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terça-feira, 13 de julho de 2010

Minha África: O Onze do Mundial e os tentáculos do polvo

Terminou a festa, glória aos vencedores e honra aos vencidos,. Está na hora de fazer descer o pano e eleger os artistas deste Mundial 2010, mas os verdadeiros, os que nunca se escondem e não arranjam desculpas com uma época cansativa para não emergirem num palco que deveria ser o seu e deveria consagrar os melhores. Quem tem classe emerge naturalmente, porque a classe é inata, está nos genes e esses não desaparecem. Dos eternos "chorões", dos que nunca aparecem nestas ocasiões e, como se costuma dizer com propriedade, dos fracos não reza a história.

Guarda-Redes
Casillas: O meu guarda-redes do Mundial. Classe e frieza. Respondeu sempre sim no momento certo: penalty de Cardozo nos oitavos, defesas soberbas a remates de Kroos e Klose nas meias-finais e as defesas a negar dois golos a Robben na final, são as tais que valem pontos e títulos. Casillas é seguramente um dos melhores do Mundo e com grande coração, não é menina Carbonero?
Destaques: Eduardo (Portugal), Stekelenburg (Holanda) e Enyeama (Nigéria).

Defesa Direito
Sérgio Ramos: Raça, velocidade, excelente a cruzar e muita técnica. Quando se falava na possibilidade de o fazer regressar ao seu lugar de origem (central) para ir buscar Maicon, a resposta do defesa espanhol foi eloquente: "está é a minha posição". Mourinho viu, gostou e, como Maicon é caro, já pensa num central para o Real.
Destaques: Maicon (Brasil) e Philippe Lahm (Alemanha).

Defesa Esquerdo
Fábio Coentrão: Que me perdoem todos os outros, mas o "caxineiro" fez um Mundial de sonho. Bem no desarme mas foi a construir que mais se notabilizou. Velocidade, técnica, capacidade de iniciativa e perfeitamente desinibido perante os mais temidos extremos. Melhorando a capacidade de cruzamento em velocidade será seguramente um dos melhores laterais do Mundo.
Destaques: Van Bronckhorst (Holanda) e Boateng (Alemanha).

Defesas Centrais
Piqué e Friedrich: Não serão certamente os mais consensuais e outros haverá que caberiam nesta escolha. Alguns deles estarão nos destaques, mas estes dois centrais complementam-se e são seguramente dos mais seguros: um, o espanhol, pela sua juventude e irreverência, o outro, alemão, pela sua experiência. Fortes na marcação, bom jogo aéreo (defensivo e ofensivo), saem com bola e entregam bem.
Destaques: Puyol (Espanha), Tanaka (Japão) e Lúcio (Brasil).

Médios
Não segui qualquer cânone para fazer este meio-campo segundo as normas posicionais. Os meus eleitos não têm posição no terreno, não ocupam seguramente as posições que devem ocupar, são eleitos porque independentemente dos lugares, foram os melhores no Mundial.

Xavi, Iniesta e Sneijder: Predestinados que sabem como tratar a bola com carinho e desvelo. Tecnicistas puros, inventores de espaços até quando eles não existem, passes de ruptura que dão golos e letais na finalização. Xavi e Sneijder aliam ainda a qualidade na marcação de livres. Os três desmentem na perfeição o dogma que os jogadores das grandes equipas chegam exaustos às fases finais de Mundial ou Europeu. Pode haver excesso de jogos mas quem tem classe...
Destaques: Khedira e Schweinsteiger (Alemanha), Busquets (Espanha) e Honda (Japão).

Avançados
Muller: Tem o treze nas costas. Não é Gerd, mas é Thomas e é igualmente melhor marcador de uma fase final de um Mundial. O Gerd foi campeão do mundo, o Thomas não, mas vai no bom caminho para o conseguir. Foi consagrado, muito justamente, como o melhor jovem jogador.
Villa: Não é um avançado puro, não e um predador da área, mas inventa espaços para fazer funcionar o seu pontapé certeiro. Técnica e muita entrega de um avançado que foi dos melhores marcadores do torneio e já o havia sido no Euro 2008. As coisas não acontecem por acaso.
Forlán: Grande época a nível colectivo e individual. Letal na área a finalizar ou a marcar livres, o Atlético e o Uruguai a ele devem uma grande parte do sucesso nesta época. Não vou cair no exagero de dizer que levou o Uruguai às costas, a selecção celeste valeu pelo seu colectivo, mas fica provado que mesmo num grande colectivo há lugar para as estrelas aparecerem. Forlán é uma estrela refulgente, não cadente.
Destaques: Klose (Alemanha), Robben (Holanda), Suaréz (Uruguai) e Gyan (Gana).

Lugar ainda para falar de alguns cromos deste Mundial. Em primeiro lugar o mais mediático.
Paul, o Polvo: A figura mais mediática do futebol jogado fora das quatro linhas. É um polvo igual a tantos outros, oito tentáculos a sair-lhe da cabeça, movimenta-se de modo pachorrento, mas este tem a particularidade de saber comer o mexilhão no sítio certo. Acertou sempre, mesmo na vitória da Sérvia contra a Alemanha, nas previsões que fez. Ganhou lugar na história dos Mundiais e o direito a fugir ao destino dos seus iguais - acabar cozido ou a acompanhar um belo arroz.

Vuvuzelas: Foram usadas e sopradas a esmo. Irritaram a maior parte dos adeptos, jogadores, treinadores e espectadores televisivos. Levaram a que os canais televisivos inventassem métodos de reduzir o "barulho de enxame", mas levaram as sopradelas até ao jogo final. A FIFA não quis hostilizar o primeiro país africano a receber a competição, optando por fazer "orelhas moucas".

Larissa Riquelme: Há sempre uma beldade que é mais mediatizada que todas as outras, ou pelo que faz, pelo que diz ou pelo que promete. Esta prometeu despir-se caso a sua selecção (Paraguai) atingisse as meias-finais. Agora, promete fazê-lo na mesma, só não disse quando, para premiar a boa prestação da Albirroja no Mundial. Ganhou mediatismo, ganhou um patrocínio da AXE e lançou nova moda de guardar o telemóvel. Mas acreditem que, quer quer o patrocínio, quer o lugar para o telemóvel, não está ao alcance de todos. É tudo uma questão de peito.

Um abraço, obrigado por me aturarem durante este último mês e até um dia destes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minha África: O triunfo sorriu aos espanhóis

Acabou como estava previsto pelas bolsas de apostas, pela generalidade dos analistas desportivos e, convém não esquecer, pelo animal mais mediático deste Mundial, o polvo Paul - a Espanha é campeã do Mundo.

Caso para perguntar ainda se acabou bem. Poderia ter vencido qualquer uma e ambas o mereciam. A melhor oportunidade de golo, durante o tempo regulamentar, pertenceu à Holanda, com Robben a falhar (ou Casillas a defender?) isolado, depois de passe magistral de Sneijder, uma ocasião soberana estavam decorridos quase setenta minutos de jogo. Seria decisivo? Se calhar poderia ser, pois o jogo estava "empatado" nas barreiras defensivas montadas pelas duas equipas. Mais circulação de bola por parte dos espanhóis - desta vez a posse de bola não foi tão esmagadora (53%) - e futebol mais directo por parte dos holandeses, mas a mesma eficácia defensiva nas duas equipas, com muita pressão sobre a primeira linha de construção do adversário, retirar o jogo pelas alas obrigando a usar o centro do terreno (curiosamente onde as duas melhores oportunidades do jogo foram construídas por Robben e Fàbregas) onde o espaço era diminuto e evitar fazer faltas perto da área onde os especialistas abundavam de um e outro lado.

O jogo deu mais facilidade de construção por parte da Espanha, por uma razão apenas: os centrais holandeses, o lateral direito e o seu duo de trincos não conseguem sair a construir, ao passo que os espanhóis são exímios a sair da zona defensiva a construir jogo. Por isso mesmo e com tanta igualdade nos mais diversos sectores, só poderia ser um jogo táctico e com poucas oportunidades de golo, que deveria ser decidido em detalhes, como foi. A equipa espanhola marca o golo aos cento e quinze minutos, aproveitando espaço na defesa laranja, mercê da expulsão do central Heitinga, pois faltava alguém a marcar no flanco esquerdo da defesa, para travar a jogada de ataque "basculante" da selecção espanhola.

Ganhou quem foi mais feliz, em jogo em que ambas não mereciam perder, mas como alguém tem que vencer, Viva a Espanha!, que junta o título de Campeã da Europa ao de Campeã do Mundo.

sábado, 10 de julho de 2010

Minha África: Alemanha fica em terceiro

Que melhor maneira poderia haver para começar a fase de encerramento do Mundial, senão com um jogo emotivo, cheio de golos e com duas "viradas" no resultado? Alemanha e Uruguai proporcionaram um grande espectáculo de futebol com cinco golos e no fim acabou por ganhar, não a mais feliz, não a que mais mereceu, mas sobretudo a que teve um melhor guarda-redes. Tivesse a equipa de Óscar Tabárez um guarda-redes que fosse forte no jogo aéreo e se calhar o terceiro lugar teria outro destinatário. A Alemanha foi a equipa que mais modificou o seu onze, que não a sua forma de jogar e encarar o jogo, não contando com Lahm e Klose (lesionados), Podolski (gripe) e Neuer (opção), enquanto que o Uruguai fez alinhar Fucile e Maxi Pereira na ala direita, com Álvaro Pereira a ocupar a posição de suplente.

Jogo sem grandes rigores tácticos, ao contrário do que apresentaram ao longo do certame, com forte vocação ofensiva das duas equipas, o que tornou o jogo bem interessante, com muitas e boas oportunidades de golo e com excelentes exibições individuais de alguns dos intervenientes. Não faltaram até as reviravoltas no marcador, com o primeiro golo a pertencer à Alemanha (pelo regressado e inevitável Müller), respondendo o Uruguai com dois golos por Cavani e Forlán (que grande golo e que grande Mundial!), para depois surgir a remontada alemã com Jansen a marcar (com a colaboração de Muslera) e Khedira a fazer o resultado final. Excelente o jogo proporcionado pelas duas equipas, que fizeram um campeonato excelente, mais esperado o dos germânicos, menos expectável o dos uruguaios mas perfeitamente justo pelo futebol adulto, de raça e empenho que puseram em todas as suas prestações, inclusive no jogo de hoje, que termina com a bola a bater com estrondo na barra da baliza de Butt na transformação de um livre directo, batido com classe por Forlán.

Que o jogo da final seja tão emocionante e com o mesmo brilho ofensivo do de hoje. Será?

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Minha África: Espanha-Holanda a final do futebol tricotado

Holanda (pela terceira vez) e Espanha (primeira vez) ganharam justamente um lugar na final do Mundial de 2010. As duas praticam um futebol alicerçado no colectivo, com troca de bola, grande rigor defensivo e com "vedetas" que emergem naturalmente do colectivo, nunca dele se dissociando mas contribuindo com a sua classe e técnica para abrilhantar, ainda mais, um jogo que prima em privilegiar a equipa. Pelas características das duas equipas será a final do futebol tricotado e que poderá ser decidido por detalhes, inclinando-me para dar maior favoritismo a uma selecção espanhola, apenas e só porque a sua defesa é mais segura e fiável que a holandesa.

Holanda - Uruguai (3-2): Resolver e depois sofrer

Quem aos 85 minutos de jogo olhasse para o marcador e visse lá espelhado os 3-1 para os holandeses, pensaria que nada poderia ser feito para tirar a certeza aos holandeses que a vitória estava garantida. Puro engano: em poucos minutos e fazendo alarde da entrega, raça e garra que caracterizou a prestação uruguaia neste Mundial, o"chuveirinho" para a área laranja culminou num golo de Maxi Pereira e no "ai Jesus que isto nunca mais acaba", que não se ouvia, mas se pressentia na cabeça dos jogadores e responsáveis técnicos da selecção holandesa.

Foi mais forte a selecção holandesa que marcou cedo - o remate de Van Bronckhorst é candidato ao título de melhor golo do Mundial - que depois descansou e não dando grandes espaços ao ataque uruguaio, a sentir a ausência de Suarez, deu espaço para Forlán empatar uma partida que estava lenta, táctica e sem interesse. Mudou na segunda parte o técnico holandês, fazendo o que havia feito frente ao Brasil: desfez o duo de trincos, ficou só com Van Bommel, e fez entrar mais um médio criativo, Van der Vaart. Dois golos em três minutos, Sneijder e Robben, marcaram a diferença levando o jogo para o tabuleiro da melhor equipa. A parte final do jogo foi de espantar quem gosta de futebol, sendo de enaltecer a raça de uma equipa que acreditou até ao fim, mesmo sem Suárez e sem Forlán, que Tabárez já havia substituído.

Destaque para o colectivo das duas equipas mas realce para Sneijder, cinco golos na competição e uma época inolvidável de um proscrito do Real Madrid, Robben, o "rapaz de cristal" foi outro renegado madrileno, e para Forlán, a prova provada que as vedetas cabem perfeitamente dentro do colectivo.

Alemanha - Espanha (0-1): Quem tem bola ganha

Ter a posse de bola é mais que meio caminho andado para a vitória. Essa foi a razão do sucesso de uma equipa espanhola, que com um emaranhado de passes foi tecendo a teia onde enredou o futebol alemão. A posse de bola, a sua circulação e a pressão imediata para recuperar a bola perdida foram a base para a vitória espanhola. A Espanha deixou Torres no banco e optou pelo jovem Pedro no apoio a David Villa, o resto manteve-se inalterável. A Alemanha não podia contar com o ala/avançado Müller e a opção recaiu em Trochowski. O jogo apontava para a posse de bola de Espanha e uma Alemanha a postar na sua arma mais forte, as saídas rápidas e apoiadas para ao ataque.

Só que quem tem bola manda no jogo, a Espanha tinha-a. Quando a perdia, exercia uma pressão alta intensa que não deixava a Alemanha sair em jogo organizado quanto mais em contra-ataque. Essa foi a base para anular o poderio alemão, o resto foi conquistado à base do seu futebol tricotado, de muita paciência e persistência, para saber aproveitar as oportunidades que lhe surgiriam pela frente. Aproveitou a garra de Puyol para de cabeça fazer o 1-0 e garantir um lugar na história do futebol espanhol, a primeira presença numa final do Mundial.

O resto da história escreve-se no Domingo, ficando por saber se no lugar de destaque fica uma Holanda, que marca presença na final pela terceira vez (costuma dizer-se que à terceira é de vez) ou a Espanha, que em caso de vitória pode juntar o título de campeã do Mundo ao da Europa, conquistado em 2008.

Até lá com um abraço.

domingo, 4 de julho de 2010

Minha África: Dia da Europa no Mundial

Alemanha (grande exibição) e Espanha (muito sofrido) seguem para as meias-finais do Mundial deixando pelo caminho duas equipas sul-americanas, respectivamente a super-candidata Argentina e o Paraguai, sendo justo apelidar a jornada de ontem como a do "Dia da Europa no Mundial".

Não adianta fazer muitas conjecturas ou tecer grandes cenários, quando se chega à fase das decisões os melhores normalmente ganham, não ganham os que têm os melhores jogadores, mas os mais aptos e que interpretam melhor, no sentido colectivo, a essência do jogo de futebol. Alemanha e Espanha privilegiam o sentido colectivo do jogo, mais trabalhado, de processos lentos e cuidados na progressão ofensiva, com muita circulação de bola a Espanha, mais rápido na transição, mais eficaz e mortífero, por serem precisos poucos passes para chegar à linha de finalização, a Alemanha. Ambas têm uma característica em comum: a área de finalização (último terço do campo do adversário) é ocupada por um bloco de cinco/seis jogadores, o que diz bem da capacidade de trabalho incutido em ambas as equipas nos processos ofensivos. São perfeitas máquinas de ataque e de um sentido colectivo brilhante, constituindo a par da Holanda, que se enquadra na perfeição nestes parâmetros, as equipas que se perfilam para discutir o título de campeão do Mundo 2010.

Uma última palavra para o único representante, Uruguai, de um continente sul-americano, que a determinada altura da prova ameaçou tornar a fase final do certame numa reedição da Copa América, pois também as suas características, equipa solidária, sem vedetas (as que tem trabalham para o colectivo - Forlán e Suárez) e com muita crença, se enquadram, embora menos, no esquadrão das quatro equipas que vão discutir o acesso à final de dia 11 de Julho.

Argentina - Alemanha (0-4): Argentina de passo trocado no tango alemão

Diz o senso comum que são precisos dois para dançar o tango, mas a equipa de Joachim Löw conseguiu o desmentido no encontro de ontem. Só a Alemanha dançou o tango, a Argentina de ontem estava de passo trocado. O inesperado na vitória da Alemanha surge apenas pelo "esmagamento" dos números finais (4-0) frente a uma equipa que ocupava desde o início da prova, a par com o Brasil, o primeiro lugar dos candidatos ao título. Todos se esqueciam da Alemanha - já agora da Holanda também - mas incluíam no lote dos candidatos a Espanha e Inglaterra, no segundo patamar dos candidatos. Pois bem, esta selecção germânica, até agora, eliminou na fase decisiva a Inglaterra por 4-1 (oitavos) e a Argentina por 4-0 (quartos), tendo agora pela frente nas meias a Espanha, numa prova eloquente que os resultados não surgem por obra do acaso.

Nem por obra do acaso, nem por influência das individualidades (embora as haja e boas), mas alicerçada num espírito colectivo de excelência, que sabe ocupar todos os espaços do campo, asfixia a construção de jogo do adversário, defende em bloco e desdobra-se para o ataque organizado com a influência de um verdadeiro médio "box-to-box", Schweinsteiger, com um médio ofensivo de classe, Özil, e com três jogadores avançados que fazem a delicia de qualquer treinador, pois actuam na perfeição em todas as áreas do ataque: Müller, Klose e Podolski. Juntando a isto uma defesa de betão, um médio mais de posição como Khedira e dois laterais eficientes a defender, Boateng e Lahm, com este último a integrar-se e bem no processo ofensivo, temos a concepção do que andará muito perto de uma equipa a raiar a perfeição. Para atingir tem que passar a Espanha nas meia-finais e provavelmente a Holanda na final.

A Argentina foi neste jogo o espelho do que foi nos outros, uma equipa com defesa permeável pelo centro, com um ataque recheado de jogadores de qualidade técnica e capazes de resolver qualquer jogo, mas que estiveram sempre órfãos de um meio-campo criativo, que nunca tiveram, nem mesmo com Véron. A Alemanha limitou-se a ganhar a batalha do meio-campo, a meter numa redoma os atacantes argentinos, Messi, Tévez e Higuaín, obrigando-os a ter que vir atrás buscar jogo que os alimentasse.

Vitória do colectivo, onde as individualidades sobressaem naturalmente, castigando uma equipa que nunca o foi na verdadeira acepção da palavra. Foi sempre uma mescla de alguns executantes medíocres e esforçados (mão cheia de excelentes jogadores que raramente jogaram em colectivo).

Espanha - Paraguai (1-0): Bater com a cabeça contra o muro

Poucas linhas a gastar com um jogo feio, táctico mas com muitas emoções. Feio, porque de sentido quase único: Espanha a controlar posse de bola e jogo ofensivo perante um Paraguai a defender e a espreitar o contra-ataque venenoso. Táctico, porque o muro levantado pela equipa sul-americana e a insistência e persistência espanhola em não arranjar alternativas, extremos mais velozes, para o derrubar, levaram à sensaboria de quem a ele assistiu. Com muitas emoções, porque o desperdiçar de duas grandes penalidades num minuto (uma para cada lado e por razões diferentes) e as peripécias de um árbitro de terceira categoria, alimentaram a discussão a um jogo que o não merecia. Venceu a equipa que mais atacou, não da melhor maneira, perante uma equipa que só quis defender e contra-atacar, e que se calhar poderia ser mais perigosa com a inclusão inicial do seu habitual atacante Lucas Barrios.

O árbitro Carlos Batres (Guatemala) corroborou a tese que defendo há muitos anos: por que razão a FIFA teima em dar oportunidade a árbitros de países onde o futebol a nível interno não tem grande expressão ou competitividade? Nos melhores jogos os árbitros mais credenciados e com arcaboiço psicológico para aguentar a pressão mediática, este guatemalteco não a teve. Mandou repetir a grande penalidade a Xabi Alonso (tinha marcado à primeira) por invasão da área antes de tempo. No penalty de Cardozo isso não foi mais flagrante? Não teve coragem para assinalar falta máxima por derrube de Villar a Fabrègas, na consequência da defesa ao segundo penalty de Alonso. A mesma coragem que lhe faltou para ignorar o erro do seu auxiliar, que descortinou um fora de jogo a Valdez, que não existia, e que daria o primeiro golo, ainda na primeira parte, ao Paraguai. Erros demasiados e com influência no resultado, para uma partida dos quartos-de-final de um Mundial. Exibição perfeita de Casillas na noite de David Villa, já o melhor marcador da competição com cinco golos.

Agora, é descansar das emoções e aguardar pelas meias-finais, que prometem e muito.

sábado, 3 de julho de 2010

Minha África: Holanda-Uruguai na primeira meia-final

Surpresa na eliminação do Brasil? Para quem viu, não houve surpresa. Surpresa na passagem da Holanda? Para a maioria dos observadores e "experts" na matéria, sim, há surpresa. Para mim, que antevi logo no início desta competição, a propensão desta Holanda para se tornar numa séria candidata ao título, não foi surpresa, foi uma confirmação. Agora terá pela frente a equipa do Uruguai que, em jogo impróprio para cardíacos, venceu nas grandes penalidades a única selecção africana, Gana, que lutou até ao fim para fugir ao fado africano - não passar dos quartos-de-final.

Brasil - Holanda (1-2): Sumo de laranja estragou o feijão com arroz

Acabou o Mundial para o Brasil aos pés do patinho feio, Holanda, que provou, se fosse necessário, que é uma séria candidata ao título. A Holanda foi obrigada a mexer no onze habitual com a entrada do central Oiijer para lugar do lesionado no aquecimento Mathijsen. Boa entrada do Brasil, com pressão alta sobre a construção de jogo dos holandeses e rápidos nas transições com Kaká, Robinho e Daniel Alves. Foi pela cratera aberta no meio da defesa da Holanda, que Felipe Melo (a única coisa boa que fez no jogo) isolou Robinho para fazer o primeiro golo. Estava o Brasil como queria, a ganhar e a poder comandar um jogo nas transições perante uma equipa que gosta de assumir a posse de bola. Sentiu dificuldades a Holanda para fazer chegar a bola a Van Persie e a Robben, os mais adiantados, porque Kuyt não construía pela direita (boa marcação de Maicon e Daniel Alves) deixando para o desamparado Sneijder a tarefa de construir jogo, mas somente com recurso aos lançamentos longos. Não deixava construir a Holanda, mas não construía o Brasil também, muito mais interessado em retirar espaços e explorar o contra-ataque.

Na segunda parte a modificação feita pelo técnico holandês, Marwijk, deu a volta ao jogo, desfazendo o duplo-pivot defensivo (Van Bommel/De Jong) adiantando Van Bommel para juntar a Sneijder e proporcionando outro atrevimento ofensivo a Kuyt pela esquerda. Verdade que a equipa apareceu mais solta, mais rápida e com Robben a dar problemas de marcação a Michel Bastos e companhia e com Van Persie mais "flutuante" na frente de ataque. O golo do empate surgiu num livre por falta sobre Robben e Felipe Melo desviou o que Júlio César queria afastar a soco, a bola. Falharam os dois jogadores brasileiros e com isso o jogo virou. Até porque 15' depois surge o segundo golo holandês (68') e mais uma vez com origem num lance de bola parada. Lançamento lateral, antecipação de Kuyt ao primeiro poste e desvio de Sneijder em plena área.

Pela primeira vez a equipa de Dunga estava por baixo no marcador e era importante saber como jogaria esta equipa quando fosse obrigada a jogar deliberadamente ao ataque. Falhou a canarinha na organização do jogo ofensivo, atabalhoado, pouco colectivo e muito individual. Pior ficou o Brasil quando Felipe Melo foi expulso aos 73', ele que já deveria ter saído mais cedo pois para além do passe do golo o seu único destaque foi para a forma como foi acertando, assiduamente, nas pernas dos jogadores holandeses. Foi o golpe de misericórdia para um Brasil que usou o coração para tentar o milagre, e foi a altura da Holanda perdoar por duas vezes o terceiro golo.

Maicon, Daniel Alves e Káká foram os melhores no Brasil. Na Holanda destaque para Sneijder (excelente a organizar o jogo ofensivo), Kuyt com um pulmão do tamanho de África e saliência para Robben, não pelo que jogou, mas pelos estragos que fez (cartão amarelo para Michel Bastos obrigando à sua substituição na 2ª parte e pela expulsão de Felipe Melo) com as faltas que sofreu.

Gana - Uruguai (1-1) (4-2 em g.p.): Jogo louco com conclusão de Loco

Jogo de loucos, com muita intensidade ofensiva, boas oportunidades, com um final de prolongamento de emoções fortes e com conclusão favorável à "celeste" na transformação de grandes penalidades. Duas equipas a querer ganhar, mais técnica e mais organizada nos processos ofensivos, Uruguai, mais rápida nas transições (principal arma) e menos elaborado nos processos ofensivos o Gana. Oportunidades repartidas en jogo com ritmo alto e com prolongamento. No final dos 120', já no período de descontos, Suárez evita a eliminação do Uruguai defendendo com as mãos em cima da linha de baliza um remate do Gana. Penalty indiscutível que Gyan falhou, obrigando a sua equipa a ir à decisão por grandes penalidades. Acertou mais o Uruguai (só Maxi Pereira falhou) para no último pontapé Loco Abreu, com um pontapé de louco (arriscou o penalty à Panenka) deu a qualificação ao Uruguai que 40 anos depois atinge uma meia final do Mundial.

Hoje há mais e ninguém se admire, se a outra "zebra" do Mundial vier da eliminação da Argentina.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Minha África: O enigma Cristiano Ronaldo

Depois da eliminação de Portugal aos pés da Espanha, tinha prometido voltar no dia seguinte com uma análise a Cristiano Ronaldo e à sua prestação no Mundial 2010. Propositadamente deixei correr, fui ouvindo, lendo, visionando o muito que se resolveu falar e sobretudo especular, sobre o jogador, o homem, o capitão e até o cidadão do mundo, Cristiano Ronaldo. O CR7 foi apelidado de tudo: falhado, impostor, mau perdedor, egocêntrico e o que mais se possa imaginar. Que se passa com Cristiano Ronaldo que não rende na selecção e rende ao mais alto nível nos clubes?

Haverá muitas respostas a esta pergunta, muitos estudos, muitas opiniões de doutorados e "paineleiros", que desatam a zurzir no jogador que falha nos momentos decisivos, mas que, curiosamente, são os mesmos que estão na linha da frente para lhe tecer os mais rasgados elogios, quando marca um golão de livre, quando inventa jogadas de maravilha, quando assiste os companheiros, ou, simplesmente, quando resolve exibir em jogo todo o seu manancial de dotes técnicos, que só estão ao alcance dos predestinados como ele.
Não quero por isso entrar por esse campo, até porque não vai demorar muito tempo para que os que agora escalpelizaram, até à exaustão, o seu comportamento e prestação, dentro de poucos dias lhe rendam homenagens e teçam as mais variadas loas às suas prestações desportivas e não só. Caso para seguir à letra o ditado popular que começa por "não cuspas para o ar...".

Comportamento: No caso de Cristiano Ronaldo será caso até para dizer não cuspas para lado nenhum. Esse é o seu temperamento, o seu comportamento, que já muitos problemas lhe trouxe, quer a nível desportivo, quer fora dos recintos de jogo. Ronaldo não sabe lidar com a crítica, seja dos jornalistas, dos colegas ou do público. Reage mal a todos eles. Valdano criticou-o depois do jogo de Almería, foi acusado de agressão a uma menor, enfadou-se com Ferguson depois de ser substituído, reagiu com gestos ao assédio de um paparazzi, gesto esse que já havia repetido anos antes em pleno Estádio da Luz. São atitudes que revelam pouco controlo emocional, num homem que ainda é um menino e que em poucos anos subiu ao mais alto patamar do futebol mundial, com a mediatização que ele não entende quando está por baixo, mas que adora quando está na mó de cima. Falta-lhe preparação mental para saber lidar com toda a pressão a que está sujeito.

Factos desportivos: Acusado de não marcar golos ao serviço da selecção, questionam os "entendidos" se o CR7 é um jogador empenhado ao serviço da camisola das quinas. Também aqui as opiniões divergem mas os factos falam por si. Vejamos o que fez Ronaldo ao serviço da selecção:
Apuramento Mundial 2006 - 7 golos em 12 jogos
Mundial 2006 - 1 golo em 7 jogos (restantes por Maniche(2), N.Gomes, Simão, Deco e Pauleta)
Apuramento Europeu 2008 - 8 golos em 13 jogos
Europeu 2008 - 1 golo em 4 jogos (restantes por N.Gomes, Postiga, Deco, Quaresma, Pepe e Meireles)
O treinador da selecção durante este período foi Luiz Felipe Scolari.

Com Carlos Queiroz na selecção, primeiro jogo em 20 de Agosto de 2008 contra as Ilhas Faroé, Cristiano Ronaldo marcou apenas dois golos em 26 jogos, sendo que um deles foi contra a Finlândia (jogo preparação) e o outro neste Mundial contra a Coreia do Norte.

A nível de clubes o registo é o seguinte:
2006/2007 - M. United - 20 golos
2007/2008 - M. United - 39 golos - Vencedor da Bota de Ouro
2008/2209 - M. United - 22 golos
2009/2010 - R. Madrid - 33 golos
(O registo dos golos refere-se apenas aos apontados no campeonato e na Liga dos Campeões)

Conclusão: Não acho que Cristiano Ronaldo seja o melhor do Mundo, mas é seguramente um dos melhores. É egocêntrico, pouco humilde, não sabe lidar com a pressão e é conflituoso em caso de fase negativa. Muitas destas vertentes deveriam ser "domesticadas" pelo seu agente, com profissionais que lhe ensinassem a cultivar a imagem exterior, porque a interior ele já a tem elevada à potência máxima. A marca CR7 é demasiado valiosa para poder ser penalizada com "atitudes de menino mimado e mal comportado".

Desportivamente o caso poderá ser mais complexo, mas é para mim claro que face aos números esmagadores da capacidade goleadora de Cristiano Ronaldo, ao serviço dos clubes e da selecção na era Scolari, alguma coisa vai mal sob a égide de Queiroz. Cristiano Ronaldo precisa de espaço para criar e meter a sua capacidade de executar em velocidade, para poder decidir em pouco espaço e perto da baliza. Por isso a sua posição nos clubes poderá ser a de ocupar a ala, mas com liberdade para poder fazer as diagonais para dentro do terreno ou jogar nas costas do avançado. Outro dado inequívoco é que Ronaldo nunca joga em clubes onde a defesa é o mote principal, por isso não é obrigado a fazer piques de 50 ou 60 metros para chegar à baliza contrária.

Na selecção de Queiroz, defensiva e sem sentido ou plano ofensivo, o mote é de ter uma referência no ataque, Liedson ou Hugo Almeida, e um sprinter que, com a bola no pé faça o que os restantes jogadores não tem autorização para fazer: galgar meio campo até à área contrária para finalizar ou dar a finalizar. Esse jogador sempre foi Cristiano Ronaldo e pedir-lhe para correr tanta distância, ultrapassando todos os que lhe saem ao caminho, é tarefa de gigante. Cristiano Ronaldo é mais vitima que réu nesta selecção de Carlos Queiroz e continuará a ser, se os processos de jogo da selecção não mudarem, porque a sagacidade de um treinador está em saber tirar e gerir as potencialidades dos seus jogadores e isso Queiroz, não soube, não sabe e dificilmente saberá fazer, como o provou no Sporting, no Real Madrid e agora na selecção. Vive do êxito alcançado com uma selecção de miúdos excepcionais, que treinavam na selecção com longos estágios e com pouca presença nos clubes.

Cristiano Ronaldo vai na próxima época desportiva voltar ao normal, marcar golos, dar espectáculo e deliciar o mundo futebolístico ao serviço do Real Madrid, vai continuar a ter atitudes de menino birrento e mimado e vai continuar o ocaso na selecção. Tire as suas conclusões quem quiser, estas são as minhas, não são (nem quero que sejam) verdade absoluta e como dizia o Herman "cada qual tem a sua"... opinião, claro.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Minha África: Portugal não dobrou o Cabo do Medo

Portugal disse adeus ao Campeonato do Mundo, cumprindo os objectivos a que se propôs, ser apurado na fase de grupos e defrontar a Espanha nos oitavos-de-final, e aí...quem faz o que pode, a mais não é obrigado.

Portugal foi igual a si mesmo no Mundial. Foi igual ao Portugal da fase de qualificação e foi igual ao da fase de preparação. Foi uma equipa com medo, defensiva e com processos ofensivos pouco trabalhados, sempre à procura de um lance individual de qualquer jogador e principalmente de Cristiano Ronaldo. Portugal não joga com equipas da sua qualidade ou de qualidade superior atacando, aborda os jogos de forma retraída, defensiva e com um medo terrível de arriscar. Portugal só jogou ao ataque contra a Coreia do Norte e porque a isso foi obrigada, para conseguir passar o seu principal objectivo: ultrapassar a fase de grupos. Contra a Costa do Marfim, táctica do medo e zero golos. Contra o Brasil, receosos e sem vontade de arriscar para ser primeiro do grupo e escapar à Espanha, por isso zero golos.

Contra a Espanha, um jogo que não valia pontos mas valia uma qualificação, fomos iguais a nós próprios. Retraídos, com aposta no contra-ataque e por isso zero golos. Conclusão: só marcamos golos à fraca Coreia do Norte e ainda bem que foram logo sete, que nos deu o lastro necessário para encarar o jogo com o Brasil sem tremuras nas pernas. Portugal chegou à África do Sul dobrando o Cabo da Boa Esperança, mas nunca se conseguiu ultrapassar o Cabo do Medo.

Portugal - Espanha (0-1): De equívoco em equívoco até à derrota final

Foi o jogo e o onze que estava à espera, Ricardo. Fica aqui respondido, para todos, o desafio que ontem, depois de publicada a crónica, me lançou o Ricardo por sms. Dar o onze de Portugal, tal como o tinha feito nos jogos anteriores. Não o fiz por uma única razão: sabia que o onze ideal para este jogo não andaria longe do que o Ricardo desenhou na antevisão abaixo, mas tinha a convicção da burrice que Carlos Queiroz iria fazer, como fez. O meio-campo deveria ser Pedro Mendes, Tiago e Meireles nas alas e Deco no vértice mais adiantado, jogando atrás dos dois avançados Cristiano Ronaldo e Danny.

Como jogamos

Com Pepe a destruir (mal) e a não saber construir (como nunca construiu). Nunca foi capaz de fazer um primeiro passe na zona de construção que fizesse sair os seus colegas para o contra-ataque ou ataque organizado. Em má condição física (depois de seis meses parado e regressando ao trabalho de campo um mês antes do inicio do Mundial, não poderia estar nunca) tem muito mais propensão para recorrer ao uso do físico da pior maneira possível, fazendo faltas e algumas bem grosseiras. Basta relembrar os 60' frente ao Brasil e os 72', agora, com a Espanha. Outro equívoco, Simão. Nunca foi capaz de criar desequilíbrios em nenhum jogo, salvo contra os pobres coreanos. Sem a velocidade de outrora limita-se a defender nas alas e raramente vai a jogadas de choque. Hugo Almeida no jogo com os espanhóis foi outro engano. Como é possível que com 1,91 metros de altura, não conseguisse ganhar um único lance de cabeça a Puyol, que só mede 1,75 metros? Se o jogo com a Coreia era para Hugo Almeida, este era mais para Liedson, mas sobretudo para Danny, com Cristiano nas costas.

Não falo do equívoco Ricardo Costa, porque apesar do "sabonete" que levou nos quinze minutos iniciais, depois rectificado pelo seleccionador que colocou Simão a fechar nesse flanco e encostou mais Tiago, a culpa não é só dele (que até não comprometeu depois disso), é do seleccionador que deveria optar por um defesa direito mais posicional - Paulo Ferreira. Tiago e Raúl Meireles foram médios de contenção e raramente subiram no terreno. Quando se libertaram das amarras tácticas de Queiroz, criaram duas ocasiões na primeira parte: cruzamento de Meireles para a cabeça de Hugo Almeida e cabeceamento do próprio Tiago, com perigo para Casillas.

A Espanha aceita o convite para o baile

Se Queiroz apelidava a Espanha de Barcelona A, porque carga de água foi dar a iniciativa ao adversário, encostando a sua equipa no último terço do terreno? Para explorar o contra-ataque (não gosto do termo transições rápidas)? Com quem? Com Hugo Almeida, que não é rápido? Com Cristiano Ronaldo a ter que percorrer meio-campo com a bola nos pés e sozinho contra o Mundo? Deveria ser com o meio-campo mais adiantado e pressionante (o chamado bloco alto) para, em caso de ganhar a bola no meio-campo contrário, ter mais hipóteses de se acercar da baliza adversária. Exemplo disso o lance aos 32', em que a pressão alta fez Portugal ganhar a bola na primeira fase de construção da Espanha (perda de Busquets), com o contra-ataque a colocar quatro jogadores na organização do lance. Tiago a roubar e a fazer o primeiro passe, Raúl Meireles no corredor esquerdo a receber, correr e tirar o cruzamento, para Hugo Almeida cabecear ao lado, com Cristiano Ronaldo nas suas costas. Valeu na primeira parte o herói Eduardo para chegarmos ao intervalo empatados.

Do banco saiu o joker da vitória

A segunda parte foi igual. Espanha com iniciativa atacante e Portugal na expectativa, até que Del Bosque resolveu ganhar o jogo. Saiu o ineficaz Torres (grande Fábio Coentrão que anulou El Niño) que não se adapta a jogar na ala direita, entrando um avançado de área. Era um corpo estranho na área portuguesa que nunca viu tal "ser", não se adaptando à marcação. Logo na primeira vez que toca na bola, Llorente obriga Eduardo a uma soberba defesa (mais uma). A segunda vez que toca na bola, desvia de calcanhar, colocando-a nos pés de Villa, que faz o golo. Reage Queiroz com medo, muda para dizer que não o fez, mas deixando um criativo no banco, Deco, e optando pela entrada de Pedro Mendes para o lugar de Pepe. Portugal precisava de um médio atacante e não de outro defensivo. Depois, foi a Espanha a fazer circulação de bola, com Portugal passivo a vê-los jogar e finalmente a amálgama de "soluções" encontradas por um seleccionador sem recursos tácticos, optando pelo "bêábá", adiantamento do central Bruno Alves para recorrer ao chuveirinho. Viemos embora para casa e bem.

Positivo
1 - A exibição soberba de Eduardo, com seis defesas a negar golos cantados ao adversário. Chorou no final frustrado pela sua exibição não ter valido de nada. Como lhe disse Beto "defendeste como um gigante, fizeste uma exibição de gigante, tens que sair como um gigante, de cabeça levantada". Ganhou o seu Mundial.
2 - Fábio Coentrão foi outro jogador que ganhou o seu Mundial e, quiçá, o seu futuro noutro clube. Jogou na selecção como joga no clube, com agressividade, forte a defender e rápido e eficiente a sair para o ataque. Mas no Benfica os processos são outros, não são, Coentrão? Não se joga a defender e com medo dos adversários.

Negativo
1 - A atitude amedrontada de Carlos Queiroz, que não consegue transmitir nenhuma ideia, organização e capacidade de ataque, a uma selecção que obrigou sempre a defender e a jogar com medo do poderio dos adversários. Na fase de qualificação, na fase de preparação e na fase final do Mundial. Pelo menos foi coerente do princípio ao fim. Viveu no medo e para alimentar o seu medo.
2 - O ambiente que se vive na selecção. Cristiano Ronaldo respondeu do seguinte modo à pergunta colocada sobre o que se tinha passado em campo: "perguntem ao Carlos Queiroz". Pedro Mendes explicou o descalabro com "jogamos muito recuados...esperava jogar e outros também". Deco, que também esperava jogar, optou por dizer que "se foi por castigo não sei". Ambiente fantástico e que promete mais desenvolvimentos... ou talvez não. Vai imperar a lei da rolha a partir daqui, porque de ditos e desmentidos por "comunicados" já tivemos a nossa conta. Primeiro Nani, depois Deco, agora Cristiano Ronaldo (este no site do seu empresário).

Como isto já vai longo e agora temos dois dias de descanso, prometo, depois, falar sobre a exibição no Mundial de um jogador, Cristiano Ronaldo, que é o melhor do Mundo nos clubes e é um zero à esquerda na selecção de Queiroz.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Minha África: Sem surpresas, os melhores ganharam

Não há lugar a surpresas, os favoritos venceram e bem. Com mais facilidade o Brasil, que depois de estar em vantagem sabe aproveitar os espaços na defesa contrária para matar o jogo. Mais sofrida a Holanda, que chegou cedo ao golo, adormecendo depois à custa da vantagem conquistada, expondo-se a um golpe de fortuna do seu adversário para empatar. Atitudes diferentes, mas duas equipas que estão a fazer um excelente Mundial e que curiosamente se vão defrontar nos quartos. Pena que uma delas tenha que sair.

Holanda - Eslováquia (2-1): A Laranja não é mecânica mas tem sumo
Jogo: Jogo após jogo a Holanda vem provando porque lhe atribuí estatuto de favorita, contra a opinião generalizada, que era uma equipa boa no ataque mas frágil a defender. Não é de facto a Holanda da "laranja mecânica", que atacava de modo demolidor e com muita circulação de bola. Esta Holanda é mais pragmática, defende bem, com uma linha de pressão no meio-campo onde os alas atacantes se incorporam, para depois em funções atacantes ser uma equipa de muita explosão, técnica e velocidade. Se a isto juntarmos o regresso de Robben, com toda a sua mestria em criar desequilíbrios, está encontrada a receita ideal para tornar esta Holanda numa séria candidata ao título, a provar já no próximo jogo contra o Brasil.

Positivo: Robben, o menino de cristal, como é apelidado devido à sua fragilidade óssea, é realmente um desequilibrador. Exímio no um-contra-um, tecnicamente perfeito a executar em velocidade, capacidade de explosão e remate fácil e colocado. Estes são os traços do ADN futebolístico de um jogador de excelência, que poderia ombrear na corrida ao título de melhor jogador do Mundo, assim as lesões o deixassem ter mais assiduidade nos jogos.

Negativo: A atitude de Van Persie após a substituição. O treinador não o coloca a jogar na sua posição preferida? Não é um avançado de área? Renderia muito mais noutra posição? Todas as respostas poderão ir de encontro às suas pretensões, só que o treinador é soberano, havendo hora e local certo para o fazer, com mais recato. Por mim poderia ficar no banco, pois a Holanda com Huntelaar é bem mais perigosa.

Brasil - Chile (3-0):Ganhar de forma fácil com direito a "chilena"
Jogo: Dunga surpreendeu com as alterações efectuadas. Felipe Melo e Elano não jogaram, com as suas posições a serem ocupadas por Ramires e Daniel Alves. Não perdeu consistência defensiva (na minha opinião até ganhou) e adquiriu no meio-campo mais velocidade para sair a jogar, com a entrada desses dois jogadores. Foi, por isso, um Brasil mais consistente, mais capaz de ganhar a bola ao adversário e sobretudo de aproveitar uma defesa chilena descompensada e mais vulnerável às transições rápidas. Foi uma vitória construída na paciência, perante uma equipa que esperava no seu meio-campo, e que começou a ser desbravada com o excelente cabeceamento de Juan. Depois, é só esperar que o adversário conceda espaços, para que a classe dos jogadores brasileiros os saibam aproveitar. Com o amarelo de Ramires - fica de fora com a Holanda - Dunga vai ter que arranjar outra opção para o miolo do terreno.

Positivo: Mudanças de Dunga. Não perdeu solidez defensiva e ganhou mais velocidade na saída para o ataque. É um Brasil mais consistente.

Negativo: A atitude da equipa chilena, muito passe e circulação de bola, pouca agressividade atacante. Pior ainda a reacção esperada na segunda parte, jogar mais aberta e com intenção de reduzir distâncias, foi confrangedora a sua exibição.

Amanhã, temos Portugal a jogar e a história no confronto entre os dois países favorece a selecção lusa. Que a história continue a ser escrita em português.

domingo, 27 de junho de 2010

Minha África: Argentina e Alemanha apurados em dia negro para a arbitragem

A Argentina está apurada para os quartos-de-final, mantendo o favoritismo que lhe era apontado antes da competição. A Alemanha também se apurou, mas não constava dessa lista de favoritos, onde se lia o nome do seu opositor, Inglaterra, que foi derrotada sem apelo nem agravo.

A Argentina aproveitou dois erros e construiu um resultado de segurança na primeira parte. A Alemanha venceu bem e, finalmente, ao fim de quarenta e quatro anos, libertou-se do fantasma de 1966, vingando-se da tal bola que o árbitro viu dentro da baliza, mas que mais ninguém viu. Desta vez foi ao contrário a bola entrou, todo o mundo viu menos o auxiliar e o árbitro Larrionda, e com esse golo a ser validado o jogo seria de certeza outro, porque a Inglaterra iria com um empate para o intervalo e não teria que arriscar tanto no ataque durante a segunda parte.

Dia negro para as duas equipas de arbitragem com erros grosseiros com provável influência no resultado. Jorge Larrionda, além de outros erros, esteve no lance do golo que vai ser falado por muito tempo em Inglaterra. Roberto Rosetti e o seu auxiliar validaram o golo ilegal (fora-de-jogo) de Tevéz.

Inglaterra - Alemanha (1-4): A vingança serve-se fria
Jogo: Futebol directo dos ingleses no ataque com muita previsibilidade e mais mobilidade dos germânicos com Ozil, Müller e Klose, mais rápidos que os defesas britânicos a criarem até aos vinte minutos duas oportunidades desperdiçadas por Ozil e Klose. Aos 20' um golo insólito: pontapé de baliza da Alemanha e Klose mais rápido que Terry e Upson a finalizar com um simples toque. Sempre no mesmo registo, a Alemanha criava mais oportunidades mas o jogo "despertava" pelo lado inglês. Defoe remata à barra, mas é assinalado (mal) fora-de-jogo e na resposta, rápida troca de bola (Müller/Klose) para finalização de Podolski. Acordou a Inglaterra com o guardião germânico a contribuir para o golpe de cabeça de Upson, que reduz, e aos 38' Lampard faz a bola bater na trave e entrar na baliza, mas o auxiliar de Larrionda não vê e o golo não é validado. A segunda parte foi um doce para os pupilos de Joachim Löw, com uma Inglaterra aberta no ataque e vulnerável para uma equipa que nas transições rápidas é cínica, fria e letal. Duas bolas perdidas na defesa germânica e duas "cavalgadas" para a área inglesa, com Müller a concluir e dar o cheque-mate em Capello e seus pupilos. A Alemanha vinga-se 44 anos depois do célebre golo da final de 1966, com uma bola que desta vez entrou e não foi validado e que foi importantíssimo para o desenrolar da partida. Larrionda, apesar dos erros cometidos em todos os jogos, vai continuar a ser nomeado pela FIFA. Que vergonha.

Positivo: As lições, dignas de figurar em qualquer aula de transições ofensivas, dadas por uma equipa que sabe interpretar o contra-ataque na perfeição. Ganho de bola, primeiro passe rápido a desmarcar um colega e corredores de contra-ataque bem preenchidos, depois é só finalizar.

Negativo: Errar é humano, dizem os "Velhos do Restelo" da FIFA, mas o resultado de um jogo ser decidido pela teimosia em não querer adaptar as novas tecnologias ao futebol, já não é só casmurrice, é burrice.

Argentina - México (3-1). Aproveitar os erros alheios
Jogo: A Argentina aplicou a receita infalível para vencer, experiência, impor o ritmo lento que lhe convém, aceleração de Messi a 30/40 metros da grande área, capacidade de finalização de Tévez e Higuaín e saber aproveitar os erros alheios, que fatalmente terão que aparecer. O primeiro erro foi assinado pelo auxiliar do árbitro italiano Rosetti (não assinalou fora-de-jogo a Tévez) o segundo foi uma oferta do central Osório que colocou a bola nos pés de Higuaín que não falhou. O resto foi controlar o jogo e o adversário, fazendo circulação de bola, de quando em vez acelerar um pouco para dar avisos claros que o ritmo era imposto pelos pupilos de Maradona, até passar o tempo de jogo. Tudo isto perante a passividade e ineficácia ofensiva de uma equipa mexicana, que não tem ninguém para imprimir ritmos mais elevados e que obrigassem a defesa argentina a cometer erros. Com equipas rápidas e agressivas no ataque vai cometê-los de certeza, não vai Alemanha?

Positivo: O ataque argentino, um dos melhores da competição, com Tévez, Higuaín e Messi. Todas as cambiantes necessárias lá estão: luta e pressão ofensiva (Tévez), sentido posicional na área (Higuaín), capacidade de explosão e magia com a bola nos pés (Messi), porque há um denominador comum aos três: soberba capacidade de finalização.

Negativo: A arbitragem do italiano Rosetti, validando um golo ilegal. A defesa do México com muitas ofertas a uma selecção que nem delas precisava para vencer.

Minha África: Nada acontece por acaso

Nada acontece por acaso. Foi apurada a primeira equipa sul-americana a entrar em campo na fase de eliminação e a única equipa africana. Foram apuradas as melhores. Até em relação às equipas eliminadas o título cabe na perfeição, foram eliminadas duas equipas que fizeram uma boa primeira fase, pode até dizer-se que com alguma surpresa, apresentando as mesmas características de jogo - muita voluntariedade, futebol bonito e técnico, mas com muita ingenuidade e pouca eficácia na finalização.

Uruguai e Gana vão defrontar-se nos quartos-de-final e uma delas estará seguramente nas meias-finais. O Uruguai não atingia esta fase da competição desde o México-70, enquanto o Gana, que alcançou a melhor classificação de sempre na história dos Mundiais, se eliminar o seu adversário, passa a ser a única selecção africana a chegar às meias-finais de um Mundial.

Uruguai - Coreia do Sul (2-1): Suar(ez) para vencer

Jogo: Agradável e com dois tempos. Uruguai mais forte na entrada em jogo, mais ofensivo e enredando os coreanos no seu futebol mais técnico e com transições ofensivas rápidas. Golo marcado cedo com a envolvência dos seus três atacantes Cavani, Forlán e Suarez (os dois últimos são responsáveis por cinco dos seis golos marcados pela sua selecção na competição), logo seguido de um adormecimento que lhe poderia ter sido fatal, não fosse a fraca capacidade concretizadora dos coreanos, que aos 68m empataram a partida. Mas quem tem Suarez, tem francas hipóteses de marcar e o seu segundo golo é digno de figurar no compêndio dos golos mais bonitos. Destaque pela negativa para o trio de arbitragem, chefiado pelo alemão Wolfgang Stark, que teve dois erros que poderiam ter sido fatais: fora-de-jogo mal assinalado a Suarez e grande penalidade não assinalada por braço na bola a remate de Maxi Pereira. Felizmente para ele Suarez resolveu.

Positivo: Luís Suarez, avançado uruguaio de 23 anos. Não só pelos dois golos marcados, mas essencialmente pelo segundo golo, velocidade na explosão que lhe permitiu ganhar espaço e o remate cheio de técnica e colocação. Não é muito mediático, mas foi só o melhor marcador do campeonato holandês (joga no Ajax) com 35 golos.

Negativo: Os dois guarda-redes. O coreano esteve mal no primeiro golo ao não evitar o "passeio" da bola na sua pequena área. O uruguaio saiu mal à bola e foi antecipado pelo golpe de cabeça.

Gana - USA (2-1): Prolongar a vontade de vencer

Jogo: Mexido, com matreirice (Gana) e empenho (USA) e o primeiro, para já, a ser decidido no prolongamento. O golo marcado cedo pelo Gana mexeu com o jogo, não só pelo erro de Clark (USA), mas porque a alteração efectuada pelo seleccionador norte-americano, saída de Clark e entrada de Edu, transformou-a numa equipa mais atacante, com Bradley e Donovan na organização do futebol ofensivo. A partir desse momento foram sempre mais perigosos, com lançamentos para os seus atacantes Dempsey e Altindore, mas se construíam boas ocasiões de golo, revelavam ineficácia na hora da concretização e tinham pela frente um dos melhores guarda-redes da competição, Kingston, que foi o principal obstáculo aos intentos atacantes dos americanos. Depois o Gana tem mais matreirice, é uma equipa bem organizada defensivamente, com grande pressão no meio campo contrário, ganhando muitas bolas que lhe permitem sair para transições rápidas e letais. Os dois golos são exemplo perfeito dessa capacidade. Uma equipa africana que não tem grandes vedetas, comparando com outras que estiveram presentes na competição, jogando colectivamente e não na expectativa do que as "prima-donas" podem fazer.

Positivo: A exibição de Kingston, guarda-redes ganês ao serviço dos ingleses do Wigan. Seguro, ágil, bom jogo de pés e com bons reflexos. Um dos melhores guarda-redes desta competição.

Negativo: O anti-jogo não sancionado na montra do futebol mundial. Quedas sucessivas nos minutos finais dos jogos, só para perder tempo, tem que ser penalizado pelos árbitros e devidamente compensado no tempo de descontos.

sábado, 26 de junho de 2010

Minha África: Rumo aos oitavos com Espanha no caminho

Terminou a fase de grupos do Mundial e agora entra-se na fase do tudo ou nada. Como dizia Cristiano Ronaldo, o verdadeiro Mundial começa agora. Portugal conseguiu o seu objectivo, apuramento para os oitavos-de-final, concretizando-se também o que já se adivinhava antes do Mundial, um duelo ibérico nos oitavos. O jogo com o Brasil foi para cumprir calendário, mas gostei da exibição da selecção na segunda parte, onde demonstrou maior capacidade ofensiva. A entrada de Simão (saída de Duda) trouxe mais velocidade e ficou patente que o Brasil tem dificuldades quando lhe aparece uma equipa que corre na direcção da sua baliza.

Como vai ser o embate contra a Espanha?

Um confronto de estilos, essencialmente. A Espanha é uma equipa que gosta de ter a posse da bola, de a trocar entre os seus jogadores, fazendo-a rodar se necessário de uma ala para a outra, na tentativa de encontrar o passe de ruptura de Xavi ou Iniesta, que encontre Villa nas alas ou Torres nas diagonais nas costas da defensiva contrária. Uma equipa que defende bem, pressão feita na primeira linha ofensiva não deixando a equipa contrária construir, construindo muitas ocasiões de golo, mas com a pecha (pelo menos nestes jogos da primeira fase) de não terem grande índice de finalização. Portugal é o oposto, uma equipa passiva na primeira linha de pressão, mas que defende bem (neste Mundial ainda não sofreu nenhum), com a ajuda dos alas e principalmente do trinco, Pedro Mendes. No ataque a equipa lusa opta pelas transições rápidas e na capacidade e velocidade de Cristiano Ronaldo no um-contra-um.

Resta saber que onze vai escolher Carlos Queiroz contra a Espanha e se até à posição seis não tenho qualquer dúvida (Eduardo; Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão; Pedro Mendes) daí para diante só vejo mais três lugares fixos: Raúl Meireles, Cristiano Ronaldo e Simão. Ficam dois lugares por preencher, cabendo ao seleccionador escolher de acordo com a estratégia que quiser montar frente a uma Espanha consistente a defender e sagaz a atacar. Liedson ou Hugo Almeida na frente? Tiago ou Deco na construção? Ou reforço do meio-campo ofensivo (Danny) com Ronaldo a jogar como avançado? Aguardemos.

Mundial dos sul-americanos

Muito fomos escrevendo sobre a prestação de algumas selecções e, principalmente, tecendo grandes elogios às equipas sul-americanas. Não foi por acaso que o fomos dizendo, pois das cinco equipas que entraram na competição todas passaram aos oitavos: Chile, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Para o feito ser maior ainda , refira-se que só o Chile não foi vencedor do seu grupo, todas as outras terminaram no primeiro lugar dos respectivos grupos. A África que viu a equipa anfitriã ser eliminada na primeira fase, teve seis equipas presentes e só uma passou, o Gana.

Destaque pela positiva para o apuramento de duas equipas da Oceania, Japão e Coreia do Sul e o destaque negativo vai para as eliminações de França, Grécia e Itália. Argentina e Holanda foram as únicas equipas a conseguirem o pleno, três vitórias, enquanto Coreia do Norte e Camarões tiveram só derrotas. Argentina e Portugal foram as equipas mais concretizadoras, sete golos e as melhores defesas pertenceram a Portugal e Uruguai, que não sofreram qualquer golo. Curiosidade apenas para as selecções do Uruguai, Coreia do Sul, Estados Unidos e Gana, pois uma delas estará presente nas meias- finais.
Até já.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Minha África: A hecatombe de um Campeão do Mundo

E não é que deu mesmo zebra! A previsão aqui feita na crónica de ontem bateu certa. A Eslováquia venceu a campeã do Mundo em título (ainda o é até ao dia 11 de Julho) e a Itália disse adeus ao certame, com o pobre registo de dois empates e uma derrota. O Japão venceu a Dinamarca e apura-se igualmente para os oitavos. Estão encontradas as surpresas do dia, com Paraguai e Holanda, que se apurou só com vitórias (tal como a Argentina) e já não perde há doze jogos consecutivos. Para o dia ficar mais completo, Robben regressou. Para quem gosta do futebol feito arte, saudemos o seu regresso.

Grupo F - Arrivederci Itália

A Itália sai pela porta das traseiras do Mundial, ela que era a detentora do troféu. Sai sem honra nem glória e com o peso de não ter ganho um único jogo. Lippi assumiu a culpa total reconhecendo que a selecção estava mal preparada fisica, táctica e psicologicamente. Para alguns jogadores italianos é o adeus à selecção, Gattuso é um deles, da pior maneira possível. O Paraguai, primeiro do grupo, passou também aos oitavos, em jogo onde foi sempre mais atacante e onde controlou sempre a partida e o resultado, com a Nova Zelândia a acordar da letargia nos minutos finais da partida, avisada que foi para o trambolhão italiano, fazendo por marcar um golo, que lhe desse a vitória e o apuramento. Pena que não tivesse mais ambição, até porque ficará para a história do Mundial 2010, como a única equipa que foi eliminada da fase de grupos sem qualquer derrota.

Grupo E - Dia de Sushi com sabor a laranja

O Japão conseguiu a proeza da noite, venceu a Dinamarca e conseguiu o apuramento para os oitavos onde vai defrontar o Paraguai. Surpresa não foi, face ao que tinha visto fazer a selecção nipónica frente à Holanda, consolidada hoje em campo, com dois golos de livre e o terceiro em jogada excelente do melhor jogador japonês, Honda. No outro jogo, vitória da Holanda, demonstrando o que já tínhamos escrito, uma equipa compacta: com grande capacidade defensiva (a minha maior dúvida se bem se lembram) e uma organização ofensiva temível, dando-se ao luxo de ter no banco um dos melhores avançados mundiais, Huntelaar, e Robben, que finalmente jogou e bem. Saúde-se o regresso do extremo holandês, jogada individual com remate ao poste e que redundou no terceiro golo laranja, numa altura em que a Holanda vai entrar em jogos mais difíceis.

Regressam os "Navegadores"

Amanhã temos o regresso dos "Navegadores", em jogo frente ao Brasil, e algumas mudanças, em ambas as selecções, são esperadas com os dois seleccionadores a poderem dar minutos a jogadores menos utilizados e que poderão vir a ser importantes na próxima fase. Brasil e Portugal têm o apuramento garantido, restando apenas a questão de quem fica em primeiro lugar. Um aspecto que pode ser importante face a que no emparelhamento pode calhar a Espanha. No grupo dos espanhóis a última jornada será de loucos, com todas as equipas a poderem ainda sonhar com o apuramento, mesmo as Honduras. O meu palpite vai para o apuramento da Espanha e Chile. Aguardemos.
Até amanhã.

Minha África: Desenham-se os confrontos de gigantes

Confesso que caí no pecado de antecipar o cenário de uma possível final. Com contas e mais contas tudo me aponta para um Argentina-Brasil, mas as contas do futebol não são nada certas, por isso o melhor é fazê-las passo a passo. As contas do dia de ontem não trouxeram grandes surpresas nem grandes equações tiveram que ser resolvidas. Para já, como consequência dos resultados, temos um grande embate nos oitavos, um sensacional Alemanha-Inglaterra, com sinais de retoma das duas equipas.

A sobremesa foi servida com dois doces de primeira qualidade. A Inglaterra finalmente deu um "arzinho da sua graça" (fez bem a terapia de grupo imposta pelos jogadores a Capello e falar exorcizou alguns fantasmas) com a saída do esforçado mas inconsequente Heskey, para a entrada do rápido e letal Defoe.Bateu-se bem a Eslovénia, mas esta Inglaterra esteve mais consistente nos passes (longos e curtos) falhando menos e tornando-se mais perigosa perto da área contrária. Sinais de retoma ou exibição de fogo fátuo? Os oitavos-de-final vão dar a resposta, não vão, mister Capello?

O segundo jogo da tarde fez saltar de dentro do bolo a surpresa. Mesmo ao cair do pano (noventa e um minutos) Donovan, um herói nada acidental, marcou e antecipou o 4 de Julho. Bill Clinton que assistiu ao jogo sentado ao lado do presidente da FIFA, que lhe explicava detalhadamente as peripécias do jogo (difícil explicar um fora-de-jogo, não é, senhor Blatter?), pode finalmente sorrir e puxar do seu charuto. Ali era a hora certa de o fumar, sem pecado.

O aperitivo para o jantar foi excelente, com dois jogos de excelência, e sempre de "prego a fundo", todos quiseram ganhar o encontro. Mais entusiasmante ainda porque a determinado momento (vitória da Austrália por dois a zero) Gana e Alemanha tinham o apuramento garantido, mas mesmo assim não tiraram o pé do acelerador. No fim e como prémio passaram as duas. No outro jogo. a Sérvia foi "espoliada" da qualificação poe um erro do senhor Larrionda (o perseguidor de Cristiano Ronaldo) que não viu uma falta na área dos "cangurus", que a ser transformada daria o empate à Sérvia e com isso, o apuramento.

Hoje vamos conhecer mais três equipas - a Holanda já lá mora desde o fim da segunda ronda - apuradas para os oitavos-de-final e se não houver mais surpresas (ciao Itália), poderemos ter novo duelo de gigantes na primeira fase de jogos a eliminar, nada mais que um Holanda-Itália. Previsão de apuramento para Japão (a zebra), Paraguai e Itália, que se juntarão aos holandeses.
Volto já...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Minha África: Argentina é mesmo candidata a valer

Ponto prévio: a Argentina é mesmo uma séria candidata ao título. Digo-o, ou melhor escrevo-o, não só porque ganhou a uma Grécia "betonada", mas porque no onze inicial só Romero (baliza), Demichelis, Véron e Messi são habituais titulares. Os outros sete que hoje alinharam são jogadores de grande valia, daí a equipa de Maradona não ter perdido qualidade. Que prazer na eliminação dos gregos. Primeiro porque ainda me lembro de 2004 (onde um tal de Scolari teve duas oportunidades para vencer e desperdiçou-as, a primeira por casmurrice a segunda por medo), depois porque o futebol (tenho que escrever mesmo isto embora seja um sacrilégio chamar futebol ao que eles jogaram) que apresentaram cheira a bafio e é profundamente irritante.

Ainda bem que desta vez o anti-futebol não foi premiado. Marcação homem-a-homem, dez jogadores dentro do seu meio-campo, recurso sistemático às faltas quando eram ultrapassados pelo jogadores argentinos, foram os paupérrimos argumentos de uma equipa, que desde o inicio jogou para o pontinho e para algo mais que caísse do céu aos trambolhões. Bastou aos argentinos trocar a bola com paciência, variar o seu jogo, ora pelo meio (tudo muito congestionado) ora pelas alas (Rodriguez, Di Maria, Aguero, Messi), rematar de longa distância (Bolatti e Véron) mas sobretudo ter muita, mas mesmo muita, persistência para acreditar que o seu futebol daria frutos. Vai a Argentina defrontar o México nos oitavos e é francamente favorita.

Nos outros jogos o apuramento esperado de mais uma equipa sul-americana, Uruguai, e de outra quase sul-americana, o México da América Central, que vão ter a companhia dos coreanos do sul. Excelente a prova realizada pelos uruguaios que vão defrontar os coreanos e são claramente favoritos.

Uma palavra a terminar para os perdedores - já falei até de mais da Grécia e não o merecia - para falar da maior decepção até agora, a França. Confesso que depois de tanta vergonha gaulesa, cheguei a pensar que estavam em campo para fazer o frete e "pintar a manta" deixando o seu treinador com pior cara do que a que tem. Um golo sofrido bem cedo, uma expulsão de um jogador (Gourcouff) que foi para a África do Sul em guerra aberta com o treinador e uma apatia deplorável, fez-me pensar numa forma de boicote a Domenech bem pior que a recusa em realizar o jogo. Terminou o "Saltillo" dos franceses e muita roupa suja se vai lavar nos próximos tempos. As culpas têm que ser assacadas a todos os lados, mas maioritariamente a uma estrutura federativa que teimou em manter no lugar um treinador que não era benquisto pelos jogadores franceses actuais e antigos (é só ler as palavras que Zidane proferiu) e que sai sem glória. Tarefa difícil terá Laurent Blanc para limpar o mau ambiente que por lá ficou.

Até já, porque daqui a pouco há mais Mundial e mais equipas apuradas e se calhar com algumas surpresas. Já agora, para quem me ler depois da noite sanjoanina, um boa noite de São João.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Minha África: Entornaram o frasco do ketchup

Pronto, está feito o que todos queriam: vencer a Coreia. Mas os navegantes foram mais longe e golearam, sete golos sem resposta, o que torna este resultado na maior goleada deste campeonato do Mundo e coloca Portugal nas bocas do mundo futebolístico. Claro que se pode falar da fragilidade da equipa coreana, das mudanças feitas por Carlos Queiroz, não só a nível de jogadores, mas tácticas também, da generosidade de alguns jogadores e outros factores que cada um pode acrescentar a seu bel-prazer. Essencial foi que Portugal deu a resposta no momento certo e a coisa foi de tal modo que, parafraseando Cristiano Ronaldo, os portugueses entornaram o frasco do ketchup.

Factores decisivos para a metamorfose portuguesa: a disponibilidade de Ricardo Carvalho para sair de trás a construir, criando desequilíbrios; o triângulo do meio-campo invertido em relação ao último jogo, com Pedro Mendes na contenção e Raul Meireles e Tiago na construção; a menor mobilidade do ponta-de-lança, Hugo Almeida, mas uma maior apetência para abrir espaços para os médios (exemplo do primeiro golo); a excelente exibição de Fábio Coentrão na construção do jogo ofensivo e sobretudo a maior disponibilidade dos jogadores portugueses para o jogo ofensivo, correndo mais que o adversário e trocando a bola com maior segurança e mais ligeireza. Excelentes exibições de Coentrão, Raúl Meireles e Tiago.

Balanço global

O Mundial chegou a meio, estão disputados trinta e dois dos sessenta e quatro jogos totais. Tal como aqui tínhamos previsto, dada a necessidade imperiosa de vencer, na segunda jornada marcaram-se mais golos (quarenta e dois) que na primeira jornada (vinte e cinco). Na terceira e derradeira jornada de grupos, que hoje começa, podem-se marcar mais golos, embora haja jogos que são para cumprir calendário, mas outros há que são decisivos e há que os jogar para ganhar ou...sair pela porta das traseiras sem honra nem glória. Uruguai, Chile, Holanda e Portugal são as equipas que ainda não sofreram golos.

Chega-se à última jornada e só Brasil e Holanda têm a passagem garantida aos oitavos-de-final e no lado oposto só Camarões e Coreia do Norte disseram adeus ao Mundial. Outro dado que vem corroborar o que ao longo destes dias fomos escrevendo, que este pode ser o Mundial das equipas sul-americanas, senão vejamos: além do Brasil, que já garantiu o apuramento, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile ainda não perderam qualquer jogo. Todos estão em posição privilegiada para garantir a passagem, com o contingente sul-americano a somar oito vitórias e dois empates até ao momento.

No lado africano está a desilusão - com excepção do Gana que lidera o grupo D - para os Camarões, já eliminado, e para a última posição ocupada por África do Sul, Nigéria e Argélia nos respectivos grupos. Para não falar da Costa do Marfim que tem a missão bem dificultada depois da goleada lusa. No lado europeu, uma equipa já apurada, Holanda, com muitas desilusões noutras selecções. Desde logo a França, a maior decepção da prova, não só pelo que não joga mas sobretudo pela péssima imagem que tem transmitido para todo o mundo com expulsões, demissões, boicotes a treinos, etc. A campeã em título, Itália, ainda não venceu e tem a sua missão dificultada para a última jornada, onde é imperioso vencer a Eslováquia. O mesmo se aplica à candidata Inglaterra (também ainda não venceu) e só uma vitória sobre a Eslovénia a salva do adeus ao Mundial.

Curiosamente, a Alemanha, que começou e bem o Mundial com uma vitória por quatro a zero, claudicou no jogo com a Sérvia e vai para esta última jornada com a obrigação de vencer o Gana ou, no mínimo, fazer o mesmo resultado que a Sérvia, o mesmo acontecendo com a super-favorita Espanha que, depois de perder o primeiro jogo, está obrigada a ganhar o último jogo frente ao Chile e mesmo assim esperar pelos factores de desempate.

Das equipas europeias o destaque, pela positiva, vai para nas selecções da Eslovénia, Suíça e Grécia. Não há margem para o erro para muitas equipas, por isso, de hoje até sexta-feira, vamos entrar nas jornadas do tudo ou nada. Até já.