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terça-feira, 11 de maio de 2010

Liga Sagres: A consagração do Benfica e um golpe de teatro

ANÁLISE

Agora, sim, as decisões teriam de ser tomadas. Não havia volta a dar. Sem adiamentos, sem meias-palavras, sem hipóteses de fuga. O título e uma vaga na Liga Europa por atribuir. Sem surpresa em relação ao campeão: o Benfica venceu o Rio Ave, confirmou o seu favoritismo, arrecadou o trigésimo segundo campeonato da sua história, culminou uma temporada de sucesso. Os encarnados, contudo, nem precisariam de somar os três pontos, uma vez que o Sp.Braga não conseguiu mais do que um empate ante o Nacional - que, assim, comprometeu as aspirações de chegar ao quinto lugar. O Vitória de Guimarães necessitava só de um empate, também, mas perdeu e viu-se ultrapassado pelo Marítimo na luta pelo último posto europeu. Os madeirenses estarão na Liga Europa.

Noventa minutos e um ponto para conquistar. Era somente o que faltava para o Benfica confirmar o trigésimo segundo título do seu historial, sem ter de pensar em resultados de terceiros, dando asas à coroação de uma caminhada triunfante, superior e meritória dos encarnados. O golo de Cardozo, aos três minutos, logo seguido de uma expulsão de Wires, aos onze, desbravou caminho à cavalgada benfiquista, galvanizado pelo público, empurrado para a vitória, levado por uma mole humana sedenta de conquistas. Houve oportunidades mais do que suficientes. Não foram, contudo, concretizadas. Ricardo Chaves, médio do Rio Ave, ameaçou a festa. Jorge Jesus acelerou o passo na área técnica, a tensão subiu, o coração apertou. Até Cardozo, de novo decisivo, confirmar o triunfo. O Benfica ganhou, encheu-se de alegria, expodiu para os festejos, gritou pelos jogadores, enfim, fez a sua festa. É campeão nacional. Merecidamente.

Uma vitória para o Sp.Braga sonhar, permitindo centrar atenções na Luz, à espera de uma inusitada ajuda do Rio Ave culminante num desaire do Benfica. Ainda havia fé. Porém, antes de querer ganhar em campo alheio, os bracarenses tinham de cumprir a sua missão, vencendo na Madeira, deixando para trás o Nacional. Os madeirenses são uma boa equipa, apesar de uma descida de rendimento após a saída de Rúben Micael, ganham maior força quando jogam no seu território. Não seria fácil. O Sp.Braga tentou dominar, mostrou vontade de resolver. Mas o precoce golo de Cardozo para o Benfica atirou o sonho do título para canto. Os minutos passavam, o Benfica não quebrava ante o Rio Ave, a missão era cada vez mais improvável de concretizar. Edgar Silva marcou para o Nacional. Poderia ter sido o fim do Sp.Braga. Os arsenalistas, contudo, acreditaram ser possível. Renteria empatou, deu novo alento. Não chegou.

O que havia realmente para o FC Porto disputar ante a União de Leiria? Quase nada. Ou nada se exceptuarmos a vontade de levar Radamel Falcao, jogador que tantos golos deu aos portistas nesta temporada, ao topo dos melhores marcadores. Essa premissa até foi cumprida, pois El Tigre fez dois golos, saltou para o trono dos goleadores, ficando para ver o que Óscar Cardozo faria ante o Rio Ave. Tacuara também marcou dois, o bis do título, com isso as pretensões de Falcao esfumaram-se no dia seguinte ao triunfo azul. A exibição do FC Porto pode perfeitamente resumir toda a época. Teve duas faces: uma primeira parte enfadonha e apática, uma segunda capaz e triunfante. No meio da passividade azul, o União colocou-se em vantagem, marcou por Cássio, procurou travar o ciclo vitorioso dos portistas. O dragão despertou, respondeu com quatro golos após o descanso, virou o resultado em quatro minutos. Mostrou a sua fibra.

De um jogo entre uma equipa condenada à descida de divisão, sem natural assomo de motivação, com outra que falhou a toda a linha, se encontra demasiado longe das decisões a que está habituada e tem os olhos postos na próxima época, nunca se poderia esperar um jogo emotivo e de nível elevado. O Leixões está deprimido pela descida às trevas no seguimento de uma época carregada de equívocos, o Sporting pretende despedir-se rapidamente desta temporada para que depois, sim, possa preparar convenientemente o seu futuro e evitar a repetição dos mesmos males. Este encontro serviu, ainda, para marcar a despedida de Carlos Carvalhal do comando dos leões. Saiu com uma vitória. Tangencial. Contudo, o Sporting ganhou bem, com golos de Veloso e Pedro Silva, João Paulo ainda tentou baralhar, mas nada mais do que isso. A vitória, essa, estava feita. O Leixões acaba em último. Sai pelos fundos.

Uma inesperada mudança na luta pela Liga Europa: em Guimarães, ante o Vitória, o Marítimo venceu (1-2) e, também beneficiando do empate do Nacional frente ao Sp.Braga, conseguiu chegar ao quinto lugar final. Os madeirenses, após terem estado praticamente afastados, garantiram, in extremis, a última vaga para a Liga Europa, deixando o Vitória de Guimarães de fora - um final cruel, verdadeiramente de pesadelo, para os vimaranenses. Destaque ainda para a vitória do Belenenses (a quarta da época, segunda consecutiva após ter sido confirmada a descida de divisão), por 1-2, ante o Vitória de Setúbal, que permite à equipa do Restelo deixar o último lugar, em troca com o Leixões. A Académica finalizou, por força da vitória ante a Naval (0-1) e da derrota do Rio Ave com o Benfica, no décimo primeiro posto. Paços de Ferreira e Olhanense, duas equipas com objectivos alcançados, empataram a dois.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Liga Sagres: Benfica e Sp.Braga, luta até até ao fim!

ANÁLISE

Ainda não há campeão. O Benfica poderia, em caso de vitória, utilizar o Dragão, casa do seu grande rival, para festejar a conquista do título. No entanto, o FC Porto superou-se, mostrou força, impediu que os encarnados tivessem a satisfação de poder abrir o champanhe junto aos adeptos adversários. Além disso, o Sp.Braga venceu o Paços de Ferreira. Ganhou em dois campos, portanto: confirmou a presença na Liga dos Campeões e reacendeu a luta pelo título. Só na última jornada, por isso, será possível conhecer-se o campeão. O Benfica leva vantagem, dispõe de todas as premissas, mas o Sp.Braga acredita num tropeção encarnado para ser verdadeiramente bem-sucedido nesta época gloriosa. Também há luta pelo quinto lugar: Vitória, Nacional ou Marítimo?

O FC Porto venceu o clássico, o Sp.Braga cumpriu a sua parte e o Dragão não serviu de palco à festa do Benfica. Foi um jogo para homens de barba rija. Nem outra coisa seria de esperar. Um duelo entre FC Porto e Benfica, eternamente distantes e velhos inimigos de guerra, nunca poderá ser normal. Houve intensidade máxima, adrenalina nos limites, conflitos constantes, quezílias no meio de polémica permanente. Momentos de cortar a respiração. Há uma enorme convicção de que o Benfica será campeão. Muito dificilmente o título escapará aos encarnados. Conquistá-lo na casa do maior rival, preparando a festa debaixo do nariz do dragão, seria o corolário de uma época em que o Benfica foi melhor. O FC Porto impediu-o. A vitória não sacia mas consola os portistas. Muito - Clique para aceder à crónica do clássico

Soltem-se os cachecóis, preparem-se as gargantas, comemore-se o dia em que o Sp.Braga alcançou um feito histórico. Os bracarenses confirmaram o segundo lugar, sua melhor classificação de sempre, assegurando o bilhete para a entrada na pré-eliminatória da Liga dos Campeões. É o resultado de uma época soberba, sem paralelo no historial do Sp.Braga. A partida com o Paços de Ferreira, tranquilíssimo, não trouxe uma exibição bem conseguida. Bem longe disso, pois houve ansiedade e nervos em franja. Naturalmente. No entanto, os bracarenses mostraram alma e ambição. E tiveram uma pontinha de sorte. Sempre necessária, tão presente quando Coelho, mãos de manteiga, deixou a bola à mercê de Meyong. O golo caiu do céu aos trambolhões, sim. E aliou-se ao jogo do Dragão para manter o sonho de pé.

A pior saída possível. A ponta final do Sporting tinha sido uma espécie de oásis numa época de verdadeiro pesadelo, terminada sem nada conquistado, com mais de mil razões para esquecer o que foi jogado desde o início da temporada. O jogo com a Naval travou o ciclo vitorioso, derrotou novamente os leões. E foi merecido, aliás, perante a apatia leonina, incapaz de se motivar e de terminar em beleza o campeonato em casa, permitindo uma despedida honrosa dos seus adeptos. O que se podia esperar, contudo, quando os desafios a sério há muito terminaram para os leões e o pensamento vai para a preparação da nova temporada? A Naval aproveitou, marcou em contra-ataque, num tento de Fábio Júnior, um jogador emergente nesta equipa, Inácio recuperou o passado enfadonho de uma equipa que atravessou diversas metamorfoses.

Depois da confirmação da descida do Belenenses na última jornada, também o Leixões se viu relegado para o segundo escalão do futebol português. Sem surpresa. A derrota dos matosinhenses em Olhão (por 1-0) ditou o afastamento da equipa de Fernando Castro Santos - o Olhanense e o Vitória de Setúbal, apesar de vencido pelo Marítimo (2-0), garantiram, por isso, a manutenção. Em relação à luta europeia, o Vitória de Guimarães perdeu a oportunidade de assegurar definitivamente o quinto lugar (empate, 0-0, com o Rio Ave), vendo o Marítimo aproximar-se - está a três pontos e terminará o campeonato em... Guimarães. O Nacional, pelo empate a três golos com a Académica, mantém-se em igualdade com os maritimistas. Fora dessa luta está o União de Leiria: derrotado surpreendentemento pelo Belenenses (5-2).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Liga Sagres: O clássico do título com o Belenenses condenado

ANÁLISE

Os festejos do Benfica estão oo aquecimento. Após a vitória sobre o Olhanense, os benfiquistas desejaram um desaire do Sp.Braga, frente à Naval, para poderem, então, declarar-se como novos campeões nacionais. Os bracarenses, contudo, estão empenhados em levar a luta até ao fim, são guerreiros na verdadeira acepção da palavra, não encolhem os ombros e dão-se por vencidos. Há que lutar. Sempre, até que não mais seja possível. O papel do Sp.Braga foi cumprido na íntegra. Na próxima jornada, sem depender de deslizes alheios, o Benfica pode carimbar o seu trigésimo segundo título de campeão nacional. No Dragão. O clássico será vivido com papéis invertidos relativamente a épocas anteriores. Estará a ferro e fogo. Até porque o FC Porto acendeu a revolta em Setúbal e não terá Radamel Falcao para discutir com Cardozo. Nem Jesualdo.


Pode uma equipa que luta para não descer, vive com o fantasma dos últimos lugares a apoquentar, resistir a um duplo hara-kiri se jogar perante um rival forte, com uma tremenda confiança que lhe invade a alma e contagia o universo a ela ligado e está um passo de se sagrar campeão nacional? Não, claro que não. O Olhanense não resistiu a duas asneiras brutais de Delson. Em apenas nove minutos, o médio brasileiro cometeu uma grande penalidade tonta e acertou feio em Di María. Resultado: o Benfica marcou aos dois minutos, aliou a vantagem no marcador à númerica aos nove. Os algarvios ficaram por aí. O Benfica aproveitou as benesses, ainda nem tinha tido tempo para assentar o seu jogo, ganhou desde logo a tranquilidade que procurava. Marcou por Di María, mais dois de Cardozo e fechou através de Aimar. O terceiro golo, metade feito por aquele passe de letra de Angelito, é uma obra que merece honras...

Tracção atrás na Naval, equipa construída para conceder poucos espaços ao Sp.Braga, arrastar o nulo, deixar o jogo numa intensidade baixa e procurar sair para o ataque, através da velocidade de Fábio Júnior, elemento importante na pequena surpresa com o Benfica, e Michel Simplício. Respondeu o Sp.Braga com circulação de bola, futebol ligado, incisivo, coeso em todos os sectores, equipa rematadora. Entre dois golaços de Luis Aguiar, um aos vinte e cinco e outro aos oitenta e cinco minutos, passou uma hora de jogo. Nessa hora, iniciada com um livre superiomente colocado no ângulo da baliza de Peiser e um chapéu ao guarda-redes da Naval, o Sp.Braga construiu uma vitória sólida, justa e gorda por quatro golos. Não precisou de ser intensa, foi consistente e geriu o jogo de acordo com as suas pretensões. Os figueirenses não criaram uma verdadeira oportunidade para marcar. Desistir é palavra proibida em Braga.

Se Jesualdo Ferreira tivesse uma bola de cristal à disposição, acompanhando as saídas de Fucile e Raúl Meireles, pouparia Radamel Falcao para o jogo com o Benfica. O FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, ganho, o Vitória de Setúbal estava inconsequente e sem forças para anular a vantagem de três golos portistas. A vitória azul não iria fugir. O jogo fluía sereno, com poucos motivos de interesse, com golos de Guarín e Belluschi para abalar a monotonia e se juntarem a três de bola parada: Falcao e Maicon haviam marcado para o FC Porto, Henrique reduziu e deu uma fugaz esperança aos sadinos. Nada mais havia para contar. Chegou o minuto oitenta. A temperatura subiu ao extremo. Falcao foi apertado por Ricardo Silva e Bruno Ribeiro, lutou para se soltar e atingiu o adversário com a mão. Viu o amarelo. E falha o clássico com o Benfica. Novos golos de Henrique e Falcao, magoado e triste, ficaram em segundo plano.

Não há nada em jogo: o Sporting terminará em quarto lugar, nem mais nem menos, é o objectivo que os dirigentes leoninos traçaram após terem percebido que o pesadelo inicial já havia deixado a sua irreparável marca na temporada leonina. O Sporting terminará sem nada conquistado. No campeonato, sem possibilidade de ser mais ambicioso, limita-se a cumprir os seus jogos, esperando rapidamente pelo final da época, abrindo horizontes e preparando correctamente o que se avizinha para que os erros não se repitam. É natural, por isso, que os jogos dos leões tenham pouca história. Em Leiria, ante uma União ainda esperançada em chegar ao quinto lugar, Liedson marcou, adiantou o Sporting, traduziu o ascendente no marcador. Não chegou, porém, para resolver. Foi gritante a ineficácia leonina. Cássio, cada vez mais uma figura nos leirienses, empatou no início da segunda parte. O empate prolongou-se. Até ao apito final.

O Belenenses desceu de divisião. Foi a confirmação de uma morte há muito anunciada, um ciclo negro só com duas vitórias pelo meio, uma época para séria reflexão de um histórico, um dos cinco campeões, do futebol nacional. A derrota ante o Vitória de Guimarães, por 2-0, carimbou matematicamente a descida às trevas. Também o Leixões está às portas da despromoção: os leixonenses perderam, em casa, ante a Académica (1-3), mantendo os quatro pontos de atraso para o primeiro lugar de salvação - a equipa de André Villas Boas assegurou a permanência, assim como o Rio Ave, após o nulo com o Marítimo. Caso perca ante o Olhanense, num duelo de verdadeiros aflitos, o Leixões desce ao segundo escalão do futebol português. Na luta pela Europa, o empate caseiro do Nacional com o Paços de Ferreira (1-1), poderá ter entregue definitivamente o quinto lugar ao Vitória de Guimarães - tem três pontos de vantagem.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Liga Sagres: O Benfica está a um passo do céu

ANÁLISE

Quatro anos de espera, quatro pontos que separam a glória. O Benfica precisa somente de uma vitória e um empate para se sagrar campeão nacional. A vitória em Coimbra, ante a Académica, deixa os encarnados a um pequeno passo de tocar o céu. A consagração, caso o Sp.Braga não vença na Figueira da Foz, poderá chegar já na próxima jornada, na partida ante o Olhanense. No entanto, os minhotos estão apostados em dar seguimento à época extraordinária - coroada com o acesso à Liga dos Campeões. Só três jornadas manifestamente inesperadas tirarão o Benfica do título e o Sp.Braga da vice-liderança. Tal como o FC Porto e o Sporting: habituados a serem superiores, terão o terceiro e o quarto posto no final da época. A última vaga europeia ainda pode mudar de dono.

A vitória do Sp.Braga sobre o Leixões colocara a bola do lado do Benfica. A distância estava em três pontos. Perigosa numa ponta final de decisões. Domingos Paciência esperava um deslize, um tónico, uma reviravolta inesperada. O Benfica reagiu bem. Quis entrar em Coimbra a mandar, mostrando-se disposto a resolver o teste rapidamente, sem que tivesse de recorrer a um esforço suplementar. Pressionou, pressionou e marcou por Weldon. Logo aos três minutos. No entanto, após a vantagem, deixou de ser incisivo e a Académica teve oportunidade para mostrar o seu bom futebol e recuperar plenamente do golpe precoce. Conseguiu empatar. Houve intensidade, vontade de ganhar de ambas as equipas, perigo junto das balizas. O Benfica voltou à vantagem. De novo por Weldon - verdadeiramente letal!. Rúben Amorim fez o golo da tranquilidade. Que só não foi absoluta porque Tiero, em cima do final, aumentou o suspense. Em vão.

O Sp.Braga cerra os dentes e vai à luta. Guerreiros que se prezem não baixam a guarda, independentemente das dificuldades, mesmo estando numa posição complicada para chegar mais além e vendo o adversário dar provas de estar fortalecido. Os minhotos, apesar de as esperanças em chegar ao título serem cada vez mais utópicas, faltando espaço para eventuais tropeções do Benfica, querem sempre fazer melhor. Esta é a melhor época de sempre do Sp.Braga. É uma oportunidade única de marcar a História. Os bracaranses cumprem a sua parte, cimentam o segundo lugar, abrem horizontes para os milhões da Liga dos Campeões. Em Braga, frente a um Leixões extremamente defensivo, mais uma vitória. Começada por Alan e concluída por Moisés, com um golo leixonense que serviu para criar alguma apreensão. Mas pouco mais. Foi o vigésimo triunfo do Sp.Braga. Inteiramente merecido para manter a bitola.

Há muito era anunciado, sim, mas faltava a confirmação matemática do adeus do FC Porto ao campeonato. O jogo de Coimbra, com a confirmação do triunfo benfiquista, antecipou esse final funesto para os portistas. Pouco há em disputa neste campeonato. Pode funcionar como uma libertação do que de bom há nos jogadores, agora sem pressão, não tendo de lutar contra uma ansiedade asfixiante. Ou, por outro lado, pode ser um caminho duro até final mas que é mesmo preciso cumprir. Pela primeira vez em cinco anos, após ter sido tetra, FC Porto não será campeão. É algo que pesa no sub-consciente dos jogadores, é uma realidade atroz. Pesa ainda mais pela ironia de receber o troféu do quarto título no dia em que se despede da corrida a outro. O jogo começou enrolado e pouco intenso. O FC Porto marcou, tranquilizou-se, acentuou o domínio. Marcou por Hulk, Guarín e Falcao. Ganhou por três golos. E ganhou bem.

No campeonato, o máximo que o Sporting pode almejar é o quarto lugar. É pouco, obviamente, mas é, acima de tudo, o resultado final de uma época de verdadeiro pesadelo e recheada de contrariedades. Não estranha, por isso, que a mente dos dirigentes esteja já centrada na temporada que se seguirá. O Vitória de Setúbal, ao invés, pretende conquistar a permanência o mais rapidamente possível e chegar com sucesso à sua meta, evitando jogos finais a tremer. E chegaram cedo à vantagem: Collin saltou sozinho, fez um golo fácil. Depois, o Vitória fechou-se, desperdiçou todos os segundinhos, procurou levar a vantagem até ao limite. Resistiu até à hora de jogo. Collin, antes herói e agora vilão, cometeu penalty, João Moutinho empatou. Passaram dez minutos no jogo e o Sporting consumou a reviravolta. Por Hélder Postiga, no primeiro toque na boa. Para ele passou quase um ano: não marcava desde 25 de Abril de 2009.

O Nacional, fruto da vitória sobre a União de Leiria (2-0) reforçou a sua luta por um lugar europeu. Actualmente, com nove pontos pela frente, os madeirenses têm somente um de atraso para o Vitória de Guimarães, equipa que ocupa a última vaga nas competições internacionais. Também o Marítimo, rival insular que bateu o Olhanense (1-2), reentrou na competição pelo quinto posto - conta, tal como os leirienses, com trinta e quatro pontos, ou seja, menos três do que o Vitória. Paços de Ferreira e Naval estão tranquilos na tabela e os figueirenses venceram por 1-3 este duelo. Na luta pela manutenção, nada se alterou em termos pontuais. Passou, contudo, mais uma jornada. E isso quer isso dizer, portanto, que a tarefa de Belenenses (nulo caseiro ante o Rio Ave) e Leixões é ainda mais difícil. Vitória de Setúbal, Olhanense e Académica, o trio que também ainda não assegurou a permanência matematicamente, foram derrotados.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liga Sagres: Um título cada vez mais certo

ANÁLISE

Era no derby entre Benfica e Sporting que o Sp.Braga colocava uma enorme dose de esperança num escorregão do líder. Uma derrota dos encarnados diminuiria a vantagem para três pontos. Com quatro jogos pela frente, jogando ainda no Dragão, a luta pelo título voltaria a ter todos os condimentos. Havia, por isso, a necessidade de vitória para o Benfica. Confirmou-se. A equipa benfiquista conseguiu superar as dificuldades que o Sporting lhe colocou, foi abnegada e teve em Aimar o mago que fez toda a diferença. Só um verdadeiro ciclo de pesadelo poderá tirar a conquista do campeonato aos encarnados. No entanto, por ainda ser possível apesar das poucas probabilidades de acontecer, o Sp.Braga mantém-se à espreita. E o FC Porto olha ao segundo lugar.

O Benfica venceu o derby. Venceu bem, acima de tudo. O Sporting começou melhor, preparado para travar a festa antecipada dos encarnados, demonstrando que ainda poderiam ter dissabores na recta final. Os leões conseguiram, pelo menos, levar alguma apreensão à Luz: jogaram com união, montaram uma boa estratégia, impediram os avanços do Benfica. O trabalho táctico foi preparado com exactidão. O intervalo obrigou Jorge Jesus a mudar. Lançou Aimar. Apagado em Liverpool, o argentino foi decisivo. Com ele, o Benfica conseguiu ligar o seu futebol, ganhou terreno, cercou a baliza de Rui Patrício. Ao mesmo tempo, o Sporting quebrou. Deixou de ter Pedro Mendes, nunca dispôs de Yannick ou Liedson. Os golos do Benfica chegaram com naturalidade. E telefonema pode ser feito: "O Benfica quer as faixas, se faz favor!..." - Crónica

O jogo do Sp.Braga, em Leiria, começou mal. Entrar a perder, quando é necessário de ganhar para manter o sonho no título, era o pior que podia acontecer ante um adversário com aspirações acima da média, tal como os minhotos, lutando por um lugar europeu. Cássio foi o desmancha-prazeres. Aos onze minutos, com uma cabeçada fortíssima, o brasileiro deu vantagem aos leirienses. O Sp.Braga tremeu, sentiu o golo e teve dificuldades para se encontrar. Percebeu que um tropeção deixaria, afinal, o Benfica com o título na mão. Contudo, conseguiu dar a volta. Em três minutos, passou para a frente: Meyong e Rentería, oportunos e matreiros, consumaram a viragem no marcador. Não tinham os bracarenses feito muito para tal? É certo que não, mas fê-lo. E houve capacidade para aguentar o triunfo. A ligação da equipa foi, de novo, vital.

O FC Porto passava por imensas dificuldades, em Vila do Conde, ante o Rio Ave. Depois de boas exibições, num sistema que privilegia a superioridade no meio-campo por forma a conseguir união entre os sectores da equipa e confere maior dinâmica colectiva, os portistas haviam regressado a um futebol pouco hábil - Hulk foi quem mais tentou. O Rio Ave, após duas goleadas por cinco golos, decidiu encarar o FC Porto de forma mais realista, procurando brechas, insistindo nas faixas laterais. E criou boas oportunidades, catapultando Helton para primeiro plano. Faltava um clique que abalasse a monotonia em que os dragões estavam mergulhados. Bateu a hora de jogo. Era preciso mudar. Jesualdo Ferreira lançou Ernesto Farías para o lugar de Tomás Costa. Cinco minutos depois, El Tecla marcou o golo da vitória. É um suplente de luxo!

O Leixões ganhou um novo fôlego na luta pela manutenção. A equipa de Fernando Castro Santos venceu, por 2-0, o Paços de Ferreira e beneficiou dos empates do dueto que segue imediatamente acima, Olhanense e Vitória de Setúbal. Ambos estiveram em desvantagem e, já nos últimos minutos, conseguiram conquistar um ponto: os algarvios fizeram-no em Guimarães, os sadinos, em casa, frente à Académica. No último lugar, apesar do empate alcançado na Madeira, ante o Marítimo, a três golos, o Belenenses tem uma tarefa cada vez mais agreste para escapar às posições de descida (mantém os nove pontos de atraso com menos uma jornada pela frente). Na luta europeia, o Nacional empatou, a zero, com a Naval, na Figueira da Foz, e não se conseguiu aproximar do Vitória de Guimarães, última equipa com acesso à Europa.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Liga Sagres: O título está ao virar da esquina

ANÁLISE

O Benfica encontrou, na Figueira da Foz, um bico de obra para resolver. Começou mal, sofrendo dois golos de rajada, mas soube reagir ao choque e puxar dos galões. Ainda antes do intervalo, colocou-se em vantagem. Na segunda parte aumentou a vantagem, colocou os olhos em Liverpool, salvaguardou os seis pontos de vantagem para o Sp.Braga. Os bracarenses levaram de vencida o Vitória de Guimarães num derby efervescente, conflituoso e polémico do princípio ao fim. Por linhas tortas. Ainda com a esperança de chegar ao segundo lugar, para ter acesso aos milhões da Liga dos Campeões, o FC Porto venceu o Marítimo. O Sporting cilindrou, com uma mão cheia de golos, o Rio Ave: vitória categórica, justa e importante para o quarto lugar.


Doze minutos e dois golos marcados. Pela Naval. A equipa de Augusto Inácio entrou confiante e ousada para lançar perigo na defesa do Benfica (que estranha apatia!...). O líder tremeu. Soou o alarme, por isso. Weldon, a surpresa de Jorge Jesus para ocupar a incómoda vaga aberta por Saviola, percebeu-o: em sete minutos, aos dezasseis e dezanove empatou. O Benfica reentrou no jogo, fez voltar tudo à fórmula inicial, aniquilou a vantagem que a Naval alcançara. Foi o fim da surpesa. Mas não dos navalistas: Camora não conseguiu superar-se a Quim, ficou perto. A resposta de Di María foi triunfante, sem contemplações, eficaz. Agora, sim, a Naval ficou em xeque. Antes do pensamento se centrar no jogo de Liverpool, o Benfica precisava de ganhar maior conforto. Cardozo deu tranquilidade. A Naval não aguentou a vantagem, os encarnados reagiram à campeão.

Polémica, polémica e, sim, mais um bocadinho de polémica. O derby entre Sp.Braga e Vitória de Guimarães, por tudo o que representa para a região e pela infinita rivalidade existente, não poderia ser nunca um jogo pacífico. Não se esperava, porém, que se ganhasse tais proporções. Começou quente, ferveu a certa altura e mantém-se em brasa. O Sp.Braga ganhou, é isso que fica registado. Fê-lo com três grandes penalidades convertidas - a primeira aceita-se, a segunda é bem assinalada, a terceira é pura simulação. O Vitória terminou com sete jogadores, no limiar das suas forças, dispôs também de uma grande penalidade. É elementar concluir, portanto, que Artur Soares Dias, o árbitro, esteve debaixo de uma enormíssima tensão. O derby minhoto revelou-se um tormento. O último penalty foi o último momento de uma tarde infernal.

Uma entrada horrível terminou numa vantagem tranquila e plenamente merecida. O FC Porto começou verdadeiramente mal ante o Marítimo. Um golo de avanço ultra-sónico: quinze segundos bastaram para Taka introduzir a bola na baliza de Helton. Tão precoce desvantagem pode deitar tudo a perder, ser fatal para a mente dos jogadores, carregando a ansiedade. Ao FC Porto não afectou. Falcao, com um pontapé sensacional de bicicleta, empatou. Um daqueles golos de se lhe tirar o chapéu. Logo após, Raúl Meireles, a meias com Peçanha, concluiu com êxito a terceira oportunidade do jogo. Com oito minutos apenas. Em vantagem, os dragões mostraram bom futebol, apostaram nas transições. O Marítimo deu boa réplica, quase sempre com Kléber em destaque. O segundo golo de Falcao tranquilizou. E viria ainda Hulk para fechar as contas.

Sem Moutinho e Veloso, na Madeira, o Sporting deixou uma má imagem frente ao Marítimo, uma espécie de recuo até aos tempos de pesadelo, e, mais do que isso, viu interrompido o seu ciclo positivo - embora com a eliminação da Europa... - com uma derrota sem contestação. Ante o Rio Ave, regressou o melhor Sporting: dinâmico, mandão e concretizador perante uma equipa demasiado inofensiva e permeável, talvez afectada por já estar praticamente a salvo. Há demérito do Rio Ave, pois podia ter feito melhor, mas também mérito na forma como o Sporting soube dominar desde início. Yannick, endiabrado, fez três golos - o último, então, é soberbo! - num espectáculo contínuo. Liedson e Moutinho completaram a mão de golos. Para a rendição ser total só faltou Izmailov. O russo entrou e dez minutos depois... saiu por ordem de Pedro Proença.

A União de Leiria, ao empatar em casa com a Académica (0-0), perdeu a oportunidade de alcançar o Vitória de Guimarães no quinto lugar, o último que dá acesso à Liga Europa. Também o Paços de Ferreira, jogando como outsider, não foi além de um nulo, ante o Belenenses, não conseguindo aproximar-se para os vimaranenses - estabelecendo a diferença em apenas um ponto. O Nacional, pela vitória caseira alcançada contra o Leixões, 1-0, reentrou na disputa pelo seu objectivo europeu, destacando-se do rival Marítimo. Na luta pela manutenção, o Belenenses, apesar do ponto conquistado, e o Leixões estão cada vez mais acossados pela descida de divisão. A diferença entre os leixonenses e a dupla constituída por Vitória de Setúbal e Olhanense - que empataram, em Olhão, a dois - é de seis pontos. A Académica tem mais um.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Liga Sagres: A revolta dos últimos na jornada do Benfica

ANÁLISE

O Benfica ganhou ao Sp.Braga, aumentou a vantagem para seis pontos, há dezoito em disputa até final. O mesmo é dizer, portanto, que os benfiquistas têm tudo para voltarem, cinco anos depois, a chegar ao trono de campeão nacional. Só uma ponta final desastrada, aliada a seis jogos triunfantes e históricos do Sp.Braga, poderá inverter a situação. É imperativo, contudo, que o Benfica não interiorize que tem desde já o título assegurado. Aí, sim, poderá dar-se mal. E o que dizer desta equipa bracarense? Está na sua melhor época de sempre, tem muito mérito no que conseguiu até agora, fez jus ao seu estatuto diante do Benfica, provou ter qualidade. No entanto, o FC Porto, ao vencer no Restelo, conseguiu encurtar a distância para cinco pontos. É o que separa os dragões do segundo lugar.


Foi o jogo do título? Talvez, mas só os seis encontros que faltam darão a resposta. Dizer que o campeonato ficará decidido à vigésima quarta jornada será sempre arriscado. No entanto, ao vencer o Sp.Braga, o Benfica deu um passo fundamental. Dispõe de uma boa margem, é a equipa mais completa, possui argumentos que faltam aos minhotos, apostou as fichas todas para ser feliz nesta temporada enquanto o Sp.Braga está a superar-se a si próprio. Irão lutar até final, disso ninguém duvide. O Benfica está mais confortável e tem o caminho do título aberto, sim, mas terá que manter a mesma intensidade para chegar à glória. Jogo lutado, limites da adrenalina, vontade de qualquer um deles sair fortalecido. Um golo de um herói revisitado: Luisão. A fazer lembrar 2005, quando decidiu um jogo... do título, contra o Sporting, na Luz
- Clique para ler a crónica do jogo

Hulk é um jogador portentoso. Tem técnica, explosão, potência. Capacidades inatas para um futuro auspicioso. Falta-lhe, contudo, ser mais racional, controlar os nervos, jogar em prol da equipa e não decidir ser ele contra o Mundo. Nesse duelo desigual, geralmente, perde. Como acontece com todos os que pretendem fazê-lo. Quando consegue anular esses defeitos, salientando as virtudes, Hulk torna-se temível, ganha poderes que lhe permitem carregar a equipa, aniquila os adversários. Por estes dias, pelo processo disciplinar que o envolveu, Givanildo de Souza é um homem revoltado. Quer-se recompor, mostrar que está vivo, que fez uma enorme falta. É aí que aparece Hulk. No Restelo, o brasileiro foi fundamental para a vitória do FC Porto: assistiu Rolando no primeiro golo - em posição irregular -, fez um golaço e cruzou para Falcao fechar as contas.

O Sporting é imprevisível. Oscila em demasia, consegue atingir patamares de grande qualidade, deita tudo a perder num ápice, volta a entrar numa curva descendente. É mau para qualquer equipa, grande ainda mais. Os leões estão no seu momento mais vivo, com boas exibições e vitórias, uma retoma com os adeptos mas que nada trará para o museu do clube. O jogo com o Atlético de Madrid, a eliminação da Liga Europa, poderia ser um abalo. Foi mesmo. O Sporting voltou à sua fase má, tristonha, sem consistência. O Marítimo fez um bom jogo, com os olhos postos na baliza de Rui Patrício, ganhou com justiça. Por um golo, num 3-2 ditado pelos minutos finais, mas que poderia ter sido mais amplo. A derrota do Sporting deixa estampada a falta de soluções. Sem João Moutinho, sem Miguel Veloso e sem Izmailov, o Sporting parou a retoma. Pior do que isso: reviveu o passado.

A emancipação de um trio de aflitos. Leixões, Vitória de Setúbal e Olhanense são equipas que terão de lutar até final para alcançarem a permanência. Nesta jornada todas venceram. Os leixonenses alcançaram a primeira vitória desde a chegada de Fernando Castro Santos, bateram a Naval por 1-0, mas nem por isso reduziram diferenças para a primeira posição que lhes garante sossego. Há dois culpados: o Vitória bateu, em casa, o Nacional (2-1, vida complicada para os insulares na luta pela Europa), confirmando uma subida substancial na segunda metade da temporada, somando, aqui e ali, pontos importantes para a concretização do objectivo; o Olhanense, trinta e seis anos depois, voltou a triunfar fora em jogos do principal campeonato português: venceu o Rio Ave, ainda sem confirmar a permanência mas tranquilo, por concludentes 5-1. Juntamente com os sadinos, mantém cinco pontos de avanço para o Leixões.

Dos últimos quatro classificados, só o Belenenses foi derrotado. Mas, convenhamos, defrontava o FC Porto e era, por isso, quem tinha tarefa mais complicada. A derrota deixa o campeão nacional de 1945-46 com a corda na garganta, sem horizontes cor-de-rosa, antes cada vez mais invadidos pela penúria de cair no segundo escalão do futebol português. São nove os pontos de atraso, ou seja, metade dos que há para discutir. Embora tenha ganho, também o Leixões, pelos triunfos dos rivais, se mantém numa posição delicada. No acesso aos lugares europeus, nomeadamente o quinto, última posição para entrar na Liga Europa, o Vitória de Guimarães (com uma vitória, 1-0, sobre a Académica salvaguardou a sua posição, ao passo que os estudantes reentraram, quando se esperava que alcançassem a manutenção rapidamente, no lote de equipas ainda em perigo de descida), acossado pelo União de Leiria - venceu, em casa, o Paços de Ferreira (2-1).

terça-feira, 16 de março de 2010

Liga Sagres: O duelo da liderança, um tira-teimas ansiado

ANÁLISE

Duelo pelo título, contagem descrecente para o momento das decisões, armas preparadas para o golpe fatal no adversário. Proibição de falhar, sob pena de toda a temporada ficar sem efeito, de pouco valendo o que foi feito, exigência maior do que nunca obriga a jogar nos limites. Benfica e Sp.Braga souberam ultrapassar os difíceis obstáculos colocados no trilho, sobretudo dos benfiquistas, acenderam ainda mais a chama para um jogo que já faz suspirar os adeptos, que poderá ajudar a decidir muito ou apenas aumentar a rivalidade criada. Dia 27, na Luz, Benfica e Sp.Braga têm o seu tira-teimas. Longe dessas lutas, o FC Porto mostrou estar desperto, superou o teste de Coimbra. E o Sporting, bem, continua a surpreender: que entrada de leão sobre o V.Guimarães!...


Alerta vermelho para o Benfica: deslocação complicada, logo após um desgastante jogo com o Marselha, na sequência de uma vitória do Sp.Braga que (re)inverteu a ordem no topo. Jogar com o Nacional é, por norma, complicado para os grandes. Na Choupana, um dos terrenos onde as exigências são maiores, dobram-se essas dificuldades. Os madeirenses, porém, ficaram órfãos de Rúben Micael, o jogador que lhes servia de suporte criativo, têm feito uma época irregular. Mas cedo se percebeu que só a custo, vestindo a roupa de serviço, o Benfica poderia ambicionar vencer. Não fez um jogo de deslumbrar, mas foi consistente e venceu com mérito. Cardozo, vilão numa grande penalidade desperdiçada (mal assinalada), herói no minuto seguinte, deu a vitória aos encarnados. Um jogo de sofrimento, com um triunfo importantíssimo.

O Rio Ave não é, por certo, um adversário que traga boas recordações ao Sp.Braga. Foi a equipa de Carlos Brito a primeira, sete vitórias depois, a tirar pontos aos bracarenses e, mais recentemente, quem eliminou, em pleno AXA, o Sp.Braga dos quartos-de-final da Taça de Portugal. É uma equipa com objectivos modestos, não pensa além da manutenção, mas revelou-se na primeira metade da época e joga olhos nos olhos com os adversários. Também agora criou complicações ao Sp.Braga, deu o primeiro sinal de atrevimento, Tarantini acertou na barra. A resposta dos bracarenses foi forte, triunfante: Andrés Madrid, em jejum desde Outubro de 2005, marcou. Foi um golo feliz. E vital. O Sp.Braga tomou as rédeas do jogo, guardou a vantagem e não deu azo à reacção vila-condense. Nova missão cumprida.

Jogando sob brasas, na ressaca da humilhação europeia, o FC Porto teria que mostrar estar vivo. E mostrou, de facto. Não fez uma exibição de encher o olho, certo, mas teve atitude e capacidade para dar a volta às adversidades. A Académica melhorou imenso com André Villas Boas - sim, não deu um salto substancial na classificação - e joga um bom futebol, não seria o opositor ideal. Além disso adiantou-se, marcando por Sougou. A desvantagem, contudo, foi dizimida com celeridade pelo FC Porto: Bruno Alves redimiu-se com um golo do penalty cometido (lance duvidoso). O empate prolongou-se, o FC Porto tentou, nunca virou a cara à luta. Há esse mérito nos portistas. A quatro minutos do final, Rodríguez cerrou os dentes e encheu o pé, potência na libertação da raiva pelo período conturbado, garantiu três pontos ao campeão.

O Vitória de Guimarães pretendia tomar de assalto o quarto lugar, mas... coitado, nem tempo teve para respirar. Começou em falso, pagou caro, sem perceber muito bem o que lhe acontecia sofreu três golos em vinte minutos impressionantes, magníficos e categóricos do Sporting, uma supresa constante a cada jogo que passa pelas demonstrações de futebol que vai dando: marcou por Grimi, por Liedson e por Saleiro, aos vinte minutos tinha aberto três buracos no castelo - mais outro marcou, porém o assistente de Bruno Paixão, compensando o erro do primeiro golo, anulou. O remate do Levezinho, então, é uma obra-prima. Vantagem confortável, vitória na mão, condições para travar o ímpeto e pensar no jogo com o Atlético. O Vitória cresceu, deu um ar da sua graça, mostrou um valor que o Sporting esmagara e conseguiu reduzir. Justo.

Vinte jornadas, quase sete meses, até um ano civil foi substituído por outro, muitas mudanças existiram. É este o espaço temporal que separa as duas únicas vitórias alcançadas pelo Belenenses: a primeira foi a 24 de Agosto de 2009, no Restelo, sobre a Naval (2-0); a outra conseguida nesta jornada, em Olhão, por 3-1, sobre um adversário directo na fuga à despromoção. Se ainda haverá tempo para recuperar, só o futuro poderá responder. A missão, contudo, não ficou facilitada, uma vez que o Vitória de Setúbal, primeira equipa acima dos lugares de descida, venceu o Leixões, por 1-2, e pode ter dado um passo fundamental para o seu objectivo - os leixonenses estão com uma árdua tarefa em mãos. Cinco pontos separam a equipa de Fernando Castro Santos dos sadinos e do Olhanense (ambos com vinte).

Com pequenos passos, em pézinhos de lã, sem que se dê pela sua acção, a Naval tem protagonizado um campeonato sempre em crescendo. Não tem o objectivo de se intrometer na disputa por um lugar europeu, mas conseguiu vencer a União de Leiria, por 1-0, e ultrapassar o Nacional, o Rio Ave e o Marítimo - as equipas insulares, declaradamente apostadas em chegar à Europa, voltaram a comprometer o seu futuro, pois ambas perderam: o Nacional com o Benfica e o Marítimo em Paços de Ferreira (1-0). Os pacenses, sob o comando de Ulisses Morais, estão, à imagem da Naval, a realizar uma época acima do que era expectável (ocupam o sétimo lugar). Rio Ave e Académica, derrotados, respectivamente, por Sp.Braga e FC Porto, deverão assegurar a permanência no principal campeonato dentro de poucas jornadas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Liga Sagres: Mais um passinho encarnado no duelo do título

ANÁLISE

Agora, sim, não restam dúvidas: o título de campeão nacional será um duelo entre Benfica e Sp. Braga. Após o clássico com o Sporting, na jornada passada, poucas hipóteses restariam ao FC Porto, contudo ainda se mantinha a crença numa recuperação azul. No entanto, com o empate frente ao Olhanense, as esperanças dos portistas na conquista do título caíram por terra. Como um baralho de cartas. Um campeão não pode ter tamanha irregularidade como este FC Porto tem. Contentam-se os adversários do topo, sobretudo o Benfica, o líder, que aproveitou também um deslize do Sp.Braga, travado no Bonfim. Passo a passo, os benfiquistas vão solidificando a sua candidatura. Ah!, daqui a duas jornadas joga-se o Benfica-Sp.Braga...


Dois escorregões alheios, uma oportunidade única para o Benfica aniquilar o FC Porto e ganhar maior avanço ao Sp.Braga. Preciso vencer o Paços de Ferreira para dar mais esse passinho rumo à cimentação da candidatura ao título. Os pacenses têm feito, contudo, um campeonato em crescendo, sete jogos sem perder, um olho nas competições europeias. O Benfica entrou forte, motivado, com a convicção de não poderia desperdiçar as falhas dos rivais, marcou cedo: Rúben Amorim e Saviola, aos dezassete minutos, tinham construído a vantagem encarnada. Respondeu bem o Paços, não enrolando a bandeira, foi um opositor brioso, conseguiu reduzir e criar perigo para Quim. Um golo poderia ter surgido em qualquer das balizas. Foi na do Paços: Cardozo cumpriu o seu ritual, deu os três pontos ao Benfica. Ganhos com mérito.


O Benfica havia caído no Bonfim, o Vitória tivera capacidade para suster os encarnados, o perigo espreitava o Sp.Braga. A estratégia de Manuel Fernandes foi precisamente a mesma: tirar espaço aos jogadores bracarenses, povoar a zona defensiva, manter um ritmo baixo e deixar a bola longe da sua área. Surtiu o efeito desejado, a equipa formou uma barreira, o Sp.Braga teve mais bola, foi mais atacante, mas não conseguiu derrubar os sadinos e encontrou imensas dificuldades para criar perigo para a baliza de Nuno Santos. Os bracarenses entraram no jogo sadino, deixaram os minutos acumularem-se, Domingos viu-se obrigado a correr riscos e o Vitória procurou aproveitar a velocidade nas saídas para o ataque, conseguindo chegar perto da área contrária. Ninguém soube, porém, desfazer o nulo. O Sp.Braga tropeçou.

Ponto final, parágrafo. O empate do FC Porto com o Olhanense, em casa, aliado à vitória do Benfica, coloca uma pedra sobre a conquista do título, centra os dragões na obtenção do segundo lugar. Aliás, os dragões acabaram por beneficiar do empate do Sp.Braga, que poderia ter aumentado para dez a vantagem sobre os portistas. Um campeão, que pretende continuar a sê-lo e que tem bem presente a ideia de que terá uma tarefa quase utópica, não pode dar dois golos de avanço em casa. O Olhanense joga um bom futebol, olhos nos olhos, aproveitou as brechas defensivas. Mergulhado numa ansiedade fatal, obrigado a anular a desvantagem, o FC Porto teve coração, fez de tudo para dar a volta, mas foi pouco discernido. O relógio foi outro inimigo. Empatou no último minuto. Não deu para mais. Agora, dragão, só para o ano.

O Sporting tomou o gosto às vitórias. Deixou de ser o elo mais fraco, está uma equipa moralizada, unida e com vontade de demonstrar que, afinal, tem muito mais valor do que aquele que mostrou até então. Surpreendeu contra o Everton, tirou ao FC Porto a hipótese racional de acreditar no pentacampeonato, afundou, agora, o Belenenses no último lugar. Com exibições convincentes e triunfos categóricos, gordos e inteiramente merecidos. Depois das trevas, os leões estão motivados e vivem o melhor momento da temporada. Parecem imunes a tudo. Contudo, apesar das duas vitórias, Liedson ficara em branco. Não é normal, convenhamos. O Levezinho também achou que não, agigantou-se no Restelo, foi a figura máxima, fez quatro golos numa segunda parte de luxo em que os leões devoraram um Belenenses tenrinho.

O Vitória de Guimarães confirmou o seu bom momento, venceu o Nacional, por 2-0, e consolidou o quinto lugar, que lhe dá acesso à Liga Europa da próxima temporada. O União de Leiria, após quatro jogos sem vencer, voltou aos triunfos: derrotou o Leixões, por 2-1, ultrapassando o Paços de Ferreira no sexto lugar. Para além do Nacional, derrotado em Guimarães, também o Marítimo, outra equipa com ambições europeias, se atrasou nessa luta pelos lugares cimeiros, uma vez que empatou, a zero, em Coimbra. Rio Ave e Naval, ao empataram, conseguiram mais um ponto fundamental para assegurarem a manutenção o quanto antes. Nos lugares de despromoção, o Belenenses parece cada vez mais condenado e o Leixões mantém-se em penúltimo, agora com dois pontos de atraso para o Vitória de Setúbal e cinco para o Olhanense.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Liga Sagres: O melhor leão arrumou definitivamente o dragão?

ANÁLISE

Uma verdade lapaliciana: no futebol não há lógica. Nem ideais que se prolonguem por um longo período temporal, inquebráveis, seguindo uma lei própria. O futebol é uma caixinha de surpresas. Pelos quatro jogos sem vencer para o campeonato, sete no total de todas as competições, o Sporting partiria com algum atraso para o clássico com o FC Porto, dez vitórias e quatro empates depois da derrota na Luz, a última antes de iniciarem a recuperação. No relvado, em noventa minutos, os leões esqueceram a época desastrosa que têm levado. Por um momento foram felizes, deixaram os adeptos plenos de satisfação. E deram uma ajuda ao rival de sempre, Benfica, e ao Sp.Braga. O campeão, agora, está em xeque.

Senhor leão, por favor. O Sporting temerário, errático e desnorteado ficou para trás. O momento, agora, é outro. A partida com o Everton já o anunciara, o clássico com o FC Porto confirmou: os leões jogam como ainda ninguém vira nesta temporada. Pode custar a crer, é verdade que sim, mas a vitória sobre os dragões não deixa dúvidas: consistência, entreajuda, redução de espaços, golos em momentos marcantes. Três tiros num dragão impotente, uma equipa que nunca se conseguiu encontrar, mergulhada num mar de indecisões e de más opções. O título é, agora, uma possibilidade cada vez mais remota. É a razão que o diz. Mantém-se a crença de que ainda há hipótese. Os papéis do jogo não estarão trocados? Não, claro que não. Acreditem!
- Crónica do Sporting-FC Porto

O maior mérito do Benfica, ante o Leixões, esteve em ser prático. Um líder que defronta o penúltimo classificado, extremos que quase se tocam, pode cair na tentação de ser demasiado altivo e deixar que o nulo se prolongue. Esse era, aliás, o objectivo do Leixões: manter o empate, tentando suster o ímpeto do Benfica, com uma equipa montada sobre características defensivas. Revelou-se, contudo, um adversário macio, inoperante no ataque, após o primeiro golo, de Éder Luís com alguma felicidade à mistura, não mais deu mostras de poder ambicionar conquistar algo de positivo. Controlando o Leixões, com total domínio do meio-campo, o Benfica chegou à goleada de forma natural. E justa. Di María deu um toque mágico ao jogo: fez três grandes golos, pontos máximos de um jogo sublime.


Depois da hecatombe do Dragão, um jogo de pesadelo com uma derrota que faz mossa, não restava outra hipótese ao Sp.Braga que não uma vitória. Só assim os arsenalistas poderiam manter o seu estatuto de candidatos, que aos poucos vai começando a ser aceite por Domingos, encostado entre a espada e a parede, para recuperar os níveis de confiança. A equipa perdera, com o FC Porto, a coesão defensiva, mas não poderia descaracterizar-se. Contra o Olhanense, uma equipa que apesar das dificuldades pontuais não se esconde do jogo, começou mal: Djalmir marcou, ficaram outras oportunidades por concretizar. Um novo rombo, nova prova para uma resposta forte. O Sp.Braga deu-a: Matheus empatou, os minhotos assumiram o controlo da partida e deram a volta. Com eficiência.

Fruto de uma vitória tangencial sobre a União de Leiria, 0-1, o Vitória de Guimarães ascendeu ao quinto lugar e está, por isso, nas posições de acesso à Liga Europa. Também o Paços de Ferreira e o Nacional, ultrapassaram a equipa de Lito Vidigal que, à entrada para a vigésima primeira jornada, ocupava o quinto posto e apenas tinha dois pontos de atraso para o Sporting - os pacenses derrotaram, em casa, o Vitória de Setúbal, por 5-3, num jogo de grande emoção até final, enquanto os madeirenses bateram (1-0) o Belenenses. A Naval, após derrotar o Marítimo, por 2-1, está agora mais confortável em relação à permanência - ultrapassou a Académica, derrotada, em casa, pelo Rio Ave. Nos lugares de descida, mantêm-se Belenenses e Leixões, seguidos de Vitória e Olhanense.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Liga Sagres: Um dragão vindo de trás e a águia na frente

ANÁLISE

Agora, sim, liderança consumada. O Benfica é líder do campeonato, um ponto de avanço, deixou de o ser provisoriamente, esperando para ver o que fazia o Sp.Braga, e está instalado no topo. Com o jogo com o União de Leiria há muito realizado, com vitória clara por 3-0, os encarnados só tinham a ganhar com a visita dos bracarenses, seus principais rivais por esta altura, ao Dragão. O FC Porto venceu, deu uma prova cabal de força, de que há um estatuto de campeão para defender até final e de que está na luta. E, por isso, ofereceu numa espécie de dano colateral, o primeiro lugar ao eterno rival. Sim, mas provou, sobretudo, que é preciso contar com o dragão.

Uma equipa consumida por uma raiva interior, por ter visto Hulk e Sapunaru suspensos por longos meses, em vésperas do jogo decisivo, pronta a mostrar que um campeão não se verga assim tão facilmente. Não havia outro caminho que não ganhar. Perante um Sp.Braga na ânsia de confirmar a candidatura ao título, revitalizar o sonho, completar a série de vitórias com grandes, equipas possuidoras do estatuto que perseguem. Aos portistas, feridos no seu orgulho, bastaram trinta e cinco minutos: marcaram três golos, desnortearam o rival, encontraram fragilidades defensivas. Falcao e Varela fizeram estragos. Deram-se ao luxo de levantar o pé. Mas chegaram aos cinco golos, em contenção. Nos descontos, Alan salvou a honra dos guerreiros - Crónica do jogo

Com Carlos Carvalhal, o Sporting recuperara uma parte da cor que perdera na primeira metade da temporada. Melhorou em termos exibicionais, subira ligeiramente na classificação, tornou-se uma equipa mais competitiva e, acima de tudo, vencedora. Alcançou sete vitórias. Estava longe, contudo, da perfeição, não se tornara brilhante de um momento para o outro. Em Braga, no final do mês de Janeiro, perdeu definitivamente as esperanças, já irreais, de lutar pelo título. A partir daí não mais a equipa se encontrou, voltou à fórmula inicial: pouco futebol, maus resultados - derrota com Académica e empate com P.Ferreira, na Liga. Em Olhão, voltou a ceder um empate. Jogou com pouca dinâmica e organização. Pouca alma. O verde está cada vez mais esbatido.

O objectivo imediato do Sporting, a manutenção do quarto lugar, está directamente ameaçado pela União de Leiria (perdera com o Benfica) e pelo Vitória de Guimarães (ganhou, por 2-0, ao Leixões), ambos a dois pontos dos leões. Também o Paços de Ferreira conseguiu uma vitória (2-1), em casa do Rio Ave, que lhe permite aproximar-se dos lugares europeus. Marítimo e Nacional, rivais madeirenses, empataram a um e, por isso, mantém-se em igualdade na classificação - sétimo lugar. Na luta pela fuga aos lugares de descida, a Académica aumentou a margem para os últimos, vencendo no Restelo, por 2-1, tal como a Naval, que derrotou o Vitória de Setúbal (0-1), e o Olhanense - quatro pontos separam os algarvios do Leixões, penúltimo.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Liga Sagres: Os galões de estar no topo

ANÁLISE

Jornada de empatas, oportunidade agarrada pelos líderes para se destacarem da concorrência mais próxima: o Benfica mantém o primeiro lugar, um ponto e um jogo a mais, o Sp.Braga mantém o sonho do título intacto, continua a alimentá-lo de pontos, de vitórias e de solidez. A vigésima jornada, a próxima, será escaldante. O Benfica tem o seu jogo com o União de Leiria ganho, jogou-o antecipadamente. As atenções estarão, por isso, complementamente centradas no Dragão, num Sp.Braga e FC Porto de enorme importância. Os bracarenses podem ser líderes isolados, o campeão ficará demasiado longe do título. Ou, por outro lado, o FC Porto poderá recuperar... e deixar o Benfica no trono.


Sem ponta de deslumbramento, vivendo à sombra de um golo precoce à luz do dia, o Benfica venceu o Belenenses. Nem outra coisa seria de esperar, aliás, neste duelo, um derby, de extremos, entre primeiro e último classificados. O golo marcado por Óscar Cardozo, a papel químico do obtido frente ao União de Leiria, num cabeceamento fácil junto à baliza, jogando nas costas da defesa contrária, fez com que o Benfica arrumasse rapidamente a questão e se servisse da eficácia do paraguaio como uma almofada. Acomodou-se à vantagem. O Belenenses deu uma imagem bem positiva, deixou indicações para um futuro melhor, mostrou poder largar o último lugar. Se no futebol há vitórias morais, para a equipa de Toni, esta foi uma.


Portas abertas, enchente nas bancadas, confiança em alta para manter bem acesa a chama bracarense. Acossados pela vitória do Benfica, com um adversário complicado pela frente, o Marítimo, era necessário que os jogadores dessem uma resposta inequívoca. Têm valor, disso já ninguém duvida, mas no futebol é imperativo que a mente acompanhe tudo aquilo que o corpo quer fazer. Não basta dizer que é candidato, precisa de o mostrar no campo. É isso que o Sp.Braga faz. A exibição ante os maritimistas não foi um regalo para a vista, foi capaz para desatar dois nós: Meyong desbloqueou o nulo, um golaço de Djalma fez regressar tudo ao início, Luís Aguiar deu a vitória - num lance antecedido de irregularidade. De raiva.

A vitória, um único caminho para recuperar a rota do título, proibição de errar. Num derby antigo, na casa do Leixões, agora motivado pela chegada de Fernando Castro Santos, sabia-se que os dragões não teriam tarefa facilitada. Como se no relvado se apresentasse um aviso gigante: perigo de queda. Os leixonenses fizeram por se mostrar, não só ao campeão mas também ao novo treinador, aproveitaram uma entrada em falso do FC Porto. À medida que os portistas se tornaram mais incisivos, embora muito perdulários e nada eficientes na finalização, o Leixões endureceu o seu jogo. Conseguiu prolongar o nulo, teve mérito no demérito azul. Sobram, ainda, queixas de Bruno Paixão: não marcou uma grande penalidade sobre Rúben Micael.

Uma equipa grande em queda livre, um Sporting em recaída depois da retoma, de novo em graves problemas, na busca de quebrar um ciclo horrível de quatro derrotas. Uma deslocação tradicionalmente difícil a Paços de Ferreira, frente a uma equipa tranquila e moralizada. Como reagiriam os leões depois de terem deitado tudo a perder? Com uma exibição fraca, sem dinâmica, sem a velocidade que se impunha. O Paços de Ferreira apostou na solidez, pouco fez para chegar à baliza de Rui Patrício. O jogo foi demasiado mau. Teve emoção no final, quando Matías Fernández, por duas vezes, não conseguiu colocar a bola na baliza pacense. Foi tarde. O nulo fica-lhes bem, assenta na perfeição, perante tamanha falta de futebol bem jogado.

Pela segunda jornada consecutiva, o Sporting corria o risco de ser passado pela União de Leiria. Objectivo falhado. Das duas vezes, já que os leirienses empataram com o Vitória de Setúbal - sexto jogo seguido dos sadinos sem perder, quinto empate desde a vitória com o Marítimo. O Rio Ave poderia ter igualado os leões, mas também não o conseguiu - a um, na Madeira, ante o Nacional. Jornada de empates, vai mais um: em Coimbra, a um, entre Académica e Olhanense. E outro, no encerramento da jornada, para começar na Figueira da Foz como começara em Paços de Ferreira: sem golos. Entre Naval e Vitória de Guimarães. Distanciamento do Benfica e do Sp.Braga no topo, mais um ponto a separar o Belenenses da salvação.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Liga Sagres: Três exércitos para todas as batalhas

ANÁLISE

Agora líder, a ideia do Benfica, ao antecipar o jogo da vigésima jornada, passa por carregar os ombros dos rivais e manter-se leve como uma pluma. Querer fazer algo demasiadamente pressionado, em geral, dá mau resultado. Na prática, contudo, o resultado não foi totalmente bom: se é verdade que essa margem que o Benfica conquistou, graças ao triunfo com o União de Leiria, lhe vale o primeiro lugar, em Setúbal, ante o Vitória, deu a ideia de que os maiores pressionados eram mesmo os encarnados. Sp.Braga e FC Porto aproveitaram e estão mais perto. Os bracarenses conseguiram uma vitória memorável no Restelo (1-3), os portistas passaram a Naval. O Sporting, depois da recuperação, entrou novamente numa fase de grande atribulação.

A águia encontrou turbulência no seu vôo. Em Setúbal, para o Vitória, era uma questão de brio: os 8-1 da primeira volta, a demolição total de uma equipa sadina na Luz, estava ainda bem presente. Este Benfica não está tão avassalador como então, nem o Vitória tão débil, mas são bem evidentes as desigualdades existentes entre ambos. Por esta altura, os encarnados jogam um futebol consistente, os sadinos têm a garra de Manuel Fernandes. Em Setúbal, porém, os benfiquistas tropeçaram. Faltou inspiração, sobretudo. O Vitória tem mérito na forma como reduziu o espaço de acção do Benfica, impedindo que a qualidade individual sobressaísse. Foi feliz, também, sobretudo da forma como empatou - um lance incrível de David Luiz. E no final: Cardozo teve o golo nos pés, numa grande penalidade, a vitória ficou na barra.

Uns guerreiros que suportam tudo. Queriam testar a resistência do Sp.Braga? O Restelo foi, então, um grande teste à capacidade minhota: primeiro jogo do campeonato sem Vandinho e Mossoró, pressionados por olharem para cima e, agora, terem o Benfica à frente. Os encarnados têm mais um jogo, mas empataram no Bonfim. Ao Sp.Braga, Domingos já o tinha dito, o escorregão dos encarnados era mais um estímulo. As dificuldades, contudo, aumentaram: uma grande penalidade e uma expulsão, de Moisés, aos quinze minutos. Eduardo agigantou-se, atirou as pretensões do Belenenses para bem longe dali. Mais: foi o mote para uma vitória categórica, repleta de cinismo e com uma eficácia quase total. As grandes equipas crescem assim. Está aí, bem à vista, a prova cabal de força vinda dos bracarenses.

No Dragão, no jogo da Taça de Portugal, o FC Porto atingiu o pico exibicional desta temporada: subjugou o Sporting, teve domínio total do jogo, deu pouco espaço de manobra aos leões e juntou-lhe os golos. Na recepção à Naval, ninguém esperaria que os portistas voltassem a jogar futebol de alto nível. Aliás, o próprio adversário, uma equipa que joga habitualmente fechada e faz da coesão defensiva a sua maior arma, não o permitiria. Frente aos figueirenses, era necessário um jogo paciente e prático. Tomás Costa abriu o marcador, deu tranquilidade ao FC Porto, encaminhou a vitória, obrigou a Naval a arriscar algo. Os dragões ganharam 3-0. Com todo o mérito. Falcao, um finalizador letal, fez o golo da praxe. Varela colocou a cereja no topo do bolo, já em cima do final. O dragão está em recuperação da chama.

Pela terceira vez consecutiva, o leão bateu com estrondo. O adeus há muito anunciado ao título confirmou-se em Braga, na ronda anterior. Pelo meio, até este jogo com a Académica, o Sporting acabou derrotado, no Dragão, para a Taça, por números gordos. Importava, por isso, no regresso a Alvalade ultrapassar essas duas derrotas, recuperar a série vitoriosa e fazer tréguas na relação atribulada com os adeptos. Jogou sob brasas. No terceiro minuto, num erro de Rui Patrício que ecoou nas bancadas, os estudantes colocaram-se em vantagem. O Sporting conseguiu chegar ao empate, criou oportunidades para passar para a frente, levou a Académica a recuar para o seu último reduto. Instalou-se no ataque. Perdida de bola, contra-ataque supersónico, novo golo da equipa de Villas Boas. Mais do que isso: outra machadada no Sporting.

Abriu-se a possibilidade, para o União de Leiria, beneficiando da derrota do Sporting, de ultrapassar os leões e subir ao quarto lugar, mas os leirienses saíram derrotados, por 1-0, dos Barreiros (o Marítimo está, agora, a somente um ponto da equipa de Lito Vidigal). Na luta pelos lugares europeus, o Vitória de Guimarães atrasou-se, perdendo, em casa, com o Paços de Ferreira, que, ao invés, consegue um suplemento de confiança para a luta pela manutenção - os vimaranenses levam três jogos sem vencer. O Leixões mantém-se nos lugares de descida, após ter sido vencido em Vila do Conde, por 2-0, com dois golpes de génio de Bruno Gama (um jogo que culminou no abandono de José Mota dos leixonenses). O Olhanense conseguiu vencer o Nacional, por 1-0, conquistando três pontos preciosos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Liga Sagres: Três candidatos para um trono

ANÁLISE

Sem desarmar, colados como íman, inseparáveis. Sp.Braga e Benfica, desde a décima segunda jornada, estão em igualdade pontual no topo da tabela. Companhia indesejável, já se sabe, que qualquer um deles gostaria de ver para trás. O cadeirão de líder é grande, sim, mas torna-se desconfortável quando ocupado por outros. Atrás, na perseguição ao atraso para o pentacampeonato, continua o FC Porto. Os portistas estão bem cientes da proibição de perder pontos nesta fase para a corrida a três. Sim, três: para o Sporting já era complicado recuperar a desvantagem, agora, depois de ser derrotado em Braga, é... missão impossível!

Para se ser melhor não basta ter um jogo mais belo, é necessário ser mais consistente. Não adianta apenas colocar magia quando falta coesão, as individualidades raramente se sobrepõem ao colectivo. Este Sp.Braga funciona assim. Funciona como uma grande equipa, como quem sabe o que quer e tem uma estratégia bem delineada. Os testes sucedem-se, as vitórias também, mantém-se a humildade e a recusa de assumir a candidatura ao que quer que seja. O pensamento passa por cada jogo. Neste, com o Sporting, a exibição não foi um regalo para a vista, nada disso, mas foi consistente, sólida e teve a pontinha de felicidade necessária. Guerreiros cada vez mais na luta, leões abatidos num tiro de Paulo César.

Sem dar qualquer passo em falso, perseguição que não finda. O Benfica mantém-se colado ao topo, olhos postos no primeiro lugar, convicção de que o título é bem possível. Um futebol solidificado, superior e que deixa o adversário reduzido à sua área, impedindo que tenha bola. Não é sufocante como no início, é dominador e senhorial do território e das zonas de batalha. No tira-teimas, o quarto jogo da época com o Vitória de Guimarães, sobressaiu Carlos Martins. Fez dois golos espectaculares, tiros de canhão num castelo que ruiu. Um verdadeiro diabo à solta. O Benfica ganhou com justiça, foi melhor, não deu chances à reacção vimaranense. Nem quando Martins inverteu o papel de herói, foi vilão e deixou a equipa com menos um.

Ainda agora chegou mas já tem o comando do futebol da equipa: Rúben Micael, segundo jogo pelos dragões, estreia no campeonato, foi o centro do jogo do FC Porto, a partir de onde se desenrolou o futebol portista. O médio madeirense integrou-se bem, parece que já joga com estes companheiros há muito. Frente ao Nacional, na Choupana, num terreno complicado, as dificuldades quedaram-se pela meia-hora de jogo: penalty para o FC Porto, expulsão de Alex Bruno, golo de Varela. Com menos um jogador, o Nacional revelou-se incapaz de tentar reagir e, durante a hora que ainda faltava, os portistas tomaram conta do jogo. Varela marcou mais um, Falcao também acrescentou dois golos à lista. O dragão deu um ar de graça.

A União de Leiria, desde que Lito Vidigal assumiu o comando, tem escalado a tabela. Actualmente, após a vitória sobre o Olhanense, por 2-0, os leirienses chegaram ao quinto lugar, com apenas um ponto de atraso para o Sporting, têm a manutenção quase assegurada e poderão ambicionar uma classificação mais aliciante. O Paços de Ferreira, com uma reviravolta sobre a Académica (2-1), conseguiu também pontos importantes que lhe permitem algum desafogo. Nos lugares de descida, o Belenenses mantém-se em último (perdeu, com a Naval, por 1-0) e o Leixões voltou a cair para o penúltimo posto (foi derrotado pelo Marítimo, 1-2), trocando com o Vitória de Setúbal, que empatou (2-2) com o Rio Ave.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Liga Sagres: Estabilidade, crescimento e o tropeção azul

ANÁLISE

Início da segunda volta, começo da fase decisiva do campeonato. Proibição de qualquer erro. De quem está no topo, primeiramente, mas também de quem pretende escalar até lá chegar. O FC Porto, no entanto, tropeçou: em casa, ante o Paços de Ferreira, a equipa portista apenas reagiu quando se viu em desvantagem. Está, por isso, numa espécie de ilha: seis pontos separam os dragões do primeiro lugar, seis pontos separam o Sporting (quarto classificado) do FC Porto. O Sp.Braga passou com distinção em Coimbra, o Benfica goleou a bel-prazer nos Barreiros (duas expulsões, um autogolo e vários equívocos numa noite de pesadelo dos madeirenses). Mantêm-se lado a lado. Atrás, em crescendo, o Sporting superou o Nacional.


Um líder que não vacila. Cada jogo, para o Sp.Braga, é um teste à resistência. Só assim se poderá perceber até onde irá a equipa minhota. Para já, na jornada inicial da segunda volta, nada foi diferente: os bracarenses ganharam, em Coimbra, frente a uma Académica imaculada em casa desde que André Villas Boas assumiu o comando da equipa. Num jogo equilibrado, disputado, o Sp.Braga foi eficaz. Colocou-se em vantagem, numa grande penalidade de Meyong, e soube estruturar-se para responder da melhor forma à natural reacção da Académica. No final, o golpe de misericórdia. Já com Licá na baliza, um avançado transformado em guarda-redes pela expulsão de Nereu, um livre de Matheus aprimorou o resultado.

Uma verdadeira degola dos inocentes, aplicada pelo Benfica ao Marítimo. Se há jogos em que nada parece correr bem, para a equipa de Van der Gaag este foi um deles. Os madeirenses começaram por cima, com um remate ao poste, criando lances de ataque. As dificuldades iniciais que o Benfica sentiu ficaram, contudo, desfeitas quando, aos 29 minutos, Saviola marcou. Depois, num ápice, Olberdam viu o cartão vermelho, os encarnados aumentaram. O jogo terminou aí, precocemente: que argumentos poderia ter um Marítimo reduzido a dez e com dois golos de desvantagem? Ainda antes do intervalo, Robson cometeu penalty, foi expulso, três-zero por Cardozo. O Benfica baixou o ritmo, contudo ainda chegou aos cinco.


Um escorregão inesperado. Não sendo líder, ocupar o terceiro lugar e ter quatro pontos de atraso para o topo dá ao FC Porto a obrigação de não ceder, para que possa apertar o cerco aos rivais. No primeiro jogo da segunda volta, na recepção ao Paços de Ferreira, o FC Porto não fez mais do que... marcar passo. É certo que foi superior, mas o alarme dos dragões apenas despertou quando a equipa pacence se colocou em vantagem (83', por Maykon). Empataria, três minutos passados, por Falcao (com a mão?). No pouco tempo que restava, então, o FC Porto fez pela vida, criou diversas oportunidades para conseguir um golo vitorioso mas, para além de algum desacerto, esbarrou numa extraordinária exibição de Cássio.


Um Sporting confiante, fortalecido e com a resolução infalível de Liedson. Em Alvalade, frente ao Nacional, um bom opositor, os leões concluíram uma série de cinco triunfos e um registo cem por cento vitorioso em 2010. Foi, todavia, o Nacional, embora não tenha feito muito para tal, que marcou primeiro (24'). A resposta do Sporting não se deixou esperar, Miguel Veloso anulou, no minuto seguinte, o golo de Ruben Micael. O empate manteve-se, então, até à hora de jogo. Até aparecer Liedson: dois minutos em campo, um golo. E marcaria ainda outro. Para a tranquilidade. Aparente, apenas, pois o Nacional ainda reduziu e trouxe emoção à ponta final. Inesperadamente, os madeirenses cresceram, o Sporting tremeu. Mas guardou a vitória.

Destaque, nesta jornada, para a vitória do Olhanense, a segunda no campeonato, sobre a Naval (1-0), que permite aos algarvios ascenderem a uma posição mais desafogada na classificação. Também o Leixões conseguiu, por força de uma vitória clara sobre o Belenenses (1-3), agora último classificado, sair dos lugares de descida. Em sentido inverso, o Vitória de Setúbal, mesmo tendo pontuado em Guimarães num empate a dois, caiu para o penúltimo lugar. Voltando aos lugares cimeiros, o União de Leiria ascendeu ao sexto lugar após ter vencido o Rio Ave (0-2) e está somente a um ponto do Nacional. A equipa leiriense, que garantiu a subida na temporada passada, tem sido um dos destaques mais positivos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Liga Sagres: Sp.Braga, Benfica e FC Porto na rota do título

ANÁLISE

O Sp.Braga continua na liderança. Entrou no jogo e no ano a ganhar. Os rivais perseguem, bem cientes da qualidade dos bracarenses, sabendo que um deslize ser-lhes-á fatal nesta fase. Tiveram que sofrer, porém, para vencer: o Benfica perante uma teia bem montada pelo Rio Ave, o FC Porto devido à acção da União de Leiria mas mais por incapacidade de dar o golpe final, o Sporting cria oportunidades mas desperdiça inúmeras e foi obrigado a pressionar até final. A dupla da frente, Sp.Braga e Benfica, mantém-se intacta. No Dragão, está um FC Porto que continua atrás do trono perdido. O Sporting recupera a olhos vistos.

O jogo frente ao Nacional, adversário bem cotado para as posições europeias, era complicado, sem dúvida, mas perfeito para demonstrar que em Braga pode morar, afinal, uma equipa empenhada em levar a candidatura do título até final. Não que alguém o assuma. Pelo contrário, o objectivo dos bracarenses passa por vencer cada jogo, sem ter medo de defraudar os adeptos após ter elevado demasiado a fasquia, pés bem assentes na terra na procura do sonho, amealhando todos pontos. As jornadas acumulam-se, o Sp.Braga continua líder, há muito sem ser supresa, cada vez mais levado a sério. A segunda etapa do campeonato será, por isso, um teste à resistência minhota.

Começou por ser demolidor e sufocante para os adversários, espectacular e um regalo para a vista dos espectadores. O Benfica começou a temporada em alta, com a confiança no título mais forte do que nunca nos últimos cinco anos, empolgando todos à sua volta. À medida que o campeonato se foi desenrolando, naturalmente se percebeu que a onda de goleadas e brilhantismo não poderia ser uma constante. A equipa encarnada, agora, está diferente: mais madura, mais pragmática, bem ao colocar o jogo conforme as suas pretensões, mortífera quando assim tem que ser. Este Benfica sabe sofrer, também. E tem Saviola. El Conejo voltou a letal em Vila do Conde.

Inusual aos portistas chegaram a esta fase no terceiro posto e com um atraso de quatro pontos para o primeiro lugar. O FC Porto teve, durante os catorze jogos disputados até à interrupção do campeonato, um percurso intermitente, ainda à procura da melhor forma. Importava, então, começar o novo ano na mó de cima. Este é, contudo, um FC Porto instável: por vezes mostra um nível alto, joga bem, logo a seguir treme e coloca-se à mercê do adversário. Foi a imagem do jogo com a União de Leiria. Chegou ao três-dois, após ter permitido dois empates. Minuto 93, penalty para os leirienses. Helton, vilão no primeiro golo, transformou-se em herói. É preciso ser masoquista?

Para o Sporting, o ideal era que o campeonato apenas agora se iniciasse. Fosse esquecido o que se jogou até aqui, a primeira metade de temporada verdadeiramente decepcionante, todos os problemas que a equipa viveu. E continua a viver, é verdade, mas está bem melhor do que há algum tempo atrás. A cada jogo, o Sporting elimina o pessimismo que se abateu sobre a equipa, apresenta-se melhor, mais dinâmico e confiante. Continua, no entanto, demasiado perdulário, pois, embora tenha esbarrado num super-Diego na baliza contrária, houve um desacerto enorme na finalização. Teve, por isso, que sofrer até final. Até Tonel elevar-se, garantir a vitória e o quarto lugar. Justamente.

Nos jogo entre candidatos a ocupar lugares de acesso à Europa, o Vitória de Guimarães confirmou o bom período que atravessa e derrotou o Marítimo, que, ao comando de Van der Gaag, somou a sua terceira derrota consecutiva. A Académica venceu a Naval, no derby do Centro, e tem todas as condições para conseguir um campeonato tranquilo na segunda volta - depois de um início bem complicado. Nos lugares mais baixos da classificação, Olhanense empatou com o Paços de Ferreira, conseguindo sair das posições de descida, enquanto Belenenses (no jogo de estreia de António Conceição) também empatou ante o Vitória de Setúbal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Liga Sagres: Saber sofrer para ser feliz

ANÁLISE

É mais do que provado que para uma equipa ter sucesso precisa de ter qualidade, grande regularidade que não dê espaços a intermitências e uma pontinha de sorte. Tem, também, de passar por algum sofrimento. Nesta jornada, os dois primeiros do campeonato, empatados em pontos, distanciados por uma vitória em Braga, venceram. Com sofrimento: o Sp.Braga acaba o ano em primeiro, o Benfica empolgado por uma vitória sobre o FC Porto, grande rival. Os dragões pararam o ciclo ascendente, ficaram intimidados na Luz, o campeão tem quatro pontos de atraso para o trono. Na Figueira, o Sporting recebeu um pouco de oxigénio.

Quantos esperariam que Jorge Jesus lançasse, num jogo de tamanha importância, um jogador sem um único minuto jogado nas trezes anteriores jornadas do campeonato português? Só quem, de facto, estivesse bem informado das pretensões do treinador encarnado. Sem Di María e Coentrão, não subiu Peixoto, jogou Urretaviscaya, extremo uruguaio, em estreia nesta época. Sem Aimar, a batuta esteve ao comando de Carlos Martins. O Benfica surpreendeu o FC Porto, a vitória encarnada começou aí. Depois, apareceu um cliente habitual, oportunista e decisivo: Javier Saviola. Por alguma razão lhe chamam El Conejo - Clique para aceder à crónica do Benfica-FC Porto


Quatro deslocações à Figueira da Foz, quatro vitórias para o Sporting. O momento actual da equipa não inspira confiança mas a estatística estava, nesta partida com a Naval, do lado dos leões. Carlos Carvalhal, depois dos desaires consecutivos com União de Leiria e Hertha de Berlim, alterou o esquema táctico: deixou o 4x2x3x1 que tem procurado implementar e optou por um 4x1x3x2, colocando Carlos Saleiro ao lado de Liedson no ataque à baliza de Peiser. A sociedade funcionou: trinta e cinco minutos, toque do Levezinho, desvio de Saleiro para o golo. Sobretudo por aquilo que fez na segunda parte, o Sporting justificou a vitória. O leão está a recompor-se.

Sem o mesmo fulgor de há bem pouco tempo, sem o brilhantismo, mas extremamente eficaz. O Sp.Braga vale pelo colectivo, os jogadores demonstram uma entreajuda extraordinária, a equipa torna-se numa verdadeira muralha. Esse é o primeiro passo, a base para o sucesso minhoto. Para coroar surgem lances de puro aproveitamento individual. Em Paços de Ferreira, perante uma equipa destemida e com a vitória no horizonte, foi Meyong quem marcou em cima do intervalo. Momento cirúrgico, perfeito, matreirice de uma equipa que é líder por mérito próprio. Depois, bem, depois houve que suster o adversário. Os bracarenses souberam sofrer, também aí ganham pontos.

Se em jornadas anteriores, os empates e alguns nulos bem enfadonhos ganharam destaque, nesta ronda foi bem diferente: apenas houve uma igualdade, a dois, entre Leixões e Olhanense, duas equipas a lutar para saírem de posições delicadadas, num jogo emotivo que um verdadeiro dilúvio estragou. Vitória de Setúbal, equipa que tantas debilidades tem mostrado e que anseia pela reabertura do mercado, conseguiu um salto importante por força da vitória (3-2) sobre o Marítimo. O último posto, antes dos sadinos, é agora do Belenenses: derrota em Leiria, por 1-0, e saída de João Carlos Pereira. Vitórias do Nacional sobre a Académica (4-3) e do Vitória de Guimarães sobre o Rio Ave (1-0).

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Liga Sagres: Líderes em falso e FC Porto de olhos na Luz

ANÁLISE

Benfica empata. Sp.Braga com oportunidade para voltar a ser líder destacado, dois pontos à maior, necessário que vencesse a Naval. Objectivo falhado, os arsenalistas não saíram do nulo e da teia montada por Augusto Inácio. Oportunidade de ouro, então, para o FC Porto ganhar pontos ao grande rival e, acima de tudo, se aproximar do primeiro lugar. Objectivo cumprido, jogo tranquilo frente ao Vitória de Setúbal selado com dois golos. Portistas e encarnados defrontar-se-ão, na próxima semana, com um ponto a separar. Mal continua o Sporting. Ainda é novidade?

Carlos Carvalhal não prometera espectáculo, não estaria a ser realista. O enorme atraso pontual para o topo levam à emergência de vencer. Jogando bem ou não, é irrelevante neste momento. Em Setúbal, a equipa leonina conseguiu somar três pontos sem ter feito uma boa prestação. Em casa, com a União de Leiria, pedia-se exactamente o mesmo. No entanto, depois de ter dado sinais de melhoria, o Sporting voltou à depressão que o tem assolado. A equipa leiriense venceu com mérito: foi superior na primeira parte, chegou ao golo e depois guardou a sete chaves o triunfo. Este Sporting foi incapaz de anular a derrota, impotente e sem mostrar soluções para a crise.

À primeira vista, observando somente a classificação e os dados estatísticos, o Olhanense não seria um adversário que trouxesse complicações ao Benfica. No entanto, por detrás do facto de os algarvios ocuparem o último lugar e só terem vencido por uma vez, está uma equipa que tem qualidade. O jogo confirmou-o: o Olhanense mostrou-se em bom plano, o Benfica foi uma sombra daquilo que tem feito. Após se terem colocado por duas vezes em vantagem, os bons malandros algarvios ficaram a um palmo do triunfo. O responsável pela desfeita foi Nuno Gomes, pouco utilizado mas decisivo, que conseguiu evitar um mal maior aos bons malandros benfiquistas.

Minuto 25 do FC Porto-Vitória de Setúbal. À entrada da área, Silvestre Varela remata forte, golo, o segundo depois de Farías ter desfeito o nulo. Xeque-mate. Em três minutos, somente. O jogo terminou aí, sem qualquer exagero, a estratégia dos sadinos foi ao tapete e o FC Porto sentenciou a vitória ainda antes da meia-hora. Seguir-se-iam, então, setenta e cinco minutos de gestão, ritmo baixo, desperdício ainda de algumas oportunidades para dilatar a vantagem. O Vitória demonstrou as debilidades que lhe são bem conhecidas, foi incapaz de criar um único lance de perigo para Helton. Antes de jogar na Luz, melhor seria impossível para os dragões.

É incontornável: o Sp.Braga atravessa, actualmente, a sua fase de menor fulgor nesta temporada. Depois do empate ante o Leixões, os minhotos voltaram a ceder pontos: a equipa do Sp.Braga não conseguiu derrubar uma Naval que se preocupou em fechar os caminhos para a sua baliza e tentar alguma sorte no ataque, faltou-lhe um toque de génio que resolvesse. Nas restantes partidas, destaque para a vitória do Rio Ave sobre o Marítimo - 0-1, a primeira vez que a equipa de Van der Gaag foi vencida - e ainda a vitória do Paços de Ferreira sobre o Nacional (2-1). A Académica continua em recuperação e venceu, por 2-0, o Leixões, enquanto no Restelo, o Vitória de Guimarães voltou aos triunfos (0-1).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Liga Sagres: Em companhia

ANÁLISE

Jornada sim, jornada não. Ora íder isolado, ora liderança com igualdade pontual. Na ronda passada, fruto do empate do Benfica no derby, o Sp.Braga conseguiu voltar a ganhar alguma margem de manobra no topo da classificação. Perdeu-a, agora, frente ao Leixões, onde um golo incrível dificultou a tarefa. Do mal o menos, ficou o empate que garante o estatuto de líder. Esta foi, aliás, a jornada dos golos caricatos. E do regresso do Sporting, sete jornadas depois (!), às vitórias. Desde a partida com o Olhanense, em Setembro, que os leões não ganhavam em jogos do campeonato...

O Benfica voltou às goleadas. Depois dos verdadeiros amassos de início de temporada, o jogo com o Nacional marcou uma viragem. Após os seis golos marcados aos insulares, seguiu-se uma derrota em Braga, uma vitória suada sobre a Naval e um empate no derby ante o Sporting. Três jogos, um golo marcado. Teria desaparecido o Benfica demolidor? Não, mas seria impossível que se mantivessem graus de eficácia tão elevados. Com a Académica, voltaram as goleadas à Luz, quatro golos marcados aos estudantes. Exibição sólida e confiante em termos colectivos, pincelada com toques de génio de Cardozo e Saviola, a dupla dos terrores dos adversários: Tacuara marcou três, El Conejo esteve em grande destaque e culminou com um golo magistral.

O FC Porto voltou à boa forma. Construiu, em Guimarães, a melhor exibição da época. Agora, sim, fez jus às insígnias que ostenta. Os portistas entraram bem, confiantes, dispostos a marcar o mais rapidamente possível para afastarem os fantasmas que têm pairado sobre a equipa. Pelo contrário, o Vitória concedeu demasiado espaço, não teve forma de travar o desenrolar natural da partida. E dos golos portistas, dois, ameaçados em cima do intervalo por Andrezinho. Com isso, os vimaranenses transfiguaram-se, ganharam ânimo e criaram diversas ocasiões para o empate. Estava tudo mudado, os dragões tremeram. No melhor período do adversário, chegou ao terceiro golo e encerrou o tema. O FC Porto eficaz e frio está a regressar.

O Sporting voltou às vitórias. Desde 21 de Setembro que não acontecia. Sabe-se que marcar cedo é meio caminho andando para deixar uma vitória bem encaminhada e ainda melhor é para quem precisa de pontos com urgência. Foi o caso do Sporting no Bonfim: Izmailov, tão desejado, fez o passe que permitiu a Liedson reencontrar-se com os golos. Quarto minuto de jogo, perfeito. Os leões conseguiram criar mais lances de futebol ofensivo, passaram ao lado de mais golos. No entanto, depois dos vinte minutos, a equipa abrandou e permitiu que o Vitória - equipa com gigantescas falhas - equilibrasse. Passou, inclusive, por alguns sustos mas sobressaiu Rui Patrício. Já no final, Liedson bisou e garantiu a vitória. O bom futebol pode esperar, ficam os pontos.

Insólito. Assim foi o segundo golo do Sporting em Setúbal: o assistente de Elmano Santos deu indicação de fora-de-jogo, o árbitro madeirense deixou jogar porque a bola ficou na posse dos sadinos, o guarda-redes Nuno Santos recolheu-a, passou a Liedson e... golo. Para tornar o lance ainda mais caricato, junte-se o facto de que a bola já havia saído e, por isso, seria pontapé de baliza. Os mesmos adjectivos para o golo que travou o Sp.Braga: Moisés atrasou a bola bem longe da área, o relvado complicou, Eduardo mediu mal a trajectória e sofreu um golo verdadeiramente anedótico. Em Matosinhos, o líder viu-se obrigado a correr atrás do prejuízo. Chegou, ainda, a um empate precioso num golo de Alan.


À terceira tentativa, o Nacional conseguiu vencer e dedicar a vitória a Manuel Machado, o comandante da equipa que continua a atravessar momentos complicados em termos de saúde. Aconteceu em Leiria, onde os insulares tiveram de lutar muito para chegar aos três pontos. O Marítimo, rival madeirense, continua o seu percurso imaculado com Van der Gaag: desde que substituiu Carlos Carvalhal, o holandês ainda não perdeu e somou mais uma vitória - frente ao Olhanense, agudizando o mau período dos algarvios, por 5-2. Ulisses Morais, agora no Paços de Ferreira, regressou à Figueira com uma derrota (1-0). No Rio Ave-Belenenses, jogo de duas equipas recheadas de empates, deu... nulo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Liga Sagres: Alegremente sós

ANÁLISE

Again! O Sp.Braga está, de novo, isolado na liderança do campeonato. Agora, não precisa de dividir esse estatuto de líder com mais ninguém: o Benfica cedeu dois pontos no derby com o Sporting e deu a oportunidade de os minhotos voltarem a ganhar alguma margem de manobra no topo. Restava que a equipa de Domingos Paciência ultrapassasse, em casa, o União de Leiria. Objectivo cumprido, posição consolidada. Também o FC Porto recuperou dois pontos para os encarnados e, além disso, aumentou para oito a vantagem sobre o Sporting. Uns longínquos treze pontos separam os leões do primeiro lugar. À décima primeira jornada, é muito, não é?

Um jogo equilibrado e dividido tinha que dar num empate. Mesmo sendo um derby. O Sporting-Benfica teve intensidade, boas oportunidades para ambas as equipas chegarem ao golo, mas terminou a zeros. O Sporting esteve muitíssimo acima daquilo que havia feito até aqui, o Benfica não teve a criatividade necessária para marcar nem foi pressionante e incisivo como se esperaria. Em teoria, o empate seria sempre mais favorável aos encarnados, pois jogaram fora de casa. Na prática, também foi assim: não só por terem pertencido aos leões as melhores chances para quebrar o nulo mas também porque os onze pontos de distância se mantêm - Clique para aceder à crónica do Sporting-Benfica

O FC Porto regressou às vitórias. Não esteve ainda ao nível de outrora, mas teve uma grande melhoria em relação às últimas prestações. A partida nos Barreiros, na ronda anterior do campeonato, terá servido de alerta aos portistas: aquela equipa apática, com futebol trapalhão e desorganizado, não se coaduna com alguém que tem de defender o estatuto de tetracampeão. Os dragões precisavam forçosamente de mudar, de puxar dos galões e reconciliarem-se com os seus apoiantes. Estão feitas as pazes? Ainda não totalmente, mas a partida frente ao Rio Ave terá sido um passo importante para isso. A vitória foi sofrida, muito por culpa da acção da extraordinária exibição de Carlos. Mas, sobretudo, foi justa.

Onze jornadas cumpridas, o Sp.Braga continua como líder. Com ou sem companhia, desde que o campeonato iniciou que os minhotos não largaram o cadeirão de líder. O que a princípio se pensou tratar de algo momentâneo, é cada vez mais um passo em frente rumo ao sonho de chegar ao título de campeão nacional. Ninguém assume ainda qualquer candidatura, todos mantêm os pés bem assentes no solo. Porém, com a regularidade evidenciada será incontornável que, mais tarde ou mais cedo, o título tenha mesmo de ser um objectivo declarado. Nada do que acontece em Braga é obra do acaso: a equipa tem grande qualidade, joga bom futebol e é eficaz. Tem, ainda, aquela pontinha de sorte... dos campeões!

Depois de ser a primeira equipa a parar o Sp.Braga e de ter eliminado o Benfica da Taça de Portugal, o Vitória de Guimarães confirmou, frente ao Olhanense, que a entrada de Paulo Sérgio fortaleceu a equipa. No plano oposto, os algarvios apenas venceram dois jogos. Evoluções diferentes também entre Académica e Vitória de Setúbal: os estudantes, após a entrada de André Villas Boas, ganharam novo ânimo; nos sadinos, nem mesmo o regresso de Manuel Fernandes, foi capaz de reanimar a equipa. Destaque ainda para a recuperação do Marítimo que, no Restelo, empatou após ter uma desvantagem de dois golos e um jogador expulso. Empates a um no Paços de Ferreira-Leixões e Nacional-Naval - insulares sem Manuel Machado, devido a problemas clínicos.