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sábado, 11 de julho de 2009

Liga Sagres com calendário definido

Está definido o calendário da próxima Liga Sagres. Numa cerimónia decorrida em Portimão, no intervalo de um "All Stars", o sorteio ditou que o Benfica é o único dos três grandes a começar em casa: defrontará o Marítimo, ao passo que o Sporting se desloca à Choupana e o FC Porto a Paços de Ferreira, equipa com a qual jogará a 8 de Agosto para a Supertaça Cândido de Oliveira. Curioso o facto de, pelo terceiro ano consecutivo, haver um duelo de Vitórias na ronda inicial.

Era sabido que, devido às condicionantes a que este sorteio foi sujeito, as quatro primeiras jornadas não poderiam ter nem clássicos nem derbis regionais. Por isso, o FC Porto-Sporting, à sexta jornada, será o primeiro jogo grande. Segue-se o Benfica-Sporting, na décima primeira, e o Benfica-FC Porto, na penúltima. Esta medidas implementadas pela Liga visam dar maior emoção ao campeonato. A meio do próximo mês, a bola começa a rolar.

Carregue para aumentar e ver o alinhamento completo da Liga Sagres:



(Também no FUTEBOLARTTE)

domingo, 24 de maio de 2009

The final countdown

ANÁLISE JORNADA 30 - LIGA SAGRES

Jornada de múltiplos sentimentos. Alegria, tristeza, alívio e desilusão. Foi a última desta temporada. Para uns, foi a consagração. Para outros, a impotência por não terem conseguido os objectivos. É assim o futebol.


Consagração. Do FC Porto, no Dragão, frente ao Sp.Braga. O título já estava garantido, era tempo de os adeptos voltarem a saudar os campeões. A quarta conquista seguido, estava lá marcado na relva o número. Tiraram-se fotografias em conjunto, os jogadores foram chamados um a um, pintados de azul e branco, o ambiente estava fantástico. Andreia Couto, directora-executiva da Liga, entregou o troféu de campeão. Mais uma ovação. Chegou o jogo. Para os portistas pouca coisa havia em disputa, para o Sp.Braga existia ainda, em caso de vitória, a possibilidade de chegar ao quarto lugar. Avancemos até ao minuto 42 porque até aí o jogo não teve grande interesse, tirando uma perdida incrível de Matheus. Foi aí, a três minutos do intervalo, que os adeptos do Dragão tiveram mais um motivo de festejo, com o golo de Farías. A festa ganhou proporções ainda maiores. Para o reatamento, o ritmo não mudou. O mais importante era festejar. O Sp.Braga conseguiu empatar mas nada estragou a festa. O público ovacionou, os jogadores responderam. Jesualdo Ferreira agradeceu com um rasgado sorriso no dia do seu sexagésimo terceiro aniversário. É a festa do campeão, pronto.

Confirmação. O quarto lugar estava ainda em jogo, tanto poderia ir para o Nacional como para o Sp.Braga. A equipa de Manuel Machado fez-se valer dos dois pontos de vantagem e confirmou ser a melhor equipa logo após os grandes. Os arsenalistas só com uma vitória poderiam lá chegar. Não conseguiram, já vimos. Quanto ao Nacional, jogou em Alvalade, frente a um Sporting com o segundo lugar há muito garantido. Havia uma questão a decidir: o melhor marcador do campeonato, se Nenê se Liedson. O Sporting entrou de rompante, marcou dois golos nos primeiros dez minutos. Não foi o levezinho, foi Derlei. Respondeu o goleador-mor da Liga Sagres, Nenê, com um golo de levantar o estádio. Uma bomba de fora da área. Estava decidido o melhor marcador. Ponto final.

Tristeza. Enorme tristeza, aliás. Belenenses e Trofense desceram à Liga Vitalis, ou seja, não conseguindo o feito heróico de se salvarem na última ronda. O Belenenses não tinham tarefa facilitada. Jogava na Luz, ante o Benfica. Porém, começou da melhor forma com um golo de Silas, aos quatro minutos. A vantagem belenense durou até ao minuto 21: golo de Cardozo., empate. Se a vitória da equipa de Rui Jorge já era pouco provável, ficou impossível, a três minutos do descanso: Saulo, numa atitude inacreditável, agrediu Di María e foi expulso. Começou aí a derrocada do Belenenses. Com superioridade numérica, o Benfica avançou para a baliza de Júlio César. Voltou a marcar, num golaço monumental de Felipe Bastos. Depois, em cima dos noventa, Mantorras fixou o resultado. E o Belenenses desceu. Assim como o Trofense, derrotado em Paços de Ferreira. Ora, à equipa de Tulipa, estreante no campeonato principal, era difícil pedir muito mais. Serão substituídos por Olhanense e União de Leiria - recuperação notável da equipa de Manuel Fernandes.

Alívio. Tiveram o Vitória de Setúbal e o Rio Ave. Os sadinos empataram na Figueira da Foz, num estádio-talismã sempre que toca a lutar pela manutenção. Porém, nem precisavam de somar qualquer ponto devido aos resultados de Trofense e Belenenses. O mesmo se pode dizer dos vila-condenses que venceram, em casa, o Estrela por 2-1. Contudo, existe mais uma semelhança entre ambas as equipas: os treinadores, quase dois bombeiros de serviço. Carlos Cardoso e Carlos Brito chegaram quando os clubes viviam momentos complicados mas terminam como vencedores.

Destaque de forma positiva para a Académica e para o Leixões pelo belíssimo campeonato que conseguiram. No pólo oposto encontram-se o Vitória de Guimarães e o Marítimo, equipas de quem se esperava mais até por aquilo que alcançaram na temporada anterior. Tudo dito, tudo contado ao longo destas 30 jornadas. Para o ano, a Liga Sagres está de volta. Com novos artistas.

domingo, 17 de maio de 2009

Fugir da descida como o diabo da cruz

ANÁLISE JORNADA 29 - LIGA SAGRES

O pódio está completo. Ocupado, sem surpresa, pelos três grandes: FC Porto, Sporting e Benfica. A quarta posição, agora pertença do Nacional está ainda em disputa. Contudo, as atenções voltaram-se para o fundo da tabela e para a luta pela manutenção. Belenenses e Trofense são as equipas com maiores probabilidades de cair na Liga Vitalis, de onde o Olhanense já saltou. O Algarve está de regresso!

O jogo do campeão. O FC Porto tinha o título conquistado, a festa estava feita. Porém, era importante dar minutos a alguns jogadores menos utilizados, tornar Stepanov e Ventura campeões nacionais e, principalmente, conseguir igualar o feito de António Oliveira que alcançou onze vitórias consecutivas fora de casa. Missão cumprida. Mesmo com uma equipa transfigurada, os portistas deram uma lição de profissionalismo e uma prova de força. Ganharam com a naturalidade e a justiça de quem é campeão, mostrando uma diferença colossal para este Trofense, a precisar de pontos como de pão para a boca. Já depois de Nuno ter sido obrigado a uma enorme defesa, num lance de bola parada (a única forma que a equipa de Tulipa arranjou para criar perigo), os portistas chegaram ao golo. À meia-hora, Farías marcou o seu nono tento no campeonato, carimbado uma marca bem interessante para um jogador que se limita a aproveitar as oportunidades que Jesualdo Ferreira lhe vai concedendo. Depois, apareceu Lisandro em dois momentos: primeiro, impedindo o empate com um corte providencial em cima da linha; depois, a dois minutos do intervalo, marcando o segundo golo. O resultado estava feito ao intervalo. A segunda parte foi mais um exemplo de como o FC Porto é exímio a gerir o jogo assim que se encontra em vantagem. Deu para Hulk ganhar alguns minutos, depois de uma recuperação em tempo recorde, tendo em vista a final da Taça de Portugal. Lisandro marcou o terceiro golo, daqueles de fazer uma vénia. Entrou Hugo Ventura, o terceiro guarda-redes do plantel, para se sagrar oficialmente campeão nacional. Aos 80 minutos, Farías bisou num passe milimétrico de Hulk. Três minutos depois, Hugo Leal reduziu com um excelente remate que não deu hipótese a Ventura. Jogo de fácil resumo. O campeão desfilou.

O jogo do segundo classificado. À semelhança do FC Porto, o Sporting tinha quase nada em jogo, depois de garantir a vice-liderança final. Do outro lado, encontrou um Marítimo já sem possibilidades de discutir os lugares europeus, no culminar de uma época que ficou bem abaixo das expectativas. Era um jogo para cumprir calendário, no fundo. Porém, mesmo assim é óbvio que ninguém gosta de perder. A partida começou entretida, com lances de ataque repartidos entre ambos os clubes. O primeiro lance de verdadeiro perigo surgiu no décimo minuto, para o Marítimo, num cabeceamento de João Luiz que Tonel afastou em cima da linha de golo. A equipa de Carlos Carvalhal, um verdadeiro carrasco para os leões, denotava algum ascendente. Porém, foi o Sporting quem marcou. Liedson, pois. Aos 26 minutos, isolado por Derlei e aproveitando um erro de Fernando Cardozo. Até ao intervalo apareceram mais duas ocasiões: para Postiga, primeiro; para Marcinho, depois. No reatamento, Carvalhal retirou Bruno e lançou Baba, tentando dar mais velocidade ao jogo maritimista. O Marítimo criava mais perigo, mas sem nunca ter grande clarividência. Baba teve uma oportunidade soberana de empatar, aos 54 minutos, num cabeceamento que esbarrou no poste da baliza de Tiago. Um minuto depois, Abel viu o segundo cartão amarelo e aumentou as dificuldades para a sua equipa. Com a necessidade de manter o equilíbrio defensivo, Carlos Pereira - Paulo Bento ainda cumpre castigo - trocou Derlei por Pereirinha. Quem não marca, sofre. É uma frase-feita, ok, mas o futebol é quase sempre assim. Voltou a aparecer Liedson, novo golo. A um quarto de hora do final, as esperanças dos madeirenses esfumaram-se. De qualquer forma, sem nunca desistir, o Marítimo tentou de tudo para marcar. Conseguiu-o, a um minuto dos noventa, através de um golaço de Olberdam. Era tarde de mais para mudar a história.

O jogo que tinha em disputa o terceiro lugar. Esta era, indubitavelmente, a partida mais interessante das que envolviam os três grandes. O Sp.Braga, em caso de vitória, podia ainda ambicionar alcançar o Benfica na terceira posição. No entanto, a semana ficou marcada por outro tema: Jorge Jesus e as notícias que o deram como provável substituto de Quique Flores. Ora se a ideia era fazer um confronto entre os dois treinadores, o espanhol ganhou. Categoricamente. Foi desconcertante para Jesus, traído pela sua defesa e por Eduardo, vestidos de Judas. Seis minutos: passe longo de Katsouranis, falha defensiva dos bracarenses, hesitação de Eduardo e golo de Cardozo pleno de oportunismo. Sorria Quique Flores. Até lhe aparecer uma contrariedade, a lesão de David Luiz, quatro minutos depois do golo, que fez com que Maxi recuasse para lateral deslocando Miguel Vítor para o centro da defesa. Ao minuto treze, de enorme azar para o Sp.Braga, Di María aproveitou um brinde de Eduardo e aumentou a vantagem dos encarnados. Assim, de um momento para o outro e num curto espaço de tempo, o Benfica já tinha dois golos de avanço. O Sp.Braga, já se sabe, não é equipa de se ficar. Esteve perto, perto de marcar mas Renteria falhou de forma incrível. O jogo estava numa toada de parada e resposta, aberto, com oportunidades em ambas as áreas. 22 e 28 minutos: Paulo César e Renteria estiveram perto do golo mas Moreira, regressado à baliza, agigantou-se e impediu a festa dos minhotos. Chegou o intervalo e Jorge Jesus decidiu mudar as peças, colocando Rodríguez (Filipe Oliveira) e Luis Aguiar (Mossoró). Contudo, se a primeira parte tinha começado bem para o Benfica, a segunda começou melhor ainda. Três minutos jogados, terceiro golo após uma belíssima jogada de Urreta - com a permissão da defensiva contrária. Respondeu Paulo César, também através de uma jogada individual, mas sem sucesso. A seguir foi Moreira, mais uma vez, a impedir o golo. O Benfica, aos 61 minutos, voltou a mostrar-se num cabeceamento de Cardozo devolvido pelo poste. A partida estava resolvida, Quique melhor do que Jesus. O Sp.Braga nunca baixou os braços, é certo, e acabou recompensado pelo golo de honra marcado por Luis Aguiar já em cima do apito final. Ah, é verdade: Quique Flores foi expulso do banco por protestos. É notícia, de facto.

Atenções viradas para a luta pela permanência. Na última jornada, Rio Ave, Vitória de Setúbal, Belenenses e Trofense decidirão quem cairá na Liga Vitalis. A equipa do Restelo, agora orientada pelo ex-internacional Rui Jorge, conseguiu uma vitória preciosa frente ao Rio Ave que lhe permite ainda sonhar com a permanência. O Vitória poderia confirmar a manutenção caso vencesse o Leixões mas acabou por ser derrotado por 1-0. Dessa luta já não faz parte a Naval, mesmo perdendo com a Académica - época sensacional da Briosa de Domingos. Na Liga Vitalis, o Olhanense confirmou a subida de divisão e, em 2009-10, estará entre os maiores do futebol português.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Jornada de campeão

ANÁLISE JORNADA 28 - LIGA SAGRES

(Crónica FC Porto-Nacional)

Havemos campeão. Sem surpresas, o FC Porto conquistou o segundo tetracampeonato da sua história. Um golo de Bruno Alves, frente ao Nacional, serviu de chave para desbloquear nova conquista. Na mesma jornada, o Sporting confirmou o segundo lugar enquanto que o Benfica voltou a perder pontos em casa, desta vez ante o Trofense, penúltimo classificado. No regresso de Jorge Jesus ao Restelo, o Sp.Braga confirmou a Liga Europa e deu guia de marcha ao Belenenses para a descida.

89 minutos, Sporting-Vitória de Setúbal, 1-1, empate que parece ser definitivo. Aparece Liedson, o único capaz de marcar, o único capaz de resolver. Golo. O Sporting ganha: o jogo e o segundo lugar. É verdade que não jogou bem mas foi sempre a melhor equipa perante um frágil Vitória, desesperado por um pontinho que fosse. Sem poder contar com Paulo Bento no banco e Pedro Silva no lado direito da defesa, ambos castigados ainda por causa da final da Taça da Liga, a equipa leonina sabia que em caso de derrota daria automaticamente o título ao FC Porto, enquanto que se ganhasse segurava o segundo lugar, devido ao empate do Benfica ante o Trofense. Jogados os primeiros vinte e seis minutos sem grandes cometimentos, Liedson entra em cena para o seu primeiro acto: cruzamento de Caneira, falha entre Kieszek e Anderson e golo do levezinho, pleno de oportunismo. Porém, o Sporting jogava à semelhança daquilo que havia feito em Coimbra, no nulo frente à Académica: sem velocidade, sem aquela garra de querer empurrar o adversário para a sua área, algo que tinha sido apanágio nesta ponta final do campeonato. Daí que o Vitória, num lance de puro contra-ataque trabalhado por Leandro Lima e concluído por Bruno Gama, tenha empatado. E assim terminou a primeira parte, com um empate que sabia a justiça para os vitorianos. Após o descanso, o Sporting entrou melhor na partida, mais mandão. No entanto, aos 47 minutos, Zoro teve a oportunidade de silenciar Alvalade e colocar o Vitória em vantagem mas o cabeceamento saiu ao lado da baliza de Rui Patrício. Com o empate, persistente, Carlos Cardoso encolheu a sua equipa, fechando-se em torno da sua área - voltou a tirar Bruno Gama e Leandro Lima, à semelhança do jogo do Dragão. O Sporting cresceu, o golo anunciava-se, Pawel Kieszek não permitia que se confirmasse. E assim se chegou a esse tal minuto 89 onde Liedson voltou a ser obrigado a resolver. Nota final para os incidentes, ainda no aquecimento, entre o árbitro Duarte Gomes e o treinador de guarda-redes do Sporting, Ricardo Peres, que chegou a envolver empurrões, stewards e acabou na expulsão de Peres. Uma cena de autoritarismo despropositado.

93 minutos, Benfica-Trofense, 2-2, apito final de João Ferreira. Os encarnados voltam a desiludir os adeptos, ouvem-se assobios estridentes, vêem-se lenços brancos. Quique Flores sabe bem que o seu futuro também se joga dentro das quatro linhas. Por isso, era imperativo ganhar para pressionar o Sporting, na luta pelo segundo lugar, e afastar-se do quarto, ocupado pelo Nacional. Não conseguiu nada disso. Esta partida com o Trofense significou o adeus definitivo à Liga dos Campeões e deixou o treinador espanhol numa posição cada vez mais frágil, com a porta de saída entreaberta. Vamos por partes. O jogo começou entretido. Surgiu a primeira grande ocasião de golo, aos treze minutos, num cabeceamento de Luisão ao poste. O Benfica estava por cima, voltou a estar perto do golo aos 28 minutos: a jogada foi algo confusa e dividida entre Aimar, Cardozo e Urreta, mas nenhum deles conseguiu marcar, devido também à boa acção de Zamorano e do guarda-redes Marco. Dois minutos volvidos, golo. Do Trofense. Após um livre milimétrico de Hugo Leal, Valdomiro saltou mais alto do que Luisão e cabeceou para dentro da baliza de Quim. A vantagem da equipa de Tulipa, surpreendente, foi sol de pouca dura. Em três minutos, aos 36 e 39, Oscar Cardozo deu a volta ao resultado. Primeiro, sem oposição, apenas encostou o pé à bola para empatar; depois, após um bom cruzamento de Urreta, cabeceou para o segundo. A vantagem do Benfica ao intervalo era merecida. O segundo tempo começou com os encarnados por cima, obrigando Marco a algumas boas intervenções. Mas veio o golo do Trofense, a dois minutos de se completar a hora de jogo. Novo livre de Hugo Leal, desvio de Varela, golo de Paulinho. O Benfica perdeu a capacidade de reacção que tivera na primeira parte. Quique Flores lançou Balboa e Mantorras mas os efeitos foram nulos, o Trofense fechou-se para garantir o empate. Assim terminou o jogo, com 2-2. Que dá esperança aos da Trofa e acentua a crise dos encarnados. Qué pása?

O último lugar europeu está definido. Com as derrotas de Leixões frente à Académica e do Marítimo em Paços de Ferreira, o Sp.Braga garantiu a presença na Liga Europa. A equipa de Jorge Jesus jogou no Restelo e contribuiu para afundar ainda mais o Belenenses, numa goleada por 5-0. Nacional e Sp.Braga lutarão agora pela melhor classificação possível, com o terceiro lugar em vista. Na cauda da tabela, o Belenenses parece mesmo destino a descer à Liga Vitalis, enquanto que o Trofense ganhou novo ânimo com o empate frente ao Benfica. Garantiram a permanência o Paços e o Estrela da Amadora. O Rio Ave, com a vitória em Guimarães, deu um passo importante para se manter.

domingo, 3 de maio de 2009

Aberto o caminho para o tetra!

ANÁLISE JORNADA 28 - LIGA SAGRES

Ponto final, parágrafo. O FC Porto está a um pequeno, pequeno passo de se tornar campeão. Venceu na Madeira, o Marítimo, e aproveitou o empate do Sporting ante a Académica. A festa da consagração poderá ser feita já no próximo jogo, no Dragão, onde encontrará o Nacional, que venceu o Benfica, garantindo a presença europeia e agudizando o mau período encarnado. Atenções também voltadas para a luta pela permanência.

Três pontos, três escassos pontos é aquilo que separa o FC Porto de mais um título de campeão nacional. A vitória frente ao Marítimo, a décima seguida fora de casa, deixa os portistas à espera de novo encontro que lhes possa dar esses tais pontinhos que faltam. Entraram em campo sabendo dos resultados dos mais directos rivais, sabendo que poderiam aumentar a vantagem para seis pontos. O jogo na Madeira era, porventura, o mais difícil que a equipa de Jesualdo Ferreira teria pela frente nesta ponta final. A exibição não foi de luxo, nem de perto nem de longe, mas foi consiste. A vitória, objectivo-mor, foi conseguido: três golos divididos por Raúl Meireles, Rolando e Tomás Costa, a que o Marítimo não teve capacidade para responder. Porém, não se pense que a partida foi um passeio para o FC Porto. A equipa entrou bem, desejosa de resolver logo a questão, dando um enorme passo para o tetra. Depois de um ameaço de Bruno Alves que esbarrou no poste da baliza de Marcos, veio o primeiro golo, o golo de Meireles. Estavam jogados três minutos, não havia melhor começo possível. Em vantagem na partida, são bem conhecidos os atributos dos portistas para controlarem as operações. Foi isso que fizeram, exactamente, ao passo que o Marítimo não conseguia criar perigo para Helton, numa tentativa de imitar aquilo que havia feito na ronda anterior diante do Benfica. No entanto, para o reatamento, Carlos Carvalhal lançou Baba, com a finalidade de dar maior velocidade ao ataque. Conseguiu-o. Os maritimistas subiram de produção, criaram mais perigo. O entrado Baba, por duas vezes, esteve perto do empate. Não foi eficaz e ao invés, o FC Porto marcou o segundo, num desvio de Rolando após livre de Rodríguez. O golo da tranquilidade. Até final houve gestão. Puramente. Marcinho, para o Marítimo, acertou com estrondo na barra a mais ou menos um quarto de hora dos noventa. Aos 83, numa transição rápida, Tomás Costa finalizou o resultado. Ponto final. No jogo e no campeonato.

Paulo Bento tinha dito na antevisão que não era admissível que a Académica voltasse a tirar pontos ao Sporting, depois do nulo em Alvalade. Era obrigatório vencer para manter a perseguição ao FC Porto, esperando por uma escorregadela do líder. Primeiramente existia a necessidade de vencer os seus encontros, só depois olhar para os da concorrência. Em relação ao último onze, apresentado frente ao Estrela da Amadora, regressaram Moutinho e Derlei enquanto que Abel e Tonel voltaram à defesa, em substuição de Pedro Silva (lesionado) e Polga (castigado), respectivamente. A Académica, tranquilamente colocada a meio da tabela, nada tinha a perder e pretendia voltou a ser desmancha-prazeres, retirando pontos à equipa leonina. O início do jogo mostrou que este não era o mesmo Sporting que se tem exibido ultimamente, com garra, atitude e enorme vontade de vencer. Pelo contrário: sem velocidade, sem ideias, com pouco espaço de manobra. A primeira parte quase não teve história, assistiu-se a um jogo sem balizas apesar de disputado. No Sporting, a única equipa a precisar da vitória, o meio-campo não tinha capacidade de produção, João Moutinho estava irreconhecível falhando imensos passes e era Liedson quem tinha de procurar a bola atrás. Após o intervalo, a equipa de Paulo Bento surgiu melhor e com mais vontade de chegar ao golo. A pressão foi aumentando, abriram-se mais espaços. Trocaram-se Adrien por Izmailov e Pereirinha por Djaló, a fim de dar mais largura ofensiva. Aos 73 minutos, apareceu Derlei: boa desmarcação, entrada na área e remate com selo de golo parado pelo gigante Peskovic, ele que teima em não deixar os sportinguistas festejarem depois daquela monumental exibição em Alvalade. Finalmente uma real oportunidade para alguém marcar. Porém, o jogo continuou na mesma toada que trazia, com diversas pausas, quase sem ritmo. Em cima do final, num contra-ataque, Sougou quase fez o golo para a Académica. Rui Patrício, com uma enorme defesa, impediu. O golo e uma vitória injusta dos estudantes. No entanto, o Sporting, esse, ficou fora do título.

Um fala espanhol, o outro diz-se que manuel-machadês. Um teve receio e foi conservador, o outro não. Um, de seu nome Quique Flores, foi impotente para travar um outro, Manuel Machado. E, consequentemente, o Benfica não teve armas para vencer o Nacional. Quique apostou num onze de contenção, com Katsouranis na vez de Di María, fazendo com que Rúben Amorim fosse obrigado a jogar sobre o lado direito, perante um Nacional onde Cléber, na sua posição de médio defensivo, funcionava, por vezes, como central. A equipa insular entrou melhor, com boas combinações entre Nenê e Mateus, sempre com o apoio presente de Rúben Micael e aproveitando bem as subidas dos laterais Patacas e Alonso. O jogo estava entretido mas sem grandes cometimentos. Até aparecer David Luiz, à meia hora, numa boa incursão pela esquerda, rematando para uma enorme defesa de Rafael Bracalli. Depois, foi Cardozo a testar o guarda-redes do Nacional, que voltou a responder da melhor forma. Chegou o intervalo com o nulo, justo. A segunda parte começou de igual forma: o Benfica tinha a iniciativa mas faltava inspiração; o Nacional tentava sair em transições rápidas, a grande arma desta equipa. O jogo ganhou um novo ânimo, entrando nos 50 minutos. Nenê, de muito longe, obrigou Quim a uma boa defesa enquanto que, na resposta, Cardozo esteve perto do golo mas voltou a esbarrar em Bracalli. Quique Flores decidiu, por fim aos 55 minutos, arriscar tirando Katsouranis para lançar Di María. No minuto seguinte, numa dessas tais transições,
Alonso fez um cruzamento milimétrico para Nenê, o goleador-mor, desviar de Quim, aproveitando uma falha de Sidnei. Golo. O Benfica reagiu, tentou o empate, Bracalli não deixou. 64 minutos, dois-zero: contra-ataque rápido, passe de Mateus para Rúben Micael, uma folha seca para dentro da baliza encarnada. Parecia o fim definitivo do Benfica. Não foi porque Reyes, servido de calcanhar por Rúben Amorim, reduziu. Depois, Jorge Sousa deixou passar em claro um penalty de Cléber e David Luiz atirou à barra. Numa altura em que o golo do Benfica era iminente, veio o do Nacional. Transição rápida, cruzamento, golo. Simples de mais.

O Nacional garantiu a presença na Liga Europa, após a vitória sobre o Benfica: aproximou-se do terceiro lugar e afastou-se do quinto, ocupado pelo Sp.Braga, que cedeu um empate em Vila do Conde - ponto precioso para o Rio Ave. Além disso, também o Leixões comprometeu pois foi derrotado pelo Estrela da Amadora, equipa que garantiu a permanência na Liga Sagres. Fora dessas contas está o Vitória de Guimarães, mesmo tendo vencido a Naval, senhora de uma posição tranquila. Em termos de fuga à despromoção, o Vitória de Setúbal somou mais uma vitória, que o catapultou para lugares mais desafogados. Nos lugares que dão descida, continuam Trofense e Belenenses. Independentemente do que possa dar o jogo de amanhã.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O tetra mais perto mesmo sem ser incrível

ANÁLISE JORNADA 26 - LIGA SAGRES

Como na
Missão Impossível ou numa aventura de James Bond, o tempo começa a esgotar-se. Os minutos passam cada vez mais depresa, é um contra-relógio. Aí, nessa posição, está o FC Porto até chegar ao título. Nada está decidido ainda. Porém, só um autêntico cataclismo será capaz de impedir o tetra à equipa de Jesualdo Ferreira. Avisos não faltam.

Lisandro López ou Licha, argentino, avançado do FC Porto. Um jogador de uma entrega fantástica, capaz de discutir todos os lances como se valessem pontos, mesmo que falte alguma inspiração. É uma imagem perfeita daquela máxima que diz antes quebrar que torcer. Foi decisivo na vitória portista, por 2-0, sobre o Vitória de Setúbal. Era importante ver como reagia a equipa sem o poder de explosão e a força de Hulk, lesionado até final da temporada. Ora foi precisamente isso, explosão, que faltou ao FC Porto na primeira parte: sentiu imensas dificuldades em criar jogo e, sobretudo, em furar a muralha do Vitória. Ouviram-se assobios perante tal apatia. Contudo, no reatamento, os dragões apareceram com uma nova chama, bem mais incisivos na procura do golo; aumentaram o ritmo, encostaram os sadinos às cordas, enfim, jogaram melhor. Faltava marcar. O minuto 58 viria a ser fundamental: Carlos Cardoso decidiu mexer no xadrez, tirando Leandro Lima e Bruno Gama, ou seja, os únicos jogadores capazes de criar perigo para Helton - Carrijo sem ter grandes apoios tentou, tentou mas perdeu-se entre os centrais. Três minutos depois, apareceu Lisandro, o homem-golo das pampas: tirou Auri do caminho e perante a saída de Kieszek fez a bola passar-lhe por cima com um toque sublime, delicioso. Estava desbravado o caminho da vitória, o Setúbal ficou em xeque. 66 minutos: cruzamento de Mariano e novo golo, um bis de Lisandro. A partir deste momento, os três pontos ficaram entregues. Sem espaço a dúvidas.

Liedson Muniz ou Levezinho, brasileiro, avançado do Sporting. Ele resolve, não há volta a dar. Seja a marcar ou até mesmo a assistir um companheiro. Assim foi, em Alvalade, frente ao Estrela da Amadora. Primeiro, à passagem dos vinte minutos, assistiu Hélder Postiga, com regra e esquadro. Foi esse tempo, esses vinte minutos, que durou a resistência da equipa de Lázaro Oliveira, com os bolsos vazios mas carregados de profissionalismo e dignidade. São frases-feitas que ilustram o Estrela na perfeição. O Sporting dispôs de mais oportunidades para marcar, jogou a seu bel-prazer, tendo sempre como alvo a baliza de Filipe Mendes. Porém apareceu, meio caído do céu aos trambolhões, o golo que deu o empate aos tricolores. Um golaço tão inesperado quanto inesperado foi o remate de Goianira. O primeiro na direcção da baliza de Rui Patrício, o primeiro a criar perigo. Entrou, foi golo. Eficácia total, está fácil de ver. Para a segunda metade, aos leões bastava (e isto é relativo, claro!) manter a boa exibição que haviam conseguido antes do descanso. Não demorou muito até Liedson resolver, foram exactamente dez minutos. Deixou a assistência a cargo de Pedro Silva e foi para o sítio onde é proibitivo deixá-lo sozinho: junto à pequena área, na zona do agrião. A equipa de Paulo Bento estava, de novo, em vantagem. Depois interessou fazer circulação de bola, jogando com o resultado e com o tempo. Mesmo em cima dos noventa, surgiu uma oportunidade enorme para o Estrela empatar, num toque de calcanhar de Vidigal. A bola passou ao lado, pertinho do poste esquerdo. Um susto, apenas. Vitória justa do Sporting.

Óscar Cardozo ou Tacuara, paraguaio, avançado do Benfica. Raras vezes foi titular ao longo da época, não se conseguindo impor a David Suazo, mas também devido ao facto de Quique Flores optar apenas por um jogador de área. Porém, com a lesão do hondurenho e com a mudança do treinador para dois pontas-de-lança, Cardozo saltou novamente para o onze titular. É já o melhor marcador dos encarnados e frente ao Marítimo voltou a mostrar a sua qualidade. Mas vamos por partes: Quique percebeu, finalmente, qual a melhor equipa para o Benfica, depois de ter feito diversas experiências. Agora, os encarnados jogam melhor, mais virados para o ataque, sempre na procura de golos. Uma nuance importante passa pelo meio-campo: em quase todo o campeonato, jogaram Katsouranis e Yebda, ou seja, jogadores mais defensivos, sem grande criatividade ofensiva; neste momento, jogam Carlos Martins e Rúben Amorim, que conseguem fazer bem melhor essa tarefa de construir jogo até aos atacantes. Em relação ao jogo desta jornada, o Benfica entrou forte, com uma primeira parte bem produtiva em golos: marcou um, depois outro e ainda mais outro. Aos 38 minutos, eram três. O jogo assemelhava-se ao de Setúbal e o Marítimo parecia nunca mais renascer. Engano. Um golo de Marcinho, a um minuto do intervalo, devolveu alguma esperança à equipa de Carlos Carvalhal. Para o reatamento, as águias, à semelhança do que já tem acontecido, baixaram o ritmo e ficaram mais na expectativa. Aproveitou o Marítimo, reduzindo para 3-2, no minuto 60. Até ao apito final de Rui Costa, houve oportunidades para ambas as equipas. Nenhuma marcou. O jogo acabou com a vitória do Benfica. Bem mais suada do que esperado a certa altura da primeira parte.

Na luta pelo quarto lugar, o Nacional manteve a vantagem de dois pontos para o Sp.Braga. Venceram as duas equipas: os insulares derrotaram o Belenenses, num jogo envolto em polémica, que atirou a equipa de Jaime Pacheco para os penúltimo lugar; a equipa de Jorge Jesus teve de sofrer mas conseguiu vencer o Trofense, em casa, com um golo de Alan. Em relação à permanência, o Rio Ave saiu dos lugares de descida, depois da vitória frente à tranquila Naval.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mesmo sem comandante, o dragão caminha forte

ANÁLISE JORNADA 25 - LIGA SAGRES

Mais uma jornada, mais um passo do FC Porto para o título. Na contagem decrescente, cada vez mais acelerada, para o fim do campeonato, os portistas mantiveram a vantagem de quatro pontos para o Sporting. Imitando os dois rivais, o Benfica também venceu, pressionando assim a equipa leonina tendo em vista o segundo lugar. Porém, é proibido relaxar. O FC Porto sabe-o. E Jesualdo também.


O FC Porto entrou em campo um dia depois da vitória do Sporting em Guimarães, que deixava a equipa de Paulo Bento a apenas um ponto do primeiro lugar. Jogou em Coimbra, frente a uma Académica super-moralizada pela vitória na Luz, na ronda anterior. Este foi também um teste (já que estamos na cidade dos estudantes!) para ver como reagiria a equipa, sem poder contar com Lucho, el comandante, operado ao joelho esquerdo na sequência de uma lesão no jogo com o Manchester United, para a Liga dos Campeões. Não é à toa que o médio argentino tem essa alcunha, ele é mesmo o líder dos portistas dentro de campo, é um jogador de enorme classe. No seu lugar, Jesualdo Ferreira optou por colocar Mariano González, não fazendo mais nenhuma alteração no onze-base. O jogo começou entretido, tendo uma Académica mais pressionante perante um FC Porto algo hesitante. No entanto, progressivamente, os portistas foram tomando conta da partida. Tiveram mais perto do golo na primeira etapa mas mesmo em cima do intervalo, Olegário Benquerença prejudicou a Académica ao não assinalar um penalty claro, por mão de Raul Meireles. No reatamento, foi novamente a equipa de Domingos a criar mais perigo: chegou mesmo a marcar mas o lance foi bem anulado por falta de Orlando sobre Rolando, no momento em que cabeceou para dentro da baliza. Até que, de um momento para o outro, o FC Porto simplificou uma tarefa que se estava a tornar bem complexa. Marcou primeiro por Rolando, num livre de Meireles; e sentenciou a partida, dois minutos depois, com um penalty convertido por Lisandro após um erro de Amoreirinha. Estava construída a vitória portista. Em cima dos noventa, Mariano González ainda marcou o terceiro - em posição irregular, diga-se. Mais um passo para o tetra.

Um dia antes da partida de Coimbra, jogou o Sporting. E ganhou em Guimarães, como já se disse acima. Um jogo envolto em polémica pela arbitragem de Bruno Paixão, o que não é propriamente uma novidade. É um mau árbitro, inquestionavelmente. Na antevisão da partida, ambos os treinadores demonstraram que só tinham a vitória no pensamento. Paulo Bento afirmou que o terceiro lugar não serve, Manuel Cajuda foi mais longe ao apontar a sua equipa como favorita para este jogo. Que começou vivo, vocacionado para o ataque e com oportunidades. Os guarda-redes, sobretudo Nilson, assumiram um papel fundamental, impedindo que não houvesse golos. É justo dizer que também a trave da baliza vitoriana não deixou que Derlei colocasse o Sporting em vantagem. Porém, foi a um minuto do intervalo que surgiu o caso mais polémico do encontro. A equipa leonina marcou, por Daniel Carriço, mas Bruno Paixão entendeu que houve pé em riste do jogador do Sporting. A decisão parece correcta. Contudo, não se percebe o porquê de o árbitro ter acompanhado toda a jogada e só depois de a bola entrar tenha apitado - talvez tenha sido o assistente, mais longe do acontecimento, a ver a falta. Ora, polémicas à parte, veio a segunda parte. Com o golo de Roberto, aos 56 minutos, após cruzamento de Nuno Assis. Os minutos que se seguiram foram de domínio do Vitória, dispondo de mais duas/três oportunidades para marcar. Diz-se que quem não marca, sofre. Aconteceu. O Sporting deu a volta, marcando aos 81 e 89, pela dupla atacante Liedson-Derlei. Virou o jogo, ganhou três pontos. Sem Paulo Bento no banco, desde os 65 minutos...

O Benfica era aquele que tinha, em termos teóricos, a partida mais acessível se bem que nesta fase todos os jogos tenham uma enorme pressão. Enfrentou o Vitória de Setúbal, no Bonfim, um clube com inúmeros problemas e instabilidade provocados pelo vazio directivo em que se encontra. A equipa encarnada pretendia regressar às vitórias, depois de derrotado em casa pela Académica. O jogo teve apenas um sentido: a baliza de Pawel Kieszek. Depois de já ter desperdiçado um par de oportunidades para marcar, Nuno Gomes fez o primeiro golo. Estavam jogados 25 minutos e a tarefa do Vitória ficou bem mais complicada. Dois minutos depois, marcou Cardozo, a machadada final, aproveitando um lance em que a defesa vitoriana ficou a ver a banda passar. O paraguaio teve tempo para tudo e acabou com o jogo. Não há exagero, garantidamente. Daí até intervalo, Reyes continuou a encher o campo - Michel foi um autêntico passador! - e o Benfica chegou com naturalidade ao terceiro golo, bis do Tacuara. Foi com esse resultado, que tira qualquer dúvida sobre a supremacia benfiquista, que as equipas foram para o descanso. Ah, é verdade: o Vitória rematou, pela primeira vez, já em tempo de descontos por Hugo. Com o jogo controlado, restavam 45 minutos para os encarnados gerirem aquilo que já tinham conseguido. Tiraram o pé do acelerador, naturalmente, e o Vitória passou a aproximar-se da baliza de Quim. A menos de quinze minutos do final, Filipe Brigues, um júnior, teve nos pés o golo de honra mas não conseguiu ultrapassar o guarda-redes benfiquista. Novo bis: Nuno Gomes, para fechar as contas. E para dar novo alento ao Benfica na luta pela Liga dos Campeões. O Vitória, esse, terá muitas dificuldades em manter-se na Liga Sagres ainda para mais numa equipa com muitos, muitos jovens.

Nessa luta para fugir aos lugares do fundo da tabela, Rio Ave e Trofense trocaram de posições: ao vencer por 2-1, a equipa de Carlos Brito deixa o último lugar para os da Trofa. O Paços de Ferreira, após derrotar o Estrela da Amadora, deu um passo importante para escapar dessa luta. Voltando aos lugares cimeiros, de Europa, Nacional e Sp.Braga, em duelo pelo quarto lugar, empataram, deixando tudo igual com os madeirenses um ponto à frente da equipa de Jorge Jesus; ainda nessas contas, o Marítimo somou mais um empate, em casa, desta vez frente ao Belenenses. Carlos Carvalhal não tem tido os resultados que pretendia.

sábado, 11 de abril de 2009

A tecla não falha e o Benfica chumba

ANÁLISE JORNADA 24 - LIGA SAGRES

Falta menos uma jornada e o FC Porto mantém a vantagem de quatro pontos para o Sporting. Ganharam ambos, com justiça. Ao invés, o Benfica foi vencido pela Académica no Estádio da Luz, a segunda derrota seguida em casa. Depois de Roberto, foi Tiero a estragar as contas de Quique Flores que ficaram agora bem complicadas até em relação ao segundo lugar (quatro pontos de diferença). Encaminha-se outra taça para o Dragão?


Deram alvíssaras os adeptos do FC Porto pela entrega dos troféus respectivos aos dois últimos campeonatos ganhos. O jogo com o Estrela da Amadora, antes e depois de encontros europeus com o Manchester United, serviu para dar mais um passo para nova conquista. Não só pelos resultados mas pelas exibições consistentes e sólidas que os portistas apresentam. Contudo, neste jogo nem sempre assim foi: a equipa entrou algo apática, sem pressionar alto e com algumas dificuldades em assentar o ritmo. Eram ainda os resquícios do desgastante jogo de Old Trafford. O Estrela, há que dizê-lo, esteve melhor nos primeiros quinze/vinte minutos mas nem Helton nem os defesas dos dragões vacilaram. Um remate de Farías para defesa de Nélson foi, talvez, a pedra de toque para mudar o jogo e para que o FC Porto pusesse o plano em prática. Veio o golo de Bruno Alves, um golão de livre, à meia hora de jogo. Aí, o jogo praticamente ficou sentenciado. Na segunda parte, o FC Porto consolidou o seu jogo e, consequentemente, o resultado. Vieram mais dois golos de Ernesto Farías que fixaram o 3-0 final. Com uma gestão perfeita de Jesualdo Ferreira, em mais um passo para o tetra.

Como diria o outro, tantas tácticas e tantas descobertas para nada porque no final quem resolve é Liedson. É uma verdade que ninguém ousa sequer contestar, de tão evidente que se torna. O levezinho é um jogador de enorme categoria que não precisa de muito para fazer mossa nas defesas contrárias. O jogo com a Naval serviu novamente para o comprovar. Primeiro, Liedson aproveitou uma escorregadela de Baradji e cruzou a bola para que Pereirinha inaugurasse o marcador; depois, no minuto 27, foi inteligente antecipando-se aos defesas navalistas para desviar um livre de Moutinho para dentro da baliza; e deu, já em cima do final, o golpe de misericórdia na Naval, num lance em que aproveitou uma defesa de Peiser para a frente, estabelecendo assim o 3-1 final. Pelo meio surgiu o golo da equipa de Ulisses Morais, aos 16 minutos, marcado por Marcelinho após um erro de Miguel Veloso - regressou para jogar a trinco - e coroando um bom período da Naval. Depois surgiu Liedson, como já foi dito, para resolver de vez. E para dar uma vitória justa ao Sporting. Sem brilhantismo, porém.

Quique Flores disse querer mudar a má imagem deixada pelo Benfica na Amadora apesar da vitória. Não conseguiu. Piorou até. Os encarnados sofreram a segunda derrota consecutiva em casa, ao perder por 1-0 com a Académica, embora tenham jogado bem melhor do que na jornada anterior. Paradoxal, não? Ganha quem marca mais e só isso conta. A Académica fê-lo. Não que tenha jogado bem, nada disso, mas foi mais eficaz do que o Benfica. Marcou aos 22 minutos, num bom golo de Tiero, com um cabeceamento sem hipóteses para Quim mas muito consentido pela defesa encarnada. Os encarnados reagiram e ainda antes do intervalo, Pablo Aimar acertou na barra. A segunda parte foi de total domínio do Benfica, sempre em busca do golo do empate, frente a uma Académica que se fechou em redor da sua área desistindo do ataque. Houve oportunidades de sobra mas aí também surgiu Peskovic, um guarda-redes gigante, numa noite fantástica fazendo lembrar a sua exibição em Alvalade. Além disso Cardozo ainda acertou no poste e o árbitro Marco Ferreira anulou mal um golo a Aimar por falta inexistente de Nuno Gomes. Quique lançou Di María, Balboa e Mantorras, sem que nenhum deles tenha mudado o que quer que fosse. No final viram-se lenços e até lençóis brancos. Maus, maus lençóis para o Benfica.

O Belenenses deu um pontapé na crise e venceu o Vitória de Setúbal, um jogo absolutamente decisivo como considerou Jaime Pacheco. São dois clubes históricos, com enorme percurso no futebol português que vivem maus momentos quer em termos futebolísticos quer em termos financeiros. Por outro lado, o Rio Ave mantém-se no último lugar depois de derrotado pelo Leixões que voltou finalmente às vitórias, subindo ao sexto lugar em troca com o Marítimo que arrancou um empate em Braga. Nessa luta pela UEFA, o Vitória de Guimarães não aproveitou a oportunidade de se chegar mais à frente e empatou com o Paços de Ferreira, sendo mesmo ultrapassado pela Académica. A jornada termina apenas na segunda-feira com o encontro entre Trofense e Nacional que pode levar a novas mexidas: a equipa de Manuel Machado poderá subir ao quarto lugar trocando com o Sp.Braga, em caso de vitória, o que a acontecer fará com que o Trofense caia para o penúltimo lugar, do qual escapa o Belenenses. Contudo, são apenas hipóteses. A confirmar na segunda.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O incrível que embala o dragão

ANÁLISE JORNADA 23 - LIGA SAGRES

Há quem se atreva a dizer que ficou tudo igual. Não ficou. Porque apesar das vitórias dos grandes que mantém as diferenças falta menos uma jornada para o final do campeonato. Logo, isso significa uma vantagem para o FC Porto, líder, que parece encaminhado para o título se bem que ainda tenha deslocações complicadas. Porém, os rivais também as terão. Veremos se têm estaleca.


Categórica. É a palavra perfeita para descrever a vitória do FC Porto, em Guimarães, ante o Vitória. Não foi fácil, não é isso que se pretende dizer, mas esta era talvez a jornada em que sportinguistas e benfiquistas depositavam maior confiança numa derrota do líder. Chegaram a tê-la com o golo de Roberto, aos 19 minutos, que colocou a equipa de Manuel Cajuda em vantagem. Um golo que surgiu no primeiro remate perigoso à baliza de Helton, pois até aí o jogo havia sido totalmente dominado por uma entrada a todo o gás do FC Porto tendo como ponto alto um grande remate de Farías a que Nilson respondeu com uma defesa monstruosa. Com os vitorianos em vantagem, o jogo pouco ou nada mudou. Houve oportunidades para o empate - que falhanço de Farías com a baliza à mercê! - mas o intervalo chegou com a vitória da equipa de Cajuda. Para a segunda parte, o FC Porto entrou com tudo. Literalmente. Empatou aos 52 minutos num cabeceamento de Farías (tanto tentou que acertou!) após cruzamento soberbo de Raul Meireles; virou o resultado seis minutos depois num golo feliz de Mariano González. Tinha ido ao fundo a estratégia do Vitória, num ápice. Marcou Rolando, a dois minutos dos 90', o terceiro. Justiça numa exibição categória, à campeão, da equipa de Jesualdo Ferreira impulsionada por Hulk, o incrível. Com Lucho e Rodríguez no banco!

Coerente. É a palavra perfeita para descrever a vitória do Sporting, em Matosinhos, ante o Leixões. Era um jogo que se esperava, à partida, trazer inúmeras dificuldades à equipa de Paulo Bento ainda que este Leixões tenha muito pouco daquele que empolgou tantos na primeira volta da Liga Sagres. Além disso, os sportinguistas não podiam contar nem com Vukcevic (não joga mais esta temporada) nem com Izmailov ou ainda Pedro Silva. Um golo chegou para o Sporting ficar com os três pontos. Surgiu no minuto 13 quando, invertendo os papéis, Liedson descobriu Derlei que perante Beto atirou para o fundo da baliza dos leioxonenses. Em vantagem, cedo, Paulo Bento teve mais duas adversidades: as lesões de Romagnoli e Rochemback que o obrigaram a socorrer-se de Miguel Veloso e Adrien. Do lado do Leixões é justo reconhecer que os jogadores nunca baixaram os braços, não se conformando com a derrota mas esta equipa não mostra os argumentos de outrora. A contestação à arbitragem de Pedro Proença foi grande, sobretudo pelos leixonenses que se queixam de um penalty por mão de Abel mas também o Sporting reclama um empurrão de Elvis a Derlei.

Injusta. É a palavra perfeita para descrever a vitória do Benfica, na Amadora, ante o Estrela. Depois de ter visto FC Porto e Sporting vencerem os seus jogos, a equipa de Quique Flores tinha a obrigação de os imitar e vencer o Estrela da Amadora, equipa sem receber salários há vários meses e sem treinos na semana que antecedeu o encontro com os encarnados. Esperava-se, por isso, alguma falta de ritmo nos estrelistas que seria perfeitamente normal. Puro engano! O Estrela foi superior ao Benfica durante quase todo o encontro, sendo injustamente derrotada. Ora vamos ao jogo que começou com o golo dos encarnados aos 5 minutos, marcado por Cardozo de penalty (mal assinalado!). Perfeito, tudo parecia indicar para uma vitória fácil da equipa de Quique. A tarefa do Estrela complicou-se ainda mais quando, dez minutos depois, Cardozo bisou novamente de penalty. O Benfica controlava o jogo a seu bel-prazer. Até que surgiu mais um penalty, desta vez para o Estrela por falta de Yebda; Varela encarregou-se de marcar e reduziu a desvantagem. Três golos de penalty, portanto - Hugo Miguel ainda deixou passar outro por mão de David Luiz no lance imediatamente anterior ao golo do Estrela. Daí até final, o jogo foi quase só criado pela equipa de Lázaro Oliveira, sempre em busca do empate. O Benfica limitou-se a segurar a vantagem, sem chama, sem personalidade, sem atitude. Valeu Quim, surpreendentemente regressado à baliza, para segurar um precioso resultado. Sim, pois a exibição chegou a ser confrangedora perante uma equipa do Estrela que merece todos os elogios do mundo.

Na luta pela UEFA, Sp.Braga e Nacional assumiram-se como candidatos mais fortes a esses restantes lugares. Ambos venceram por 3-0, fora: os arsenalistas em Setúbal enquanto que a equipa de Manuel Machado goleou o Rio Ave. O Leixões e o Marítimo (empate com o Trofense) atrasaram-se nessa luta. Quanto à permanência, a Académica deu um passo importante ao vencer o Belenenses que se afunda cada vez mais enquanto que Paços de Ferreira e Naval empataram.

domingo, 15 de março de 2009

Aceleração para o tetra?

ANÁLISE JORNADA 22 - LIGA SAGRES

Chama-se Roberto, é jogador do Vitória de Guimarães e é o principal responsável pelas mudanças na classificação do campeonato. Foi com um golo seu que a equipa de Manuel Cajuda derrotou o Benfica, na Luz. A oito jornadas do fim, os encarnados ficaram mais longe da liderança e viram-se ultrapassados pelo Sporting. Está mais confortável o FC Porto com quatro e cinco pontos de vantagem para os rivais. Será que embala para o tetra?

Vamos começar, então, pela derrota do Benfica. Sabia-se que seria um jogo complicado para os encarnados mas nesta fase da época todos eles são, existe uma pressão terrível de ganhar. A equipa de Quique Flores falhou. Porque faltaram ideias, faltou chama, faltou querer. A primeira parte não teve grande história à excepção de um remate de Desmarets que Moreira defendeu bem. De qualquer forma, esteve melhor o Benfica tendo mais controlo quer do jogo quer da bola; não havia, porém, as tais ideias para incomodar Nilson. No reatamento, a equipa do Benfica mostrou-se algo nervosa, com vontade de chegar o mais rápido possível ao golo. Só que para isso era necessário um discernimento que os encarnados não tinham. Face a tamanha falta de ocasiões de golo, Quique Flores mexeu na equipa. Mexeu mal. Retirou Cardozo, ainda que desinspirado era o único avançado em campo, e lançou Nuno Gomes. Contudo, pertenceu a um médio, Katsouranis, um lance de ataque mas o remate saiu para fora. Aproveitou o Vitória de Guimarães para, aos 66 minutos, chegar à vantagem com um golo de Roberto. Três minutos depois disso, Nuno Gomes dispôs de uma oportunidade soberana para empatar mas Nilson foi melhor. Apareceu mais uma oportunidade de ouro, já em descontos, num remate de Balboa para fora. À quinta tentativa, o Vitória conseguiu mesmo derrotar o Benfica. Na Luz, numa exibição fraca dos encarnados que deixaram o título mais longe.

González & González. Não é o nome de nenhuma multinacional mas fazem uma boa sociedade: um é Lucho, o outro Mariano. Foram eles os principais destaques da vitória do FC Porto sobre a Naval, que permitiu aos portistas ficar com mais vantagem sobre o segundo lugar, agora de posse do Sporting - falaremos deles mais à frente. Haveria, à partida, um certo desgaste na equipa de Jesualdo Ferreira, muito por culpa da partida da Liga dos Campeões, com o Atlético Madrid e além disso é nos jogos em casa que o FC Porto mais desperdiça pontos. Contudo, nada disso aconteceu. Os portistas entraram com garra e com enorme vontade de chegar ao golo. Sucederam-se as oportunidades, tendo Rodríguez (falhanço incrível aos três minutos!), Mariano e Lisandro na linha da frente. A Naval aguentava o barco muito por culpa de Paulão, já com dois cortes in extremis a impedir que o FC Porto marcasse. Porém, não chegou, para travar um remate vitorioso de Mariano González, à meia hora de jogo, depois de um bom lance sobre Daniel Cruz - o tal que marcou o golo da vitória da Naval na primeira volta. O momento alto da partida estava, ainda, reservado para o minuto 68 quando a sociedade González voltou a funcionar e Lucho, com uma classe enorme, marcou o segundo golo para os portistas. Era o golo da tranquilidade, sobretudo. Até porque antes disso, Paulão quase empatou. Contas feitas, o FC Porto ganhou de forma confortável. E alguém se lembrou que faltavam Fernando e Hulk?

Ora como o prometido é devido, chegamos ao jogo do Sporting. Foi um jogo sem grande história, há que dizê-lo. Era um jogo importante para os leões se redimirem (ou pelo menos, tentarem) do jogo de Munique frente ao Bayern. O Rio Ave, a precisar de pontos para sobreviver, queria complicar a tarefa. Em vão, contudo. A equipa de Paulo Bento foi sempre a mais perigosa, esteve sempre por cima do adversário e mostrou, desde o começo, grande vontade de ganhar. A resistência do Rio Ave durou, apenas, até aos 22 minutos quando João Moutinho marcou o primeiro golo. Três minutos volvidos, o Sporting teve oportunidade de aumentar a vantagem mas Paiva foi enorme após um remate de Izmailov. Surgiu, depois, a melhor oportunidade da equipa de Carlos Brito, por Fábio Coentrão, aparecido frente-a-frente com Rui Patrício; o lance não teve consequências, porém. Já em cima do intervalo, os leões deram uma machadada final na partida: Bruno Mendes cortou a bola com a mão, foi expulso e na conversão do livre, Rochemback, fez o segundo golo. Ponto final. Porque na segunda parte e a jogar com mais um elemento, o Sporting limitou-se a gerir o resultado, sem criar situações de golo.

O derby madeirense, Nacional-Marítimo, deu empate; marcou primeiro a equipa de Manuel Machado, num bom remate de Juliano e empatou, já na segunda parte, Baba com um pontapé de moinho fantástico. O resultado agradou ao Sp.Braga, que não se viu ultrapassado pelo Nacional no quarto lugar, depois de ter empatado também o seu jogo com a Académica, denotando algum desgaste devido à sobrecarga de jogos a que os jogadores têm sido sujeitos. A luta pela UEFA está concentrada, sobretudo, em Braga e na Choupana. Até porque o Leixões está numa autêntica queda livre e foi derrotado, em Paços de Ferreira, por 4-0. Contudo, nada apaga a sensacional primeira volta realizada pela equipa de José Mota e esta quebra é natural. Na luta pela permanência, o Vitória de Setúbal voltou a ganhar, desta vez na Trofa e deixou a equipa de Tulipa com maiores motivos de preocupações. Por fim, o Belenenses voltou a não ganhar; empatou, em casa, frente ao Estrela. Mas também é justo dizer que recuperou de uma desvantagem de dois golos.

Com tudo contado, a Liga Sagres regressa dentro de três semanas. Num estádio perto de si.


A FRASE DA JORNADA:


Não sou o Zandinga nem a Maya mas os primeiros quatro lugares já estão entregues.
Manuel Machado, treinador do Nacional


terça-feira, 10 de março de 2009

Olha, ganharam os três!

ANÁLISE JORNADA 21 - LIGA SAGRES

Pela segunda vez esta época, os três grandes ganharam os seus jogos. O que equivale por dizer que se mantém tudo igual, as mesmas posições, as mesmas distância. Ou melhor, existe uma única diferença: agora falta menos uma jornada para jogar. E as decisões estão cada vez mais próximas. E tudo, tudo está em aberto.


O FC Porto era, à partida, aquele que tinha a tarefa mais complicada. Jogava com o Leixões, no Estádio do Mar. Era esperado um jogo intenso e disputado. Jesualdo Ferreira tinha mais um impedimento, a juntar aos laterais Fucile e Sapunaru: o castigo de Rodríguez, por acumulação de cartões amarelos. Foi então com Tomás Costa no lado direito da defesa e Mariano González e Farías - jogou na vez de Lisandro, poupado - no ataque que o FC Porto entrou no relvado. O começo prometeu muito, tendo um Leixões mais pressionante e mais rematador. Porém, a primeira grande oportunidade de golo saiu dos pés de Hulk, depois de uma arrancada a todo o gás. A equipa portista começou a tomar conta do jogo e instalou-se no meio-campo contrário. Depois de mais uma ou duas ameaças, apareceu o primeiro golo. Marcado por Lucho, de penalty. O Leixões perdeu um pouco o norte e não mais conseguiu dar seguimento à boa exibição dos primeiros minutos. Ao intervalo, a vitória assentava na perfeição aos portistas. A segunda parte começou, praticamente, com o segundo golo: erro enorme de Laranjeiro, corrida de Hulk para a baliza e já está. Aí a história do jogo ficou contada. O resto deu para o FC Porto começar a preparar o jogo da Liga dos Campeões, com o Atlético Madrid. E houve mais golos, sobretudo: o terceiro do FC Porto marcado por Raul Meireles após um nó cego de Farías a Brayan Angulo e uma simulação fantástica de Hulk; depois disso, marcou El Tecla; e para finalizar, em cima dos 90 minutos, Diogo Valente aproveitou um autêntico cabaz de Helton e reduziu a desvantagem para 4-1. Um resultado que só confirma que este FC Porto gosta mesmo é de jogar fora.

O Benfica de Quique Flores tem uma vertente masoquista, sem dúvida. Os encarnados chegaram à Figueira da Foz, para defrontar a Naval, um dia depois do jogo do FC Porto com o Leixões, sabendo que não tinham qualquer margem de erro e só a vitória servia. Porque em caso contrário, ficariam com o primeiro lugar mais longe. Conscientes disso mesmo, o jogadores do Benfica entraram com tudo. Três minutos jogados: livre de Reyes, mau alívio da defesa da Naval e remate de Aimar, de primeira, para dentro da baliza de Peiser. Porém, por paradoxal que pareça, o golo foi a pior coisa que podia ter acontecido à equipa de Quique Flores. Foram então os figueirenses a ter mais bola, mais controlo, a jogar a toda a largura. Estavam melhores do que o Benfica, há que dizê-lo. Mas não criavam perigo para a baliza de Moreira. E foi isso que valeu aos encarnados, secos de ideias e acumulando erros. A segunda parte continuou na mesma toada e, aos 53 minutos, a Naval chegou mesmo ao golo. Marcou Marcelinho com um bom remate cruzado. E foi este golo que mudou o jogo, mudou tudo. O Benfica acordou e percebeu que tinha que fazer muito mais para ganhar. Apareceu, finalmente, Di María que carregou a equipa para a frente. Já depois desse mesmo Di María ter acertado na barra, os encarnados chegaram ao segundo golo. Num cabeceamento de Katsouranis, em cima da baliza, após um cruzamento de Miguel Vítor. Era o golo da vitória. Este Benfica gosta mesmo de sofrer.

O Sporting entrou em campo primeiro que os rivais, tendo assim a possibilidade de colocar pressão extra nos outros jogos. Pela frente tinha o Paços de Ferreira, em Alvalade. Paulo Bento fez três alterações em relação ao jogo do Dragão: Rui Patrício regressou à baliza, jogando também Grimi e Adrien em vez dos lesionados Caneira e Rochemback. A equipa entrou bem, dinâmica e com boa troca de bola. O golo não tardou. Estavam jogados oito minutos e Liedson atirou para o fundo da baliza de Coelho que deu um autêntico frangão. O Paços estava com imensas dificuldades em acertar as marcações, em conseguir jogar. No oposto, os leões estavam bem melhores, sempre mais perigosos. O segundo golo já se adivinhava até que surgiu mesmo, aos 35 minutos, numa cabeçada imparável de Derlei - ele que já havia estado perto de marcar. Para a segunda parte, Paulo Sérgio lançou Cristiano para a frente de ataque levando também a uma mudança em termos tácticos. Com a alteração, os pacences conseguiram ser melhores do que tinham sido no primeiro tempo. Contudo, não incomodavam Rui Patrício. O jogo perdeu interesse e até os adeptos desligaram, fazendo a festa na bancada. Porque o resultado há muito que estava feito.

Na jornada em que os três grandes ganharam, as equipas com aspirações europeias claudicaram e nem Nacional nem Sp.Braga aproveitaram a derrota do Leixões, para se destacarem no quarto lugar. A equipa de Manuel Machado perdeu, em Setúbal, frente ao Vitória que assim recebeu um enorme balão de oxigénio enquanto que os bracarenses empataram, na Amadora, com o grande Estrela que é um exemplo a todos os níveis. Na luta pela manutenção, o Rio Ave cedeu um empate frente ao Marítimo, já em descontos, com um golo sensacional de Djalma; a Académica venceu o Trofense por 1-0 e o Vitória de Guimarães derrotou o Belenenses que está cada vez mais afundado. Porém, nada está decidido.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Clássico só para o Benfica!

ANÁLISE JORNADA 20 - LIGA SAGRES

(Crónica FC Porto-Sporting)


O campeonato está cada vez mais emotivo. Para isso contribuiu o clássico entre FC Porto e Sporting que deu num teimoso empate, permitindo assim ao Benfica aproximar-se da liderança. A juntar ao facto de até final não haver mais clássicos o que equivale por dizer que será nos jogos entre
grandes e pequenos que existirão as decisões da Liga Sagres. O FC Porto parte para as últimas nove etapas com a camisola amarela, símbolo de liderança, vestida; Benfica e Sporting continuam na roda do líder, sempre na perseguição. Contudo, há mais para decidir quer no fundo quer no que toca aos lugares europeus.

Para o Benfica era fulcral vencer o jogo, em casa, com o Leixões para depois ver descansado o clássico e ganhar terreno a, pelo menos, um dos rivais. Porém, os encarnados tinham bem a noção de que iriam defrontar a equipa sensação do campeonato que já havia conseguido ganhar no Dragão e em Alvalade e era obrigatório vencer até porque vinham de uma derrota frente ao Sporting, no derby. Seria, à partida, um jogo escaldante. E foi-o, principalmente na segunda parte. A lesão de Carlos Martins (que já havia substituído o também lesionado Rúben Amorim), a mais ou menos quinze minutos do final, quando já não havia mais substituições para fazer obrigou a que os encarnados tivessem de sofrer até ao último apito de Lucílio Baptista. Porém, houve muito jogo antes disso. Houve os golos do Benfica, incialmente: o primeiro marcado por Élvis na própria baliza, aos 16 minutos; o segundo por Nuno Gomes, já na segunda parte, após um cruzamento de Cardozo com o pé direito (sim, direito!). Aí, com 67 minutos de jogo e 2-0 no resultado, o jogo parecia acabado. Além disso, o Leixões também não tinha o caudal ofensivo de outrora, não criava lances de perigo iminente para a baliza de Moreira. Contudo, tudo mudou de uma forma repentina: a equipa de José Mota conseguiu chegar ao golo por Rodrigo, num lance um pouco atabalhoado, aos 74 minutos; dois minutos volvidos surgiu a tal lesão de Carlos Martins. Daí até final, o Leixões tentou de tudo para chegar ao empate. O jogo acabou com o clima bem quentinho. E com a vitória do Benfica, sobretudo.

A jornada 20 trouxe ainda outro clássico, um derby. Entre Sp.Braga e Vitória de Guimarães: duas equipas em momentos bem diferentes. Ganhou a equipa de Jorge Jesus, com um golo de Paulo César. Destaque para a vitória do Marítimo por 5-1 frente ao Vitória de Setúbal, na estreia de Carlos Carvalhal no comando dos insulares. Em contrapartida, passam maus momentos os sadinos. Quem também passa por dificuldades mas ninguém o diria é o Estrela da Amadora que continua a somar bons resultados: desta vez com um empate na Trofa. O Nacional de Manuel Machado e Nenê derrotou a Académica e continua bem encaminhado para a Taça UEFA. Enquanto isso, na luta pela permanência, o Belenenses pode ter feito um hara-kiri ao ter perdido, em casa, com a Naval por 2-1, ao passo que o Paços de Ferreira derrotou o Rio Ave e tirou a corda do pescoço.

Quer no topo quer no fundo, a luta está bem renhida. Nada está definido, mas agora é aquela fase do tudo ou nada.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Incrível Hulk leva o Dragão

ANÁLISE JORNADA 19 - LIGA SAGRES

(Crónica Sporting-Benfica)

O FC Porto é mais líder. Tem agora quatro pontos de vantagem sobre os segundos classificados, Benfica e Sporting. Por duas razões: primeiro porque venceu o seu jogo, em Paços de Ferreira, e depois porque o Benfica não ganhou qualquer ponto no derby de Alvalade. Assim, o clássico do Dragão ganha ainda mais importância e servirá para perceber quem tem mesmo capacidade para ser campeão. E também no fundo da tabela houve mudanças...


Os portistas jogaram em Paços de Ferreira com a certeza de que só tinham a ganhar nesta jornada, pois os outros dois rivais, Benfica e Sporting, defrontavam-se entre si. O que significava, logp à partida, que em caso de vitória, o FC Porto aumentaria a sua vantagem para pelo menos um dos outros dois candidatos. Mas, primeiro que tudo, a equipa de Jesualdo Ferreira sabia que tinha a obrigação de triunfar na Mata Real, no encontro imediatamente anterior ao da Liga dos Campeões com o Atlético de Madrid. Por isso mesmo e também devido ao número de cartões amarelos, o treinador portista deixou Lucho e Rodríguez no banco; entraram Tomás Costa e Farías para os seus lugares e Lisandro recuou no terreno disfarçando-se de El Comandante. O FC Porto entrou forte e determinado em resolver o jogo cedo enquanto que o Paços falhava muitos passes e não conseguia sair em ataque organizado. O primeiro golo dos portistas surgiu cedo, aos 15 minutos: marcou Hulk depois de uma boa combinação entre Lisandro e Cissokho pela esquerda e contando ainda com um desvio no pé de Ricardo. Melhor era impossível. Até ao intervalo, o FC Porto mandou sempre no jogo e teve mais oportunidades para aumentar a vantagem. Porém, um remate de Rui Miguel à barra da baliza de Helton a que se seguiram mais duas boas jogadas da equipa do Paços deixaram os dragões em alerta. Mais alarmados ficaram na segunda parte, pois, logo a abrir, Ferreira esteve perto de empatar a partida. A equipa de Paulo Sérgio estava agora mais atrevida e o resultado parecia mesmo em perigo. Só que o FC Porto tem a vantagem de ter Hulk, que é um jogador decisivo. E foi-o mais uma vez. Aos 65 minutos, pegou na bola e caminhou em direcção à baliza de Coelho sendo derrubado por Ricardo e penalty. Na conversão, Bruno Alves fez o segundo, acabando, de vez, com as dúvidas existentes. Já em cima do final, aos 84 minutos, o Paços de Ferreira conseguiu marcar mas o lance foi anulado por Jorge Sousa. Um lance polémico pois não se percebeu muito bem se foi assinalado fora-de-jogo (não havia) ou mão de Carlos Carneiro no momento do golo. A ser mão, o lance foi bem anulado...

Quem também poderia ter aproveitado o derby para se juntar a Sporting e Benfica no segundo lugar era o Leixões. Porém, a equipa de José Mota não conseguiu vencer, em casa, o Belenenses; esteve mesmo em desvantagem mas um golo de José Manuel colocou alguma justiça no resultado pois, na segunda parte, apenas o Leixões teve intenção de ganhar a partida. Na luta pela UEFA, o Sp.Braga venceu a Naval, por 2-1, e quebrou a malapata de não conseguir ganhar depois de uma jornada europeia. Contudo, o golo da vitória surgiu já em período de descontos, marcado por João Pereira; bem antes disso, com o resultado em 0-0, Eduardo voltou a ser decisivo ao defender uma grande penalidade - já lá vão três!, o que só demonstra bem as dificuldades que a equipa de Jorge Jesus encontrou na Figueira da Foz. No lado oposto está o Vitória de Guimarães que foi derrotado, no D.Afonso Henriques, pelo Trofense (que assim saiu da zona de descida). O castelo está a saque e a Europa cada vez mais longe. Destaque para a vitória do Estrela da Amadora sobre o Nacional o que só prova que nem sempre o dinheiro é o mais importante no futebol, quando existem bons profissionais (como é o caso); para a segunda vitória consecutiva do Rio Ave, novamente com um golo de Yazalde, desta vez frente ao Vitória de Setúbal e, por fim, para o regresso da Académica às vitórias com um 3-1 frente ao Marítimo. Derrota que custou o cargo a Lori Sandri.

Depois do derby, o clássico do Dragão no próximo sábado, ganhou ainda mais motivos de interesse. As contas finais do campeonato poderão passar por aí.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tudo igual, senhores!

ANÁLISE JORNADA 18 - LIGA SAGRES

FC Porto, Benfica e Sporting ganharam. O que significa que nada se alterou entre eles. O que não impediu que tivessem que sofrer a bom sofrer para o conseguir. Até porque nenhum deles foi brilhante. Na luta pela Europa, Nacional e Leixões ganharam terreno frente a adversários directos. Aí também vai haver luta até final!


O FC Porto voltou a ganhar no Dragão, três empates depois. Não nada foi fácil, não senhor. Longe disso. Mas vamos pelo início até porque Jesualdo surpreendeu - ou talvez não, se virmos o número de cartões amarelos - ao deixar Lisandro e Rodríguez no banco, colocando Farías e Mariano González nos seus lugares. E os portistas entraram bem melhor na partida: com vontade de resolver o jogo cedo e afastar os fantasmas que parecem assombrar o Dragão; Paiva, guarda-redes do Rio Ave é que não parecia muito para aí virado. Já depois de Raul Meireles e Hulk terem acertados nos ferros, o FC Porto chegou à vantagem num penalty de Lucho. Foi aos 37 minutos e coroava bem o domínio portista. Voltou a marcar dois minutos depois por Mariano González, num golo que nem Elmano Santos nem o seu assistente consideraram. Chegou, então, o intervalo. E a segunda parte que foi bem diferente. O FC Porto pareceu desligado do jogo e sem vontade de continuar aquilo que de bom havia feito; o Rio Ave, por sua vez, ia aproveitando a passividade dos portistas e estava mais perigoso. A entrada de Candeias animou a equipa de Carlos Brito que conseguiu empatar com um golo enorme de Fábio Coentrão, ele que já tinha acertado no poste da baliza de Helton. E os fantasmas regressaram, o jogo estava empatado. Jesualdo Ferreira tirou Cissokho e lançou Lisandro, foi tudo ao ataque. O FC Porto voltou a marcar, por Farías, a quatro minutos do fim. Também em cima dos noventa, o mesmo Farías aumentou para 3-1 e acabou, de vez, com a história do jogo. E com a crise dos portistas em casa. Do outro lado, o Rio Ave mostrou que não são precisos autocarros para jogar com um grande.


Bem, primeiro o resultado: o Benfica ganhou 3-2 ao Paços de Ferreira, no Estádio da Luz. Este teve mesmo um final à Hitchcock. Autenticamente. Para contextualizar, dizer que Quique Flores deixou Yebda (em perigo de exclusão) no banco, colocou David Luiz na lateral direita em substituição do castigado Maxi Pereira voltando a entregar o lado esquerdo da defesa a Jorge Ribeiro e Cardozo foi titular em detrimento de Suazo. Para a crónica do jogo, quase que bastava só referir a segunda parte, altura em que o jogo foi verdadeiramente intenso. Embora na primeira, o Benfica tenha estado perto de marcar também: aos 12 minutos, quando nem Luisão nem Aimar conseguiram empurrar para o fundo da baliza pacense. Ora vamos então para a segunda metade, porque pouco mais se passou na etapa inicial. Que começou melhor para o Paços de Ferreira com Leandro Tatu que conseguiu uma oportunidade soberana para o Paços mas, depois de passar por Moreira, não teve arte nem engenho para empurrar para dentro da baliza; Quique decidiu trocar Carlos Martins por Di María para ter mais velocidade e presença na frente. E correu mais riscos, também. O Benfica chegou ao golo, numa gaffe enorme do guarda-redes Cássio que Cardozo aproveitou. Caiu do céu aos trambolhões, é verdade. Foi o lance que desbloqueou o jogo, até porque Ruben Amorim aumentou a vantagem, pouco depois. E o jogo parecia entregue. Ferreira, com um remate cruzado, fez questão de desenganar quem assim pensava e o Paços voltou a acreditar que era possível mais qualquer coisa. Di María não gostou e voltou a aumentar a vantagem, com um golão de fora da área. 87 minutos, 3-1, ninguém diria que o Benfica ainda teria que sofrer. Mas teve, porque já em descontos Chico Silva reduziu para 3-2. E no último lance do jogo, no último suspiro, Kelly acertou em cheio no poste da baliza de Moreira. Foi mesmo à Hitchcock este final. Tal como havia sido na Mata Real, na primeira volta.

Para não variar a tendência, também o Sporting teve de sofrer, no Restelo. Frente ao Belenenses era obrigatório ganhar: para continuar vivo na luta pelo título depois de ter sido derrotado, em Alvalade, pelo Sp.Braga e ainda por causa do derby frente ao Benfica da jornada seguinte. Rui Patrício devido a uma lesão na mão e João Moutinho, com febre, estiveram de baixa; jogaram Tiago e Adrien. Mas as alterações de Paulo Bento não ficaram por aí: Pedro Silva foi o lateral direito, na vez de Abel, enquanto que Miguel Veloso jogou na esquerda. Quanto ao Belenenses, jogou com um esquema de três centrais - Arroz, Carciano e Ávalos - e um sistema de contenção. Ora relativamente ao jogo, a primeira parte foi quase só do Sporting. Liedson, Izmailov e Carriço bem assustaram Júlio César mas não passou disso. O falhanço do central, aos 29 minutos, foi o mais flagrante. Chegou o intervalo com o nulo e com um sentido único na partida: a baliza do Belenenses. Para o reatamento, Jaime Pacheco decidiu estender um pouco mais a equipa e trocou o central Rodrigo Arroz por Marcelo, um avançado. Foi exactamente o homem que entrou, Marcelo, quem marcou primeiro ainda que beneficiando de uma posição irregular. O golo mexeu com a equipa de Paulo Bento que perdeu um pouco o controlo que tinha até então. As entradas de Yannick e Hélder Postiga foram determinantes para que o Sporting voltasse a ser mais perigos. Bastaram quatro minutos para o Sporting dar a volta: primeiro, aos 75 minutos, Vukcevic empatou; depois, quatro minutos depois, Hélder Postiga marcou o golo da reviravolta. Ganhou e ganhou bem.

Os três grandes tiveram todos que sofrer para ganhar. Mas houve mais nesta jornada 18 da Liga Sagres. Mais Nacional que goleou o Vitória de Guimarães, na Madeira, por 3-0 com mais um bis de Nené. Porém, há mais nesta equipa de Manuel Machado, para além de Nené e muito futebol: Ruben Micael e Igor Pita. Num outro duelo por onde a Europa pode ser decidida, o Leixões venceu o Sp.Braga. Há que dizer que a equipa de Jorge Jesus foi melhor, dominou o jogo mas foi traída por Frechaut num autogolo que determinou o vencedor. O Leixões contou com a sorte e, mais uma vez, com um gigante chamado Beto. O Marítimo ganhou ao Estrela num jogo sem grande história e o Trofense empatou com a Naval a dois.

Continua tudo igual na frente, com o FC Porto a ter um ponto de vantagem sobre o Benfica. Sábado há derby que irá, certamente, mudar algumas coisas. E também a luta pela UEFA está bem renhida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O clássico que deixou tudo na mesma e o Super-Braga

ANÁLISE JORNADA 17 - LIGA SAGRES

(Crónica do FC Porto-Benfica)

O clássico do Dragão poderia ter alterado o líder ou então fazer com que essa posição fosse reforçada. Mas não, nem uma coisa nem outra. Porque deu empate e ficou tudo como estava até aqui: FC Porto passa mais uma jornada como líder enquanto que o Benfica se mantém a um ponto. E tanto portistas como benfiquistas aumentaram a vantagem (é um ponto, ok, mas pode fazer a diferença) para o Sporting, derrotado, em Alvalade, pelo Sp.Braga. Pelo Super-Braga.


O Sporting podia ser uma das equipas beneficiadas da jornada, pois os dois outros rivais jogavam entre si e havia a certeza de que pelo menos um deles perderia pontos - até perderam os dois, no final de contas. Podia, sim senhor, mas para isso era preciso ultrapassar o Sp.Braga que apesar das derrotas com Benfica e FC Porto (tão, tão polémicas!) é uma equipa muito forte. E confirmou-o em Alvalade. Com uma exibição categórica, personalizada e sem receios. Já todos sabem que Jorge Jesus é um estratega, um especialista das tácticas e voltou a prová-lo mais uma vez, ao mudar o losango para um 4x3x3 e preenchendo todos os espaços possíveis. Quanto ao jogo, começou melhor o Sporting: Vukcevic trabalhou bem e foi Evaldo quem salvou o golo. Foi este o mote para o Sp.Braga passar da teoria à prática e começar a ser bem mais perigoso para Rui Patrício - Renteria e Luis Aguiar, sobretudo. Chegou ao golo, aos 59 minutos. Num lance atabalhoado, Meyong colocou a bola dentro da baliza, já depois de César Peixoto ter feito tiro ao boneco. Plenamente justo. Porém, dez minutos depois foi o Sporting a marcar, por Derlei. Voltava tudo à estaca zero. Ou quase porque os bracarenses foram sempre superiores. E marcaram outra vez, num excelente lance de Luis Aguiar que Renteria concluiu bem. Muito bem jogado. Mas houve mais, desta vez com os papéis invertidos: Renteria fez a jogada, Aguiar rematou e Carriço, milagreiro, salvou em cima da linha; a bola sobrou para Mossoró que, de um ângulo muito apertado, fez a bola passar por cima de Rui Patrício e entrar na baliza do Sporting - ficaram algumas dúvidas se a bola terá entrado mesmo mas o auxiliar disse que sim e isso é que conta. Era o 1-3, a oito minutos do fim, a vitória estava no papo. Izmailov, em cima do apito final de Jorge Sousa (boa arbitragem!) reduziu a desvantagem. Grande vitória do Sp.Braga.

Chega agora a vez do Nacional. A equipa de Manuel Machado parece cada vez mais apostada em lutar por um lugar na Europa. Conta com Nené, o melhor marcador da Liga Sagres (12 golos) como grande figura. Nesta jornada, na Figueira, marcou mais dois na vitória por 4-0. Quem também está a emendar a maneta é o Vitória de Guimarães que, depois de um mau início de época, tem conseguido resultados positivos. Desta vez frente ao Marítimo, vitória por 2-1. O Leixões quebrou a série de empates que tinha e voltou a vencer. Ante o Trofense, com uma exibição espantosa de Beto (mais uma!). Destaque para a primeira vitória de Carlos Brito no comando do Rio Ave, com um golo de Yazalde, avançado emprestado pelo Sp.Braga. E ainda o Estrela da Amadora-Vitória de Setúbal. Um jogo chato, sem motivos de interesse! Claro, acabou 0-0. No encerramento da jornada, Paços de Ferreira e Belenenses também empataram.

O campeonato está bom. Equilibrado, disputado e renhido. Daqui a duas jornadas volta a haver clássico, Sporting-Benfica. Isto promete!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O dragão na pole-position com Hulk a guiar

ANÁLISE JORNADA 16 - LIGA SAGRES

Desta vez o FC Porto agarrou-se à liderança. Após uma boa exibição no Restelo onde demonstrou que está bem melhor do que há uns tempos e cheio de vontade para ficar no topo. Conseguiu. Numa jornada em que o Sporting voltou a desperdiçar uma boa oportunidade de se chegar à frente, o Benfica mantém-se pertinho da liderança. E domingo há clássico no Dragão, que promete ser escaldante! Os portistas partem na pole-position.


O FC Porto continua líder. Com categoria e, acima de tudo, com mérito. Mas mesmo assim teve que passar por alguns calafrios, frente ao Belenenses. Que já se esperavam. A equipa de Jaime Pacheco tem vindo a subir de produção e, aos poucos, consegue ser mais forte. Se não, bastava olhar para o jogo com o Benfica, na jornada passada. Jesualdo sabia dos riscos. Os portistas entraram em campo com o gás todo, dispostos a passar mais uma semana no primeiro lugar. Já depois de dois ou três ameaços, Hulk marcou o primeiro. Plenamente justo. Um minuto depois, aos 22, Rodríguez cabeceou de cima para baixo e fez o segundo. De um momento para o outro o jogo parecia arrumado tal era o domínio do FC Porto. Pois bem, parecia. Jaime Pacheco alterou a equipa, o Belém reencontrou-se e reduziu a desvantagem. E relançou o jogo. Antes do intervalo, Rodrigo Arroz esteve perto de empatar. Helton não deixou. A segunda parte começou da mesma forma, com o FC Porto por cima. Porém, foi Ávalos quem esteve à beira do golo. Não teve arte nem engenho e os portistas fizeram a gestão do jogo como bem entenderam. Até surgir mais um golo, de Lucho, a passe de Lisandro (na primeira vez que tocou na bola!). Com o resultado feito, tempo ainda para um golpe de teatro: Fucile havia visto um amarelo na primeira parte que o tirava do clássico com o Benfica, por ser o quinto; forçou quanto pôde o segundo e foi expulso, cumprindo assim castigo na Taça da Liga - ante o Sporting - e estará disponível para o jogo com os encarnados. Os regulamentos são assim e os portistas foram bem mais inteligentes. Excelente arbitragem de Duarte Gomes.

O Benfica continua no segundo lugar, um ponto atrás do campeão. Isso porque cumpriu a sua obrigação e venceu o Rio Ave, último classificado. Graças a um golo de Mantorras. Não, não há engano: o golo da vitória foi marcado por Pedro Mantorras. Para euforia total do estádio da Luz. Ora vamos ao início. Quique Flores fez algumas alterações na equipa: colocou Carlos Martins no meio ao lado de Yebda e entregou o ataque a Nuno Gomes e Cardozo em vez de Aimar e Suazo. A primeira parte não foi bem jogada, longe disso, muito por culpa do relvado (não seria uma piscina?) e o Rio Ave foi a equipa que melhor se adaptou. Mas nunca chegou com grande perigo à baliza de Moreira. Do outro lado, Cardozo acertou em cheio no poste e, em cima do intervalo, Carlos Martins obrigou Paiva a uma defesa sensacional. O reatamento não foi muito diferente. O jogo continuou na mesma toada, sem grandes brilhantismos (impossível naquele terreno, diga-se!). Cardozo voltou a acertar no poste, aos 59 minutos, e depois surgiu o tal golo de Mantorras. O golo da vitória. Evandro e Pedro Moutinho estiveram perto de empatar mas não passaram disso.
Sim, porque esta era a noite de Mantorras. Excelente arbiragem de Rui Costa.

Antes do jogo dos encarnados, jogou o Sporting. Que voltou a perder pontos e a permitir que a concorrência directa se destacasse ainda mais. Na Trofa, não conseguiu mais do que um empate a zero. Não é que seja uma total surpresa, até porque o Trofense venceu o Benfica e empatou no Dragão e já se viu que os grandes têm dificuldades em jogar com a equipa de Tulipa. Houve uma novidade numa das equipas, na de arbitragem: João Ferreira lesionou-se e teve de ser susbtituído pelo quarto árbitro, Nuno Campos - no final falaremos dele. O Sporting entrou bem no jogo. Assumiu o controlo e acercou-se da baliza de Paulo Lopes. Porém, sem sucesso quer pela falta de pontaria dos seus jogadores quer pela excelente exibição do guarda-redes. Aos 25 minutos, Liedson soltou-se da marcação mas acertou na trave. Mais tarde, foi Izmailov quem colocou a bola no fundo da baliza mas em fora-de-jogo. No resto pouco mais. O Trofense esteve quase todo o jogo no seu meio-campo. E foi protegido pela sorte. Ao Sporting voltou a faltar mais ambição, mesmo merecendo ganhar. Além do empate, Paulo Bento ficou sem Liedson, por lesão. Excelente arbitragem de Nuno Campos. Sim, é um árbitro de segunda categoria.

No duelo entre quarto e quinto, Leixões e Nacional, houve empate. A zero. Mais um para a equipa de José Mota. Quem aproveitou esse empate foi o Marítimo que igualou os rivais da Madeira, graças a uma vitória por 1-0 sobre a Naval. No jogo de Vitórias intranquilos, o de Guimarães venceu o de Setúbal muito por culpa do endiabrado Nuno Assis, autor de um hat-trick. Empate a dois em Coimbra entre Académica e Estrela. Também o Sp.Braga regressou às vitórias, depois dos polémicos encontros com Benfica e FC Porto, frente ao Paços. A luta pela UEFA também está animada.

O líder é o mesmo. As arbitragens, pelo menos dos jogos dos grandes, foram excelentes. Quer de Duarte Gomes, Rui Costa ou do desconhecido Nuno Campos. É justo dizê-lo. Ainda para mais quando os árbitros são tão criticados.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Este líder também teve mãozinha

ANÁLISE JORNADA 15 - LIGA SAGRES

Está confirmado que há alguma alergia ao primeiro lugar e não há que lhes valha. O que quer dizer que o líder voltou a mudar. Na última jornada da primeira volta, chega o FC Porto, o campeão, à liderança. Que vem direitinha das mãos do Benfica, depois de uma semana de interregno para os portistas. Também com uma mãozinha do árbitro, tal como tinha sucedido na passada ronda. Mas isso já não é notícia, pois não?


Invertendo a ordem dos acontecimentos, comecemos pelo jogo do novo líder, o FC Porto. Que jogou fora, com o Sp.Braga. O que é sinónimo de grande emoção, disputa e incerteza. Esta vez não foi excepção. A equipa de Jorge Jesus, que já havia feito uma excelente exibição na Luz, entrou com tudo e teve vinte minutos com uma intensidade enorme onde empurrou o FC Porto para a sua área, completamente encostado às cordas. Os portistas limitavam-se a defender, impotentes para mais. Conseguiram depois equilibrar e aos poucos sacudir a pressão inicial. Surgiu o golo de Rodríguez, para o FC Porto. Injusto. E beneficiando de uma posição irregular, é verdade - no fim vamos ao árbitro, para não variar. De um momento para o outro, o jogo mudou totalmente. Marcou a seguir, à meia-hora de jogo, Lisandro num presente da defesa bracarense. Foi uma machadada no jogo. O Sp.Braga atarantou-se um pouco, desorganizou-se e o FC Porto continuou mais perigoso, com mais oportunidades para aumentar. A segunda parte confirmou isso mesmo. Com dois golos de vantagem, os portistas entregaram a iniciativa ao Sp.Braga que, verdade seja dita, falhou no último passe, na finalização. Os arsenalistas tinham mais posse, mais ataques e coleccionaram cantos mas não foram perigo iminente para Helton. Acabou o jogo com a vitória do FC Porto. E com a liderança do campeonato. Vamos agora ao árbitro, ou melhor, à equipa de arbitragem. Com muitos erros. Parece estar a tornar-se um hábito. Paulo Costa e os assistentes contribuíram. O primeiro golo do FC Porto é precedido de fora-de-jogo de Hulk que assistiu Rodríguez; depois há o golo mal anulado a Tomás Costa, pouco antes do intervalo e ainda queixas do Sp. Braga em dois penaltis (ou terão sido três?) por marcar a favor do Sp.Braga: um puxão de Cissokho (boa estreia) a Alan, um derrube de Helton a Meyong - difícil análise- e uma mão de Guarín num cruzamento de João Pereira. Paulo Costa não marcou nenhum. Um fartote!

Agora, o jogo do ex-líder, o Benfica. A jogar no Restelo, frente ao Belenenses, a equipa de Quique Flores não mostrou os argumentos que lhe eram exigívies. Quanto mais pela condição de líder. Ok, é verdade que o estado do relvado não ajudava nada a jogadores tecnicistas como os encarnados mas isso não pode ser desculpa para tudo. Até porque o jogo do Benfica não se pode limitar a ser pontapé para a frente à espera que Suazo resolva. Apenas os primeiros quartos de hora, tanto da primeira como da segunda parte, demonstraram intensidade e vontade de vencer. Di María fez figura de corpo presente, Suazo desperdiçou até dizer chega e aquelas não eram condições para Aimar. Faltou atrevimento a este Benfica, com cautelas defensivas a mais. Mas houve também o árbitro. Entre penaltis por marcar (o Benfica reclama dois, o Belenenses um) e outros disparates, foi fraquinho. Para variar.

O jogo da equipa que poderia ser líder mas falhou, o Sporting. A formação de Paulo Bento jogou um dia depois do Benfica e sabia que em caso de vitória dobraria o campeonato em primeiro lugar. Era preciso ultrapassar o Nacional, na Choupana. Não é tarefa fácil para quem quer que seja. Falhou. Num jogo bem dividido, com oportunidades e um resultado justo. Marcou primeiro Nenê para o Nacional (atenção a este jogador) num chapéu sensacional a Rui Patrício, empatou Vukcevic para o Sporting. Os leões tiveram um antes e um depois de Vuk, que saiu por lesão. A equipa ressentiu-se dessa saída e perdeu o poder ofensivo que tinha até então. O Nacional equilibrou também a balança depois da entrada de Mateus e já depois de ter estado muito próximo de ganhar - Patrício defendeu um penalty de Nenê. Qualquer das duas equipas estiveram perto de ganhar e de perder. Empataram. E bem. Palavra para a prestação de Artur Soares Dias, o árbitro. Do melhor que se tem visto nos últimos tempos. Fosse sempre assim.

Animação no topo, animação no fundo. Destaque para a vitória do Estrela da Amadora, 2-0, sobre o Rio Ave que demonstra que mesmo sem dinheiro e com todas as dificuldades que se conhecem, o Estrela consegue resultados bem positivos. Um exemplo. Na enésima estreia de Carlos Cardoso como treinador do Vitória de Setúbal em jogos do campeonato, os problemas na finalização mantiveram-se. Resultado: vitória 1-0 da Naval, no Bonfim. O Paços de Ferreira quebrou a boa série de resultados do Trofense, com uma vitória por 3-1, depois da vitória sobre o Benfica e o empate no Dragão. O Leixões empatou, pela terceira vez consecutiva, a zero. Na Madeira, ante o Marítimo, a única equipa a querer vencer. Está diferente a equipa de José Mota. Mas é normal.

Na última jornada da primeira volta, o líder voltou a mudar. Até quando?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A mão do Trofense... e de Paulo Baptista!

ANÁLISE JORNADA 14 - LIGA SAGRES

O campeonato voltou a mudar de líder. Voltou o Benfica ao primeiro lugar. Por culpa do Trofense. Depois de na jornada anterior, ter retirado a liderança aos encarnados, a equipa da Trofa devolveu-a, devido ao empate no Dragão, frente ao FC Porto. Numa jornada envolta em muita polémica, o campeão voltou a falhar em casa. Será que ninguém quer o primeiro lugar?

Antes do FC Porto-Trofense houve o jogo da jornada, o Benfica-Sp.Braga. Um jogo com polémica de sobra e pano para mangas. Uma arbitragem desastrosa de Paulo Baptista (e os assistentes, claro) com interferência no resultado final e com claro prejuízo dos minhotos - não há que o negar. O Sp. Braga foi melhor, dominou mais a partida mas esbarrou sempre ou em David Luiz ou em Moreira. O Benfica esteve lento, apático e sem grandes ideias ofensivas à semelhança daquilo que tinha feito ante o Trofense. Em cima do intervalo, marcou David Luiz, em posição irregular. Afinal quais são as razões de queixa dos arsenalistas? Começam no golo do Benfica, em claro fora-de-jogo; chegam ao penalty forçado, um penaltyzinho, sobre Di María que Eduardo defendeu e ainda um claro penalty de Luisão sobre Matheus (este não deixa dúvida nenhuma, foi a arrancar pela raiz). São erros que fazem parte do futebol, ok. Razão tem Jorge Jesus que na conferência de imprensa disse achar não haver intencionalidade, mas que os árbitros não sabem mais. Tão claro como isso. Os árbitros não sabem mais. É de La Palice.

Já depois do jogo da Luz, o FC Porto recebeu o Trofense. Era à partida um jogo bom para os campeões nacionais manterem a liderança, se bem que a equipa de Tulipa tivesse vencido o Benfica na jornada anterior. Terminou a zero. Porém, foi um daqueles jogos em que o resultado final poderia ter sido uma vitória por três ou quatro golos de diferença.O FC Porto foi melhor, teve mais oportunidades, mais posse mas não conseguiu finalizar. Teve uma bola no poste, teve duas em cima da linha tiradas por Tiago Pinto e Delfim e teve ainda uma, cómica, no fim: Rodríguez com a baliza escancarada rematou para o golo mas apareceu o corte de... Guarín, colega de equipa. No lugar errado à hora errada. Este lance resume o jogo, um misto de azar e aselhice. O Trofense instalou o autocarro em frente à baliza e usou e abusou do pontapé para o ar. Um daqueles jogos que irritam. Quanto mais não fosse pelo antijogo. São estratégias...

Contudo, não foi só o Benfica a beneficiar do empate do FC Porto. Também o Sporting aproveitou para ultrapassar os portistas e igualar a equipa de Quique Flores no primeiro lugar (vantagem no confronto directo para os benfiquistas). Em Alvalade, no jogo com o Marítimo pensava-se que o recente anúncio da não recandidatura de Soares Franco à presidência poderia ter alguma interferência. Nada disso. O Sporting entrou bem, determinado e conseguiu vencer os insulares. Marcou primeiro Vukcevic, que parece estar a regressar ao seu melhor e mais tarde marcou Liedson, o golo da ordem. Sem fazer grandes ondas, Paulo Bento tem conseguido levar a equipa para cima.

Na luta por lugares da UEFA, o Nacional está a fazer um excelente campeonato. E confirmou-o mais uma vez ao vencer na Mata Real por 3-2. Se bem que ainda tenha passado por algumas dificuldades na segunda parte, já depois de estar a vencer por três golos ao intervalo. O Leixões começa agora a perder o fulgor inicial e já leva cinco jogos sem ganhar, tal como o Vitória de Setúbal (é uma desilusão!) que arrancou um empate no Estádio do Mar. Mais um nulo a juntar ao do Dragão e de Matosinhos, aconteceu em Guimarães no jogo entre o Vitória e o Estrela da Amadora. O cerco começa a apertar sobre o castelo. É uma frase feita mas aplica-se na perfeição. No jogo entre últimos, o Belenenses estragou a estreia de Carlos Brito no Rio Ave e mostrou que o treinador tem muito a fazer neste seu segundo regresso a Vila do Conde. Também a Naval voltou às vitórias, contra a Académica, no derby do Centro.

Uma coisa de bom: jornada disputada somente no fim-de-semana, apenas quatros jogos televisionados e outros quatro jogos ao domingo à tarde. Bem melhor do que jogar à segunda às nove da noite. Ao menos isso!