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terça-feira, 11 de maio de 2010

O grupo de portugueses mundialistas

A FIFA exige vinte e três, Carlos Queiroz redigiu uma lista com vinte e quatro nomes para representarem Portugal no Mundial 2010, a partir de 11 de Junho, na África do Sul. A inclusão de mais um elemento no lote de convocados não foi, no entanto, uma total surpresa. E a razão para o seleccionador ter chamado um jogador a mais prende-se, sobretudo, com o estado físico de Pepe. O central luso-brasileiro do Real Madrid seria sempre um indiscutível, titularíssimo da equipa nacional, mas a longa paragem a que foi sujeito devido a uma lesão contraída ao serviço dos merengues colocou em risco a sua participação no Mundial. Contudo, o seu estado clínico evoluiu favoravelmente, Pepe está quase apto, embora ainda hesista uma possibilidade de não se encontrar completamente operacional. Daí que Carlos Queiroz tenha convocado vinte e quatro jogadores. Com surpresas pelo meio: Daniel Fernandes, Zé Castro e Ricardo Costa.

A primeira surpresa de Carlos Queiroz chegou na baliza. Há muito existia um suspense em torno de quem seriam os guarda-redes chamados para se juntarem a Eduardo, declaradamente o dono da titularidade, no grupo de três guardiões das redes nacionais. Nas últimas semanas, Hilário e Rui Patrício haviam sido apontados como principais alternativas, mantendo-se Beto e, mais remotamente, Quim à espreita - apesar de titular absoluto do Benfica, na melhor defesa do campeonato a par do Sp.Braga, desde a derrota, 2-6, com o Brasil que não é chamado. Seriam estes, à partida, os nomes fortes para ocupar as duas vagas existentes. Beto foi chamado. A ele juntou-se, como já se disse, surpreendentemente, Daniel Fernandes, guarda-redes emprestado pelo Bochum, equipa que desceu ao segundo escalão do futebol alemão, ao Iraklis (Grécia). Daniel Fernandes e Beto contam, respectivamente, com duas e uma chamada à selecção A.

Saltaram, depois, os nomes dos defesas. Nenhuma surpresa com Miguel, Paulo Ferreira, Bruno Alves e Rolando. Chegou Ricardo Costa. O defesa português, actualmente ao serviço do Lille, procurando estabilizar uma carreira intermitente que o levou a deixar o Wolfsburgo, está, aos vinte e oito anos, pela segunda vez num Mundial, pois fez parte dos eleitos de Luiz Filipe Scolari para marcar presença na Alemanha, em 2006 - realizou somente um jogo, ante a equipa anfitriã, na atribuição dos terceiro e quarto lugares. Ricardo Costa foi também utilizado na fase de qualificação para o Euro 2008, não conseguindo, porém, fazer parte do grupo final. No anúncio dos escolhidos de Carlos Queiroz, para fechar o lote de defesas, seguiram-se Duda e Fábio Coentrão (a coroação da época sensacional do jogador do Benfica, sendo chamado pela segunda vez, tornando-se no único representante encarnado). Serão estes últimos a discutir o lado esquerdo da defesa nacional.

Pedro Mendes surgiu, naturalmente, como primeiro médio chamado por Carlos Queiroz. Seguiu-se Pepe. E Zé Castro, jogador do Deportivo da Corunha, como maior surpresa reservada pelo seleccionador nacional. O defesa português, de vinte e sete anos, conta com somente uma internacionalização A (em 2009, num encontro de cariz particular, defrontou a Estónia), embora tenha no seu currículo, tal como Ricardo Costa ou Daniel Fernandes, chamadas às selecções jovens de Portugal. Pela convocatória, em teoria, poderá ser Zé Castro a estar de prevenção caso se confirme a indisponibilidade de Pepe em marcar presença na África do Sul. Tiago, Deco e Simão Sabrosa (o mais internacional: 79 vezes) surgiram como escolhas óbvias pela regularidade com que foram chamados e utilizados, mais no caso dos últimos, por Carlos Queiroz no apuramento. O nome de Miguel Veloso, superiorizando-se ao colega João Moutinho, também não causa espanto.

O leque de atacantes abriu com Danny, jogador influente no Zenit de São Petersburgo, presença assídua na caminhada de Portugal para a África do Sul. Foi, então, a vez de serem anunciados os nomes de Liedson e Hugo Almeida, os dois homens de área e, por isso, os dois jogadores a quem estará destinada a missão de fazerem os golos da selecção lusa. Cristiano Ronaldo, a estrela maior da equipa nacional e em quem os portugueses depositarão maiores esperanças, esperando uma prova com um Ronaldo ao seu melhor nível, foi o penúltimo jogador a ser apresentado como escolhido por Carlos Queiroz para representar Portugal na África do Sul. Nani, após uma época extraordinária em que sobressaiu no Manchester United - muito bem individualmente, apesar de os red devils terem falhados os seus objectivos -, fechou o grupo dos vinte e quatro seleccionados. Será com vinte e três destes que Portugal estará no Mundial.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vitória sem glória

Portugal fez ontem, em Coimbra, o último jogo de preparação antes de chegar à África do Sul. Tal como em 2002, na antecâmara do Mundial na Coreia e Japão, a selecção portuguesa defrontou a China. E repetiu o resultado, também: vitória por 2-0. Os dois golos de vantagem são, contudo, apenas uma parte deste jogo em que a China funcionou como a Coreia do Norte, adversária no Mundial. Ninguém esperaria que Portugal não vencesse uma selecção claramente mais fraca, não só em comparação com os portugueses, mas também com os norte-coreanos. Na vertente exibicional, a equipa nacional deixou muito a desejar e saiu do relvado de Coimbra ao som de assobios e olés... pelo jogo adversário. Pior: mostrou que escasseam soluções capazes de manter o ritmo competitivo.

Se na primeira parte Portugal, a partir do momento em que imprimiu maior velocidade, conseguiu uma prestação bem positiva, embora tenha sido demasiado perdulário na hora de enfrentar o guarda-redes Zhang Lu, uma figura desta selecção da China, a segunda etapa foi verdadeiramente má. Carlos Queiroz fez várias alterações, promoveu as estreias de Hilário e Varela, dois sinais de confiança para o Mundial, sobretudo o segundo devido à raríssima acção do primeiro, o jogo entrou numa fase morna, desinteressante e o público iniciou o seu protesto. Em face de todas essas ausências, é natural que a qualidade tenha descrescido, mas é pouco compreensível que, na fase da escolha dos jogadores que estarão na África do Sul, a oportunidade tenha sido tão mal aproveitada.

Poder-se-á dizer, com sentido, que esta não é uma altura propícia a jogos particulares. Os campeonatos europeus encontram-se no momento das decisões, onde importa estar totalmente bem fisicamente e não acusar desgaste, até porque há uma carga intensa de jogos. Isso não explica, todavia, que Portugal tenha deixado tantos golos por concretizar, um retrocesso a um problema que inúmeras dificuldades causou na fase de apuramento para o Mundial, e não tenha sido capaz de evidenciar as diferenças existentes entre ambas as selecções, apenas chegando ao segundo golo no período final da partida. Além de não ter sido a ópera que os adeptos esperariam, ficou uma certeza: é preciso olear a máquina até à África do Sul. Até o adversário ser a Costa do Marfim.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A chamada de Olegário Benquerença para o Mundial

Haverá, para além da selecção nacional, outra equipa em representação de Portugal no Mundial 2010. Será liderada por Olegário Benquerença, um dos trinta árbitros seleccionados para estar na África do Sul, a que se juntam também José Cardinal, Bertino Miranda e João Santos - assistentes e quarto árbitro, respectivamente. Olegário é, assim, o sétimo português a chegar a um Mundial, o ponto alto da carreira de qualquer árbitro, depois de Vieira da Costa (presente nos Mundiais de 1950 e 1954), Joaquim Campos (1958 e 1966), Saldanha Ribeiro (1970), António Garrido (1978 e 1982), Carlos Valente (1986 e 1990) e Vítor Pereira (1998 e 2002). O FUTEBOLÊS quis conhecer as reacções de Cruz dos Santos, jornalista especializado em arbitragem, e Jorge Coroado, ex-árbitro internacional. Ambos satisfeitos.

"O Olegário não tem tido uma época muito feliz, é verdade, mas com certeza que é um prémio para a sua dedicação. É ambicioso e vai dignificar a arbitragem. Penso que é o orgulho dos árbitros portugueses", começa por referir Cruz dos Santos, apoiando-se no facto de apenas terem sido escolhidos dez árbitros europeus. Jorge Coroado entende que o árbitro havia feito uma aposta declarada para marcar presença no Mundial 2010: "É a distinção para a qual Olegário Benquerença trabalhou. Está a recolher os dividendos do seu investimento", afirma. Coroado entende que é, para o árbitro, "uma posição de prestígio e o culminar de um trabalho de muitos anos ao atingir um objectivo", embora contraponha que o facto de estar seleccionado não signifique que seja "um exímio executante ou representante da classe".

Importava, depois, perguntar a Jorge Coroado se o objectivo máximo de um árbitro é a presença num Mundial. "Desde que se encare a arbitragem como motivo de elevação pessoal e de afirmação na sociedade, é natural que sim. Se olharmos como mais uma actividade e uma forma de praticar desporto e de estar inserido no futebol, já não funciona dessa forma", responde. Em relação à arbitragem portuguesa, afirma que "é uma honra ter um elemento seu num evento tão importante quanto um Campeonato do Mundo". Cruz dos Santos partilha da mesma opinião: "É uma distinção que muito nos prestigia e confirma que a arbitragem nacional tem uma imagem bem melhor internacionalmente", refere. Mais pessimista, Coroado concluiu: "Não será por Olegário estar na África do Sul que a nossa arbitragem irá melhorar".

domingo, 6 de dezembro de 2009

Portugal no Mundial - Opinião de Jorge Baptista

Para quem, como Carlos Queiroz, avançou antecipadamente com a candidatura ao título mundial, o resultado do sorteio não pode deixar margem a inusitadas surpresas. A não ser que a ambiciosa intenção tivesse apenas como objectivo a motivação interna. Desde sempre que, nestas circunstâncias, baseio a minha opinião naquilo que Portugal pode e deve fazer e não tanto no maior ou menor valor dos adversários. Porque também desde sempre considero que o principal obstáculo da selecção nacional é a sua própria mentalidade e, hoje mais que nunca, a forma como ela é gerida. Daí poderem ser mais perigosos os dois primeiros encontros que propriamente o derradeiro da fase de grupos com o todo-poderoso Brasil.

Seja como for, Portugal tem nas suas mãos o destino das dificuldades ou facilidades que este grupo apresenta. Só Portugal poderá confirmar ou não a força potencial da Costa do Marfim. Por ser o primeiro adversário, seria de todo conveniente explorar alguma da ingenuidade patente nesta equipa africana, se bem que sustentada em individualidades experientes e de enorme qualidade como Drogba e Salomon Kalou (Chelsea), Yaya Toure (Barcelona), Zokora (Sevilha), Emmanuel Eboue, Kolo Toure (Manchester City) e ainda Arthur Boka (Estugarda). Uma parada de estrelas, muitas vezes demasiadamente excitada num grande evento como um Mundial, mas que nunca deixará de espalhar o perfume do futebol africano para o melhor ou para o pior.

A importância da desconhecida Coreia do Norte também fica, assim, directamente dependente do resultado da nossa selecçãoo no primeiro jogo. Os coreanos continuam a correr como há quarenta anos atrás, mas pouco mais mostram. Portugal ja não tem Eusébio mas a surpresa já não será tão significativa. O Brasil é... o Brasil. O que nos falta saber é se Portugal será aquele do 2-0 em Londres ou o 2-6 em Brasília. Esperemos que a resposta esteja mais nos dois jogos anteriores que... em Carlos Queiroz.

Opinião de Jorge Baptista, jornalista e assessor da FIFA, sobre o Mundial 2010

sábado, 5 de dezembro de 2009

Três papões para Portugal - Opinião de Rogério Azevedo

1. BRASIL, O PAPÃO

Quando somos pequeninos, de fralda e chupeta, o que nos mete medo são papões. O papão do escuro, do lobo mau, etc. Quando crescemos e passamos a gostar de futebol, o papão é o Brasil: uiiii, vem aí o Brasil. É verdade: vem aí o Brasil. Mas calma é o Brasil de Dunga, não é o Brasil do Mundial de 70 ou do Mundial de 82. Sim, há Kaká e muitos mais. É o papão cinco vezes campeão do Mundo, mas é um papão que podemos olhar nos olhos e dizer 'olá, como vai, sr. papão?'. Sem medo. Favorito? Sim, o Brasil. E?

2. COSTA DO MARFIM, O PAPÃO GIGANTE

Uma vez, em Janeiro de 2005, estive ao lado de Drogba em Londres. E mete medo: alto, grande, forte, verdadeiro armário com génio. E depois há os Tourés, os Kalous, etc. Este, sim, é um papão que precisamos de respeitar muito bem. Convém que alguém ensine Eduardo a ganhar calo nas mãos e nos braços, pois vai ser preciso muito calo para defender as bombas destes africanos.

3. COREIA DO NORTE, PAPÃOZINHO

Imaginem onze jogadores-atletas. Deve ser assim a Coreia do Norte. Muita corrida, técnica escassa, mas muito coração, muito pulmão, meia dúzia de pernas em cada corpo coreano. Solução? Dar-lhes a bola no primeiro tempo para eles se cansarem. Depois, é esperar que percam o raciocínio. Mas, pelo sim pelo não, lembremo-nos de 1966.

Opinião de Rogério Azevedo, jornalista de A BOLA, sobre o sorteio do Mundial 2010

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mundial 2010: Sem sorte nos reencontros

Um colosso, outro adversário complicado e ainda uma incógnita. O mesmo é dizer que o sorteio do Mundial 2010 não foi, nem pouco mais ou menos, bom para Portugal: Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte serão os nossos adversários na fase de grupos. O suspense até ser conhecida a constituição do grupo da selecção portuguesa durou mesmo até final. Abriram-se duas perspectivas: um duelo ibérico, com a Espanha, e ainda jogando com as Honduras e com o Chile, ou um reencontro com o Brasil, país irmão sempre indesejado como opositor. O que poderá, então, esperar Portugal desta fase de grupos? Muitas dificuldades, sobretudo causadas por costa-marfinenses e brasileiros, para ultrapassar com audácia e determinação.

O grupo é forte, já se disse, mas isso não deverá ser intimidatório para a selecção nacional. Portugal tem legítimas ambições de ultrapassar a fase de grupos, os seus jogadores possuem qualidade para isso. O pontapé de saída deste grupo, para Portugal, será dado frente à Costa do Marfim. É somente a segunda vez que os costa-marfinenses estão presentes num Mundial - a outra havia sido em 2006, na Alemanha, onde não passaram da fase de grupos - mas têm assumido cada vez mais um papel de destaque no futebol africano. Didier Drogba e Salomon Kalou, dupla do Chelsea, são os principais símbolos da Costa do Marfim. Sinónimos de golos, alerta máximo para Portugal. Um passo em falso, no primeiro jogo, poderá ser fatal.

Depois de se estrear em Port Elizabeth, a selecção nacional portuguesa defronta, na Cidade do Cabo, a Coreia do Norte. Se os sul-coreanos trazem más recordações a Portugal, por força do Mundial 2002, esta selecção que agora se apresenta na África do Sul leva-nos a recuar até 1966, Mundial histórico para Portugal, terceiro lugar final para os Magriços. Para lá chegar, nos quartos-de-final, os portugueses venceram a Coreia do Norte por 5-3, quatro golos de Eusébio numa partida épica, recuperação de três golos de desvantagem. Desde aí, já lá vão quarenta e três anos, nunca mais os norte-coreanos haviam estado num Mundial. Bem diferentes de então, foram segundos no apuramento, chegam como incógnita mas, em teoria, totalmente ao alcance.

Viagem até Durban para o último jogo da fase de grupos. Com o Brasil, equipa mais forte do grupo, um colosso mundial, declaradamente candidato a vencer a competição. Sabia-se, devido à colocação de Portugal no último pote, que não havia como evitar uma das melhores selecções do planeta. Contudo, embora se tenha tratado de um jogo particular, na memória de todos os portugueses estão ainda bem presentes os 6-2 com que o Brasil nos derrotou. Em busca do seu sexto título de campeão mundial, tentando limpar a má imagem deixada na Alemanha, o escrete de Dunga chega com toda a força à África do Sul - onde, ainda há bem pouco tempo, venceu a Taça das Confederações - após ter dominado a fase de apuramento. Em 1966, também adversário, também derrotado. A repetir.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Logicamente reprovada

Após a polémica eliminação frente à França, os responsáveis federativos da República da Irlanda pediram para serem a trigésima terceira Selecção presente no Mundial 2010, ou seja, através de um lugar extra. A FIFA, organismo que tutela o futebol mundial, garantiu que se trata de um desejo "impossível" de realizar. Naturalmente. Nem se poderia esperar outra qualquer decisão. É certo que os irlandeses têm todas as razões de queixa no jogo que os afastou da África do Sul. Henry, antes de fazer o passe para o golo de Gallas, recebeu a bola com o braço. As imagens correram mundo, o próprio jogador ficou algo afectado com o lance. Foi batota. Claro que sim, mas haveria agora algo a fazer?

Não. Esta é a minha resposta, leitor. É certo que Henry ludribiou Martin Hansson, o árbitro. Ao validar o golo, o sueco errou e prejudicou a Selecção da Irlanda. São verdades de La Palice, tão facilmente comprovadas pelas imagens televisivas. No entanto, o número de países admitidos não poderia ser aumentado. Caso assim fosse, abrir-se-ia um precedente perigoso: todas as equipas que fossem prejudicadas estavam no direito de ser recompensadas. Não faria sentido, logicamente, até porque o erro faz parte do jogo e nada poderá mudar isso. Quantas mais equipas não foram prejudicadas na fase de apuramento?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O incrível barulho da vuvuzela

Não há ainda quem tenha experimentado assistir a um jogo da Taça das Confederações, a decorrer na África do Sul, sem se aperceber do barulho de fundo que se faz ouvir. Trata-se de uma espécie de zumbido que chega a ser incomodativo. Esses sons são emitidos pela vuvuzela, uma corneta típica daquele país que é usada em todos os estádios para criar um som ambiente. Porém, não tem sido uma medida bem aceite. Os jogadores dizem sentir dificuldades em ouvir as indicações do treinador, os adeptos mostram-se descontentes e até as próprias televisões se queixam que a vuvuzela traz prejuízo à qualidade das transmissões.

Por essa razão e como o Mundial 2010, que também se realizará na África do Sul, se aproxima numa velocidade cada vez mais vertiginosa, o FUTEBOLÊS contactou Jorge Baptista, media officer português da FIFA que se encontra no país, em Bloemfontein: "O barulho provocado pelas cornetas durante todo o encontro é ensurcedor mas a verdade é que nenhuma das equipas que aqui jogou colocou algum protesto. Apenas a Espanha respondeu a perguntas dos jornalistas dizendo que realmente incomoda mas que a concentração no jogo supera isso", afirmou.

Questionado se a situação constituía um real problema para o Mundial 2010, Jorge Baptista entende não haver motivos para preocupação: "A FIFA também nao abordou oficialmente o tema e não creio que isso vá constituir um grande problema para o Mundial e vejo como difícil impedir as pessoas de se manifestarem durante um jogo de futebol. Aliás, do meu ponto de vista, se bem que algumas vezes se torna incomodativo a verdade é que o ambiente à volta do estádio é extraordinário, de grande festa". Assim, teremos a certeza de que as vuvuzelas continuarão a fazer parte do espectáculo.

sábado, 6 de junho de 2009

Albânia-Portugal,1-2: Bruno Alves mantém o sonho

Era absolutamente imperativo que Portugal ganhasse na Albânia para continuar a sonhar com a presença no Mundial 2010. Para isso, havia a necessidade de eliminar a crise de golos que os avançados portugueses atravessam. Hugo Almeida conseguiu marcar. No entanto, apenas sessenta segundos passados, Bogdani empatou para os albaneses. Os noventa minutos chegaram com o empate. Carlos Queiroz mandou Bruno Alves para a frente, para jogar a ponta-de-lança. Com resultado: o defesa do FC Porto fez o golo que mantém viva a esperança.

Os primeiros minutos da partida não foram bem jogados, sempre com ritmo baixo por culpa dasdiversas faltas cometidas pelos albaneses. A mais grave delas, aos 18 minutos, sobre Cristiano Ronaldo ficou sem a punição do árbitro. Seria grande penalidade. Respondeu depois a Albânia num lance de enorme perigo para a baliza de Eduardo mas bem resolvido por Pepe em cima da linha. Veio o golo de Portugal, logo após, numa incursão de Bosingwa no ataque finalizada por Hugo Almeida. O mais difícil estava feito. Não fosse aparecer, apenas um minuto volvido, Bogdani a elevar-se a Duda e cabecear para dentro da baliza portuguesa. Até intervalo, o jogo não foi bonito mas, mesmo assim, Raul Meireles ainda dispôs de uma oportunidade de marcar.

CRISE DE GOLOS NÃO AFECTA A DEFESA

Para a segunda metade, Carlos Queiroz tinha que mudar com o objectivo de lançar Portugal para a vitória. Decidiu retirar Boa Morte, um verdadeiro corpo estranho, e lançar Simão Sabrosa. A equipa melhorou um pouco, é certo, mas continuava sem criar perigo iminente para a baliza de Hidi. Aliás, foi mesmo a Albânia a ter um lance de grande frisson para a defensiva portuguesa após um erro clamoroso de Ricardo Carvalho. Também aqui ficou uma grande penalidade por assinalar, há que dizê-lo. Entrado nos últimos vinte minutos da partida, e sem encontrar soluções, Queiroz voltou a mexer trocando Hugo Almeida por Edinho. Uma alteração de zero risco.

A toada da partida não mudou. O colectivo não funcionava, os jogadores procuravam cada vez mais as jogadas individuais que, porém, também não davam o resultado desejado. Entrou, por fim, Nani para mudar o sistema para 4x4x2 jogando Ronaldo e Edinho na frente de ataque. Contudo, não havia forma de marcar. O empate era uma realidade, a presença no Mundial 2010 cada vez mais uma miragem. Findos os noventa minutos, Floryan Meyer deu mais cinco de desconto. Foi já dentro desse período que Bruno Alves marcou um golaço de cabeça que deixa Portugal com esperança de rumar à África do Sul. Apesar do panorama ser ainda bem complicado.

sábado, 28 de março de 2009

Selecção: Que venha a calculadora!

Foram ene remates mas zero golos. Não há forma de Portugal conseguir colocar a bola dentro da baliza. Num jogo fundamental para o apuramento para o Mundial 2010, já por si complicado, a Selecção voltou a vacilar. Jogou bem, teve momentos muito bons em termos colectivos e fartou-se de rematar. Não marcou, porém. Obteve um nulo com a Suécia, no Dragão. Agora há que acreditar.

Sabia-se, à partida, que o embate com a Suécia não seria nada fácil para Portugal. Contudo, este era o momento ideal para que a Selecção Nacional desse a volta às adversidades e ficasse mais próximo do apuramento para o Mundial da África do Sul. Na antevisão, Carlos Queiroz tinha pedido alegria e um jogo tipicamente português para o conseguir. Eduardo estreou-se na baliza, Duda foi o lateral esquerdo, Pepe subiu para trinco e a frente de ataque foi composta por Danny, Ronaldo e Simão. Além disso, Queiroz apostou em Tiago para o lugar de Deco, que ficou no banco por não estar na totalidade das suas capacidades devido a uma paragem prolongada. Contudo, sentiu-se a falta do médio do Chelsea e, sobretudo, da sua magia. Do outro lado, Lars Lagerback não pode contar com Ibrahimovic o que por si só já representa uma vantagem para o adversário.

A uma melhor entrada da Suécia respondeu Portugal com a primeira grande chance de golo, aos quinze minutos, num remate de Pepe que passou perto do poste. Esta foi, talvez, a pedra de toque para que a equipa nacional conseguisse assentar o seu jogo. Três minutos volvidos, nova chance: Cristiano Ronaldo, isolado por Tiago, tentou o chapéu a Isaksson mas a bola saiu ao lado. Veio depois um remate de Duda ao poste. Portugal dispunha de mais oportunidades, estava melhor e já seria justo se estivesse em vantagem. A isso responderam os suecos, num remate de cabeça de Elmander que passou por cima da baliza de Eduardo. Ainda antes do intervalo, Simão, depois de uma jogada colectiva genial, dispôs da melhor ocasião de golo mas a bola, teimosa, saiu para fora. Entretanto surgiu mais uma contrariedade para Carlos Queiroz com a saída, por lesão, de Bosingwa que estava a ser um elemento fulcral no jogo ofensivo devido ao entendimento com Ronaldo. Ricardo Carvalho foi a solução encontrada, com a entrada de Rolando para o centro da defesa.

TENTAR DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS

Na segunda parte era preciso marcar golos. A exibição estava a ser boa, havia oportunidades mas faltava marcar. Por essa razão, Portugal voltou a entrar no Dragão com uma enorme determinação e vontade de ganhar. Contudo, foram os suecos a criar mais perigo, num cabeceamento de Larsson após uma saída atabalhoada de Eduardo. Respondeu, depois, Danny com um remate à malha lateral. O jogo estava mais dividido e mais aberto. Voltou a estar perto do golo a Suécia mas Eduardo foi melhor e conseguiu parar o remate de Elmander. Os remates de Portugal sucediam-se quer fosse de longa distância ou de bola parada. Mas era mais do mesmo. Carlos Queiroz decidiu, então, fazer entrar Deco para o lugar de Tiago, para abrir mais espaços, aos 62 minutos.

Foi com o mágico em campo que a equipa lusa cresceu: aos 72 minutos, protagonizou um bom lance e obrigou Isaksson a uma defesa apertada; pouco tempo depois, voltou a tentar a sua sorte, sem sucesso. Como sempre. O tempo começava a apertar e a esperança em ver Portugal marcar já não era a mesma. A seis minutos do final, Cristiano Ronaldo, em plena pequena área, teve uma oportunidade soberana para o fazer mas cabeceou por cima. Foi o último lance de verdadeiro perigo. Agora, resta acreditar porque a qualificação está muito, muito complicada.