parte, e Fàbregas, pouco depois do reatamento, aumentou a vantagem dos gunners. O Everton viu-se obrigado a reagir e a atacar, passando, com as alterações de David Moyes, a jogar com três atacantes, o que se traduziu numa série de oportunidades. Contudo, o melhor que consegiu foi, em cima do apito final, reduzir a desvantagem.

No Manchester City a pressão aumenta. Roberto Mancini viu a sua equipa empatar em casa contra o Birmingham e paira, novamente, no ar a incerteza sobre a sua continuidade. Contra uma equipa da metade inferior da tabela, os citizens foram incapazes de quebrar a barreira defensiva. Com um futebol pouco atraente - os visitantes também não ajudaram, pois tiveram apenas um propósito: defender -, sem soluções, o empate acaba por se ajustar. O City está agora em quarto mas com exibições muito decepcionantes. Espera-se muito mais desta equipa de estrelas.

O campeonato está muito emotivo. O ponto comum este ano tem sido a de nenhuma equipa se estar a destacar. No início, o Chelsea parecia querer deixar todos para trás mas as três derrotas que sofreu voltam a colocar a equipa londrina a escassos pontos dos perseguidores. O Arsenal parece estar a acertar mais mas ainda assim sem convercer muito. Os dois de Manchester estão a apostar na tentativa de pontapé na crise mas sem grandes resultados. Tudo em aberto com muito campeonato pela frente.

MADE IN ENGLAND: Espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, sobre o mais fascinante campeonato do planeta.

sábado, 6 de novembro de 2010

Made in England: Chelsea no topo com um City em queda

Em Old Trafford disputou-se o jogo grande da jornada. O Tottenham, que começou a época de uma forma mais lenta, começa agora a mostrar porque terminou em quarto na temporada passada. Os red devils dominaram, como lhes competia, entraram fortes e determinados a resolver cedo. Sir Alex Ferguson quer deixar a crise para trás e parece estar, finalmente, a obter resultados. Nani - em excelente forma! - foi a figura do jogo, muito produtivo e esteve presente no primeiro golo e marcou o polémico segundo. O domínio do Manchester United não atemorizou os spurs e estes espreitaram sempre o golo. Se o tento inicial de Vidic, à meia-hora, estimulou os visitantes, o golpe final de Nani, a seis dos noventa, matou o jogo. Não só porque já não havia muito tempo para jogar, mas, mais, porque os homens de Redknapp se sentiram profundamente injustiçados e perderam toda a concentração. Uma excelente partida de futebol a confirmar as previsões.

O Cheseal, campeão em título, deslocou-se a Blackburn e foi invulgarmente dominado. Os rovers assumiram as despesas do jogo e lutaram para a conquista dos três pontos - materializaram esse mesmo domínio com um golo aos vinte e um minutos. Mas as grandes equipas mostram-se nestes momentos e, mesmo sem jogar bem, o Chelsea acabou por dar a volta ao resultado. Segue isolado em primeiro lugar e é o favorito para a conquista do campeonato. O Arsenal, que segue na perseguição ao primeiro lugar, a jogar em casa sentiu muitas dificuldades em vencer o lanterna vermelha West Ham. Apesar do domínio natural dos gunners, os golos não surgiam e os hammers, a espaços, também tentavam a sua sorte. Robert Green, guarda-redes visitante, foi quase intrasponivel e foram precisos oitenta e oito minutos para que sofresse o único golo da partida. No final, dever cumprido, embora de forma sofrida, pelo Arsenal.

Outro jogo entre equipas em lugares opostos na tabela trouxe a surpresa da jornada. Em casa do Wolverhamptom Wanderes, o Manchester City entrou a confirmar o que se esperava - uma vitória fácil. Todas a jogadas de ataque da equipa de Mancini levavam muito perigo e parecia estar a adivinhar-se um triunfo. O golo de Adebayor, de grande penalidade, era o materializar do que que parecia inevitável. Contudo, após a vantagem inicial, o City pareceu descontrair, talvez porque o adversário ocupava um dos últimos lugares na tabela, talvez porque o seu domínio era de tal forma evidente que a vitória seria certa. Puro engano. O Wolves equilibrou, empatou e, na segunda parte, por intermédio de Edwards - que já nao marcava há catorze meses! -, chegou à vitória. Intermitente e irregular, Roberto Mancini tem o lugar em risco.

O Liverpool voltou a ganhar. No Reebok Stadium, frente ao Bolton, a equipa de Raúl Meireles conquistou mais uma vitória e já se encontra mais confortável no meio da tabela. A partida pautou-se pelo equilíbrio, sorrindo já na recta final aos reds. O Bolton, que tem este ano o seu melhor arranque dos últimos cinco, causou muitos problemas. Com oportunidades de parte a parte o jogo foi emotivo e bem disputado. Último destaque para a vitória, com goleada, do Newcastle, em casa, frente ao Sunderland. Outrora um dos poderosos clubes de Inglaterra, os geordies querem voltar a ser um dos grandes. Recém-promovidos após uma época no escalão inferior têm alternado na qualidade das suas exibições. No entanto, no passado fim-de-semana, com um expressivo 5-1, reviveram a glória de outros tempos e já se encontram confortavelmente em sétimo.

NOTA: Este texto de Armando Vieira, sobre a Premier League, foi escrito antes do arranque da nova jornada.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Made in England: O pesadelo do Liverpool

Oito jogos, uma vitória, três empates, quatro derrotas e seis pontos, último classificado em conjunto com mais duas equipas. Sabe de quem se fala? Do Liverpool, ninguém imaginaria, mas é verdade. Uma equipa que aspira ser campeã está neste momento na luta pela manutenção e não se está a dar bem. Todos os problemas financeiros em que o clube está envolvido também não ajudam. Muito mau para a equipa inglesa mais bem sucedida de sempre. No passado fim-de-semana, no clássico da cidade dos Beatles, Everton e Liverpool defrontaram-se em Goodison Park. Os da casa dominaram, marcaram dois golos sem resposta e ganharam bem. Não há muito mais a dizer: a equipa de Raúl Meireles anda perdida e há muito a fazer para recuperar. Talvez agora com a venda do clube as coisas mudem. Os novos donos assistiram ao vivo a mais uma derrota e devem estar a pensar na gigante tarefa que agora enfrentam.

Outra equipa que não anda bem é o Manchester United. Mais um empate caseiro, cortesia de Patrice Evra e Edwin Van der Sar, parece demonstrar que a tranquilidade não mora em Old Trafford. Com o caso de Wayne Rooney a levar sir Alex Ferguson a deixá-lo no banco - o seu descontentamento é de tal ordem que leva a rumores quanto a sua possível saida. Interessados não faltam, mas os adeptos não o querem ver partir. Levanta-se também de novo a polémica contra os donos do clube, os americanos Glazer. Quanto ao jogo, Nani e Chicharito materializaram a superioridade do Manchester na primeira parte. E para provar que no futebol nem sempre ganha quem merece, os dois golos oferecidos pelo defesa esquerdo e guarda-redes do Manchester, trouxeram uma total injustiça ao resultado. Apesar do West Brom ter esboçado uma reacção, não seria, em condições normais, suficiente para o que aconteceu. Manchester United começa a ver o título ficar fora do alcance.

Outra surpresa da última jornada foi no jogo em Villa Park, onde o Aston Villa defrontou o Chelsea. A surpresa não foi só porque emparam, mas mais ainda porque não se marcou nenhum golo. Um jogo dividido e bem disputado, com oportunidades de parte a parte, onde o resultado poderia ter caído para qualquer dos lados. Tal não se verificou: Aston Villa e Chelsea dividiram os pontos. Última nota de destaque: o regresso de Bosingwa à competição, só por quinze minutos a substituir Paulo Ferreira, mas ele está de volta.

Meia surpresa em Blackpool. A equipa da, em tempos famosa, estação balnear inglesa continua a surpreender. São pequenos, pobres e acabados de subir ao escalão principal. Nas apostas para a despromoção estavam bem cotados mas estão a dar boa conta de si. Para já, confortavelmente instalados no meio da tabela e a jogar como ninguém esperava. Jogaram com o Manchester City e só perderam por falta de sorte e com uma ajudinha do árbitro. Os homens de Mancini tiveram que suar muito para conquistar os três pontos. Os adeptos da casa ficaram com a sensação de injustiça mas satisfeitos pela forma como a sua equipa se bateu.

O Arsenal reavivou a luta pelo título ao vencer, com dificuldade (2-1), o Birmingham. A equipa de Alex McLeish está numa má posição, mas mostrou que não reflecte aquilo que são capazes de fazer. Estiveram perto de bater o pé aos gunners, no Estádio dos Emirates, quase arrecadando um ponto. O Tottenham também arrancou os três pontos a ferros em casa do Fulham. Viu-se a perder primeiro mas com custo deram a volta. O resultado foi o mesmo do Arsenal. Com isto, o topo da tabela tem os suspeitos habituais menos o Liverpool. O Manchester City está a confirmar as previsões e expectativas ao encontrar-se isolado no segundo posto, a dois pontos do Chelsea e com mais três do que Arsenal, Manchester United e Tottenham.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o mais apaixonante campeonato do planeta

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Made in Enlgand: Azul intenso no topo

Após o final da sétima jornada da Premier League, o Chelsea, campeão em título lidera a tabela, e o Manchester City segue em segundo. Os restantes pretendentes à glória no final da época desiludem. O Manchester United, por exemplo, concedeu mais um decepcionante empate frente ao Sunderland. A equipa de Steve Bruce tem vindo a ganhar confiança, contra todas as previsões, depois de já ter derrotado o City e empatado com Arsenal e Liverpool. Desta vez calhou à equipa de sir Alex Ferguson, que enfrenta uma crise de resultados, sofrer frente ao Sunderland. E poderia ter sido pior: por várias vezes os da casa ameaçaram a baliza de Van Der Sar, que esteve em bom plano, assim como também ajudou um pouco de sorte. Nani e companhia ainda esboçaram uma reacção, mas foi insuficiente. Destaque também para a estreia de Bebé - jogou os primeiros dez minutos oficiais pelos red devils.

Muito mal está o Liverpool. A época passada correu e terminou mal, mas esta época está a começar de uma forma horrível. Com apenas seis pontos, os reds de Liverpool estão nos lugares de despromoção e a última derrota, em casa, frente ao recém-promovido Blackpool, veio afundar e intensificar a insatisfação em Anfield Road. A perda de Fernando Torres por lesão não ajudou, mas os visitantes, que perderam 6-0 com o Arsenal e 4-0 com o Chelsea, deveriam ter sido presa fácil para a nova equipa de Raúl Meireles. Com uma defesa muito permissiva e um ataque ineficaz, os de Liverpool nem sequer dominaram na posse de bola. Como resultado, e dado a interrupção no campeonato, vão passar duas semanas np antepenúltimo lugar. Para quem apostou na vitória do Blackpool - 1/11 - fica um fim-de-semana de um bom encaixe financeiro.

No jogo grande da última jornada, o Chelsea bateu em casa o Arsenal, por 2-0, com golos de Drogba e Alex. Num jogo intenso entre candidatos ao título, o Chelsea foi mais feliz e eficaz, levando os três pontos e colocando-se, assim, com mais quatro do que o segundo classificado. De notar que os gunners versão 2010/11 não são toscos, no entanto voltam a enfrentar o fantasma de jogarem muito bem, criarem muitas oportunidades e não marcarem. Com tudo isto e após a vitória sobre o Chelsea, na semana passada, e nova vitória sobre o Newcastle nesta última ronda, o Manchester City sobe ao segundo posto e começa a justificar o investimento milionário que fez no Verão. Os citizens venceram, em casa, o Newcastle. Boa vitória num jogo marcado pela lesão grave do avançado francês Ben Arfa.

O Newcastle, que voltou ao escalão principal nesta época, está a dar boa conta de si e foi a Manchester com uma ideia clara: ganhar. Contudo, tiveram um revés logo no inicio da partida, depois de uma entrada muito feia de De Jong sobre Ben Arfa, que levou este último a sair lesionado - repare-se que o médio holandês, riscado da convocatória de Bert van Marwjik devido a este episódio, nem sequer viu o cartão amarelo das mãos de Martin Atkinson. No final do jogo, a avaliação da lesão de Ben Arfa mostrou uma dupla fractura na sua perna esquerda: tíbia e perónio. Os blues de Manchester, com Carlitos Tévez endiabrado, acabaram por ganhar num bom espectáculo de futebol. Nas restantes partidas destaque para a vitória do Tottenham frente ao Aston Villa, por 2-1, e ao empate do West Bromwich Albion, a um golo, frente ao Bolton, colocando os spurs e o WBA com os mesmos pontos que o Arsena. Todos em quarto lugar.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o mais apaixonante campeonato do planeta

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Made in England: Chelsea destroçante a caminho do bi?

Sir Alex Ferguson decidiu deixar Wayne Rooney de fora como forma de protecção ao jogador - lembre-se que Rooney teve uma semana atribulada por razões de ordem pessoal. Ora, os red devils parecem ter acusado a ausência do avançado e entraram um pouco desorientados, acabando mesmo por sofrer o primeiro golo - marcado por Pienaar. O golo parece ter despertado os homens de vermelho e, ainda antes do intervalo, igualaram o marcador com um tento de Fletcher, a corresponder da melhor maneira a um cruzamento de Nani. Após o descanso, novamente o português a centrar e desta feita Vidic a finalizar (que ajuda daria Nani no clássico lisboeta do próximo fim-de-semana). Aos sessenta e seis minutos, Berbatov marca o terceiro e o que parecia ser também o golo da tranquilidade. Mas contra todas as expectativas, já em periodo de descontos, o Everton marca dois golos e fixa o resultado final num empate a três

Em Birmingham, o Liverpool, ainda sem Raúl Meireles, apareceu muito fraquinho. As boas indicações que tinha dado no jogo contra o Arsenal parecem agora promessa vãs. Mais ainda: não fora a grande exibição de Pepe Reina e nem o empate teriam conquistado. A próxima deslocação será a Old Trafford e ou muito muda ou este Liverpool vai afundar-se ainda mais na tabela. Quatro jogos e cinco pontos é muito pouco para as aspirações dos homens da cidade dos Beatles. Com a mesma pontuação encontra-se o super-reforçado Manchester City. A pressão sobre a equipa millionária de Roberto Mancini é enorme e com a falta de resultados, após tão grande investimento, o italiano começa a ver o seu futuro um tanto incerto. Verdade que dominaram, verdade que Paul Robinson fez uma exibição fabulosa, mas com tantas soluções e estrelas, empatar a um golo em casa com o Blackburn é um mau resultado.

Em alta estão o Chelsea e o Arsenal. Os campeões continuam sem perder pontos e, apesar de terem sofrido o primeiro golo da época, venceram facilmente o último classificado, West Ham, que ainda não tem qualquer ponto. A vitória da equipa de Carlo Ancelotti começou a desenhar-se muito cedo, aos dois minutos, com um golo de Essien após um canto conquistado por Ramires. Kalou aos dezassete e, novamente, Essien aos oitenta e três marcaram pelos blues, enquanto Parker, a seis dos noventa, reduziu para os hammers. Quatro jogos, doze pontos, dezassete golos marcados e apenas um sofrido: Chelsea em grande no arranque da temporada.

No Emirates Stadium, o Arsenal passeou a sua classe e derrotou o Bolton por 4-1. A equipa visitante, que tem estado a um nível superior esta época, ainda equilibrou a partida terminando a primeira parte empatado a um. No entanto, após sofrer o segundo golo e, sobretudo, após ter visto Tim Cahill ser expulso, a equipa do Bolton não mais foi capaz de travar os homens de Arsène Wenger acabando derrotados por números expressivos.

O Tottenham que se estreia este ano na Liga dos Campeões, após uma brilhante época transacta, está uns furos abaixo no presente. O West Brom nas estatísticas para o jogo era claramente inferior e durante a primeira parte parecia que os spurs teriam argumentos para vencer, mas um ataque muito perdulário permitiu apenas que o fizessem por uma vez. Ainda no primeiro tempo, quatro minutos antes do intervalo, os da casa empataram e depois do descanso inverteram os papéis. No final, o Tottenham parece ter tido sorte ao conseguir levar um ponto para Londres. No embate entre recém-promovidos, o pequenino Blackpool foi a casa do Newcastle ganhar por 2-0. Com sete pontos em doze possíveis, a equipa do noroeste de Inglaterra está, para já, a causar sensação. Provavelmente será sol de pouca dura mas estes preciosos pontos poderão fazer toda a diferença quando chegados ao final da época.

Nos restantes jogos, duas vitórias caseiras do Stoke City e Fulham frente ao Aston Villa e Wolverampton, respectivamente - esperava-se mais do Aston Villa que parece ter perdido o fulgor da época passada. Por último o empate do Wigan frente ao Sunderland, num jogo morno de equipas de meio da tabela.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o mais apaixonante campeonato do planeta

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Made in England: Início demolidor do campeão

Um início de campeonato arrasador: dois jogos, doze golos marcados e nenhum sofrido. Parece quase irreal. O Chelsea entra assim, forte e de rompante, na defesa do título. Primeiro foi o West Bromwich Albion e no passado fim-de-semana o Wigan. Curiosamente na última jornada da época passada também o Wigan foi goleado em Stamford Bridge, na altura por 8-0 - também as apostas para a vitória estavam todas com o Chelsea. Quanto ao jogo, a história é muito simples: os homens de Carlo Ancelotti dominaram a seu bel-prazer sem que o frágil adversário conseguisse esboçar qualquer resistência. Surpresa foi o facto de Drogba não ter marcado. Os golos ficaram a cargo de Malouda, Anelka (dois), Kalou (dois) e Benayoun.

O Arsenal após um empate oferecido por Pepe Reina no primeiro jogo, não foi de modas neste segundo e também arrasou com um 6-0 o recém-promovido Blackpool. Mais um jogo unidireccional com um Theo Walcott a mostrar a Fabio Capello o quanto estava errado em não o ter levado para a África do Sul - fez um hat-trick e brilhou, sendo considerado o melhor em campo. Arshavin, Diaby e Chamakh completaram a goleada. Também goleado foi o Aston Villa, uma das equipas sensação na época passada. Em Newcastle, promovido este ano, a surpresa foi total ao ver os da casa ganharem por uns inequívocos 6-0. Os jogadores do Villa foram uma pálida imagem de si mesmos e saíram humilhados no final da partida.

No jogo que opôs o Fulham ao Manchester United, a escassos minutos do fim, os red devils ganhavam por 2-1 e Nani preparava-se para marcar uma grande penalidade. Tudo neste momento indicaria que o jogo estava ganho para os de Manchester. Errado: Nani falha e, no minuto seguinte, Hangeland, o mesmo jogador que com um auto-golo colocou o resultado em 2-1, marca o tento do empate para o Fulham. Faz-se justiça de uma forma irónica. No final, sir Alex Ferguson demonstrou o seu desagrado com o falhanço de Nani, uma vez que o treinador escocês preferia que tivesse sido Ryan Giggs a tentar converter a grande penalidade.

O jogo grande da jornada opunha o Manchester City ao Liverpool, duas equipas que se encontram num ponto de viragem. Foram os da casa que dominaram e golearam. O Liverpool continua um pouco apagado, embora no seu primeiro primeiro jogo, na semana anterior frente ao Arsenal, ter tentado dar mostras de conseguir ultrapassar a crise da época passada. Os blues de Manchester, com o sheik milionário dono do clube pela primeira vez nas bancadas, fizeram jus ao investimento feito neste defeso e ganharam por 3-0. Tévez - com a braçadeira de capitão - destacou-se, marcando dois golos, após Barry ter marcado o primeiro. Duas equipas com reais aspirações mas com performances muito diferentes. Manchester City continua bem posicionado nas previsões para suceder ao Chelsea como campeão nacional.

O West Ham não consegue sacudir a crise e perdeu pela segunda vez, desta feita em casa, por 3-1, frente ao Bolton. Avram Grant ainda não fez esquecer Gianfranco Zola e com uma equipa sem fulgor foi batido facilmente em casa por um Bolton que reaparece mais forte, parecendo querer voltar à boa forma que exibiu há algumas épocas. Nos restantes jogos apenas uma surpresa, o empate caseiro a uma bola do Everton frente ao Wolverhampton. As três partidas que sobram foram ganhas com naturalidade pelo Birmingham (2-1), West Bromwich (1-0) e Tottenham (1-2) frente a Blackburn, Sunderland e Stoke City, respectivamente

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o futebol inglês e voltará a marcar presença no FUTEBOLÊS

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Made In England: Será este o ano de afirmação do City?

O Mundial já lá vai e por estes dias os “fanáticos“ pelo futebol estão famintos, mas em breve essa fome será saciada. As ligas europeias estão a recomeçar e neste caso em especial a Premier League inicia-se no próximo fim-de-semana. No domingo passado abriu oficialmente a época futebolística em Inglaterra. O Manchester United arrecadou mais um troféu, a Community Shield, e logo perante um concorrente directo ao título, o actual campeão Chelsea. A vitória por 3-1 foi clara e indiscutivel. Mas neste arranque de temporada todos os olhos se viram para o Manchester City. Os blues de Manchester são já vencedores do campeonato das contratações, trazendo para as Eastlands jogadores como Yaya Touré e Aleksandar Kolarov, estando ainda em negociações por James Milner (Aston Villa) e Mario Balotelli (Inter).

Apesar de terem falhado a conquista do tão desejado quarto lugar na época passada, muitos adeptos de futebol colocam o City como potencial cópia do Blackburn de Jack Walker e o Chelsea de Roman Abramovich na capacidade de “comprar“ o título. As
apostas para a Premier League prevêem uma probabilidade de cinco/um de tal acontecer e poderá mesmo ser uma aposta segura. Os clubes rivais começam já a dar sinais de nervosismo expresso em palavras de alguns dos seus jogadores que dizem duvidar da qualidade do investimento dos donos bilionários do Manchester City. Paul Scholes, do United, foi dos primeiros a dizer que não sabe ainda qual o real valor do rival.

Salomon Kalou, do Chelsea, foi mais longfe, ao afirmar que ainda não pode ter tanta certeza que a equipa de Mancini está mais forte que na época passada: "só porque entram 10 novos jogadores todos os anos não significa que vão terminar em primeiro lugar na tabela“ afirmou o costa-marfinense. “Gastar muito dinheiro em novas contratações não garante nada“, adiantou. O Manchester City obteve resultados impressionantes nos confrontos directos com os rivais ao título na época passada, rivais esses que são o Chelsea, Manchester United e Arsenal, esperando-se iguais performances na nova época.

Curiosamente, o seu primeiro jogo vai ser contra a equipa que lhes “roubou“ o quarto lugar e a possibilidade de jogar na Liga dos Campeões, o Tottenham. Com tudo isto, os homens de Mancini precisam ainda de se tornarem numa verdadeira equipa e assegurar que não cedem tantos empates como no passado. Não será tarefa fácil. Os
sites de apostas sugerem que o City deverá ganhar um troféu mas não necessariamente o de campeão inglês. Um pequeno palpite para terminar: é de esperar um Chelsea ainda forte a suplantar um Manchester United envelhecido e um Manchester City com muitas dificuldades em gerir todas as estrelas na mesma equipa.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o futebol inglês e voltará a marcar presença no FUTEBOLÊS

sábado, 7 de agosto de 2010

Made in England: Um clássico para abrir o apetite

A abertura habitual da época com a “FA Community Shield“ (versão inglesa da Supertaça) é, para muitos, pouco mais do que um amigável glorificado. No entanto, está em jogo o primeiro troféu da temporada, assim como a oportunidade de dar o primeiro golpe psicológico num adversário directo. Com Manchester United a defrontar o Chelsea, é também a última oportunidade que os treinadores têm para ver os seus jogadores em acção antes de partirem para o compromisso com a selecção a meio da semana - compromisso este que não é visto com bons olhos. Carlo Ancelotti já mencionou que sente que vários dos seus jogadores não estão com os níveis necessários de preparação, isto depois do esforço no Campeonato do Mundo e na pré-temporada. A demonstrá-lo estão três derrotas sofridas recentemente pelos blues.

Quanto ao Manchester, teve também um misto de vitórias e derrotas neste Verão mas, como factor positivo, os avançados parecem ter reencontrado o caminho para o fundo das redes. Dimitar Berbatov, o recém-chegado Javier Hernández e Michael Owen estiveram todos em boa forma e a marcar. A preocupação no ataque reside em Wayne Rooney, depois de uma participação no Mundial muito fraca e de alguns problemas fora do campo numa recente noitada em Manchester, o atacante inglês poderá estar a passar por uma crise de confiança. Apesar disso, Rooney à parte, sir Alex Ferguson estará contente com a boa forma dos restantes avançados, que mostram vontade de ajudar a equipa a triunfar.

Entre as duas equipas as ausências são muitas. No Manchester, Michael Carrick lesionou-se esta semana e falhará o início da temporada, juntando-se a Rio Ferdinand nos indisponíveis - o defesa ainda recupera da lesão no joelho que o afastou do Mundial. Anderson, que recentemente saiu ileso de um aparatoso acidente de viação em Portugal, está em vias de regressar mas não antes de domingo. Os irmãos Rafael e Fábio da Silva, a contas com uma intoxicação alimentar, estão em dúvida. Owen Hargreaves e Gabriel Obertan também estão fora de acção. No Chelsea, Ancelotti deverá manter o onze inicial do último amigável com apenas uma alteração: Hilário, à partida, jogará no lugar então ocupado por Ross Turnbull. Didier Drogba deverá ficar no banco, enquanto Petr Cech, Alex e Bosingwa, todos lesionados, ficam fora das contas.

O relvado do estádio de Wembley é também motivo para apreensão. Muito criticado no final da última época, foi substituído, mas parece ainda não estar ao nível desejado. De resto, Michael Owen espera não ter mesmo azar da última vez que o pisou, onde se lesionou e ficou afastado por um tempo considerável. As apostas no vencedor já estão ao rubro com as previsões a não estabelecerem um vencedor antecipado. Aquecem-se assim os motores para o arranque da Premier League no fim-de-semana seguinte.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o futebol inglês e voltará a marcar presença no FUTEBOLÊS

terça-feira, 20 de julho de 2010

Made in England: A chegada de Joe Cole a Anfield Road

Um dos jogadores ingleses mais desejados deste Verão já encontrou clube. Joe Cole era pretendido por nada mais nada menos do que Tottenham, Arsenal, Manchester United, AC Milan e Valência, para além do Liverpool que acabou por levar a melhor. O jogador juntou-se aos reds, que estagiam na Suíça, para fazer os habituais testes médicos, depois de ter tido uma conversa com o treinador Roy Hodgson, também ele um recém-chegado a Anfield Road. Joe Cole encontrava-se livre após terminar, no início de Julho, sua ligação de sete anos, bem-sucedidos, com o Chelsea - tornando-o por isso bastante apetecível.

De todos os candidatos que surgiram na rota de Joe Cole, foi o Liverpool quem lhe ofereceu as melhores condições salariais: £90 000 por semana. O internacional inglês de vinte e oito anos chegou a acordo com os reds e irá assinar um contrato válido para as próximas quatro temporadas. Joe Cole esteve presente no Mundial da África do Sul sem ter jogado muito. Fabio Capello, seleccionador inglês, não apostou no seu contributo, embora fosse um dos mais desejados pelos adeptos, que nutrem por ele um grande afecto. Não se compreende que o Chelsea, o clube do milionário Roman Abramovich, o tenha deixado sair a custo zero.

Consuma-se assim a primeira contratação de Roy Hodgson, um veterano que assumiu a liderança dos destinos do Liverpool, apostando no futebol de qualidade que caracteriza Joe Cole.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, sobre o futebol inglês

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Made in England: O fracasso inglês na África do Sul

A Associação de Futebol Inglesa (FA) informou Fabio Capello que decidirá o seu futuro como seleccionador inglês no espaço de duas semanas. O italiano diz querer e estar à altura do cargo pelos dois anos que lhe restam de contrato, mas o presidente da FA não está tão seguro disso. A derrota frente à Alemanha, no domingo, foi pesada, a mais pesada de sempre que a Inglaterra sofreu em finais de Campeonatos do Mundo e até da Europa, sendo o futuro incerto.

Os ingleses abandonaram a África do Sul na segunda à noite e chegaram a Inglaterra na terça pela manhã. Os semblantes carregados mostram a desilusão de um Mundial pouco conseguido. O contraste com a fase de qualificação é enorme. Capello levou a Inglaterra ao Campeonato do Mundo de 2010 com o primeiro lugar no seu grupo - onde perdeu apenas um jogo. Isto galvanizou a nação que acreditava que este ano poderia ser o ano dos ingleses, mas as fracas exibições em África deitaram por terra todos os sonhos de glória.

Existem certamente, e muitos, assuntos a resolver na selecção inglesa. Entre os motivos apontados, contam-se, em primeiro, as opções do treinador e a carga de jogos do campeonato inglês. Mas há quem vá mais longe e afirme que a cultura futebolística no Reino Unido está, neste momento, mais focada em resultados e dinheiro do que em ensinar os jovens desta nação como jogar futebol. Culpa-se a tendência atacante e futebol directo pela falta de rigor táctico que foi o que se passou no jogo com a Alemanha. A equipa esteve demasiado preocupada em atacar e virar o resultado esquecendo-se de se defender dos contra-ataques mortíferos dos germânicos.

Capello tem contrato por mais dois anos - um contrato onde aufere seis milhões de libras por ano, o que faz dele o seleccionador mais bem pago do Mundo. A demissão já foi posta de parte pelo italiano, logo o que sobra é um possível despedimento e a choruda compensação financeira. Tudo isto tem que ser pensado e levado em conta pelos responsáveis da FA. Vamos aguardar pelas próximas duas semanas para ver se Capello será mais uma “vitima“ do Mundial depois de, entre outros, Raymond Domenech e Marcello Lippi terem abandonado a França e a Itália, respectivamente.

MADE IN ENGLAND é um espaço, sobre o futebol inglês, assinado por Armando Vieira

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Made In England: O fim da época com o Mundial à porta

Acabou a época futebolística em Inglaterra e o Chelsea fez história. Não só pelos números com que conquistou o título mas também por se ter juntado ao restrito grupo de apenas sete equipas que conseguiram a dobradinha. Frente a um Portsmouth, que, apesar de todas as dificuldades que atravessa, se bateu honrosamente, o Chelsea juntou ao título de campeão inglês a conquista da FA Cup. Com um golo do inevitável Didier Drogba, a equipa de Ancelotti colocou mais um sorriso na cara de Abramovich e de todos os adeptos dos blues pelo feito inédito no clube de Stamford Bridge, fechando assim com chave de ouro a presente época. O que nos resta agora para o Verão? Este ano, felizmente, ainda temos muito que vibrar. Entre os jogos particulares e de preparação, as movimentações do mercado e, muito em especial, o Mundial da África do Sul, não faltarão momentos emotivos e de muito interesse aos que seguem e sofrem com o futebol.

No mercado inglês predominam, neste momento, duas grandes incógnitas. Vai Fernando Torres continuar em Liverpool? E irá Cesc Fabregas sair para o Barcelona? Nenhuma destas situações se deverá resolver antes do Mundial
. No caso do jogador do Arsenal, este já demonstrou a sua vontade de voltar ao clube que em tempos representou, mas não quer sair a mal. Nas suas palavras demonstra o respeito que tem por Arsène Wenger e pelo Arsenal, ao ponto de deixar nas mãos do seu actual clube a decisão de o libertar, ou não, para o Barcelona. Quanto a Torres a especulação é maior. O seu agente afirmou recentemente que ele vai continuar em Anfield Road. Contudo, quando confrontado com estas afirmações, o próprio jogador não foi convincente e até, de certa forma, se colocou à margem do que foi dito.

A fraca campanha do Liverpool na época que acabou, conseguindo apenas um sétimo lugar na Liga Inglesa, e as dificuldades que passou na Europa, com a eliminação da Liga dos Campeões na fase de grupos e a ausência da final da Liga Europa, deixam Fernando Torres, avançado espanhol, a sonhar com outros clubes. Quais clubes? Neste momento fala-se insistentemente do Chelsea, o que agrada muito ao jogador. Mas os milhões do Manchester City parecem também falar alto, ainda para mais quando é sabido que os donos do clube não são tímidos a investir.


Falemos, posto isto, da selecção inglesa. O particular frente ao México levantou algumas questões ao revelar debilidades na equipa orientada por Fabio Capello. A equipa mexicana sabe trocar bem a bola, com rapidez e precisão, o que levou os ingleses a fazer pouco mais que ver jogar, em especial na primeira parte. O meio-campo britânico não se entendeu e a ausêcia de Gareth Barry foi gritante. O médio do Manchester City, que teve um papel preponderante na fase de qualificação, está lesionado e em dúvida para o Mundial. Todos os esforços estão a ser realizados para que recupere, dada a sua elevada importância na selecção britânica.

Uma outra dúvida se levantou em relação a Wayne Rooney, a recuperar de uma lesão: estará ele em boa forma física em Junho? Ronney diz que sim e promete golos. A ver vamos. O último jogo em solo inglês terminou com uma vitória por 3-1 mas só com um pouco de sorte e sem domínio, já que, como se disse, esse pertenceu ao adversário. Capello não é um amador e de certeza vai corrigir os pontos fracos, garantindo que podemos assim esperar uma selecção inglesa competitiva e com ganas para se posicionar no restrito lote de equipas candidatas a triunfar na África do Sul. Ficamos a aguardar.


MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre a época desportiva em Inglaterra

sábado, 15 de maio de 2010

Made In England: A materialização do sonho blue

Aí está o momento que Abramovich esperava há quatro anos, desde a última vez que Chelsea foi campeão. Não só o troféu está de volta a Stamford Bridge como também foi assegurado com uma vitória estrondosa, com oito golos sem resposta, sobre o Wigan - com dois tentos de Anelka, um de Lampard (de grande penalidade que Drogba queria marcar e, como não o deixaram, o levou a fazer birra até ao intervalo), um de Kalou, um hat-trick de Didier Drogba e mais outro de Ashley Cole. Num contexto histórico, esta vitória foi a maior de sempre do Chelsea no escalão principal de futebol em Inglaterra. Os blues terminaram o campeonato com uns fantásticos 103 golos marcados, mais do que qualquer outra equipa na Premier League desde o Tottenham em 1962-63 (quando o futebol era bem diferente). É absolutamente destacável e digno de registo. Para a história pode também ficar a primeira “dobradinha“ do clube, isto caso ganhem a final da FA Cup contra o Portsmouth. As apostas favorecem o Chelsea, mas...

Para o dono do Chelsea é o concretizar de um sonho, ter uma equipa de ataque, a marcar golos, com bom futebol e a ganhar campeonatos. Claro que a comparação cai sobre os dois campeonatos conquistados com José Mourinho, onde os blues marcaram setenta e dois golos em trinta e oito jogos. Com Carlo Ancelotti, marcaram mais trinta e um averbando uma média de uns impressionantes 2.71 golos por jogo. Pode ainda não ser o Barcelona de Azul que o magnata Roman Abramovich sonhava, mas fica provado que um futebol fluído e com menor rigor táctico não é incompativel com a conquista de títulos. Regressando ao jogo do passado fim-de-semana, o Wigan estava mesmo a pedir a humilhação que sofreu. Chegou a Stamford Bridge já de férias, sem nada para ganhar ou perder e foi incapaz de oferecer qualquer resistência. Mesmo o facto de ter jogado com dez durante cerca de uma hora não justifica tal apatia.

Quanto aos restantes jogos da última jornada da Liga Inglesa, apenas duas surpresas. A derrota da equipa revelação deste ano, o Tottenham, frente ao despromovido Burnley, por 4-2 - até porque os spurs, comandados por Harry Redknaap, eleito treinador do ano em Inglaterra, chegou a ter uma vantagem de dois golos. No entanto, o quarto lugar e a presença na Liga dos Campeões já tinham sido assegurados pela equipa do Tottenham, uma vez que, a meio da semana, venceu na casa do Manchester City, o concorrente directo. Ainda a destacar, embora já não constitua uma total surpresa, mais um empate do Liverpool. Foi mais um desaire para juntar uma época desastrosa que culmina num péssimo sétimo lugar. Resta-nos a final da FA Cup, este sábado, para terminar a época em Inglaterra. Depois, venha a emoção do Mundial da África do Sul. Já todos começamos a suspirar pela maior prova do mundo futebolístico.

PS: Um último registo para Drogba - que partia empatado em golos com Wayne Rooney na corrida pela Bota de Ouro. Quando Lampard não o deixou marcar a grande penalidade, aos trinta e um minutos da primeira parte, demonstrou o seu descontentamento (talvez com alguma razão...) e desinteressou-se da partida de tal forma que, no intervalo, Ancelotti teve que o chamar à razão. Na segunda parte voltou lutador, marcou um hat-trick e garantiu o estatuto de melhor marcador da Premier League, com vinte e nove golos.

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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Made In Engand: O duelo final entre reds e blues

A duas jornadas do fim tudo continua em aberto na corrida pelo título inglês, apesar de ser agora uma corrida a dois. O Chelsea é lider apenas com mais um ponto do que o Manchester United, segue-se o Arsenal em terceiro - onde seguramente irá terminar. Depois, mais emoção na luta pelo derradeiro lugar na Liga dos Campeões com quatro equipas ainda com legítimas aspirações: Tottenham, Aston Villa, Manchester City e Liverpool. No que resta da tabela, em particular na zona de descida, parece estar tudo praticamente definido. As casas de apostas é que ganham com tudo isto. Emoção não falta, tal como no resto da Europa onde ainda não há campeões antecipados nos principais campeonatos. Será por ser ano de Mundial?

De uma derrota em White Hart Lane, por 2-1, a uma tremenda vitória, por 7-0, frente ao Stoke City, o Chelsea tremeu mas logo se reafirmou como maior candidato a ganhar o campeonato. A derrota frente ao Tottenham complicou as contas de Carlo Ancelotti, que se havia destacado com quatro pontos, entretanto reduzido para um pelo jogo ante os spurs. Todavia, os sete golos marcados ao Stoke mostram que esse ponto pode ser suficiente para o título. Na próxima jornada, os blues deslocam-se a Anfield Road para uma prova de fogo, apesar de o Liverpool estar muitos furos abaixo do que é habitual. Não deixará, contudo, de ser uma partida muito difícil. Se o Chelsea passar em Anfield, o último jogo em casa frente ao Wigan não deverá causar problemas.


O Manchester United arrancou a ferros uma vitória frente ao Manchester City nos últimos segundos de jogo, com um golo solitário do veterano Paul Scholes, que poderá ser fulcral nesta fase do campeonato. No passado fim-de-semana, os red devils ganharam categoricamente frente ao Tottenham, por 3-1, com um fantástico golo de Nani - renasceu e está no seu melhor plano desde que chegou a Manchester, isto talvez porque já não esteja na sombra de Ronaldo. Mesmo sem Wayne Rooney, os homens de sir Alex Ferguson foram dominantes, marcaram e mativeram o sonho do tetra vivo.


O Arsenal continua a desiludir ao falhar a aproximação ao líder, perdendo com o Wigan (em caso de vitória, os gunners teriam ficado a três pontos) e empatando com o Manchester City. A equipa de Wenger está seguros no terceiro lugar mas arredados da luta pelo título. Depois, bem, está a confusão: quatri equipas, uma vaga na Liga dos Campeões e duas na Liga Europa (ou três de tão confusa que é a situação em Inglaterra!...). O Liverpool parte em desvantagem nessa luta pelo lugar milionário: não só tem menos pontos (62) como tem já 36 jogos disputados. Tem à sua frente, por esta ordem ascendente, o Manchester City com 63 pontos e 35 jogos, o Aston Villa com 64 e 36 jogos e, finalmente, o Tottenham com 64 pontos e 35 jogos. Confuso? Também todos nós estamos.


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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Made in England: Irá o Chelsea sorrir quatro anos depois?

Já cheira a dobradinha em Stamford Bridge. Com a presença na final da FA Cup assegurada, depois de vencer o Aston Villa, por 3-0, no batatal de Wembley, e depois das vitórias na Liga Inglesa, frente ao Manchester United e ao Bolton, o Chelsea está em posição privilegiada para ganhar as duas provas mais importantes do calendário inglês. Apesar de nada ainda estar ganho, a tarefa está facilitada. O adversário da final da FA Cup é o Portsmouth, que venceu surprendentemente o Tottenham na meia-final, mas que continua a ser uma equipa destroçada pelos problemas financeiros com consequências desportivas. Pela lógica, será presa fácil, no entanto, como todos sabemos, a lógica nem sempre predomina no futebol. No campeonato, o Manchester facilitou a vida a Carlo Ancelotti.

Os red devils não só perderam a partida, em casa, com o Chelsea - deixando também o primeiro lugar - como se deixaram empatar no passado fim-de-semana, um nulo ante o Bolton, o que fez aumentar a diferença pontual para quatro com apena quatro jogos por disputar. O Arsenal, que chegou a ameaçar o segundo lugar do Manchester, mais uma vez desiludiu e perdeu. Está, por isso, praticamente afastado da corrida. Tão bom futebol mas tão fracos resultados. A equipa de Arsène Wenger tem classe, elegância e trata a bola como mais nenhuma outra em Inglaterra e muito poucas por essa Europa fora, contudo os resultados não surgem e os seus adeptos continuam saudosos da equipa invencível de 2003/04. Muito pior está o Liverpool que, nas palavras do seu treinador, se encontra arredado do acesso à Liga dos Campeões. Mais um empate caseiro e um sexto lugar ameaçado deixam os reds apenas com a Liga Europa para salvar a época.

Rafa Benítez diz que fica em Liverpool mas ninguém apostará com confiança nessa hipótese. Se Fernando Torres conseguir jogar as partidas que faltam talvez ainda haja esperança, mas a verdade é que o clube corre mesmo o risco de nem sequer participar nas provaseuropeias da próxima temporada. Nessa disputa, está acesa a competição pelo quarto lugar, o último de acesso a liga milionária. O Manchester City está em alta, mais uma goleada - 5-1 ao Birminham depois dos 6-1 ao Burnley. Nos últimos três jogos, a equipa de Roberto Mancini marcou catorze golos, com destaque para Tévez - que já se diz ser o segundo melhor jogador argentino da actualidade. Aguardamos com expectativa a dupla Messi/Tévez no Mundial da África do Sul. O outro pretendente ao lugar imediatamente a seguir ao pódio é o Tottenham, que abrandou o passo ao perder com o Sunderland para a Liga e depois com o Portsmouth para a FA Cup.

No entanto, a vitória sobre os gunners na passada quarta-feira, por 2-1, voltou a aproximar o Tottenham, comandado por Harry Redknaap, do Manchester City, colocando-os apenas com menos um ponto. Esta luta torna-se ainda mais interessante, pois na próxima jornada disputar-se-á o derby de Manchester e, em White Hart Lane, os spurs vão receber o líder Chelsea. Na zona de despromoção, o Portsmouth já está condenado a descer ao Championship, restando, nada mais nada menos, do que seis equipas que tentam fugir aos dois lugares que sobram. O Burnley e o Hull City estão em pior situação mas Wolverampton, Bolton, Wigan e West Ham não podem facilitar. Ainda muita emoção e competitividade pela frente nas quatro jornadas que faltam disputar e nós, adeptos e apreciadores de futebol, estaremos preparados para vibrar com tudo isso.

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Made in England: O brilho de Torres, Tévez e Lampard e o mau Arsenal

Comecemos pelo Arsenal. É o destaque pela negativa da última jornada da Liga Inglesa. Mais uma vez o Arsenal dá voz às críticas e falha em momentos cruciais. Se o Birmingham até tem feito uma época bastante além do esperado, está confortável no meio da tabela em vez de lutar pela permanência, não justifica que uma equipa como o Arsenal se deixe empatar. Com um futebol bonito, fluído e de ataque, ainda a lutar pelo título, não se pode permitir a tais desaires. Como atenuante apenas o facto de este fim-de-semana, os dois primeiros se defrontarem, algo que beneficiará os gunners. Isto se não houver nenhum outro percalço. Há falta de surpresas nos restantes jogos (bem, a vitória por 7-1 do Chelsea sobre o Aston Vila foi surpresa pelos números exagerados!), por isso venham os artistas.

Fernando Torres, Carlos Tévez e Frank Lampard. São eles os grandes destaques.
Começo precisamente nesse jogo dos blues com quatro golos de Lampard. Não é para qualquer um. Pedra basilar deste Chelsea, o carregador de piado joga, faz jogar e marca. Mais um jogo de encher o olho e o Chelsea a mostrar que está vivo e de boa saúde. Segue-se Carlos Tévez com um hat-trick na segunda-feira. Se dúvidas houvesse quanto à troca de clube, dos eternos rivais do Manchester United para o City, Tévez está a mostrar que tinha razão em querer sair. Está a realizar uma época que não encontra paralelo nas que fez em Old Trafford. Recuperou a alegria de jogar mostrando porque o City o desejava e o United não o queria deixar sair.

Finalmente Torres. O Liverpool é, principalmente esta época, Torres e mais dez (certo, talvez esteja a exagerar um pouco...). O rapaz faz maravilhas, trata a bola por tu mas com respeito, carinho e firmeza, é um encanto vê-lo jogar. O Benfica que se acautele, pois num bom dia é quase imparável. Torres está a amadurecer e não me surpreenderá que em breve venha a fazer sombra a Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O primeiro golo no passado fim-de-semana é de antologia. Se tiverem oportunidade vejam e revejam e, com certeza, concordarão comigo. Também se espera muito dele no Mundial 2010.

Para finalizar, aguardamos ansiosamente pela próxima jornada, em particular pelo jogo grande, Manchester United-Chelsea. Se é certo que nada ficará definitivamente decidido, também sabemos que o moral da equipa vencedora, se a houver, ficará em alta e poderá arrancar para um sprint final com vitória no campeonato. A ver vamos. Certa é a ausência de Rooney, o grande beneficiado esta época com a saída de Ronaldo e pedra importante na equipa de Manchester. Venha daí Berbatov para que justificar todo o dinheiro que nele foi investido!...

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