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terça-feira, 14 de julho de 2009

Jesualdo Ferreira, o construtor

É incontornável que, ao projectar o novo ano do FC Porto, não se comece por falar das saídas de Lucho e Lisandro. São jogadores demasiado importantes para serem esquecidos num estalar de dedos. A época passada, por esta altura, saíram Paulo Assunção, Quaresma e Bosingwa. Jesualdo Ferreira teve uma verdadeira bomba-relógio nas mãos: a construção de uma nova equipa. Chegaram Fernando, Rolando, Hulk, Rodríguez e, mais tarde, Cissokho. O FC Porto, apesar de um começo aos solavancos, sagrou-se campeão sem qualquer margem para dúvidas. Foi, reconhecidamente, um título que teve muito do professor. Também a nível da construção de jogadores.

Agora volta tudo à estaca zero. Ou quase. Jesualdo volta a ter a missão de reconstruir a equipa, colmatando principalmente as ausências da dupla argentina que tão bem se deu em Portugal. Foram duas pedras-chave nas conquistas recentes do clube, sempre utilizados. Não será fácil apagá-los da memória dos adeptos portistas. Contudo, para isso, o clube já contratou o médio, também do país das pampas, Fernando Belluschi para fazer o lugar de Lucho. No ataque, como já foi confirmado por Pinto da Costa, Radamel Falcão é uma boa hipótese embora não seja certo o negócio. Porém, o plantel está ainda longe de estar fechado. Jesualdo está ainda sem saber com quem vai contar. Mas ele gosta destes desafios.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O título do FC Porto e de Jesualdo Ferreira

É uma opinião unânime: o FC Porto foi um justo campeão porque provou ser mais forte e soube aproveitar os erros dos rivais. Porventura, este foi o título mais difícil de alcançar desde que Jesualdo Ferreira chegou. A época não começou bem, muito longe disso, não só a nível interno mas também na Liga dos Campeões. Disse-se que o FC Porto estava numa crise. E era, de facto. Na Liga Sagres, teve um mau período com duas derrotas consecutivas, frente ao Leixões e à Naval, chegando mesmo a estar a cinco pontos do Benfica. Porém, a segunda volta foi avassaladora. E a concorrência ultrapassada, com naturalidade.

Em 2008-09, o FC Porto teve de construir uma equipa. Saíram jogadores fundamentais como Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma. Era preciso encontrar soluções, encontrar substitutos. Jesualdo Ferreira conseguiu-o, com enorme mérito. Não foi fácil, o treinador foi questionado e até se falou numa possível saída. No entantom, Jesualdo acreditou sempre no valor da sua equipa. E em si mesmo. Conseguiu integrar e formar jovens jogadores vindos de clubes inferiores como Rolando, Fernando, Hulk ou, principalmente, Cissokho. Tornou-os campeões. Não veio um substituto puro para Quaresma. Mudou-se o esquema, os jogadores passaram a ter outras funções. Lucho e Lisandro, duas peças-chave, foram obrigados a um enorme desgaste.

Este foi o maior mérito de Jesualdo Ferreira. Não herdou uma equipa, construiu. Trabalhou-a, moldou-a, fez experiências e acabou por ser feliz. Somou o seu terceiro título na temporada em que conseguiu melhores resultados no FC Porto. Além disso, com a suspensão de Pinto da Costa, o treinador foi obrigado a estar isolado na defesa do clube. Excessivamente isolado, por vezes. Mostrou ser um verdadeiro líder. Pode não se admirar o estilo, pode-se dizer que não gosta de correr muitos riscos mas não há dúvidas que Jesualdo tem mostrado bons resultados. Por isso, é justo que continue no Dragão.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O jogo mais importante sem Jesualdo

O FC Porto tem amanhã o jogo mais importante da época. Um jogo que, em caso de vitória, lhe abre as portas das meias-finais da Liga dos Campeões e, talvez, até da final de Roma. A partida de Old Trafford, culminada com uma exibição enorme, categórica, sublime dos portistas, deixou água na boca para a segunda mão. Arrisco-me até a dizer, e não serei certamente o único, que foi bem melhor a exibição do que o resultado, terminado com um empate a dois. Amanhã, no Dragão, tudo é possível e embora os portistas levem alguma vantagem não é significativa porque Alex Ferguson colocará a carne toda no assador e o jogo será naturalmente diferente. Até pelo poderio do Manchester.

As expectativas são elevadas, os adeptos têm confiança numa grande noite europeia. Porém, o FC Porto teve já uma contrariedade, ainda antes de entrar em campo: Jesualdo Ferreira, o treinador, não vai poder estar no banco. Foi castigado pela UEFA devido a um "gesto impróprio" , um manguito, no jogo frente ao Atlético de Madrid aquando da anulação de um golo a Lisandro, no jogo do Vicente Calderón. É uma situação algo delicada pois é óbvio que os jogadores se ressentem da falta do treinador, do líder, da voz de comando. Além disso, Jesualdo nem sequer poderá contactar com os seus adjuntos.

Voltando ao jogo frente ao Manchester, acredito que o FC Porto tenha boas possibilidades de passar. Não concordo, porém, que se diga que os portistas são favoritos apesar de jogarem em casa e terem vantagem na eliminatória porque os red devils são uma potência do futebol mundial, capaz de feitos só ao alcance de grandes jogadores. E o United tem-nos. Mas o FC Porto, como demonstrou em Inglaterra, também. Agora, oonho e a ambição comandam num Dragão que estará a abarrotar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ter preconceitos

Reconheço que duvidei que Fernando e Cissokho fossem jogadores para se imporem no FC Porto. Isto apesar das boas épocas que conseguiram no Estrela e no Vitória de Setúbal, respectivamente, sem que se possam fazer comparações entre as equipas. Não fui o único, por certo. Contudo, agora ninguém duvida das suas qualidades. O jogo de Manchester serviu para isso mesmo: ambos estiveram em grande destaque e até Jesualdo Ferreira, contrariando aquilo que habitualmente faz, elogiou a forma como os jogadores se portaram em Old Trafford. Ambos não têm experiência europeia, ambos chegaram esta época mas deixaram bem provado que os preconceitos não passam disso mesmo, de noções tidas antes do tempo certo.

Reconheço também que nem sempre acreditei no trabalho de Jesualdo Ferreira. Aqui, mais uma vez, também não fui o único. Porém, a sua terceira época no FC Porto está a ser a melhor da sua carreira pois tem o campeonato e a Taça de Portugal bem encaminhados e conseguiu algo não alcançado desde Mourinho, ou seja, aos quartos-de-final da Liga dos Campeões - e recorde-se, está em vantagem na eliminatória com o campeão europeu, Manchester United. Com a época ainda em curso, muito se tem falado da renovação (ou não!) de Jesualdo pois ainda não há uma confirmação oficial de que isso venha a acontecer. A mim parece-me que Jesualdo Ferreira merece essa renovação. Sobretudo por esta época. E tem mérito, obviamente, naquilo que se falou na primeira parte do texto: a formação de jogadores.

Por fim, tenho de reconhecer que fiquei desiludido com Quique Flores e o seu Benfica. Um treinador novo, metódico e frontal que disse querer devolver aos encarnados a grandeza de outrora; Rui Costa ficou com a pasta do futebol e tratou de compor um plantel que pudesse dar essas garantias, o melhor da última década, contando com jogadores de classe internacional como Aimar, Suazo ou Reyes. Fazendo uma retrospectiva, é claro que muito se prometeu e pouco se cumpriu. A época não correu da forma pretendida com as eliminações da Taça de Portugal e da Taça UEFA e também com a conquista do campeonato muito complicada, a Taça da Liga acaba por ser uma espécie de salvação embora esta não tenha ainda real importância no panorama do futebol português. Pior do que isso só as exibições como a que foi possível ver na Amadora: sem chama, sem garra, sem atitude. O Benfica é, por isso, uma equipa de extremos capaz do melhor e do pior. Ora, um candidato ao título não pode ser tão incostante. Nem Quique Flores pode fazer tantas experiências e tantas mudanças na equipa que apresenta semana após semana. As mudanças na baliza servem apenas para o comprovar.

domingo, 15 de março de 2009

A incógnita de Jesualdo Ferreira

O campeonato aproxima-se do fim e o FC Porto é, novamente, o mais sério candidato a vencer mais um título tendo uma oportunidade de ouro para se distanciar dos rivais em caso de vitória, hoje, sobre a Naval. Está também nos quartos-de-final da Liga dos Campeões após ter eliminado com categoria o Atlético de Madrid. Por isso mesmo, há um tema que tem sido recorrente nesta altura: a renovação de Jesualdo Ferreira. O treinador acaba contrato no final desta época e ainda nada está definido. Jesualdo fecha-se em copas e só diz querer ganhar, ganhar e ganhar. Mas até os próprios adeptos se mostram divididos no que toca a esse assunto.

De um lado estão os resultados que o FC Porto de Jesualdo consegue - esta temporada é, talvez, a melhor do professor no comando dos portistas se virmos bem todas as competições - mas de outro as exibições menos conseguidas e que não costumam entusiasmar. As opções de Jesualdo Ferreira são também discutíveis, por vezes, sendo apelidado de receoso e de não ter o hábito de arriscar muito em alturas do tudo ou nada. Porém, há que reconhecer os seus méritos naquilo que o FC Porto tem conseguido nos dois últimos anos e em formar jogadores: Bruno Alves e Fernando são os maiores exemplos.

Por tudo o que isso representa, as conquistas recentes dos portistas não se podem resumir a demérito dos adversários. O campeonato do ano passado, ganho com mais de vinte pontos de vantagem sobre o segundo classificado, não foi obra do acaso. Resultou de trabalho, de concentração, de aproveitamento. Esta época, o FC Porto mantém-se na liderança da Liga Sagres, nos quartos da Liga dos Campeões e nas meias-finais da Taça de Portugal tendo apenas perdido a Taça da Liga. Soube ultrapassar uma fase má em que tanto as competições internas como as competições europeias chegaram a estar em xeque. O que significa que continue ou não, Jesualdo terá sempre o seu dever cumprido.

sábado, 1 de novembro de 2008

Aqui há crise...


Não há duas sem três. O FC Porto perdeu pela terceira vez consecutiva. Frente à Naval, na Figueira, depois de Dínamo de Kiev e Leixões. O que já não acontecia desde que farmácia se escrevia com "ph". Um autêntico desnorte.

Os portistas nunca estiveram em campo. Literalmente. Sem atitude, sem garra, sem chama. Apenas duas (sim, duas!) grandes ocasiões de golo. Primeiro quando Lisandro permitiu uma grande defesa a Peiser; depois num cabeceamento de Bruno Alves ao poste. De resto, não houve ideias, nem audácia e, principalmente, não houve inspiração.

Jesualdo também não escapou ao desastre. Naufragou tacticamente. Mandou Lino para a bancada para apostar em Benítez para lateral esquerdo, ao intervalo passou Tomás Costa para essa posição e acabou com Raul Meireles. São trocas a mais e não há sistema que resista. Mas não é o único culpado, evidentemente. Não houve Lucho, nem Rodríguez, nem Lisandro. Sapunaru esteve desastrado, Nuno falhou (e de que maneira) no golo.

O campeão está em crise. É inegável.


PS: Grande atitude de Bruno Alves no final do jogo. Falou com os adeptos e com os jornalistas sem rodeios. Grande.