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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Que sentido para a Taça da Liga?

Superada pela importância do campeonato e pelo prestígio da Taça de Portugal, a Taça da Liga é uma competição que vive ainda numa fase embrionária. É somente a terceira época em que a prova se realiza e, também por isso, ainda não assumiu um papel verdadeiramente importante no futebol português. Criada por Hermínio Loureiro para combater as prolongadas paragens e visando aumentar o ritmo competitivo, a Taça da Liga tem também ficado marcada por imensa polémica, tanto a nível dos regulamentos como com questões ligadas à arbitragem - a edição da época passada, 2008-09, será intrinsecamente marcada por uma má decisão de Lucílio Baptista. Uma competição que, afinal, tem ou não importância para os clubes?

Pelo feedback existente até ao momento, a Taça da Liga seria perfeitamente dispensável. Ninguém parece apostar verdadeiramente em ganhá-la, apenas voltam baterias quando a época está no limiar do fracasso e pouco têm a perder. Nos grandes, sobretudo, verifica-se essa tendência: ganhar a Taça da Liga não é garantia de uma época bem sucedida, pelo contrário, e surge somente como uma compensação. Poderia ser, então, uma boa fonte de receitas para as equipas com menores recursos. No entanto, mesmo os clubes pequenos se queixam da sobrecarga de jogos - existência de três competições que obriga a alguma ginástica num plantel curto - e essa falta de interesse generaliza-se aos adeptos. Naturalmente, sem adeptos não há lucro.

Vistas as causas mais importantes que levam a que a Taça da Liga seja relegada para terceiro plano, importa procurar soluções. Será possível conseguir que os clubes mudem a sua atitude em relação à prova? Claro que sim, esse é o objectivo que terá que ser procurado. Para isso, será necessária uma reforma nos regulamentos, na promoção e, sobretudo, nas vantagens que os clubes poderão ter ao disputar a Taça da Liga. Neste momento, a ideia que fica é que esta competição pouco tem ainda para oferecer às equipas que nela participam, quer desportivamente - ao contrário da Taça de Portugal, vencer ou até apenas chegar à final não garante presença nas competições internacionais -, quer nas contrapartidas financeiras que também não funcionam como atractivo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Não a mais Lucílios!

É padre, chama-se João Eleutério e é um desconhecido da maioria dos portugueses. Ora e a que propósito se fala de um padre num blogue de futebol? Assim à primeira vista não há ligação aparente, até porque futebol e religião é algo que não combina muito bem. Porém, a final da Taça da Liga e o tão falado erro de Lucílio Baptista teve o condão de mudar essa tendência pois chegou à Igreja. Tudo isso porque o tal padre João Eleutério, confesso adepto do Sporting, se recusou a baptizar crianças com o nome de Lucílio. Imagine-se.

A afirmação do sacerdote da freguesia Santa Isabel, em Lisboa, correu meio mundo. Contudo, confrontado pelos órgãos de comunicação social, João Eleutério referiu ter sido apenas uma piada e que nunca esperou que a sua tirada tomasse tais proporções. Mas fica a confirmação de que Lucílio não tem mesmo perdão!

terça-feira, 24 de março de 2009

Ainda a final da Taça da Liga


É mais um texto sobre a polémica em torno da Taça da Liga. E em torno de Lucílio Baptista, sobretudo. Sim, porque agora, para além da contestação, chegaram ameaças de morte ao árbitro de Setúbal que o impediram mesmo de estar presente no programa Prolongamento da TVI-24. É situação lamentável, bizarra até. É certo que a entrevista de Lucílio Baptista para assumir o erro teve um efeito boomerang e acabou por atingi-lo também porque as explicações dadas pelo árbitro não pareceram muito fiáveis.

Contudo, não se deve esquecer que o futebol é um jogo e que deve ser tratado como tal, onde existem protagonistas que, por vezes, cometem erros. Mas não deve passar para a vida privada. As ameaças a Lucílio Baptista são inqualificáveis. O árbitro falhou, é indiscutível, e deverá ser castigado por isso - em termos futebolísticos, evidentemente. Porém, já outros falharam e nunca se chegou a tal ponto. A falha de Lucílio não foi certamente a última de um árbitro. Há que perceber isso, apesar de toda a revolta que possa existir. Porque há limites para tudo.

(IMAGEM TRIBUNAL DO FUTEBOL)

sábado, 21 de março de 2009

Taça da Liga: Quim ganhou na (inesperada) lotaria!


O futebol é um jogo de opostos, de sorte e de azar, em que o mesmo protagonista tanto é herói como vilão. Quim é um exemplo disso. Depois de um par de épocas em que vestiu a capa de salvador, acabou empurrado para o banco por Quique Flores, após um erro frente ao Vitória de Setúbal. Não mais foi titular no campeonato. Porém, regressou à baliza na Taça da Liga. E voltou a ser herói. Na final, Sporting e Benfica acabaram empatados e chegaram aos penaltis. Quim defendeu três. E os encarnados ganharam. Irónico, não?

Houve quem falasse durante a antevisão que este poderia ser um jogo que serviria para salvar a época de uma das equipas, daquela que ganhasse. Ora vencer um troféu é sempre importante, seja ele qual for, e ainda para mais derrotando o velho rival tem um sabor especial. Ambos os treinadores fizeram mudanças em relação às equipas-base. Paulo Bento entregou a baliza a Tiago e colocou Pereirinha na vez do lesionado Izmailov. Do lado do Benfica, além de Quim, Quique Flores entregou também a titularidade a Rúben Amorim e confiou os dois lugares mais ofensivos a Nuno Gomes e Suazo, fazendo com que Aimar caísse mais sobre a esquerda.

Foi precisamente dos pés do capitão que surgiu a primeira chance de golo, aos 4 minutos. Porém, Tiago foi melhor e susteve o remate. Tinha sido um bom começo, com as equipas soltas e a mostrarem aquilo que pretendiam. A esse lance de Nuno Gomes respondeu Liedson, pouco depois de cumprido o primeiro quarto de hora da partida, com um remate cortado por David Luiz sob a linha de golo. O jogo estava entretido e assim chegou ao intervalo. Pelo meio, apenas Aimar na cobraça de um livre levou algum perigo a uma das balizas.


COMEÇAR COM GOLO E ACABAR COM... GALO!

O intervalo foi bom para o Sporting que entrou com tudo na segundo parte. Entrou a marcar. literalmente. Após uma jogada pela esquerda, golo de Pereirinha na recarga a um remate de Liedson ao poste. Estava desbloqueado o resultado. Em vantagem, a equipa de Paulo Bento ficou por cima do adversário, conseguindo mais domínio e mais lances de perigo. Porém, já depois de Derlei e Polga terem assustado Quim com dois cabeceamentos perigosos e de Quique Flores ter colocado Di María para o lugar de Nuno Gomes fazendo com que Aimar voltasse à posição onde mais tem sido utilizado, a servir o ponta-de-lança, o Benfica ameaçou verdadeiramente a baliza de Tiago num remate de Miguel Vítor, de cabeça, que embateu na trave. Estavam jogados 67 minutos, oito antes do empate.

Avancemos, então, esse curto espaço de tempo. Paramos no minuto 73: Lucílio Baptista assinala penalty para o Benfica por mão de Pedro Silva. Uma decisão errada, pois a bola bateu no peito de Pedro Silva - que atitude foi aquela ao empurrar o árbitro após ter visto o segundo amarelo? - que gerou uma enorme confusão entre os sportinguistas. Passada a polémica, Jose Antonio Reyes não tremeu e empatou a partida, a um quarto de hora do final. De um momento para o outro, tudo tinha mudado. Chegaram as grandes penalidades, sem prolongamento.

Ora, aqui não há justiças ou injustiças. Há sim eficácia na hora de marcar. O Sporting até começou em vantagem, devido à defesa de Tiago perante o remate de Aimar e do remate de Katsouranis para a bancada. Pelo meio, Quim defendeu o penalty de Rochemback. Defendeu também os remates de Derlei e Hélder Postiga, deixando assim caminho aberto para que o Benfica ganhasse a Taça da Liga. No momento da verdade, Carlos Martins enganou Tiago e deu a vitória aos encarnados. Para o Sporting fica a frustração de ter voltado a perder nos penaltis, à semelhança da temporada passada ante o Vitória de Setúbal.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Taça da Liga: Derby dos derbis na final

Vai haver derby na final da Taça da Liga. Benfica-Sporting, o derby dos derbis. A equipa de Paulo Bento goleou o FC Porto, por 4-1, em Alvalade. É certo que os portistas alinharam sem nenhum dos titulares, mas de qualquer forma é sempre um jogo grande. Na Luz, o Benfica ganhou ao Vitória de Guimarães. Sem jogar bem, mais uma vez. Mas está na final. E é isso que interessa.

Apesar de jogar com o Sporting, um clássico, Jesualdo Ferreira não convocou nenhum dos habituais titulares. Preferiu levar jogadores menos utilizados e alguns juniores. Percebe-se por causa do jogo de domingo com o Benfica, para o campeonato. Paulo Bento também poupou alguns jogadores, mas mesmo assim jogou com seis habituais titulares. Ora vamos ao jogo. Que começou, praticamente, com o golo do FC Porto: a equipa do Sporting dormiu na parada, Tarik Sektioui aproveitou e colocou a bola dentro da baliza. Ainda nem dez minutos estavam decorridos. Porém, o Sporting assumiu o controlo do jogo e partiu em busca do prejuízo. Nuno, por duas vezes, evitou o golo do empate mas foi Tomás Costa quem esteve mais perto de marcar para o FC Porto. E este foi o último lance de perigo do campeão nacional em todo o jogo. Já depois de Postiga ter visto um golo ser-lhe bem anulado, o Sporting conseguiu empatar. Carlos Xistra (vá-se lá saber porquê) marcou penalty e Romagnoli enganou Nuno. 1-1 ao intervalo. No reinício da partida, o Sporting voltou a marcar. Novo penalty - aparetemente bem marcado, apesar do teatro de Hélder Postiga - e novo golo de Romagnoli. O jogo acabou. O FC Porto não conseguiu reagir e o Sporting jogou a bel-prazer. E voltou a marcar. Por duas vezes, Derlei. Primeiro após um passe sensacional de Vukcevic; depois com um pontapé de moinho fantástico que não deu hipótese a Nuno. O dragãozinho foi impotente e saiu vergado de Alvalade.

Na outra meia-final, o Benfica recebeu o Vitória de Guimarães. Quique Flores também fez algumas alterações na equipa (nenhuma revolução, nem de perto nem de longe): Quim, dois meses depois, regressou à baliza; Miguel Vítor foi o lateral direito em troca com Maxi e Reyes, Aimar e Katsouranis regressaram. O Vitória entrou melhor e no primeiro quarto de hora foi a melhor equipa. Porém, nunca criou lances de perigo iminente para a baliza de Quim. Perigo criou o Benfica, quando Cardozo acertou na barra - está com a pontaria afinada nos ferros. Mas este foi um caso isolado. Porque chegou o intervalo, sem grandes oportunidades e com um jogo muito disputado a meio. O reatamento voltou a começar melhor para a equipa de Manuel Cajuda e Fajardo esteve perto de marcar. Talvez tenha sido o 'despertador' do Benfica e, depois disso, Quique Flores colocou Maxi Pereira na direita, passando Miguel Vítor para o centro da defesa, tornando assim a equipa mais dinâmica e mais perigosa. Até porque por esta altura o Vitória estava mais atrevido. Porém, foi o Benfica a marcar. Num autogolo de Gregory - um golaço, diga-se. E voltaram a marcar os encarnados, por Aimar (ao tempo, Pablo!) aos 87 minutos. Desmarets reduziu, dois minutos depois, para o Vitória. E Artur Soares Dias, excelente arbitragem, apitou para o final.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Taça da Liga (pela enésima vez)

Nestes últimos tempos tenho escrito alguns textos sobre a Taça da Liga, sobre os árbitros (ou Comissão de Arbitragem, como quiserem!) e sobre futebol português no seu todo. Este é mais um. Da Taça da Liga. E dos regulamentos que ninguém compreende. Primeiro foi a história do goal-average que se fosse levado à letra colocaria o Belenenses nas meias-finais, porque o seu quociente entre golos era superior ao do Vitória de Guimarães; porém, para a Liga goal-average é a diferença entre golos marcados e golos sofridos e por isso o adversário do Benfica é o Vitória. Os recursos do Belenenses foram rejeitados pelo Conselho de Justiça. Não pelo conteúdo mas por falarem de Andreia Couto, directora-executiva da Liga que nada tinha que ver com o assunto. Pois.

Como se já não bastasse, veio o caso do vermelho a Fucile. O jogador uruguaio do FC Porto estava com cinco amarelos e assim excluído do próximo jogo do campeonato; no Restelo, frente ao Belenenses, foi expulso, ou seja, não participará no jogo imediatamente a seguir (com o Sporting, para a Taça da Liga). Desta situação conclui-se uma coisa: se o jogador tiver cinco amarelos cumpre o castigo no jogo do campeonato - nem que seja com um mês de distância! - mas se vir um vermelho já o cumpre no jogo seguinte independentemente da competição (desde que não seja internacional, claro). Dá para perceber? Não. O FC Porto, inteligentemente, aproveitou a situação para contar com Fucile no clássico com o Benfica.

A Taça da Liga é um erro. Os regulamentos são uma anedota. É uma barracada atrás da outra.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como isto anda...

Mais uma polémica no futebol português, mais uma. Agora na Taça da Liga. Isto porque os regulamentos da competição estão em desacordo com aquilo que é defendido pela Liga de Clubes. Ora bem, no regulamento está escrito que o primeiro factor de desempate é o goal-average. Então se assim fosse quem passaria às meias-finais seria o... Belenenses e não o Vitória de Guimarães. Sim, porque goal-average é a o quociente entre os golos marcados e os golos sofridos, logo diferente do goal-diference onde se faz a diferença entre golos.

Depois da explicação, vamos ao caso concreto: Vitória e Belenenses terminaram com os mesmos pontos. A equipa de Guimarães com 3-2 em golos, enquanto que os azuis de Jaime Pacheco com 2-1. Ora calculando o goal-average, o Vitória ficava com 1,5 e o Belenenses com 2. Não restam dúvidas de quem passaria à próxima fase. Porém, a explicação da Liga para esta situação é que "actualmente, em todas as competições internacionais, a referência ao 'goal-average' expressa a diferença entre golos marcados e sofridos". Entretanto, o Belenenses tentou impugnar o sorteio (será que vem aí um novo caso Mateus?) mas sem sucesso - o adversário do Benfica é mesmo o Vitória.

Isto realmente há coisas que só em Portugal. E tudo no dia em que os presidentes das federações ibéricas acordaram que vão concorrer em conjunto ao Mundial 2018.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Taça da Liga

A Taça da Liga não chama público aos estádios. A Taça da Liga não cativa nem jogadores nem treinadores. Mas afinal qual a sua importância? Nenhuma, dirão muitos. Outros mais diplomáticos responderão que é uma competição nova, começada a época passada e que ainda procura a sua afirmação. Pois.

Aquilo que todos concordam é que são jogos para cumprir calendário. Quase como a Liga Intercalar. Como se viu ontem no FC Porto-V.Setúbal. Onde apareceram Diogo Viana e Rabiola. Visto assim, a Taça da Liga tem utilidade. Mas acho que o anúncio da não recandidatura de Soares Franco teve mais impacto.