sábado, 27 de março de 2010

Benfica-Sp.Braga, 1-0 (crónica)

UM PASSO DE GIGANTE PARA O TÍTULO

O Benfica vive sedento de conquistar o título de campeão nacional. É algo que lhe foge desde 2005. Há cinco anos quebrou um jejum de mais de uma década mas faltou juntar-lhe brilhantismo. Era uma equipa pragmática: ganhou, aproveitando as oscilações dos rivais, mesmo tendo lapsos que um campeão não costuma cometer. Só festejou na última jornada. Contudo, o jogo com o Sporting foi decisivo. Primeiro contra segundo. Tal como agora. Em 2005, Luisão marcou, aos oitenta e quatro minutos, levou a Luz à loucura, deixou o Benfica com o título na mão. Restava confirmar. O central benfiquista ficaria para sempre marcado como o herói da conquista. Hoje, contra o Sp.Braga, voltou a sê-lo. O Benfica tem seis pontos de vantagem. E todas as condições para ser campeão.


Foi o jogo do título? Talvez, mas só os seis encontros que faltam darão a resposta. Dizer que o campeonato ficará decidido à vigésima quarta jornada será sempre arriscado. No entanto, ao vencer o Sp.Braga, o Benfica deu um passo fundamental. Dispõe de uma boa margem, é a equipa mais completa, possui argumentos que faltam aos minhotos, apostou as fichas todas para ser feliz nesta temporada enquanto o Sp.Braga está a superar-se a si próprio. Irão lutar até final, disso ninguém duvide. O Benfica está mais confortável e tem o caminho do título aberto, sim, mas terá que manter a mesma intensidade para chegar à glória. Sessenta mil adeptos, um estádio na ânsia de uma vitória, procurando cimentar a liderança. Jogo lutado, limites da adrenalina, vontade de qualquer um deles sair fortalecido. Oportunidade que não dá para desperdiçar.

Jogando em casa, respirando confiança num momento tão importante da temporada, o Benfica seria sempre favorito. Assumiu, por isso, o jogo, foi mais incisivo no ataque, fez circular a bola no meio-campo contrário. Não criou, no entanto, situações de golo. Faltava o clique que fizesse aquecer o jogo. Chegou, por fim, aos vinte e quatro minutos. Vindo do inimigo: Filipe Oliveira mediu mal um passe para o centro da defesa, Saviola, afinal titular, percebeu, ganhou a bola, mas faltou-lhe astúcia e foi bem travado por Eduardo. O guarda-redes agigantou-se, impediu a festa benfiquista, salvou a pele do colega. Havia respeito mútuo, era bem notório que nenhuma as equipas pretendia correr o risco de dar um passo em falso. Viria, depois, um cabeceamento de Cardozo, estorvado por Eduardo, para fora. O Benfica começava a apertar o cerco.

LUISÃO: DECISIVO, OUTRA VEZ!

Se o Sp.Braga se mantinha certinho na defesa, salvaguardando a sua imagem de marca, também denotava dificuldades em conseguir partir para o ataque. Começou por tentar explorar as faixas laterais, com a velocidade de Paulo César e Alan, mas faltava-lhe Hugo Viana. Aos poucos, os bracarenses conseguiram soltar-se das amarras procurando alcançar a baliza de Quim. Mantinha-se o nulo. Pensou-se que o jogo iria empatado para o intervalo. Não foi. Culpa de Luisão. O Benfica marcou um canto curto, Carlos Martins cruzou para a área, Javi García desviou e Luisão, aproveitando o ressalto no meio de tantos adversários, rematou certeiro. Erupção do vulcão da Luz, o reaparecimento do central nos momentos decisivos. Só depois viria o descanso. Com os encarnados em vantagem. Afinal, havia sido quem mais procurara o golo.

Um mal nunca vem só. É uma frase que se repete. E faz sentido. O Sp.Braga acabara a primeira parte com um golo sofrido, poucos minutos depois de ter recomeçado a partida ficaria sem Mossoró. O médio, talvez a estrela maior desta equipa bracarense que vale sobretudo pelo colectivo, lesionou-se com gravidade. Domingos Paciência lançou Luís Aguiar. Por esta altura, o Benfica vivia a sua melhor fase. Anunciava-se o segundo golo. Di María e Cardozo, com incursões de Maxi Pereira pela direita, tiveram a oportunidade de trazer a tranquilidade. Ao fim de dez minutos de puro domínio benfiquista, Domingos sentiu necessidade de voltar a agir. Lançou Matheus e Rafael Bastos, fez sair Rentería e Hugo Viana, a equipa melhorou muito: arriscou mais no ataque, trocou a bola em zonas adiantadas do terreno, procurou o empate.

JOGO ABERTO, INTENSO, LUTADO

O Sp.Braga crescera, tentara contrariar o domínio do Benfica, queria ser feliz. É legítimo para uma equipa que tão boa conta tem dado de si ao longo de todo o campeonato. Jorge Jesus percebeu que os minhotos haviam subido com as alterações, soltando-se para espaços ofensivos, quis recompor o seu meio-campo. Lançou Aimar, por isso. O mago entrou bem, disposto a pautar o futebol encarnado, colocando-o ao seu ritmo, aproveitando espaços para desmarcações de ruptura. O jogo estava mais aberto, mais vivo, mais intenso. O Sp.Braga dispôs, aos setenta minutos, da melhor oportundidade: Moisés desperdiçou, num livre de Luís Aguiar, cabeceando ao lado. Era nas bolas paradas e nas transições que o Sp.Braga dava mostras de estar mais afoito. Mas já se sabe quão forte é o Benfica em vantagem.

Homens de barba rija de um lado e do outro, lutando até final, suando por uma vitória. Ninguém ousou virar a cara à luta. O Benfica já tinha o ouro, não poderia querer ser demasiadamente guloso, precisava, isso sim, de guardar o que conquistara. Jesus recorreu a Rúben Amorim para impedir que os bracarenses ainda tentassem ganhar novo alento. A partida abrira, um golo poderia ter acontecido em qualquer das balizas:
Cardozo dispôs de oportunidades, Di María deu sempre um toque a mais e a equipa não concretizou; Paulo César teve uma soberana ocasião a um quarto de hora do final. No entanto, o Benfica mantinha a vantagem e tinha o relógio consigo. Tem mais força, estava por cima, foi consistente e rentabilizou o golo de Luisão. Ganhou. Com sacrifício. E, assim, deu um passo fundamental rumo ao título.

5 Comentários:

Mantorras disse...

Crónica muito boa. Gostei, vou passar a seguir o Blog.

Mantorras em http://diario-de-um-benfiquista.blogspot.com/

César disse...

Bom post,
realmente só um "tsunami" impedirá o Benfica de ser campeão.Mas futebol é futebol,e tudo pode acontecer.

Anónimo disse...

" Dizer que o campeonato ficará decidido à vigésima terceira jornada será sempre arriscado."

in Futebolês

Vigésima quarta Ricardo.

Abraço.

André

Ricardo Costa disse...

André,

Obrigado pela correcção!

Jornal Só Desporto disse...

Grande Análise mais uma.

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