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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O regresso ao blackout

O FC Porto emitiu, no decorrer da semana, um comunicado onde alerta que nenhum elemento do plantel prestará declarações na presença de jornalistas do diário desportivo A BOLA. A decisão radical tem ainda a sua origem no clássico frente ao Benfica: na sua edição de terceira-feira, A BOLA escreveu, na sua manchete, que, para além de Hulk e Sapunaru, jogadores suspensos preventivamente até que seja apurado o que realmente aconteceu no túnel da Luz, também Helton, Rodríguez e Fucile poderiam ficar em situação delicada após o visionamento dos vídeos das câmaras de vigilância. O jornal escreveu a notícia, os jogadores sentiram-se atacados. O FC Porto volta, assim, a recorrer a um blackout.

Os adeptos portistas, por certo quase na sua totalidade, apoiam a decisão que o plantel tomou - aliás, até dirão que foi tardia. As relações entre o jornal, sempre conotado com o Benfica, e o FC Porto não são, desde há vários anos, as mais pacíficas e, por isso, o impedimento aos jornalistas d'A BOLA não causa surpresa. Hoje, na conferência de antevisão ao jogo com a União de Leiria, Jesualdo Ferreira mostrou-se "solidário" com os jogadores e, como estava presente uma equipa de reportagem do jornal, apenas esteve trinta e oito segundos na sala, sem dar espaço para qualquer questão. O blackout do FC Porto é, por isso, extensível a toda a comunicação social, pois não é crível que A BOLA abdique do seu trabalho.

O silêncio dos portistas não tem duração prevista e daqui em diante, sempre que algum membro d'A BOLA esteja presente, nada se escutará, tanto dos jogadores como de Jesualdo Ferreira. Os jornalistas que diariamente acompanham os trabalhos do FC Porto ficarão, pois, sem nada para transmitir aos seus leitores ou ouvintes.
Fechar as portas do clube aos jornalistas não é algo sem precendentes no futebol português, bem longe disso. Também não é caso único do FC Porto, evidentemente. Há, por vezes, a sensação de que os clubes não aceitam o trabalho dos jornalistas, vêem-no sempre como sendo prejudicial. Trata-se, afinal, de um problema de cultura. Um futebol de guerrilhas e sem comunicação com o exterior beneficia alguém?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E se um dirigente fosse impedido de trabalhar?

Liberdade de expressão é um direito há muito consagrado para uma boa vivência em sociedade. Cada um, à sua maneira, pode ter a sua opinião sobre um determinado assunto. Em Portugal, é assim desde a queda da ditadura e o desaparecimento do célebre lápis azul. A comunicação social, seja televisões, rádios ou jornais, tem total direito de escrever sem receios. Seguindo um código próprio, cumprindo certas normas, mas fazendo-o de forma livre. No entanto, nem sempre é assim. Infelizmente.

O impedimento que uma equipa de reportagem da TVI foi alvo, hoje, no Estádio da Luz é simplesmente ridículo e um exemplo bem vivo de como a censura ainda exite. Não que seja algo sem precedentes, bem longe disso, até porque o Record, o Correio da Manhã, o 24 Horas e o Maisfutebol também foram barrados. Ou convidados a sair, como é normal dizer-se. Um jornalista faz o seu trabalho, gostem os dirigentes ou não. Não se trata de um fait-diver ou um simples passatempo. Mas, atenção, acontece noutros clubes. Não é exclusivo do Benfica, evidentemente, nem é essa a ideia que se pretende transmitir.

Uma manchete que critique o treinador, uma análise séria que mostre um fracasso de um jogador que foi anunciado como craque ou uma notícia que o presidente não goste de ler são bons motivos para que se vejam esse tipo de situações. Apenas aqueles que não fazem uma única crítica são bem vistos e têm total acesso. Os adeptos aplaudem: afinal, os abutres, palavra que tão utilizada é, têm de ser eliminados. O profissionalismo do jornalista de nada conta porque ele é adepto do clube rival. É este o pensamento da maioria dos portugueses, de facto. Feitas as contas, os clubes é que ficam minimizados.

Longe, bem longe, vai o tempo em que qualquer jogador falava com um jornalista ou estava próximo de qualquer câmara. Até no intervalo dos jogos isso acontecia. Agora não: a maioria dos jogadores não quer nada com jornalistas e aqueles que querem são impedidos pelos clubes com um blackout que os guia. Acontece mesmo nos clubes de menor dimensão, algo que pode parecer um paradoxo pois existem inúmeras queixas de falta de atenção. Não se percebe, por isso, o porquê de contar com directores de comunicação. Alguns deles ex-jornalistas que deviam ser os primeiros a saber comunicar com o exterior, servindo como uma ponte entre o clube e os adeptos.

PS: O texto que pode ler acima, leitor, data já do dia vinte de Julho. Apenas agora, decorrido todo este tempo, a Entidade Reguladora da Comunicação emitiu um parecer onde condena a atitude tomada pelo Benfica que diz ser uma violação grave do Estatuto do Jornalista. Era o mínimo que poderia ter sido feito, para que o direito à informação não seja vetado e que os responsáveis por essa obstrução sejam chamados à razão. A bem de todos e para combater um autoritarismo desnecessário e sem qualquer sentido que os clubes, principalmente de maior dimensão, por vezes, tomam.

domingo, 6 de setembro de 2009

Discutir ou não tácticas

Não acho que se deva discutir a táctica entre treinadores e jornalistas. A frase pertence a Carlos Queiroz e foi proferida ontem, no Parken Stadium, em Copenhaga, na análise do seleccionador ao empate de Portugal. Ao ler as declarações de Queiroz, lembrei-me da entrevista que fiz a Pedro Azevedo há pouco mais de duas semanas. Durante a nossa conversa, o jornalista da Rádio Renascença contou-me uma situação engraçada, insólita até, de um treinador que lhe pediu uma opinião sobre a táctica que deveria usar.

Porque não?, foi a questão que me colocou naquele momento. Admito que perguntei o mesmo a mi próprio. Vendo bem, acredito que seria algo de bom para o futebol pois permitiria um maior conhecimento daquilo que o treinador pretende e, acima de tudo, as condições em que se encontram os jogadores. Não chego ao ponto de pensar que os treinadores devam telefonar aos jornalistas a pedir um parecer, obviamente, mas acho importante que se discuta a forma como determinada equipa joga. Afinal, a análise táctica das equipas é uma função do jornalista.

Não pretendo com isto fazer qualquer crítica a Carlos Queiroz, leitor. Para ele, não faz sentido discutir a táctica com um jornalista e ponto. A mim, parece-me que seria uma boa experiência que poderia até diminuir as críticas de que, não raras vezes, os treinadores são alvo porque existiria um conhecimento mais aprofundado da realidade da equipa. Cabe ao treinador decidir se quer abordar ou não esse tipo de assuntos nas conferências de Imprensa. Mas... porque não?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Triste atitude

José Carmo, repórter fotográfico do Jornal de Notícias, foi hoje atropelado por Afonso Ribeiro, motorista de Pinto da Costa. Mas mais: após o acidente, ocorrido à entrada do Tribunal São João Novo, no Porto, o carro não parou e seguiu o seu caminho. Como se nada tivesse acontecido, mesmo alertado por membros da polícia, o motorista não levantou o pé do acelerador. É triste que assim seja. Fica a nota.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Adeptos que não sabem estar

Há uma frase bastante utilizada que diz que, em Portugal, os adeptos gostam dos clubes e não de futebol. Existe a chamada clubite, impeditiva de ver o que quer que seja de forma imparcial. O futebol deve ser vivido com paixão e emoção mas nunca com fanatismo que leve a que sejam ultrapassadas as fronteiras do espectáculo. Afinal, é apenas um jogo. Nem sempre se pensa assim. Os adeptos, sobretudo dos três grandes, vivem quase num clima de guerra onde os outros são vistos como inimigos. E não como pessoas que defendem exactamente a mesma coisa, só que em clubes diferentes.

Confesso, leitor, que me faz uma certa impressão que o futebol seja assim encarado. Dir-me-ão que é a lógica do jogo, eu aceito. No entanto, desejar que algo de mal aconteça a um defensor do clube rival do nosso é ridículo. É triste, principalmente. Por essa razão, os jornalistas desportivos estão mais expostos às críticas: são do clube A, B ou C e só querem destruir os outros. Não importa se são ou não bons profissionais porque são facciosos e abutres como é usual dizer-se. Porém, a maioria dos adeptos, e é desses que aqui falamos, não consegue despir a camisola e ser objectivo. O mesmo de que acusam os outros.

O futebol é o desporto-rei, provoca ódios e tem uma interferência tremenda na vida das pessoas. Hoje faleceu Rui Cartaxana, ex-director do Record. Inacreditavelmente, foi uma boa notícia para muitos adeptos. Revolta. Como é possível? Não entendo. Asseguro que não gostava dos seus textos e, por essa razão, poucos foram os que li. Lá teria a sua opinião, tal como eu tenho a minha e o leitor terá, muito provavelmente, uma diferente. Sendo bom jornalista ou não, nada justifica que se fique feliz com uma notícia destas. Enfim, é triste. Muito.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Os clubes e os jornalistas

Liberdade de expressão é um direito há muito consagrado para uma boa vivência em sociedade. Cada um, à sua maneira, pode ter a sua opinião sobre um determinado assunto. Em Portugal, é assim desde a queda da ditadura e o desaparecimento do célebre lápis azul. A comunicação social, seja televisões, rádios ou jornais, tem total direito de escrever sem receios. Seguindo um cógio próprio, cumprindo certas normas, mas fazendo-o de forma livre. No entanto, nem sempre é assim. Infelizmente.

O impedimento que uma equipa de reportagem da TVI foi alvo, hoje, no Estádio da Luz é simplesmente ridículo e um exemplo bem vivo de como a censura ainda exite. Não que seja algo sem precedentes, bem longe disso, até porque o Record, o Correio da Manhã e o 24 Horas também foram barrados. Ou convidados a sair, como é normal dizer-se. Um jornalista faz o seu trabalho, gostem os dirigentes ou não. Não se trata de um fait-diver ou um simples passatempo. Mas, atenção, acontece noutros clubes. Claro que não é exclusivo do Benfica.

Uma manchete que critique o treinador, uma análise séria que mostre um fracasso de um jogador que foi anunciado como craque ou uma notícia que o presidente não goste de ler são bons motivos para que se vejam esse tipo de situações. Apenas aqueles que não fazem uma única crítica são bem vistos e têm total acesso. Os adeptos aplaudem: afinal, os abutres, palavra que tão utilizada é, têm de ser eliminados. O profissionalismo do jornalista de nada conta porque ele é adepto do clube rival. É triste que assim se pense, de facto. E, feitas as contas, os clubes é que ficam minimizados.

Longe, bem longe, vai o tempo em que qualquer jogador falava com um jornalista ou estava próximo de qualquer câmara. Até no intervalo dos jogos isso acontecia. Agora não: a maioria dos jogadores não quer nada com jornalistas e aqueles que querem são impedidos pelos clubes com um blackout. Acontece mesmo nos clubes de menor dimensão, algo que pode parecer um paradoxo pois existem inúmeras queixas de falta de atenção. Não se percebe, por isso, o porquê de contar com directores de comunicação. Alguns deles ex-jornalistas que deviam ser os primeiros a saber comunicar com o exterior. Mesmo não parecendo, é essa a sua função.