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sábado, 24 de abril de 2010

Jorge Coroado: "Olegário Benquerença não influenciou"

O trabalho de um árbitro é ingrato. Sempre assim será, não há volta a dar. O erro é algo que não se pode dissociar. Custa, contudo, a entender. Ninguém espera que um árbitro erre, que influencie um resultado, que altere a verdade dos factos. Mas acontece, porque não é nenhum ser com poderes sobrenaturais que ali se apresenta. As derrotas, sem excepção, custam a digerir. Custam ainda mais quando são sofridas numa competição gloriosa e sem que seja esperado. A vitória do Inter ante o Barcelona, na terça-feira, foi uma surpresa. Até pelos números: três-um, uma diferença de dois golos que nunca ninguém havia imposto à formação de Guardiola. Olegário Benquerença ficou no epicentro do furacão revoltoso vindo da Catalunha. A prestação do árbitro português continua na ordem do dia. Os blaugrana consideram-se lesados. As manifestações desenvolvem-se. Nos intervenientes, nos jornais espanhóis e até nas redes sociais.

Resta perceber se com razão ou se apenas para diminuir a obra do Inter de Milão. Jorge Coroado, ex-árbitro internacional português e actualmente analista de arbitragem, é taxativo: "Olegário Benquerença cometeu erros. Quem não os comete em noventa minutos? Influenciou o resultado? Não!", dispara convicto. As queixas do Barcelona incidem particularmente sobre dois lances: o terceiro golo do Inter e uma queda de Dani Alves na área nerazzurra. Coroado explica-os: "No golo de Milito, só através da passagem frame by frame nos apercebemos de um ligeiro adiantamento", adianta. "A grande penalidade reclamada só pode ser entendida como patrocínio do sentimento de impotência que afectava os catalães. Em boa verdade, avaliando a jogada, alguém compreenderá que um jogador lançado em corrida, sofrendo uma rasteira tem tempo e engenho para elevar ambos os braços na vertical e cair qual prancha?", questiona.

Na globalidade, na opinião de Jorge Coroado, o desempenho da equipa de arbitragem portuguesa, também nomeada para o Mundial da África do Sul, foi positivo. "Apesar de algumas situações não tão bem conseguidas, gostei da prestação", afirma o ex-árbitro. O que falhou, então, na acção de Olegário Benquerença, Bertino Miranda e José Cardinal?: "Cartões amarelos exibidos a Eto'o, primeiro, e Sergio Busquets, depois: o primeiro foi um exagero e não se justificava num jogo até aí tão tranquilo; o segundo pretendeu nitidamente equilibrar o barco e acalmar as hostes italianas", explana. Coroado enuncia ainda um outro cartão que Olegário deixou no bolso após uma falta cometida por Pedro Rodríguez, jogador do Barça, junto de Bertino Miranda. Para além destes, ainda na primeira parte, José Cardinal assinalara indevidamente um fora-de-jogo a Diego Milito. Um lance rápido e semelhante ao protestado pelos culés.

Para Jorge Coroado, as ferozes críticas manifestadas pelos catalães em relação a Olegário Benquerença não têm, portanto, razão de ser. São, porém, facilmente explicáveis para o agora comentador de arbitragem: "O Barcelona e os seus apaniguados sentiram a derrota por números expressivos, a forte probabilidade de serem arredados da final da Liga dos Campeões e um tremendo murro no estômago por não poderem defender o troféu em Madrid, a cidade rival", conclui, deixando bem patente que não foi devido ao árbitro português que o Barcelona foi vergado pelo Internazionale. No entanto, em Espanha, está criado um ambiente hostil ao árbitro português, acusado pelo diário catalão Sport de ter fechado os olhos a três grandes penalidades e a ter dado um contributo fundamental ao "amigo Mourinho". Sem qualquer cabimento: as críticas não passam de uma forma de declinar responsabilidade. Essa é a tese de Coroado.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A chamada de Olegário Benquerença para o Mundial

Haverá, para além da selecção nacional, outra equipa em representação de Portugal no Mundial 2010. Será liderada por Olegário Benquerença, um dos trinta árbitros seleccionados para estar na África do Sul, a que se juntam também José Cardinal, Bertino Miranda e João Santos - assistentes e quarto árbitro, respectivamente. Olegário é, assim, o sétimo português a chegar a um Mundial, o ponto alto da carreira de qualquer árbitro, depois de Vieira da Costa (presente nos Mundiais de 1950 e 1954), Joaquim Campos (1958 e 1966), Saldanha Ribeiro (1970), António Garrido (1978 e 1982), Carlos Valente (1986 e 1990) e Vítor Pereira (1998 e 2002). O FUTEBOLÊS quis conhecer as reacções de Cruz dos Santos, jornalista especializado em arbitragem, e Jorge Coroado, ex-árbitro internacional. Ambos satisfeitos.

"O Olegário não tem tido uma época muito feliz, é verdade, mas com certeza que é um prémio para a sua dedicação. É ambicioso e vai dignificar a arbitragem. Penso que é o orgulho dos árbitros portugueses", começa por referir Cruz dos Santos, apoiando-se no facto de apenas terem sido escolhidos dez árbitros europeus. Jorge Coroado entende que o árbitro havia feito uma aposta declarada para marcar presença no Mundial 2010: "É a distinção para a qual Olegário Benquerença trabalhou. Está a recolher os dividendos do seu investimento", afirma. Coroado entende que é, para o árbitro, "uma posição de prestígio e o culminar de um trabalho de muitos anos ao atingir um objectivo", embora contraponha que o facto de estar seleccionado não signifique que seja "um exímio executante ou representante da classe".

Importava, depois, perguntar a Jorge Coroado se o objectivo máximo de um árbitro é a presença num Mundial. "Desde que se encare a arbitragem como motivo de elevação pessoal e de afirmação na sociedade, é natural que sim. Se olharmos como mais uma actividade e uma forma de praticar desporto e de estar inserido no futebol, já não funciona dessa forma", responde. Em relação à arbitragem portuguesa, afirma que "é uma honra ter um elemento seu num evento tão importante quanto um Campeonato do Mundo". Cruz dos Santos partilha da mesma opinião: "É uma distinção que muito nos prestigia e confirma que a arbitragem nacional tem uma imagem bem melhor internacionalmente", refere. Mais pessimista, Coroado concluiu: "Não será por Olegário estar na África do Sul que a nossa arbitragem irá melhorar".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os árbitros esqueceram a catequese?

A arbitragem em Portugal não é cristã, esqueceu os princípios ou não foi à catequese. Ao seu estilo, refinadamente irónico, mordaz até, Manuel Machado criticou a acção de Carlos Xistra no Nacional-FC Porto. Existiram erros que prejudicaram a sua equipa: o árbitro deixou uma grande penalidade favorável aos insulares por assinalar, marcou outra muito duvidosa que viria a culminar na expulsão de Alex Bruno e, mais importante do que tudo, no primeiro dos quatro golos portistas. O caminho ficou aberto, os dragões partiram para uma vitória fácil que, depois, fizeram por justificar. O Nacional ficou por aí, impotente. Manuel Machado revelou o sentimento de frustração, recorreu a uma frase célebre de Jorge Jesus, seu rival para a vida: só na playstation!

Manuel Machado é um bom treinador, gosta de colocar as suas equipas a praticar bom futebol e faz com que cumpram os objectivos propostos. É demasiado frustrante, e ninguém o merece, ver a sua margem de acção reduzida devido a más decisões arbitrais. No entanto, acontecerá sempre: o futebol é um jogo de erros, faz parte da sua essência. Como outros, Carlos Xistra é um árbitro sofrível: comete alguns lapsos técnicos, mostra pouca coerência na vertente disciplinar. Um jogo onde o fantasma do erro nunca desaparecerá tem imperativamente de ser ajuizado seguindo um critério uniforme. Ora, essa poderá ser uma das lacunas na arbitragem portuguesa: ausência de critério. Daí que até os rivais estejam em acordo: os grandes ficam por cima.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Uma estrutura necessária aos árbitros

Primeira escolha de Hermínio Loureiro para liderar a Comissão de Arbitragem da Liga, Vítor Pereira está longe de ser uma figura consensual entre os responsáveis dos clubes nacionais. Poder-se-á dizer que Pereira teve tanto de categorizado árbitro, como tem agora de controverso dirigente. O seu percurso, desde 2007, vem sendo marcado por inúmeras polémicas. Paulo Bento, enquanto treinador do Sporting, foi talvez o maior responsável pelas críticas que, num passado mais recente, a arbitragem portuguesa e, como seu líder, Vítor Pereira sofreram - os leões abandonaram, inclusivamente, a direcção da Liga. No entanto, a presidência do ex-árbitro internacional não se fica pelo exterior: Vítor Pereira tem motivado críticas internas.

Num desporto tão discutido e, sobretudo, tão sujeito ao erro quanto é o futebol, os árbitros tornam-se num foco de interesse. Em Portugal, já se sabe, desde sempre que é assim. Importa, então, que a arbitragem esteja sustentada por uma estrutura forte, um escudo, uma protecção que coloque os árbitros acima das críticas. Tal como acontece num clube, onde é ao treinador ou, em casos mais graves, aos dirigentes que cabe o papel de assumir as culpas por um eventual mau momento. Só assim, sendo isolados das pressões externas, os árbitros poderiam ter todas as condições para fazerem o seu trabalho de forma mais positiva. Esse é, leitor, um dos principais factores da instabilidade da nossa arbitragem: faltam os alicerces.

Sem que se tenha chegado ainda à profissionalização, é à Comissão de Arbitragem que cabe essa função de dar o peito às balas. Contudo, não é isso que acontece. Vítor Pereira tem, para além de algumas nomeações algo desaconselháveis, estado mal neste campo. O líder de uma equipa não pode, em momento algum, ao invés de fortalecer, contribuir para melindrar o seu grupo. Nos árbitros, o impacto é bem maior do que em qualquer clube. As críticas aos árbitros fazem sentido? Sim. Vítor Pereira assume-o, precisa de encontrar soluções. É impensável, porém, que deixe suspeitas sobre quem dirige: "houve desempenhos que não cumpriram com a missão de garantir imparcialidade no jogo". O mal começa aí: internamente.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Pontapé de canto - Entrevista ao site Arbifute

Pontapé de canto é uma rubrica do Arbifute, um site exclusivamente dedicado à arbitragem, onde são feitas entrevistas a personalidades conceituadas do planeta futebolístico e, também, a administradores de blogues sobre futebol. Aproveito, por isso, para agradecer o convite enviado pela administração do Arbifute. Fica, então, a entrevista na íntegra:

ARBIFUTE:
Como estás a avaliar a arbitragem esta época na Liga Sagres?
RICARDO COSTA:
Portugal tem um futebol à medida do país e, portanto, uma arbitragem que se equipara à qualidade do nosso futebol. De acordo com o campeonato português, poder-se-ia pedir melhores árbitros? Não me parece. Além disso, não querendo fugir à pergunta, penso que a arbitragem portuguesa tem vindo, de forma progressiva, a aumentar a sua qualidade.

A: O futebol nacional melhoraria com árbitros profissionais? Porquê?
RC: Eu creio que sim. Para sustentar uma equipa, mesmo que existam jogadores de qualidade, é necessário ter uma estrutura forte e que sirva de alicerce. Na arbitragem é exactamente o mesmo e a profissionalização traria melhores condições de trabalho aos árbitros e, sobretudo, criaria essa estrutura. No entanto, bem diferente é pensar que com árbitros profissionais terminarão os erros. Não será assim, evidentemente, mas caso sejam dados melhores meios para os árbitros, será meio caminho andado para que estejam mais bem preparados e se tornem mais competentes naquilo que fazem. Se os jogadores da Liga Sagres e Liga Vitalis são profissionais, por que não os árbitros? No entanto, seria necessário que os próprios dirigentes e observadores, não sendo profissionais, acompanhassem esse desenvolvimento e se preparassem para levar a arbitragem portuguesa a ter uma crítica mais positiva.

A: Muito se fala das novas tecnologias, ou como uns dizem, "meios auxiliares dos árbitros", na tua opinião seria benéfico para o futebol essa medida?
RC:
A introdução da tecnologia no futebol seria sempre benéfica mas tiraria todo o sentido ao jogo: acabariam as discussões em torno da arbitragem, não restariam dúvidas, teríamos um jogo demasiado morto. Alguém quererá um futebol assim? Claro que não, nem a International Board deixará o seu conservadorismo para trás. Passaríamos de um extremo, onde existem erros, para um extremo de perfeição. No entanto, defendo que faria sentido utilizar os tais "meios auxiliares" nos casos de dúvida sobre se a bola terá ou não ultrapassado totalmente a linha de golo. Mas apenas aí.

A: A UEFA adoptou na Liga Europa, os árbitros de baliza. São estes uma boa alternativa aos meios tecnológicos?
RC:
Não acho. A utilização de mais dois elementos nas equipas de arbitragem, para além de não ter uma total percentagem de eficácia, poderá levar a que se gere ainda maior polémica, pois continuam a ser humanos que ali estão e juntam-se mais duas visões de um lance. Além disso, são capazes de garantir se a bola entra realmente? Não! Podem avaliar lances de fora-de-jogo? Também não. Não creio que tragam um contributo realmente importante.

A: Qual, na tua opinião, é o melhor árbitro português?
RC:
Sem colocar qualquer ordem, penso que temos um grupo de árbitros que se destacam dos restantes: Olegário Benquerença, Pedro Proença, Jorge Sousa e, actualmente, Artur Soares Dias. Os dois primeiros estão bem colocados internacionalmente, dirigem vários jogos da Liga dos Campeões e, muito provavelmente, Olegário estará presente no Mundial 2010, aquilo que será o ponto máximo da sua carreira. Independentemente disso, Jorge Sousa é considerado, quase que de forma unânime, como sendo o melhor árbitro português, pela forma sóbria e correcta com que conduz os jogos; Soares Dias tem demonstrado muito valor e enorme margem de progressão, terá tudo para ser um árbitro de topo.

A: Qual seria a "medida radical" a aplicar no futebol português?
RC:
O futebol português precisaria de vários abanões. Naquilo que respeita à arbitragem, longe de ser uma atitude extremista, parece-me que a profissionalização, assim como referi anteriormente, seria um bom caminho para melhorar a qualidade dos nossos árbitros. Penso que é fundamental criar um organismo forte, que sustente as equipas de arbitragem e esteja preparado para os defender e formar para que sejam competentes no que fazem. Em Portugal existe um grupo de bons árbitros, outros ideias para jogos que não ofereçam problemas de maior mas sem condições para partidas de risco e ainda uns que são bem sofríveis. Daí que diga que seria necessária uma maior formação que, quanto a mim, a profissionalização poderá ajudar a trazer.

A: Como nasceu o FUTEBOLÊS?
RC:
São muitos os jovens aspirantes a jornalistas que criam blogues para mostrarem as suas capacidades. Tive, desde sempre, uma enorme paixão por futebol e pela escrita e, portanto, foi precisamente o que fiz. Confesso que o FUTEBOLÊS surgiu um pouco por acaso, quase como sendo uma experiência, nunca com a preocupação de ser um caso raro de visitas, mas ao longo dos meses (fará dois anos de existência em Fevereiro) ganhou forma até se tornar naquilo que é actualmente. O que procuro fazer é mostrar as minhas opiniões sobre determinados assuntos relacionados com futebol de forma imparcial.

sábado, 12 de setembro de 2009

Os homens do apito

Na maioria das vezes, eles estão no centro da fúria dos adeptos e levam com todas as culpas dos maus resultados. No entanto, esquecem-se as dificuldades a que estão sujeitos. Até agora. Les Arbitres é o nome original deste filme que pretende mostrar os bastidores da arbitragem, os momentos que antecedem o início de uma partida e também o relacionamento dentro do relvado. Os depoimentos e as imagens de alguns dos mais conceituados árbitros internacionais foram recolhidos durante o último Europeu, realizado na Áustria e na Suíça. Massimo Busacca, Mejuto Gonzalez, Peter Fröjdfeldt e Howard Webb são alguns dos protagonistas deste documentário que, segundo os realizadores, pretende dar uma visão humanista dos homens do apito.

sábado, 5 de setembro de 2009

Cinco árbitros será a melhor solução?

Pode causar alguma estranheza mas já vai ser possível observar, nas partidas da Liga Europa, a introdução de mais dois membros à equipa de arbitragem. Esses ficarão situados na linha de fundo, ou seja, servindo como árbitros de baliza. A inovação já foi testada no Europeu de sub-19 e teve bons resultados, o que levou o International Board a aprovar a medida. O objectivo destes novos elementos passa, sobretudo, por decidir sobre determinadas situações que aconteçam dentro da grande área. Por essa razão, o FUTEBOLÊS falou com Cruz dos Santos, jornalista especializado em arbitragem, a fim de saber a sua opinião. "Não concordo", foi a resposta pronta.

Segundo Cruz dos Santos, estes novos árbitros poderão trazer mais duas visões de um lance e, assim, contribuir ainda para maior polémica. Apenas em caso de saber se a bola ultrapassa a linha de golo seria uma ajuda importante:
"Ajudará para apurar se a bola entrou ou não na baliza - e este é o aspecto mais importante - mas não para decidir um fora-de-jogo, por exemplo, já que o árbitro se encontra atrás da baliza. No penalty poderão dar a sua opinião mas repare-se que se tratam apenas de mais assistentes e continua a haver um único chefe de equipa que tomará a decisão final. E aí, com três ou cinco árbitros, vai sempre dizer-se que é do Benfica, do FC Porto ou do Sporting".

Mas não poderia ser facilitada a tarefa do árbitro principal? "Vejamos que, ainda há pouco tempo, existiu grande polémica acerca do penalty assinalado sobre Lisandro no Dragão. Através das imagens é nítido que não há falta, mas será que o árbitro de baliza ajudaria?", questiona-se.
Em desacordo com esta medida agora implementada, Cruz dos Santos afirma que existiam melhores opções para ajudar a diminuir os erros: "Penso que a colocação de chip na bola ou a utilização do vídeo seria melhor. No entanto, existirá sempre polémica e isso também faz parte do jogo", concluiu.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Critérios?

Os lances de bola na mão ou mão na bola são, muito provavelmente, aqueles onde existe maior dificuldade para os árbitros ajuízarem. Um toque com a mão não representa sempre falta: basta que tenha resultado, por exemplo, de um remate a curta distância. É precisamente aí, na avaliação da intencionalidade, que reside o desafio de quem arbitra o jogo. Depende do seu critério, também. Nesta segunda jornada, nos jogos dos grandes, houve casos assim. E quem não se lembra da polémica que deu a mão de Miguel Vítor no Benfica-Nacional da temporada anterior? Relativamente a esse lance na época transacta devo-lhe dizer, leitor, que acho que Pedro Henriques, o árbitro da ocasião, decidiu bem.

Explico porquê: Miguel Vítor estava no chão, claro que sim, mas o seu toque mesmo sendo involuntário acabou por alterar a trajectória da bola. Por isso mesmo, parece-me uma decisão correcta. Haverá quem concorde e quem, como é óbvio, pense o contrário. Aceito. Mas mantenho o que escrevi. Tal como agora, nesta segunda jornada de 2009-10, me parece que João Ferreira - ou o seu assistente... - assinalou bem a grande penalidade que abriu o caminho à vitória do FC Porto sobre o mesmo Nacional. Tal como Pedro Porença no Vitória Guimarães-Benfica, por mão de Flávio Meireles. Errou Olegário Benquerença num remate que, embora tenha sido feito perto, é travado pelo braço (estendido) de Moisés, no Sporting-Sp.Braga. A mim, pessoalmente, parece-me que o problema maior são os critérios. Ou a falta de um que seja uniforme.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O árbitro Viktor Kassai e os portugueses

Viktor Kassai era, até ontem à noite, um nome que nada dizia aos adeptos portugueses. No entanto, não deve ser esquecido com facilidade pelos adeptos sportinguistas. Pior será se o Sporting não conseguir ganhar em Florença e garantir a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões: o árbitro húngaro ficará marcado como o mau da fita, aquele que impediu que tal acontecesse. O mesmo que aconteceu na temporada passada com o Vitória de Guimarães, impedido de disputar a liga dos milhões por uma decisão errada do assistente de Pieter Vink.

Existe, na maioria da vezes, uma tendência para subjugar aquilo que se faz por cá e enaltecer o que se vê além fronteiras. Os árbitros portugueses vivem numa constante pressão e sob todas as críticas. Repare o leitor que não há, em Portugal, uma jornada em que não se fale de erros arbitrais. Claro que eles acontecem, claro que a arbitragem portuguesa tem ainda muito que crescer, claro que tem um défice de qualidade. Porém, parece-me que existe algum exagero nessas críticas. Afinal, falar do árbitro é fácil. Bem mais fácil do que criticar a equipa ou o treinador.

Todavia, não foi isso que aconteceu ontem em Alvalade. A prestação de Viktor Kassai foi muito má, claramente em prejuízo do Sporting. Não é uma desculpa para o empate, é um facto que o leitor decerto assumirá. É precisamente aqui que pretendo chegar: Kassai é um árbitro húngaro, nada tem de português. Mas também erra, claro, afinal é humano. Outro exemplo perfeito é a péssima prestação do norueguês Tom Henning Ovrebo no Chelsea-Barcelona da temporada passada (meia-final da Liga dos Campeões) em que os ingleses têm inúmeras razões de queixa. Todos erram. Não são só os árbitros portugueses.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O mau arranque do Sporting frente ao Twente

Após o primeiro jogo oficial do Sporting, frente aos holandeses do Twente, ficou provada uma ideia da pré-época: o plantel é demasiado curto. É certo que não houve saídas importantes - apenas as dispensas: Ronny, Tiuí e Romagnoli - mas o mercado não trouxe grandes novidades pois apenas chegaram, até ao momento, Matías Fernandéz e Filipe Caicedo. Uma equipa que pretende chegar longe na Liga dos Campeões não pode jogar apenas com jovens vindos da formação, independentemente de toda a qualidade que tenham. Por alguma coisa lhe chamam liga milionária: nem todos lá conseguem estar, só os melhores se aguentam.

Uma das ideias defendidas por José Eduardo Bettencourt passava por dar continuidade a essa política de formar uma equipa jovem mas também contar com jogadores de algum nome no futebol internacional. Foram dados os exemplos de Schmeichel e André Cruz, jogadores que estiveram no último título nacional dos leões. Até agora, não foi assim. Reitero a ideia inicial: o plantel é curto. Não só para jogar além fronteiras mas até mesmo para consumo interno onde os rivais, FC Porto e Benfica, têm recebido bons reforços. Aliás, a pré-época e as movimentações do mercado passaram um pouco ao lado do Sporting. Assim pareceu, pelo menos.

O jogo do Sporting com o Twente, vice-campeão holandês logo atrás do Az Alkmaar, serviu para pôr a nu imensas fragilidades. A fase da época ainda é algo precoce, certo, mas repare-se que, dos onze titulares, apenas Matías Fernandéz não estava no plantel da temporada anterior. O treinador é o mesmo, o modelo também, a filosofia idem aspas. A partida terminou empatada a zero. O Sporting jogou, desde os vinte e cinco minutos da primeira parte (quando desperdiçou uma grande penalidade), com mais um jogador. A partir daí, assumiu o controlo do jogo e esteve sempre mais perto de ganhar. Mas não jogou bem. Demonstrou que não tem a frescura e o ritmo que lhe são necessários.

Uma nota final sobre Felix Brych, o árbitro do jogo. Fez uma arbitragem má, deixando um penalty por marcar para cada lado e teve mais um par de erros. Criticar tudo aquilo que se faz internamente e enaltecer o que vem de fora é uma forma de ser bem portuguesa. Ouve-se muitas vezes que nenhum dos árbitros portugueses tem categoria, até há quem peça que se importem alguns de outros países para resolver os problemas existentes. Mas todos eles erram. Uns mais e outros menos, é certo. Em qualquer país do planeta, há árbitros bons, outros maus e uns assim-assim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pela enésima vez, um texto sobre árbitros

Em Portugal fala-se demasiado dos árbitros. Todas as semanas, umas atrás das outras há queixas da arbitragem. Algumas com razão pois concordo com quem diz que os árbitros portugueses erram de mais. É de La Palice e não há como negar. Mas há que perceber que quanto mais pressão se fizer, pior será. Porque não há cultura desportiva, simplesmente. Quer nos jogadores que cada vez mais aproveitam as críticas e são mestres na arte de simular; quer nos dirigentes e treinadores, os mesmos que reclamam e gritam alto e bom som que são prejudicados mas quando são eles os beneficiados desculpam-se sempre, ou "estava longe" ou "não deu falo sobre o assunto". Há quem chame a isso falta de coerência. Para mim é hipocrisia.

Contudo, são os adeptos quem mais se manifestam contra as arbitragens. Mas apaudem o antijogo: gostam que um jogador arranque um penalty, chamam-lhe inteligente; não gostam que outro não queira enganar o árbitro e pretenda prosseguir a jogada, é um jogador "sem experiência" e que não sabe aproveitar. Porém, se for um jogador da equipa adversária a mergulhar dentro da área já é um falso, um enganador. E pratica antijogo. Paradoxal, não? Mas é assim que funciona.

Com tanta simulação e com tanta crítica é normal que os árbitros estejam afectados (ia escrever desnorteados...). Porque eles têm que decidir em segundos, sem direito a repetições de todos os ângulos e mais alguns. Será que vai haver uma jornada em que ninguém se queixe das arbitragens? Não me parece. Sinceramente.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O tema do costume e Mesquita Machado

O futebol em Portugal precisa de uma reflexão profunda. Foi mais ou menos isto que disse Mesquita Machado, quando apresentou as razões da sua demissão do cargo de presidente da Assembleia Geral da FPF - estive quase, quase a escrever um texto sobre isso mas mudei de ideias. Porém, eu acrecento que para além de uma reflexão, o futebol português precisa é de uma autêntica revolução. Desde baixo.

Os últimos meses têm sido passados a falar sobre arbitragem. Começou com Bruno Paixão no Sporting-FC Porto, da Taça, e agigantou-se com Pedro Henriques no Benfica-Nacional e o famoso caso da mão na bola ou bola na mão. Desde aí tem sido uma enxurrada de erros, com os jogos de Sp.Braga com Benfica e FC Porto em grande destaque. São erros a mais. Erros graves. Mas temos que reconhecer que os árbitros estão sob pressão e estas situações só o pioram. Porque sabem que ao mínimo erro terão o Mundo em cima. Os árbitros e Vítor Pereira, o presidente do Conselho de Arbitragem. De que todos se querem ver livres. E alguém gosta de trabalhar sob pressão? Não me parece.

Contudo, muitos adeptos de futebol têm a ideia que só os grandes é que jogam em Portugal (eu também o faço, por vezes). Ora vamos ver os últimos jogos de que tanto se fala, o Benfica-Sp.Braga e o Sp.Braga-FC Porto. Duas arbitragens medonhas de Paulo Baptista e de Paulo Costa - este último que, segundo Mesquita Machado, estaria nomeado para o jogo da Luz - que para além de beneficiarem dois grandes, prejudicaram o Sp.Braga. Duas jornadas consecutivas. Alguém pensou nisso? Talvez, porém interessa mais dizer que o Benfica e o FC Porto foram ajudados. E foram, sem dúvida. Os prejudicados foram os bracarenses. E isso é que importa. Pois se não fossem esses dois jogos, o Sp.Braga estava bem mais acima na classificação. Como disse Mesquita Machado - e essa foi uma das razões da sua demissão - e sem ser preciso Playstation.

De tudo isto fica uma ideia: os árbitros precisam de ser blindados, de estarem protegidos da crítica e não terem pressão. Isso não acontece, infelizmente. Porque cada um rema para o seu lado e não há união. Pelo menos é o que parece.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Se não acreditam no futebol, não vão ao futebol"

Quem o diz é Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Liga. E foi infeliz. Disse-o numa altura em que cada vez mais os árbitros estão expostos e em que tanto se debate sobre a profissionalização. É uma afirmação paradoxal àquilo que esta Liga de Hermínio Loureiro defende: melhor futebol e estádios cheios. Sporting e Sp.Braga foram dos mais queixosos, pedindo imediata demissão de Vítor Pereira. O presidente do CA respondeu que 'obviamente não me demito'. E fez bem, pois não é caso para isso.

Vítor Pereira não mediu o impacto das suas palavras. Não foram felizes, como também não foram quando disse que não podia contratar árbitros no mercado de Inverno. Mas percebe-se o desabafo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Outra vez os árbitros... e os assistentes

Eu confesso que não gosto de criticar os árbitros. Ok, eu sei que isso não é muito normal em Portugal mas é verdade. Isto apesar de os árbitros serem vistos como os vilões, como aqueles que estão ali para prejudicar os outros. É este o pensamento da maior parte das pessoas. Eu prefiro acreditar que são erros. Mas uma coisa ninguém pode negar: a arbitragem portuguesa é incompetente. Simplesmente. E não venham cá com teorias de cinema que este é do clube A, do clube B ou do clube C. É não saber.

De qualquer forma chega uma altura em que os erros se sucedem e não há defesa possível. Como agora. Se já não bastasse toda a polémica em torno da arbitragem de Paulo Baptista na Luz, no Benfica-Sp.Braga, três dias depois houve um caso ainda mais grave. Aconteceu no Rio Ave-Sporting, da Taça da Liga. O único golo do jogo, de Vukcevic, foi marcado em escandalosa posição de fora-de-jogo. O jogador estava quase encostado ao poste e atrás do guarda-redes do Rio Ave, imagine-se. António Vilaça, o assistente de Jorge Sousa, a meia dúzia de metros não viu. Só ele não viu. Como Luís Tavares não viu a posição irregular de David Luiz na Luz. Assistentes? Em quê? Nada, zero.

Estes dois casos aconteceram num espaço de uma semana. O da Luz foi num domingo, o de Vila do Conde na quarta-feira seguinte.
Certo está Jorge Jesus quando diz que oa árbitros não sabem mais. É verdade. E eu confesso que não gosto de criticar os árbitros. Acreditem ou não.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E se fosse em Portugal?

Vi ontem o último jogo do ano da Premier League, o Hull City - Aston Villa. Foi um jogo esquisito, nem parecia inglês, tirando que tinha a lotação esgotada: poucas oportunidades e muito futebol directo. O Aston Villa, que tem feito um campeonato sensacional, marcou aos 87 minutos num auto-golo de Zayate. Mil vezes injusto, pois o Hull estava por cima e foi sempre mais perigoso.

Mas o que importa nisto tudo é o que aconteceu no terceiro minuto de compensação, quando o árbitro Steve Bennett assinalou penalty a favor do Hull, que poderia ter ditado o empate. Contudo, depois de consultar o seu assistente, Steve Bennett recuou na sua decisão e mandou marcar pontapé-de-baliza. Ainda bem que assim foi, pois a bola bateu na barra e não na mão de um jogador do Villa. O assistente foi mesmo assistente.

Depois deste lance lembrei-me da entrevista de Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Liga, que disse que alguns árbitros assistentes chegam à primeira categoria sem terem vinte jogos de séniores. Assim é difícil serem assistentes no verdadeiro sentido.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Assim vai a nossa arbitragem...

É uma La Palice: a arbitragem portuguesa vai de mal a pior.

E quando falo de arbitragem não me refiro apenas aos árbitros, mas sim a todo o sistema. Vejamos: Bruno Paixão (está na baila!) fez uma péssima arbitragem em Alvalade, com prejuízo do Sporting e do FC Porto, mas recebeu "Bom" do observador. Perante tanta confusão gerada por essa nota, Vítor Pereira, presidente da comissão de arbitragem, veio dizer que não era um "Bom" mas sim uma positiva à justa e que não podia ir ao mercado de Inverno contratar árbitros. Ou seja, foi diplomata, mas não lhe fica nada bem criticar um árbitro (por ele escolhido) em público.

Entretanto Bruno Paixão foi designado para um jogo da Taça UEFA, Manchester City-PSG. Quem é internacional arrisca-se a isto...