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domingo, 5 de abril de 2009

Absolvido, Pinto da Costa fica a rir-se!

Expectativa enorme, chegava o dia de saber a sentença do caso do envelope, no qual Pinto da Costa, presidente do FC Porto, era acusado de ter entregue um envelope com dinheiro ao árbitro Augusto Duarte para que este favorecesse a sua equipa no jogo frente ao Beira-Mar. O julgamento foi longo, usaram-se escutas e o testemunho de Carolina Salgado entrou em diversas contradições. E a sentença do tribunal de Gaia foi a de absolver todos os arguidos. Depois de ter acontecido o mesmo no caso da fruta, Pinto da Costa volta a ficar-se a rir. E a ganhar.


sábado, 7 de março de 2009

Mais um saído do baú!

O futebol português tem umas personagens engraçadas. Cómicas, até. Apareceu mais uma, em pleno tribunal, no julgamento do caso do envelope com dinheiro que Pinto da Costa terá entregue ao árbitro Augusto Duarte dois dias antes do jogo entre o Beira-Mar e o FC Porto, de 2003-04: chama-se António Mortágua. É juiz e já foi presidente do Conselho de Justiça. Ora no tribunal disse que não acreditava que o presidente do FC Porto tivesse entregue esse tal envelope e que "500 contos (2.500€) só dava para o aquecimento porque a bitola dos árbitros, nessa época, era muito maior". Perante tal afirmação, Mortágua foi questionado sobre se os árbitros eram corruptos. A resposta seguiu a linha do que já haveria dito: "Alguns eram!". E continuou, ao falar de um jogo do Feirense e do Beira-Mar em que o árbitro recebeu, antecipadamente, 1.500€ de cada equipa.

Depois de tudo isto regista-se o facto de António Mortágua não acreditar que Pinto da Costa tivesse tentado corromper Augusto Duarte pelo simples facto de ser pouco dinheiro - disse mesmo que 500 contos era uma quantia ridícula - e, ainda, de não se sentir surpreendido com tudo isto. Porque diz que os árbitros de 2003/04 viciavam resultados. Mas nunca não falou, nunca disse nada. Fê-lo agora, atirando mais lenha para a fogueira. Dá para acreditar?

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Apito Dourado: a infeliz visita de Augusto Duarte

O que raio vai fazer um árbitro a casa de um dirigente? Ainda por cima de um dirigente de um clube que irá arbitrar dois dias depois? Uma visita ocasional, dizem uns. Corrupção desportiva, dizem outros. Um mau dia para tomar café e falar do tempo, digo eu.

JOGO: Beira-Mar – FC Porto (0-0)

ÁRBITROS: Augusto Duarte, António Perdigão, Domingos Vilaça e Jorge Sousa (4º árbitro)

CASO: Visita de Augusto Duarte a casa de Pinto da Costa que lhe terá oferecido 2500€, de modo a que o árbitro favorecesse o FC Porto em Aveiro.

ARGUIDOS: Augusto Duarte, Pinto da Costa e António Araújo. Embora ao princípio, todos os elementos da equipa de arbitragem tenham sido constituídos arguidos.

INCIDÊNCIAS:

DOIS DIAS ANTES DO JOGO

  • Augusto Duarte, após algumas insistências de António Araújo (“tenho aqui uma obra para ser vista, amiguinho”), aceita deslocar-se de Braga, cidade onde reside, ao Porto. Estaciona o carro perto da Igreja das Antas e vai à boleia de Araújo para a Madalena, onde mora Pinto da Costa.
  • Ás 22.18h, Araújo telefona a Pinto da Costa e pede-lhe indicações sobre a sua casa; após algumas hesitações, o empresário acompanhado de Augusto Duarte chega a casa do presidente do FC Porto.
  • O encontro entre Pinto da Costa, Augusto Duarte e António Araújo durou cerca de uma hora. Passavam dois minutos da meia-noite quando o árbitro saiu em direcção a Braga.

O JOGO

  • Os 3 peritos que a PJ convocou para analisar o jogo detectaram erros a favorecer o FC Porto na primeira parte, nomeadamente um cartão vermelho que Augusto Duarte perdoou a um jogador portista.

DEPOIS DO JOGO

  • No final da partida, a equipa de arbitragem janta na Marisqueira de Matosinhos com Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. O auxiliar António Perdigão confirmou que, durante o jantar, Pinto de Sousa recebeu alguns telefonemas de Pinto da Costa. Numa dessas conversas, o presidente do FC Porto disse que “o Augusto não esteve nada bem, é verdade que não esteve mal, mas não deu cheirinho nenhum. Só deixou passar uns livres e há um penalty sobre o McCarthy que o gajo não vê.”

REACÇÕES:

  • Segundo o testemunho de Carolina Salgado, na época companheira de Pinto da Costa, Araújo e Duarte estiveram na sala de estar. Carolina afirma ainda ter visto Pinto da Costa entregar um envelope branco com dinheiro ao árbitro. 2500€ mais precisamente, porque mais tarde perguntou a PC qual o montante da oferta. Mas houve contradições. Carolina afirmou depois ter visto o dinheiro.
  • Augusto Duarte confirma que esteve em casa de Pinto da Costa, mas garante que foi uma conversa de ocasião e que nada teve a ver com futebol.
  • Pinto da Costa nega ter entregue qualquer envelope com dinheiro ao árbitro e afirma que Carolina não ouviu conversa nenhuma porque estava acamada

RESULTADO:

  • O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto decidiu arquivar o caso por falta de indícios suficientes de que tivessem sido oferecidas vantagens patrimoniais ou não patrimoniais como contrapartida à falsificação da verdade desportiva.
  • Menos de um ano depois do arquivamento do caso pelo DIAP, Maria José Morgado decidiu reabrir o inquérito com base no testemunho de Carolina Salgado. Um testemunho cheio de contradições, mas que mesmo assim deu para continuar a investigação. Desta vez, apenas Pinto da Costa, Duarte e Araújo foram constituídos arguidos.

SENTENÇA: No plano desportivo o caso já está resolvido. O Conselho Disciplinar da Liga suspendeu Pinto da Costa das funções de presidente do FC Porto por dois anos e Augusto Duarte foi suspenso de todas as actividades ligadas à arbitragem durante seis anos ("Apito Final"). Quanto ao plano judicial, o caso ainda corre nos tribunais civis.

(Baseado no livro "Apito Dourado - Toda a história", do jornalista Eugénio Queirós)

Que venha o João!

Há coisas que eu não percebo. O Apito Dourado é uma delas.
Não percebo qual era a necessidade de o FC Porto entregar dinheiro a Augusto Duarte por causa de um jogo com o Beira-Mar em que os portistas jão eram quase campeões e onde José Mourinho poupou quase toda a equipa para um jogo da Champions.
Não percebo a Justiça portuguesa. Para uns casos o testemunho de Carolina Salgado é viável e verdadeiro; para outros não serve. As escutas servem para condenar alguns arguidos e ao mesmo tempo não servem para nada.

Mas o que me custa mais a perceber, por muito que tente é como é que Luís Filipe Vieira não foi constituído arguido. Aquela conversa com Valentim Loureiro em que o presidente do Benfica - já que não pode ter Paulo Paraty - diz não querer Lucílios, nem Olegários, nem Duartes porque não lhe dão garantia nenhuma. Rejeita quase todos os nomes que o major lhe sugere. Até chegar o nome de João Ferreira. "O João? Pode vir o João."

A escuta está lá. Mas parece que ninguém quis saber. Não percebo!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Apito Dourado: a fruta para Paixão

Apito Dourado. O processo que marca para sempre o futebol português. Decidi, então, remexer no caso, com base no livro do jornalista Eugénio Queirós, "Apito Dourado - Toda a história". Para, também eu perceber melhor isto tudo. Começo pelo "caso da fruta".

JOGO: FC Porto - Estrela da Amadora (2-0)

ÁRBITROS: Jacinto Paixão, Manuel Quadrado e José Chilrito

CASO: Pinto da Costa terá alegadamente oferecido prostitutas ao trio de arbitragem a fim de um resultado favorável ao FC Porto, usando o empresário António Araújo como intermediário.

ARGUIDOS: Pinto da Costa, Jacinto Paixão, Manuel Quadrado, José Chilrito, António Araújo e Reinaldo Teles.

INCIDÊNCIAS:

ANTES DO JOGO

  • A meio da viagem desde Évora (onde reside) Jacinto Paixão telefona a António Araújo. Segundo o Ministério Público com o intuito de pedir prostitutas.
  • No seguimento desta chamada, António Araújo telefona a Pinto da Costa - cerca das 13h – e informa o presidente do FC Porto que lhe pediram “fruta para dormir”. Pergunta se tem autorização para levar a tal “fruta” ao que Pinto da Costa responde que esta já foi enviada. Araújo explica que fala “do homem que vai estar consigo logo à noite”. Pinto da Costa manda seguir. Usam-se ainda as expressões “café” e “café com leite” que ao que o MP apurou se referem à cor da pele das prostitutas.
  • António Araújo liga a Cláudia, uma prostituta brasileira.
  • Até às 19.15h, hora do jogo, sucedem-se os telefonemas. Araújo fala com Paixão. Araújo telefona para Cláudia. Depois é Pinto da Costa quem telefona a António Araújo. Araújo volta a falar com Jacinto Paixão e por fim fala novamente com Cláudia.
  • Durante o jogo não existem mais telefonemas

DEPOIS DO JOGO

  • António Araújo encontra-se com Cláudia no bar “Gold”. Depois disso, Araújo acompanhado de um individuo não identificado, Cláudia e as três prostitutas (Celina, negra; Daniele, branca e Emanuele, mulata) vão para o Hotel Tivoli, no Porto.
  • A equipa de arbitragem janta na Marisqueira de Matosinhos. Pinto da Costa também lá está, mas noutra mesa. A PJ descobre um pagamento efectuado por PC na ordem dos 70€. O presidente do FC Porto utiliza este montante para referir ser impossível pagar o jantar dos árbitros.
  • António Araújo desloca-se com as suas acompanhantes para o Hotel Meridien onde estava instalada a equipa de arbitragem (cerca das 00.30h);
  • Araújo paga 150€ a cada prostituta e, impaciente, telefona três vezes a Jacinto Paixão;

REACÇÕES:

  • Na primeira vez que foi ouvido, Paixão confessou que foi guiado até ao hotel por Reinaldo Teles, que acusa de ter mentido. Além disso, disse nunca ter suspeitado que o jantar e as prostitutas fossem uma oferta do FC Porto, pensando sempre tratar-se de uma gentileza de Luís Lameira (também árbitro e amigo de Paixão). Mais tarde numa entrevista à TVI negou qualquer envolvimento com prostitutas e disse ter sido vítima de uma cilada e que Pinto da Costa e António Araújo deviam ser punidos. Contradições e mais contradições; Duas das prostitutas reconheceram dois dos três árbitros, no caso Jacinto Paixão e Manuel Quadrado.
  • Já Pinto da Costa disse haver uma dívida de 130 mil dólares do FC Porto a António Araújo e era sobre esse pagamento que tinham falado. Quanto à sigla “JP” (usada na conversa com Araújo) disse tratar-se de Joaquim Pinheiro, irmão de Reinaldo Teles e não do árbitro Jacinto Paixão. Segundo PC as prostitutas eram para o tal Joaquim Pinheiro e foi usado um discurso codificado pois receava que estivesse a ser escutado.
  • Carolina Salgado decidiu acusar Pinto da Costa dizendo ter presenciado um telefonema entre o presidente do FC Porto e o empresário António Araújo onde falaram de “fruta para dormir” (por volta das 13.00h). Sabe-se agora que o testemunho de Carolina Salgado é falso. Tudo porque a ex-companheira de Pinto da Costa telefonou às 11.30h a dizer que ia ter com a mãe e voltou a telefonar às 15.02h dizendo que ainda estava no cabeleireiro. Pelo meio, Pinto da Costa recebeu uma chamada às 12h05 para ir almoçar com dois amigos a um conhecido restaurante do Porto. Sendo assim, Pinto da Costa e Carolina só se encontraram ao final da tarde, já no Estádio das Antas, onde o FC Porto jogou com o Estrela.

RESULTADO: Com base no relatório dos peritos em arbitragem que não detectaram qualquer erro grave a assinalar ao árbitro, no falso depoimento de Carolina Salgado e no facto de nem ter sequer ficado provado que “JP” significava mesmo Jacinto Paixão, o juiz do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, Artur Ribeiro, decidiu não levar o caso a julgamento.

SENTENÇA: Todos os arguidos foram ilibados e o caso arquivado.

(Baseado no livro "Apito Dourado - Toda a história", do jornalista Eugénio Queirós)

sábado, 19 de julho de 2008

Apito Dourado: o fim!

Finalmente foi lida a sentença do Apito Dourado. No Tribunal de Gondomar, 14 dos 24 arguidos foram acusados.

Valentim Loureiro foi condenado a três anos e dois meses de prisão com pena suspensa por abuso de poder e prevaricação e ilibado do crime de corrupção.

José Luís Oliveira, ex-presidente do Gondomar Sport Clube e vice-presidente da Câmara de Gondomar, foi condenado a três anos de prisão, com pena suspensa, por 10 crimes de corrupção desportiva activa e 25 crimes de abuso de poder. Ilibado do crime de corrupção.

Já Pinto de Sousa, antigo presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, foi condenado a dois anos e três meses, suspensa por igual período, por 25 crimes de abuso de poder. Também ele foi ilibado de corrupção.

Francisco Tavares da Costa, vice-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, foi condenado por 25 crimes de abuso de poder como cúmplice, a um ano e três meses de prisão, também suspensa.

A Luís Nunes da Silva, ex-vogal do Conselho de Arbitragem da FPF e irmão do então treinador do Gondomar, condenado pela prática, como autor, de dois crimes de corrupção desportiva activa e um crime de abuso de poder, foi-lhe aplicada pena de multa.

O tribunal condenou os árbitros Licínio Santos, Pedro Sanhudo, António Eustáquio, Jorge Saramago e João Pedro Macedo por terem beneficiado o Gondomar e, no caso do último o Sousense, contra as regras do jogo, com a expectativa de receberem boas classificações.

Licínio Santos foi condenado pela prática, como autor, de dois crimes de corrupção desportiva passiva a cinco meses de prisão, substituída por multa e fica impedido de exercer cargos ou funções desportivas pelo período de três anos.

Pedro Sanhudo foi condenado por três crimes de corrupção desportiva passiva e um crime de corrupção desportiva activa a nove meses de prisão substituída por multa e fica impedido de exercer cargos ou funções desportivas pelo período de três anos e seis meses.

António Eustáquio foi condenado por dois crimes de corrupção desportiva passiva a cinco meses de prisão substituída por multa e proibição de exercer cargos ou funções desportivas pelo período de 3 anos.

Jorge Saramago foi condenado por um crime de corrupção desportiva passiva a pena de três meses de prisão substituída por multa e a proibição de exercer cargos ou funções desportivas pelo período de 2 anos e 6 meses.

João Pedro Macedo condenado por três crimes de corrupção desportiva passiva a sete meses de prisão substituída por multa e proibição de exercer cargos ou funções desportivas pelo período de 3 anos.

Dez arguidos foram absolvidos: um deles é Castro Neves, vereador da câmara de Gondomar, ilibado de todos os 19 crimes de corrupção desportiva activa. O colectivo de juízes entendeu que o também director do Departamento de Futebol do Gondomar SC não tinha conhecimento "do acordo entre Pinto de Sousa e José Luís Oliveira a propósito da nomeação de árbitros para jogos do Gondomar".

Texto: maisfutebol (modificado)