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segunda-feira, 13 de julho de 2009

O mau discurso do Benfica

Não costuma ser bom quando dirigentes ou treinadores, ainda antes da época arrancar, prometem o céu e a Terra aos adeptos. Geralmente, são declarações que se cobram quando os resultados não aparecem e as promessas não passam disso mesmo. Certo, José Mourinho prometeu o título quando foi apresentado no FC Porto e cumpriu mas é um caso à parte, sem qualquer paralelo. Ora, um dos males do Benfica tem sido precisamente esse: o discurso, tão utilizado, de que esta época é que vai ser. Luís Filipe Vieira, sempre que as coisas correm bem, puxa dos galões. É aquilo a que se chama embandeirar em arco.

Vamos a um exemplo, ocorrido na temporada passada: com estes adeptos e esta equipa ninguém nos pára, afirmou o presidente como que a enaltecer o apoio manifestado. Nessa altura, o Benfica tinha a liderança do campeonato, deixara o FC Porto para trás e, pela primeira vez desde o título em 2005, parecia lançado para a glória. Porém, nada disso aconteceu como o leitor bem sabe. O treinador era Quique Flores, realista e racional, que nunca levantou os pés do chão. Nunca entrou na euforia que, a certa altura, se gerou. Aliás, foi o primeiro a acalmá-la. E, por isso, acusado de falta de ambição.

Esta época, com Jorge Jesus, o Benfica volta a começar mal. O discurso de apresentação do novo treinador mostrou ambição e a verdade é que os adeptos benfiquistas gostaram. Depois disso, numa entrevista, Luís Filipe Vieira adiantou sem rodeios que Jesus é o melhor treinador português. É um bom treinador, sem dúvida, mas obviamente que não é o melhor. Se, na temporada passada, Quique não entrava nesse jogo de palavras para convencer os adeptos, Jorge Jesus fá-lo. Ainda ontem, após o empate com os suíços do Sion no primeiro jogo de preparação: vai ser muito difícil travar esta equipa.

É certo e sabido que Jorge Jesus é assim, diz o que pensa. No entanto, agora que chegou a um grande clube e tem imensa pressão, não o pode fazer da mesma forma que fazia antes porque qualquer passo em falso ser-lhe-à cobrado. Os próprios benfiquistas ficam divididos: uns acreditam que é mesmo este ano que o clube chega ao título e motivam-se com estas declarações; outros ouvem, ano após ano, o mesmo discurso que não tem qualquer resultado. Jesus até pode ter razão, pode ser que venha a ser difícil parar o Benfica mas não o deve dizer. Isso apenas se verá no decorrer do campeonato. Para, no final, se fazerem as contas. Não agora.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Que venha o João!

Há coisas que eu não percebo. O Apito Dourado é uma delas.
Não percebo qual era a necessidade de o FC Porto entregar dinheiro a Augusto Duarte por causa de um jogo com o Beira-Mar em que os portistas jão eram quase campeões e onde José Mourinho poupou quase toda a equipa para um jogo da Champions.
Não percebo a Justiça portuguesa. Para uns casos o testemunho de Carolina Salgado é viável e verdadeiro; para outros não serve. As escutas servem para condenar alguns arguidos e ao mesmo tempo não servem para nada.

Mas o que me custa mais a perceber, por muito que tente é como é que Luís Filipe Vieira não foi constituído arguido. Aquela conversa com Valentim Loureiro em que o presidente do Benfica - já que não pode ter Paulo Paraty - diz não querer Lucílios, nem Olegários, nem Duartes porque não lhe dão garantia nenhuma. Rejeita quase todos os nomes que o major lhe sugere. Até chegar o nome de João Ferreira. "O João? Pode vir o João."

A escuta está lá. Mas parece que ninguém quis saber. Não percebo!