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domingo, 12 de dezembro de 2010

Sporting: A falta de um desígnio

O Sporting habituara-se a lutar. Poderia não possuir as mesmas armas, ter os trunfos limitados, estar condicionado no seu jogo, sim, mas batalhou, porfiou e teve sucesso. Não conquistou o campeonato. Foi, contudo, sempre segundo atrás do FC Porto nos quatro anos do comando de Paulo Bento, garantiu presenças na Liga dos Campeões, apostou forte nas taças internas e preencheu, apesar do vazio de um campeonato nacional que escapa desde o início do novo milénio, o currículo. No ano passado, surpreendido e incapaz, vergou. Sentiu as dificuldades mais forte do que nunca, viveu períodos conturbados a nível interno, mudando de dirigentes e de treinador, não conseguiu nenhuma conquista e assinou uma das páginas mais negras, confrangedoras e vazias da sua história. Tentou reagir. Alterou a linhagem, fez novas apostas, renovou ambições e quis esquecer o passado. Até o seu estatuto de grande ficara em causa.

A verdade, contudo, é que este Sporting, o actual, chega a Dezembro numa posição delicada. De novo. Repetem-se as manifestações de desagrado, repetem-se as oscilações inquietantes entre extremos, repetem-se os erros e repete-se o discurso, ineficaz, que pretende transmitir uma mensagem de trabalho, de garra e que, um dia, vai ter resultados. É uma espiral. Os adeptos desanimam, desconfiam e desligam. Há jogos em que o Sporting se mostra audaz, forte, consistente e revela condições para se assumir, de novo, no seu lugar. A primeira parte da partida com o FC Porto, por exemplo, foi aquilo que o Sporting melhor fez nesta temporada: agressivo, concentrado, altivo, astuto e expedito. Poderia ter funcionado como mote para um futuro mais risonho. O leão não conseguiu. Voltou ao estado inicial: abatido, impotente, frustrado.

Em Dezembro, à décima terceira jornada, o Sporting tem o campeonato perdido. Pode o leitor argumentar que faltam dezassete jogos, cada um deles vale três pontos e há, ao todo, cinquenta e um para disputar. A realidade, contudo, mostra que o leão está mais frágil, mais carente, mais em risco do que o FC Porto - sólido, robusto e invicto. Há, para além das dificuldades vividas no campeonato, o principal objectivo, a eliminação da Taça de Portugal. O Sporting caiu ontem, em Setúbal, frente ao Vitória. Foi surpreendido pela astúcia sadina, equipa extremamente eficaz, não conseguiu soltar-se, revelou-se demasiado amorfo, sem inspiração para afastar a apatia, não teve alma e caiu. Está triste. Caiu, quis levantar-se e não o conseguiu. Queixa-se de si próprio, dos seus medos, do temor que revela em assumir a bola, levantar a cabeça e caminhar rumo a um horizonte. Ao Sporting falta, leitor, um sonho. E, depois, correr para o alcançar.

Tudo vale a pena se a alma não é pequena. É uma mensagem intemporal, que se repete e que define o estado actual do Sporting. Escrevi-o na análise do jogo com o FC Porto, o clássico, em que o leão se mostrou ao nível daquilo que lhe é exigido. O clube - clube, sim, é de propósito! - precisa de um rumo, uma orientação, um horizonte. Precisa de abrir a mente, lutar, querer conquistar e mostrar capacidade empreendedora. Neste momento, leitor, creio que não haja um desígnio. Há a vontade de limpar o passado, esquecer e voltar a ser grande no verdadeiro sentido da palavra. Mas como? Sem sonho, sem metas, sem objectivos? Impossível.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Paulo Sérgio: boa opção?

É oficial: Paulo Sérgio será o novo treinador do Sporting.

Após ter sido confirmada a saída de Carlos Carvalhal e o volte-face no negócio com André Villas Boas, ambos devidamente comunicados à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, o primeiro pensamento foi no sentido de que José Eduardo Bettencourt e Costinha, responsáveis pelo dossier treinador, apostariam num técnico credenciado, com larga experiência e com capacidades inegáveis para levar o Sporting ao sucesso na próxima época. Depois de surgirem como principais referências vários treinadores estrangeiros, com especial destaque para o mercado francês, com Paul Le Guen ou Jean Tigana, os dirigentes leoninos voltaram-se para o mercado nacional. É precisamente onde surge o nome de Paulo Sérgio. Treinador jovem, ambicioso e com personalidade bem vincada para mudar o rumo do Sporting. Está encontrado o sucessor de Carlos Carvalhal à frente dos leões.

A carreira de Paulo Sérgio enquanto treinador começou nesta década. Na temporada 2003/04, o então jogador Paulo Sérgio encerrou esse capítulo da sua vida e assumiu, sempre no Olhanense, o comando técnico. Despontou ao conseguir a promoção dos algarvios à Liga Vitalis. Depois disso, em 2006, rumou ao Santa Clara. Foi nesse período em que comandou a equipa açoriana, lutando pela promoção ao principal escalão do futebol português, que o treinador deu nas vistas e motivou a cobiça de clubes primodivisionários, tendo rumado, entretanto, ao Beira-Mar. No final da época 2008/09, entrou no Paços de Ferreira e deu, então, o tão esperado salto para o principal campeonato nacional. Subiu a pulso, paulatinamente, queimando etapas na sua formação. A saída de Nelo Vingada, em Outubro, abriu-lhe as portas do Vitória de Guimarães. Foi mais um passo importante em termos pessoais.

O ponto alto da carreira de Paulo Sérgio terá sido a final da Taça de Portugal, alcançada ao serviço do Paços de Ferreira em 2009. No entanto, apesar de ser um técnico com méritos reconhecidos, não se pode dizer que, actualmente, Paulo Sérgio seja um treinador de topo. Tem qualidades, indiscutivelmente. Contudo, só o tempo dirá se suficientes para recompor uma equipa destroçada por época de verdadeiro pesadelo, das piores em vários anos, terminando sem nada de palpável conquistado. Não sendo consensual no universo sportinguista, tal como Carlos Carvalhal não foi no início mas aos poucos conseguiu ganhar empatia com o público de Alvalade, Paulo Sérgio terá um teste verdadeiramente exigente para provar que tem valor para recuperar o Sporting e recolocá-lo no caminho dos títulos. Com rigor, disciplina, ambição, humildade e optimismo. Tal como é enquanto treinador.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O triângulo Villas Boas, Sporting e FC Porto

O Sporting anunciou que André Villas Boas não será o seu treinador para a próxima temporada. Foi isso que os leões comunicaram, ontem, à Comissão de Mercado de Valores Imobiliários, rompendo assim o pré-acordo com o actual treinador da Académica. Os últimos tempos, atingindo o ponto culminante quando Villas Boas definiu violentamente as notícias que davam conta da (quase) ligação ao Sporting como sendo palhaçada, já tinham deixado bem patente de que poderia haver um volte-face e não ser o jovem treinador da Académica, de apenas trinta e dois anos, a substituir Carlos Carvalhal no comando da equipa leonina. Contudo, também o estado de graça inicial de André Villas Boas está mais esbatido e, apesar da melhoria registada quando entrou, o treinador ainda não conseguiu alcançar a manutenção pela Académica.

Para além da quebra de resultados que os estudantes sofreram, algo que não se pode dissociar da imagem de André Villas Boas, voltam a circular, tal como acontecera logo após o jogo no Dragão que marcou a estreia do ex-adjunto de José Mourinho como treinador principal, rumores de que poderá suceder a Jesualdo Ferreira no comando do FC Porto. Causa alguma estranheza, contudo, que um treinador inexperiente, apenas com alguns meses de carreira, embora tenha a seu favor o facto de ter estagiado com os melhores, casos de Mourinho e Bobby Robson, seja forte opção para dois grandes clubes nacionais que irão, com certeza, mudar de treinador no fim da época: o Sporting já oficializou o fim da ligação com Carlos Carvalhal, enquanto Pinto da Costa manteve o tabu sobre a continuidade de Jesualdo ao leme dos dragões.

É inquestionável: André Villas Boas poder-se-á tornar num treinador de topo mundial. Tem tudo para o fazer. Para já, porém, ainda não o é. Deu provas de conhecimentos, colocando a Académica a praticar um futebol positivo que levou a equipa a abandonar os lugares de descida, mas, aos poucos, os estudantes perderam algum do fulgor que haviam ganho com a troca de treinador, após a saída de Rogério Gonçalves. Por isso mesmo, Villas Boas parece estar ainda algo verde para ter completas capacidades para assumir o comando de uma equipa (quer FC Porto, quer Sporting) que necessita de apagar a má imagem deixada n
esta temporada e partir para um projecto sólido, estável e, sobretudo, vencedor. Será sempre arriscado. Poderá dar certo, é verdade que sim, mas também poderá revelar-se aposta precipitada.

sábado, 3 de abril de 2010

O diabo Yannick, o diabo Izmailov!

O Sporting perdera, na ronda anterior, frente ao Marítimo. Denotara, além da impotência para contrariar os golos insulares, uma imensa quebra causada pelas ausências de Miguel Veloso e João Moutinho. A equipa leonina voltou a um futebol enfadonho e apático, permitindo que o Vitória de Guimarães fizesse perigar o quarto lugar. A meio da semana, antes da recepção ao Rio Ave, foi oficializada a saída de Carlos Carvalhal. O treinador está de malas aviadas, há muito se sabia, faltava, todavia, assumi-lo pelo clube. Não foi, porém, o momento ideal para confirmar o fim da ligação com Carvalhal. Ainda com seis jogos importantes para disputar, o plantel poderia ser abalado, juntando a isso o retrocesso exibicional demonstrado na Madeira e o conlito com Marat Izmailov. O Sporting jogou bem, contudo. E venceu com tranquilidade, chegando mesmo a uma goleada há muito não vista. Na noite de Yannick, só faltou Izmailov para a redenção total.

Yannick Djaló ganhou, com a mudança táctica operada por Carlos Carvalhal, uma tremenda importância na equipa do Sporting. Foi a supresa do treinador ante o Everton, quando experimentou dois pivôs defensivos e um tridente de apoio a Liedson, e deu boa conta de si. Foi um verdadeiro diabo à solta, fez estragos na defesa inglesa, revelando-se um desiquilibrador que há muito o Sporting necessitava. Prolongou esse estado de graça com o FC Porto, deu imensas dores de cabeça aos portistas e foi o autor do segundo golo dos leões. Ante o Rio Ave, Yannick terá feito o melhor jogo da sua carreira: exibição cheia de confiança, destroçando a defensiva vila-condense, um hat-trick saboroso, coroado e finalizado com um sensacional pontapé acrobático. Liedson e João Moutinho também contribuíram para a goleada. Plenamente merecida perante tamanho domínio, mesmo sem ser sufocante, sob um Rio Ave desaparecido.

Foram cinco os golos marcados ao Rio Ave, são cinco os pontos de vantagem que salvaguardam o quarto lugar e são cinco as jornadas que faltam disputar até final do campeonato. E outro cinco: anos que o Sporting não ganhava por tal margem de diferença, curiosamente desde que, em Fevereiro de 2005, bateu o... Rio Ave. Esta foi também a segunda derrota consecutiva dos vila-condenses em que Carlos acabou batido por cinco vezes: na ronda anterior, ante o Olhanense, o Rio Ave foi surpreendido com um estrondoso 1-5!, perdendo a oportunidade de alcançar a manutenção. No Sporting, quarto lugar, objectivo estabelecido após a eliminação da Taça de Portugal, está bem encaminhado - acresce ainda que o V. Guimarães já fora derrotado em Braga. É pouco para o Sporting, é verdade, até pelos segundos lugares consecutivos que os leões têm somado, mas é o que de melhor se pode retirar desta temporada.

Marat Izmailov tem vivido uma situação delicada com a administração do Sporting. O russo mostrou indisponibilidade para jogar frente ao Atlético de Madrid, uma partida fulcral para a época leonina, e, sem autorização, viajou para Moscovo. A partir daí, ficou na mira de Costinha. Contudo, o jogador retratou-se, foi reinserido no plantel e fez parte dos convocados para o jogo com o Rio Ave. Numa noite perfeita para os sportinguistas, já quando o Sporting contava com quatro golos marcados e dominava o jogo de acordo com as suas pretensões, Carlos Carvalhal trocou Hélder Postiga (o avançado aproveitou bem a oportunidade concedida) por Izmailov. O russo foi recebido com assobios, ouvindo-se ainda alguns tímidos aplausos. Esteve somente dez minutos em campo: sem necessidade, entrou de pés juntos sobre Chidi. Pedro Proença, bem, mostrou-lhe o cartão vermelho que o faz ficar fora do derby. Que inferno é esse?...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Passado e futuro do Sporting por entre tiros nos pés

Carlos Carvalhal não será o treinador do Sporting na nova época. Não é propriamente uma novidade mas agora é oficial. Trata-se do enésimo tiro no próprio pé dado por este Sporting. Há muito se sabia que Carvalhal era um treinador a prazo, com um contrato curto e com validade bem fixa, percebendo-se que muito dificilmente estaria à frente da equipa para além do período para o qual foi contratado. A fase de maior fulgor, em que o Sporting readquiriu parte da sua alma e deixou de ser o elo mais fraco, conseguindo explanar o seu futebol e reconciliando-se com os adeptos tem dedo de Carlos Carvalhal. Por isso o treinador disse esperar ser recompensado pelo trabalho abnegado que desenvolve desde o primeiro dia em Alvalade. Poderia ter funcionado para lhe ser dado algum crédito. Mas a decisão há muito estava tomada.

Depois de uma recuperação com sete jogos seguidos a ganhar e antes do melhor ciclo da época, o Sporting perdeu as possibilidades de lutar por qualquer prova interna. Oscilou entre o bom e o mau. Foi fatal e o destino de Carvalhal ficou marcado logo aí. A equipa teve capacidade para reaparecer mas já nada tinha para vencer. Não se pretende com isto dizer que o treinador devesse continuar. Só o tempo será capaz de mostrar se a mudança favoreceu ou não o clube leonino. No entanto, não faz qualquer sentido que num dia a saída de Carvalhal seja desmentida categoricamente pelo presidente, José Eduardo Bettencourt, e quatro dias depois seja oficializada. É paradoxal. Há, para além disso, uma questão fundamental: que motivação encontrará Carlos Carvalhal para cumprir o seu contrato até final?

O Sporting tem seis jogos para disputar até encerrar definitivamente a temporada de 2009-10. São, no entanto, seis partidas importantíssimas para salvaguardar o quarto lugar - o objectivo que José Eduardo Bettencourt, a certa altura, estabeleceu como prioritário -, pressionado pelo Vitória de Guimarães que está apenas a dois pontos. Ver-se ultrapassado nesta recta final, caindo para um negro quinto lugar, será o pior que poderá acontecer a qualquer sportinguista. Culminará uma época de verdadeiro pesadelo. Para Carlos Carvalhal será uma contagem descrecente até ficar desempregado. Aconteça o que acontecer, ganhe ou perca, jogando bem ou não, o treinador já tem o seu destino traçado. E, mais importante do que isso, anunciado publicamente. Não terá, portanto, qualquer motivação. Não é um tiro no próprio pé?

Carlos Carvalhal não pareceu em momento algum um treinador seguro. Procurou implementar as suas ideias, fez por agarrar a oportunidade que o Sporting lhe dera, mas nunca se livrou do estatuto de ser apenas uma ponte entre o passado e o futuro. Foi isso, então, que aconteceu: o treinador entrou num período conturbado, conseguiu juntar algumas peças, ressuscitou a equipa mas, olhando somente aos números, aumentou as distâncias para o topo e foi eliminado das provas em que o clube estava inserido. É herói num sentido, vilão noutro. Ao Sporting interessa ssquecer o que de mau foi feito nesta época e preparar os alicerces para um futuro mais risonho. Carvalhal está fora do próximo projecto de Bettencourt e Costinha porque nunca foi verdadeiramente pensado para liderar os leões. O Sporting quer mudar. É legítimo.

Só um volte-face totalmente imprevisto irá impedir André Villas Boas de ser o treinador do Sporting em 2010-2011. É um namoro antigo de José Eduardo Bettencourt e, antes de Carvalhal ser anunciado - mais uma prova de como foi uma solução momentânea -, o jovem treinador da Académica esteve perto de rumar a Alvalade. Não se concretizou na altura, será agora. Villas Boas fez escola com Mourinho, do Porto a Milão, tal como já recolhera conhecimentos de Bobby Robson. Já mostrou ter qualidades e essas experiências jogam a seu favor. Foi o suficiente para a aposta de Bettencourt. Por outro lado, porém, André Villas Boas começou a sua carreira de treinador principal há pouquíssimos meses, além de que ainda não alcançou a manutenção na Académica. Será sempre uma aposta de risco de quem quer uma ruptura com o passado.

sábado, 27 de março de 2010

A época de metamorfoses do Sporting

A época do Sporting tem diferentes metamorfoses. É má, na globalidade, já que nesta fase nada resta que faça os leões sonharem com sucesso: precocemente esquecidos na luta pelo título, onde têm sido o principal concorrente do FC Porto nos últimos anos, caídos sem glória da Taça de Portugal e da Taça da Liga, aos pés dos maiores rivais, eliminados nos oitavos-de-final da Liga Europa. O mesmo é dizer, pois, que o Sporting terminará esta temporada sem nada de palpável. No entanto, apesar disso, houve períodos positivos e alguns em que a equipa atingiu até um nível de algum brilhantismo. Não é difiícil perceber que os leões revelaram demasiada irregularidade para uma equipa grande. Foram frágeis, sim, mas tiveram capacidade para sair da crise. Contudo, não fizeram o necessário para evitar recaídas. É também o preço por um mau planeamento, com pouca ambição e quase nenhum investimento.

O Sporting começou a temporada envolto num pesadelo. A chegada de Carlos Carvalhal teve efeitos motivacionais, fez com que os jogadores reagissem, deixassem a passividade que os havia invadido. Por essa altura, porém, já os leões estavam longe do título. Esperava-se, acima de tudo, uma melhoria no futebol apresentado, um requisito indispensável para atacar as provas que ainda poderiam ser conquistadas. Sete jogos sem perder foram um bálsamo para os sportinguistas. A equipa estava claramente numa fase ascendente. Viviam o melhor período. Em Braga, todavia, perderam definitivamente a esperança de sonhar com o campeonato. Entraram, de novo, numa depressão: seguiram-se sete jogos sem vencer, crença de vencer alguma coisa internamente caídas como um baralho de cartas. Nesse período negro, ainda mais do que no início, o futuro parecia não trazer nada de bom.

Foi no pior período da temporada leonina que o Sporting reagiu verdadeiramente. Venceu o Everton, seguindo em frente na Liga Europa, tirou ao FC Porto a esperança de sonhar com o pentacampeonato. Duas vitórias por três-zero, inteiramente justas. É irónico, é paradoxal, é estranhíssimo. É futebol, acima de tudo. Onde andava aquela equipa? A pergunta foi repetida vezes sem conta. Era a emancipação sportinguista, o momento encontrado para dizer basta. Seguiu-se ainda mais uma vitória frente ao Belenenses, um empate ante o Atlético, jogando uma hora em Madrid com dez jogadores, e um regresso aos triunfos com o Vitória de Guimarães, suportada em vinte minutos infernais, com uma força atacante capaz de impressionar, uma raiva contida que se transformara numa enorme alegria em jogar e mostrar algo positivo. O regresso à dura realidade foi trazida pelo Atlético de Madrid.

Embora não tenha perdido nenhum dos jogos com os colchoneros, o Sporting, pelo facto de ter sofrido dois golos em casa que constrastam com o nulo da primeira mão, foi eliminado da Liga Europa. Terminou a época, ficou sem mais o que disputar, mesmo com a sensação de que poderia ter ido mais além na segunda competição internacional e entregou-se a um campeonato há muito perdido. A melhor fase da época, no seguimento de um ciclo absolutamente nefasto, foi abalada. A tremenda melhoria no futebol apresentado, agora com consistência, agressividade e lucidez, fora insuficiente para um brilharete internacional. Ontem, jogando para o campeonato, os leões tiveram um retrocesso. Perderam na Madeira, ante o Marítimo, por 3-2. O resultado é, contudo, algo lisonjeiro perante a superioridade manifestada. O Sporting voltou a ser a equipa do passado. Só ontem ou para o futuro?

A questão fica, para já, sem resposta. A derrota e má exibição ante os maritimistas poderá ter sido somente um reflexo da falta de soluções que o plantel tem. Carlos Carvalhal foi obrigado a improvisar, por não contar com jogadores fundamentais como João Moutinho, Miguel Veloso e... Izmailov e isso, obviamente, foi decisivo. Uma das explicações poderá residir aí. Ou, por outro lado, poderá ser um segmento da época de metamorfoses: os leões alternam o bom com o mau num curto espaço de tempo, são intermitentes e não existem projecções que resultem a longo prazo. O tempo encarregar-se-á de confirmar se foi uma excepção ou a imposição de uma nova regra. Para além do défice qualitativo existente, sendo que Pedro Mendes, sobretudo, e João Pereira conseguiram dar maior dinâmica ao plantel, existem problemas internos que abalam o grupo de trabalho.

O caso Sá Pinto/Liedson antecedeu a série de sete jogos sem vencer. A entrada de Costinha coincidiu com o melhor momento do Sporting nesta temporada. O conflito entre Izmailov e o Sporting, resultando na exclusão de um jogador com importância elevada na retoma da equipa e consolidação da filosofia de Carlos Carvalhal, embora o russo tenha sido convocado para o jogo com o Marítimo (viu o jogo da bancada), poderá ter sido mais um golpe numa estrutura que pretendia deixar de vez os fantasmas do passado. Coincidência ou não, o Sporting perdeu. Acresce ainda que, à medida que a época se aproxima do final, ganham maior relevo os rumores sobre a próxima temporada. Essencialmente sobre o treinador: Carvalhal não deverá continuar, muito dificilmente lhe será proposta a renovação, confirma-se que tem um prazo. Tudo isso se reflecte no relvado.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O complexo caso entre o Sporting e Izmailov

O que pensaria, leitor, se poucas horas antes de um jogo decisivo, sem que nada o fizesse prever, o treinador tenha riscado da convocatória um dos jogadores mais importantes da equipa? Lesão, por certo. Foi precisamente esse o pensamento dos adeptos sportinguistas, numa altura em que os leões estavam em contagem decrescente para uma partida fulcral, com a época em jogo, ante o Atlético de Madrid, Izmailov deixou de estar entre os disponíveis. Entendeu-se que poderia ter sido alguma lesão de última hora, seria verosímil, mas ficou alguma estranheza. No final do jogo, que os leões acabaram por empatar e deixar escapar o acesso aos quartos-de-final da Liga Europa, Carlos Carvalhal não confimou a indisponibilidade física de Izmailov e remeteu explicações para a estrutura directiva do clube. Algo se haveria passado. Não fora somente uma indesejada lesão.

Na sala de Imprensa do Sporting, após a promessa de Carvalhal, surgiu Costinha, homem-forte do futebol leonino, acompanhado pelo médico Gomes Pereira. O director-desportivo foi peremptório, não se escondeu e deixou bem claro que Izmailov não jogara por sua ordem. O russo não tinha, confirmou Gomes Pereira, qualquer lesão que o impedisse de participar na partida. A que se deveu, então, a forte tomada de posição de Costinha? Marat Izmailov, tantas vezes apontado como exemplo de jogador abnegado e uma imagem perfeita de quem coloca o colectivo acima de tudo o resto, teria afirmado que não dispunha de total disponibilidade física para dar o seu contributo à equipa. Não seria benéfico, dissera. Costinha entendeu essa vontade como uma recusa de jogar. Quis deixar bem patente que o Sporting exige grande sacrifício aos seus jogadores.

O caso é complexo. Após o jogo com o Atlético e a declaração feita perante os jornalistas, em que Costinha deixou patente que teria existido falta de empenho do médio russo e, por isso, ordenou que fosse banido da lista de convocados por Carlos Carvalhal - sendo certo que seria titular -, aumentou a instabilidade entre o Sporting e Izmailov. Costinha afirmou que o jogador não atendera o telefone e nem sabia, sequer, onde se encontrava. Não foi instaurado, contudo, qualquer processo disciplinar interno, algo que seria normal pelas circunstâncias. Também por aí se percebe que havia algo escondido, nem todos os contornos haviam sido tornados públicos, a história estava mal contada. O médio russo defendeu-se, afirmou que jogara sob o efeito de injecções. Gomes Pereira desmentiu novamente, assegurando que nunca o estado físico do jogador fora colocado em causa.

De acordo com os pormenores hoje revelados, no dia 18 de Março, depois de se ter mostrado indisponível para participar no embate com o Atlético de Madrid, Izmailov terá rumado a Moscovo. Maurício do Vale, responsável pela comunicação do clube leonino, já garantiu que o Sporting irá instaurar um processo ao internacional russo para apurar a veracidade dos factos. A viagem de Izmailov, caso se confirme, constitui uma grave infracção ao regulamento interno, já que o jogador ausentou-se sem a concordância do Sporting e, mais do que isso, garantira que estivera em reunião no consulado da Rússia - algo que se junta a uma entrevista dada pelo moscovita ao jornal Sport-Express. Apesar disso, está convocado para o jogo ante o Marítimo (hoje, na Madeira, às 20h15). Resta perceber quais as repercurssões para o grupo. Tal como o caso Sá Pinto/Liedson surge num momento de retoma.

terça-feira, 16 de março de 2010

Carlos Carvalhal: um treinador com prazo de validade

Olhando à frieza dos números, o trajecto de Carlos Carvalhal no Sporting não é totalmente positivo. No campeonato, uma tarefa já transformada em utopia, a distância para a liderança foi aumentada: após a saída de Paulo Bento e um jogo de transição realizado por Leonel Pontes, ante o Rio Ave, Carlos Carvalhal estreou-se frente ao Benfica, na décima primeira jornada, sendo a distância de treze pontos pontos, e, actualmente, finda a vigésima terceira ronda, os leões têm uma vintena de pontos em atraso para o primeiro lugar, antes do Sp.Braga e agora do Benfica. Para além disso, num mês de Fevereiro que se revelou verdadeiramente funesto para as aspirações leoninas, foi eliminado da Taça de Portugal, no Dragão, e da Taça da Liga, frente ao Benfica. Dois rivais, duas goleadas. A equipa entrou num período de sete jogos sem vencer.

Por outro lado, quando Carvalhal assumiu o comando da equipa, o Sporting havia sido deixado, devido ao empate em Vila do Conde, na oitava posição. Tinha catorze pontos em trinta possíveis. Hoje, treze jogos a mais, está em quarto, num lugar europeu, com trinta e oito pontos. Há, portanto, uma subida substancial. No entanto, para além do rigor dado pelos números, há o plano exibicional da equipa. Com Paulo Bento, excepção feita aos encontros com a Fiorentina, no play-off de acesso à Liga dos Campeões, primeiro objectivo falhado nesta época, nunca os leões se apresentaram em bom nível. Com Carvalhal viveram diferentes metamorfoses: após o período de adaptação do novo treinador somaram sete triunfos seguidos, terminando 2009 na mó de cima, quebrados por sete jogos sem vencer. Um ciclo onde tudo lhe fugiu por entre os dedos.

Com probabilidades reduzidas de ainda conseguir algo de positivo, o Sporting deu, contudo, uma prova cabal de força: eliminou o Everton, mantendo-se na Liga Europa, foi esse o jogo da mudança. A equipa entrou no seu melhor período, somou, para o campeonato, vitórias com o FC Porto, Belenenses e Vitória de Guimarães. Nos três com excelentes exibições colectivas, mostrando grande coesão, transmitindo alegria ao seu futebol e juntando uma grande eficácia que é notória em onze golos marcados e somente um sofrido. Frente ao Vitória mostrou uma força verdadeiramente impressionante, sufocante para o adversário, autêntica raça de leão. O Sporting renasceu das cinzas. Porém, para além do campeonato, tem apenas a disputa da Liga Europa. E um grande obstáculo, o Atlético, para ultrapassar na quinta-feira, após o nulo em Madrid.

O jogo com o Everton foi a 25 de Fevereiro. A partir daí nada foi igual. Os leões conseguiram estabilizar o seu futebol, apresentam grande disponibilidade, assumiram que, afinal, há qualidade no plantel: Pedro Mendes veio dar a consistência que faltava, Saleiro tem sido um parceiro à altura para Liedson, Yannick um diabo à solta nas defensivas contrárias e Rui Patrício reaquiriu confiança. Carlos Carvalhal tem grande mérito nesta subida de rendimento da equipa. É incontornável que se reconheça trabalho do treinador, enfim com a sua filosofia implementada, conseguindo ter boas apostas que se revelam importantes no decorrer dos jogos. Carvalhal teve ainda o mérito de devolver o apoio dos adeptos à equipa e esse era, indiscutivelmente, um dos objectivos a que se tinha proposto. Por isso puxou dos galões e disse esperar uma recompensa.

Quando as portas do Sporting se abriram, mesmo não sendo primeira escolha para o cargo de treinador principal, Carlos Carvalhal teve uma oportunidade de ouro. Estava no desemprego, recebeu o chamamento de um grande, o expoente máximo de qualquer técnico nacional, era irrecusável. Agarrou-se com unhas e dentes, fazendo o melhor que pode. Começou por ter dificuldades, mas conseguiu, cim espaço, fazer com que o seu trabalho produza frutos. Com ele, no plano exibicional, o Sporting melhorou a olhos vistos. Mas mantém-se um treinador com prazo de validade limitado: a 31 de Maio de 2010, quando terminar a época desportiva, findará o seu contrato com o Sporting. Os dirigentes leoninos já terão feito a sua escolha, independentemente dos resultados, com um novo projecto. Correcta? Precipitada? Só o futuro poderá responder.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ministro do Sporting

José Eduardo Bettencourt tem tomado, enquanto presidente do Sporting, medidas surpreendentes. Assim que se viu privado de Paulo Bento e Pedro Barbosa, treinador e director-desportivo, dois elementos que pretendia que permanecessem no clube e na estrutura do futebol profissional, escolheu Carlos Carvalhal e Ricardo Sá Pinto, respectivamente, para ocupar as vagas deixadas. Surpreendeu: sobretudo com Carvalhal, um nome pouco consensual entre os adeptos e esquecido num rol de vários candidatos que foram surgindo, mas também na colocação de Sá Pinto, por um lado um ídolo leonino e, por outro, um ex-jogador marcado pelo seu forte temperamento, na liderança da equipa principal do Sporting. O risco das decisões aumentou em virtude do momento desastroso que se vivia em Alvalade.

Se Carlos Carvalhal se mantém à frente da equipa, com altos e baixos, com sete vitórias consecutivas que contrastam com uma série de sete jogos sem ganhar, onde se perdeu a possibilidade de o Sporting discutir o campeonato, a Taça de Portugal e a Taça da Liga, interrompida ontem, sensacionalmente, por uma vitória clara e categórica sobre o Everton, Sá Pinto, em Dezembro, demitiu-se do seu cargo - após uma troca de agressões com Liedson, exemplificando na perfeição a elevada emotividade que continua a demonstrar. Após a promoção, ainda que interinamente, de Miguel Salema Garção a director para o futebol do Sporting, Bettencourt anunciou ontem, poucas horas antes do jogo com os toffees, a contratação de Costinha, o Ministro, para assumir essa pasta fundamental.

Mais uma vez, o presidente do Sporting surpreendeu com o nome escolhido. Não se pretende com isto dizer que Costinha será uma má aposta, a essa questão só o tempo poderá responder. No entanto, tal como acontecera com Sá Pinto, falta experiência de dirigente ao agora director-desportivo dos leões. O melhor exemplo disso é que o ex-jogador apenas rescindiu o seu contrato com a Atalanta, onde estava desde 2007 mesmo somente tendo realizado um jogo oficial pelos italianos, na última terça-feira. A passagem dos relvados para os gabinetes foi, portanto, supersónica. Assumidamente sportinguista, conhecedor do futebol, sóbrio e pouco extravagante, concentrado ao máximo no seu trabalho, Costinha foi um futebolista de classe. O futuro dirá se poderá ser um dirigente do mesmo nível. O Sporting bem precisa.

PS: No dia seguinte à entrada de Costinha na estrutura leonina, o Sporting confirmou a permanência de Marat Izmailov em Alvalade. É, obviamente, uma notícia importante para os adeptos sportinguistas, pois o russo tem sido, desde que recuperou da lesão que o afectou quase toda a primeira metade da temporada, um jogador preponderante. Contudo, nesta altura da época, além da Liga Europa, nada mais resta ao Sporting e, em termos financeiros, perde-se uma oportunidade para compor os cofres leoninos. Daí que a permanência de Izmailov deva ser encarada como definitiva, isto é, com vista para a nova temporada e não apenas um adiamento até ao Verão. A partir de agora, o Ministro tem a palavra.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Uma equipa sem força para fazer melhor

O Sporting actual é, no máximo, um leãozinho. Uma equipa desmotivada, sem chama, sem força para travar um destino fatal. Se sete vitórias consecutivas foram um bálsamo para os sportinguistas, uma espécie de atenuante da má campanha feita até então e abriu boas prespectivas futuras, os sete jogos sem ganhar que se seguiram são a confirmação de todas as lacunas que a entrega e a abnegação dos jogadores não é capaz de esconder. Nem poderia, aliás. Para além da evidente má preparação e construção de um plantel que fosse capaz de lutar pela conquista das provas em que se inseriu, excepção feita à Liga Europa, não há motivação para fazer melhor. O Sporting já perdeu quase tudo o que podia conquistar.

Ainda não é um dado consumado que a época leonina terminará sem títulos, pois falta ao Sporting a segunda partida da eliminatória europeia com o Everton. Está em desvantagem, ninguém sabe o que ditará o segundo jogo. Há, por isso, uma possibilidade de sucesso, mas, convenhamos, que será verdadeiramente utópico que uma equipa que tantas debilidades tem mostrado internamente consiga um feito extraordinário numa competição internacional. Além do mais, após o jogo em Goodison Park, está em desvantagem na eliminatória, por ter perdido por 2-1, um resultado que está longe de ser impeditivo da passagem. Quinta-feira, quando o jogo com os ingleses estiver realizado, saber-se-á se o Sporting consegue prolongar a sua presença.

Nunca nesta temporada apareceu uma equipa leonina capaz de fazer temer o adversário. As melhores prestações terão sido alcançadas ainda na fase inicial, com Paulo Bento ao comando, quando o Sporting defrontou, no playoff de acesso à Liga dos Campeões, a Fiorentina. Conseguiu dois jogos bem positivos, criou oportunidades para ter seguido para a fase de grupos da Champions, mas falhou. Foi infeliz, os italianos frios e matreiros para resolverem a eliminatória no momento-chave. Merecendo ou não. Seguiu-se, contudo, uma período instável, intranquilo, negro. Com Carlos Carvalhal, não atingindo níveis brilhantes, a qualidade de jogo melhorou. As tais sete vitórias permitiram que aumentasse a esperança de um lugar no pódio nacional.

Após a derrota de Braga, onde a equipa leonina se exibiu num bom plano, o Sporting tem caído a pique. Num curto espaço temporal perdeu as três competições internas, ficou com a passagem aos oitavos da Liga Europa como prioritária. No campeonato, porém, depois do Sp.Braga, perdeu com a Académica, em Alvalade, empatou em Paços de Ferreira e, agora, em Olhão. Dois nulos, dois jogos pobres, exemplos práticos da pouca qualidade do plantel. Carlos Carvalhal ressalva a atitude da equipa. É pouco. A alegria e serenidade que haviam sido recuperadas, estão, de novo, transformadas numa brutal sensação de impotência. Carvalhal é, cada vez mais, um treinador a prazo. Resta-lhe confirmar o quarto lugar. É estranho. Mas é esse o objectivo imediato do Sporting.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Sporting de 2009-10 ou uma equipa sem sossego

O futebol é um jogo ingrato. Pode criar um herói e desfazê-lo logo a seguir. É um jogo de sorte, também: não há nenhuma equipa que consiga chegar ao sucesso sem uma pontinha de felicidade. Contudo, se há quem tenha uma permanente estrelinha que anula qualquer deslize, a outras tudo corre mal. O Sporting vive um dos mais complicados períodos do seu percurso, exemplifica na perfeição como o erro e o azar estão de braço dado. Nenhum problema nasce do nada, todos têm a sua origem. O do Sporting vem da pré-época: pouco investimento, reduzida actividade no mercado e até ambições reduzidas para um grande que se compromete a vencer as provas internas e a ser bem sucedido na Europa, enfim, nada que esteja de acordo com a condições que os leões têm. Depois, tudo se desenrolou partindo daí.

Os resultados dos jogos de pré-temporada, com apenas uma vitória frente ao modesto Atlético do Cacém, foram um mau prenúncio. Completamente confirmado. A equipa nunca se encontrou verdadeiramente, somou tropeções no campeonato que os rivais directos aproveitaram para se fixarem no topo, viu-se afastada de forma inglória da presença na fase de grupos da Liga dos Campeões. Sem ter meios para melhorar, com uma equipa apática e sem reacção perante os problemas, precisando urgentemente de um choque que a tornasse reactiva, o espaço de Paulo Bento reduziu-se. Não que fosse o maior responsável, mas o ciclo expirara. A saída de Bento foi apenas o princípio da ruptura: com o treinador demitiram-se também os dirigentes responsáveis pelo futebol leonino, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles.

Carlos Carvalhal foi o escolhido por José Eduardo Bettencourt. Ao novo treinador já nenhum adepto pedia o título, apenas que alcançasse uma prestação honrosa para o Sporting e conseguisse sucesso nas outras provas - vitória, pelo menos, numa taça interna e confirmação da presença nos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa. Quer isto dizer que a principal função do novo treinador estava, portanto, em recuperar animicamente a equipa, melhorar os índices de rendimento e, claro, obter vitórias. O Sporting é, afinal, um clube com grande historial no futebol português. Os adeptos fizeram tréguas na contestação, os jogadores readquiriram a tranquilidade necessária para trabalhar. Mesmo estando longe de ser unânime, Carvalhal fora o escolhido de Bettencourt e, por isso, deveria ser-lhe dado crédito.

Ao comando de Carvalhal, o Sporting conseguiu um futebol bem mais dinâmico, consistente, ligando melhor os sectores, deixando de ser uma equipa tão receosa. Sete vitórias consecutivas, terminar 2009 a vencer e um registo imaculado de quatro jogos em 2010, foi um bálsamo para os adeptos. Aliado à melhoria exibicional, vieram os resultados. Para uma equipa que tão mal se encontrava, é significativo. Não se pretende dizer, contudo, que os leões passaram do oito ao oitenta. Nada disso, ainda muito havia para melhorar, seria esse o percurso até ao fim da época que Carlos Carvalhal teria de conseguir. Foi assim até há duas semanas. De lá para cá, o Sporting averbou quatro derrotas (Braga, FC Porto, Académica e Benfica). Perdeu tudo: adeus definitivo ao campeonato, exclusão da Taça de Portugal e da Taça da Liga.

Não há quem resista a tão negro ciclo. Se a conquista do título de campeão nacional era já uma utopia, o Sporting poderia ter compensado esse fracasso com alguma das provas internas. Não o conseguiu, terminando, em ambas, vergado aos rivais de sempre: 5-2 no Dragão, 1-4 ante o Benfica. Num momento tão complicado, é imperativo que os líderes se destaquem. O líder da equipa e o líder do clube: Carlos Carvalhal e José Eduardo Bettencourt, portanto. Nem um nem outro, porém, o fizeram da melhor forma. Carvalhal, no final da partida com o Benfica, a quente, afirmou que começava a fartar-se de "Barbas, Gordos e Shreks que semanalmente colocam em causa o meu profissionalismo." É verdade que está longe de ser o responsável pelo estado do Sporting, mas são declarações inoportunas e nada benéficas ao clube.

É evidente, nesta altura, que o Sporting não possui uma estrutura forte que seja capaz de lidar da melhor forma com os (muitos) obstáculos que vão surgindo. Poderá ser mera coincidência, mas fica a ideia de que o desentendimento entre Sá Pinto e Liedson foi mais um factor que levou à perda do rumo que a equipa encontrara. Essa ruptura causada pelo então director-desportivo foi um abalo que afectou também Bettencourt, deixando-o novamente desapoiado na liderança. Onde já tem dado provas de ser mais emocional do que racional, agindo mais com o coração de adepto do que com a frieza de quem comanda. Numa fase tão complicada, como se explica que tenha recordado Paulo Bento?: "Se cá estivesse, faríamos uma boa dupla, porque seríamos os dois a dar o corpo às balas". Disse-o hoje. Incompreensivelmente.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Regresso ao negro passado leonino

Fez ontem precisamente uma semana desde que o Sporting perdeu com o Sp.Braga. O mesmo é dizer, portanto, que ficou a quinze pontos do primeiro lugar e, convenhamos, confirmou o adeus ao título. Há muito anunciado, aliás. Na última terça-feira jogou a continuidade na Taça de Portugal, procurando ultrapassar um FC Porto que se tem pautado por alguma intermitência, no Dragão, tentando remediar o insucesso no campeonato com o sucesso numa prova interna com prestígio. O resultado, já se sabe, foi uma humilhante derrota, por 5-2. Outro objectivo derretido. Hoje defrontou a Académica, para o campeonato. O título está perdido, sim, mas o Sporting é o Sporting, necessita de ganhar para conseguir uma posição que se coadune com a condição da equipa. Não há duas sem três: nova derrota.

A época do Sporting é estranha. Começou, como o leitor bem sabe, mal. A margem de manobra de Paulo Bento foi-se reduzindo, o treinador ficou numa situação demasiado sufocante, sem soluções e só lhe restava sair. Foi o que fez após o empate caseiro ante o Ventspils, em jogo da Liga Europa. A equipa precisava de um abanão que a tornasse mais competitiva, reactiva. A chegada de Carlos Carvalhal, uma escolha supreendente de José Eduardo Bettencourt, trouxe um novo ânimo ao clube. O novo treinador teve algumas dificuldades na definição de um esquema de jogo, a princípio, mas conseguiu fazer com que o Sporting recebesse alguma confiança: a qualidade exibicional melhorou a olhos vistos, os jogadores reaquiriram a tranquilidade necessária, vieram as vitórias. Sete consecutivas.

Foi em Braga que a série se quebrou. Não que o Sporting tenha jogado mal, não que tenha sido inferior ao Sp.Braga. Finalizaram a partida derrotados, contudo. Depois, o objectivo de conquistar a Taça de Portugal foi impiedosamente derrubado pelo FC Porto. Passou-se somente uma semana e um dia entre a partida ante o líder do campeonato e o jogo de hoje, com a Académica - na estreia de Pedro Mendes. Começou mal: golo de Orlando, um erro colossal de Rui Patrício, no terceiro minuto. Com o tempo, a equipa melhorou, conseguiu acertar o seu jogo e chegou ao empate: aos vinte e quatro minutos, num desvio oportuno de Moutinho a um cruzamento perfeito de João Pereira. Assumiu a superioridade, empurrou a Académica, mas nunca obteve frutos. Faltava concretizar as oportunidades.

Sessenta minutos: perda de bola de Liedson, progressão de João Ribeiro, nova desvantagem. Assobios estridentes, impaciência nos adeptos, sem finalizar e com uma defesa vulnerável a um ataque poucas vezes ameaçador mas extremamente eficaz. A marcha deste jogo pode simbolizar na perfeição a época do Sporting até agora: mau início, recuperação, oportunidade para a retoma, quebra acentuada e regresso à fórmula inicial. No banco, Carvalhal procurou aumentar o caudal ofensivo, trocando peças, introduzindo elementos novos, sempre sem sucesso. Há razões de queixa do árbitro, certo, porém não justifica tudo. Um Sporting cabisbaixo, vergado à terceira derrota consecutiva, ressuscitados os fantasmas antigos, joga terça-feira, com o Benfica, a época: ainda pode ganhar a Taça da Liga. Nada mais resta.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Golpe na recuperação do Sporting?

A tranquilidade e o optimismo em relação ao futuro, por força das últimas partidas, bem jogadas e ganhas pela equipa, pareciam estar plenamente de regresso ao clube leonino. Cinco jogos sempre a vencer, um ambiente bem melhor comparativamente com o passado recente, reaparecimento da alma do Sporting. Tudo isto faz parte da recuperação que a equipa tem conseguido, algo indiscutível até ontem. A série de triunfos foi aumentada, depois de os leões terem eliminado o Mafra, equipa do terceiro escalão nacional, da Taça de Portugal, mas a prestação do Sporting, em relação com as partidas mais recentes, deixou muito a desejar - desconcetração incrível nos dez minutos finais. Por momentos, deu a ideia de que havia sido feito um retrocesso.

No entanto, tudo isso faz parte do jogo. O futebol tem altos e baixos. O Sporting está a recuperar, certo, mas ainda não totalmente bem e, por isso, mostra algumas debilidades que Carlos Carvalhal ainda não conseguiu combater. Paulatinamente, sem pressão e com total apoio dos adeptos, é esse o caminho a seguir. Quando tudo parecia indicar um futuro mais risonho e sereno, eis que o Sporting entra em verdadeiro estado de sítio: Sá Pinto e Liedson envolveram-se numa troca de palavras que culminou em agressões! As cenas lamentáveis, ocorridas logo após o término da partida de ontem, ditaram a demissão, por sua iniciativa, do director do futebol leonino. Liedson, no momento, está sob alçada disciplinar interna, suspenso e não deixará de ser multado.

Minuto oitenta e dois do Sporting-Mafra. A equipa leonina vencia por 4-1, vantagem mais do que confortável sobre um adversário claramente inferior. Rui Patrício recebe a bola, procura afastá-la para longe da área. O relvado trai o guarda-redes, o pontapé sai defeituoso, a bola vai ao encontro de Zhang, avançado chinês autor de um hat-trick, que cabeceia para o segundo golo do Mafra. De imediato, o público de Alvalade se uniu nos protestos, assobiando Patrício. Em defesa do colega, mostrando desagrado pelo que ouvia, Liedson manifestou-se insatisfeito com a reacção - o guarda-redes tem sido, refira-se, um importante suporte para a equipa. Sá Pinto não gostou da atitude do Levezinho, houve uma troca de palavras azeda. No balneário, chegaram a vias de facto.

Não há memória, no futebol profissional, de algo semelhante. São actos que irão, por certo, afectar o estado do grupo e poderão ter influência no rendimento da equipa - deve-se recordar, pois, que o Sporting está em plena recuperação de uma primeira metade de temporada decepcionante. O temperamento de Ricardo Sá Pinto é, porém, bem conhecido por todos. Mesmo não sendo consensual no cargo de director-desportivo, após a saída de Pedro Barbosa, o ex-jogador é um dos símbolos da garra e do querer que os sportinguistas pretendem ver na equipa. Na altura da debandada dos então responsáveis pelo futebol, José Eduardo Bettencourt, perante a apatia mostrada pela equipa, terá pretendido exactamente isso com a inclusão de Sá Pinto.

Idolatrado pelos adeptos, enquanto jogador, Sá Pinto sempre se caracterizou como sendo impetuoso e de nervos à flor da pele. A sua carreira de profissional ficará manchada pela agressão ao seleccionador nacional Artur Jorge, em 1997. Agora, a sua primeira experiência como dirigente termina de forma abrupta, mais uma vez negra, pouco condizente com as responsabilidades que o cargo lhe exigia. Para a equipa do Sporting, a estabilidade do grupo terá de ser bem salvaguardada, blindada - algo que só se perceberá com o passar do tempo, com o aparecimento de mais jogos. Para José Eduardo Bettencourt, um novo rombo: Sá Pinto foi uma aposta sua, visava marcar uma nova era após as demissões que se seguiram à saída de Paulo Bento.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sporting mudado para melhor

É uma evidência: o actual Sporting está muitíssimo acima do que se apresentou na primeira parte da época. A então equipa de Paulo Bento mostrava-se demasiado presa a rotinas antigas, era previsível, incapaz de assumir a superioridade no jogo e frágil perante as adversidades. Para além dos problemas evidentes de resultados e exibições, escasseavam as soluções para mudar o futuro. Paulo Bento ficou sem espaço, sem recursos para fazer melhor, o seu ciclo esgotou-se. Dali, estava visto, nada de bom sairia. Chegou Carlos Carvalhal: os adeptos leoninos foram unânimes em torcer o nariz à contratação. Agora, todavia, a equipa de Carvalhal mostra um futebol agradável, com passe curto, dinâmico e, mais importante do que isso, vencedor.

O Sporting leva cinco vitórias consecutivas - frente a Sp.Braga e União de Leiria, para a Taça da Liga, que se juntam aos triunfos sobre Naval, Leixões e Nacional -, algo inédito desde 2006-07, com uma série imaculada de quatro jogos neste novo ano civil. Facilmente se depreende que os jogadores recuperaram a confiança necessária. E isso é, simultaneamente, uma causa e uma consequência desta recuperação que a equipa leonina tem feito. Nesse ciclo ascendente, como o próprio gosta de descrever, Carlos Carvalhal tem o seu mérito. Afinal, está a cumprir aquilo a que se propôs, isto é, foi capaz de devolver a alma e o estatuto ao Sporting. Entrado numa fase tão complicada para o clube, era exactamente o que pedia ao novo treinador.

Depois de algumas tentativas falhadas, próprias de quem tem uma tarefa complicada em mãos, o 4x1x3x2 de Carvalhal está cada vez mais estabilizado. E resulta, sobretudo. Com Tonel no lugar de Polga, com Adrien como pivô defensivo e com um trio de apoio ao duo atacante, o Sporting ganha coesão e ligação - é de estranhar, contudo, que Matías Fernández tenha perdido espaço na equipa. Nesta nova fase dos leões, há a destacar ainda a subida de rendimento de Miguel Veloso e a contratação acertada de João Pereira, importante defensiva e ofensivamente. Não se pretende dizer, no entanto, que tudo esteja bem neste Sporting. Ainda existem falhas que precisam de ser corrigidas. Mas este Sporting melhora a olhos vistos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

A nova política do Sporting

A filosofia desportiva do Sporting é bem clara: construir um plantel que possibilite discutir as provas internas, alcançado feitos internacionais, com poucos custos e assente em jogadores vindos da formação do clube. É assim há várias temporadas, foi com Filipe Soares Franco que se cimentou e Paulo Bento teve, enquanto treinador com percurso pelos juniores, um papel importante no crescimento de jovens valores. João Moutinho, Rui Patrício e Miguel Veloso exemplificam-no, actualmente são indiscutíveis na equipa do Sporting e, acima disso, contam com presenças na selecção portuguesa. No entanto, nas épocas anteriores ficou bem patente que o plantel contava com qualidade mas faltava-lhe algum traquejo na hora das grandes decisões.

Ainda antes de ser eleito presidente, José Eduardo Bettencourt assumiu que não iria fazer qualquer ruptura com a política até aí implementada, mas procuraria juntar jogadores experientes àqueles que o clube formasse e conseguisse elevar à equipa principal. Um pouco à semelhança do que acontecera, em anos passados de boa memória para os sportinguistas, com as contratações de Peter Schmeichel, Mário Jardel, João Vieira Pinto ou André Cruz. No Verão, a chegada de Angulo, sem espaço no Valencia e já com a veterania de trinta e dois anos de idade, pretenderia juntar alguma experiência a uma equipa jovem. Demasiado jovem para concorrer internacionalmente com os mais fortes, tal como se viu no passado, é um facto.

A chegada do espanhol acabou, contudo, por se revelar um verdadeiro fracasso e um erro até já corrigido. Agora, devido à actividade que o Sporting tem mostrado na reabertura do mercado para preencher lacunas bem evidentes no seu plantel, Carlos Carvalhal voltou a tocar no mesmo ponto, absolutamente essencial: a equipa não pode ser somente composta por valores da Academia do clube. Como facilmente se comprova, a formação do Sporting é uma mina de ouro que o clube tem à disposição, conseguindo a cada temporada lançar novos valores e, sobretudo, fazer com que assumam papéis importantes na equipa. No entanto, juntando a isso, são necessários jogadores de valor internacional. O rumo do Sporting está, por isso, a mudar.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Investimento tardio

Depois de João Pereira, é o avançado francês Sinama Pongolle, até aqui no plantel do Atlético de Madrid, a reforçar o Sporting. Nas duas contratações, gastaram-se cerca de oito milhões de euros (três mais cinco, respectivamente). Acresce ainda a chegada de Mexer, jogador moçambicano, que, embora não tenha obrigado os leões a desembolsar tanto, também teve o seu custo. Pode ser paradoxal, no entanto, que o investimento apenas tenha sido feito na reabertura do mercado, ou seja, quando já foi jogada a primeira metade do campeonato português. É que nem João Pereira nem Pongolle poderão ser utilizado na Liga Europa, pois já actuaram pelos seus anteriores clubes. Serão, então, somente para consumo interno.

Nesta altura, é absolutamente indiscutível que o Sporting necessita de reforçar o plantel e de aumentar a qualidade para poder ainda ambicionar, até Maio, algo positivo que apague o péssimo arranque de temporada. Importa recordar, também, que o clube está integrado nas quatro competições a que ficou habilitado. Contudo, é habitual apetrechar os planteis em Agosto, para assim atacar a época na plenitude das forças, e a reabertura do mercado serve somente para preencher eventuais lacunas que possam surgir. No Sporting, no Verão, pouco se investiu: Matías Fernández foi o único que se impôs na equipa titular, Angulo e Caicedo rapidamente se percebeu não passarem de contratações falhadas. Não havia crédito para mais.

A primeira metade da época, já se sabe, foi decepcionante: pelo futebol apresentado, claro, mas sobretudo pelo quinto lugar em que os leões se encontram na paragem do campeonato. As soluções escassearam. Agora, com possibilidades utópicas de discutir o título, o investimento do Sporting visa terminar na melhor posição possível, sendo a qualificação para a Liga Europa o mínimo que se pode exigir. É precisamente nesse contexto que entram João Pereira e Pongolle. Não deixa, porém, de ser estranho que cheguem só nesta fase a um clube que optou por uma política de contenção - e onde são bem conhecidas as debilidades financeiras - para atacar uma competição... onde o objectivo prioritário já está perdido. Chegam tarde? Certamente!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As consequências de uma contratação acertada

João Pereira é o primeiro reforço de Inverno para o Sporting. O lateral, vindo do Sp.Braga, assinou um contrato válido para os próximos quatro anos e meio e custou três milhões de euros. Trata-se, indiscutivelmente, de um bom reforço para o plantel leonino. No entanto, a aquisição tem prós e contras. À primeira vista, o negócio dificilmente poderia ser melhor: os leões conseguem preencher uma lacuna importante na zona defensiva; o Sp.Braga obtém um encaixe financeiro que lhe permitirá atacar a reabertura do mercado. Há, todavia, para além disso, aspectos negativos. O Sporting quase nada investiu no Verão passado, optou por uma política de contenção, tem agora condições para reforçar o plantel mas fá-lo, talvez, demasiado tarde. Do outro lado, os bracarenses perdem um jogador-chave para Domingos Paciência.

Abnegado, com garra, cem por cento profissional, nunca dando um lance por perdido, sempre em busca do sucesso. João Pereira é assim. O lateral, muito provavelmente o melhor do campeonato português, foi uma das imagens do Sp.Braga de 2009. Com a sua saída, os bracarenses perdem um elemento fundamental, quer a defender quer a atacar. É certo que a candidatura ao título não é assumida, mas nos horizontes minhotos está bem presente a ideia de que poderá mesmo ser possível a equipa ser campeã nacional. A conjuntura actual quase obriga a que se pense dessa forma. Depois de uma passagem fugaz pelo Benfica, onde se formou como jogador, o percurso de João Pereira levou à cobiça de clubes de renome, tanto a nível nacional como internacional. Poderia ter saído no Verão, o Sp.Braga conseguiu segurá-lo no plantel.

Olhando para a tabela do campeonato, João Pereira deixa o primeiro classificado para entrar no quinto. Deixa uma equipa que tem surpreendido positivamente, que constrói o sonho de ser campeão nacional, para entrar noutra que vive diversas dificuldades. Contudo, naturalmente, o Sp.Braga não atingiu ainda o nível dos leões. O Sporting é, a par de FC Porto e Benfica, o topo do futebol português, independentemente do lugar que ocupam. Para Carlos Carvalhal, a chegada de João Pereira é uma excelente notícia: terá à disposição um jogador de qualidade indiscutível para o lado direito da defesa, uma zona onde nem Abel nem Pedro Silva se têm conseguido impor. Com condições para tornar o plantel mais competitivo, o Sporting procurará recuperar o seu estatuto e conseguir algo de positivo no que resta da temporada.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Este Sporting dará para mais?

Depois do regresso às vitórias, uma reentrada num mundo escuro e decepcionante. Na ronda passada, em Setúbal, o Sporting conseguiu vencer. Não convenceu, é certo, mas garantiu o objectivo de ganhar. Carlos Carvalhal congratulou-se, mostrou-se optimista em relação ao futuro. Os adeptos, desconfiados e sem largarem o pessimismo que tem vindo a ser uma realidade em Alvalade desde o início da temporada, terão pensado que a vitória é importante e a exibição automaticamente secundário: se a equipa ganhar sem se mostrar em bom plano, tudo bem, afinal importa somar os pontos. Contudo, hoje, frente à União de Leiria, voltou o pior Sporting. Ou seja, o que joga mal e, acima de tudo, não vence.

A imagem do final da partida com os leirenses é desoladora mas também bem exemplificativa do espírito leonino: jogadores de cabeça baixa, adeptos irritados lançado assobios, muitos assobios. O Sporting está, parece, a perder a sua condição de equipa grande. Um grande luta para conquistar o título de campeão nacional, esta equipa leonina não. O objectivo do Sporting é revitalizar-se, somar vitórias, pensar num jogo de cada vez. Calmamente, passo-a-passo, é isso que Carlos Carvalhal pretende até final da temporada. Se a exibição com o Benfica e o resultado em Setúbal foram dois motivos para imaginar um futuro melhor, ante a União de Leiria nada funcionou: derrota, jogo demasiado pobre e sem soluções.

Animicamente, após a entrada de Carvalhal, a equipa teve uma melhoria. Não foi significativa, longe disso, mas serviu para atenuar a contestação que se fazia sentir. Carvalhal, não sendo nem pouco mais ou menos consensual entre os adeptos leoninos, representou um sinal de mudança e isso foi suficiente para lhe ser conferido crédito. No entanto, mesmo mudando os processos de jogo, conferindo maior dinamismo ao futebol leonino, conseguindo melhor ligação entre sectores, o Sporting continua na mesma: mal, ao alcance de equipas como Rio Ave ou União de Leiria que partilham de objectivos bem mais comedidos. O Sporting, o grande, tem de estar noutro patamar. Este Sporting, o de 2009-10, desceu e não parece ter como subir...

sábado, 5 de dezembro de 2009

O erro que foi Angulo

Angulo chegou em Agosto, último reforço do Sporting para esta temporada. Uma contratação, acima de tudo, surpreendente. O espanhol fora um jogador de qualidade e com importância no Valencia, mas os seus trinta e dois anos levaram-no a perder importância e serviram para criar alguma desconfiança sobre a sua utilidade para o clube leonino. A ideia, em princípio, passaria por juntar experiência e traquejo internacional a um plantel jovem e, na sua maioria, composto por jogadores da formação. Cerca de três meses depois de ter entrado no plantel, Angulo rescindiu com o Sporting. Pelo meio quase não teve oportunidades para se mostrar. Apenas no jogo com o Olhanense, da quinta jornada, foi opção incial. Aposta que se revelaria desastrada, rapidamente corrigida por Paulo Bento.

Além dessa partida com os algarvios, Angulo havia sido utilizado nos dois embates que a antecederam: em Paços de Ferreira e ante o Heerenveen, na estreia dos leões na Liga Europa. Pouquíssimos minutos em que participou activamente. Conclusão óbvia: Angulo não teve oportunidades para mostrar se ainda possuia recursos para acrescentar algo ao Sporting. No entanto, das escassas vezes em que esteve em campo nada fez que justificasse a sua contratação. A experiência não correu da melhor forma e, por isso, a rescisão foi o caminho encontrado. O clube nada perde, tal como nada pagara. Fica, porém, bem patente que os dirigentes sportinguistas erraram na contratação. Se é verdade que o Sporting gastou pouco a reforçar o plantel, também é certo que não escolheu os melhores alvos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Para onde caminhas, Sporting?

Uma questão que, nesta altura, faz todo o sentido: quais são os reais objectivos do Sporting para esta época? À primeira vista, mesmo não sendo de todo impossível, a conquista do título será um cenário utópico, bem pouco crível. A meta prioritária de Carlos Carvalhal passará, então, por revitalizar a equipa, colocá-la na rota das boas exibições e devolver-lhe a alma do Sporting. Da mesma forma que, contra o Benfica, a equipa demonstrou sinais de um futuro melhor, ontem, com o Heerenveen, voltaram os pesadelos leoninos. A equipa aguerrida e coesa do derby deu lugar a outra sem chama e sem meios para fazer mais. Um regresso a um passado bem recente, negro, que a troca de treinador e o jogo com o Benfica haviam suavizado. Foi, vê-se agora, apenas um escape.

Por tudo isto, poder-se-á pedir títulos ao Sporting? Títulos sim, mas não o título mais ambicionado, o de campeão nacional, porque isso significaria uma reviravolta extraordinária que os leões não parecem capazes de fazer. No entanto, a verdade é que a equipa continua inserida em todas as provas e poderá, obviamente, ter sucesso em alguma delas. Internamente, sobretudo, nas Taças de Portugal e da Liga. Os problemas da equipa leonina são complexos, não têm uma resolução fácil. Prendem-se com a construção do plantel: o Sporting não investiu tanto como os mais directos rivais e isso, claro, faz-se notar. O losango de Paulo Bento, tão rotinado e criticado, era apontado como um dos principais responsáveis pelo mau momento do clube mas perdeu-se com a entrada de Carlos Carvalhal e pouco mudou.

O novo treinador chegou, alterou a táctica: depois de uma tentativa de implementar um 4x3x3, a equipa parece agora formatada para um 4x2x3x1. O Sporting ganha mais coesão, é verdade que sim, mas continua com uma gritante falta de dinâmica. A equipa não consegue construir lances de futebol ofensivo, não é pressionante como deveria, nem tem os meios para se sobrepor ao adversário e empurrá-lo para a sua baliza. O jogo com o Heerenveen, ontem, é um exemplo perfeito disso, até porque os holandeses estão longe de ser uma equipa que amedronte. Não havendo um bom colectivo, é necessário que as individualidades se destaquem. No Sporting, também isso não acontece. Ontem, após o empate, foi o próprio Liedson a admitir que talvez precise de algum tempo no banco... Que soluções, leitor?