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domingo, 25 de abril de 2010

A magia de Di María num Benfica com licença para matar

Um salto de cinquenta e três minutos no Benfica-Olhanense. Dois golos de vantagem dos encarnados, superioridade também nos elementos em campo, um público sedento de glória, desejando como nunca a certeza do título. O Benfica está no ataque. Di María recebe a bola de costas para a baliza, tem jogadores do Olhanense atrás de si, não são incisivos na pressão efectuada, seguem-no. Angelito tem tempo para pensar. Fá-lo em grande. E executa. Um passe sensacional, de letra, isola Cardozo para o segundo golo de Tacuara, antes em desvantagem e agora igual a Falcao. O toque do argentino é uma obra prima, uma magia imensa, um passe de morte para a finalização da praxe. Antes disso, já Di María marcara de pé direito, com um drible extraordinário, trocando as voltas aos defesas algarvios. E Cardozo iniciara a vitória.

O Benfica está perto, pertíssimo de cofirmar a conquista do título, está em alta e criou uma simbiose perfeita com os adeptos. Agora e antes. A equipa encarnada não esteve em momento algum longe dos seus, isolada, sem sentir apoio e aquele embalo especial que leva os jogadores a lutarem até ao último segundo para que possam retribuir a confiança que neles é depositada. Por vezes essa vontade de querer fazer tudo bem e depressa, garantir o título e deixar as preocupações de lado pode ser um inconveniente trazendo ansiedade indesejada. O Olhanense é uma equipa que pratica um bom futebol, vive acossada pela descida mas provou ter qualidade e jogou de peito aberto com os primeiros. É, contudo, uma equipa ingénua. Na Luz, Delson deu licence to kill ao Benfica: cometeu grande penalidade e foi expulso. Em nove minutos!

O jogo ante os encarnados dificilmente se apagará da memória do médio brasileiro do Olhanense. Terão sido os nove minutos mais infelizes da sua vida enquanto futebolista. Arruinou a sua equipa, matou-a precocemente, deu ao Benfica permissão para se superiorizar, galvanizar e dominar. Aos dois minutos, Weldon cruzou e Delson, dentro da área, tirou a bola com o braço. Lucílio Baptista assinalou a infracção, deu amarelo ao jogador ao brasileiro, Óscar Cardozo fuzilou Bruno Veríssimo. Foi o melhor que podia ter acontecido aos encarnados. Sete minutos depois, travou Di María com uma falta duríssima, o árbitro poupou-lhe o vermelho directo mas deu o amarelo. O segundo e, por isso, recebeu ordem de expulsão. Esteve nove minutos em campo e foi fatal para as aspirações da sua equipa. Não mais o triunfo benfiquista esteve em questão.

A partir da expulsão, já em desvantagem, o Olhanense percebeu que nada mais poderia fazer para contrariar o curso natural dos acontecimentos. Se ainda se mantinha alguma esperança nos algarvios, o golo de Di María, aos dezoito minutos, de novo com uma assistência saída dos pés de Aimar, foi o golpe final. O Benfica iria ganhar, ponto assente. Restava saber por que margem. Chegou ao terceiro por Cardozo, agora já empatado com Falcao nos melhores marcadores, após esse passe de Di María que merece ser emoldurado. Passaram três minutos e tudo voltou a resultar: Angelito assistiu, Tacuara marcou. É a sociedade perfeita. O Benfica chegou ao quarto golo com naturalidade, mesmo sem ser sufocante ou brilhante, Cardozo recuperou o estatuto de rei dos marcadores. Aimar concluiu a mão cheia de golos. Falta um ponto para o título.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Benfica: apostar ou não na Liga Europa?

Um jogo poderoso, numa demonstração de classe e garra, essa capacidade que permite sofrer e fortalece para que seja possível dobrar as adversidades, deixou o Benfica apurado para os quartos-de-final da Liga Europa. Ou tudo isso resumido numa simples frase: este Benfica está empenhado em recuperar o estatuto de outrora. Os encarnados pretendem tornar-se novamente uma equipa temível e dominadora. Em Portugal, o Benfica é líder do campeonato, com o Sp.Braga como único concorrente na conquista do título de campeão nacional, já tendo os outros dois rivais demasiado longe, e tem uma ambição imensa de quebrar a hegemonia que o FC Porto conquistou nas últimas duas décadas. Esse é declaradamente o objectivo principal. Jorge Jesus foi bem explícito nas afirmações: se tiver de optar, escolherá ser campeão português. Será bom?

Por detrás disso há, contudo, outro propósito: a reabilitação no futebol europeu, recuperando o bom nome, intrometendo-se em batalhas que há muito haviam deixado de lhe pertencer. A recuperação na eliminatória com o Marselha, apagando um jogo em que foi manietado pelo adversário com uma exibição categórica, vencendo no difícil Vélodrome, é apenas o culminar de uma prestação convincente do Benfica na Liga Europa, prova recém-criada para substituir a Taça UEFA. As vitórias com o Everton, sobretudo no jogo da Luz, ganho por 5-0, naquela que terá sido a partida mais completa da equipa nesta temporada, são, também, destaques óbvios. No entanto, foi nos primeiros jogos das duas eliminatórias, com o Hertha de Berlim, na Alemanha, e com o Marselha, há duas semanas, que o Benfica ficou aquém do esperado.

Poderão, então, os benfiquistas ambicionar chegar longe nesta competição? Sim, sem dúvida. O sorteio, contudo, colocou o Liverpool como opositor nos quartos-de-final. Um adversário de peso, para sempre um gigante. Embora viva uma época intermitente, recheada de irregularidade e tenha sido enviado borda fora na fase de grupos da Liga dos Campeões. O reencontro com os reds traz boas memórias ao Benfica: em 2005-06, sob comando de Ronald Koeman, os encarnados ultrapassaram o então campeão europeu nos oitavos-de-final da liga milionária, com vitórias na Luz e, verdadeiramente épica, em Anfield Road. Foi esse o último grande momento do Benfica na Europa. Esta época, com Jorge Jesus, tem a oportunidade de recomeçar esse trilho. Sem o prestígio da Champions, mas no mesmo lugar onde ficou.

Apesar de estar na sua melhor temporada do século, o Benfica ainda nada de palpável conquistou. Os jogos que se seguem serão, por isso, absolutamente cruciais para o futuro da equipa. Um ciclo que começará já no próximo domingo. No Algarve, o Benfica defronta o FC Porto para procurar revalidar o único título conquistado no ano transacto: a Taça da Liga. Sendo um duelo desta envergadura, com tamanha rivalidade entre clubes, o jogo ganha uma maior relevância. Na semana seguinte, na Luz, jogará com o Sp.Braga uma partida importantíssima para a definição do campeonato. Virá, então, cinco dias depois, o primeiro embate do duelo com o Liverpool. O segundo estará no meio de uma deslocação à Figueira da Foz e de uma recepção ao... Sporting. Num curto espaço temporal, estará em jogo a época.

É fácil concluir, pois, que o Benfica irá jogar tudo em dois tabuleiros. A primazia é o campeonato. Porém, no subconsciente dos benfiquistas está o facto de terem uma oportunidade única para ultrapassar um grande clube europeu, um dos big four ingleses, e de, caso o venham a conseguir, ficarem com caminho aberto para a final de Hamburgo. Uma das vantagens do Benfica nesta temporada tem passado, indiscutivelmente, pelas alternativas existentes. Jorge Jesus tem a possibilidade de poupar jogadores com maior cansaço acumulado sem que isso afecte o rendimento da equipa. Para atacar o campeonato e a Liga Europa, alimentando a esperança num e mantendo-se vivo para um brilharete noutro, Jesus terá de fazer uma gestão perfeita do seu plantel. Apostar forte em ambas ou entender que a excessiva ambição poderá não dar bom resultado? Eis a questão!

domingo, 14 de março de 2010

Um líder que sabe o que quer

O Benfica ganhou ao Nacional, na Madeira, por 1-0. Mantém-se, por isso, na liderança. É, indiscutivelmente, um triunfo importantíssimo: por ser no terreno de um adversário complicado, embora a época não lhe corra de feição, e por anteceder o jogo com o Sp.Braga. Assim, no duelo com os minhotos, de risco máximo e com muito em jogo relativamente à conquista do título de campeão nacional, o Benfica possuirá três pontos de avanço sobre o seu opositor. Os encarnados tiveram que suar, despir o fato de gala de um líder, deixar de lado os galões e colocar mãos à obra. Só assim, com muito sacrifício, mais transpiração do que inspiração, conseguiram levar de vencida a equipa madeirense. Novo teste superado, liderança mantida, novo jogo na caminhada para o título.

Os campeões fazem-se de sofrimento. Nenhuma equipa pode ser sempre brilhante. Os encarnados, aliás, há muito deixaram para trás o frenético ritmo com que iniciaram a época, atemorizando os rivais, funcionando como uma máquina de destruição, juntando inúmeros golos às exibições cheias de força e classe. Em cada jogo, há que saber adaptar a equipa à forma de jogar do adversário, aproveitar as lacunas existentes, praticar um futebol prático e que seja, antes de mais, eficaz. Se der para juntar uma exibição agradável, tanto melhor. O que importa mesmo é vencer. O Benfica é consistente, tem perfeita noção de que nunca nos últimos anos esteve tão perto da glória, pressente que se não falhar irá quebrar a superioridade que o FC Porto tem imposto no campeonato.

Apesar de mais ofensivo, o Benfica encontrou muitas dificuldades para ser verdadeiramente perigoso para a baliza de Rafael Bracali. O Nacional jogou bem, tirou margem aos encarnados, apostou nas transições para criar perigo e procurar um golo. Há mérito na forma como os madeirenses impediram que o Benfica assumisse plenamente o controlo do jogo. Daí que os benfiquistas tenham sido obrigados a um jogo de paciência, insistente, sem ser deslumbrante. Teve uma oportunidade de ouro, aos sessenta e dois minutos, numa grande penalidade (mal assinalada): Cardozo encarou com Bracali, rematou em jeito, não aplicou a potência do seu pé esquerdo, o tiro saiu ao lado do alvo. Convenhamos: num jogo em que a equipa não conseguia desatar o nó, desperdiçar tão soberana ocasião poderia ter sido fatal.

Não houve, sequer, tempo para lamentações. Rúben Amorim, o lateral direito na vez de Maxi Pereira, entrou na área, cruzou rasteiro, a defesa do Nacional descompensou-se, Cardozo, solto, encostou para o fundo da baliza. Redimiu-se, então. Os encarnados festejaram com Tacuara, melhor marcador da equipa, infeliz na grande penalidade, decisivo logo após. Foi fundamental para o jogador, certo, mas, sobretudo, para a vitória da equipa. Em vantagem, já se sabe, este Benfica gere o seu jogo, impõe o ritmo que melhor se lhe ajusta, torna-se ainda mais difícil de superar. E - muito importante - tem estrelinha. O Nacional tentou, obrigou Quim a trabalho, nunca encolheu os ombros. Foi brioso. A vitória, contudo, foi do Benfica: liderança, três pontos a mais, frenesim para o jogo com o Sp.Braga. É daqui a duas semanas...

sábado, 30 de janeiro de 2010

Um diabo imaturo

Há algo em Carlos Martins que o impede de ser um jogador acima da média. Falta-lhe maturidade. No futebol, o talento é apenas uma parte, a mais importante, a que é imperativo juntar uma grande capacidade mental, imune à pressão e que não inflame com elogios. Carlos Martins é daqueles jogadores capazes do melhor e do pior, satisfaz os adeptos agora, desilude-os logo de seguida. Viu-se no triunfo sobre o Vitória de Guimarães: marcou dois excelentes golos, desbloqueou um empate que os vimaranenses já haviam ameaçado, deixou o Benfica com a vitória na mão. Pouco depois, infantilmente, colocou a mão na bola, viu o segundo cartão amarelo e fez com que a equipa jogasse vinte minutos em inferioridade. Um verdadeiro diabo.

Ainda antes disso, de tocar no céu com os golos e descer ao inferno com a expulsão, Carlos Martins já havia sido protagonista. Na área, Cardozo recebeu a bola, demorou a fazer a rotação, perdeu espaço e tempo para fazer o remate à baliza do Vitória. Carlos Martins, isolado à entrada da área, desesperava. Queria a bola, queria o golo, estava em boa posição para o fazer. Disse-o ao colega, trocaram palavras, Luisão, elevando o seu estatuto de capitão, sanou os conflitos. Os remates certeiros que surgiriam na segunda parte tinham lá toda a raiva, a vontade de Martins em mostrar serviço. Fora chamado devido à ausência de Ramires, pretendia justificá-la na plenitude. Conseguiu-o. Foi o homem do jogo. Pena ter manchado um belo quadro.

Esta partida mostra, portanto, na perfeição como é Carlos Martins. Para sempre irreverente. É isso que o prejudica e impede de chegar mais alto na carreira, quiçá a ser presença na selecção nacional. Saiu de forma algo letigiosa do Sporting, de costas voltadas com Paulo Bento, criticado pelo então treinador pela referida falta de maturidade. Vingar-se-ia, na época passada, na final da Taça da Liga: marcou a grande penalidade decisiva, deu um título ao Benfica perante o clube de onde saíra antes de ingressar no Huelva, teve uma vitória muito particular sobre quem o dispensara. Foi esse, talvez, o seu ponto mais alto desde que, no Verão de 2008, ingressou nos encarnados. Falta-lhe amadurecer para chegar mais além.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A dupla terrível: Cardozo e Saviola

A veia goleadora do Benfica regressou. E regressaram os golos de Cardozo. O paraguaio foi expulso no intervalo do jogo que terminou com a derrota dos encarnados frente ao Sp.Braga. Seguiu-se a partida com a Naval, para o campeonato português, e com o Vitória de Guimarães, para a Taça. O Benfica marcou somente um golo nesses três jogos: frente aos figueirenses, golpe decisivo em cima do tempo limite, vitória bem complicada. Óscar Cardozo, Tacuara, falhou ambos. Coincidência? Não. Sem ele, o ataque do Benfica muda completamente, perde força e perde, sobretudo, eficácia na hora de finalizar. Saviola também muda, fica algo desamparado, não tem um parceiro com a qualidade do paraguaio. O rendimento, claro, é bem diferente.

Cardozo regressou no derby mas pouco se mostrou. O jogo terminou com um nulo, as equipas anularam-se. Frente à Académica, regressou o melhor Tacuara. Sirvam-no e ele faz o resto: três golos marcados, quinze são dele nos trinta e cinco que o Benfica tem no campeonato português. Ora isolando-se, ora aproveitando uma defesa incompleta, ora com uma cabeçada fulminante. Um jogador verdadeiramente letal quando o assunto é fazer golos. A Cardozo não se pedem jogadas de encantar, pede-se que remate certeiro e aí ele cumpre na perfeição. Apareceu ainda Saviola, o parceiro: uma obra-prima transformada em golo, o ponto máximo de uma exibição de gala.

A Académica, em recuperação com André Villas Boas, foi o adversário. Depois de ter saído da última posição, importava perceber como reagiriam os estudantes jogando na Luz. Perderam, sofreram quatro golos e saem vergados a uma goleada. No entanto, procuraram discutir o jogo, defendendo longe da área de Rui Nereu. Tem os seus custos, para a Académica foi a derrota. Contudo, para o futebol, é bem melhor que assim seja. Não houve muralhas, apenas duas equipas apostadas em ganhar. Valeu a ideia, pelo menos.
Cardozo, no sexto minuto, limitou-lhes a acção. Para o Benfica foi o mote para regressar às vitórias expressivas e, acima de tudo, ao topo da classificação.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um Benfica sem reviravoltas e sem Cardozo

O Benfica perdeu, ante o Vitória de Guimarães, a oportunidade de prosseguir na Taça de Portugal. Sem ser o objectivo prioritário, trata-se de uma competição com história no futebol português e os grandes são crónicos candidatos a vencê-la - pelo menos um deles, regra geral, marca presença na final do Jamor. Nenhuma equipa pretenderá, obviamente, ficar longe das decisões. Contudo, para além disso, a partida frente aos vimaranenses serviu para deixar bem patentes as dificuldades que o Benfica encontra para transformar um resultado desfavorável em favorável. E ainda que Óscar Cardozo não tem um substituto à altura: o ataque encarnado não funciona da mesma forma sem o paraguaio.

Reviravoltas. Esta temporada, até ao momento, Marítimo, Sp.Braga - jogos para o campeonato -, Vorskla Poltava, AEK Atenas - Liga Europa - e, agora, Vitória de Guimarães foram equipas que se colocaram em vantagem frente ao Benfica. Resultado ao cabo dos noventa minutos? Em nenhum deles, os encarnados conseguiram vencer. Aliás, apenas ante o Marítimo, na primeira jornada do campeonato português, conseguiram chegar à igualdade. Que representa, então, tudo isto? O Benfica tem demonstrado uma excelente fluidez de jogo e um ataque temível mas, quando o adversário se coloca à frente no marcador, não consegue virar o resultado adverso. Todas as equipas que marcaram primeiro do que os encarnados, não perderam.

Poder-se-á ainda referir a ausência de Cardozo. O Tacuara falhou, por castigo depois dos incidentes no jogo com o Sp.Braga, as partidas frente à Naval, na última ronda da Liga Sagres, e ao Vitória de Guimarães. Foi precisamente nestes dois jogos que o ataque encarnado sentiu maiores dificuldades para finalizar as situações criadas - algo que já se verificara na segunda parte do jogo de Braga, onde Cardozo fora expulso ao intervalo.
Existe um Benfica com e outro sem o paraguaio: não há um substituto que obtenha o mesmo rendimento. Keirisson, Weldon e ainda Nuno Gomes podem juntar-se a Saviola no duo atacante, e têm sido utilizados por Jorge Jesus, mas nenhum deles é letal como Cardozo.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O renovado Benfica que joga mais do que o dobro

Vamos jogar o dobro da época passada e, se calhar, ainda é pouco. A frase é de Jorge Jesus, no seu primeiro dia no Benfica. Para um treinador que apenas ali se apresentava, poderá parecer demasiado descomplexada e até a puxar para o narcisismo. Não se pense, no entanto, que é alguma espécie de tique por estar num clube de topo nacional. A personalidade do técnico encarnado é assim mesmo. Jesus não tem qualquer problema em exaltar os seus feitos e fala sempre na primeira pessoa. Também no discurso dirigido aos benfiquistas foi diferente: a maioria dos treinadores prometeria trabalho e máximo empenho, ele prometeu títulos e espectáculo.

Na altura, as reacções dividiram-se. Como seria de esperar, a maioria dos adeptos do Benfica gostou da mostra de confiança. Contudo, os receios mantiveram-se em muitos: promessas de sucesso eram repetidas a cada ano sem que houvesse resultados práticos. A pré-época afigurou-se, então, como um primeiro teste às ideias do novo treinador e à reacção dos jogadores. Os resultados agradaram, as exibições ainda mais, o estágio culminou num Benfica cheio de confiança e com um nível de jogo acima daquilo que seria de esperar. O feedback existente entre massa associativa, equipa e técnico criou-se desde as primeiras sessões. Seria este o ano perfeito para quebrar o jejum do título nacional, pensaram os adeptos.

Cumpridas sete jornadas do campeonato português, três da Liga Europa e uma eliminatória da Taça de Portugal, o Benfica confirma os atributos que lhe eram apontados inicialmente. Aquilo que eram apenas bons sinais, passaram já a certezas. Evidentemente que ainda nada está ganho, nem é isso que se pretende dizer, pois haverá muito que jogar. Se será ou não o ano dourado para o Benfica, apenas no final se poderá ver. Seja como for, as palavras de Jorge Jesus - que a princípio pareceram exageradas - fazem, agora, todo o sentido: o Benfica está, de facto, a jogar muito futebol. É espectacular, é ofensivo, é super-finalizador. Vence e convence. Aimar, Di María, Saviola e Cardozo estão em maior destaque e são jogadores renovados. O Benfica está, também, renovado.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A importância da atitude

Jorge Jesus enalteceu, após a vitória de ontem frente à União de Leiria, a atitude que os seus jogadores demonstraram. Atitude de campeões, referiu o treinador. Mas o que se entende, afinal, por isso? Simples: a vontade de ganhar e a forma como os jogadores dão tudo para alcançar esse objectivo. É, no fundo, a componente psicológica a funcionar. Portanto, facilmente se comprova que a atitude é meio caminho andando para se ser bem sucedido. Numa prova como o campeonato, interessa, acima de tudo, ser regular. Não chega ser mais encantador do que todos os outros ou marcar imensos golos. Parafreseando Carlos Queiroz, trata-se de uma maratona e não de uma corrida ao sprint.

Nenhuma equipa deste planeta é capaz de transformar todos os jogos em algo perfeito. Pelo contrário, todas mostram altos e baixos ao longo de uma época e não conseguem manter o mesmo nível exibicional em todas as partidas. Precisamente neste campo, de maiores dificuldades, entra a atitude mostrada pelos jogadores - uma equipa que pretenda um determinado objectivo não pode, de forma alguma, encarar um jogo como uma barreira fácil de ultrapassar. Sem querer tirar mérito aos adversários, se observarmos com atenção, as derrotas de uma grande equipa ante outra teoricamente mais fraca são, na maior parte das vezes, provocadas por uma descontracção excessiva dos primeiros.

Existem, por isso, aquelas partidas em que é necessária uma grande capacidade de sofrimento. Ou, como é habitual dizer-se, despirem o vestuário de gala e passarem a outro mais apropriado para o trabalho. Ontem, em Leiria, o Benfica foi obrigado a fazê-lo (o
União de Leiria contribuiu para que tal acontecesse, honra lhes seja feita). Os encarnados estiveram bem longe da espectacularidade apresentada durante a pré-temporada. Nunca deixaram, contudo, de procurar a vitória e trabalharam para isso até ao final. Este é, também, um mérito de Jorge Jesus e uma grande diferença para com a temporada anterior. À semelhança do que acontecera em Guimarães, logo na segunda ronda, o Benfica não esteve inspirado, porém, ganhou em ambos já nos minutos finais. Foi essa atitude que tanto agradou ao treinador e aos adeptos.

domingo, 9 de agosto de 2009

O melhor guarda-redes do Benfica

Quim é o melhor guarda-redes do Benfica. Não pense o leitor que o digo apenas pelas quatro grandes penalidades por ele defendidas, ontem, frente ao AC Milan. Aliás, penso que existiu aí maior demérito dos adversários que falharam. Trata-se, somente, de uma evidência: Quim é mais completo do que Moreira e, agora, Júlio César. É certo que, por vezes, comete falhas pouco aceitáveis - sobretudo no jogo aéreo, tal como se viu ontem - mas há alguém infalível? Não, claro que não. Num passado bem recente foi ele o verdadeiro pilar dos encarnados.

Desde o ano do último título, 2005, que Quim era o guarda-redes titular do Benfica. Foi uma opção de Giovanni Trapattoni que relegou Moreira para o banco. A princípio, houve imensa contestação. Assobios. Depois, ao longo que Quim foi assentando a sua condição de número um, os adeptos benfiquistas acabaram por se render. Na temporada seguinte, porém, viria a perder a titularidade: esteve lesionado e Ronald Koeman entregou a baliza a Moretto, recém-chegado do Vitória de Setúbal. Foi com Fernando Santos, na época seguinte, que voltou a ser chamado. Sem contestação.

Assumiu-se como um esteio da equipa. Um verdadeiro salvador nalguns jogos menos bons dos encarnados. Na temporada passada, chegou a titular da Selecção. No entanto, pouco tempo depois, perdeu-a no Benfica. Um erro num empate com o Vitória de Setúbal fez com que Quique Flores entregasse, quatro anos depois, a titularidade a Moreira. Também este viria a falhar. Como acontece a todos. Na final da Taça da Liga, frente ao Sporting, a baliza ficou outra vez com Quim. O resto, as três defesas nas grandes penalidades que deram o único troféu ao Benfica de Quique, já é bem sabido de todos.

Ficaram Quim, Moreira e Moretto para esta nova temporada de 2009-10. Jorge Jesus chegou e confessou precisar de mais um guarda-redes. Falou-se em Andújar, em Felipe e em Júlio César. Acabou por ser contratado este último, bem conhecido de Jesus nos tempos de Belenenses. As contas da baliza voltaram a ser baralhadas. Antes da dispensa de Moretto, foi noticiado que poderia ser Quim a abandonar o plantel, caso surgisse alguma boa proposta. Ficou. Na Eusébio Cup foi titular e defendeu esses tais quatro remates de jogadores milaneses. No final da partida, admitiu raiva por lhe terem acabado a carreira. Não deixa de ter razão. Mais importante é que ressurgiu. Para ser titular.

domingo, 2 de agosto de 2009

Os excelentes sinais do novo Benfica

Há bem pouco tempo falava com um amigo que me dizia: "Este ano o Benfica não dá hipóteses. Nem é preciso jogar". Encolhi os ombros, apenas. Depois lembrei-me do ano passado, do outro anterior, e ainda de mais outro. Nos adeptos benfiquistas, o discurso é o mesmo. Invariavelmente, época atrás de época. Todos facilmente reconhecemos que o Benfica já não tem o poderio de outros tempos, embora a grandeza se mantenha. Em Portugal, o FC Porto tem assentado um domínio a bel-prazer. Neste passado recente, os encarnados viveram de ilusões. Será assim mais uma vez?

Numa resposta pronta: não. É a minha opinião, somente. E explica-se por aquilo que tem sido feito até este momento - faltam duas semanas para o início do campeonato -, pois parece-me que a confiança benfiquista tem razão de ser. Atenção: confiança e não euforia, porque são aspectos bem distintos. Uma coisa é acreditar que será este o ano do Benfica, outra completamente diferente é colocar-se em bicos de pés e subjugar a concorrência. Os jogos de pré-época mostraram um excelente jogo, no entanto, é óbvio que isso não dá títulos nem serve para nada, excepção feita ao crescimento como equipa.

Carlos Queiroz, o seleccionador nacional, afirmou que "a qualificação para o Mundial é uma maratona e não um sprint". O campeonato também assim o é: não basta ser mais forte nalguns jogos, é necessário sê-lo sempre, é preciso que haja regularidade. O Benfica do ano passado era, acima de tudo, irregular. O de agora, de Jorge Jesus, é bem diferente porque mostra mais chama, mais querer, mais garra. Penso que o leitor concordará se disser que está melhor do que na temporada anterior. Indiscutivelmente. Os adeptos voltaram a ter esperança no futuro e faz sentido que assim seja. Estabilidade é a palavra-chave para qualquer bom resultado...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Keirrison, o novo avançado do Benfica

Keirrison, avançado brasileiro de vinte anos, é o mais recente reforço do Benfica. O jovem jogador chega por empréstimo do Barcelona e torna-se no sexto (!) avançado do plantel de Jorge Jesus para a nova temporada - Saviola, Cardozo, Weldon, Nuno Gomes e Mantorras eram os residentes. Apesar de idade, Keirrison é visto como um jogador possuidor de uma enorme margem de progressão mas também já passou por momentos bem dolorosos, devido a uma lesão grave que o afectou no joelho. Após ter sido noticiado que o Barça o poderia incluir num negócio com o FC Porto, na tentativa de adquirir Bruno Alves, o médio brasileiro ruma à Luz.

Fique com os melhores momentos de Keirrison em vídeo:




segunda-feira, 27 de julho de 2009

O novo Benfica

O Benfica está diferente. Pode parecer algo cedo para fazer qualquer juízo sobre o real valor da equipa mas é apenas uma constatação do óbvio. Não se quer com isto dizer que é o principal candidato ao título pois isso apenas se verá durante a competição oficial mas fazer uma comparação com o passado recente. Repito, o Benfica está diferente. Para melhor. Ganhou alma, atitude e vontade de ganhar mas também o conhecimento profundo que Jorge Jesus possui do campeonato português. A equipa está melhor do que na temporada passada.

O maior defeito do Benfica de Quique Flores foi, talvez, a irregularidade exibicional. Um candidato ao título não pode ser assim porque tem a obrigação de ganhar sempre. Por paradoxal que possa parecer, na temporada anterior, os encarnados estiveram melhor nos jogos com maior exigência e falharam noutros onde ninguém o esperaria. A derrota na Trofa, frente ao último classificado, quando o Benfica era líder é um exemplo disso mesmo. Existe uma frase que alguns treinadores gostam de usar e que faz todo o sentido: os campeonatos não se ganham nos clássicos mas sim quando se defrontam os chamados pequenos.

Actualmente, a mais ou menos um mês do início da competição oficial, o Benfica já se encontra num bom patamar. Os jogadores mostram mais alegria, mais vontade. Outro defeito de Quique: não colocar os jogadores nas suas posições originais, onde são mais produtivos. Jorge Jesus tem-no feito. O caso mais flagrante é, muito provavelmente, o de Aimar que está muitíssimo melhor pois deixou de jogar como segundo ponta-de-lança e passou para terceiro, ou seja, no vértice ofensivo do losango. É aí que ele é melhor e entende-se na perfeição com a dupla de goleadores: Cardozo e Saviola. Jesus leva vantagem a Quique e a pré-época deixou esperança aos benfiquistas. Resta saber se assim será na competição a doer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Benfica acerta Javi García... e Weldon

O Benfica confirmou hoje, através de um comunicado oficial enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários, a aquisição do médio espanhol Javi García. Pelo negócio, os encarnados pagam sete milhões de euros ao Real Madrid e oferecem ao jogador espanhol de vinte e dois anos um contrato válido por cinco temporadas fixando uma elevada cláusula de trinta milhões de euros. Com a aquisição de Javi García, fica preenchida uma lacuna importante no plantel: a posição seis, do médio defensivo.

No entanto, para além disso, de acordo com o que anuncia a Rádio Renascença, o avançado brasileiro Weldon será o sexto reforço do Benfica. O ex-jogador do Belenenses, actualmente com vinte e oito anos e a jogar no Sport Recife, custará cerca de cento e quarenta mil euros e reencontrará Jorge Jesus. Foi o próprio presidente do clube brasileiro, Sílvio Guimarães, a dar o negócio como certo. Desta forma, o plantel do Benfica para a nova temporada deverá estar encerrado.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O mau discurso do Benfica

Não costuma ser bom quando dirigentes ou treinadores, ainda antes da época arrancar, prometem o céu e a Terra aos adeptos. Geralmente, são declarações que se cobram quando os resultados não aparecem e as promessas não passam disso mesmo. Certo, José Mourinho prometeu o título quando foi apresentado no FC Porto e cumpriu mas é um caso à parte, sem qualquer paralelo. Ora, um dos males do Benfica tem sido precisamente esse: o discurso, tão utilizado, de que esta época é que vai ser. Luís Filipe Vieira, sempre que as coisas correm bem, puxa dos galões. É aquilo a que se chama embandeirar em arco.

Vamos a um exemplo, ocorrido na temporada passada: com estes adeptos e esta equipa ninguém nos pára, afirmou o presidente como que a enaltecer o apoio manifestado. Nessa altura, o Benfica tinha a liderança do campeonato, deixara o FC Porto para trás e, pela primeira vez desde o título em 2005, parecia lançado para a glória. Porém, nada disso aconteceu como o leitor bem sabe. O treinador era Quique Flores, realista e racional, que nunca levantou os pés do chão. Nunca entrou na euforia que, a certa altura, se gerou. Aliás, foi o primeiro a acalmá-la. E, por isso, acusado de falta de ambição.

Esta época, com Jorge Jesus, o Benfica volta a começar mal. O discurso de apresentação do novo treinador mostrou ambição e a verdade é que os adeptos benfiquistas gostaram. Depois disso, numa entrevista, Luís Filipe Vieira adiantou sem rodeios que Jesus é o melhor treinador português. É um bom treinador, sem dúvida, mas obviamente que não é o melhor. Se, na temporada passada, Quique não entrava nesse jogo de palavras para convencer os adeptos, Jorge Jesus fá-lo. Ainda ontem, após o empate com os suíços do Sion no primeiro jogo de preparação: vai ser muito difícil travar esta equipa.

É certo e sabido que Jorge Jesus é assim, diz o que pensa. No entanto, agora que chegou a um grande clube e tem imensa pressão, não o pode fazer da mesma forma que fazia antes porque qualquer passo em falso ser-lhe-à cobrado. Os próprios benfiquistas ficam divididos: uns acreditam que é mesmo este ano que o clube chega ao título e motivam-se com estas declarações; outros ouvem, ano após ano, o mesmo discurso que não tem qualquer resultado. Jesus até pode ter razão, pode ser que venha a ser difícil parar o Benfica mas não o deve dizer. Isso apenas se verá no decorrer do campeonato. Para, no final, se fazerem as contas. Não agora.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Benfica desiste de Falcão?

Falcão já não fará companhia à águia. É um trocadilho fácil que quer dizer que o avançado colombiano do River Plate, Radamel Falcão, deixou de fazer parte dos planos de Jorge Jesus para a nova temporada. Tinha sido noticiado que o colombiano era uma prioridade para a frente de ataque dos encarnados e que, inclusive, já estaria tudo certo para rumar à Luz. Apenas faltariam detalhes. No entanto, hoje, num comunicado oficial, o Benfica afirma que desistiu da contratação devido "às indefinições mostradas pelo jogador e pelos seus representantes".

Causa alguma estranheza que o clube tenha terminado as negociações desta forma abrupta até porque já tinham sido noticiados valores para a contratação de Falcão (4,7 milhões de euros por 80% do passe) e só faltaria selar o acordo. O próprio jogador havia-se mostrado satisfeito por poder rumar ao Benfica e jogar com Saviola e Aimar. Repito, é estranho. A juntar a isso, as polémicas recentes com os comunicados para a CMVM: primeiro foi desmentido o interesse em Ramires, depois em Jorge Jesus. Ambos acabaram por assinar contrato. Desta vez, será que o Benfica se cansou de Falcão ou continua interessado? É quase como a história do Pedro e o lobo...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Crónica de uma vitória anunciada

De La Palice. Luís Filipe Vieira venceu as eleições para a presidência do Benfica. Nas segundas eleições mais concorridas de sempre - 20.672 votantes - logo após a eleição de Manuel Vilarinho frente a Vale e Azevedo, Vieira foi reeleito com 91.74% de votos favoráveis e esmagou por completo as pretensões de Bruno Carvalho. Depois de inúmeras polémicas e tentativas de suspender o acto eleitoral, os sócios encarnados tiveram a sua decisão. Debaixo de uma euforia brutal, Vieira tomou posse como presidente para os próximos três anos.

Aquelas que tinham tudo para serem eleições pacíficas em Outubro, tornaram-se numa gigantesca polémica. A sua antecipação para 3 de Julho, devido à demissão em bloco dos órgãos sociais, foi visto como um golpe de estado levado a cabo por Luís Filipe Vieira e fez correr muita tinta. Desde logo, Bruno Carvalho assumiu-se como candidato e, verdade seja dita, foi o único a levar a oposição até final. O Movimento Benfica vencer, vencer mostrou ideias mas não resistiu à recusa de José Eduardo Moniz em encabeçar a lista e acabou por ficar pela teoria.

Ora, o aparecimento do director-geral da TVI foi outro dos momentos mais polémicos da campanha eleitoral. Foi avançado por um diário desportivo nacional que Moniz apenas faria parte de uma estratégia para que investidores espanhóis se apoderassem da marca Benfica. Seja como for, José Eduardo Moniz não se mostrou disponível para ser candidato à presidência. No entanto, afirmou, em jeito de aviso, que talvez o faça nas próximas eleições. Há que dizer que, em sondagens efectuadas, era colocado à frente de Vieira.

Carlos Quaresma, um empresário, foi outro possível candidato mas a sua lista continha, segundo Manuel Vilarinho, irregularidades. Foi ele o primeiro a avançar com uma providência cautelar para suspender as eleições mas sem sucesso. Ficaram Bruno Carvalho e Luís Filipe Vieira, apenas. O director-geral do PortoCanal, independentemente das boas ideias que possa ter, nunca foi um verdadeiro obstáculo para a reeleição de Vieira. Os números confirmam-no. Ao jeito de Gabriel García Márquez, esta foi a crónica de uma vitória anunciada.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Olhar para as eleições do Benfica

Não há volta a dar. As eleições do Benfica transformaram-se num verdadeiro circo mediático a partir do momento em que os órgãos sociais em exercício resolveram demitir-se em bloco. A causa alegada para essa demissão, disse o presidente da assembleia-geral Manuel Vilarinho, foi a instabilidade que o clube atravessava. Foi apenas uma desculpa, porém. A decisão de antecipar as eleições de Outubro para Julho dava imenso jeito a Luís Filipe Vieira. Só não esperava que o candidato Bruno Carvalho lhe desse tanto que fazer.

O acto eleitoral está agendado para amanhã. No entanto, neste momento, é ainda uma enorme incógnita se será realizado ou não. Caso a resposta seja afirmativa, fica mais uma pergunta: com quantas candidaturas? No lugar da resposta figura outro ponto de interrogação gigantesco. Nos últimos dois dias sucederam-se as providências cautelares para suspender as eleições. A primeira foi interposta por Carlos Quaresma que, após ver a sua candidatura recusada, acusou Vieira de ter violado os estatutos e Bruno Carvalho de não ter cinco anos de sócio efectivo. Nada conseguiu o que pretendia.

Ontem o caso ganhou novos contornos. Foi noticiado que o Tribunal Cível de Lisboa havia dado seguimento a outra providência cautelar. Esta apresentada por Bruno Carvalho onde alegava exactamente o mesmo contra a candidatura de Luís Filipe Vieira: tinha existido uma violação dos estatutos. Por ordem judicial, Vieira não podia concorrer. No entanto, ao seu estilo, o presidente demissionário afirmou que ia a votos e que não deixaria "um garoto" tomar conta do clube. Com ordem do Tribunal ou sem ela, ele é candidato.

Bruno Carvalho apareceu com ideias novas, mostrando-se optimista para recolocar o Benfica no caminho das vitória. Entende que apenas a sua lista cumpre os requisitos e por isso será candidato único. Afirma que chega de "batota" no clube e que a primeira coisa que fará enquanto presidente passa por convocar uma assembleia-geral onde se marcarão novas eleições. E a oposição de Luís Filipe Vieira: "Não acredito que avance de forma ilegal", afirmou o director-geral do Porto Canal.

Faltam menos de vinte e quatro horas para abrirem as urnas no estádio da Luz. Isto se realmente houver mesmo eleições, claro. Os benfiquistas, os verdadeiros donos do clube, não sabem o que os espera. Agora, também o Movimento "Benfica Vencer, Vencer" pretende que o acto eleitoral seja suspenso. São inúmeras jogadas políticas e é óbvio que o futebol passou para segundo plano. Qualquer pessoa percebe que reina a instabilidade no Benfica desde a antecipação das eleições. Senhor Manuel Vilarinho, o objectivo não era acabar com ela?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Eleições do Benfica em stand-by (Actualizado)

As eleições do Benfica marcadas para a próxima sexta-feira estão em risco de serem suspensas. O Tribunal Cível de Lisboa deu seguimento à providência cautelar apresentada por Carlos Quaresma, sócio que viu a sua candidatura à presidência chumbada por não preencher todos os requisitos. Após isso, o empresário decidiu entrar na via judicial a fim de suspender o acto eleitoral. Segundo Carlos Quaresma nenhuma das candidaturas aprovadas têm validade: Luís Filipe Vieira terá violado os estatutos e Bruno Carvalho não possui cinco anos de sócio efectivo.

A decisão de suspender ou não as eleições do dia 3 de Julho passa agora para o Tribunal da Relação. Porém, uma fonte do Tribunal garantiu à Agência Lusa que ainda não deu entrada qualquer recurso do indeferimento da providência cautelar apresentada por Carlos Quaresma. Dessa forma, esta será uma notícia para desenvolver nas próximas horas.

Actualização: Pragal Colaço, advogado do Benfica, em declarações à Rádio Renascença mostrou-se tranquilo e diz não haver razão para suspender o acto eleitoral: "O Benfica não foi notificado de nada e, por isso, as eleições vão realizar-se na sexta-feira. Por outro lado, a ser verdade que o Tribunal da Relação deu procedência a um recurso interposto pelo indeferimento da providência cautelar em primeira instância essa situação apenas iria obrigar o juíz da primeira instância a conhecer de fundo do objecto da providência cautelar porque foi indeferida por questões formais". O que pode vir a sofrer uma suspensão é a primeira decisão do juiz e não o objecto da acção. Assim sendo, as eleições do Benfica não correm qualquer risco.

sábado, 27 de junho de 2009

Só visto...

Acontecem coisas que não lembram a ninguém. As cenas de verdadeira batalha campal verificadas no Sporting-Benfica, jogo decisivo para o campeonato nacional de juniores, são um exemplo concreto. Envolveu pedras, petardos e até tiros aquando da chegada da claque do Benfica à Academia de Alcochete. A partida terminou aos vinte e quatro minutos. Os responsáveis encarnados acusam que o recinto não tem condições para receber um jogo dessa envergadura. E que tal se houvesse civismo?

Freddy Adu, jogador norte-americano do Benfica, está completamente a leste da realidade do que por cá se passa. Imagine-se que nem faz ideia de quando o seu clube regressa aos trabalhos. Perante esse cenário deixou mensagens no twitter, uma rede social bem conhecida, pedindo ajuda para resolver o problema. Além disso, em jeito de brincadeira, atirou: "É muito mau não saber quando a própria equipa se apresenta, não é?". Pois é, sim senhor.

O passado e presente do Benfica

Desde que Rui Costa assumiu o futebol do Benfica que a política de contratações dos encarnados tem passado por contar com nomes sonantes do futebol europeu. Foi assim com Aimar, com Reyes e com Suazo na temporada passada. O Benfica conseguiu para 2008-09, talvez, o melhor plantel da última década. Porém, não obteve resultados porque nunca conseguiu uma verdadeira equipa com solidez e consistência de jogo. Quique Flores, apesar de ser um bom treinador, mostrou-se completamente a leste da dinâmica do futebol português. Pagou por isso.

Quique tem razão quando diz que os encarnados, com ele, melhoraram em relação à temporada anterior. É um facto que se comprova vendo as classificações. Mas isso não chega num clube como o Benfica, aliás, é muito pouco.
Luís Filipe Vieira e Rui Costa perceberam que, para acabar com o reinado do FC Porto, precisavam de um treinador português, alguém que estivesse por dentro da realidade do clube. Jorge Jesus foi a escolha. O tempo o dirá se foi acertada ou não mas o novo técnico tem trunfos importantes: é português e conta com enorme experiência no futebol português.

A política de contratações não mudou muito. Os primeiros reforços foram os brasileiros Patric e Ramires. Seguiu-se Jose Alberto Shaffer, para a lateral esquerda, após o falhanço na contratação de Alvaro Pereira. Três jovens com grande margem de progressão à sua frente - tal como foram Rúben Amorim e Carlos Martins no Verão de 2008. Agora, chegou Javier Saviola, avançado argentino do Real Madrid. É um dos tais nomes sonantes que se falava no início. Apesar de não ter o fulgor de outrora, Saviola é um jogador de grande qualidade internacional. E uma mais-valia para o novo Benfica de Jorge Jesus que, aos poucos, vai ganhando forma.