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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ao jeito de Tarantino, Alkmaar foi revisitado

O resultado antes de mais: o Sporting empatou na Holanda, frente ao Twente, e garantiu a qualificação para o play-off da Liga dos Campeões. Depois do nulo em Alvalade, aos leões bastava um empate com golos. Um golinho que fosse. Douglas, ainda antes do segundo minuto da partida, complicou as contas com uma cabeçada certeira. A partir desse momento, os holandeses comandados por Steve McLaren deram a iniciativa ao Sporting. Fecharam-se em redor da sua área, apenas. A equipa de Paulo Bento não conseguiu aproveitar. Jogou mal, há que dizer, mas nunca virou a cara à luta. E foi premiado com a sorte grande.

Noventa e três minutos da partida, vitória do Twente quase garantida. Pois bem, no futebol nada é certo até que o árbitro apite para o final: tal como os holandeses marcaram no início, também os portugueses podiam marcar no fecho. Apareceu um canto, como última oportunidade de sucesso, que até levou Rui Patrício a subir à área contrária. A bola foi ter com o guarda-redes, precisamente: Patrício saltou, disputou-a com Rukavytsya, bateu no chão, nas pernas de Janssen e golo! Um golo autenticamente caído do céu que fez com que qualificação ficasse garantida. Seguiu-se a festa em torno de Rui Patrício, aquele que ninguém esperava que pudesse resolver.

Não houve, certamente, ninguém que não tenha recordado o golo de Miguel Garcia em Alkmaar, também na Holanda. Já lá vão quatro anos, é verdade, mas o lance continua bem fresco na memória de todos. Aí, tal como agora, ao Sporting bastava um golo para passar. Surgiu no último minuto do tempo extra. Após um canto. Por um jogador, um defesa, que está (e estava na altura) bem longe de ser uma estrela. Assim como hoje. Por fim, sejamos justos: o Twente não merecia perder desta forma. Ser afastado no último minuto, através de um autogolo é penoso de mais. Mas quem disse que o futebol é justo?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A final esperada... ganha pelo argentino

Roma, 27 de Maio de 2009. O jogo era o esperado e desejado por todos. O duelo entre Messi e Cristiano Ronaldo, pelo estatuto de melhor do Mundo, foi visto como prato forte. Não foi tão intenso como esperado. Ganhou o Barcelona e ganhou Messi, portanto. Cristiano Ronaldo não esteve no seu melhor, à semelhança da equipa, mas foi o que mais tentou contrariar a vitória natural dos espanhóis. Em Roma, o Barça foi ele próprio.

Até no banco havia um choque curioso entre Alex Ferguson e Pep Guardiola. Choque de ideias e, sobretudo, de gerações: Ferguson é traquejado nestas andanças, tem aquele ar sóbrio e experiência de inúmeras conquistas enquanto Guardiola surpreendeu todos, no ano de estreia, criando uma dream-team capaz de tirar o melhor da arte do futebol. As equipas são as imagens perfeitas dos treinadores. Um Manchester matreiro, conquistador e um Barcelona jovem e alegre, jogando para o espectáculo. Porém, quer o escocês quer o espanhol tinham baixas importantes: no Manchester não havia Fletcher o que levou Ferguson a colocar Carrick, Anderson e Giggs no meio-campo com Rooney, Park e Ronaldo à frente; do lado dos espanhóis, Guardiola teve de remodelar a defesa em virtude das ausências de Abidal e Daniel Alves, colocando Puyol na direita e Sylvinho na esquerda recuando Touré para o centro da defesa.

Se a ideia era fazer um duelo entre Cristiano Ronaldo e Messi, e não havia como não o fazer, o português deixou bem cedo a sua vontede num livre característico, cheio de efeito estranho mas Valdés, ainda que de forma não muito segura, conseguiu defender. Voltou a repetir por duas vezes os ameaços à baliza blaugrana, era o elemento mais perigoso. Nos primeiros minutos as equipas estudaram-se mutuamente, a expectativa e o medo de errar era grande. Vejam lá as coisas do futebol, tão famosas: o Manchester United estava por cima, marcou o Barcelona, no seu primeiro remate. Estavam jogados dez minutos quando Eto'o, após passe genial de Iniesta, bateu Van der Sar. Numa final, ainda para mais sendo da Liga dos Campeões, marcar um golo tão cedo é o que qualquer equipa precisa para colocar uma mão na taça.

O GOLO MADRUGADOR QUE MUDA TUDO

O golo foi como um rude golpe ao United, teve a capacidade de mudar tudo. A estratégia dos ingleses tinha tombado. Faltavam ideias, faltava aquela chama característica de verdadeiros diabos e nem as transições, que costumam ser letais, resultavam. O Barcelona aproveitou, passou a controlar sem dar espaço de manobra. Apenas Ronaldo conseguia criar perigo para Victor Valdés mas a defensiva do Barça resolvia bem - aquela que mais se pensava que podia falhar, esteve melhor do que a outra. O ritmo não era alto, nem pensar, mas era aquele que os catalães queriam. A noite não era, definitivamente, para o Manchester. Chegou o intervalo, num ápice, sem que tenham existido ocasiões realmente gritantes de golo.

Alex Ferguson tinha que mudar: retirou Anderson para lançar Tevez, procurando alargar a frente de ataque. Porém, entrou melhor o Barcelona. Primeiro Henry, obrigando Van der Sar a uma defesa apertada; depois Xavi, num remate parado pelo poste, estiveram perto do segundo golo. O Barcelona justificava a vantagem, plenamente. Ferguson lançou Berbatov para o lugar de Ji-Sung Park, aos 66 minutos. Quatro minutos depois, golo. O segundo do Barcelona. Marcado por Messi, o génio argentino. A final acabou aqui. Setenta e dois minutos jogados. Nem foi preciso contar mais nada. A vitória assenta como uma luva.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

LC: Mais do que uma final

Manchester United e Barcelona estão na final da Liga dos Campeões, em Roma. O United confirmou a vantagem que trazia da primeira mão, dando uma autêntica lição de futebol no Emirates Stadium, com Cristiano Ronaldo em super-forma. Na outra meia-final, manchada por uma arbitragem péssima do norueguês Tom Henning, o Barcelona empatou em Londres. E garantiu a final. Com um golo aos 92 minutos.

Rocket Man
foi um nome que Elton John deu a uma música nos anos 70. Agora, pode ser uma boa alcunha para dar a Ronaldo porque parece mesmo um verdadeiro foguete. Esteve em grande na meia-final frente ao Arsenal, comandando o Manchester United para uma vitória categórica, servindo de prova cabal do seu poderio. Que começou com um golo de Ji-Sung Park, aos 8 minutos, aproveitando um erro enorme de Gibbs. Três minutos volvidos, apareceu Cristiano Ronaldo, o super, num golo fantástico de livre. A eliminatória estava resolvida, a estratégia de Arsène Wegner em xeque. Os red devils, com toda a sua experiência, controlaram, geriram, jogaram com o relógio. Apareceu na segunda parte o melhor do jogo, um autêntico hino ao futebol num transição a alta rotação: recuperação de Ronaldo; bola para Park; abertura de Rooney para o CR7 que, à saída de Almunia, colocou a bola no fundo da baliza do Arsenal. Delicioso. Depois, já em cima do final, houve tempo para Van Persie reduzir, de penalty. Que originou a expulsão de Fletcher e o fará falhar a final.

Minuto 92 do Chelsea-Barcelona, 1-0: ataque do Barcelona, bola para a entrada da área, remate fortíssimo de Iniesta e golo. Grande golo. Uma extâse total, um sprint louco de Guardiola pela linha lateral, o Barça qualificado para a final. Ora, vamos voltar ao início. No minuto nove, o primeiro grande momento, marcado por um golão sensacional de Essien, candidato a melhor da competição. Inesperadamente, o Chelsea estava na frente da eliminatória. E melhor no jogo, com mais oportunidades, criando mais perigo, a estratégia de Guus Hiddink não dava espaços de manobra aos avançados blaugrana - Messi foi uma sombra. Pôde alargar a vantagem, Victor Valdés não deixou. Veio depois, para complicar, o árbitro dinamarquês Tom Henning. O jogo não merecia tal arbitragem, de tão baixa categoria: os ingleses podem queixar-se de quatro grandes penalidades por assinalar enquanto que o Barça foram prejudicados na expulsão de Abidal. Com o domínio e controlo do Chelsea, a final estava próxima mesmo com os equívocos do árbitro. Até ao tal minuto 92, que o Barcelona rematou pela primeira vez à baliza de Cech. Com uma eficácia de fazer inveja. São assim as grandes equipas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A muralha de Guus Hiddink


Confesso que fiquei desiludido com o Barcelona-Chelsea. Esperava mais: futebol, ousadia, ataque. Existe um culpado, chama-se Guus Hiddink. Montou uma estratégia defensiva, uma autêntica muralha, cheia de calculismos e expectativas - Messi foi aniquilado por Bosingwa, o polícia. O Barcelona jogou como habitualmente, com os olhos postos na baliza adversária: tentou, dominou, teve as melhores oportunidades para marcar. Não conseguiu, porém. Encontrou em Petr Cech um guarda-redes enorme, o suporte da muralha.

O resultado é aquilo que Hiddink pretendia. A táctica resultou na perfeição. Para os apaixonados de futebol, soube a pouco. O Chelsea-Liverpool, ainda bem recente, também não ajudou pois colocou as expectativas demasiado altas. Além disso, esta não era uma forma normal de ver os jogos entre Barcelona e Chelsea. Aqui também existe um culpado: José Mourinho, o special one. Tornava qualquer confronto empolgante, intenso e emocionante até final. Aquela eliminatória épica em 2004/05 será sempre recordada. Desta vez, Guus Hiddink foi pragmático. Em Stamford Bridge terá de jogar de forma mais aberta. Ainda bem para o futebol.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

LC: Domínio inglês com um intruso espanhol

Ponto prévio para uma constatação do óbvio: as equipas inglesas dominam o futebol europeu. Nas meias-finais, em quatro, estão três formações da Premier League. Sintomático. O intruso é originário de Espanha e chama-se Barcelona. Ou seja, a única diferença para a época passada é a troca de Liverpool por Arsenal. A equipa de Rafa Benítez que tem marcado presença nas fases mais adiantadas da Liga dos Campeões caiu, em Stamford Bridge, num jogo sensacional com o Chelsea que acabou empatado a quatro. Fantástico, sublime e memorável. Assim, o Chelsea defrontará o Barcelona que se limitou a cumprir calendário em Munique, depois de ter esmagado o Bayern em Camp Nou e sentenciado a eliminatória.

Na outra meia-final, estarão Arsenal e Manchester United, no jogo entre ingleses. Os gunners confirmaram a sua superioridade ao vencer o Villarreal por 3-0, somando assim ao empate da primeira mão, em Espanha, que os colocava em vantagem. Sem surpresa. Mais expectativa havia no encontro entre Manchester e FC Porto, no Dragão, até pela excelente exibição dos portistas em Old Trafford, resultando num empate a dois que preocupava Alex Ferguson. Contudo, os ingleses deram uma demonstração cabal da sua força e viraram a eliminatória a seu favor, com um golo espantoso de Cristiano Ronaldo. Foi o fim do sonho do FC Porto na Europa, com aplausos de reconhecimento por parte dos adeptos azuis.

Agora, até Roma, tudo é possível. Porém, pelo que têm feito até aqui, Manchester e Barcelona são, teoricamente, favoritos à final. Teoricamente, ressalve-se.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

FC Porto-Manchester United, 0-1: A lei do mais forte


Imperou a lei do mais forte, no Dragão, esta noite. O Manchester United eliminou o FC Porto, com um golaço espantoso de Cristiano Ronaldo - melhor do mundo arrisca-se a isto. Ao intervalo da eliminatória, a vantagem era dos portistas após uma exibição soberba em Old Trafford mas contas feitas quem se ri são os ingleses. Contudo, fica um amargo na boca, fica uma sensação de que o FC Porto poderia ter ultrapassado o United, muito devido ao jogo de Manchester. Mas não. Porque eles são mesmo de outro campeonato.

O jogo do Dragão seria, naturalmente, diferente do da primeira mão. Apesar da vantagem dos portistas através do empate conseguido fora, o Manchester continuava como principal candidato a estar nas meias-finais. Porque é um colosso europeu, porque tem um autêntico estrelato na equipa. Assim, Alex Ferguson apresentou uma equipa diferente, bem mais virada para o ataque. Deixou Paul Scholes e Fletcher no banco e apostou em Anderson e Ryan Giggs. Além disso, regressaram Rio Ferdinand e Berbatov, ambos de lesão, para os lugares de Johnny Evans e Ji-Sung Park. Para os portistas, foi em má altura que recuperaram. Principalmente Ferdinand, um senhor defesa central. Do lado do FC Porto, sem Jesualdo Ferreira no banco, jogaram os habituais, empurrados por um ambiente fantástico do Dragão, servindo como palco do sonho.

Porém, o FC Porto não entrou bem no jogo. Não conseguiu fazer aquilo que lhe permitiu manietar o Manchester na primeira mão, ou seja, não dar espaços para os red devils jogarem como gostam. Sabia-se que o United entraria a todo o gás, na procura de marcar um golo para virar a eliminatória. Assim foi. Estavam jogados apenas seis minutos quando Cristiano Ronaldo, com um pontapé de trinta metros, escancarou a porta das meias-finais aos ingleses. Um golo a frio, ainda no início, era o pior que podia acontecer. Um golo sublime que deixou a equipa portuguesa com dificuldades, algo receosa e sem ter bola no pé. No primeiro quarto de hora, os portistas sentiram grandes dificuldades em jogar e em ganhar a luta a meio campo. No entanto, depois desse mau período, o FC Porto conseguiu equilibrar e teve a primeira oportunidade, aos vinte minutos, num livre de Bruno Alves que passou ao lado da baliza de Van der Sar. Pouco depois, Lisandro, com um remate acrobático, criou nos adeptos a ilusão de que era possível seguir em frente e o Dragão voltou a unir-se em torno da equipa.

AZAR DE UNS, CLASSE DE OUTROS

Sorte. Também aqui faltou sorte. Veio a lesão de Lucho, à meia-hora de jogo. Era mais uma enorme adversidade, ainda para mais num período em que o FC Porto estava melhor, tentando reagir ao golo de Ronaldo. Ficou sem o capitão, o comandante e a voz de comando, depois de já ter ficado sem o treinador. Entrou Mariano González para o seu lugar. O ritmo voltou a baixar, o jogo ficou outra vez mais disputado a meio. Surgiu mais uma ameaça para Van der Sar, aos 41 minutos, em novo lance de Bruno Alves, agora num cabeceamento. Respondeu o Manchester United, com uma soberana ocasião de golo, desperdiçada por Vidic, de forma incrível, só com a baliza pela frente. A seguir, chegou o intervalo. O Manchester estava bem melhor do que no outro jogo, estava ao seu melhor nível, muito por culpa de Anderson que jogava e fazia jogar. No FC Porto faltava inspiração aos jogadores das decisões, sobretudo a Hulk, enquanto que Lisandro estava totalmente manietado por Ferdinand e Vidic, sem se conseguir soltar. Cissokho, na esquerda, era ainda assim um perigo à solta mas o United tava todos os espaços existentes. Rooney era o primeiro a defender e, quando a equipa estava sem bola, fechava na esquerda fazendo com que O'Shea flectisse para auxiliar os centrais.

A esperança em ver o FC Porto continuar em prova era cada vez menor. Não que a exibição da equipa fosse má, não é isso. Era antes a classe que o Manchester, imperial, mostrava no Dragão. Este jogo era, definitivamente, diferente do de Old Trafford. Os portistas, sem nunca baixar os braços e demonstrando enorme atitude, procuraram sempre o golo que lhes valesse a qualificação para a fase seguinte. Mas parecia não haver forma de o conseguir, o tempo passava mais rápido do que nunca. Jogou-se mais com o coração do que com a cabeça. José Gomes, o treinador na ausência de Jesualdo, lançou Farías para o lugar de Rodríguez, a fim de ter mais um homem-golo na frente. Sem sucesso, porque foi mais um a cair na teia dos centrais do Manchester, por onde nada parecia capaz de passar. Nos red devils, em jeito de resposta, entraram Nani e Paul Scholes para os lugares de Berbatov e Anderson, para suster o ímpeto da equipa portuguesa.

Os dez minutos finais foram de pressão por parte do FC Porto. A oportunidade mais evidente pertenceu a Rolando que não conseguiu aproveitar uma saída em falso de Van der Sar. Tentou depois Farías, tentou Lisandro. Tentaram todos, é justo dizê-lo. Nada havia a fazer até porque três minutos depois dos 90, Massimo Busacca apitou para o final. Do jogo e da caminhada dos portistas na Europa, esta época. Seguiu-se uma enorme ovação dos adeptos portistas. Mas também para dar a confirmação de que no futebol, só os mais fortes sobrevivem. Como foi o caso deste Manchester de enorme classe.

Crónica do jogo de Old Trafford


quarta-feira, 8 de abril de 2009

LC: Super-Barça em direcção a Roma

O Barcelona é uma autêntica máquina de jogar futebol. É, sobretudo, uma máquina de marcar golos tornando os jogos fáceis comandados por um Messi sensacional, mágico, desconcertante. Não há muitos mais elogios para a equipa de Pep Guardiola, a não ser que é a equipa que melhor futebol pratica no mundo. Depois de ter goleado o Lyon, ene vezes campeão francês, por 5-2 encontrou o Bayern Munique, equipa que atropelou por completo o Sporting: e depois? ganhou por quatro golos, em Camp Nou, sem espinhas, arrumando a eliminatória. Alguém os parará até Roma? Não me parece, sinceramente. Contudo, terá pela frente o Chelsea. Não é certo ainda, mas muito provável. A equipa de Guus Hiddink confirmou o bom momento que vive com o treinador holandês e ganhou, por 3-1, em Anfield Road ao Liverpool. Um resultado de todo inesperado até por aquilo que a equipa de Rafa Benítez tinha feito ao Real Madrid. Porém, não chegou para este Chelsea e a única hipótese passa por vencer por três golos de diferença em Londres. É pouco provável, repito. Mas não impossível pois já sabemos como estes ingleses são - a final de 2005 com o Milan deve estar bem presente.

Uma meia-final parece ter os protagonistas encontrados (Barcelona e Chelsea) apenas com a primeira mão disputada. Nos outros jogos existe bem mais suspense pois tudo está em aberto: Manchester United, apontado como favorito à vitória final, surpreendido pelo FC Porto terá de ganhar no Dragão, algo nunca conseguido por uma equipa de Sua Majestade; Arsenal e Villareal empataram em Espanha, a um golo, o que dá vantagem aos ingleses. Em relação ao primeiro, o jogo do FC Porto, o resultado final dá alguma margem aos portistas que estão em vantagem na eliminatória. Além disso, a exibição conseguida em Old Trafford foi notável e deixou boas indicações para o jogo do Dragão, onde Alex Ferguson será obrigado a meter a carne toda no assador. Quanto ao jogo entre Arsenal e Villareal foi decidido por dois golos de levantar o estádio: primeiro Marcos Senna para os espanhóis, depois Adebayor empatando o jogo e dando vantagem para o jogo da segunda mão aos gunners. Contudo, este Villareal foi capaz de vencer o Panathinaikos, em Atenas, e deverá ser levado em conta.

Por estes motivos e mais alguns, a Liga dos Campeões é tão apaixonante. Já se viram recuperações incríveis, milagrosas quase, por isso nada se pode dar como definitivo para já. Fica também bem patente o domínio das equipas inglesas que terá, pelo menos, um representante na próxima fase. Ou até podem três - Manchester, Arsenal e Liverpool/Chelsea. Esperemos que não. Pelo FC Porto.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Manchester United-FC Porto, 2-2: Sonho no teatro!


Cenário perfeito para uma grande peça: o teatro estava ao rubro totalmente lotado, os actores preparados para a acção e havia até um homem para os encenar e dirigir. Não, ninguém aqui foi assistir a uma peça teatral e isso não passa de simbologia. O que se viu foi uma enorme demonstração de classe do FC Porto no Teatro dos Sonhos, estádio do Manchester United, durante toda a partida. Conseguiu encostar o campeão europeu às cordas, esteve a um passo da vitória. Não chegou lá mas garantiu um empate encorajador para a segunda mão. E uma exibição sensacional, com um protagonista improvável: Fernando, soberbo.

Não havia como não recordar aquele jogo de 2004, aquele golo de Costinha em cima do final seguido daquele sprint incrível de Mourinho pela linha lateral. Foi um momento mágico que regressou à memória de todos os portugueses aquando do sorteio que voltou a colocar o FC Porto no caminho do Manchester United. Alex Ferguson sorriu, prometeu vingança e deixou escapar que os portistas eram apenas mais um na caminhada da sua equipa até Roma. Pareceu excessivamente confiante, quase arrogante. Porém, na abordagem ao jogo foi bem mais cauteloso: colocou uma linha média com Scholes, Fletcher e Carrick; e utilizou Rooney como único avançado, servido por Park e Ronaldo, deixando no banco jogadores como Giggs, Tévez ou até Nani. É certo também que existiam baixas importantes como Berbatov ou Ferdinand. Do lado do FC Porto, entraram em campo os habituais, os melhores, aqueles que eliminaram o Atlético de Madrid. Prontos a fazer história.

O ambiente fervoroso do Old Trafford foi esmorecendo aos poucos. Primeiro por obra de Lisandro que, com apenas três minutos decorridos, obrigou Van der Sar à primeira defesa do jogo. Era um sinal bem claro, preto no branco, de que os portistas não estavam ali só para serem meros figurantes. Um minuto depois, surgiu o golo: Ronaldo entregou mal a bola, Lucho cruzou-a para a área, Johnny Evans não conseguiu o corte e Rodríguez, pleno de técnica, colocou a bola dentro da baliza do United. Uma entrada de sonho. Os minutos que se seguiram foram de domínio de um FC Porto mandão e cheio de personalidade. Surgiu a primeira grande oportunidade para o empate do Manchester, aos treze minutos, num cabeceamento de Cristiano Ronaldo bem defendido por Helton. Dois minutos depois, empataram, num erro tremendo de Bruno Alves que deixou a bola à disposição de Rooney. Um rude golpe! Daí até ao intervalo voltou a assistir-se a um recital dos portistas em jogar à bola. Van der Sar, enorme, foi impedindo o segundo golo.

TÃO CRESCIDOS QUE ELES ESTÃO

A segunda parte foi diferente. Naturalmente. Começou com o Manchester melhor, mais dinâmico e ofensivo, procurando a baliza portista. Era mais do que esperado, o FC Porto estava alerta. Foi já depois da troca de Ji-Sung Park por Ryan Giggs que os red devils estiveram verdadeiramente perto do golo: primeiro num remate traiçoeiro, em vólei, de Rooney que Helton defendeu para canto e como consequência desse lance num cabeceamento de Vidic a que o guarda-redes brasileiro se opôs com uma extraordinária defesa. Era fundamental ter união defensiva nesta fase pois o domínio pertencia agora aos ingleses. O FC Porto procurava criar perigo através de transições rápidas principalmente por Rodríguez e Lisandro pois Hulk tinha sempre a companhia incómoda de Vidic, não se conseguindo livrar dela. Aos 67 minutos, voltou a surgir Van der Sar como desmancha-prazeres num remate de Lisandro que levava a direção da baliza depois de tabelar nas pernas de Nemanja Vidic.

Alex Ferguson voltou a mexer na equipa tentando dar-lhe mais largura ofensiva com a entrada de Tevez para o lugar de Paul Scholes fazendo assim com que o argentino se juntasse a Rooney, Ronaldo e Giggs no ataque à baliza portista. Colocou também o veterano Gary Neville no lado direito da defesa, se bem que por lesão do central Evans, passando John O'Shea para o centro. A equipa ganhou alguma profundidade lateral com a entrada de Neville, autor de um cruzamento soberbo, aos 76 minutos, a que Wayne Rooney não conseguiu dar seguimento. Foi então altura de Jesualdo Ferreira mudar também dois dos protagonistas, a doze minutos do final, trocando Raul Meireles e Rodríguez por Tomás Costa e Mariano, respectivamente. Entretanto, Hulk queixou-se de uma falta de Tévez dentro da área mas Konrad Plautz, o encenador austríaco, mandou seguir o espectáculo.

Chegou a pior cena: arremesso de Neville, toque fantástico de calcanhar de Rooney e golo de Tévez. O United estava em vantagem, a cinco minutos do final. Durou pouco, contudo. Em cima dos noventa, a um minuto, Lisandro conduziu o contra-ataque e cruzou largo para que Mariano González batesse Van der Sar. Criou-se uma euforia enorme entre adeptos portugueses no Old Trafford. O FC Porto voltava a empatar, voltava a ter vantagem na eliminatória para desespero dos ingleses. Chegou ao fim, com o empate. Tudo contado acerca do jogo, importa referir um jogador: Fernando. Exibição soberba do jovem de 21 anos que conseguiu anular por completo Ronaldo, o melhor jogador do mundo, que foi uma sombra de si próprio. O próximo acto desta saga está marcado para o Estádio do Dragão, dia 15 de Abril.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Como não lembrar 2004?

Ora vamos fazer um exercício de memória: quem se lembra daqueles oitavos-de-final da Liga dos Campeões em que o FC Porto de Mourinho eliminou o Manchester United, em Old Trafford, com um golo de Costinha em cima da hora? Muito bem, foi mesmo memorável. Agora que está feita essa visita ao passado, regressemos ao presente: calhou, em sorte, o Machester ao FC Porto no sorteio de hoje.

Não havia como não recordar esse jogo de Março de 2004 pois marcou a última vitória portista na Liga dos Campeões. Contudo, o panorama agora é diferente: o Machester é uma super-equipa, campeã da Europa e do Mundo, partindo claramente como favorita enquanto que o FC Porto assume um papel de outsider. Em termos teóricos, adversários como Villareal ou até Arsenal eram os preferidos ao passo que o United era a equipa a evitar por ser, em igualdade com o Barcelona, a equipa mais forte da Europa. Porém, o sorteio poderá ter um efeito contrário pois a pressão estará toda do lado da equipa de Alex Ferguson e Cristiano Ronaldo. Mas o FC Porto tem hipóteses, obviamente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

FC Porto-Atlético Madrid, 0-0: Nos quartos com classe!


Uff, já acabou. Ora vamos ao que interessa: o FC Porto eliminou o Atlético de Madrid e está nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Foi um jogo de sofrimento, de nervos, de batimentos acelerados. Os portistas foram sempre mais equipa, estiveram mais perto de marcar mas não conseguiram sair do nulo. Só após o apito final de Pieter Vink é que o Dragão descansou. E vieram os festejos, enfim. Efusivos, eufóricos e merecidos depois de uma enorme prova de qualidade do dragão.

A Liga dos Campeões é uma prova em que só os mais fortes sobrevivem. Por isso mesmo, ambas as equipas sabiam que um pequeno erro podia custar bem caro. O FC Porto partia com vantagem devido ao jogo de Madrid; o Atlético era obrigado a correr atrás do prejuízo mas sabendo, também, que um golo bastaria para eliminar os portistas. Porém, a não inclusão de Diego Forlán no onze titular podia indicar o contrário. Essa foi, de facto, uma opção estranha de Abel Resino que preferiu um 4x3x3 com Paulo Assunção, Raul García e Maxi Rodríguez no meio campo e com Sinama Pongolle, Simão e Agüero na linha de ataque à baliza de Helton. Por sua vez, Jesualdo Ferreira colocou a equipa do costume, já com o regresso de Sapunaru à lateral direita.

Entrou melhor o FC Porto, com boa troca de bola e sem se agarrar em demasia à vantagem traiçoeira do jogo da primeira mão. Os portistas entraram decididos, com vontade de resolver de vez a passagem aos quartos. A primeira grande ocasião de golo surgiu aos 14 minutos num livre directo de Bruno Alves que passou pertinho, pertinho da trave. O Atlético quase que só fazia figura de corpo presente a apenas em jogadas individuais criava algum perigo para Helton. Foi precisamente dessa forma que, aos 25 minutos, Simão conseguiu entrar na área onde viria a ser derrubado por Bruno Alves sem que Pieter Vink tenha assinalado qualquer falta. Surgiu, então, a melhor oportunidade de golo da primeira parte: após um alívio da defesa colchoneros, Fernando rematou bem mas Leo Franco respondeu com uma grande defesa. Foi aí que a equipa de Abel Resino acordou por fim e partiu para o ataque, nos últimos dez minutos. O lance mais perigoso do Atlético foi criado por Kun Agüero, a estrela da companhia, que deu um autêntico nó cego a Sapunaru só não resultando na perfeição porque Pongolle chegou um pouco atrasado. Ao intervalo, a equipa espanhola estava instalada no meio campo do FC Porto e com mais posse de bola.

MANTER O RITMO, SABER SOFRER E JÁ ESTÁ!

O segundo tempo começou como acabou, com o Atlético melhor e a jogar mais no meio campo contrário. Estava melhor no jogo, há que dizê-lo. Porém, essa toada durou apenas até aos 54 minutos, quando Abel Resino retirou Maxi Rodríguez para lançar Forlán para o ataque. Foi a pedra de toque que mudou outra vez o rumo dos acontecimentos pois era pelo capitão dos colchoneros que passava a organização de jogo ofensivo. O FC Porto aproveitou e voltou a tomar conta da partida. O jogo estava vivo e intenso, por esta altura. Um minuto após a alteração, surgiram duas oportunidades de rajada para os portistas: primeiro Raul Meireles fez a bola passar perto do poste; depois Lisandro entrou na área mas não conseguiu bater Leo Franco. Antes do FC Porto partir para vinte minutos finais de grande categoria, o Atlético criou perigo com um cabeceamento de Agüero que passou por cima da baliza de Helton.

Em apenas dez minutos, os portistas dispuseram de enormes oportunidades para marcar. Contudo, Leo Franco e os ferros da sua baliza não quiseram entrar na festa. Primeiro aos 71 minutos, Rolando cabeceou bem mas o guarda-redes argentino foi enorme ; cinco minutos depois foi Lucho quem esteve perto de desempatar mas mais uma vez Leo Franco foi melhor; um minuto após, Hulk acertou na barra; e finalizando esse fantástico período de futebol atacante, Lisandro isolado por Raul Meireles, rematou ao poste aos 81'. Pelo meio, o árbitro ainda deixou passar uma grande penalidade de Antonio Lopez sobre Lisandro.

Nesta altura, o empate já era pouco para aquilo que o FC Porto produzia. Mas era perfeito para o resultado da eliminatória. Os três minutos de desconto dados por Pieter Vink foram de festa, ninguém se calou no Dragão. Porque a passagem já não fugia.

terça-feira, 10 de março de 2009

Bayern Munique-Sporting, 7-1: Não havia necessidade!


Chamem-lhe pesadelo, chamem-lhe desastre, chamem-lhe vergonha. Porque todos esses adjectivos se aplicam na perfeição àquilo que aconteceu no Allianz Arena. O Bayern de Munique deu um autêntico amasso ao Sporting. O jogo acabou com 7-1 no resultado, sem espinhas. Uma das maiores goleadas de sempre sofridas por equipas portuguesas nas competições europeias. Sete a um, enquanto que o conjunto dos dois jogos ficou em 12-1.

O Sporting partiu para Munique com a vontade de tentar limpar a desastrosa imagem deixada no jogo da primeira mão, em Alvalade, acabado com um 5-0 para o Bayern. O objectivo era exactamente esse, era honrar a camisola e o clube, tal como Paulo Bento referiu. Porque quanto à eliminatória estava arrumada e nem o mais fanático adepto acreditaria numa reviravolta. Por isso mesmo, também Jürgen Klinsmann poupou alguns jogadores como Ribéry e Luca Toni, dando oportunidade a outros menos utilizados. Do lado do Sporting, jogaram Tonel e Miguel Veloso na linha defensiva. Surpreendeu, sobretudo, a titularidade de Veloso depois das suas declarações polémicas à partida para a Alemanha. O que é certo é que foi ele a ocupar a lateral esquerda.

O festival de golos do Bayern começou aos sete minutos. Num lance que não parecia trazer grande perigo, Miguel Veloso atrasou a bola para Polga; o brasileiro entregou a bola a Podolski que, de fora da área, rematou para dentro da baliza de Rui Patrício - ficou a olhar para o boneco!. Era um prenúncio do que se seguiria e vieram à memória as facilidades que o Bayern havia tido em Alvalade. Percebeu-se que, desta vez, não seria diferente. A equipa de Klinsmann mesmo em poupanças apresentou um ritmo forte e o Sporting estava completamente à deriva, entregue à sorte. Veio o segundo golo, aos 33 minutos; cinco minutos depois, o terceiro. Ora aqui importa referir Anderson Polga, porque esteve num daqueles dias em que é preferível não sair de casa: deu uma autêntica barracada, a meias com Rui Patrício, no segundo golo; marcou o terceiro, na própria baliza, ao tentar um alívio para fora. A isso junte-se o mau passe no golaço de Podolski, o primeiro. Mau de mais!

BARRACADAS A MAIS

A noite era já de pesadelo. Porém, no meio de tanto desastre, surgiu o melhor momento da noite. Um golão de João Moutinho com a bola a entrar no ângulo da baliza de Butt, na gaveta. Porém, serviu apenas para reduzir a desvantagem. Mas por pouco tempo, porque os jogadores do Bayern de Munique não gostaram da brincadeira e na jogada seguinte voltaram a marcar. Tudo tão, tão fácil. Chegou o intervalo com 4-1. No reatamento, os bávaros retiraram o pé do acelerador permitindo que o Sporting conseguisse chegar mais perto da baliza de Hans-Jorg Butt e tentasse chegar ao golo. Também as entradas de Abel e, principalmente, de Izmailov contribuiram para isso. Vukcevic - sempre o mais inconformado - esteve perto de marcar mas perdeu-se em fintas e não teve discernimento para bater o guarda-redes alemão. Nada havia a fazer.

Foi, então, com naturalidade que o Bayern chegou ao quinto golo. O jovem Muller, recém-entrado, arrancou de forma sensacional pela direita permitindo a Van Bommel marcar. Vieram ainda mais dois tentos para arrumar as contas. Primeiro, Pedro Silva cometeu um penalty que Klose aproveitou para picar o ponto; depois, na sequência de um canto, ficou toda a equipa a ver navios enquanto Muller empurrava a bola para dentro da baliza. Acabou, enfim. Sete a um!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sporting-Bayern, 0-5: O sonho ficou desfeito


Pois, faltam as palavras. Este era à partida um jogo equilibrado, se bem que com um ligeiro favoritismo do Bayern. Os próprios treinadores assumiram-no, tal e qual. Mesmo assim, as expectativas eram elevadas, o público compareceu em Alvalade. Mas acabou por não ser nada disso. O Sporting foi melhor na primeira parte mas chegou ao intervalo a perder, devido à eficácia total dos alemães; no reatamento quando esteve perto de empatar, a equipa de Paulo Bento voltou a sofrer. Após o terceiro golo foi penoso ver o jogo do Sporting. A eliminatória, essa, está decidida!


Paulo Bento fez algumas alterações na equipa habitual: a defesa foi revolucionada e dos habituais titulares apenas Polga se manteve, entrando Caneira, Abel e Tonel para conferir mais experiência e mais centímetros; no meio-campo jogou Romagnoli na vez de Vukcevic. O Bayern, já se sabe, tem jogadores fulcrais como Ribéry, Luca Toni ou Klose, por exemplo. Mas não se pense que o jogo esteve sempre decidido, desde início. Pelo contrário, foi o Sporting quem mais perto esteve de marcar primeiro, aos 12 minutos, quando Polga apanhou a bola a jeito dentro da área e rematou para a baliza de Rensing. Tudo parecia indicar que seria golo. Não foi. Porque Philipp Lahm, qual milagreiro, cortou a bola sobre a linha. Respondeu dois minutos depois o Bayern de Munique, num lance em que Ribéry não conseguiu acertar na baliza de Tiago depois de Luca Toni ter ganho a bola nas alturas, no local onde é mais perigoso. Nesta fase estava melhor o Sporting que conseguia parar os movimentos de ataque do Bayern e impossibilitar que Luca Toni e Klose, os avançados, tivessem a bola no pé. Porém e, apesar de estarem melhor no jogo, não conseguiam criar grande perigo para a baliza de Rensing pois Oddo e Demichelis iam resolvendo os problemas que a equipa do Sporting colocava.

Marcou o Bayern, aos 42 minutos. Por Ribéry, depois de um erro enorme de Derlei e, também, de uma hesitação entre Caneira e Tonel. Uma remate e um golo; eficácia total. Num jogo onde a equipa portuguesa estava a ser melhor. Mas já se sabe o quão frios são estes alemães que assim foram para o intervalo em vantagem. Contudo, essa frieza foi ainda mais visível aos 57 minutos, altura em que Miroslav Klose fez o segundo para o Bayern. Em posição de fora-de-jogo e sem merecer, diga-se. Até porque três minutos antes disso o Sporting dispôs de uma oportunidade soberana para empatar, não fosse Abel ter sido egoísta ao preferir o remate quando tinha Moutinho, isolado, na marca de penalty.

UM AUTÊNTICO PASSEIO ALEMÃO

Paulo Bento tinha então de fazer alguma coisa e decidiu trocar Izmailov e Abel por Vukcevic e Pereirinha. A ideia era dar mais profundidade ao jogo ofensivo e tentar chegar-se à baliza de Rensing mas saiu precisamente o contrário. Foi por essa altura, aos 63 minutos, que Rochemback varreu Lahm dentro da área; penalty que Ribéry converteu com categoria, 3-0. E o Sporting acabou aqui. Não mais incomodou Rensing e teve imensas dificuldades para ultrapassar o meio-campo até. O Bayern galvanizou-se e deu um autêntico amasso. Como mudou o jogo da primeira para a segunda parte. O terceiro golo foi a pedra de toque.

Chegou a ser penoso ver o Sporting da segunda parte, sem chama, sem querer, sem nada, era uma autêntica anarquia. Os erros sucediam-se em catadupa, as oportunidades do Bayern de Munique também; já dava para tudo. Aos 84 minutos marcou Luca Toni, o quarto. O outro, o último, aconteceu já para lá dos 90 minutos. Foram cinco, no final. Uma goleada das antigas que há muito não se via na Liga dos Campeões, principalmente nesta fase. Bem feitas as contas durou até ao primeiro golo o sonho do Sporting. A segunda mão em Munique será apenas uma mera formalidade do calendário.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Atlético Madrid-FC Porto, 2-2: Soube a pouco!


Teoricamente pode dizer-se que foi um bom resultado. Porém, na prática soube a pouco. O FC Porto foi sempre a melhor equipa e demonstrou que tem todas as condições para chegar aos quartos de final; o Atlético conseguiu dois golos sem que tenha feito grande coisa para isso e acumulou erros atrás de erros, principalmente no sector defensivo. A eliminatória podia ter ficado já arrumada mas os portistas desperdiçaram muitas oportunidades. Assim, fica o suspense até ao jogo do Dragão.

Surgiu ainda antes do início do jogo, no aquecimento, a primeira adversidade do FC Porto, com a lesão de Fucile, substituído por Sapunaru no onze titular. Foi então com o romeno no lado direito da defesa que os portistas entrararm num Vicente Calderón efervescente. E podiam ter entrado a ganhar, literalmente. Apenas dois minutos estavam jogados quando Hulk ensaiou o primeiro rasgão pela direita, passou por Antonio Lopez e cruzou para Rodríguez que, só com o guarda-redes Leo Franco pela frente, não conseguiu marcar. Respondeu o Atlético. Com um golo. Agüero entrou no meio-campo do FC Porto, levantou a cabeça e inventou uma linha de passe para Maxi Rodríguez, mesmo ali nas costas da defensiva azul. O capitão dos colchoneros fez o resto e o Calderón transformou-se num autêntico vulcão em erupção.

A missão dos portistas parecia, agora, bem mais complicada. Puro engano, porque a partir da altura em que Lucho e Raul Meireles começaram a ajudar os laterais, o Atlético não mais criou perigo - tirando um bom remate de Diego Forlán, ao quarto de hora de jogo - pois tanto Maxi Rodríguez como Simão não tinham grande margem de progressão e os caminhos estavam bem tapados. Do outro lado, o FC Porto partiu para aquela que foi, talvez, a melhor exibição da época. Só com um problema, um problema grave: a finalização. Aos 18 minutos, Lisandro conseguiu marcar mas o lance foi anulado por fora-de-jogo (muito duvidoso!). Não contou à primeira, haveria de contar à segunda. Pablo Ibañez falhou o tempo de salto e deixou a bola à mercê de Lisandro, que com toda a calma do Mundo, empatou a partida. E repôs justiça no resultado.

UM GOLO CAÍDO DO CÉU AOS TRAMBOLHÕES

O FC Porto estava bem melhor. Dois minutos depois do golo do empate, aos 24', Leo Franco com uma grande defesa impediu que os portistas passassem para a frente do marcador. Quatro minutos volvidos, Hulk apareceu nas costas da defesa do Atlético mas falhou no momento do remate permitindo mais uma defesa a Leo Franco, que juntamente com o desacerto dos dragões ia mantendo o empate. O jogo continuava na mesma toada, sempre com o FC Porto mais perigoso. Oportunidades havia de sobra mas falhava sempre o remate final, o momento de mandar a bola para dentro da baliza. Com tanto falhanço, reapareceu o Atlético. Já em período de descontos da primeira parte, Forlán rematou de fora da área e Helton deu um autêntico frango. A equipa de Abel Resino foi para o intervalo em vantagem. A diferença esteve na eficácia, pois.

A segunda parte começou, novamente, com o FC Porto quase a marcar. Por duas vezes, Lisandro foi o protagonista: logo nos primeiros minutos obrigou Leo Franco a uma defesa enorme; mais tarde, falhou, de forma incrível, o golo só com o guarda-redes pela frente. O Atlético, por sua vez, recorria a remates de longa distância (quem sabe devido ao golo) para assustar Helton. O jogo estava, agora, mais dividido a meio campo, menos intenso junto das balizas. E foi nessa altura que surgiu o golo do empate, o golo tão desejado. Cristian Rodríguez ganhou a bola, endossou-a a Cissokho que, com um cruzamento perfeito, permitiu a Lisandro encostar, finalmente, para o fundo da baliza de Leo Franco. Outra vez empatado.

O golo foi ouro sobre azul para os portistas. Com 2-2 no resultado, era o FC Porto quem mais tinha a ganhar. O Atlético não teve arte, engenho nem imaginação para responder e tentar voltar à vantagem; faltou-lhe garra, sobretudo. E concentração na defesa, onde acumulou erros atrás de erros. Os adeptos assobiavam, com razão. Entretanto surgiu mais um problema para Jesualdo Ferreira: Sapunaru lesionou-se, levando assim à entrada de Pedro Emanuel para o lado direito da defesa. Já se sabe que Emanuel não é propriamente um velocista e isso viu-se quando, a cinco minutos do fim, Forlán passou por si e só não fez estragos maiores porque Fernando, primeiro, e Rolando, depois, foram fundamentais. Aos 94 minutos, apitou Howard Webb para o fim do jogo. Com o 2-2 no resultado, que deixa o FC Porto com a chave da eliminatória na mão.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sorteio UEFA: Até foi bom... teoricamente!

Ponto de ordem: o sorteio da UEFA podia ter sido bem pior. Na Liga dos Campeões, o FC Porto joga com o Atlético de Madrid e o Sporting com o Bayern de Munique. Na Taça UEFA, o Sp.Braga começa por receber os belgas do Standard de Liège. E há encontros entre muita gente conhecida.

Comecemos pelo FC Porto, primeiro do seu grupo, que jogará a primeira mão em Madrid. Face àquilo que era possível, o Atlético é talvez a melhor equipa para os portistas (se é que é possível haver equipas acessíveis nesta fase). Até porque é bom lembrar que havia Inter, Chelsea e Real Madrid - o Real é sempre o Real mesmo quando atravessa períodos difíceis - como possíveis adversários. Quanto ao Atlético, regressa às competições europeias sete anos depois e logo com toda a força, conseguindo-se apurar atrás do Liverpool. Além disso, este jogo vai opor duas equipas bem parecidas, que se conhecem bem. Motivos de interesse de sobra, quanto mais não fosse por causa de os "colchoneros" contarem com jogadores como Aguëro, Forlan e Simão Sabrosa. A que se juntam também Maniche, Paulo Assunção e Seitaridis. Velhos conhecidos, portanto.

O Sporting joga com o Bayern de Munique, o campeão alemão. A equipa leonina não tinha muito por onde escolher (podia ter sido Manchester United, Juventus ou Liverpool, por exemplo) e o Bayern acaba por nem ser muito mau. Isto teoricamente, claro. Porém, embora tenha começado mal a época, a equipa de Jürgen Klinsmann está agora bem melhor e com a máquina afinada. Até porque não é qualquer um que tem Ribéry, Klose e Luca Toni no ataque e deixa Podolski no banco. O problema deve estar mesmo é na baliza, onde Rensing não se tem dado lá muito bem. Mas convenhamos, não deve ser nada fácil substituir alguém como Kahn. De qualquer forma, o Bayern é um gigante do futebol europeu e não tem qualquer derrota na UEFA esta temporada. Tem, por isso, o favoritismo apesar de o Sporting ter boas possiblidades de discutir a eliminatória, tal como disse Paulo Bento.

Atenções agora voltadas para a Taça UEFA e para o Sp.Braga. A equipa de Jorge Jesus vai defrontar o Standard de Liège, treinado por Lazlo Böloni. Esse mesmo que levou o Sporting ao último título de campeão em Portugal. E o que esperar desta equipa belga que tem no jovem Steven Defour a maior estrela? Esse é talvez o maior enigma. Contudo, é uma equipa ao alcance daquele Sp.Braga que jogou com o Milan e com o Portsmouth, por exemplo. Mas atenção que o Standard foi primeiro num grupo onde havia equipas como a Sampdoria e o Sevilha. Tudo em aberto.

Voltando novamente à Champions que para além dos jogos de FC Porto e de Sporting terá três autênticas finais: Chelsea-Juventus, Real Madrid-Liverpool e Inter-Manchester United. É que três deste gigantes já vão ficar pelo caminho, logo nos oitavos. E o reencontro entre Mourinho e Ferguson promete. Os mind-games começam não tarda nada, sir Alex.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

FC Porto-Arsenal, 2-0: Olé Dragão!


O Arsenal veio com a segunda equipa, ok. Além disso já estava apurado, ok. Mas o FC Porto ganhou, ganhou 2-0. E podiam ter sido muitos mais. Arséne Wegner desta vez não riu com o que estava a ver como no jogo de Londres. Mas riu Jesualdo que, pelo segundo ano consecutivo, termina a fase de grupos da Liga dos Campeões em primeiro.

Com o apuramento garantido, Arséne Wenger deu folga às estrelas - Van Persie, Adebayor e Sagna só para falar de alguns - e chegou ao Dragão com uma equipa de jovens, demasiado nova. Por outro lado, o FC Porto foi a jogo com todos os trunfos e mais alguns. Sim, porque interessava ficar em primeiro do grupo e ganhar mais uns milhares. Logo aqui, um ponto a mais para os portistas.

Mas vamos ao jogo, que começou muito dividido a meio-campo. Quase nem eram precisas balizas. O Arsenal estava mais organizado, tinha mais bola enquanto que o FC Porto denotava alguma ansiedade, nervosismo até. Ramsey foi o primeiro a dar um safanão no jogo, com um remate que Helton defendeu bem. Respondeu depois Lisandro, libertando-se de Gallas e obrigando Almunia a uma defesa apertada. Foi o mote para que os portistas se superiorizassem ao Arsenal e assumirem o controlo das operações. Controlo reforçado pelo golo. O primeiro. O golo de Bruno Alves. Após canto de Raul Meireles, o central portista ganhou a Diaby e cabecou para o fundo da baliza. 38 minutos, 1-0. Sem espinhas.

O SEGUNDO GOLO E OS OLÉS

A segunda parte começou com a equipa portuguesa melhor que o Arsenal. Muito melhor, diga-se. Aos 53 minutos, Lisandro recebeu a bola de Fernando, correu para a baliza e marcou o segundo golo. Um golaço. A partir daqui, foi um vendaval de golos desperdiçados: Rodríguez por duas vezes, uma de Lucho e ainda outra (incrível) de Mariano González. O Arsenal, esse, fazia figura de corpo presente. Até porque na segunda parte Helton não fez uma única defesa. Ouviram-se "olés", o público gostou. Pena só terem sido dois.

É verdade que se o Arsenal tivesse jogado com a equipa principal (de onde escaparam Almunia, Gallas e Silvestre) o jogo teria sido certamente diferente. Mas para a História fica a vitória do FC Porto. Com categoria. Olé!

Basileia-Sporting, 0-1: serviços mínimos

O Sporting cumpriu os serviços mínimos, quase obrigatórios em Basileia. É certo que o apuramento já estava confirmado há muito, mas não é bom perder nem a feijões. Ainda por cima quando há milhões em jogo.

Mesmo com a clara diferença entre as duas equipas, o jogo teve duas partes bem diferentes: a primeira foi completamente dominada pelo Sporting, a segunda foi mais dividida e o Basileia teve as melhores oportunidades. Um domínio consentido pela equipa portuguesa que adormeceu no reatamento. Mas já lá vamos.

Debaixo de um frio de cortar, o Sporting não precisou de muito tempo para assumir o controlo do jogo. Com Moutinho a comandar no meio-campo e com Pereirinha muito bem nas subidas, a baliza de Constanzo era o principal foco de interesse. O golo anunciava-se. Por duas vezes, Derlei esteve perto de o conseguir mas não teve arte nem engenho. Não teve Derlei, teve Yannick Djaló que aproveitando um cruzamento de Izmailov empurrou para o fundo da baliza do Basileia. Simples.

Os suiços lá tentaram reagir, mas sem sucesso (equipa fraquinha!). Contudo, no reatamento a equipa portuguesa tirou o pé do acelerador, permitindo ao Basileia chegar à baliza de Tiago. Paulo Bento bem pode agradecer ao guarda-redes a vitória. Não havia necessidade.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sporting-Barcelona, 2-5: a vantagem de ser um dream-team


O Sporting tinha uma oportunidade soberana para ser primeiro do grupo. Para isso era preciso ganhar ao Barcelona. Objectivo falhado. O jogo era em Alvalade, sim senhor, mas este Barça nunca brinca e marca golos que se farta. Desta vez, foram cinco. Um, dois, três, quatro, cinco.

Com as duas equipas já apuradas, este jogo podia ser visto como uma mera obrigação de calendário. Desengane-se quem pensava isso, até porque não é todos os dias que se defronta uma das melhores equipas da Europa. Ainda para mais este Barcelona de Guardiola, que muitos já apelidam de "dream-team" a fazer lembrar os tempos de Cruyff. E estava, sobretudo, o primeiro lugar do grupo em jogo (e os respectivos milhões, é lógico). O que por si já valia o bilhete.

O Sporting respeitou em demasia o adversário. Uma equipa apática, receosa, sem ideias. O Barça entrou com tudo e o remate de Xavi à barra, logo aos 7 minutos, deixou os adeptos com a firme certeza de que não ia ser um jogo de cavalheiros. Até porque Messi estava em campo. Ele e as suas diabruras. Estavam decorridos 14 minutos, quando o argentino escapou pela esquerda, deu um nó cego a Daniel Carriço e serviu Henry. Golo, pois. Quatro minutos depois, foi o segundo, com uma ajuda involuntária de Polga à festa. Vinte minutos, 2-0. Foi assim até ao intervalo. Um Sporting sem criar perigo, sem emoção e um Barcelona de top, mesmo sem ter que aumentar muito o ritmo.

A ILUSÃO TRAÍDA POR CANEIRA

Ao intervalo e com o total controlo das operações, Pep Guardiola poupou Henry e fez entrar Bojan Krkic (mais um diabo à solta). Cinco minutos depois do reatamento, Messi voltou a fazer das suas, marcando o terceiro golo do Barça. E estava concluído o trabalho do mágico. Escusado será dizer que os blaugrana tiraram o pé do acelerador, permitindo ao Sporting aproximar-se da baliza de Valdés. Como aos 65 minutos, altura em que Miguel Veloso marcou um golaço de livre directo. E, no lance seguinte, quando Liedson meteu Marquez num bolso e reduziu ainda mais a desvantagem leonina. Era o 2-3 e voltava a ilusão de que a equipa de Paulo Bento poderia tirar mais qualquer coisa deste jogo.

Ilusão, só isso. Dois minutos depois do golo do Levezinho, o Barça chegou ao quarto, num autogolo de Caneira - dois autogolos num jogo são coisas do arco-da-velha. E, para completar o resultado, Rui Patrício cometeu penalty sobre Bojan. 2-5, claro está. Tudo contado.

"Aos jogadores do Sporting só faltou pedir autógrafos" (Pedro Sousa, RR)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fenerbahçe-FC Porto, 1-2: apagar o inferno!

Já está, acabou! O FC Porto apurou-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Num jogo de emoções em Istambul, os portistas fizeram uma grande primeira parte e depois souberam sofrer. O Fenerbahçe bem pode fazer a trouxa. E nem foi preciso um comandante.

Jesualdo Ferreira tinha à partida um problema: não podia contar com Lucho, a estrela da companhia. Jogou Tomás Costa no lugar de "El Comandante". E a equipa entrou bem, pressionante, aguerrida. O Fenerbahçe estava desnorteado, errava muitos passes e não conseguia ligar uma jogada. Aos 12', Raul Meireles mostrou que o ambiente infernal de Istambul não fazia mal a ninguém, com um remate de primeira que Volkan Demirel parou com uma grande defesa. Era um prenúncio do que aí vinha!

O Fenerbahçe dava uma casa atrás da outra e o FC Porto aproveitou. Aos dezoito minutos, o primeiro golo: depois de um grande passe de Fernando, Bruno Alves cruzou para área e Lisandro rematou para dentro da baliza de Demirel (andou a ver navios!). Um gelado argentino. Contudo, apenas dois minutos depois, Edu Dracena esteve perto, pertinho de empatar. Mas não passou disso.

A equipa turca continuava a tremer por todos os lados e o FC Porto voltou a marcar. Outra vez Lisandro, agora depois de um lançamento de Fucile. Alguém queira mais? Tomás Costa, pelos vistos, queria. Lançado em velocidade por Meireles, o argentino fez um chapéu a Demirel e quase marcou um golo de levantar o estádio. Quase, porque a bola bateu no poste. Aos 33 minutos, podia ter sido o xeque-mate. Não foi e o FC Porto chegou ao intervalo com dois golos de vantagem e o apuramento no bolso. Ganhava e convencia.

KAZIM ÀS TRÊS TABELAS

Para a segunda metade, Luis Aragonés colocou Kazim Kazim para tentar mais qualquer coisa. E o que é certo é que o Fenerbahçe melhorou. A defesa do FC Porto tremeu e, logo no primeiro minuto, os turcos quase marcaram. O jogo estava agora mais dividido e mais próximo da baliza de Helton. Aos 59 minutos, Hulk teve uma oportunidade soberba para acabar, definitivamente, com o jogo, mas não conseguiu passar por Demirel. Como quem não marca sofre, foi a vez do Fenerbahçe reduzir: Kazim Kazim rematou, a bola bateu em Bruno Alves e traiu Helton. E de um momento para o outro, um jogo que parecia resolvido voltou a ter emoção.

O Fenerbahçe mandou-se para cima da área do FC Porto, sempre em busca de um novo golo. Sem sucesso, diga-se, porque os portistas mostraram uma enorme maturidade e arragaram com unhas e dentes a vantagem. Sem espinhas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dínamo Kiev-FC Porto, 1-2: gelar a Ucrânia!

Ufa! Vamos por partes: o FC Porto ganhou ao Dínamo, em Kiev, e está agora bem mais próximo da passagem aos oitavos, dependendo apenas de si. Dez minutos finais de loucos, electrizantes, dramáticos até deram a vitória aos dragões.

Os portistas foram para a Ucrânia com um e um só pensamento: ganhar. Para isso, Jesualdo fez três alterações em relação ao último onze: Helton regressou à baliza depois da experiência (mal sucedida) com Nuno, Tarik foi titular e Pedro Emanuel foi o lateral esquerdo - nem Lino nem Benítez, na ausência de Fucile.

A primeira parte pareceu uma autêntica fotocópia do jogo do Dragão: o FC Porto com o controlo do jogo, com uma bola no poste e com o Dínamo a marcar no primeiro remate à baliza portista. Aos 20 minutos, a tarefa complicava-se, e de que maneira, para a equipa portuguesa.

O INCRÍVEL HULK E EL COMANDANTE

Mas, desta vez houve uma diferença em relação ao jogo de há quinze dias. Uma grande diferença, a atitude. O FC Porto foi para cima do adversário (não sufocou, nada disso), que se fechou nos seus últimos 30 metros. Mas faltava quem empurrasse a bola para dentro da baliza. Daí que ao intervalo, o treinador portista tenha trocado Tarik Sektioui, pouco em jogo, por Hulk. E foi com esta troca que o campeão nacional criou mais perigo para a baliza de Bogush.

Aos 70 minutos, livre cobrado por Raul Meireles, cabeceamento de Rolando e golo do FC Porto. O golo do empate, que dava nova vida aos portistas, que deixava o apuramento mais perto. Foi a partir deste momento, que o jogo deu uma volta de 360º, ficou partido, muito mais emotivo. O Dínamo aproximou-se da baliza de Helton (em grande no regresso), chegando até a atirar uma bola ao poste e, do outro lado, Lisandro teve na cabeça uma grande oportunidade para virar o resultado e dar o xeque nos ucranianos.

Porém, o melhor estava mesmo reservado para o fim. Primeiro minuto do tempo de descontos, Lisandro fugiu pela direita, cruzou para a área e Lucho só teve de empurrar. Euforia total, provada até pela expulsão de El Comandante depois de ter tirado a camisola, quando já tinha um amarelo. Que final de loucos!

Com esta vitória, o FC Porto tem a faca e o queijo na mão. E na Turquia, frente ao Fenerbahçe, pode fazer a tosta.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sporting-Shakthar, 1-0: oitavos aí vão eles...

O Sporting está nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Num jogo sem grandes oportunidades, em que os guarda-redes quase que podiam ser dispensados, Derlei marcou o único golo. O golo que dá a inédita passagem à equipa leonina. O golo que dá os milhões.

Na primeira parte, nenhuma das equipas saiu da cepa torta. Num jogo onde quase não eram precisas balizas, muito discutido, enfim sem grandes motivos de interesse. Apesar de o Sporting ter o controlo da partida, era o Shakthar quem criava mais perigo, muito por culpa da acção de Fernandinho e do lateral Srna (joga a 100 à hora). A equipa leonina usava e abusava do jogo directo para Liedson (não se viu) e Postiga. Até ao intervalo, o jogo foi insosso, sem saborão. À semelhança daquilo que se viu em Donetsk.

A FORÇA VINDA DA BANCADA

A segunda metade começou na mesma toada. Controlo do Sporting, Shakthar mais perigoso mas a jogar muito longe da área de Rui Patrício. Até aos 61 minutos, altura em que o jogo finalmente ficou mais vivo, mais vibrante. Primeiro num livre de Veloso em que ninguém conseguiu empurrar a bola para dentro da baliza e depois numa tentativa de desmarcação de Liedson para Postiga, sem sucesso. O Sporting estava, agora, por cima do adversário e esteve perto, perto de marcar: cruzamento de Abel e Liedson, à meia-volta, rematou ao lado do poste da baliza de Pyatov. O Shakthar ia criando perigo através das investidas de Srna, mas não contava com grande apoio.

O momento alto chegou, enfim: Izmailov teve um grande trabalho no lado direito (já dentro da área), serviu Derlei e o Ninja não deu hipóteses a Pyatov. Estava feita a História aos 73 minutos. Sim, porque até final foi só gerir e contar com uma defesa imperial que guardou a sete chaves o tesouro.

Para terminar, uma palavra para o público de Alvalade: fantástico. Projectou a equipa para a vitória.