segunda-feira, 3 de maio de 2010

FC Porto-Benfica, 3-1 (crónica)

O DRAGÃO COLOCOU PAUSA NA CAMINHADA!

Um longo supiro para recuperar o fôlego. Agora, sim, podemos ir à crónica. O FC Porto venceu o clássico, o Sp.Braga cumpriu a sua parte e o Dragão não serviu de palco à festa do Benfica. Foi um jogo para homens de barba rija. Nem outra coisa seria de esperar. Um duelo entre FC Porto e Benfica, eternamente distantes e velhos inimigos de guerra, nunca poderá ser normal. Houve intensidade máxima, adrenalina nos limites, conflitos constantes, quezílias no meio de polémica permanente. Momentos de cortar a respiração. Há uma enorme convicção de que o Benfica será campeão. Muito dificilmente o título escapará aos encarnados. Conquistá-lo na casa do maior rival, preparando a festa debaixo do nariz do dragão, seria o corolário de uma época em que o Benfica foi melhor. O FC Porto impediu-o. A vitória não sacia mas consola os portistas. Muito.

Para impedir a festa do Benfica no Dragão, não alugando o seu palco de conquistas para júbilo alheio, o FC Porto teria de vencer e esperar uma vitória do Sp.Braga. Isso significaria que os encarnados não alcançariam, ainda, o trigésimo segundo título do seu historial. E, por outro lado, que os minhotos confirmariam o segundo lugar, deixando o FC Porto de fora dos milhões da Liga dos Campeões. Um dilema, portanto. Ou não. Entre ver o Benfica comemorar em sua casa ou ultrapassar o Sp.Braga na corrida pelo segundo lugar, a resposta não é difícil de adivinhar. O mais importante seria sempre adiar a conquista do título benfiquista. Será quase inevitável mas poupa-se a vergonha de ter de passar o testemunho em frente aos seus adeptos. O FC Porto há muito ficou arredado, não se pense, contudo, que estenderia a mão para saudar o adversário.

O Benfica estava no Dragão para sair a sorri. Di María foi o primeiro a criar perigo. Teve espaço, olhou para Beto, rematou forte e acertou na trave. O jogo começara quezilento, demasiado faltoso, envolvido por picardias constantes. Olegário Benquerença, mão de ferro, quis segurar os ímpetos, não deixar descambar a partida, mostrar a sua autoridade. O jogo perdeu fluidez. Ninguém quis dar um passo errado. Houve cautelas em ambas as partes. A segunda oportunidade de golo chegou, de novo, pelo Benfica. Numa jogada confusa, Javi García ficou solto perante Beto. Estava em situação privilegiadíssima mas atirou por cima. Os encarnados estavam melhor. Ou, pelo menos, criavam mais perigo. No FC Porto, começou a aparecer Hulk. Jogando em velocidade, explodindo na defesa do Benfica, levando a equipa para a frente: eis o Incrível.

BRUNO ALVES PARA DESATAR O NÓ

Sempre escaldante, uma séria ameaça à resistência de qualquer termómetro, o clássico estava com uma carga intensa atroz mas sem grandes motivos de interesse. Havia equilíbrio no futebol apresentado, apesar de ser sempre o Benfica a conseguir abrir maiores brechas na defesa contrária. O FC Porto insistia em Hulk. Farías, substituto de Falcao, não aparecera: lá permanecia tapado, cercado por Luisão e David Luiz, envolto na fortaleza encarnada. Num jogo assim, fechado, a melhor forma de resolver é aproveitando as bolas paradas. Dito e feito. Assim o FC Porto chegou ao golo: Belluschi marcou o canto e Bruno Alves elevou-se para cabecear certeiro. Foi a libertação da revolta da nação portista. Pelo falhanço do título e por ver o Benfica querer sair do Dragão triunfante. Antes do intervalo, os dragões passaram para a frente. Na mouche.

A polémica costuma fazer parte dos clássicos. Este, claro, não seria excepção. O momento de maior controvérsia chegou aos cinquenta e dois minutos: Fucile entrou na área do Benfica, envolveu-se com Fábio Coentrão, caiu, Olegário Benquerença entendeu ser simulação e mostrou amarelo ao lateral uruguaio. Foi o segundo - antes, na primeira parte, Fucile já fora poupado numa entrada sobre Di María. O Dragão explodiu em protestos. O Benfica viu a sua oportunidade para cercar o FC Porto, atacar a baliza azul, virar o resultado. Jesualdo Ferreira retirou Raúl Meireles, apagado, para recompor a defesa com Miguel Lopes. Veio o golo do Benfica. Lance estranho, atabalhoado até, ressalto para Luisão e empate. O homem do título de 2005, o homem do golo fundamental marcado ao Sp.Braga. Parece sina. Com mais um, poderia ser a pedra de toque.

UMA EXPULSÃO ESTRANHAMENTE BENÉFICA

Não foi. Antes que os encarnados estabilizassem, recomeçando do zero, o FC Porto voltou a colocar-se em vantagem. Outro lance também enrolado e feliz. Deu golo, sobretudo: Ernesto Farías, o suplente de luxo, marcou. Festa rija de um público sedento de alegrias. De Jesualdo Ferreira, acima de tudo. Estava escrito que o treinador portista não cumpriria o jogo no banco ante o Benfica. Foi expulso na semana passada, voltou a sê-lo agora após os festejos. E El Tecla, cumprindo o seu dever, com o Dragão grato numa ovação sentida, deu o lugar a Rodríguez. Importava, então, manter a equipa viva, realçando o sentido de entreajuda, aumentando a coesão, chamando todas as forças para guardar a vantagem. Jorge Jesus respondeu ao lançar Aimar, prescindindo de Javi García. O Benfica precisava da magia do mago.

O golo de Farías galvanizou o FC Porto e abalou o Benfica. Os encarnados erraram passes, mostraram ansiedade, perderam algum discernimento. Estavam com mais um, o empate valeria o título, tinham de se lançar de cabeça em busca do golo. Com serenidade, contudo. Aimar tentou de fora da área, Beto respondeu com uma grande defesa. Por essa altura, já Jorge Jesus colocara Weldon, em detrimento de Saviola, para mais tarde terminar com Alan Kardec no lugar de Carlos Martins. O treinador fez o que lhe competia: arriscou. Di María tem sido o jogador mais do Benfica, abre buracos nas defesas adversárias e inventa jogadas. Mas raramente apareceu no Dragão. Fez falta aos encarnados. E Cardozo, alguém o viu?... Pelo meio das tentativas do Benfica, foi o FC Porto quem ameaçou com maior perigo. Guarín ganhou força, está motivadíssimo, rematou de longe e a barra travou-lhe o golo. Indomável garra azul para vencer.

O jogo entrou na ponta final. Faltavam dez minutos. Em Braga, os minhotos venciam o Paços de Ferreira: segundo lugar carimbado, pressão no Benfica quanto ao título. Weldon esteve perto de um tento decisivo, como ele fez com o Marítimo, na Figueira ou em Coimbra; atirou, no entanto, para longe do alvo. Ainda estava tudo em aberto. Fernando Belluschi terminou a discussão, sossegou os adeptos portistas, deu-lhes o gostinho de impedirem a coroação imediata do Benfica. O argentino encheu o pé, rematou em arco, potente, Quim foi apanhado de surpresa: golo, fim de história. Com um remate de bandeira. Terminamos com Olegário Benquerença. pouco claro no critério, demasiado ríspido primeiro e benevolente depois, com Fucile e Di María nas áreas, amigo de Luisão num lance com Belluschi, pedidos de grande penalidade que parece ter resolvido bem. Muitos erros. Mas a noite, diga-se, não foi nada fácil. Ufff!...

1 Comentário:

Jornal Só Desporto disse...

Um clássico com guerras a mais e futebol de menos.

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