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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O jackpot de Scolari e Pedro Proença

Luiz Filipe Scolari foi demitido do comando técnico do Chelsea. Apenas meio ano depois. São os resultados que mandam. E não eram nada bons para aquilo que Mourinho os habituou; as exibições muito menos. Scolari não tinha conseguido ganhar a nenhum dos concorrentes directos - a derrota, 3-0, com o Liverpool piorou as coisas - e não resistiu após o empate, em casa, com o Hull City. Bem melhor é a indemnização que Abramovich vai pagar: são 17 milhões de euros, aproximadamente. É um jackpot. Entretanto, Guus Hiddink irá ser o novo treinador do Chelsea. Mas continuará, também, a ser o seleccionador da Rússia. Outro milionário!

Pedro Proença, agora. O árbitro do FC Porto-Benfica, tão cedo não se vai livrar do penalty assinalado no Dragão. Até porque foi daí que resultou o golo do empate. Errou o árbitro, pois foi mal assinalado, assim como também errou ao não assinalar penalty sobre Lucho Gonzaléz, na primeira parte. É mau dizer que um erro foi consequência do outro. Contudo, pior do que isso é que se estabeleçam ligações por causa do clube do árbitro. A alguns anos atrás, Proença assumiu ser sócio do Benfica. E depois? Se tem competência, o clube de que gosta mais não interessa para nada. E Pedro Proença é competente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Foi cobardia, sim senhor!

A decisão de Scolari em nunca convocar Vítor Baía para a Selecção Nacional foi a polémica que fez correr mais tinta em Portugal, nestes últimos anos. Apito Dourado à parte, é lógico. Uma decisão que ninguém percebe.

Vítor Baía falou, ontem, pela primeira vez sobre Scolari. Sim, porque durante todos estes anos, não fez uma única crítica ao seleccionador para não criar as tais pressões. E falou para dizer que ainda espera uma explicação por não ter sido convocado e para dizer que Scolari foi cobarde. O agora treinador do Chelsea respondeu dizendo que foi apenas "opção técnica". Como é que o melhor guarda-redes da Europa não é convocado para a Selecção por "opção técnica"? Alguém percebe? Eu acho que é impossível perceber.

Depois é claro que se criam as teorias da conspiração. Ou Vítor Baía criava instabilidade no grupo; ou era testemunha de não sei o quê; ou se fosse convocado era sinal que o seleccionador estava a ceder a pressões exteriores e bla bla bla. Algumas delas ridículas. Mas afinal e, segundo Scolari, a explicação é simples: opção. Não entendo! Alguém entende?

Mas há mais. Com a chegada de Carlos Queiroz, parece que Ricardo perdeu de vez a titularidade da baliza de Portugal. Ele que era intocável para Scolari. Assim à primeira vista, pode parecer que estamos perante dois casos muito semelhantes. Mas nada disso! Ricardo não tem lugar no Bétis, o seu clube. Por isso não joga na Selecção. Vítor Baía era simplesmente o melhor da Europa. Semelhanças? Nenhumas.

Foi cobardia, sim senhor.

Cobardia e opções esquisitas

Vítor Baía voltou à carga. Numa entrevista à Rádio Renascença, o director das relações externas do FC Porto criticou Scolari e disse, ainda, não saber o porquê do seu afastamento. Mas alguém sabe?

"É algo que me entristece bastante, acima de tudo a não frontalidade e a cobardia das pessoas, nomeadamente a do antigo seleccionador nacional em não assumir publicamente as razões do meu afastamento." Mas será que Vítor Baía acredita que Scolari um dia lhe explicará, pessoalmente, os motivos do seu afastamento? A resposta foi clara: "Não, não acredito que tenha coragem porque nunca a teve e agora foi o Carlos Freitas através de um livro que veio falar da minha ausência da Selecção, com motivos que a mim me soam a ridículos. Acaba por ser a voz do próprio Scolari, mas cobardemente, porque não teve coragem de o dizer pessoalmente", disse o ex-guarda-redes do FC Porto.

O tal livro de que Vítor Baía fala é Luiz Felipe, o homem por trás de Scolari, da autoria do jornalista José Carlos Freitas, publicado logo depois do Euro 2008. Nesse mesmo livro, são apontados dois motivos para a não convocatória do então guarda-redes do FC Porto: um deles é o facto de alguns jogadores da Selecção se terem queixado; o outro é que caso Scolari convocasse Baía estaria a ceder às pressões do FC Porto e de José Mourinho.

SCOLARI: "FOI OPÇÃO TÉCNICA"

Confrontado com as críticas de Vítor Baía, Scolari reagiu, dizendo que foi apenas opção técnica. "As escolhas que fiz na época e as que faço agora são de acordo com as minhas convicções. Já falei 120 vezes a mesma coisa, que foi por opção técnica", disse o agora treinador do Chelsea, sem querer falar mais do assunto.

Pronto, está explicado. O melhor guarda-redes da Europa não foi convocado por "opção técnica". Continuamos na mesma.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adeus, Scolari!

Scolari abandona a Selecção Portuguesa. Esta foi uma das notícias com maior impacto do Euro, sem falar na "novela" Ronaldo, claro. Como o próprio Scolari e Madaíl disseram, foi um ciclo que se fechou. Esteve cinco anos e meio à frente de Portugal.
Scolari é um treinador com ideias fixas: segue aquilo que pensa e que considera melhor, mesmo sendo a única pessoa do Mundo a fazê-lo. Um exemplo disso mesmo é a exclusão de Vítor Baía da Selecção. Não se percebe... Eu, pelo menos, não percebo! E não sou o único.
Desde que fez a primeira convocatória, Scolari "esqueceu-se" sempre de Baía. E nunca falou directamente do assunto... Nada, zero. E ficará para sempre a pergunta: como é possível o melhor guarda-redes da Europa não ser convocado para a sua Selecção? Como? Só o próprio Scolari o poderá dizer. Em vez disso, fez de Ricardo o guarda-redes da sua confiança e assim ficou até ao jogo com a Alemanha, o jogo da despedida. Mas não é propriamente uma novidade: em 2002, o "Sargentão" já tinha surpreendido o Brasil ao deixar Romário de fora para o Mundial da Coreia.
O caso de Baía, que é aquele que mais nos diz, é um autêntico enigma. Um enigma que talvez nunca tenha resposta.
Mas tirando esse mau episódio, e durante o tempo em que cá esteve, Scolari teve um enorme mérito: colocou um país a vibrar pela sua Selecção.
Voltou, também a colocar Portugal no seu lugar: entre os melhores.
Por tudo isto e apesar de alguns erros de "casting" (exclusão de Vítor Baía, agressão a Dragutinovic, má relação com os jornalistas, entre outros), Portugal deve estar agradecido a Luiz Filipe Scolari.
Boa sorte, mister!!

Ricardo: será o fim?

Não gosto de Ricardo. Nunca gostei! Mesmo assim, nas épocas douradas do Boavista (não tem nada que ver com o "Apito"), cheguei mesmo a considerá-lo o melhor guarda-redes português. Foi um dos principais obreiros deste título. Mas nos anos seguintes, e desde que esteve no Sporting, nunca mais se encontrou. Foi sempre um guarda-redes inseguro, errante e acima de tudo, um autêntico desastre nos cruzamentos.
Mesmo com tudo isto, Scolari nunca prescindiu dele, até quando José Peseiro o colocou no banco do Sporting. Ricardo tornou-se assim um indiscutível na Selecção. Sem nunca ter sido um grande gurda-redes. Que só Scolari nunca quis ver... É certo que teve muito mérito em 2004 e 2006, graças aos penaltis - onde é especialista - mas uma mão não lava a outra.
Falhou sempre nos momentos decisivos. Falhou na final do Euro'04, no golo de Charisteas; falhou na final da Taça UEFA em 2005, onde o Sporting perdeu, em Alvalade, com o CSKA de Moscovo por 3-1; falhou na Luz, no jogo que (praticamente) decidiu o título de 2005; voltou a falhar na Suiça, no jogo com a Alemanha. Não que a culpa tenha sido exclusiva dele, mas um guarda-redes de topo não pode errar assim. E Quim há muito que desespera por uma oportunidade.
Agora, com a saída de Scolari para o Chelsea, Ricardo tem - pela primeira vez em cinco anos e meio - o lugar na baliza ameaçado. Uma ameaça que Vítor Baía, melhor guarda-redes da Europa em 2004, não conseguiu ser! Mas isso também já é outra conversa.