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segunda-feira, 22 de março de 2010

Análise: Benfica superior ao FC Porto em toda a linha

Um duelo entre FC Porto e Benfica não pode nunca ser considerado como um simples jogo de futebol. É muito mais do que isso, é uma disputa pertinaz, sem tréguas, onde os adversários se transformam em verdadeiros inimigos de guerra. Por si só, um embate entre águias e dragões é capaz de fazer faísca. O último capítulo da saga, em Dezembro, fez aumentar esse rastilho, a rivalidade, o ódio pelo rival. Daí que esta final da Taça da Liga não pudesse, em momento algum, ser apenas o jogo decisivo de uma competição secundária, em que nenhum dos clubes apostou realmente em vencer - as circustâncias da temporada, contudo, obrigavam o FC Porto a encarar o jogo como sendo de maior relevância. David Luiz dissera, na antevisão da final, que o sucesso estaria destinado à equipa que melhor soubesse controlar as emoções.

A frase do central dos encarnados pode ter passado em claro, afundada por tudo e mais alguma coisa, mas comprovou-se. No Algarve, o Benfica mostrou ser melhor. Em todos os sentidos: tem um futebol mais consistente, maior organização no seu jogo, vive um período de euforia e está motivadíssimo. O FC Porto está mal, em crise, os resultados não aparecem, a equipa parece impotente para fazer frentes aos rivais. Durante o jogo foram bem visíveis as marcas da temporada. Os portistas não tiveram capacidade para se abstrair do que de mau têm feito e partir para uma exibição confiante. Seria, aliás, quase irreal que assim fosse, conhecendo-se os antagónicos estados de alma em que vive cada um dos clubes. O FC Porto não soube controlar a ansiedade, a pressão de ter de vencer e mostrar que ainda se mantém vivo.

Bruno Alves foi a imagem perfeita da equipa azul: descontrolado, ríspido, com os nervos à flor da pele, tentando impedir o mau desfecho mas sem eficácia. O capitão é um jogador de grande valia, actua nos limites, gosta de marcar posição. Frente ao Benfica exagerou. Nas provocações verbais, nos toques aos adversários já depois de ter tirado a bola, nas constantes tentativas de criar escaramuças no relvado, sendo demasiado hostil. Ao não conseguir ter um bom controlo emocional, a tal chave do jogo, o FC Porto nunca soube contrariar o facto de, actualmente, ser inferior aos encarnados. Não teve estofo mental para o interiorizar e se superar a si próprio. Se é certo que os dragões ainda conseguiram reagir à abissal gaffe de Nuno, a partir do momento em que o Benfica fez por justificar a vantagem não mais se acercaram da baliza de Quim.

Há, ainda, outro campo em que o Benfica leva vantagem sobre o FC Porto. Ou melhor: Jorge Jesus ganha a Jesualdo Ferreira. Ao longo da final, com o resultado a seu favor e já com o pensamento no jogo com o Sp.Braga - para o campeonato, a prova que os encarnados declararam como prioritária -, o treinador benfiquista pôde lançar Saviola, Ramires e Cardozo - e deixar Javi García como suplente durante todo o encontro. Jogadores fundamentais na equipa, mas que têm muitos jogos realizados e, naturalmente, sofrem de algum cansaço que se acumula puderam ser poupados. Sem que a equipa tenha baixado substancialmente o seu rendimento, ou seja obrigada a ter de mudar a sua filosofia de jogo por isso, Jesus lançou Airton, Éder Luís e Alan Kardec, todos contratados na reabertura do mercado. E do outro lado? Poucas soluções!

Com o passar do tempo, necessitado de refrescar a equipa e torná-la mais agressiva para procurar ainda colocar em sobressalto o adversário, Jesualdo Ferreira viu-se obrigado a agir. Lançou Fucile e Valeri ao intervalo: o primeiro, por ser mais ofensivo do que Miguel Lopes, para dar maior dinamismo e, ao mesmo tempo, impedir as subidas de Fábio Coentrão; o outro para conferir criatividade ao meio-campo. A aposta em Valeri, um jogador raramente utilizado nesta temporada, revelou-se um verdadeiro fracasso. Mais tarde, mantendo-se ainda alguma esperança num golo que reabrisse o jogo, lançou Orlando Sá, prescindindo de Belluschi. Sem efeitos, de novo. Quem mais havia para apostar? Tomás Costa ou Guarín, para além de Maicon e Beto. E no Benfica? Moreira, Sidnei, Javi García e Nuno Gomes. Sintomático.

domingo, 21 de março de 2010

Taça da Liga: Benfica-FC Porto (antevisão)

O clássico de Dezembro marcou ambos: o Benfica deu uma prova de força e ganhou ainda maior fulgor, o FC Porto teve uma recaída na sua recuperação e nunca mais dispôs de recursos para afastar esse jogo de pairar na sua mente. Foi um momento decisivo da temporada. Agora, quatro meses depois, estão de novo frente-a-frente. Para uma final. A discussão de um título é sempre importante, mesmo não sendo o objectivo prioritário da época, aumenta a relevância do jogo por ser entre dois rivais, inimigos para sempre numa disputa sem tréguas. É curioso que seja ao FC Porto, talvez o rosto mais visível do desagrado pela criação desta Taça da Liga, que a vitória é mais importante. Por já estarem arredados da conquista do campeonato, o seu principal propósito, mas também por ter uma oportunidade única de igualar o Benfica nos títulos conquistados. Em caso de vitória azul, serão sessenta e seis para cada lado.

Contrariamente ao que acontecera em Dezembro, o FC Porto chega ao Algarve desfalcado. Jesualdo Ferreira há muito não conta com Ernesto Farías, perdeu Mariano González no último jogo, com a Académica, e soube que não mais contará com Silvestre Varela. O extremo português, um dos jogadores mais influentes nesta época dos dragões, fracturou o perónio e irá estar afastado dos relvados durante vários meses (tem o Mundial em risco). Problemas de sobra para o treinador portista, órfão de extremos, apenas com a compensação de Cristian Rodríguez estar a regressar à sua forma habitual, moralizado com o golo decisivo marcado em Coimbra. Assim, o professor poderá optar por um 4x4x2, juntando Belluschi ao sector médio - embora o argentino possa jogar como extremo. E há o regresso de Fernando. Essa é a melhor notícia para Jesualdo: a equipa sentiu, durante o período de ausência do brasileiro, um profundo abalo.

O Benfica está em estado de graça. Lidera o campeonato português, a sua candidatura ao título é mais forte do que nunca nos últimos anos, e está motivadíssimo pela vitória ante o Marselha, na última quinta-feira, que lhe garantiu o acesso aos quartos-de-final da Liga Europa. Passaram, porém, apenas setenta e duas horas desde esse triunfo categórico e tremendamente desgastante no Vélodrome. Junta-se a isso a contagem descrescente para um jogo de elevada importância, decisivo até, com o Sp.Braga no próximo sábado. Já se sabe que o objectivo dos encarnados é a conquista do campeonato e, por isso, a equipa terá de estar na máxima força para o duelo com os minhotos, uma concorrência incómoda pelo primeiro lugar. A Taça da Liga surge, portanto, no meio das duas provas mais importantes. O que fará Jorge Jesus? Fará descansar os jogadores que têm mais jogos e são fundamentais na manobra da equipa?

O mais crível é que o treinador benfiquista promova alguma rotatividade na equipa. Não quer isso dizer que o Benfica fique mais fraco, pois já foram dadas provas de que existem no plantel alternativas válidas. A baliza, à semelhança do que acontecerá no FC Porto, onde Nuno irá ser titular, deverá ser entregue a Júlio César, o guardião extra-campeonato. Também jogadores como Maxi Pereira, Javi García ou a dupla ofensiva Cardozo-Saviola poderão ceder os seus lugares, tendo em vista o calendário denso que o Benfica terá pela frente. Alan Kardec ganhou uma confiança descomunal com o golo vital marcado em Marselha e Jorge Jesus poderá canalizar essa motivação do brasileiro para o jogo com o FC Porto. Dúvidas para tirar a partir das 19h15. Jesus vive o melhor período da sua carreira e procura a primeira conquista, Jesualdo quererá sair do comando do FC Porto com todos os troféus internos no currículo. É um duelo à parte.

EQUIPAS PROVÁVEIS

BENFICA: Júlio César; Rúben Amorim, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Airton, Ramires, Di María e Aimar; Éder Luís e Alan Kardec

FC PORTO: Nuno; Fucile, Bruno Alves, Rolando e Álvaro Pereira; Fernando, Raúl Meireles, Rúben Micael e Belluschi; Rodríguez e Falcao

sábado, 20 de março de 2010

Uma final sem a devida promoção

A Taça da Liga não é, ainda, uma prova com impacto no futebol português. Está apenas no seu terceiro ano, é um processo embrionário, não há um clube que aposte verdadeiramente na sua conquista, até pelo facto de as contrapartidas desportivas e financeiras não serem aliciantes. Além do prestígio que não tem, a Taça da Liga, comparativamente com a Taça de Portugal, perde por não oferecer ao seu vencedor, ou até apenas finalista vencido, uma presença num lugar europeu. Os problemas regulamentares que têm surgido contribuem, também, para a existência desse desinteresse pela competição. A fraca aposta por parte dos clubes leva, então, a que os adeptos não se sintam atraídos a ir ao estádio. Cria-se uma relação de causa-efeito que justifica o fracasso que, até ao momento, a Taça da Liga tem sido.

Amanhã, pela terceira vez no Estádio do Algarve, joga-se a final da Taça da Liga. Sendo um jogo entre dois grandes rivais do futebol português, Benfica e FC Porto, a partida ganha maior destaque. Aos portistas, estreantes na final da competição, nunca este troféu terá importado tanto: para além de ter a oportunidade de bater o seu grande opositor, com o campeonato como uma miragem e eliminado da Liga dos Campeões, apenas sobram as Taças da Liga e de Portugal para os dragões anexarem ao seu historial. Poderá parecer uma enorme ironia que a conquista da prova seja importante para um clube que sempre se manifestou anti-Taça da Liga, assumindo publicamente que nunca esteve de acordo com a opção de Hermínio Loureiro em acrescentar uma competição ao calendário do futebol português.

No entanto, a Liga falhou na promoção do encontro de amanhã. Não teve capacidade para cativar público. A data e a hora do jogo - no Algarve num domingo à noite - levam a que poucos adeptos do FC Porto marquem presença nas bancadas. Essa é, pois, uma lacuna que não contribui para o espectáculo. Acresce ainda que não se ouviram protagonistas. Não faz sentido. Contrariamente às duas épocas anteriores, os treinadores rivais não se uniram para uma antevisão conjunta da partida: nas edições anteriores, Paulo Bento, então no Sporting, esteve ao lado de Carlos Carvalhal (V.Setúbal) e Quique Flores (Benfica). Não agora. Juntar o FC Porto e o Benfica, convenhamos, seria algo irreal, alimentado pelo clássico de Dezembro, um novo foco para aumentar o clima de hostilidade entre dois dos grandes nacionais. Mesmo assim...

Há ainda um silêncio que não se percebe por parte do FC Porto - embora a Liga já não tenha responsabilidade, pois os clubes são soberanos para decidir. De Jesualdo Ferreira ou de qualquer jogador nem uma palavra sobre a final da Taça da Liga. O clube deixa, por isso, os seus adeptos sem as informações que se impõem sobre o estado de uma equipa que não atravessa um bom momento. Estas medidas que poderão ser uma revolta contra um órgão de comunicação social ou um protesto para com alguma medida tomada pelos organismos que lideram o futebol nacional, apenas contribuem para que isolamento dos clubes em relação aos adeptos seja maior. É paradoxal. Não são os adeptos o suporte de uma equipa? Merecem, então, estar por dentro do que se passa. O futebol não sai beneficiado em nada. Há que mudar isso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Em pézinhos de lã para uma final escaldante

Com um ar sobranceiro de desinteresse, sem colocar os melhores nos seus lugares, em pézinhos de lã, o FC Porto está na final da Taça da Liga. Longe de ser brilhante, promovendo rotatividade do plantel, algo que mostra bem que o investimento dos dragões nesta competição é baixo. A lógica dos portistas, relativamente à Taça da Liga, é bem clara: importa ganhar, obviamente, mas se o objectivo for falhado não virá mal nenhum ao mundo por isso, afinal trata-se de uma competição que apenas surge após o campeonato e a Taça de Portugal. O exemplo mais gritante dessa espécie de boicote à mais recente competição nacional foi dado na época passada, em Alvalade, quando o FC Porto se apresentou sem nenhum dos habituais titulares - acabou derrotado por 4-1. Esta época, o pensamento foi o mesmo, o rumo diferente.

O sorteio, nas meias-finais, colocou o FC Porto frente à Académica, no Dragão. Os portistas, para além de jogarem em casa, evitaram também ter de defrontrar um grande. Superiores, favoritos a estar na primeira final em três anos. Mesmo assim, rotatividade na equipa. É essa a linha que tem sido seguida e há que mantê-la. Foi, aliás, um novo teste às alternativas que Jesualdo Ferreira tem para Helton, Fucile, Rolando, Rubén Micael, Varela e Falcao. Com Nuno, Miguel Lopes, Nuno André Coelho, Guarín, Valeri e Orlando Sá, uma equipa montada em 4x4x2, o esquema secundário, para defrontar uma Académica na busca de um sonho e moralizada pela vitória, para o campeonato, ante o Sporting, em Alvalade. A primeira parte resultou num jogo morno, equilibrado, dividido em algum ascendente a fases.

A Académica começara melhor, o FC Porto reequilibrara. Para a segunda parte era preciso mais ritmo. Jesualdo Ferreira percebeu que a equipa evidenciava dificuldades para conseguir ligar o seu jogo e construir lances de ataque, regressou ao 4x3x3. Com a mudança táctica, o FC Porto ganhou profundidade e aumentou a intensidade. Todavia, também a Académica dispôs de mais espaço para se mostrar: futebol escorreito, sem complexos, na procura da vitória, lutando de igual com o campeão. O nulo, contudo, continuava sem solução. Até que apareceu Mariano González (80'). Teve espaço, rematou forte, fez um grande golo. Justo ou não, o argentino é assim: amado e odiado, herói e vilão, agora excepcional e incrivelmente trapalhão logo após. Algarve, 20 de Março, novo capítulo de uma saga imortal: Benfica-FC Porto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Taça da Liga: Sporting-Benfica, 1-4 (crónica)

CINCO - O NÚMERO TRANSFORMADOR

Uma equipa que ainda espera qualquer coisa desta temporada num jogo que lhe acalenta a esperança de ficar com algo palpável, excluídos que estão os principais objectivos internos. Para quem já está fragilizado, pressionado com a necessidade de vencer, qualquer passo em falso sai caro. E se for uma expulsão ingénua no quinto minuto? É um hara-kiri. Seguido de um golo, no livre. Dois duros golpes, de uma vez só, nas aspirações do Sporting. O Benfica dominou, não sendo avassalador, chegou ao segundo golo. Desligou, depois, com meio serviço cumprido. Liedson acreditou sempre, foi capaz de dar alguma esperança. Mas nada mais do que isso.


Um derby, a reedição da final do ano passado, Sporting e Benfica com contas para acertar na Taça da Liga. Ou toda a época em jogo para os leões, uma verdadeira roleta. Três derrotas consecutivas, adeus definitivo ao campeonato, queda estrondosa na Taça de Portugal: o que resta ao Sporting? Ganhar, apenas, para manter o brio e a honra da equipa. Como se fosse uma necessidade vital. Ao Benfica, a defesa de um título que soube a pouco no passado, a possibilidade de poder renová-lo, uma conquista interna após a eliminação da Taça de Portugal. Antagónicos no campeonato, contrários ao que têm feito no passado recente, uma época de ambição e outra de pesadelo. Uma rivalidade antiga, arrufos para resolver. E uma taça que ainda os separa desde Março.

Quando alguma coisa corre mal, tudo de mau vem por acréscimo. Não há volta a dar, é sempre assim. O Sporting bem se queixa disso. A equipa pode ter atitude, querer, procurar fazer de tudo para mudar o rumo dos acontecimentos. Não dá, simplesmente, o destino não se altera. Para alguém que precisa rapidamente de se encontrar a si próprio, jogando sob brasas, como se não houvesse amanhã, é preciso algum tempo de jogo para estabilizar e partir para uma exibição confiante que lhe sirva os interesses. Antes que seja possível, vem o maldito destino. Ao Sporting chegou cedo: quinto minuto, João Pereira atira-se às pernas de Ramires, sem nexo, Olegário Benquerença mostra-lhe o vermelho. Um contra-tempo. Estava o segundo à porta. Golo do Benfica. Ou a Lei de Murphy no seu esplendor.

A LÓGICA DOS ACONTECIMENTOS: ESTAVA ESCRITO!

Haverá quem resista a tamanha má sorte? Serão raros os casos em que, vivendo tal instabilidade e falta de bons resultados, alguém seja capaz de reagir a estas adversidades. Em vantagem, no marcador e numérica, o Benfica tomou conta do jogo. Jorge Jesus leu o jogo na perfeição. No início, colocara Di María no caminho de Grimi, explorando as conhecidas deficiências do lateral leonino, com Ramires no apoio a César Peixoto do lado contrário. Após o golo, com uma cratera na direita da defesa do Sporting, sem João Pereira e com Adrien Silva como solução provisória até à entrada de Pedro Silva, passou Di María para a sua posição natural. Domínio absoluto do Benfica, jogo num só sentido. Chegou o segundo golo. De forma natural, à meia-hora, num desvio de Ramires. Tudo tão, tão fácil.

O jogo de Alvalade começava, então, a ter demasiadas semelhanças com o que acontecera no Dragão. Pior: dois golos de desvantagem, menos um jogador, olés nas bancadas. O segundo golo do Benfica poderia ter sido, precocemente, o fim do jogo. Teve, contudo, um sentido contrário: os encarnados baixaram o ritmo, abusaram da altivez, o Sporting procurou fazer algo para desanuviar o resultado e ainda ter chances de conseguir algo mais. Liedson, sozinho na frente, sozinho contra tudo, teve a primeira oportunidade de golo para os leões: rematou de longe, Júlio César negou-lhe o golo. Não o faria da segunda vez. Novo remate de longa distância, agora para dentro da baliza. Do nada, o Sporting renasceu. E o Benfica, onde andava? Apareceu com Alan Kardec - rematou perto do poste.

Os jogadores do Sporting estavam apostados em não repetir a história da Taça de Portugal. Desta feita, mostraram grande garra e coração. Conseguiu equilibrar o jogo, regressou melhor do intervalo, o Benfica ainda não tinha regressado a si após ter marcado o segundo golo. O tempo, porém, era cada vez menos. Carlos Carvalhal lançou Yannick para o lugar de Pongolle, procurando desiquilíbrios. Jorge Jesus preparou a dupla dos golos, Cardozo e Saviola. Uma ideia bem clara: terminar com o jogo. Conseguiu-o antes disso. Como David Luiz fizera no primeiro golo, Luisão elevou-se sozinho e cabeceou para o fundo da baliza. Fim? No Sporting, sim, mas faltava o melhor: aos noventa e quatro minutos, Cardozo fez um golo de se lhe tirar o chapéu. Ponto final, parágrafo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Taça da Liga: A lógica de ganhar o mais forte

Jogo de confirmação, acima de tudo, e de estreias. Confirmação: o FC Porto, declaradamente apostando pouco na competição, está nas meias-finais da Taça da Liga, após vencer o Estoril. Estreias: de Rúben Micael, contratação recente, chamado à primeira oportunidade por Jesualdo Ferreira, e de Orlando Sá a marcar com a camisola portista em jogos oficiais. De resto, pouco mais a registar - além, ainda, do brilhante golo de Belluschi. Vitória do FC Porto, a equipa mais forte. Numa exibição que não foi inspirada, nem pouco mais ou menos, antes suficiente para vincar as diferenças entre as equipas. Do grupo A, sai também outro apurado: a Académica venceu o Leixões, conseguiu ser o melhor segundo classificado e assumiu a última vaga.

Rio Ave e Benfica, empatados na pontuação, com vantagem para os vila-condenses, tinham o tira-teimas na última jornada. Aos encarnados, não olhando aos resultados alheios para a definição do segundo melhor classificado, a vitória era o único caminho. O Rio Ave complicou a tarefa, mas o objectivo foi cumprido. Sobressaiu Cardozo. Não a marcar, o seu atributo, a assistir: Carlos Martins, primeiro, Dí María na confirmação da vitória. A equipa de Carlos Brito, como é seu apanágio, não deu o jogo por perdido e tentou de tudo para garantir o empate (que, diga-se, lhe dava a passagem). Em vão, contudo. Alain Kardec, reforço do Benfica, poderia ter-se estreado a marcar, mas acertou, por duas vezes, no poste.

Passados os problemas internos, esquecido o conflito com Sá Pinto, Liedson manteve a titularidade. Poderia ter algum castigo, mas a administração leonina não o quis: o Levezinho é um jogador fundamental, imprescindível até. Decidiu, na Trofa, com um golo oportuno, uma cabeçada que projectou o Sporting para a próxima fase da Taça da Liga e desfez as aspirações do Trofense. Ninguém duvida, então, da sua importância. Sétima vitória consecutiva dos leões, um ciclo importante, alcançada numa partida controlada e gerida pelo Sporting, perante um adversário que procurou incomodar Rui Patrício, mas não dispôs dos mesmos argumentos. Numa luta com armas desiguais, venceu quem é melhor. Naturalmente.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Taça da Liga: jornada dois

O FC Porto, é bem sabido, pouco aposta na Taça da Liga. Por isso, mas também para promover a gestão do plantel tendo em vista as competições prioritárias, Jesualdo Ferreira promoveu uma verdadeira revolução, um pouco à imagem do que já havia acontecido frente ao Leixões: dos habituais titulares, só Fucile, trocando a direita pela esquerda da defesa portista, se manteve na equipa principal. Nada de emoção, pouca qualidade, enfim, quase nenhum foco de interesse. Em Coimbra, foi assim. Em caso de vitória, qualquer das equipas ficava automaticamente apurada para a fase seguinte da competição, porém nem isso foi verdadeiramente aliciante. A Académica mostrou maior andamento, o FC Porto melhorou na ponta final. O nulo serve-lhes como uma luva. As decisões ficam para a última jornada - com Estoril e Leixões também incluídos.

Para o campeonato, logo à segunda jornada, o Benfica levou a melhor em Guimarães; o Vitória vingou-se, em Novembro, na Luz, quando eliminou os encarnados da Taça de Portugal. Este era, então, um tira-teimas. De um lado e do outro, tanto Jorge Jesus como Paulo Sérgio, aproveitaram a partida para lançarem jogadores com menos minutos - destaque, nos encarnados, para a estreia de Éder Luís. Debaixo de um verdadeiro dilúvio, com um relvado quase impraticável, seria utópico pedir um bom espectáculo. O jogo, apesar das adversidades, teve um bom ritmo. O Vitória foi quem melhor se adaptou às condições do terreno, conseguiu criar lances de perigo e, sobretudo, alcançou a vantagem num golo de Douglas, oportuno após um erro de Maxi Pereira. Com um futebol menos técnico e bem mais prático, o Benfica fez por chegar à igualdade - marcou Coentrão. Um jogo de lotaria.

Carlos Carvalhal prometera colocar em campo os melhores jogadores frente à União de Leiria (uma equipa que, para o campeonato, derrotou pela primeira vez o novo técnico leonino). Nem seria benéfico, para uma equipa que está em franca recuperação do tempo perdido, largar a estrutura habitual. O Leiria-Sporting, apesar das poucas condições do relvado, foi um bom jogo: lances de futebol ofensivo, oportunidades para marcar, guarda-redes em acção. Por João Pereira, na sua segunda partida pelos leões, e por Miguel Veloso, de novo em bom plano. O União de Leiria respondeu, obrigou Rui Patrício a intervir e conseguiu reduzir o resultado - o Sporting, diga-se, sentiu alguns calafrios. O Sporting leva três vitórias noutros tantos jogos no novo ano: está bem melhor, não resta dúvida.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Taça da Liga: Linha vitoriosa dos grandes

Benfica, Nacional, Vitória de Guimarães e Rio Ave. Este é, em teoria, o grupo mais forte da Taça da Liga. Ou, pelo menos, é o que terá maior competitividade, em função de contar com quatro equipas fortes do principal campeonato português. Haverá, no entanto, apenas uma vaga directa para aceder à próxima fase da competição. Benfica e Rio Ave venceram e levam, por isso, vantagem. Os encarnados derrotaram o Nacional, na Luz, num jogo pouco brilhante, novamente decidido por Saviola - e também manchado por uma arbitragem horrível de Olegário Benquerença. Em Guimarães, apesar da desvantagem ao intervalo, o Rio Ave chegou à vitória, exibindo os créditos que lhe têm valido um excelente início de época.

Sporting, Sp.Braga, União de Leiria e Trofense. Será entre leões e arsenalistas que, à partida, se discutirá o primeiro lugar, o único que permite a passagem automática - será ainda apurado o melhor segundo classificado de todos os grupos. A primeira jornada colocou, então, ambos frente a frente, o líder do campeonato e um grande à procura da reabilitação. O jogo foi equilibrado, porém o Sporting conseguiu levar a melhor através de um golo fabuloso de Miguel Veloso que se aliou a um tento de Grimi contra outro de Alan. Tratou-se de uma vitória importante para a equipa leonina, apostada em recuperar o seu estatuto. No outro jogo do grupo, o Trofense, equipa da Liga Vitalis, conseguiu um empate em Leiria.

FC Porto, Leixões, Académica e Estoril. À semelhança do Sporting, os portistas têm também dois primodivisionários e uma equipa do segundo escalão como adversários. Um FC Porto de segunda linha venceu um Leixões que, mesmo utilizando jogadores com pouca rodagem, à imagem do que fizeram os dragões, vendeu bem cara a derrota. Varela marcou um golo oportuno em cima do intervalo, fazendo pender a balança para o lado do FC Porto numa partida em que o equilíbrio foi a nota dominante. O jogo esteve, aliás, bem longe de ser atractivo ou sequer bem jogado. No outro encontro, a Académica fez valer a sua superioridade para derrotar o Estoril. Está, então, ao lado do FC Porto no topo do grupo.