segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

FC Porto-Sp.Braga, 5-1 (crónica)

A AVALANCHA DA REVOLTA

Cinco golos, uma exibição consistente e a confirmação de que o campeão está na luta. Somos Porto! repetiram os jogadores na véspera da partida. O plantel unira-se, todos juntos para dar a volta às adversidades e mostar a sua revolta pelos castigos aplicados a dois dos seus membros. Afectados no seu brio. Depois do desaire em Matosinhos, o jogo com o Sp.Braga tinha a vitória como único cenário para os portistas. Uma derrota deixaria os dragões com onze pontos de atraso. A resposta foi forte. Avassaladora, até. O FC Porto foi eficaz, goleador, quebrou a esperança do Sp.Braga em deixar a corrida ao título a dois.

Há muito eram esperados, mas a confirmação dos castigos a Hulk e Sapunaru bateram com estrondo nos portistas. O plantel juntou-se, revoltado, mostrou-se mais forte do que nunca e prometeu luta até final, sempre na procura da vitória, sempre fazendo jus ao nome que defendem. Um jogo decisivo, na recepção ao Sp.Braga, para ficarem desfeitas as dúvidas sobre quem parte para o último terço do campeonato na corrida ao título. Ambiente de jogo grande, expectativa elevada, alta voltagem, bracarenses na esperança de recuperarem a liderança ao Benfica, portistas atrás do tempo perdido. Onze dragões feridos no seu orgulho, apoiados por um estádio repleto de esperança e indignação, ingredientes contrários, é certo, mas motivadores para a garra da equipa.

O FC Porto começou com ritmo alto, jogando no território bracarense com posse de bola. Num Sp.Braga mais móvel do que habitual no ataque, sem o goleador Meyong e com três jogadores rápidos e versáteis, Alan, Mossoró e Paulo César, a ideia de Domingos passava por aproveitar os espaços que os portistas fossem dando, imprimindo velocidade nas faixas laterais. Numa primeira incursão, Mossoró, de regresso após castigo, embrulhou-se e caiu na área em luta com Álvaro Pereira. Olegário Benquerença entendeu ser simulação, puniu o bracarense com um cartão amarelo. O lance é muito duvidoso, contudo. Depois, foi a vez de Alan rematar perto do poste da baliza de Helton. Jogados quinze minutos, havia equlíbrio. Era o esperado, aliás.

Os portistas sentiram a sua serenidade em perigo, procuraram retribuir no lado contrário e obrigar a defesa bracarense a trabalho. A resposta foi rápida e letal. Helton bateu o pontapé de baliza, a bola foi para Varela, o extremo correu e cruzou para a entrada da pequena área. A pedir um desvio. Os defesas do Sp.Braga preocuparam-se em guardar Falcao, deixaram espaço livre para a progressão de Raul Meireles, vindo de trás, como uma flecha: fez a segunda parte do serviço, encostou para a baliza de Eduardo. Foi o culminar da libertação da raiva que atormentava os portistas. Seguiu-se uma tentativa de reacção da equipa bracarense. O Sp.Braga conseguiu ter bola, embora sem nunca criar verdadeiro perigo para Helton.

O XEQUE-MATE AOS TRINTA E SEIS MINUTOS

Depois, bem, depois Álvaro Pereira decidiu abrilhantar o jogo, dar-lhe um toque de classe para tranquilizar a equipa. El Palito pegou na bola, a uns bons trinta e cinco metros da baliza, rematou forte e colocado para o segundo golo. Surgido a dez minutos do intervalo, momento certo para desmoralizar os bracarenses e complicar a sua tarefa de mudar o rumo do jogo. Jogada seguinte, novo golo. O terceiro. Se o de Álvaro Pereira teve talento individual, neste sobressaiu a força do colectivo: abertura para Varela, cruzamento largo, golo de Falcao perante Eduardo. O campeão puxou dos galões, encostou o Sp.Braga às cordas. Nunca os bracarenses haviam sofrido tantos golos num só jogo. Domingos baixava a cabeça. O FC Porto transformara-se num vendaval ofensivo.

Com três golos de avanço e com jogos importantes pela frente, os portistas baixaram o ritmo. Tinham o jogo na mão. Para o ganhar bastava gerir. Ao intervalo, Domingos emendou a mão, lançou Meyong, a referência de área, e prescindiu de Hugo Viana. O Sp.Braga que tanto tempo tem estado no topo, sempre na luta, que é um novo candidato a campeão, apagara-se no Dragão. Queria reagir, era tarde. Mossoró voltaria a cair na área, derrubado por Raúl Meireles, Olegário errou ao não marcar falta - nem mostrou amarelo, poupando o médio pela segunda vez. Mas este era o jogo do FC Porto. Mesmo em contenção, chegou ao quarto. Falcao elevou-se a Paulão, cabeceou para dentro da baliza de Eduardo. Olegário Benquerença entrara numa panóplia de erros, seguiu-se uma expulsão perdoada a Rafael Bastos.

A equipa bracarense apenas sofrera oito golos até jogar no Dragão. Frente ao FC Porto perdeu essa sua imagem de marca, ruiu pela base, foi impotente para impedir o engordar natural do resultado. A partir do terceiro golo pouco mais haveria a fazer. Animicamente, a equipa caíra. Por entre olés e o êxtase do público, Belluschi fez o quinto golo. O golpe de misericórdia num Sp.Braga que há muito encolhera os ombros, um novo buraco numa barreira que parecia intransponível. O resultado pesava, o FC Porto iria ganhar, mas ainda havia a honra bracarense em jogo. Já nos descontos, Alan marcou para o Sp.Braga. De nada vale no resultado. Resta esperar pela reacção dos guerreiros que perderam a batalha. Não a guerra.

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