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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A vigésima jornada - Opinião de Rogério Azevedo

1. SP.BRAGA CANDIDATO? SIM. SUPERCANDIDATO...

Que mudou entre 4 de Novembro de 2009 e 24 de Fevereiro de 2010? Que se passou nestes 112 dias? Bom, a 4 de Novembro escrevi, neste blog do Ricardo Costa, que era preciso esperarmos pela vigésima jornada da Liga para vermos se, de facto, o Sp. Braga era candidato à vitória na prova. Mais de dois meses depois, novamente a pedido do Ricardo, aqui estou. E a resposta é a mesma: sim, o Sp. Braga é candidato. À décima jornada tinha os mesmos pontos (25) do Benfica e cinco de avanço sobre o FC Porto. Agora, 900 minutos de futebol depois, a equipa de Domingos Paciência mantém a distância para os dragões de Jesualdo Ferreira e perdeu, apenas, um ponto para as águias de Jorge Jesus.

Ou seja, é muito consistente. Sim, há escassos dias perdeu no Dragão. Aliás, não só perdeu como foi goleado: 5-1. E, pela primeira vez desde a jornada de abertura da Liga 2009/10, está atrasado na corrida pelo título. Há um ano, com Jesus na liderança, o Sp. Braga somou 50 pontos no final do campeonato; agora, à vigésima ronda, soma 48 e está a um ponto do líder, não tendo já de defrontar a equipa mais poderosa do futebol português dos últimos 20 anos: o papão FC Porto. Está muitíssimo mais forte. Pode ser campeão? Sim. Basta esquecer o 5-1 e voltar a concentrar-se naquilo que o Sp. Braga sabe fazer: jogar muito bom futebol e... ganhar.

2. BENFICA? O MAIS FORTE, CLARO...

Dez jogos, 30 pontos em disputa, um de avanço sobre o Sp. Braga e seis sobre o FC Porto. Não parece mau de todo, pois não? Não, pensará Jorge Jesus e os muitos milhões de benfiquistas. Há um ano, na mesma vigésima jornada, o Benfica de Quique Flores tinha menos 9 pontos, menos 18 golos marcados, mais oito sofridos e estava já a dois pontos do líder FC Porto. Agora, um ano depois, a ‘estória’ é outra: o Benfica está a jogar muito, continua a golear e está em primeiro lugar. Tem, talvez, um calendário ligeiramente mais complicado que os dois rivais, mas não assustadoramente mais complicado. É, obviamente, o candidato mais candidato de todos os candidatos. E aqui entre nós: a 2 de Maio há um FC Porto-Benfica. Ui, ui...

3. FC PORTO? A SURPRESA DE SER TERCEIRO...

Há um ano, na mesma vigésima jornada, o FC Porto tinha 42 pontos. Agora tem 43. Ou seja, está melhor. O problema do FC Porto, em 2009/10, não é interno, é duplamente externo: chama-se Benfica e chama-se Sp. Braga. O dragão não está habituado a que, nesta fase da prova, não dependa de si próprio para ser campeão, pois não bastará ganhar os últimos dez jogos: é preciso que os dois da frente percam mais pontos. A última vez em que o dragão esteve nesta situação foi em 2001/02, quando na mesma jornada estava a sete pontos do líder (e futuro campeão nacional) Sporting. Acontece que o FC Porto do último mês não é o FC Porto que jogou até Dezembro. A explicação é fácil e fala com sotaque madeirense: Rúben Micael. O homem de Câmara de Lobos deu uma dimensão-extra do dragão de Jesualdo Ferreira e agora, a dez jornadas do final, parece estar no ponto. Mas não basta. É preciso que Benfica e Sp.Braga vacilem...

4. SPORTING? SIMPLESMENTE DESASTROSO...

Algo de que ninguém discordará: a época do Sporting é desastrosa. Desastrosa com Paulo Bento, desastrosa com Carlos Carvalhal e, sobretudo, desastrosa com José Eduardo Bettencourt. O leão parece ser, agora, um clube (quase) sem rei nem roque, perfeitamente à deriva e à espera do milagre que, em minha opinião, não surgirá. Está a 14 pontos do terceiro classificado e tem cinco equipas (U. Leiria, V. Guimarães, Marítimo, Nacional e P. Ferreira) a dois ou três pontos de distância. A diferença para o terceiro (FC Porto) é igual à diferença para o penúltimo (Leixões)!

5. VILLAS BOAS? TEMOS TREINADOR!

Há 112 dias escrevi, no blog do Ricardo, o seguinte: "Belo sexteto de novos treinadores: Domingos Paciência, Lito Vidigal, Mitchell Van der Gaag, Paulo Sérgio, Jorge Costa e André Villas Boas. Na crista da onda está Domingos, mas os cinco restantes parecem ter condições para belíssimas carreiras. Depois de tantas clonagens imperfeitas, a Académica tem agora o clone perfeito de Mourinho. Parece ter muitos argumentos para singrar. Mas, para o enquadrarmos com Sp. Braga, Benfica, FC Porto e Sporting, aguardemos pela vigésima jornada. Tem seis pontos. Aposto que chega aos vinte". Falava, claro, da Académica.

Mas errei. Não muito, mas errei: a Académica, à 20.ª jornada, não tem os tais 20 pontos de que falei: tem 23.Desde que André Villas-Boas entrou na Académica (8.ª jornada), os estudantes somaram 6 vitórias, 2 empates e 5 derrotas. Ou seja, 20 pontos em 13 jogos. O Sporting, por exemplo, entre as mesmas jornadas (8 a 20) somou 18. Melhor que os 20 pontos de André Villas-Boas nas mesmas jornadas (8 a 20) apenas quatro equipas: Benfica (30), Sp. Braga (27), FC Porto (27) e V. Guimarães (21). Temos treinador!

Crónica escrita pelo jornalista Rogério Azevedo para o FUTEBOLÊS

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O antes e depois do playoff - Rogério Azevedo

1. QUE OBJECTIVOS DE PORTUGAL PARA A ÁFRICA DO SUL?

Octávio Machado diria que o objectivo é traçado jogo a jogo. Passar a fase de grupos é o mínimo dos mínimos, chegar aos quartos-de-final será um 'suficiente mais', atingir as meias-finais será qualquer coisa como 16/17 valores. Daí para a frente será só lucro: Portugal nunca esteve numa final de um Mundial, logo mais do que a meia-final é sonhar altíssimo.

2. DEVERIA PORTUGAL TER ATINGIDO A QUALIFICAÇÃO MAIS CEDO?


Talvez. O grupo onde a Selecção estava inserido não era, pelo menos em teoria, de elevado grau de dificuldade, pelo que se esperavam bem menos complicações. Não nos podemos esquecer, porém, que a Suécia (afastada da África do Sul) é a oitava Selecção, de todos os tempos, com mais pontos somados em fases finais de Campeonatos do Mundo, só ultrapassada pelo Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Inglaterra, França e Espanha. A Dinamarca, vencedora do grupo, está cinco lugares atrás de Portugal neste mesmo ranking: Portugal é 19.º com 34 pontos em fases finais, a Dinamarca é 24.ª com 23 pontos. Portugal deveria ter sido primeiro no grupo? Sim. É surpreendente que tenha sido obrigado a ir ao playoff? Talvez. Mas não muito.

3. ESTE É O REAL VALOR DE PORTUGAL?

O valor individual dos jogadores portugueses é superior ao valor individual dos jogadores dinamarqueses ou suecos. O valor colectivo de Portugal é que esteve, até ao 'esmagamento' no Brasil (derrota por 2-6), bem abaixo da soma das partes. Depois, passo a passo, jogo a jogo, Carlos Queiroz conseguiu encontrar os equilíbrios necessários para a Selecção melhorar imenso. A primeira parte da qualificação é para deitar fora, a segunda parte é quase para emoldurar.

4. PARALELO COM OS ÚLTIMOS TEMPOS DE SCOLARI?

Scolari teve a vida muito mais facilitada no primeiro ano em Portugal. Não teve de passar pelas qualificações para o Euro-2004, tinha um naipe de jogadores muito mais forte em termos mentais e teve Portugal quase inteiro a assinar por baixo de tudo o que dizia. Psicólogo social brilhante, treinador de craveira média, o brasileiro 'chupou' tudo o que havia para 'chupar' dos jogadores. Queiroz, ao invés, teve de passar pelas qualificações, ficou sem Figo, Pauleta e Fernando Couto, por exemplo, sendo substituídos por jogadores com menor traquejo mental. Mas isto foi para o Euro-2004. Para o Mundial-06, as coisas foram diferentes. Scolari qualificou-se e chegou ao quarto lugar na Alemanha. A qualificação de Queiroz para o Mundial-2010 não foi diferente da qualificação de Scolari para o Mundial-06. Ou seja, tudo o que fique abaixo dos quartos-de-final ficará a perder, claramente, para Scolari.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Esperemos pela vigésima jornada - Rogério Azevedo

1. SIM, O SP.BRAGA É CANDIDATO

Há 54 anos, em 1945/46, o Belenenses foi campeão nacional: um ponto de avanço sobre o Benfica, seis sobre o Sporting. Há nove anos, em 2000/01, o Boavista foi campeão nacional: um ponto de avanço sobre o FC Porto, quinze sobre o Sporting. Pode o Sp. Braga repetir os êxitos de Belenenses e Boavista, contrariando o eterno triunvirato de campeões? Sim, pode. Mas talvez seja cedo para o garantir. Esperemos pela vigésima jornada. Para já, joga muitíssimo bem e tem vitórias sobre quatro dos cinco campeões nacionais: 3-1 ao Belenenses, 2-0 ao Benfica, 1-0 ao FC Porto, 2-1 ao Sporting. Melhor, claro, é impossível, pois o quinto campeão nacional vegeta pela segunda divisão...

2. SIM, JESUS MUDOU O BENFICA

Não joga o dobro, mas encanta o dobro. O Benfica tinha vinte e um pontos, no ano passado, à nona jornada, agora tem vinte e dois. A diferença entre golos marcados e sofridos era de oito (16-8), agora é de vinte e três (30-7). A vantagem sobre o FC Porto era de quatro pontos, agora é de dois. Não é o dobro em dados objectivos, é o dobro em dados subjectivos: joga mais, joga melhor, massacra quase todos os adversários, enche estádios, galvaniza o país. Sim, Jesus mudou o Benfica. Mas esperemos pela vigésima jornada para perceber se a mudança subjectiva se tornou objectiva.

3. SIM, O FC PORTO PARECE O MESMO

O dragão tem vinte pontos, há um ano tinha dezassete; estava a quatro pontos do Benfica, agora está a dois. Objectivamente, está melhor; subjectivamente está bem pior: não seduz, Belluschi não faz de Lucho, embora Falcao pareça fazer de Lisandro. Tem a vantagem, para já, de ter suportado o empolgamento do Benfica sem perder muitos pontos para os encarnados. Sim, o FC Porto parece o mesmo: frio, cínico, eficaz. Agora, à nona jornada, pode ser o candidato número um ao título. Mas, mais uma vez, esperemos pelo final do segundo terço do campeonato.

4. SIM, O SPORTING ESTÁ ESGOTADO

O leão de Paulo Bento parece um maratonista quando chega ao quilómetro trinta e cinco: olheiras, magríssimo, chupado, sem energia, quer mas não pode, suspira por uma brisa pelas costas. Está em sétimo lugar no final da nona jornada: a sete pontos do FC Porto (terceirto classificado) e a sete pontos do último (Académica). Esqueçam o título, esqueçam a Liga dos Campeões, concentrem-se no essencial: lugar nos quatro primeiros. Com ou sem Paulo Bento? Para já, com... mas impossível ficar muito mais tempo.

5. SIM, A BELA LEVA DE NOVOS TREINADORES

Belo sexteto de novos treinadores: Domingos Paciência, Lito Vidigal, Mitchell Van der Gaag, Paulo Sérgio, Jorge Costa e André Villas Boas. Na crista da onda está Domingos, mas os cinco restantes parecem ter condições para belíssimas carreiras. Depois de tantas clonagens imperfeitas, a Académica tem agora o clone perfeito de Mourinho. Parece ter muitos argumentos para singrar. Mas, para o enquadrarmos com Sp. Braga, Benfica, FC Porto e Sporting, aguardemos pela vigésima jornada. Tem seis pontos. Aposto que chega aos vinte.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS

sábado, 17 de outubro de 2009

O nosso Wottle e... venha a Bósnia!

1. QUEIROZ É O NOSSO WOTTLE

Carlos Queiroz faz-me lembrar Dave Wottle. Sim, sei bem que apenas 0,0000001 da população portuguesa saberá quem é Dave Wottle. Por isso, aqui fica uma dica: vão ao youtube e coloquem "1972 Olympic 800m Final". Façam clique e observem. Aos 14 segundos do filme vão ver um rapazola magríssimo, branquíssimo, com uns calções a baloiçarem-lhe na cintura e um chapéu ridículo por cima dos cabelos louros. Agora, vejam o vídeo até ao fim: é (como já perceberam) a final dos 800 metros dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Vejam lá se o bom do Wottle não parece Carlos Queiroz. Sempre sem esperança, sempre a correr atrás de todos e, de repente, pertinho do fim da prova, talvez pelos 550 metros, começa a passar adversários e, pimba, em cima da linha de meta, sagra-se campeão olímpico.

É assim que vejo a qualificação portuguesa para o play-off, aqui personificada em Carlos Queiroz: partir muito bem (4-0 a Malta, em La Valetta), perder metros atrás de metros de seguida (derrota em casa com a Dinamarca, empates de rajada com Suécia, Albânia e Dinamarca e, pelo meio, aquela clamorosa goleada 2-6 com o Brasil), mas recuperar muito bem no final (dupla vitória sobre a Hungria e triunfo sobre Malta). Agora, Queiroz está como Wottle estava no minuto 2.15 do vídeo do youtube: pertinho de ganhar a qualificação para a África do Sul, mas sem a ter ganho ainda. Falta o play-off.

2. SCOLARI FOI O NOSSO PSICÓLOGO

A herança de Carlos Queiroz foi complicada. Luiz Felipe Scolari teve quase ano e meio para preparar o Euro-2004. Entre Fevereiro de 2003 (derrota com a Itália, 0-1) e Junho de 2003 (goleada à Bolívia, 4-0) fez múltiplas experiências (mais de 50 utilizados até à final com a Grécia), apostou em alvos errados (Ricardo Rocha, Jorge Ribeiro, Luís Loureiro, Silas ou Rogério Matias), afastou algumas vacas sagradas das anteriores gestões (Vítor Baía e João Vieira Pinto e, mais tarde, Sérgio Conceição acima de todos) e, numa primeira fase, colocou todas as fichas em meia dúzia de outros, começando a construir a chamada família-Scolari: Fernando Couto, Luís Figo, Rui Costa, Pauleta, Jorge Andrade, Nuno Gomes, Simão e, sobretudo, Ricardo. Só na época seguinte, 2003/04, tudo se começou a definir. O núcleo-duro era o mesmo e só mais tarde, a conta-gotas, apostou na titularidade de homens que, em breve, seriam decisivos: Deco, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Nuno Valente, Costinha, Maniche e Cristiano Ronaldo, por exemplo.

Há quem fale de Luiz Felipe Scolari como um grande psicólogo misturado com um mediano treinador de campo. Partilho dessa opinião. O brasileiro tem mérito nos bons resultados de Portugal (segundo no Euro-2004 e quarto no Mundial-2006) neste início de Século, mas esse mérito assenta, sobretudo, na sua capacidade aglutinadora. Quem colocou as bandeirinhas nas janelas? Ele. Quem ajudou a lotar os estádios? Ele. Quem aumentou a auto-estima dos portugueses? Ele. Quem colocou os jogadores em forma? José Mourinho. Sim, se recuarmos cinco anos, vemos que só a custo, depois de muita casmurrice, Scolari aceitou a titularidade de Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha ou Deco. E quando aceitou, tudo mudou. Scolari é bom treinador? Sim, é. E é bom psicólogo? Não. É óptimo.

3. QUEM VIER ATRÁS, FECHE A PORTA

Se houve algo com o qual Luiz Felipe Scolari nunca se preocupou foi descobrir ouro onde ouro não havia. Por isso, quando Queiroz recebeu o testemunho de Scolari, a selecção não era uma selecção, era um conjunto de jogadores: não havia Fernando Couto, Rui Costa, Figo, Pauleta, Costinha ou Nuno Valente. Que recebeu Queiroz de Scolari? Ronaldo, Deco e Simão muito mais consistentes, mas sem um guarda-redes de nível médio, sem lateral-esquerdo razoável e com muitas dificuldades para encontrar um homem-golo.

Sem a almofada de não ter de se qualificar que teve Scolari (apuramento directo para o Euro-2004), Carlos Queiroz entrou em campo como antes tinham entrado António Oliveira ou Humberto Coelho: ter de ganhar jogos para chegar à África do Sul. Por isso, quase não houve tempo para experiências. As que fez (Antunes, Carlos Martins, Manuel Fernandes ou Daniel Fernandes) não resultaram e Queiroz teve de reformular muita coisa: Eduardo e Duda a titulares, Pepe à frente da defesa e, mais recentemente, a absorção do luso-brasileiro Liedson. "Quem vier atrás que feche a porta", terá pensado Luiz Felipe Scolari quando abandonou a selecção e abalou para o Chelsea. Queiroz fechou a porta, sofreu em silêncio por força da sua escassa capacidade de galvanizar o povo português, passou por momentos inacreditáveis (a derrota com a Dinamarca em Alvalade, o empate com a Albânia em Braga...) e só há meia dúzia de dias, já com 3-0 no marcador frente à Hungria, se viu um sorriso rasgado na cara do homem nascido em 1953 em Nampula (Moçambique): a selecção portuguesa estava, finalmente, no 2.º lugar do Grupo 1 e a depender apenas de si próprio para chegar à fase final do Mundial. Depois, com o 4-0 a Malta, resta esperar pelo play-off.

4. VENHA A BÓSNIA!

Carlos Queiroz parece ter encontrado, enfim, o seu núcleo-duro, a sua família: Eduardo, Bosingwa, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Duda, Pepe, Tiago, João Moutinho, Rolando, Raul Meireles, Deco, Simão, Nani, Cristiano Ronaldo e Liedson, por exemplo. Daqui a menos de um mês há duplo jogo de apuramento para a fase final do Mundial e é neste grupo que o seleccionador vai apostar. E ganhou ainda mais duas boas soluções: Pedro Mendes a meio-campo, Miguel Veloso a médio ou defesa-esquerdo.

Com quem preferirá Queiroz jogar? Ucrânia, Bósnia, República da Irlanda ou Eslovénia? Ninguém sabe. Queiroz deve ter preferência, mas nunca as dirá. Aposto o meu ordenado que ele não quer jogar com a Ucrânia (viagem muito desgastante, eventualmente frio e neve e... Shevchenko) ou com a República da Irlanda (ser eliminado por Trapattoni, de 70 anos, não seria agradável). Ficam Bósnia e Eslovénia. Eu, se fosse seleccionador, queria a Bósnia. Se vamos para uma guerra, há que entrar num ambiente de guerra. Venha, então, a Bósnia. E depois a África do Sul.

Crónica de Rogério Azevedo, jornalista do jornal A BOLA, para o FUTEBOLÊS