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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Foi cobardia, sim senhor!

A decisão de Scolari em nunca convocar Vítor Baía para a Selecção Nacional foi a polémica que fez correr mais tinta em Portugal, nestes últimos anos. Apito Dourado à parte, é lógico. Uma decisão que ninguém percebe.

Vítor Baía falou, ontem, pela primeira vez sobre Scolari. Sim, porque durante todos estes anos, não fez uma única crítica ao seleccionador para não criar as tais pressões. E falou para dizer que ainda espera uma explicação por não ter sido convocado e para dizer que Scolari foi cobarde. O agora treinador do Chelsea respondeu dizendo que foi apenas "opção técnica". Como é que o melhor guarda-redes da Europa não é convocado para a Selecção por "opção técnica"? Alguém percebe? Eu acho que é impossível perceber.

Depois é claro que se criam as teorias da conspiração. Ou Vítor Baía criava instabilidade no grupo; ou era testemunha de não sei o quê; ou se fosse convocado era sinal que o seleccionador estava a ceder a pressões exteriores e bla bla bla. Algumas delas ridículas. Mas afinal e, segundo Scolari, a explicação é simples: opção. Não entendo! Alguém entende?

Mas há mais. Com a chegada de Carlos Queiroz, parece que Ricardo perdeu de vez a titularidade da baliza de Portugal. Ele que era intocável para Scolari. Assim à primeira vista, pode parecer que estamos perante dois casos muito semelhantes. Mas nada disso! Ricardo não tem lugar no Bétis, o seu clube. Por isso não joga na Selecção. Vítor Baía era simplesmente o melhor da Europa. Semelhanças? Nenhumas.

Foi cobardia, sim senhor.

Cobardia e opções esquisitas

Vítor Baía voltou à carga. Numa entrevista à Rádio Renascença, o director das relações externas do FC Porto criticou Scolari e disse, ainda, não saber o porquê do seu afastamento. Mas alguém sabe?

"É algo que me entristece bastante, acima de tudo a não frontalidade e a cobardia das pessoas, nomeadamente a do antigo seleccionador nacional em não assumir publicamente as razões do meu afastamento." Mas será que Vítor Baía acredita que Scolari um dia lhe explicará, pessoalmente, os motivos do seu afastamento? A resposta foi clara: "Não, não acredito que tenha coragem porque nunca a teve e agora foi o Carlos Freitas através de um livro que veio falar da minha ausência da Selecção, com motivos que a mim me soam a ridículos. Acaba por ser a voz do próprio Scolari, mas cobardemente, porque não teve coragem de o dizer pessoalmente", disse o ex-guarda-redes do FC Porto.

O tal livro de que Vítor Baía fala é Luiz Felipe, o homem por trás de Scolari, da autoria do jornalista José Carlos Freitas, publicado logo depois do Euro 2008. Nesse mesmo livro, são apontados dois motivos para a não convocatória do então guarda-redes do FC Porto: um deles é o facto de alguns jogadores da Selecção se terem queixado; o outro é que caso Scolari convocasse Baía estaria a ceder às pressões do FC Porto e de José Mourinho.

SCOLARI: "FOI OPÇÃO TÉCNICA"

Confrontado com as críticas de Vítor Baía, Scolari reagiu, dizendo que foi apenas opção técnica. "As escolhas que fiz na época e as que faço agora são de acordo com as minhas convicções. Já falei 120 vezes a mesma coisa, que foi por opção técnica", disse o agora treinador do Chelsea, sem querer falar mais do assunto.

Pronto, está explicado. O melhor guarda-redes da Europa não foi convocado por "opção técnica". Continuamos na mesma.

sábado, 12 de julho de 2008

Vítor Baía


O nome não deixa ninguém indiferente. Vítor Baía. Foram dezoito anos ao mais alto nível... Com sucessos e fracassos, naturalmente!

Tudo começou em Guimarães. Numa tarde de sol do dia 11 de Setembro de 1989 - este de boa memória. Mlynarczyck, o habitual titular, estava lesionado na clavícula; Zé Beto estava a contas com um processo disciplinar. O treinador, Quinito decidiu então chamar um júnior que já há algum tempo trabalhava com o plantel principal.
Um miúdo precocemente velho, disse depois o treinador, impressionado pela frieza e confiança que o guarda-redes tinha demonstrado. Vítor Baía crescera depressa. Mental e fisicamente. Ele que, quando ingressou no FC Porto - com apenas 14 anos - trazido pelo seu treinador do Académico de Leça deixou os dirigentes desconfiados pela sua baixa estatura. Mas o miúdo estava crescido e com apenas 18 anos ganhou a titularidade da baliza portista que só foi interrompida por motivos de força maior.

BARCELONA, REGRESSO, SCOLARI E A PERDA DA TITULARIDADE

O primeiro grande motivo foi a transferência para Barcelona, em 1996, depois de já ter ganho várias distinções e ter batido o recorde nacional (que ainda hoje se mantém) de inviolabilidade. Esteve 1192 minutos sem sofrer golos. Foi então que se transferiu para os blaugrana, juntamente com Bobby Robson e Mourinho, permitindo ao FC Porto um encaixe de 5,5 milhões €.

Em Espanha teve um primeira época de sonho, onde foi eleito o melhor guarda-redes da liga espanhola e uma época de pesadelo. Começou com uma lesão no joelho esquerdo (a primeira de muitas) e acabou com os conflitos com o treinador holandês Van Gaal que o tornaram suplente de Hesp e lhe abriram as portas da saída. Foi então que Baía decidiu regressar ao seu clube de sempre... Apesar de ter propostas de clubes como o AC Milan.

Nas Antas foi recebido de braços abertos. Numa altura em que os portistas não encontravam um guarda-redes que o pudesse substituir, Vítor Baía era mesmo a opção indicada para suceder a ele próprio.
Apesar de tudo, não foi assim tão simples. Acumulou lesões atrás de lesões e esteve praticamente dois anos parado. Mesmo assim conseguiu estar em grande nível no Euro'00. Voltou-se a lesionar, mas recuperou em cima da meta para o Mundial 2002. No último amigável antes da prova, fez uma exibição soberba contra a China e ganhou a titularidade a Ricardo - que tinha jogado a fase de apuramento juntamente com Quim. O Mundial correu mal a toda a gente e Baía acabou por pagar por isso, apesar de não ter sido tão culpado como quiseram fazer passar.
Depois do Mundial da Coreia-Japão só jogou mais uma vez pela Selecção, em Inglaterra, quando Agostinho Oliveira era o seleccionador. Chegou Scolari e Vítor Baía não mais foi convocado. O guarda-redes da "Geração de Ouro" foi excluído da Selecção sem nunca ninguém saber porquê. A não ser Scolari, é claro.

Porém, no FC Porto, Vítor Baía continuou a provar que era o melhor guarda-redes português. Depois de ultrapassado um processo disciplinar por problemas com Mourinho, teve as melhores épocas de sempre. Venceu uma Taça UEFA e uma Liga dos Campeões para juntar à Taça das Taças, ganha em Barcelona e tornar-se num dos dez jogadores que venceram as três competições europeias. Em 2003-04 foi considerado pela UEFA como o melhor guarda-redes da Europa. Em 2004-05 o melhor guarda-redes da SuperLiga, numa época em que teve exibições estrondosas. Mas continuava fora dos eleitos de Luiz Filipe Scolari!

Os anos de ouro de Baía chegaram ao fim, em Janeiro de 2006, quando um "frango" na Amadora levou Co Adriaanse a trocá-lo por Helton. Mesmo assim, e depois de encostado por Adriaanse, Baía voltou a brilhar: a 22 de Março de 2006, no desempate por penaltis contra o Sporting. O 99 defendeu o remate de João Moutinho e lançou o FC Porto para o Jamor. Onde mais tarde, Adriaanse viria a conquistar a dobradinha. Ironia do destino... ou talvez não!
Foi então que Vítor Baía mudou de funções. Deixou de ser aquele homem das defesas impossíveis e passou a ser o "suporte" do balneário azul-e-branco. Co Adriaanse, Helton e mais tarde Jesualdo Ferreira nunca se inibiram de lhe agradecer publicamente. Na última época como profissional, Baía jogou apenas 4 minutos, na festa do título, com o Aves. Entrou e o estádio quase que foi abaixo... O mesmo estádio que em cada cruzamento gritava: "Baíaaaa!!".

"O Baía" sempre foi o meu ídolo. E eu pude despedir-me dele aplaudindo de pé - assim como os outros 50 mil que estavam no estádio - aquando do seu último jogo para o campeonato. Também por isso não podia deixar de lhe dedicar um espaço no FUTEBOLÊS.

Obrigado, campeão!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ricardo: será o fim?

Não gosto de Ricardo. Nunca gostei! Mesmo assim, nas épocas douradas do Boavista (não tem nada que ver com o "Apito"), cheguei mesmo a considerá-lo o melhor guarda-redes português. Foi um dos principais obreiros deste título. Mas nos anos seguintes, e desde que esteve no Sporting, nunca mais se encontrou. Foi sempre um guarda-redes inseguro, errante e acima de tudo, um autêntico desastre nos cruzamentos.
Mesmo com tudo isto, Scolari nunca prescindiu dele, até quando José Peseiro o colocou no banco do Sporting. Ricardo tornou-se assim um indiscutível na Selecção. Sem nunca ter sido um grande gurda-redes. Que só Scolari nunca quis ver... É certo que teve muito mérito em 2004 e 2006, graças aos penaltis - onde é especialista - mas uma mão não lava a outra.
Falhou sempre nos momentos decisivos. Falhou na final do Euro'04, no golo de Charisteas; falhou na final da Taça UEFA em 2005, onde o Sporting perdeu, em Alvalade, com o CSKA de Moscovo por 3-1; falhou na Luz, no jogo que (praticamente) decidiu o título de 2005; voltou a falhar na Suiça, no jogo com a Alemanha. Não que a culpa tenha sido exclusiva dele, mas um guarda-redes de topo não pode errar assim. E Quim há muito que desespera por uma oportunidade.
Agora, com a saída de Scolari para o Chelsea, Ricardo tem - pela primeira vez em cinco anos e meio - o lugar na baliza ameaçado. Uma ameaça que Vítor Baía, melhor guarda-redes da Europa em 2004, não conseguiu ser! Mas isso também já é outra conversa.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sir Vítor Baía


Pois bem, Vítor Baía foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Oficial da Ordem do Infante, no âmbito dos festejos do Dia de Portugal, que decorreram em Viana do Castelo.
Uma distinção que enche Baía de orgulho: “Este prémio é um motivo de orgulho muito grande. É um prémio por uma carreira intensa e de grande sucesso individual e colectivo”, explicou.

"Vem repor alguma justiça..."

Vítor Baía não quis, no entanto, associar a distinção a um eventual conforto pela sua exclusão da Selecção: “Uma coisa não compensa a outra, mas esta distinção vem acima de tudo repor alguma justiça ao trajecto que fiz na Selecção Nacional”, afirmou sem mais se referir a esse assunto. Que dizer deste fenomenal desportista? E que dizer deste português que nunca virou as costas a um país que muitas vezes foi injusto para consigo? E que dizer do jogador com mais títulos do Mundo? Que dizer? Apenas muito obrigado, Vítor!!

Foto: www.maisfutebol.iol.pt