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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Liedson e a Selecção

Carlos Queiroz chamou, à primeira oportunidade, Liedson para fazer parte da Selecção portuguesa que irá atacar os jogos com a Dinamarca e a Hungria. Tratam-se de dois jogos absolutamente cruciais, de vitória obrigatória, para Portugal poder marcar presença no Mundial 2010. A chamada do jogador agora português, longe de ser consensual, era esperada face à crise de golos que a Selecção tem vivido. No entanto, Queiroz não poderá cair na tentação de alterar toda a sua filosofia e o modo de jogar para integrar Liedson.

Poderemos começar pela legitimidade da chamada do jogador do Sporting à Selecção nacional. Na opinião de alguns adeptos, tal não deveria ter acontecido. Duas objecções colocadas passam pelo crescente número de naturalizados - com Liedson serão três - e ainda pela idade do avançado - com trinta e dois anos é uma solução de momento e não com vista para o futuro - que contrasta com a renovação que Carlos Queiroz tem procurado levar a cabo. Pessoalmente, mantenho a minha visão desde o princípio: depois de Deco e Pepe, Liedson tem toda a legitimidade para ser chamado. Afinal, é a essa a vontade do treinador e do jogador.

Porém, existe essa tal diferença de idades entre Liedson e os outros dois naturalizados. É compreensível que se fale dos trinta e dois anos do Levezinho porque, caso Portugal falhe a ida à África do Sul, poucas mais oportunidades terá para se mostrar e ser útil à nossa Selecção. Seja como for, creio que, neste momento, Carlos Queiroz e os portugueses apenas se têm de preocupar com a qualificação para o Campeonato do Mundo do próximo ano. Só depois, olhar para novos horizontes que passarão pela renovação da equipa.

Com a inclusão de Liedson, surge outro problema: o esquema táctico. Queiroz afirmou, numa entrevista recente, que o 4x4x2 em losango seria a nova fórmula que aplicaria. Para Liedson é perfeito: está habituadíssimo a ele no Sporting e gosta de jogar com um parceiro na frente de ataque. No entanto, neste passado recente, nunca foi utilizado na Selecção. E poderá ser prejudicial para alguns jogadores. Para Cristiano Ronaldo, sobretudo, pois poderá passar a jogar como segundo ponta-de-lança e sabemos que essa não é a posição onde é mais forte. Neste momento, certo apenas que Carlos Queiroz apostará no losango.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

A naturalização de Liedson

A naturalização de jogadores é um tema que serve para inúmeras conversas e outras tantas opiniões. Em Portugal, neste momento, isso também acontece em torno de Liedson. O avançado brasileiro-que-agora-também-será-português do Sporting é um jogador de enorme qualidade. Aliás, muitas vezes tem sido ele o abono de família da equipa leonina. É um caso em que se junta a fome à vontade de comer: Liedson joga cá, nunca foi chamado à selecção brasileira e quer representar Portugal, ao passo que os responsáveis nacionais há muito procuram um digno sucessor de Pauleta.

Pessoalmente, não vejo qualquer problema no facto de Liedson jogar pela selecção portuguesa. No entanto, não sou a favor da naturalização de jogadores. Confusos? Eu explico: defendo que cada um deve representar apenas o seu país mas há muito que foi aberto um precendente com as naturalizações de Deco e Pepe, dois brasileiros na mesma situação do Levezinho, para jogar por Portugal. Não faria sentido não concordar com a chamada de Liedson: por que razão alguns puderam fazê-lo e outros não? Bem diferente seria se este se tratasse de um caso pioneiro, nunca antes visto no nosso país.

Com certeza que o leitor poderá ter uma visão completamente contrária desta que aqui deixo. Existem os adeptos que não concordaram com as chamadas de Deco e Pepe e certamente também não concordarão com a de Liedson, por um motivo de bom senso. Porém, quem foi a favor das naturalizações dos dois primeiros não pode ser contra agora. Não sei se existirá alguém a pensar dessa forma mas que lógica teria se assim fosse? Nenhuma, quanto a mim. A convocatória de Deco abriu a porta às naturalizações em Portugal. Caso a entrada de Liedson fosse barrada, seria uma tremenda injustiça.