Mostrar mensagens com a etiqueta Apuramento Mundial'10. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apuramento Mundial'10. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ultrapassar barreiras até ao sucesso

Portugal, no próximo ano, marcará presença no Mundial da África do Sul. Desde 2000 que não ficamos de fora de uma grande prova de Selecções. Este apuramento não foi, todavia, nada fácil. Antes pelo contrário, mas o objectivo foi atingido. A qualificação de Portugal foi conquistada com inúmero esforço, resultante do playoff que apareceu como um bónus pela boa ponta final da fase de apuramento. Após o empate em Copenhaga, frente à Dinamarca, a esperança portuguesa perdeu-se. Não toda. Foi necessário recorrer à calculadora mas o golo de Liedson, coroando a sua estreia por Portugal, serviu para manter viva a ambição. Poucos seriam os que realmente tinham a confiança intacta, o Mundial era quase utópico, mas ela ainda lá estava. No fundinho.

Dentro dessa percentagem que sempre acreditou no sucesso está Carlos Queiroz. O seleccionador nacional não baixou nunca os braços, deixou bem patente que o país nunca poderia sentir vergonha dos jogadores ou acusá-los de falta de entrega. A qualificação não é uma prova de sprint mas sim uma maratona, frase repetida várias vezes nessa fase delicada. No entanto, tudo indicava de que fosse apenas uma questão de tempo até Portugal perder definitivamente as aspirações. Seria assim se a equipa virasse à luta e se escondesse nas fases más. Agora, após a vitória de ontem, Portugal tem a presença garantida no Mundial. Como mudaram as coisas: a esperança de uma minoria transformou-se numa certeza e alegria de dez milhões de portugueses. Custou mas foi!

As exibições não terão deixado ninguém maravilhado e, por mais estranho que possa parecer, as partidas com a Dinamarca (derrota e empate) foram as que se situaram acima da média. O grupo não era fácil, por lá estavam boas equipas de dinamarqueses e suecos, mas Portugal tinha todas as condições para se ter apurado directamente. Acordou demasiado tarde para isso, passou por momentos bem negros mas felizmente ainda teve tempo de conseguir estar no playoff. A Bósnia foi o último obstáculo colocado no caminho. Com preserverança, com objectividade e com mérito foi vencido. Também houve sorte, sobretudo no jogo da Luz. Tanta falta fez na fase de apuramento, nada quis com os portugueses, veio no momento decisivo. Que equipa passa sem ela?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Playoff Mundial: A caminho da África do Sul!

CRÓNICA

Portugal está apurado para o Mundial 2010. Não foi um caminho fácil de percorrer, bem longe disso. Os portugueses tiveram inúmeros obstáculos, caíram, passaram por momentos complicados mas a esperança, defendeu que as contas só se poderão fazer no final. Talvez fosse o único a pensar assim. A África do Sul chegou a ser uma miragem. O apuramento foi sofrido mas sempre num plano ascendente que permitiu chegar ao playoff. A Bósnia era o último obstáculo. Missão cumprida, com dificuldade mas também com justiça. O equipamento está sujo das quedas. O sucesso chegou.

Ambiente louco, louco, louco. Um público frenético, com toda a confiança do planeta, convicto para empurrar a sua nação rumo à glória. Um verdadeiro inferno. Portugal já sabia o que o esperava, a recepcção fora um exemplo e importava que os jogadores não acusassem a pressão. Carlos Queiroz manteve o esquema e a equipa que venceu o jogo da primeira mão. Apenas com uma excepção: Deco ressentiu-se de uma lesão e ficou no banco. Sem Ronaldo, logo à partida, Portugal ficou também sem o seu jogador mais criativo. Do outro lado, a aposta era bem declarada: futebol directo para Dzeko e Ibisevic. A Bósnia assumiu, desde o primeiro minuto, a iniciativa do jogo mas bem longe do sufoco prometido. Tinha maior tempo de posse de bola, sim, até porque havia um resultado negativo para inverter, mas nunca sendo intimidatório.

Se a aposta declarada dos bósnios no jogo aéreo não tinha o resultado esperado - por boa acção de Pepe e os dois centrais, Bruno Alves e Ricardo Carvalho - também o futebol português estava demasiado desorganizado e conseguir ligação. Enfim, um jogo com pouca velocidade e quase sem lances de perigo para qualquer uma das balizas. Um futebol bem mais conveniente para Portugal, que mantinha a bola afastada da área. O minuto vinte e cinco poderia ter sido um ponto final nas dúvidas, uma espécie de carimbo no passaporte para África do Sul: Raul Meireles teve uma oportunidade de ouro para marcar mas Hasagic agigantou-se. Nada mudou, após isso. A Bósnia manteve-se com mais iniciativa, jogando essencialmente pela direita do seu ataque, mas sem nunca deixar os portugueses com reais motivos de preocupação. Apenas alguns sustos. A primeira parte foi assim, com pouco interesse.

TODOS JUNTOS RUMO À ÁFRICA DO SUL

No reatamento, a Bósnia decerto intensificaria a sua pressão. Se quisesse ambicionar a presença no Mundial, era necessário que fizesse mais do que conseguira no primeiro tempo. Miroslav Blazevic lançou Muslimovic, a arma guardada, para juntar qualidade à dupla atacante. A segunda parte começou com um susto para os portugueses, quando Dzeko foi apanhado em fora-de-jogo. O jogo prometia ser mais aberto, agora. Assim foi, pouco tempo passou até que Nani obrigou Hasagic a mais uma bela defesa. A Portugal importava manter a concentração no limite e nunca se pôr a jeito para as investidas bósnias. Era o momento de ser cínico e deitar ao tapete a confiança de um país. Veio o minuto cinquenta e cinco, veio o golo: Nani recebeu de Liedson, abriu para Raul Meireles. O portista, frio na hora das decisões, chutou para o fundo da baliza. Golo!

O passe do extremo do Manchester United rasgou as pretensões bósnias, o remate final foi o carimbo que faltava para o Mundial. O ambiente infernal que se sentia até então deu lugar a um profundo silêncio. Ouviram-se somente os gritos de vitória em bom português. A Selecção nacional galvanizou-se, seguiram-se lances para aumentar a vantagem e deixar tudo mais esclarecido. A Bósnia estava obrigada a reagir mas o golo fora um golpe demasiado rude. Tentou, é certo, atacou muito mas nada do que prometera. Como as coisas mudam: a altivez exagerada do início transformara-se numa enorme descrença. A tarefa que prometia ser tão complicada, após o golo ficou demasiado simplificada. O resultado estava feito, o jogo terminado, as dúvidas completamente dissipadas: Portugal está no Mundial 2010. Custou, foi um caminho longo, mas acabou em sucesso.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Façam o favor de ser felizes (antevisão)

Com maior ou menor brilhantismo, o primeiro capítulo está cumprido. Falta agora a segunda parte, a das decisões. São noventa minutos que colocam dois extremos em confronto, o tudo ou nada. Portugal parte para a Bósnia com a vantagem de um golo. Longe de ser confortável, é importante. Os bósnios, já o assumiram, estão esperançados em dar a volta à eliminatória e quase desvalorizam o jogo da Luz. Mas o futebol é incontornável, nunca satisfaz as duas equipas: uma estará no Mundial, a outra ficará pelo caminho. Carlos Queiroz não poderá, de forma alguma, cair na tentação de defender o magro resultado que Portugal conquistou no sábado. O golo de Bruno Alves poderá ser decisivo para o apuramento mas é demasiado matreiro para gerir.

A Bósnia desespera por se assumir no futebol internacional. Se eliminar Portugal, estará pela primeira vez numa fase final de um Mundial e nada será como antes. Miroslav Blazevic, o seleccionador nacional, é o reflexo da confiança na nação bósnia. Contudo, não poderá contar, para além dos que foram amarelados no sábado, com Misimovic - lesionou-se na véspera.
Do lado português, mantêm-se as ausências de Ronaldo, Bosingwa e Pedro Mendes mas o intervalo na eliminatória não trouxe qualquer má notícia a Carlos Queiroz. Mesmo assim, Portugal deverá apresentar mudanças. Em Zenica será preciso um futebol mais físico e possante, com especial atenção ao jogo aéreo, para anular as investidas que os bósnios procurarão levar a cabo.

Hugo Almeida encaixa na perfeição nesses aspectos e, por isso, deverá ser chamado à equipa titular. O esquema habitual, ao que tudo indica, também dará lugar a um 4x4x2, com o avançado do Bremen junto a Liedson. Repete-se, ainda, a interrogação sobre quem será o lateral esquerdo: Duda voltou a não estar bem, deixando a nu fragilidades defensivas, e Miguel Veloso é um sério candidato a ocupar o lugar. Do outro lado, mesmo com a sombra de Miguel, Paulo Ferreira, em princípio, manterá a sua condição de titular. A partir das 19h45 começará a rolar a bola, hora e meia depois estará decifrado o maior enigma: o resultado. Ou a emancipação da Bósnia ou uma história portuguesa dramática mas com final feliz. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.

sábado, 14 de novembro de 2009

Playoff Mundial: Tanto sofrimento para a vitória

CRÓNICA

Teve final feliz mas foi um filme com argumento de Alfred Hitchcock. A exibição da Selecção portuguesa passou por diversas fases: começou atada, conseguiu chegar ao golo, retraiu-se após estar em vantagem, sentiu um aperto, reassumiu o jogo com oportunidades para fazer mais golos, teve uma ponta final de enorme sofrimento e recheada de sorte. A sorte que nada quis com os portugueses na fase de apuramento, agora foi uma boa ajuda para a manutenção da vitória. Houve que sofrer, muito, muito. Contudo, como era seu objectivo, Portugal parte em vantagem para a segunda mão.

O primeiro desejo de Carlos Queiroz estava cumprido: os portugueses criaram um ambiente verdadeiramente fantástico num estádio da Luz a transbordar confiança. E de emoções sempre fortes. Este era, claro, um jogo com uma enorme carga emotiva e um dos mais importantes que Portugal teve num passado mais recente. Para uma equipa que renasceu das cinzas na fase de qualificação, conseguindo a enorme custo estar neste playoff, só se pode pedir que marque presença na África do Sul. Com confiança, nunca abusando da altivez. O adversário não é nenhum colosso, nenhum papão mundial, mas tem valor. Alerta máximo, por isso. Nos horizontes bósnios estava somente a baliza de Eduardo. De qualquer zona do relvado que fosse, Dzeko, Ibisevic e Misimovic não deixariam de tentar rematar.

O jogo começou amarrado, enrolado, dividido. Portugal tentou sempre ser mais empreendedor, aproximar-se da baliza de Hasagic, mas a Bósnia tinha o jogo que mais lhe convinha. Era preciso que Portugal fosse mais incisivo e pressionante para desorganizar a estratégia de Miroslav Blazevic e chegar ao golo. Apareceram alguns fogachos de Nani, pedia-se que Deco assumisse o jogo e espalhasse a sua magia. Uma espécie de sociedade entre ambos, entre os mais criativos. Essa associação funcionou, pela primeira vez, aos trinta minutos. O resultado? Um golo: Deco recuperou a bola, entregou-a para Nani que, com um excelente cruzamento, permitiu que Bruno Alves fizesse o primeiro golo de Portugal. Na cabeçada do portista estava a alegria de dez milhões de portugueses.

TER OS DEUSES AO LADO

Pouco passou para que a Bósnia se mostrasse, dissesse que ainda muito havia para jogar. Ibisevic, solto entre os centrais, teve espaço mas falhou o alvo. Frisson, silêncio de cortar. Ofertas assim não podem ser dadas a jogadores de qualidade, porque raramente são desperdiçadas. Estranhamente, ao contrário que seria de esperar, o golo marcado provocou alguma intranquilidade na equipa portuguesa. A Bósnia esteve, de novo, perto do empate. Eduardo teve uma bela defesa e negou a vontade a Salihovic. Portugal tentou responder mas, nesta fase, era a Selecção de Miroslav Blazevic quem estava por cima. Nova oportunidade para eles: Ibricic acertou na trave, com estrondo. Que perigo! Chegou o intervalo, foi bom para Portugal porque estava, sejamos sinceros, a ter inúmeras dificuldades para suster o ímpeto bósnio.

Na segunda etapa, Portugal dispôs da primeira grande oportunidade para dar uma machadada no jogo aos cinquenta e oito minutos. Liedson teve um pormenor extraordinário sobre a defensiva bósnia mas falhou o alvo. Foi a pedra de toque que trouxe a serenidade que faltava ao jogo português, intermitente mesmo em vantagem. Apareceriam, depois, remates perigosos de Deco e Simão Sabrosa mas nenhum deles levou a direcção certa. Agora, com Portugal mais calmo na gestão do jogo, a Bósnia estava mais comedida e sem o mesmo caudal que demonstrara após o golo português. O intervalo marcou essa separação no jogo, mudou a forma como estava a decorrer. Como se esperava, o descanso fez bem a Portugal.

No entanto, Carlos Queiroz não esteve feliz nas substituições. Após as saídas de Nani (Fábio Coentrão, estreia demasiado nervosa), Simão (Tiago) e Deco (Hugo Almeida), Portugal passou para um 4x4x2 mas perdeu os jogadores que melhor conservavam a posse da bola. Os bósnios raramente chegavam com perigo à baliza de Eduardo mas um golo caído do céu aos trambolhões poderia deitar tudo a perder. A vantagem tangencial nunca é garantia de segurança. Minuto 88, um verdadeiro milagre: Dzeko acerta na trave, a bola sobra para Muslimovic que, de baliza escancarada, envia a bola ao poste direito. Como foi possível? Um verdadeiro Euromilhões para Portugal, uma sorte que tantas vezes faltou. A ponta final foi de sofrimento atroz. Terminou na vitória. Uff... Longo alívio.

O primeiro acto do espectáculo (antevisão)

O Estádio da Luz será o palco da primeira parte do espectáculo, uma espécie de local de batalha de uma guerra dividida em dois actos. Portugal tem essa vantagem de começar perante o seu público, contando com apoio incessante em cada um dos noventa minutos. Hoje estaremos todos juntos para vencer a Bósnia. Seremos nós, um só. Carlos Queiroz deu o mote, apelando ao sentido colectivo dos intérpretes portugueses. Falta o maior artista, Cristiano Ronaldo, mas Portugal já deu provas de que tem vida para além do melhor do mundo. Não há, nesta eliminatória, meio-termo: matar ou morrer. Nada ficará decidido já, é bem verdade, porém o caminho poderá ficar traçado. É isso que se pede.

Deixemo-nos de rodeios: Portugal é favorito a vencer esta Bósnia. A confiança está em alta, depois de uma passagem pelo purgatório da fase de apuramento, e faz todo o sentido que assim seja. Todavia, isso não é indicador de facilidades ou vitória garantida. O adversário deverá ser encarado com todas as preocupações, nunca sendo subestimado nem inferiorizado. A Bósnia não é uma equipa de topo mundial mas conseguiu apurar-se para este playoff, à frente de Bélgica e Turquia, e faz por merecer o respeito. Tem a sua mina de ouro no ataque: Dzeko, Misimovic e Ibsevic são jogadores com provas dadas na Bundesliga e asseguram golos. Numa fase como esta, todos os cuidados parecerão poucos.

Na Selecção de Portugal, para além de Ronaldo, há ainda as lesões de Bosingwa e Pedro Mendes. Para ocupar as três vagas, Carlos Queiroz deverá chamar Nani - para compor o tridente atacante com Simão Sabrosa e Liedson - , Miguel será o dono do lado direito da defesa, e Pepe regressará à posição de médio defensivo que desempenhara no losango, fazendo com que Bruno Alves volte para o centro da defesa. Muitas mudanças. E ainda outra dúvida: quem será o lateral esquerdo? Duda ou Miguel Veloso? O primeiro tem sido o dono do lugar mas uma boa exibição do jogador do Sporting frente a Malta poderá ter baralhado as contas. A partir das 20h30, na Luz, ficam as certezas apenas. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Candidatos ao Mundial? Não...

Se nos apurarmos, somos candidatos a ganhar o Mundial. A própria frase poderá parecer algo paradoxal, porque coloca duas extremidades quase que lado a lado. Será, à partida, atribuída a um adepto crente e pleno de ambição. Os responsáveis máximos, pelo contrário, costumam preferir um discurso bem mais cauteloso. Porém, a frase que abre este texto foi proferida por Carlos Queiroz. Pessoalmente, parece-me uma afirmação desajustada. Ou melhor: precipitada. O melhor argumento que sustenta essa opinião passa pelo facto de a nossa Selecção não ter ainda o apuramento garantido para a África do Sul. Sim, Queiroz colocou um condicionalismo - se nos apurarmos - mas, antes disso, há que dobrar a complicada eliminatória com a Bósnia.

Evidentemente que qualquer português tem confiança em como Portugal, que é favorito sem que se levante qualquer contestação, se apurará mas os bósnios não serão fáceis de ultrapassar. Bem pelo contrário. Carlos Queiroz não o fez, claro, até porque sabe que subjugar o adversário seria um verdadeiro hara-kiri. No entanto, leitor, causa-me uma enorme estranheza como poderá uma equipa, que ainda nem tem certeza que esteja no Mundial, poderá ser candidata a vencer a prova. Acontecerá o mesmo com a Bósnia? Não, absolutamente. Assim, Portugal, embora tenha sido vice-campeão da Europa e alcançado um quarto lugar em 2006, com as dificuldades que sentiu nesta primeira fase, não pode ser colocado no lote dos favoritos.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Missão Bósnia

Chegar à África do Sul, fazendo um desvio pela Bósnia-Herzegovina. É este o trajecto que Portugal terá de fazer para marcar presença no Mundial 2010. Como não conseguiu ser a primeira do seu grupo e, assim, confirmar o apuramento directo, a equipa nacional portuguesa terá de disputar com os bósnios um lugar na fase final da maior competição de selecções. Esperemos, então, que seja apenas um pequeno desvio numa rota certeira até África. A Bósnia está no meio-termo: nem era a equipa mais temível, já que por lá andava uma Ucrânia bem indesejada, mas terá, à partida, algumas qualidades a mais do que a Eslovénia. A República da Irlanda ficaria, também, entre os dois extremos.

A teoria, está mais do que provado, vale o que vale mas... sejamos claros: Portugal é superior à Bósnia e tem todas as condições para garantir o apuramento. Não se quer com isto dizer que seja uma eliminatória fácil, claro que não. Até porque os bósnios foram uma das supresas positivas da fase de apuramento pois conseguiram o segundo lugar do grupo - atrás de Espanha- à frente de Bélgica e Turquia. O ataque é poderoso e torna-se, por isso, no sector mais temível desta Selecção - assim como já reconheceu Carlos Queiroz, seleccionador nacional - que sustenta em Dzeko, avançado do Wolfsburgo, as maiores esperanças de conseguir uma grande proeza.

Até na própria Selecção nacional portuguesa, os estados de espírito em relação ao sorteio são diferentes. Enquanto Queiroz se mostra confiante em como Portugal irá superar a Bósnia, Simão Sabrosa, extremo do Atlético de Madrid e uma das maiores figuras da dupla-jornada com Hungria e Malta, torceu o nariz quando conheceu o nome do opositor. Os restantes milhões de adeptos portugueses estão, da mesma forma, divididos. Há quem ache que foi bom, outros nem tanto. Seja como for, não há volta a dar. A mim, leitor, parece-me, daqueles que estavam no lote, a Bósnia é um bom adversário. É com ele que Portugal tem de jogar. E, acima de tudo, ganhar. Depois, sim, festejará o apuramento.

sábado, 17 de outubro de 2009

O nosso Wottle e... venha a Bósnia!

1. QUEIROZ É O NOSSO WOTTLE

Carlos Queiroz faz-me lembrar Dave Wottle. Sim, sei bem que apenas 0,0000001 da população portuguesa saberá quem é Dave Wottle. Por isso, aqui fica uma dica: vão ao youtube e coloquem "1972 Olympic 800m Final". Façam clique e observem. Aos 14 segundos do filme vão ver um rapazola magríssimo, branquíssimo, com uns calções a baloiçarem-lhe na cintura e um chapéu ridículo por cima dos cabelos louros. Agora, vejam o vídeo até ao fim: é (como já perceberam) a final dos 800 metros dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Vejam lá se o bom do Wottle não parece Carlos Queiroz. Sempre sem esperança, sempre a correr atrás de todos e, de repente, pertinho do fim da prova, talvez pelos 550 metros, começa a passar adversários e, pimba, em cima da linha de meta, sagra-se campeão olímpico.

É assim que vejo a qualificação portuguesa para o play-off, aqui personificada em Carlos Queiroz: partir muito bem (4-0 a Malta, em La Valetta), perder metros atrás de metros de seguida (derrota em casa com a Dinamarca, empates de rajada com Suécia, Albânia e Dinamarca e, pelo meio, aquela clamorosa goleada 2-6 com o Brasil), mas recuperar muito bem no final (dupla vitória sobre a Hungria e triunfo sobre Malta). Agora, Queiroz está como Wottle estava no minuto 2.15 do vídeo do youtube: pertinho de ganhar a qualificação para a África do Sul, mas sem a ter ganho ainda. Falta o play-off.

2. SCOLARI FOI O NOSSO PSICÓLOGO

A herança de Carlos Queiroz foi complicada. Luiz Felipe Scolari teve quase ano e meio para preparar o Euro-2004. Entre Fevereiro de 2003 (derrota com a Itália, 0-1) e Junho de 2003 (goleada à Bolívia, 4-0) fez múltiplas experiências (mais de 50 utilizados até à final com a Grécia), apostou em alvos errados (Ricardo Rocha, Jorge Ribeiro, Luís Loureiro, Silas ou Rogério Matias), afastou algumas vacas sagradas das anteriores gestões (Vítor Baía e João Vieira Pinto e, mais tarde, Sérgio Conceição acima de todos) e, numa primeira fase, colocou todas as fichas em meia dúzia de outros, começando a construir a chamada família-Scolari: Fernando Couto, Luís Figo, Rui Costa, Pauleta, Jorge Andrade, Nuno Gomes, Simão e, sobretudo, Ricardo. Só na época seguinte, 2003/04, tudo se começou a definir. O núcleo-duro era o mesmo e só mais tarde, a conta-gotas, apostou na titularidade de homens que, em breve, seriam decisivos: Deco, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha, Maniche e Cristiano Ronaldo, por exemplo.

Há quem fale de Luiz Felipe Scolari como um grande psicólogo misturado com um mediano treinador de campo. Partilho dessa opinião. O brasileiro tem mérito nos bons resultados de Portugal (segundo no Euro-2004 e quarto no Mundial-2006) neste início de Século, mas esse mérito assenta, sobretudo, na sua capacidade aglutinadora. Quem colocou as bandeirinhas nas janelas? Ele. Quem ajudou a lotar os estádios? Ele. Quem aumentou a auto-estima dos portugueses? Ele. Quem colocou os jogadores em forma? José Mourinho. Sim, se recuarmos cinco anos, vemos que só a custo, depois de muita casmurrice, Scolari aceitou a titularidade de Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha ou Deco. E quando aceitou, tudo mudou. Scolari é bom treinador? Sim, é. E é bom psicólogo? Não. É óptimo.

3. QUEM VIER ATRÁS, FECHE A PORTA

Se houve algo com o qual Luiz Felipe Scolari nunca se preocupou foi descobrir ouro onde ouro não havia. Por isso, quando Queiroz recebeu o testemunho de Scolari, a selecção não era uma selecção, era um conjunto de jogadores: não havia Fernando Couto, Rui Costa, Figo, Pauleta, Costinha ou Nuno Valente. Que recebeu Queiroz de Scolari? Ronaldo, Deco e Simão muito mais consistentes, mas sem um guarda-redes de nível médio, sem lateral-esquerdo razoável e com muitas dificuldades para encontrar um homem-golo.

Sem a almofada de não ter de se qualificar que teve Scolari (apuramento directo para o Euro-2004), Carlos Queiroz entrou em campo como antes tinham entrado António Oliveira ou Humberto Coelho: ter de ganhar jogos para chegar à África do Sul. Por isso, quase não houve tempo para experiências. As que fez (Antunes, Carlos Martins, Manuel Fernandes ou Daniel Fernandes) não resultaram e Queiroz teve de reformular muita coisa: Eduardo e Duda a titulares, Pepe à frente da defesa e, mais recentemente, a absorção do luso-brasileiro Liedson. "Quem vier atrás que feche a porta", terá pensado Luiz Felipe Scolari quando abandonou a selecção e abalou para o Chelsea. Queiroz fechou a porta, sofreu em silêncio por força da sua escassa capacidade de galvanizar o povo português, passou por momentos inacreditáveis (a derrota com a Dinamarca em Alvalade, o empate com a Albânia em Braga...) e só há meia dúzia de dias, já com 3-0 no marcador frente à Hungria, se viu um sorriso rasgado na cara do homem nascido em 1953 em Nampula (Moçambique): a selecção portuguesa estava, finalmente, no 2.º lugar do Grupo 1 e a depender apenas de si próprio para chegar à fase final do Mundial. Depois, com o 4-0 a Malta, resta esperar pelo play-off.

4. VENHA A BÓSNIA!

Carlos Queiroz parece ter encontrado, enfim, o seu núcleo-duro, a sua família: Eduardo, Bosingwa, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Duda, Pepe, Tiago, João Moutinho, Rolando, Raul Meireles, Deco, Simão, Nani, Cristiano Ronaldo e Liedson, por exemplo. Daqui a menos de um mês há duplo jogo de apuramento para a fase final do Mundial e é neste grupo que o seleccionador vai apostar. E ganhou ainda mais duas boas soluções: Pedro Mendes a meio-campo, Miguel Veloso a médio ou defesa-esquerdo.

Com quem preferirá Queiroz jogar? Ucrânia, Bósnia, República da Irlanda ou Eslovénia? Ninguém sabe. Queiroz deve ter preferência, mas nunca as dirá. Aposto o meu ordenado que ele não quer jogar com a Ucrânia (viagem muito desgastante, eventualmente frio e neve e... Shevchenko) ou com a República da Irlanda (ser eliminado por Trapattoni, de 70 anos, não seria agradável). Ficam Bósnia e Eslovénia. Eu, se fosse seleccionador, queria a Bósnia. Se vamos para uma guerra, há que entrar num ambiente de guerra. Venha, então, a Bósnia. E depois a África do Sul.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Loco, Gringo, Pibe

Jogo da Argentina com o Peru. Fundamental para alimentar as esperanças dos argentinos em estarem no Mundial 2010 porque se encontravam, antes do apito inicial, fora dos quatro lugares que garantem o apuramento. Estiveram em vantagem, deixaram-se empatar e assim chegaram ao minuto noventa. Muitos seriam os que haviam já enrolado a bandeira. Dois minutos após, Martin Palermo, um goleador de proa mas sem grande sorte nos jogos pela sua Selecção, fez um golo precioso. Vital. Maradona, o agora treinador, explodiu de felicidade: mergulhou, como se estivesse ainda no auge da sua carreira de génio, para um relvado completamente encharcado. Símbolo da importância daquele momento. Para a sua Argentina, em primeiro lugar, e também para si próprio.

Jogo da Argentina com o Uruguai. Em caso de vitória, a equipa albiceleste confirmaria a qualificação para a fase final do próximo Campeonato do Mundo. Conseguiu-o. Num caminho nem sempre rectilíneo, com alguns percalços pouco compreensíveis, o objectivo foi assegurado. Os argentinos estiveram a um pequeno passo da eliminação mas, assim como afirmara Maradona, lutaram até à última gota de sangue, com a determinação de estarem na África do Sul. Uma Selecção com tanta qualidade, a bem do futebol, não poderia ficar de fora. Foi, por isso, um momento de euforia. Para Maradona, a libertação de uma enorme raiva que lhe ia na alma devido à descrença que se fizera sentir por parte do seu povo. Com alguns impropérios, disparando em tudo o que lhe aparecia pela frente, El Pibe excedeu os seus festejos.

Foi nesse mesmo jogo, frente aos uruguaios, que surgiu um herói improvável. De nome bem conhecido dos portugueses, no entanto: foi de Mario Bolatti, jogador cedido pelo FC Porto ao Huracán, o golo solitário que qualificou a Argentina. O médio que não teve nunca espaço de manobra nos portistas, chegou à Selecção por via das boas exibições no último Torneio Clausura - sendo mesmo considerado uma revelação. Ninguém esperaria, por certo, que teria tamanha importância.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Suficiente para os requisitos mínimos

Comecemos com uma questão que, neste momento, importa colocar: teria Portugal obrigação de se apurar directamente para o Mundial 2010? Sim, claro. A maior parte dos jogadores que fazem parte da Selecção nacional, para além de jogarem em clubes de topo mundial, possuem qualidade que ninguém questiona. Para perceber melhor essa argumentação, importa olhar aos adversários. Entre Dinamarca, Suécia, Hungria, Albânia e Malta, nenhum deles se apresenta como uma equipa que faça temer os portugueses, pelo seu poderio. Aliás, apenas dinamarqueses e suecos se destacaram e, sabia-se desde logo, que não seriam fáceis de levar de vencida. O sorteio foi, decerto, recebido com um sorriso de confiança.

Agora, depois de estarem cumpridas todas as jornadas da fase de qualificação, chega-se à conclusão de que Portugal apenas cumpriu os requisitos mínimos porque deixou escapar, para a Dinamarca, a liderança do grupo. Ou seja, não conseguindo alcançar a única posição que certificava a presença na África do Sul, o playoff passou a ser uma boa via alternativa. Mas, ressalve-se, ainda não garante a entrada no Mundial. No entanto, após ter estado tão próximo do abismo, este segundo lugar é uma espécie de pequena vitória e recompensa por todo o esforço despendido nesta parte final da fase de qualificação. Sobretudo por culpa própria, verdade seja dita, fruto de alguns tropeções sem explicação plausível.

Foram, ao todo, onze os pontos desperdiçados. A primeira metade do apuramento revelou-se absolutamente desastrosa para Portugal. A ansiedade, claro, após jogos bem pouco conseguidos e até opções incertas de Queiroz, tomou conta de todo o povo português. Não houve, porém, partida alguma em que a Selecção nacional fosse inferior ao adversário. Mesmo na derrota com a Dinamarca, sofrida nos minutos finais após um volte-face incrível, foram os erros defensivos que apagaram aquilo que de bom havia sido produzido. Contudo, há resultados que são inaceitáveis para uma equipa que pretende chegar longe: empatar, em casa, frente a uma Albânia reduzida a dez jogadores... é uma coisa do Diabo.

Além disso, acentuou-se, até ao primeiro jogo frente à Hungria, em Budapeste, uma tendência que remonta já aos tempos de Scolari: não vencer os adversários directos na luta pelo apuramento. Frente à Dinamarca voaram cinco pontos, os suecos ficaram com quatro. Dois adversários directos, oito pontos perdidos. Juntam-se mais dois, verdadeiramente desperdiçados nesse encontro com a Albânia, para chegar aos onze. Foi após o jogo de Copenhaga, com os dinamarqueses, que o Mundial ficou quase como uma miragem para os portugueses. Poucos seriam, aliás, aqueles que realmente ainda mantinham a esperança porque, para além de vencer as duas partidas com a Hungria e ainda Malta, na última jornada, era necessário que a Suécia não vencesse os três jogos.

Com determinação, enorme espírito de sacrifício e entrega total, foi alcançado o objectivo que, em dado momento, passou a ser prioritário. As partidas, independetemente da beleza ou não do futebol apresentado, culminaram todas em vitórias. Numa fase tão delicada quanto esta, ninguém se atreveria a pedir jogos de maravilhar. Importava ganhar, nada mais. Agora, com todas as contas feitas, causa uma enorme estranheza como Portugal não conseguiu resolver, desde logo, as contas do apuramento. Esteve demasiado tempo adormecido, talvez à procura de um fio condutor. Chegou a tempo, felizmente, e está agora uma equipa bem mais forte. Esteve em baixo mas teve a capacidade de se erguer. Renasceu das cinzas. Esperemos, então, que o playoff seja apenas uma ponte para o destino final: África do Sul.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Apuramento Mundial: A via secundária

CRÓNICA

O mais importante em primeiro lugar: Portugal está apurado para o
playoff de acesso ao Mundial 2010 e tem, por isso, legítimas ambições de marcar presença na África do Sul. O jogo com Malta, sabia-se, seria perfeito para que a Selecção portuguesa pudesse seguir em frente mas nem por isso poderia haver descontracção dos jogadores. A partida foi encarada com toda a seriedade, como teria obrigatoriamente de acontecer, e o resultado foi uma vitória clara. Os malteses não conseguiram nunca ser um adversário na verdadeira acepção da palavra, é certo, mas Portugal tem mérito naquilo que produziu.

Sem poupanças mas com novidades. Assim se apresentou Portugal, em Guimarães, frente à Selecção maltesa. Carlos Queiroz manteve o esquema táctico que apresentara contra a Hungria, lançando Pepe e Miguel Veloso como corpos novos na equipa titular: o central, após ter sido utilizado como vértice mais recuado do losango, voltou à sua posição de origem substituindo Bruno Alves, enquanto Veloso jogou no lado esquerdo da defesa nacional. De resto, tal com era esperado, Pedro Mendes manteve a titularidade e Nani ocupou a vaga deixada em aberto por Cristiano Ronaldo. Malta, claro, como equipa frágil que é trouxe uma estratégia ultra-defensiva que visava aguentar o nulo até aos limites.

Quanto mais depressa surgisse o golo, mais simplificada ficaria a tarefa. Interessava, por isso, ser eficaz o quanto antes.
Foram treze minutos de puro ataque de Portugal. Parecia, passe a expressão, uma prova de tiro ao boneco. O golo era mais do anunciado, mesmo uma questão de tempo até os portugueses fazerem a bola entrar na baliza maltesa. Foi Nani, após duas tentativas falhadas, quem encontrou espaço e rematou certeiro para o primeiro golo de Portugal. O que poderia, a partir daí, mudar? Nada. O jogo continuaria, independentemente do resultado, a ter a baliza de Andrew Hogg como sentido único. A Selecção de Malta lá estava no seu cantinho, sem sequer tentar criar perigo para Eduardo. Assim foi até final.

SEMPRE A AUMENTAR, CLARO!

Portugal chegava à área contrária com extrema facilidade, fruto de uma boa circulação de bola e de jogadas com toque curto. Sem que lhe fosse imposto qualquer obstáculo, certo, mas também por uma exibição muito concentrada e sempre séria dos jogadores portugueses. Nani afigurou-se como o principal perigo para os malteses e o jogador que mais perto esteve de aumentar a vantagem. As oportunidades sucederam-se, porém a pontaria não correspondeu ao caudal ofensivo criado. Viria, já em cima do intervalo, o segundo golo. Depois de ter sido fundamental frente aos húngaros, Simão Sabrosa voltou a deixar a sua marca. Um golo bem parecido com o primeiro. Carregando toda a justiça do planeta.

Chegada a segunda parte, tudo continuaria igual. Aliás, ficou bem patente que nunca os malteses deixariam de jogar no seu meio-campo. A vitória de Portugal deixou de ter de se questionar. Já nada tiraria o playoff. Seguindo a ordem natural dos acontecimentos, sete minutos após o regresso, após a enésima jogada pela direita do ataque português, Miguel Veloso contribuiu para o engordar do resultado. Agora, sim, eram números mais fiéis daquilo que se passava no relvado. Foi precisamente após o terceiro golo que a equipa portuguesa retirou um pouco o pé do acelerador. Nem era necessário mais. A missão estava cumprida. Em cima dos noventa, Edinho, entrado para o lugar de Liedson, concluiu uma excelente triangulação e fixou o resultado final. Venha o playoff, malta!

Malta, cumpram o vosso dever (antevisão)

Agora, malta lusitana, para que estejamos no playoff que ainda permita ambicionar um lugar no Mundial 2010, é só cumprir a obrigação e, assim, vencer a Selecção de Malta. Neste momento, depois de ultrapassadas as dificuldades que o destino e os maus resultados colocaram no caminho, a Selecção nacional apenas depende de si própria para assegurar o segundo lugar do seu agrupamento, pois a Dinamarca já carimbou o passaporte para África do Sul. Seria bizarro que, depois de ter conseguido escapar de uma queda que parecia mesmo inevitável, Portugal não conseguisse um resultado que lhe permita chegar ao playoff frente a uma equipa tão frágil quanto a maltesa que não tem qualquer golo marcado e apenas conquistou um ponto... num nulo frente à Albânia.

Mesmo assumindo todo o favoritismo, os jogadores portugueses deverão, obrigatoriamente, encarar esta partida com total respeito e nunca como um dado adquirido, excedendo a confiança. O opositor é muitíssimo mais fraco, sem dúvida, mas a postura terá de ser a mesma. Quanto mais não seja pelo passado bem recente que os portugueses têm com equipas assim, depois do jogo com a Albânia, empatado em Braga, que exemplifica na perfeição como, em futebol, acontecem resultados que não lembram a ninguém e colocam dois extremos em pé de igualdade. Carlos Queiroz sabe melhor do que ninguém, e tem feito questão de o demonstrar, que Portugal ainda nada tem garantido. Independentemente do adversário, esta é uma verdadeira final.

Em Guimarães, excepção feita para a saída de Cristiano Ronaldo, lesionado, Queiroz deverá apostar na mesma equipa que venceu a Hungria, no sábado. Ou seja, mantendo o 4x3x3 que, de forma surpreendentemente, colocou em prática e, verdade seja dita, deu bons resultados - apesar de Pepe, utilizado como número seis no losango, estar de volta. Frente aos húngaros, foi Nani o escolhido para substituir Ronaldo, após a lesão, e desta feita também é crível que o extremo do Manchester United seja o escolhido para formar o tridente ofensivo com Simão e Liedson. O vimaranense Pedro Mendes, convocado à última hora e com entrada directa para o onze que iniciou a partida na Luz, deverá manter, como consequência da excelente exibição conseguida, o seu lugar na equipa titular.

domingo, 11 de outubro de 2009

Coisas de futebol

Como é o futebol. A presença no Mundial 2010 foi, para os portugueses, uma miragem. Tornou-se tarefa heróica assegurar a qualificação directa e até o segundo lugar, o tal que dá acesso a um playoff, esteve bem complicado. Eram mesmo necessárias ajudas externas para que a Selecção nacional conseguisse entrar nesse grupo de oito equipas que procurarão chegar à África do Sul por uma via secundária. O dia de ontem tornou-se verdadeiramente decisivo: Portugal precisava de vencer a Hungria, em casa, e esperar que a Dinamarca fizesse o favorzinho de derrotar a Suécia. Sucesso em ambos. Agora, resta ganhar a Malta para disputar o playoff. Que, mesmo assim, não é sinónimo de presença no Mundial. Sublinhe-se essa parte.

Como é o futebol. Caso Tiago não se tivesse lesionado, Pedro Mendes não seria convocado. Nem, muito menos, seria titular se Pepe estivesse disponível. O azar de uns é a sorte de outros, diz-se por aí. O médio do Glasgow Rangers, vimaranense de gema, foi o segredo que Carlos Queiroz tão bem guardou até algumas horas antes da partida e ninguém foi capaz de desvendar. Frente à Hungria foi, porém, um dos jogadores que esteve em melhor nível: depois de ter uma gaffe nos primeiros minutos, conseguiu uma prestação serena que deu consistência ao tridente do meio-campo. Poucas vezes chamado para jogos da Selecção, Pedro Mendes mostrou que é uma solução que deverá ser levada em conta.

Como é o futebol. A França irá disputar o playoff, Portugal, esperemos, para lá caminha. Nos seus grupos, a Sérvia e a Dinamarca apuraram-se directamente. Terão os sérvios melhores recursos do que os franceses? Não, de todo. E os dinamarqueses, serão superiores a Portugal? Não, outra vez. Servem estes dois casos para exemplificar que nem sempre chega ter os melhores intérpretes se o resto da banda não funcionar. A verdade é que ambas as equipas, de forma mais justa e espectacular ou não, conseguiram somar os pontos que lhes permitem marcar presença no Mundial. Ibrahimovic, pela sua Suécia, também deverá ficar a ver pela televisão. Na Argentina, Maradona deve estar a fazer contas à vida. Diz Blatter que se não estiverem lá Ronaldo, Ribéry, Messi ou Ibrahimovic, aparecerão outros. Certo... mas não é a mesma coisa.

Apuramento Mundial: Luz nos horizontes

CRÓNICA

Se a sorte não quis nada com os portugueses em jogos passados, desta vez não temos do que nos queixar. Bem pelo contrário porque tudo correu como era pretendido: a Selecção nacional ganhou e a Suécia, rival na luta pela segunda posição do agrupamento, perdeu frente à Dinamarca que, assim, garantiu a qualificação directa. Na Luz, sabia-se que Portugal era favorito mas nem por isso teria facilidades. Necessária concentração e atitude durante os noventa minutos. Sem jogar bem, o importante foi a vitória e a subida à posição que garante a presença no playoff. Quarta-feira, há que confirmá-la.


Quando era mais do que expectável que fosse Miguel Veloso, até pelas rotinas que já possui, a ocupar o vértice mais recuado do losango, em detrimento do castigado Pepe, Carlos Queiroz inovou: colocou Pedro Mendes como titular e reestruturou a equipa num 4x3x3, deixando para trás o esquema táctico que utilizara nas últimas duas partidas. Chegou, depois, a notícia que qualquer português mais queria ouvir: a Suécia perdera em Copenhaga. O mesmo é dizer que os dinamarqueses asseguraram a qualificação directa e, acima de tudo, que Portugal fica com tudo para conseguir chegar ao playoff de acesso ao Mundial. O tão desejado mote estava dado.

Chegava, agora, a vez de Portugal cumprir a sua parte do trabalho. Perante um público cheio de confiança e com vontade de empurrar a equipa rumo ao golo, nada poderia correr mal aos portugueses. Ninguém pedia um jogo rendilhado e recheado de grandes pormenores técnicos, mas sim uma vitória fosse como fosse. Essa era, aliás, a estratégia que a Selecção nacional havia delineado para esta partida porque, assim como já está mais do que provado, jogar bem nem sempre é sinónimo de sucesso: ser o mais simples possível e chegar cedo ao golo. Foi, no entanto, a Hungria que dispôs, no sétimo minuto, da primeira ocasião para marcar. Eduardo, atento, defendeu bem um remate de Gera.

As equipas estavam expectantes, sem querer correr qualquer risco, como que esperasse para ver quais as intenções do adversário.
Passaram dezoito minutos assim, estudando-se mutuamente. Chegou o minuto dezoito. A primeira arrancada realmente perigosa de Ronaldo, pela esquerda. O primeiro golo: o extremo português do Real Madrid cruzou para a entrada da pequena área, Gabor Babos defendeu para a frente e Simão, carregado de oportunismo, empurrou para dentro da baliza da Hungria. Não havia como desperdiçar tamanha oferta do guarda-redes húngaro. Eficácia a cem por cento dos portugueses. O público pedia outro golo, quantos mais melhor para ultrapassar esta barreira: Simão um minuto após ter marcado, deu a Babos a oportunidade de se redimir.

O ENGORDAR NATURAL DE UM RESULTADO JUSTO

Interessava, nesta fase, que Portugal não caísse na tentação de se retrair e entregar a iniciativa ao adversário. Pelo contrário, deveria procurar o segundo golo e nunca se contentar com a vantagem tangencial. Surgiu, porém, aos vinte e cinco minutos, uma contrariedade, com a saída de Cristiano Ronaldo, que se ressentiu de uma lesão no tornozelo que o apoquentou durante a semana. O capitão, mesmo sem ser brilhante, tem elevada importância no ataque e, após a sua saída, Portugal perdeu alguma intensidade no seu jogo permitindo que a Hungria procurasse alongar-se até junto da baliza de Eduardo. As oportunidades de golo apareceriam, de novo, já dentro dos cinco minutos finais. Dzsudsák, com um remate de longe que passou pertinho do poste, e Juhasz, em cheio na trave, mostraram que não era ainda tempo para festejos. Pelo meio, Ricardo Carvalho perdeu incrivelmente o segundo golo.

Se não o fizera logo após se ter colocado em vantagem, viria a fazê-lo na segunda etapa: Portugal baixou as linhas e entregou a iniciativa de jogo à Hungria. A equipa de Erwin Koeman tornou-se mais atrevida mas mostrou ser bem limitada em termos técnicos - causa até alguma estranheza como conseguiu somar treze pontos e estar ainda na discussão pela presença na África do Sul. Fruto dessa acção dos húngaros, o jogo ganhou maior abertura. Portugal, como equipa mais forte que é, aproveitou para se acercar da baliza de Babos mas, desta feita, o guarda-redes respondeu sempre à altura. Adiou a festa o mais que pôde.

A Selecção nacional justificava já um segundo golo, o que lhe daria a tão desejada tranquilidade e acabasse de vez com a ansiedade. Não pelo jogo apresentado mas sim pelo número de ocasiões que criara. Faltava sensivelmente um quarto de hora para o final quando o alcançou. Foi depois de uma cabeçada certeira de Liedson que os portugueses suspiraram, enfim, de alívio. Já bastava de ter o coração nas mãos e não havia necessidade alguma de manter o suspense. Agora, os húngaros estavam no tapete. O extraordinário golo de Simão Sabrosa, coroando uma exibição de alto nível, foi o culminar de uma noite em que os deuses do futebol estiveram com Portugal. Agora, venha Malta para assegurar o playoff.

sábado, 10 de outubro de 2009

O tudo ou nada em noventa minutos (antevisão)

A qualificação para o Mundial 2010, na perspectiva portuguesa, pode ser comparada a um caminho estreito e de difícil passagem. Uma espécie de parque radical, onde o risco é máximo e não há como remendar um passo em falso que seja. Por terem já desperdiçado várias tentativas de chegar ao final com todo o sucesso, os jogadores portugueses foram obrigados a uma prova de salto de barreiras. Só as ultrapassando, e contar também com um bónus pelo esforço, será possível chegar à última jornada com a esperança de conseguir, apesar de todos os percalços, chegar ao final da corrida na frente. Com o equipamento bem sujo das quedas. Esta é, recorrendo a um chavão, a fase do tudo ou nada.

Sem meios termos, sem desculpas: só ganhar os dois jogos e esperar por um tropeção da Suécia, permite que a equipa nacional continue a acreditar que poderá marcar presença na África do Sul. Na Luz, há que ultrapassar uma Selecção da Hungria que, tal como ficou provado no jogo de Budapeste, não é um adversário que faça tremer os portugueses. Nem pouco mais ou menos, porque a nossa Selecçao é inquestionavelmente superior. Horas antes de Portugal entrar em campo, os suecos jogam na Dinamarca e é aí que residem as esperanças de todos nós em ver a formação de Ibrahimovic perder pontos. Uma vitória dinamarquesa será um bom tónico para Portugal. Contudo, poderá trazer ainda mais ansiedade mas Carlos Queiroz já garantiu que é sob pressão que a equipa se sente melhor.

O seleccionador nacional não poderá contar com o homem que marcou o golo da vitória na capital húngara: Pepe. O central do Real Madrid, adaptado a trinco por Queiroz, irá cumprir um jogo de castigo e será Pedro Mendes, convocado após a lesão de Tiago, a assumir a vaga - é oficial. Causa surpresa que assim seja porque Miguel Veloso está mais do que habituado a jogar ali no losango Sporting. Independentemente disso, interessa também marcar o maior número possível de golos para que, em caso de igualdade pontual, Portugal leve vantagem sobre a Suécia no lugar que garante o acesso ao playoff. É preciso atacar do princípio ao fim, sempre com a baliza nos horizontes. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A salvação playoff

Já imaginou um Mundial sem jogadores como Ronaldo, Messi ou Ribéry? À partida, ninguém o faria, mas actualmente é bem provável que assim seja. O mesmo é dizer que Portugal, Argentina e França, por esta ordem, podem não estar presentes na África do Sul. Aliás, o cenário mais fácil, sem que tenhamos de olhar para os pontos e os jogos de cada um deles, é mesmo o da exclusão da África do Sul. A confirmar-se serão, todas elas, enormes surpresas. Vejamos os resultados do Mundial da Alemanha, o último: França foi vice-campeã, Portugal quarto classificado e a Argentina, uma das equipas mais espectaculares da prova, caiu nos quartos-de-final.

A Selecção portuguesa, a que realmente mais nos interessa, tem como já é sabido uma situação bem complicada. Após a vitória de ontem, em Budapeste, resta a Portugal vencer os outros dois jogos (Hungria, de novo, e Malta, ambos em casa) e esperar que a Suécia, actualmente na segunda posição do grupo e o principal rival da nossa Selecção, perca pontos. Mesmo assim, o segundo posto apenas garante a presença num playoff e não a entrada directa no Mundial. Porém, o surpreendente empate da Dinamarca, líder com cinco pontos de vantagem em relação a Portugal, frente à Albânia, obriga os dinamarqueses a vencer o jogo com os suecos. Os portugueses poderão ter muito a ganhar neste clássico escandinavo. Mas, mais importante, é obrigatório vencer jogos que restam.

O reinado de Diego Armando Maradona à frente da sua Argentina, tem-se revelado um verdadeiro fracasso. A Selecção albiceleste está, neste momento, fora do Mundial 2010 pois encontra-se na quinta posição do seu agrupamento e apenas os quatro primeiros são apurados directamente. O cenário, que por si já não era bom, agravou-se ontem com a derrota frente ao Paraguai - já apurado, assim como o Brasil - o que fez com que os argentinos caíssem para o lugar que dá acesso ao playoff. O início de campanha foi positivo, no entanto, a Argentina entrou em verdadeira queda livre. A derrota sofrida na Bolívia, em La Paz, por 6-1, marca uma equipa que não mais se encontrou. Resta lutar, como afirmou Maradona, até à última gota de sangue.

Também a França, sob o comando do polémico Raymond Domenech, está numa posição delicada. Aliás, ontem, a Sérvia, líder do grupo 7, poderia ter confirmado a qualificação directa para o Mundial da África do Sul, caso vencesse os franceses. O jogo terminou empatado e os sérvios mantiveram os quatro pontos de vantagem (faltam disputar seis). Dessa forma, os franceses deverão centrar-se, também, na conservação do segundo lugar para tentarem carimbar a presença na fase final do Mundial via playoff. Além disso, para contribuir para uma maior instabilidade no seio da Selecção gaulesa, têm vindo a público alguns problemas entre Domenech e jogadores como Henry ou Malouda.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Apuramento Mundial: Objectivo cumprido!

CRÓNICA

Em Budapeste, Portugal tinha obrigatoriamente de ganhar para continuar a alimentar a esperança de conseguir marcar presença no playoff de acesso ao Mundial da África do Sul. Não havia sequer meio-termo. Este jogo poderia ser o fim ou um recomeço. Sem jogar bem, a Selecção nacional conseguiu vencer. Agora, resta vencer os outros dois jogos e esperar que a Suécia, que hoje venceu na Albânia marcando nos últimos dez minutos,
tropece. Impossível? Não, muito complicado.

Apenas uma alteração em relação à última partida: saltou Liedson para a equipa titular em troca com Simão Sabrosa. O maior pecado de Carlos Queiroz, na Dinamarca, terá sido dar apenas quarenta e cinco minutos para o Levezinho se mostrar. De resto, manteve-se um losango que deu boa conta de si, composto por Pepe, mais recuado, Tiago e Raul Meireles, como interiores, e Deco no apoio à nova dupla atacante. Pela frente, uma equipa húngara, segunda classificada do grupo com mais três pontos, mas longe de ser um papão e também com a qualificação para o Mundial em jogo. Queiroz classificou o jogo como impróprio para cardíacos. Emoção teve, de facto, futebol nem tanto.

A primeira real oportunidade surgiu aos nove minutos. Com ela veio o golo. Para Portugal. Marcado por Pepe, de cabeça, antecipando-se ao guarda-redes Gabor Babos e servindo-se de um cruzamento perfeito de Deco. Eficácia total, bem diferente daquilo que aconteceu em Copenhaga. Para uma equipa que precisa de vitórias como de ar para respirar, seria difícil pedir um melhor início. O golo foi também um chuto na pressão e na ansiedade a que os portugueses poderiam estar sujeitos. Reagiu, já depois de ultrapassada a primeira vintena de minutos, a Hungria com dois livres de Dzsudzak que passaram perto da baliza de Eduardo. Bolas paradas e contra-ataque. Era assim que a equipa de Erwin Koeman procurava criar perigo.

SOFRER ATÉ FINAL

Foi preciso esperar vinte minutos para Portugal voltar a rematar à baliza húngara - após o golo, não mais o havia feito. Cristiano Ronaldo apareceu em zona central mas, desta feita, Babos foi mais eficaz e impediu o aumento da vantagem portuguesa. Porém, o remate de Ronaldo serviu para colocar os magiares em sentido. Foi a pedra de toque para devolver o equilíbrio e, quase, esquecer as balizas. Não mais a Hungria criou perigo para a baliza de Eduardo e esse terá sido o principal objectivo dos jogadores portugueses. Chegou, assim, o intervalo com Portugal, sem jogar bem, em vantagem. O oposto do que aconteceu em Copenhaga. Futebol.

Para a segunda etapa, Carlos Queiroz voltou a alterar o esquema táctico para o 4x3x3. Uma explicação simples: Deco, apenas dois minutos depois do regresso dos balneários, lesionou-se e foi substituído por Simão. Em termos de futebol, porém, nada mudou. O jogo continuou fraco, muito dividido no meio, sem apoquentar nenhum dos dois guarda-redes. Seja como for, para um Portugal em vantagem, este tipo de futebol não era certamente a pior coisa que lhe poderia acontecer. Interessava, acima de tudo, manter o controlo do jogo e, assim, deixar a Hungria presa no seu último reduto. O resultado foi um jogo cinzento, sem velocidade e sem cometimentos.

Foi preciso esperar até ao último quarto de hora para haver perigo junto das balizas. Por duas vezes, os húngaros - em lances de bola parada, claro! - levaram dificuldades a Eduardo. Pelo meio, apareceu Ronaldo mas Babos voltou a ser melhor. Queiroz lançou Nani e, mais tarde, Rolando para garantir que a vantagem já não tinha por onde fugir. Portugal ganhou. Isso é, sem dúvida, o mais importante e a única coisa que interessava para esta partida. Olhando para trás, por mais estranho que possa parecer, o jogo acabou com o golo de Pepe. A exibição foi má, bem longe daquilo que foi conseguido em Copenhaga. Há uma diferença gigantesca: independentemente do modo de jogar, este resultado interessa e o outro não. Resta acreditar que não será demasiado tarde.

O jogo mais importante do ano (antevisão)

Portugal tem, logo mais, o jogo mais importante do ano. Será no estádio Ferenc Puskas, em Budapeste, frente à Hungria. Hoje, não há qualquer margem de erro para os jogadores portugueses. Só a vitória interessa e poderá ser ambicionada. São precisos golos, acima de qualquer outra coisa. É essa a única forma de a Selecção nacional continuar na luta pela presença no Mundial do próximo ano, na África do Sul. Para tal, será preciso ainda um escorregão da Suécia mas de nada adianta que os suecos percam se Portugal não vencer os seus jogos.

Em Copenhaga, a exibição agradou a todos mas o resultado não. A falta de pontaria foi o maior pecado da Selecção nacional. Portanto, hoje, Carlos Queiroz deverá fazer uma única alteração: entrada de Liedson, saída de Tiago e recuo de Simão para o losango do meio-campo - a troca directa do Levezinho por Simão Sabrosa também poderá ser uma alternativa, de acordo com o Maisfutebol. Na conferência de imprensa de antevisão ao jogo, Queiroz mostrou-se confiante na vitória e na qualificação de Portugal para o próximo Mundial. "Será um jogo de emoções", afirmou o seleccionador que defendeu ainda que a coesão defensiva, de modo a não sofrer golos, será o primeiro passo para o sucesso.

Do outro lado, longe de ser um colosso mundial, está uma boa equipa da Hungria que, à partida para este encontro, tem três pontos de vantagem sobre Portugal. A Selecção húngara, segunda classificada do grupo e comandada pelo holandês Erwin Koeman, vem de uma derrota absolutamente dramática frente à Suécia, em casa, e dessa forma tem também muito em jogo nesta partida de hoje. Carlos Queiroz tem razão: será mesmo impróprio para cardíacos. Para nós, portugueses, poderá ser o fim mas também um renascimento. Tudo se saberá a partir das 19h45, no Ferenc Puskas. Com crónica no FUTEBOLÊS.

domingo, 6 de setembro de 2009

Portugal com a calculadora na mão

É um mau prenúncio quando, no futebol, é preciso recorrer à matemática. Indica, desde logo, que é necessária uma conjugação de resultados para que seja atingida uma qualificação. Nós, portugueses, há já alguns anos que não estavámos habituados a fazê-lo. Pelo menos no que toca à Selecção nacional e às suas presenças nas grandes provas mundiais e europeias. No entanto e após o empate de ontem, as possibilidades de Portugal estar no Mundial 2010 são muito reduzidas. Neste momento, os olhares dos portugueses centram-se no segundo lugar do grupo que dará acesso a um playoff - apenas o primeiro lugar dá entrada directa e esse já está a sete pontos, quando há nove em jogo. É uma via alternativa para chegar a África do Sul.

Para alimentar a ténue esperança nacional, Portugal tem obrigatoriamente de vencer as suas três últimas partidas desta fase de qualificação. Primeiro, já na próxima quarta-feira, um jogo fulcral, em Budapeste, com uma Hungria que, longe de ser um papão, está actualmente na segunda posição do grupo - a 10 de Outubro, o duelo reeditar-se-á em solo português; e recebe, na derradeira partida, uma frágil Selecção de Malta que conta apenas com um ponto ns oito jogos disputados. Portugal tem possibilidades de vencer estes três encontros e chegar ao segundo lugar. Mesmo assim, ainda precisa de uma ajudinha...

Após a dramática vitória de ontem frente aos húngaros, a Suécia ultrapassou a equipa portuguesa e conta agora com dois pontos de vantagem. Desta forma, para que Portugal consiga chegar ao playoff, a Suécia terá de perder, pelo menos, um dos três jogos que tem pela frente. Dos adversários dos suecos (respectivamente: Malta, Dinamarca e Albânia), apenas os dinamarqueses, primeiros classificados do grupo, parecem capazes de parar a equipa de Lars Lagerback e Ibrahimovich. Os mesmos que ontem cederam um empate contra Portugal poderão ser preciosos nas contas do grupo.

Por aquilo que se tem visto nesta fase de qualificação, os portugueses têm legitimidade para pensar que a Dinamarca poderá vencer a Suécia. Contudo, de nada servirá se Portugal não cumprir o dever de ganhar as suas partidas. Serão verdadeiras finais onde, bem mais do que jogar bem e sufocar o adversário, importa conseguir os três pontos. Para tal, é imperativo calibrar a pontaria e concretizar as oportunidades tidas. E, também, contar com os deuses do futebol e sem ter maus juízos arbitrais. Tarefa íngreme, convenhamos, mas diz o ditado que a esperança é a última a morrer. Assim será.

sábado, 5 de setembro de 2009

Apuramento Mundial: Fica a esperança, somente...

CRÓNICA

Uma constatação, primeiro que tudo: depois do empate em Copenhaga, Portugal está praticamente arredado do Mundial 2010. É duro, sim, mas absolutamente realista devido à conjugação de resultados pois a Suécia venceu na Hungria e apenas depende de si para garantir a qualificação. É algo que, obviamente, custa a digerir até porque, desde o falhanço para o França'98, a equipa portuguesa tem estado em todas as grandes provas de selecções. O adeus definitivo às possibilidades de rumar à África do Sul esteve por um triz. Até Liedson, ele mesmo que tanta polémica motivou, alimentar a esperança dos portugueses. Agora, é preciso um verdadeiro...milagre!


Depois do ensaio no Liechtenstein, Carlos Queiroz colocou em prática o novo esquema táctico da Selecção nacional: 4x4x2 em losango. A verdade é que esta nuance permitiu a Portugal conseguir, desde logo, impor-se junto da área da Dinamarca. Com posse e circulação de bola, jogando pelos flancos com boas subidas de Duda e Bosingwa, os dois laterais, no apoio ao ataque. No terceiro minuto, a primeira de muitas ocasiões para marcar: Simão cruzou da direita para Raul Meireles que não conseguiu, no entanto, emendar da melhor forma para a baliza dinamarquesa. Depois, por duas vezes, apareceu Cristiano Ronaldo em diagonais mas sem nunca colocar o guarda-redes Stephan Andersen em sobressalto. Começou, também, a aparecer Deco talvez com excessiva liberdade. Portugal estava, por esta fase, totalmente por cima do adversário.

A primeira vez que a Dinamarca apareceu na área portuguesa, aconteceu à passagem do primeiro quarto de hora de jogo. Após um ressalto em Bruno Alves, dentro da área, Jorgensen, completamente solto, rematou muito por cima da baliza de Eduardo. Que oportunidade desperdiçada!... Era preciso que Portugal não deixasse aquilo que de bom estava a conseguir até aí e que mantivesse a bola junto à área contrária na tentativa de chegar ao golo. Foi aqui que surgiu o problema de sempre: a finalização. Ou a falta de pontaria que tanto tem atormentado os portugueses. Aliado a esse problema crónico, o guarda-redes Andersen mostrou-se muito seguro e concentrado.

INJUSTIÇA E ESPERANÇA

Ronaldo e Simão, a dupla atacante, estiveram sempre com a mira apontada à baliza dinamarquesa mas, invariavelmente, os remates saíram por cima. Perto, mas por cima. Há, para o futebol, uma frase que continua a ter todo o sentido: quem não marca, sofre. É assim que acontece na maioria das vezes. No Parken Stadium, em Copenhaga, não fugiu à norma. Com a frieza que os caracteriza, os dinamarqueses chegaram, a três minutos do intervalo, ao golo. Nickas Bendtner elevou-se entre Duda - que mal ficou! - e Bruno Alves e rematou fortíssimo para dentro da baliza de Eduardo. O avançado do Arsenal não marcava há quase um ano, desde o jogo de Alvalade. Tão injusto!

Quase sem saber ler nem escrever, com uma eficácia de fazer inveja, a Dinamarca passou para a frente do marcador. Carlos Queiroz, ao intervalo, tinha que mexer nas peças. Não no esquema pois a exibição estava a ser bem conseguida mas colocar mais alguém na frente. No entanto, a equipa ficou com três jogadores no ataque, desfazendo-se do losango: Liedson entrou para o lugar de um apagado Tiago e juntou-se a Simão e Ronaldo. O recomeço foi mais equilibrado, contudo. A Dinamarca apareceu melhor, mais pressionante e com maior domínio. Esteve perto de aumentar o score, há que dizê-lo, através de duas boas ocasiões de Jakob Poulsen e Rommedahl (49' e 57'). Surgiu, então, uma nova chance para Portugal empatar mas, já na pequena área, nem Liedson nem Ronaldo conseguiram desviar para o golo.

O tempo passava vertiginosamente, o adeus dos portugueses era cada vez mais anunciado. Já dentro dos últimos vinte minutos, Carlos Queiroz lançou Nani e retirou Simão. Também aqui o treinador, numa tentativa de risco total, poderia ter tirado um dos homens do meio campo - Meireles ou Pepe. Continuava a haver ocasiões mas nada de golos. Entrou, depois, Nuno Gomes como último trunfo. No entanto, o verdadeiro ás já havia sido lançado: Liedson Muniz, num canto de Nani, cabeceou para o golo do empate de Portugal. Pôde ainda fazer a reviravolta mas Andersen negou-lhe a vontade. À Hitchcock, o jogo terminou empatado. Resta apenas a esperança. Frágil.