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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Os pecados de Bettencourt

É uma evidência: José Eduardo Bettencourt perdeu o estado de graça que o levou à esmagadora vitória nas eleições para a presidência do Sporting. Uma grande percentagem de adeptos leoninos estará, aliás, contra as medidas levadas a cabo por Bettencourt. Após as renúncias de Paulo Bento, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles, o presidente ficou só na liderança. A agitação que se vivia fruto das fracas exibições e dos maus resultados, atingiu o seu ponto máximo com as saídas dos três homens fortes do futebol profissional e a posição do próprio Bettencourt, pensou-se, teria ficado fragilizada. Poderia haver mais uma demissão na estrutura sportinguista. Nada disso, o presidente disparou forte sobre os contestatários: Vamos expulsar os terroristas do clube. Sei quem é o Harri Batasuna cá do sítio.

José Eduardo Bettencourt tem um discurso muito próprio, frontal e sem meios-termos. É bom que assim seja, contrastando com as velhas máximas e guerrilhas do futebol português. No entanto, uma frase tão forte como a referida acima só contribuirá para uma maior inquietação no seio dos adeptos. Ou seja, precisamente o contrário daquilo que seria pretendido porque, numa fase tão delicada quanto esta, importa que todos se unam sob os mesmos objectivos. Falar em terroristas e cretinos nunca poderá ser benéfico. A reestruturação do futebol do Sporting foi, então, o primeiro grande problema que Bettencourt teve pela frente: Sá Pinto, Salema Garção (embora em moldes diferentes dos anteriores) e, agora, Carlos Carvalhal são os sucessores.

Contudo, a escolha do treinador também se revelou um processo de gestão algo complicada. A primeira aposta, André Villas Boas, acabou fracassada, pois o treinador voltou atrás na sua decisão de rumar a Alvalade e a Académica não prescindiu da remuneração de um milhão de euros. Bettencourt, após ter sido conhecida a permanência do técnico em Coimbra, negou que tivesse havido qualquer contacto com Villas Boas - contradizendo até o que o clube indicara à CMVM. Tal como se vira na despedida de Paulo Bento, o presidente mostrou ser mais emocional do que racional e, por vezes, isso custa-lhe caro. Numa empresa como num clube, a frieza é extramamente necessária para uma boa liderança.

domingo, 15 de novembro de 2009

Carlos Carvalhal é o eleito de Bettencourt

Carlos Carvalhal foi hoje confirmado como novo treinador do Sporting. Trata-se de uma enorme surpresa, porque Carvalhal é um nome que nunca havia sido falado para preencher a vaga deixada em aberto por Paulo Bento. Boa escolha? Má escolha? Só o tempo será capaz de o dizer, mas a larga maioria dos adeptos sportinguistas torceu o nariz a esta aposta de José Eduardo Bettencourt. Após o fracasso nas negociações com André Villas Boas, devido ao milhão de euros que a Académica pedia como reembolso e ainda ao volte-face do técnico, os adeptos preferiam um treinador estrangeiro e experiente. José Pekerman e Fatih Terim foram nomes falados. O eleito, porém, foi Carvalhal. Terá capacidade para devolver a alegria aos leões? É uma incógnita gigantesca.

O cartão de visita de Carlos Carvalhal dá-nos um treinador
com grandes conhecimentos do futebol português, jovem e com enorme caminho pela frente. Apenas na temporada anterior, Carvalhal experimentou um campeonato diferente: esteve no Asteras Tripolis, da Grécia, mas maus resultados impediram-no de terminar o seu projecto. Aliás, para compor essa contra-argumentação, tem mesmo esse rótulo de saltimbanco: desde 2006 passou já por Belenenses, Sp.Braga, Beira-Mar, Vitória de Setúbal, Tripolis e Marítimo. A última experiência, nos madeirenses, começou em Fevereiro de 2009 - após a demissão de Lori Sandri - e terminou em Setembro, face aos maus resultados apresentados à sexta jornada (uma vitória, dois empates e três derrotas consecutivas). Tal como o próprio já admitiu, a sua carreira não tem sido estável.

Curiosamente, o Sporting está intimamente ligado aos melhores momentos do treinador de quarenta e três anos. Em 2001-02, Carvalhal levou o Leixões, então na II Divisão B, a uma excepcional presença na final da Taça de Portugal onde defrontou os leões e acabou derrotado por um golo de Jardel. Fruto desse feito, a equipa leixonense qualificou-se para a Taça UEFA e foi aí que o treinador ganhou protagonismo. Em 2007-08, alcançou o seu único título: o Vitória de Setúbal venceu, na lotaria dos penaltis, a primeira edição da Taça da Liga... frente ao Sporting de Paulo Bento. Agora, Carlos Carvalhal terá o maior desafio da sua carreira, numa altura em que o clube leonino vive momentos bem conturbados. Sem meios-termos, a aposta arriscada ou será feliz ou acabará num hara-kiri.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A verdade de Bettencourt

Não é habitual que um presidente de um clube reconheça superioridade num adversário directo. Muito menos no caso de se tratarem rivais que lutam sempre em busca do trono de campeão nacional. José Eduardo Bettencourt fê-lo: FC Porto e Benfica são favoritos à conquista do título. Mas mais, o presidente do Sporting elogiou a equipa e as boas contratações dos encarnados. Do eterno rival, aquele que qualquer sportinguista quer derrotar. Bettencourt explicou essas diferenças pelo facto de não possuir os argumentos financeiros dos outros dois adversários. Pode parecer falta de ambição mas não é. Vejamos.

José Eduardo Bettencourt apenas disse aquilo que a maioria dos adeptos pensam: neste momento, FC Porto e Benfica apresentam-se como mais fortes candidatos e os sportinguistas não têm tantos motivos de euforia e entusiamo como os benfiquistas. É uma verdade de La Palice. Porém, mesmo existindo essas tais diferenças em termos orçamentais, o Sporting tem conseguido superar-se ao Benfica (há quatro anos que é vice-campeão). Esta foi outra das ideias lembradas pelo presidente. As palavras de Bettencourt alertam para uma realidade e fazem todo o sentido.

Todavia, pode haver quem queira encarar essas afirmações de outra prespectiva: como uma forma de colocar pressão nos adversários que dispõem de outros meios, sobretudo, no Benfica que jogou, neste mandato de Luís Filipe Vieira, o tudo por tudo para criar um plantel forte que dê garantias de forma a conquistar o título nacional. No Sporting, como o leitor sabe, a realidade é bem diferente. Apenas chegaram Caicedo e Matigol para juntar aos jovens. Reitero que, à primeira vista, o plantel me parece curto. No entanto, claro que não poderá ser colocado de parte ainda antes do campeonato se iniciar. Bettencourt sabe-o e fez questão de relembrar que estará na luta.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Bettencourt é o trigésimo sexto

José Eduardo Bettencourt é o novo presidente do Sporting. Sem qualquer surpresa pois há muito tinha ficado provado que se tratava de uma figura unânime entre os sportinguistas. Além disso, pretende dar seguimento à política desenvolvida por Filipe Soares Franco. Ou seja, algo totalmente diferente de Paulo Pereira Cristóvão, o candidato derrotado, que pretendia romper com o passado.

A vitória de Bettencourt não deixa margem para dúvidas: segundo uma sondagem à boca das urnas recolhidas pelo jornal Record, foram cerca de 90% de votos favoráveis. Se a vitória não surpreende, já os números de Paulo Cristóvão ficam muito aquém do esperado. Assim, com o trigésimo sexto presidente do Sporting eleito, fica formalizado que Paulo Bento será o treinador para a próxima época. Continuidade a todos os níveis, portanto.