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sábado, 27 de novembro de 2010

Sporting-FC Porto (antevisão): Uma questão clássica de brio

Um dragão confiante, seguro de si, líder por mérito próprio, pujante e apenas por uma vez travado, em Guimarães, ficando-se por um empate. Nos outros dez jogos que realizou para o campeonato, venceu. Sendo pragmático, sendo brilhante, sendo feliz ou sendo avassalador. É uma equipa versátil, camaleónica, com capacidade de adaptação: percebe o jogo, interpreta-o e coloca em prática os seus princípios, com muita bola, circulando-a a alta velocidade, atribuindo larga importâcia aos médios, dependendo daquilo que pode fazer. O FC Porto é, sem dúvida, a melhor equipa do campeonato até ao momento: lidera, tem dez pontos de avanço sobre o segundo classificado, encaminhou muitíssimo bem o título neste primeiro terço da temporada, joga um futebol atractivo e envolvente, faz as leituras correctas das diferentes circunstâncias, junta um ataque de fogo a uma defesa consistente. Tem hoje, em Alvalade, mais um teste.

Pretendendo refazer-se de uma época negra, recheada de acontecimentos nefastos e desastrosos, o Sporting mudou a sua linhagem, abordou o mercado de transferências de forma diferente e pareceu, antes do arranque da temporada, ter ganho personalidade e fibra. A época, contudo, tem sido demasiado intermitente, demasiado irregular e demasiado macia. No campeonato, por exemplo, o Sporting, em onze jornadas, conquistou somente dezoito pontos - significa isso, portanto, que desperdiçou quinze. O leão é frágil, oscila com facilidade, consegue surpreender pela força demonstrada e logo a seguir cai a pique, nunca se sabe muito bem aquilo que verdadeiramente se pode esperar e vale esta equipa. Trata-se, contudo, de uma questão de orgulho, de honra e de prestígio. Vencer o líder, ser a primeira equipa a tirar os três pontos ao FC Porto, alcançando uma vitamina de confiança para o futuro, funciona como estímulo.

Na temporada passada, na fase em que o Sporting se conseguiu soltar das amarras e viveu uma fase ascendente, conseguindo boas respostas interna e externamente, a equipa leonina, com uma vitória categórica e incontestável por três golos de diferença, deixou a nu as debilidades que o dragão tentara esconder, travou a recuperação azul e colocou, definitivamente, um ponto final nas aspirações do FC Porto em ainda sonhar com a conquista do pentacampeonato. Agora, com um contexto diferente, em que os portistas vivem um clima de prosperidade, a motivação pode residir, um pouco, na mesma condição. O clássico não chega na melhor altura para o Sporting, é verdade, mas será, com toda a certeza, um mote importante em caso de vitória. Tendo no pensamento aquilo que o FC Porto, no Dragão, alcançou perante o Benfica. O leão, escaldado pelos acontecimentos recentes, não quer ser cobaia de mais uma demonstração de força.

Não há volta a dar: este Sporting-FC Porto é o jogo do regresso de João Moutinho à sua casa de partida. Foi com a camisola leonina que se formou e é, agora, vestindo de azul que melhor se está a dar. O médio português, um sempre-em-pé, é indiscutível e preponderante na máquina de André Villas Boas. Será, por isso, um dos elementos do meio-campo, que já contará com Fernando, após lesão, e terá de redobrar a atenção sobre o lado esquerdo para impedir que o Sporting fure e tire algum partido da ausência de Álvaro Pereira - por lesão, cederá o seu lugar a Jorge Fucile. Na frente reside a principal arma do dragão: o FC Porto tem uma equipa equilibrada, muito consistente, mas é no tridente ofensivo, com Varela, Falcao e, sobretudo, Hulk, que estará a grande preocupação do Sporting. Daí que Paulo Sérgio, cauteloso, opte, à partida, por colocar Pedro Mendes e André Santos como elementos de contenção.

Dos prováveis titulares, que o leitor pode consultar em baixo, cinco jogadores já estiveram de ambos os lados. O principal destaque é, por tudo aquilo que representou para o Sporting, João Moutinho, ex-capitão leonino, que agora está de pedra e cal no FC Porto. Há, para além dele, também Varela, saído de Alvalade com Paulo Bento. No lado do Sporting, pelo contrário, Pedro Mendes, Maniche e Hélder Postiga, agora leões, já vestiram a camisola do FC Porto, tendo participado em jogos desta grandeza. O avançado português, parceiro de Liedson no ataque, será um dos principais incómodos para a defesa do líder do campeonato nacional. Com favoritos ou não, com uma enorme barreira a separá-los ou não, independentemente dos estados de alma, este é um jogo especial. Qualquer um deles dará o seu melhor. Há Hulk, Falcao e Belluschi. Também Postiga, Liedson e Valdés. Quem decide o clássico?

SPORTING-FC PORTO
Estádio de Alvalade, Lisboa, 21h15
Árbitro: Jorge Sousa

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga e Evaldo; Pedro Mendes, André Santos, Maniche e Jaime Valdés; Postiga e Liedson

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Fucile; Fernando, João Moutinho e Belluschi; Varela, Hulk e Falcao

NOTA: O Sporting-FC Porto terá crónica no FUTEBOLÊS, assim como acontece com todos os jogos grandes.

domingo, 7 de novembro de 2010

FC Porto-Benfica (antevisão): Clássico é clássico

The Final Countdown. Descida vertiginosa, montanha russa iniciada, emoções, pulsações, ritmo cardíaco acelerado. Hora do embate: dragão forte, líder, passada elegante, na espreita de um golpe duro, talvez decisivo, numa águia que procura a retoma, que dá sinais de melhoria e joga tudo, sem meias-tintas, no duelo de hoje. Chegou o clássico. Ficam nove jornadas para trás. O FC Porto cresceu, recuperou o primeiro lugar, fixou-se desde o início e, num abrir e fechar de olhos, ganhou uma margem confortável, isolou-se e distanciou-se dos rivais. O Benfica começou mal: perdeu a explosão da época anterior, mostrou outra dinâmica, tropeçou, foi intermitente e logo perdeu três jogos no arranque. Por isso, pelo que fica para trás, apesar da fase tão precoce, este clássico tem uma carga emocional ainda maior, será mais intenso, vivido nos limites como sempre e aguardado como nunca, porque pode ser fundamental para o título. Dez, sete ou quatro: que vantagem terá o FC Porto no final?

Toca a sineta. É o segundo round. O primeiro foi há três meses. Abriu as hostilidades, a época, mudou o curso dos acontecimentos, deixou o Benfica, campeão e forte, abalado, mexeu com o estado de alma dos encarnados, retirou-lhe confiança e, ao mesmo tempo, permitiu que o dragão, o novo dragão de André Villas Boas, entrasse com o pé direito, mostrasse o orgulho ferido e conseguisse, com mérito e categoria, terminar por cima. O Benfica era amplamente favorito, o FC Porto foi dominador. Agora, em Novembro, a situação é, por ironia, contrária: é o dragão quem mais probabilidades de sucesso tem, por jogar em casa e por se assumir como a melhor equipa deste campeonato, por estar imbatível e apenas ter cedido dois empates nos jogos que realizou, sendo um deles no campeonato. Leva sete pontos de avanço, tem uma oportunidade de ouro para aumentar e sacode a pressão para o lado do Benfica. É a águia quem precisa de ganhar.

O FC Porto está tranquilo. Confiante, seguro e alegre. É líder, consegue aliar bons jogos, joga com consistência e é guiado por um super-Hulk, um herói, que está mais forte do que nunca, atravessa um momento de forma brutal, desconcertante e decisivo, tendo enorme vontade de mostrar o seu pontencial frente ao campeão. O Benfica responde com cinco vitórias consecutivas, até sem sofrer golos, que permitiram a aproximação ao topo, reduzindo após o empate do dragão em Guimarães a distância de nove para sete pontos, escalando até ao segundo lugar. O jogo com o Lyon, na última terça-feira, mostrou as duas faces da águia: setenta minutos de altíssimo nível, a roçar o brilhantismo, com exibição pujante que valeram quatro golos e, depois de alterações, três golos sofridos, sucessão de erros, brechas abertas e um abalo na confiança. Também o FC Porto cedeu um empate com o Besiktas. Ambos pensaram no clássico: simples.

O FC Porto tem Hulk. O Benfica, ainda sem Cardozo, responde com Fábio Coentrão: veloz, explosivo, desequilibrador, sempre em altas rotações. A dupla Peixoto-Coentrão, como na última aparição oficial, deverá ser escolhida pelo treinador encarnado. Tem, no fundo, dois objectivos: tornar a asa esquerda do ataque encarnado forte, pela tal acção de Fábio Coentrão, seja a lateral ou a médio, ao mesmo tempo que, com a união de ambos, tentará retirar força à acção de Hulk. Há ainda Carlos Martins, cada vez mais cerebral, importante e decisivo na equipa benfiquista, como ficou provado frente ao Lyon, rasgando a defesa contrária e provocando desorganização. Será, por certo, um elemento a merecer atenção especial, como Aimar, por parte de André Villas Boas. O treinador portista tem uma baixa de peso: Fernando, o Polvo, não recuperou, é carta fora do baralho e deverá ceder, como na quinta-feira, o seu lugar a Fredy Guarín. Está tudo a postos. Venha o clássico!

FC PORTO-BENFICA

Estádio do Dragão, Porto, 20h15
Árbitro: Pedro Proença

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Álvaro Pereira; Guarín, Belluschi e João Moutinho; Hulk, Varela e Falcao.

BENFICA: Roberto; Maxi Pereira, David Luiz, Luisão e César Peixoto; Javi García, Carlos Martins, Fábio Coentrão e Pablo Aimar; Saviola e Alan Kardec.

NOTA: O FC Porto-Benfica terá crónica no FUTEBOLÊS, assim como acontece com todos os jogos grandes.

domingo, 3 de outubro de 2010

Benfica-Sp.Braga (antevisão): Lutar sem poder errar

Chamaram-lhe jogo do título na época passada. É sempre discutível. Reduzir o campeonato a apenas noventa minutos, um jogo isolado, pode ser demasiado redutor. Mas foi mesmo: o Benfica venceu o Sp.Braga, aniquilou o descaramento de uma equipa emergente que superou dois crónicos candidatos ao título e mordeu os calcanhares aos benfiquistas - viu-se ultrapassado mas nunca acenou a bandeirinha da rendição -, ganhando verdadeiramente uma boa vantagem após o tal jogo na Luz. A distância ficou em seis pontos. Foi, digamos assim, o golpe de misericórdia do Benfica no combate pelo título. Por isso, foi mesmo o jogo decisivo, o mais importante, o mais marcante e encaminhador da conquista da águia. Campeão e vice-campeão, agora, de novo frente a frente. Percursos diferentes, estatutos incomparáveis, vantagem minhota na classificação e um objectivo comum: apertar o cerco ao FC Porto. Ganhar e esperar para ver.

Um campeão em falso. Cinzento, errante, mal-sucedido. De um momento para o outro, como se não percebesse muito bem o que lhe acontecia, o Benfica ficou a nove pontos da liderança. Perdeu três dos seis jogos que realizou, o FC Porto não cedeu, complicou inusitadamente a defesa do título, desconfiando do objectivo de chegar bicampeonato, perdendo importante terreno numa luta em que partiu na pole-position. Surgiu confiante no derby, manietou o Sporting, teve momentos de belo futebol e ganhou com segurança. Arrancou, logo após, um triunfo frente ao Marítimo. Pode ter sido a viragem. A verdade é que tem sido intermitente: três vitórias, três derrotas, imagens diferentes e lacunas evidentes. Este Benfica está reconhecida e naturalmente diferente da equipa demolidora da temporada anterior. Tem, à sétima jornada, um sério teste. Joga já sem margem, no limite, obrigado a vencer para se manter vivo na luta.

Um outsider que sente dores de crescimento. O Sp.Braga tem crescido imenso a cada época, alimenta o ego, preenche os requisitos de uma equipa grande, está cada vez mais perto de o ser e teve a sua página dourada na temporada anterior. Lutou sem receio com o Benfica, conquistou o segundo lugar, entrou na Liga dos Campeões e conseguiu marcar a História. Elevou, por isso, a exigência. Mantém-se como outsider, sim, mas esperam-se cada vez melhores resultados, subindo a fasquia, galgando degraus nesse crescimento que evidencia. Deu mostras, no início da época, de ter capacidade para se superar e intrometer-se na luta pelo título. Contudo, os últimos tempos, com a entrada na elite europeia, arrefeceram o ânimo: o Sp.Braga sente as diferenças, deixou uma imagem pálida, atemorizou-se frente a adversários superiores e parece ter perdido um pouco da sua alegria. Mas é uma equipa guerreira. Não verga à primeira. Quer lutar.

Benfica e Sp.Braga são os representantes portuguesas na Liga dos Campeões. Jogaram a meio da semana e foram ambos derrotados: os benfiquistas pelo Schalke 04, os bracarenses pelo Shakthar Donestk. São derrotas que podem deixar marcas. Têm o orgulho ferido e o jogo da Luz é decisivo: para manterem a perseguição ao FC Porto e para aumentarem os níveis de confiança. Jorge Jesus não terá Óscar Cardozo. O paraguaio, amado e odiado, lesionou-se. Poderá ser mais um problema numa equipa que tem sentido grandes dificuldades na finalização. O Benfica constrói e remata, mas raramente acerta na baliza adversária. Ora, também a imagem de marca do Sp.Braga se perdeu nas últimas semanas: os bracarenses têm sofrido golos em catadupa, é necessário criar um antídoto que seja eficaz para impedir a águia de ser letal. O ataque mortífero do Benfica e a defesa de betão do Sp.Braga estão em eclipse?

Óscar Tacuara Cardozo tem tido um início de época atribulado. É, mesmo assim, um perigo constante para as defesas contrárias. A sua ausência revela-se uma baixa de peso para o Benfica. Jorge Jesus lançará, para a vaga do paraguaio, Alan Kardec, avançado brasileiro contratado a meio da temporada passada, que fará dupla com Saviola. Deverá manter, de resto, a aposta em César Peixoto no lado esquerdo da defesa, mobilizando Fábio Coentrão, o principal impulsionador do Benfica até ao momento, para uma posição mais avançada. A ala esquerda benfiquista é, aliás, a principal preocupação de Domingos Paciência. Será Sílvio quem terá a missão de impedir os avanços encarnados. Não contando com o peruano Alberto Rodríguez, par de Moisés no centro da defesa, o treinador do Sp.Braga, tal como na última partida oficial dos minhotos, deverá colocar Paulão ao lado do Xerife. Sem mais mudanças.

BENFICA-SP.BRAGA

Estádio da Luz, Lisboa, 20h15
Árbitro: Duarte Gomes

BENFICA: Roberto; Maxi Pereira, Luisão, David Luiz e César Peixoto; Javi García, Carlos Martins, Pablo Aimar e Fábio Coentrão; Saviola e Kardec

SP.BRAGA: Felipe; Sílvio, Moisés, Paulão e Elderson; Vandinho e Leandro Salino; Luis Aguiar, Alan e Paulo César; Matheus

NOTA: O Benfica-Sp.Braga, assim como todos os jogos grandes - entre candidatos ao título - que se jogarão até ao final do campeonato, terá crónica no FUTEBOLÊS.

domingo, 19 de setembro de 2010

Benfica-Sporting (antevisão): O derby decisivo

O grande derby. Seja qual for o momento e a classificação que ocupam, os jogos entre Benfica e Sporting, os dois maiores clubes da capital, têm sempre um toque especial, emotivo e surpreendente. Defrontam-se, agora, em momentos críticos: nenhum deles iniciou a época como deveria, tendo já cedido pontos importantes, ambos vêem o FC Porto caminhar seguro no topo. Viveram em pólos opostos na época passada, os destinos cruzam-se, neste momento estão numa ordem inversa. O Benfica foi campeão, galvanizante e poderoso, ganhou com mérito, espalhou classe, mas começou a defesa do seu título com o pé esquerdo, acumulando desaires, marcando a vermelho o pior início de sempre. Está proibido de perder pontos e tem no derby um jogo decisivo, por paradoxal que pareça, à quinta jornada. O Sporting, saindo lentamente do pesadelo em que caiu na época passada, quer marcar a sua qualidade. Sem margem para errar.

Um jogo entre candidatos ao título, mais do que prognosticado, tem que ser vivido e jogado no limite durante noventa minutos. Diz-se, até, que quem está numa condição mais delicada, por baixo na classificação, costuma terminar a sorrir. Neste caso, ao contrário do que se esperava antes do arranque, o Benfica está sob pressão intensa, tem um atraso de nove pontos para o topo, perdeu por três vezes em quatro jornadas, mais do que em toda a época passada, confirmando um arranque nada condizente para quem é campeão e faz do bicampeonato a sua meta. Tem apenas três pontos. Perdeu o estado de graça, a força demolidora, vive com inúmeros problemas e iniciou uma cruzada fortíssima tendo por base as polémicas em torno da arbitragem. Perder mais pontos poderá ser realmente fatal. Sim, mesmo sendo a quinta jornada. O Benfica chega ao derby com um único cenário: vencer e esperar um tropeção na liderança.

O Sporting está melhor. Mesmo tendo menos cinco pontos do que o FC Porto, em igualdade com o Sp.Braga, os leões, aconteça o que acontecer no derby, terminarão a quinta ronda à frente do eterno rival. Não tem a mesma carga do que o Benfica, sim, mas uma derrota será, igualmente, desencorajadora para o Sporting se manter confiante na luta pelo título. Tendo jogado em França dois dias depois dos encarnados, que receberam o Hapoel na terça-feira, a equipa leonina pode apresentar maiores sinais de desgaste, mas a vitória ante o Lille, numa prova de que o plantel do Sporting tem qualidade e Paulo Sérgio poderá contar com maiores opções, será um catalisador importante para o derby de hoje. O treinador tentou dar descanso aos titulares para o jogo com o Benfica e, em face da resposta positiva das segundas escolhas, baralhou as contas em redor do onze inicial. Simon Vukcevic e Hélder Postiga poderão ter ganho um lugar. Também Abel?

Repetir a época passada, pelo menos dando seguimento aos feitos alcançados, melhorando até nalguns aspectos, foi o objectivo a que o Benfica se propôs no início da nova temporada. Jorge Jesus perdeu duas peças-chave: Di María e Ramires. Pode ser demasiado redutor referir as perdas de dois jogadores como explicação para tão acentuada quebra, mas é inegável que os encarnados sentem falta da capacidade explosiva e da dinâmica do passado. A incomparável diferença com a última época acentua as dúvidas dos benfiquistas, aumentando desde logo a descrença e vendo o FC Porto, principal rival, recuperar o seu fulgor. Na equipa titular, contudo, Jorge Jesus, em relação à última aparição oficial do Benfica, nada deve mudar, persistindo uma dúvida na lateral-direita: Maxi Pereira ou, de novo, Rúben Amorim? Nada mais, para além disso, se alterará, à partida, no campeão nacional. É lançar os jogadores e esperar pelo jogo.

BENFICA-SPORTING
Estádio da Luz, Lisboa, 20h15
Árbitro: Carlos Xistra

BENFICA: Roberto; Rúben Amorim, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Javi García, Carlos Martins, Pablo Aimar e Nicólas Gaitán; Saviola e Cardozo

SPORTING: Rui Patrício; Abel, Daniel Carriço, Nuno André Coelho e Evaldo; André Santos, Vukcevic, Maniche e Matías Fernández; Liedson e Hélder Postiga

NOTA: O Benfica-Sporting, assim como todos os jogos grandes - entre candidatos ao título - que se jogarão até ao final do campeonato, terá crónica no FUTEBOLÊS.

sábado, 11 de setembro de 2010

FC Porto-Sp.Braga (antevisão): Despique pelo topo

O dragão caminha seguro, ainda com lacunas mas conseguindo escondê-las dos adversários, está confiante, vitorioso e ganhou confiança para a nova temporada mercê de um belíssimo arranque. O FC Porto é uma equipa mais enérgica, deixou de ser tão estática e previsível, como foi na época passada, aumenta a sua crença na recuperação de um título que tem ganho na última vintena e meia no futebol português. É um nobre, forte e empreendedor, que quer recuperar o trono, sentar-se no lugar mais alto, destronando o campeão Benfica, titubeante e perdedor neste início de temporada, tendo já, ainda que numa fase muito precoce, a possibilidade de deixar um dos principais rivais, os encarnados, a nove pontos de distância. Precisa de guerrilhar com o Sp.Braga, um burguês que cresce e cada vez se confunde mais com os nobres grandes, ganha estatuto, tem resultados e está em ascensão. Já discute o título.

O jogo do Dragão, o primeiro que opõe os principais clubes que se apresentam com capacidade para lutar pela conquista do campeonato, embora o Sp.Braga mantenha o seu estatuto de outsider, correndo por fora para se intrometer numa questão tradicionalmente destinada apenas aos grandes, como é o FC Porto, será um verdadeiro teste às capacidades de ambas as equipas. Os dragões começaram bem na Supertaça, ante o Benfica, tendo somado triunfos na Liga Europa, com o modesto Genk, entretanto com um pleno de vitórias no campeonato - Naval, Beira-Mar e Rio Ave - que deixam a equipa portista em estado de graça. Precisam de um novo exame à sua valia, à consistência, à nova postura implementada por André Villas Boas. O Sp.Braga, vice-campeão do ano passado, procura a sua consolidação. Correm, no fundo, pelo mesmo: pela liderança, por marcarem a sua posição e abrirem caminhos risonhos.

Duas vitórias e um empate no campeonato, eliminatórias duras superadas ante Celtic de Glasgow e Sevilha rumo à entrada na Liga dos Campeões, um momento único e memorável na história do Sp.Braga, a obtenção de um sonho de uma vida, colocam os bracarenses cada vez mais esperançados de que será possível, outra vez, entrar na discussão do título: por que não? De um lado e do outro com a liderança no horizonte: o FC Porto é líder, pretende cimentar essa condição e alargar as vantagens sobre os dois primeiros do ano anterior - em caso de vitória, deixa os bracarenses a cinco e os benfiquistas a nove pontos -, enquanto o Sp.Braga espreita a oportunidade de chegar ao trono provando ter capacidade para ser forte interna e externamente. O jogo terá todos os ingredimentos de um jogo grande, intenso, vibrante e discutido, a cada minuto, por um lugar no topo. É a oportunidade de mostrarem a massa de que são feitos.

A época anterior trouxe a melhor classificação de sempre do Sp.Braga e fez descer o FC Porto ao terceiro lugar. Viveram realidades diferentes. Os minhotos foram, aliás, a primeira equipa a travar o então tetracampeão nacional, vencendo em casa, graças a um golo de Alan. No jogo do Dragão, contudo, já com o Sp.Braga perto de atingir o seu ponto máximo e o FC Porto demasiado afastado do seu objectivo de revalidar o título, a equipa portista, plena de raiva e capacidade ofensiva, trucidou o adversário, marcando cinco golos à melhor defesa do campeonato e apenas permitindo que Alan, o suspeito do costume, tirasse um pequeno peso à avolumada derrota. Agora é diferente: ambos estão bem, sabem o que querem e para onde caminham. Gostam de jogar bom futebol, embora coloquem sempre o resultado à frente, têm treinadores jovens que o proporcionam. Prometem um agradável despique.

O sector defensivo do FC Porto, apesar de ainda não ter sofrido qualquer golo no campeonato e de apenas ter sido batido pelo Genk, no jogo em casa, está identificado como sendo o ponto mais frágil deste novo dragão. André Villas Boas recebeu, por isso, Otamendi e já tem Fucile ao dispor. Contudo, no jogo de hoje, ante o Sp.Braga, o treinador deverá manter a linha defensiva utilizada neste início de época, com Maicon formando dupla no centro com Rolando e Sapunaru à direita da defesa portista. Do meio-campo para a frente, por certo, nada se alterará - apesar da fadiga de Radamel Falcao, o colombiano é peça-chave. Do lado do Sp.Braga, Domingos Paciência foi brindado com o regresso de Hugo Viana, importante numa primeira fase da época anterior e o médio português deverá ser titular no Dragão. Também Sílvio, reforço chegado do Rio Ave, é cada vez mais um indiscutível no lado direito da defesa do vice-campeão.

FC PORTO-SP.BRAGA

Estádio do Dragão, Porto, 21h15
Árbitro: Pedro Proença

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Álvaro Pereira; Fernando, Belluschi e João Moutinho; Hulk, Varela e Falcao.

SP.BRAGA: Felipe; Sílvio, Rodríguez, Moisés e Elderson; Vandinho e Hugo Viana; Leandro Salino, Alan e Paulo César; Lima.

NOTA: O FC Porto-Sp.Braga, assim como todos os jogos grandes - entre candidatos ao título - que se jogarão até ao final do campeonato, terá crónica no FUTEBOLÊS.