terça-feira, 16 de março de 2010

Liga Sagres: O duelo da liderança, um tira-teimas ansiado

ANÁLISE

Duelo pelo título, contagem descrecente para o momento das decisões, armas preparadas para o golpe fatal no adversário. Proibição de falhar, sob pena de toda a temporada ficar sem efeito, de pouco valendo o que foi feito, exigência maior do que nunca obriga a jogar nos limites. Benfica e Sp.Braga souberam ultrapassar os difíceis obstáculos colocados no trilho, sobretudo dos benfiquistas, acenderam ainda mais a chama para um jogo que já faz suspirar os adeptos, que poderá ajudar a decidir muito ou apenas aumentar a rivalidade criada. Dia 27, na Luz, Benfica e Sp.Braga têm o seu tira-teimas. Longe dessas lutas, o FC Porto mostrou estar desperto, superou o teste de Coimbra. E o Sporting, bem, continua a surpreender: que entrada de leão sobre o V.Guimarães!...


Alerta vermelho para o Benfica: deslocação complicada, logo após um desgastante jogo com o Marselha, na sequência de uma vitória do Sp.Braga que (re)inverteu a ordem no topo. Jogar com o Nacional é, por norma, complicado para os grandes. Na Choupana, um dos terrenos onde as exigências são maiores, dobram-se essas dificuldades. Os madeirenses, porém, ficaram órfãos de Rúben Micael, o jogador que lhes servia de suporte criativo, têm feito uma época irregular. Mas cedo se percebeu que só a custo, vestindo a roupa de serviço, o Benfica poderia ambicionar vencer. Não fez um jogo de deslumbrar, mas foi consistente e venceu com mérito. Cardozo, vilão numa grande penalidade desperdiçada (mal assinalada), herói no minuto seguinte, deu a vitória aos encarnados. Um jogo de sofrimento, com um triunfo importantíssimo.

O Rio Ave não é, por certo, um adversário que traga boas recordações ao Sp.Braga. Foi a equipa de Carlos Brito a primeira, sete vitórias depois, a tirar pontos aos bracarenses e, mais recentemente, quem eliminou, em pleno AXA, o Sp.Braga dos quartos-de-final da Taça de Portugal. É uma equipa com objectivos modestos, não pensa além da manutenção, mas revelou-se na primeira metade da época e joga olhos nos olhos com os adversários. Também agora criou complicações ao Sp.Braga, deu o primeiro sinal de atrevimento, Tarantini acertou na barra. A resposta dos bracarenses foi forte, triunfante: Andrés Madrid, em jejum desde Outubro de 2005, marcou. Foi um golo feliz. E vital. O Sp.Braga tomou as rédeas do jogo, guardou a vantagem e não deu azo à reacção vila-condense. Nova missão cumprida.

Jogando sob brasas, na ressaca da humilhação europeia, o FC Porto teria que mostrar estar vivo. E mostrou, de facto. Não fez uma exibição de encher o olho, certo, mas teve atitude e capacidade para dar a volta às adversidades. A Académica melhorou imenso com André Villas Boas - sim, não deu um salto substancial na classificação - e joga um bom futebol, não seria o opositor ideal. Além disso adiantou-se, marcando por Sougou. A desvantagem, contudo, foi dizimida com celeridade pelo FC Porto: Bruno Alves redimiu-se com um golo do penalty cometido (lance duvidoso). O empate prolongou-se, o FC Porto tentou, nunca virou a cara à luta. Há esse mérito nos portistas. A quatro minutos do final, Rodríguez cerrou os dentes e encheu o pé, potência na libertação da raiva pelo período conturbado, garantiu três pontos ao campeão.

O Vitória de Guimarães pretendia tomar de assalto o quarto lugar, mas... coitado, nem tempo teve para respirar. Começou em falso, pagou caro, sem perceber muito bem o que lhe acontecia sofreu três golos em vinte minutos impressionantes, magníficos e categóricos do Sporting, uma supresa constante a cada jogo que passa pelas demonstrações de futebol que vai dando: marcou por Grimi, por Liedson e por Saleiro, aos vinte minutos tinha aberto três buracos no castelo - mais outro marcou, porém o assistente de Bruno Paixão, compensando o erro do primeiro golo, anulou. O remate do Levezinho, então, é uma obra-prima. Vantagem confortável, vitória na mão, condições para travar o ímpeto e pensar no jogo com o Atlético. O Vitória cresceu, deu um ar da sua graça, mostrou um valor que o Sporting esmagara e conseguiu reduzir. Justo.

Vinte jornadas, quase sete meses, até um ano civil foi substituído por outro, muitas mudanças existiram. É este o espaço temporal que separa as duas únicas vitórias alcançadas pelo Belenenses: a primeira foi a 24 de Agosto de 2009, no Restelo, sobre a Naval (2-0); a outra conseguida nesta jornada, em Olhão, por 3-1, sobre um adversário directo na fuga à despromoção. Se ainda haverá tempo para recuperar, só o futuro poderá responder. A missão, contudo, não ficou facilitada, uma vez que o Vitória de Setúbal, primeira equipa acima dos lugares de descida, venceu o Leixões, por 1-2, e pode ter dado um passo fundamental para o seu objectivo - os leixonenses estão com uma árdua tarefa em mãos. Cinco pontos separam a equipa de Fernando Castro Santos dos sadinos e do Olhanense (ambos com vinte).

Com pequenos passos, em pézinhos de lã, sem que se dê pela sua acção, a Naval tem protagonizado um campeonato sempre em crescendo. Não tem o objectivo de se intrometer na disputa por um lugar europeu, mas conseguiu vencer a União de Leiria, por 1-0, e ultrapassar o Nacional, o Rio Ave e o Marítimo - as equipas insulares, declaradamente apostadas em chegar à Europa, voltaram a comprometer o seu futuro, pois ambas perderam: o Nacional com o Benfica e o Marítimo em Paços de Ferreira (1-0). Os pacenses, sob o comando de Ulisses Morais, estão, à imagem da Naval, a realizar uma época acima do que era expectável (ocupam o sétimo lugar). Rio Ave e Académica, derrotados, respectivamente, por Sp.Braga e FC Porto, deverão assegurar a permanência no principal campeonato dentro de poucas jornadas.

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