Mostrar mensagens com a etiqueta Antevisão'Mundial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Antevisão'Mundial. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mundial 2010: Espanha-Portugal (antevisão)

Noventa minutos pela frente, prolongamento se necessário e grandes penalidades como máximo extremo. O Mundial 2010 entrou na fase das decisões, deixando para trás o pragmatismo e os cálculos aos pontos amealhados nos três jogos iniciais, com margem de erro nula. Portugal, sem ser brilhante, apurou-se com comodidade para os oitavos. Cumpriu, no fundo, a sua obrigação: iniciou com cautela frente à Costa do Marfim, devorou uma frágil Coreia do Norte e voltou, com o todo-poderoso Brasil, a jogar pelo seguro. Chegada aos oitavos-de-final da competição, com legítimas aspirações a conseguir uma prestação capaz de recolocar Portugal entre o top mundial, a selecção portuguesa terá, rivalizando com a Espanha, de mostrar a sua fibra. Sem receios, sem temor, sem complexos neste arrufo de vizinhos. Jogando com audácia, coragem e garra. A triplicar.

Tão próximos e tão distantes. Portugal e Espanha, vizinhos ibéricos, diferem em muitos aspectos. Na maioria deles, na grande maioria, os espanhóis saem por cima. No futebol também. A selecção espanhola parte como favorita. Por ser campeã da Europa? Sim, mas não só. A vitória no Europeu de 2008 serve para engrandecer o estatuto de La Roja, indiscutivelmente. Fruto disso e da evolução constante que tem sofrido, alargando horizontes, a Espanha aparece, desde o início, na linha da frente para a conquista do Mundial da África do Sul. Os êxitos alcançados pelo Barcelona, na consolidação de um futebol rendilhado, pensado e extremamente eficaz, naquele famoso tiki-taka que tantos elogios tem merecido, são também um suporte da selecção espanhola. Piqué, Puyol, Sergio Busquets, Xavi e Iniesta são indiscutíveis para Vicente del Bosque. Cinco jogadores blaugrana - Villa só o será na próxima época.

Carlos Queiroz apelidou a selecção espanhola de Barcelona A. Os princípios de jogo, a mentalidade, o passa e repassa para obter uma monstruosa percentagem de posse de bola, com toques curtos entre toda a equipa, são os mesmos. Alguns intérpretes, com destaque para Xavi e Iniesta, sobre quem gira o carrossel ofensivo de ambos, também. Esta Espanha, contudo, não se trata de uma imitação do Barcelona. Não tendo Messi, talvez o maior desequilibrador do Barça, tem David Villa, que provou na fase de grupos atravessar um extraordinário momento, e Fernando Torres, que, mesmo descolorido até agora, conta com inegável talento. Porém, a Espanha não é imbatível.
Basta recordar, por exemplo, que começou o Mundial em falso, perdendo, surpreendentemente, com a Suíça. É favorita, sim, mas não vencedora por antecipação.

E Portugal, afinal, o que vale? A resposta terá que ser dada dentro de campo, logo, frente aos espanhóis. Uma das imagens de marca da selecção portuguesa, bem patente nos zero golos sofridos por Eduardo na fase de grupos, tem sido a sua consistência defensiva. Ora, esse é um dos principais factores para ter sucesso. Tal como fez a Suíça. Portugal, porém, possui mais e melhores argumentos do que os suíços que permitam disputar o jogo com nuestros hermanos. Terá de se fazer ouvir, emergir e fazer com que a Espanha não se acomode e deslize pelo relvado. Para conseguir ganhar um lugar nos quartos-de-final do Mundial 2010, a selecção portuguesa precisa de juntar velocidade, genialidade e intenção ofensiva para ruir o suporte espanhol. Defender bem, jogar com inteligência e ser ousado e veloz para colocar Casillas em sobressalto: essa é a receita.

No regresso à Cidade do Cabo, onde Portugal vergou a Coreia do Norte, Carlos Queiroz deverá, após a transfiguração da partida com o Brasil, promover novas mudanças. Face ao fortíssimo meio-campo espanhol, Queiroz pode enveredar por um maior povoamento dessa zona central do relvado. Assim, Portugal jogaria com Pedro Mendes (é crível que, após a utilização de Pepe, volte à titularidade), Raúl Meireles, Tiago e Deco (já refeito da lesão que o obrigou a ficar de fora nos dois últimos jogos). Na frente, procurando velocidade e profundidade para abrir brechas na defesa espanhola, a aposta, para além de Cristiano Ronaldo, deverá recair em Simão Sabrosa. Na defesa, além disso, há outra incógnita. Nos três jogos da fase de grupos, três jogadores foram utilizados na posição de lateral-direito: Paulo Ferreira, Miguel e Ricardo Costa. Para esta partida, onde será importante defender com segurança, o seleccionador deve optar por Paulo Ferreira.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mundial 2010: Portugal-Brasil (antevisão)

O pessimismo trazido por uma entrada titubeante, errante e com cautela. A audácia, a força, o ataque demolidor que vergou a Coreia do Norte e, praticamente, colocou Portugal nos oitavos-de-final do Mundial 2010. Um mau arranque e uma enorme onda de euforia. Onde está o meio-termo? Encontrá-lo será, portanto, o objectivo da selecção portuguesa na partida frente ao Brasil. A qualificação ainda não está garantida, o futebol é capaz de tudo, preciso assegurá-la e decidir quem, entre brasileiros e portugueses, consegue o primeiro lugar do grupo. Ante o Brasil, já apurado e com duas baixas de peso, Portugal terá um bom teste às suas capacidades. Uma vitória sobre os brasileiros, grandes candidatos à conquista do seu sexto Campeonato do Mundo, é a oportunidade para Portugal marcar realmente o seu território.

Na memória de ambos, por razões completamente opostas, está ainda o dia 20 de Novembro de 2008. Em Brasília, num jogo particular, mas nem por isso amigável, o escrete trucidou a selecção portuguesa, inflingindo uma derrota por números gordos: 6-2. Nessa partida tudo correu bem aos brasileiros. A Portugal, pelo contrário, saíram mil e uma coisas furadas. O resultado volumoso, contudo, não reflecte o actual estado das duas selecções. Nem o Brasil é, actualmente, uma máquina trituradora, nem Portugal, motivadíssimo pela goleada histórica à Coreia, uma pobre e indefesa equipa que surge impiedosamente no caminho do papão brasileiro. Portugal terá, por isso, condições de discutir o resultado com o Brasil. O que aconteceu em Brasília, seja pelo virtuosismo brasileiro ou pelo generalizado desastre português, é passado. E pode ser vingado.

O que se pretende dizer com isto é que Portugal pode, sem que constitua uma enorme surpresa, vencer o jogo. Será difícil, claro. O Brasil, apesar de não encantar pelo futebol apresentado, é uma equipa temível. Neste Mundial, os brasileiros, com Dunga no comando, têm apresentado um estilo mais pragmático, com contenção e maiores cuidados. Adoptaram, no fundo, uma posição europeia. Hoje em dia, o Brasil já não é uma bela equipa, carregada de talento, que pratica um futebol vistoso. Os jogadores brasileiros, depois do fracasso no último Mundial, sabem que mais importante do que tudo é o resultado. E, até ao momento, têm correspondido: garantiram o apuramento para os oitavos-de-final com duas vitórias, cinco golos marcados e dois sofridos. Sem Kaká, expulso frente à Costa do Marfim, disputam com Portugal o primeiro lugar do grupo.

A selecção portuguesa ainda não tem o apuramento garantido: é um facto. No entanto, só uma verdadeira catástrofe tirará Portugal do caminho dos oitavos - tem sete golos positivos, enquanto a Costa do Marfim, adversário nas contas da passagem, que defronta a frágil Coreia, conta com três negativos. Um empate garante imediatamente o segundo lugar no grupo. Há, porém, a vontade, legítima, de ultrapassar os brasileiros e alcançar a liderança. Ser primeiro, ainda para mais com rivais de créditos firmados, é sempre um estímulo importante. E servirá, então, para que Portugal, sem receios, consiga fazer jus ao estatuto que fez por merecer. Neste momento, porém, nem se sabe o que será melhor: as vantagens de ser primeiro ou segundo estão dependentes do que a Espanha, ainda sem o apuramento alcançado, fizer. Portugueses e brasileiros querem evitar os espanhóis.

Dunga não terá Kaká nem Elano. Ambos os jogadores, um por castigo e o outro por lesão, falharão a partida frente a Portugal. Júlio Baptista será o substituto do médio do Real Madrid. Para a vaga deixada por Elano, Dani Alves, lateral do Barcelona, é a mais provável escolha. Do lado português, ainda sem Deco e Rúben Amorim, há a expectativa para saber se Carlos Queiroz irá poupar, num jogo que deverá servir de ponte para os oitavos-de-final, jogadores como Pedro Mendes, Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo, todos eles em perigo de exclusão. O seleccionador nacional, contudo, apesar de confirmar mudanças, afirmou que fará por opção táctica e não devido à folha disciplinar dos jogadores. Seja como for, Pepe, Liedson e Danny espreitam por uma oportunidade. Pensando nos oitavos-de-final, sonhando com a liderança do grupo, ansiando por vingança: eis os Navegadores.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mundial 2010: Portugal-Coreia do Norte (antevisão)

O jogo com a Costa do Marfim não correu bem a Portugal. Não foi perdido, é certo, mas também não correspondeu, nem de perto nem de longe, ao que se exigia da selecção nacional. Carlos Queiroz, na estreia portuguesa no Mundial 2010, foi cauteloso: não arriscou dar um passo maior do que a perna, procurando furar a defesa costa-marfinense e, com isso, colocar-se à mercê das investidas dos africanos. Não ganhando, nem fazendo muito por isso, Portugal não perdeu. Cumpriu metade da tarefa a que se tinha proposto, portanto, uma vez que começar com uma derrota poderia ser absolutamente comprometedor - até porque se defrontaram duas equipas com aspirações a seguir em frente - para a selecção portuguesa. Agora, contudo, perante a selecção da Coreia do Norte, não há volta a dar: Portugal tem mesmo que vencer.

Embora sejam equipas incomparáveis, a Coreia do Norte deve utilizar a mesma filosofia da Costa do Marfim. No jogo da passada jornada, em Port Elizabeth, Sven-Goran Eriksson, comandante da selecção africana, lançou uma teia que manietou os jogadores portugueses, dificultando imenso a manobra colectiva da equipa nacional, algo que a tornou inofensiva para a baliza de Boubacar Barry. Foi sempre Portugal quem teve a iniciativa de jogo, quem teve de correr, circular a bola e encontrar meios para criar oportundidades. Não o conseguiu. A Coreia do Norte, sem possuir o valor da Costa do Marfim, deverá, também, optar por essa estratégia: erguer uma verdadeira muralha em torno da sua área, fechando os caminhos a Portugal, abusando do contra-ataque veloz para explorar a maior técnica de Tae Sae.

Não preparando nenhuma revolução, em relação à partida inaugural, Carlos Queiroz deverá optar por algumas mudanças. Uma delas forçada: Deco, o médio que esteve em destaque pelas críticas feitas às opções do seleccionador, tendo-se retractado logo após, encontra-se inapto para defrontar a Coreia. O mais sério candidato à vaga deixada pelo luso-brasileiro é Tiago, embora Rúben Amorim possa também ser hipótese. Levantam-se, ainda, mais duas interrogações. Danny acusou a pressão do jogo com a Costa do Marfim, não conseguiu dar profundidade à equipa nacional e acabou substituído por Simão. Essa poderá ser uma alteração feita por Queiroz para o ataque aos norte-coreanos. Liedson não se encontra no seu melhor momento e Hugo Almeida anseia por uma oportunidades. Tê-la-á ou o Levezinho mantém-se?

A Coreia do Norte corre, tem pulmão, coração e é uma equipa sempre disponível para o jogo. Mas é, também, uma equipa ingénua. É por aí que Portugal terá de aproveitar. Jogando com serenidade, alegria, intensidade e rapidez de execução. O pólo oposto daquilo que foi demonstrado perante a Costa do Marfim. Se o conseguir, estando ao seu nível, a equipa nacional chegará a uma vitória. Para se moralizar, nada melhor do que recordar o brilhantismo e magia de um dia épico em 1966, no Goodison Park, onde emergiu um Eusébio diabólico. Sabendo de antemão que para triunfar, conseguindo um resultado importante e moralizador para atacar o jogo com o Brasil, no encerramento da fase de grupos, Portugal terá de ser paciente, incisivo e incansável. Contra a fortaleza, insistir sempre. Até porque haverá retranca pela certa...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mundial 2010: Costa do Marfim-Portugal (antevisão)

Entrar com o pé direito, seja lá onde for, é sempre importante. Determinante, até. Numa fase de grupos, com apenas três jogos, pode servir para clarificar as contas da passagem. Por si só, o jogo de Portugal frente à Costa do Marfim, na estreia portuguesa nesta edição do Campeonato do Mundo, teria elevada relevância. Acresce ainda que, à partida, será com a selecção costa-marfinense, comandada pelo nosso velho conhecido Sven-Goran Eriksson, que Portugal disputará um lugar para a passagem aos oitavos-de-final. A teoria indica que o Brasil se situa noutro patamar, mais elevado, e deve, por isso, arrecadar o primeiro lugar no grupo. Pelo contrário, a Coreia do Norte, apesar de poder beneficiar por se tratar de uma verdadeira incógnita, é uma espécie de patinho feio, em quem ninguém aposta uma moeda que seja. Para evitar surpresas, contudo, o melhor é vencer já. Vamos lá, cambada?

É incontornável: Didier Drogba joga ou não? A dúvida mantém-se desde que o avançado do Chelsea fracturou o braço no particular frente ao Japão e pode ter uma tremenda influência na selecção da Costa do Marfim. Eriksson, evasivo, não desvendou o mistério. Contudo, na véspera do jogo frente a Portugal, Drogba treinou integrado, sem limitações, algo que poderá indiciar que, contrariando as ideias iniciais de que falharia, pelo menos, o jogo de estreia no Mundial 2010, estará mesmo em condições de poder saltar para a equipa inicial frente à selecção nacional. O que é mau para Portugal. No entanto, para além de Drogba, a estrela maior, os costa-marfinenses contam com outras boas individualidades, como Kalou, Gervinho ou Dindane. Não sendo um papão, até porque há alguma ingenuidade no colectivo, assumem-se, cada vez mais, como a maior potência africana. Equipa forte? Sem dúvida. Mas ao alcance de Portugal.

Na selecção portuguesa há, desde a passada semana, a ausência de Nani. Aquele que seria, porventura, o jogador em melhores condições, sendo importante na manobra ofensiva da selecção nacional, ficou impossibilitado de jogar no Mundial. Seria um dos titulares. Para a vaga, no duelo entre Danny e Simão, o jogador do Zenit de São Petersburgo, fortalecido pela exibição frente a Moçambique no último jogo de preparação, deve ser titular e completar o trio ofensivo com Cristiano Ronaldo e Liedson. Outra dúvida prende-se com as laterais: Duda ou Fábio Coentrão na esquerda? Miguel ou Paulo Ferreira na direita? Duda, apesar de ter sido primeira escolha na fase de apuramento, deverá ser ultrapassado por Coentrão, que poderá dar seguimento à belíssima época que realizou no Benfica - nenhum deles é, recorde-se, lateral de raiz. Também Paulo Ferreira, pela maior consistência defensiva, deve ganhar o lugar.

Ainda sem poder contar com Pepe, que apenas jogou quinze minutos diante de Moçambique após seis meses de paragem devido a lesão, Carlos Queiroz optará, para ocupar o lugar de médio-defensivo, por Pedro Mendes - lançando, mais à frente, Raúl Meireles e Deco. O agora jogador do Sporting foi chamado na parte final da fase de qualificação para o Mundial, na sequência da baixa de Pepe, e logo se impôs na equipa nacional. Ganhar no primeiro jogo, garantindo desde logo três importantes pontos, poderá ser fulcral para Portugal se destacar e assumir a qualidade que possuiu. O que todos nós, os portugueses, esperamos é que Ronaldo esteja ao seu melhor nível, Deco consiga ser o mágico dos melhores anos, Danny seja um diabo à solta para os costa-marfinenses e Liedson resolva. É preciso ainda que defesa portuguesa não ceda um palmo que seja. A concentração terá de estar nos limites para travar os africanos. E, depois, que os golos sejam, então, como o ketchup!...