segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sporting-FC Porto: saiu a lotaria ao dragão!


Louco, electrizante, emocionante. Assim foi o clássico de Alvalade, que colocou o FC Porto na V eliminatória da Taça de Portugal e deixou o Sporting sem a possibilidade de defender esse título, no Jamor. Mas só depois das grandes penalidades é ninguém ficou com dúvidas, porque até aí a balança podia ter caído para qualquer um dos lados. E Bruno Paixão fez das suas.

É sabido que Jesualdo Ferreira gosta de inovar neste tipo de jogos. E o jogo com o Sporting não fugiu à regra. Fucile foi o lateral direito, Mariano jogou na ala esquerda e Hulk substituiu Rodríguez no ataque do FC Porto. Foram estas as alterações do treinador portista, em relação ao jogo de Kiev. Do outro lado, Paulo Bento apenas trocou Grimi por Romagnoli, jogando Miguel Veloso na esquerda da defesa, tentando assim criar alguma supremacia no meio-campo.

A partida começou bem, viva, sem grandes rodeios tácticos. O FC Porto teve a primeira grande ocasião: Hulk fez um sprint, cruzou a bola para Lisandro, mas Miguel Veloso foi mais rápido e afastou o perigo. Porém, a partir desse ameaço, foi o Sporting quem tomou conta do jogo. A equipa leonina conseguia ter profundidade nas alas, principalmente na direita, aproveitando a falta de velocidade de Pedro Emanuel, que não é um lateral nem de perto nem de longe. Daí a colocação, estratégica, de Mariano González naquela zona, para ajudar o capitão nas tarefas defensivas.

O Sporting estava melhor, jogava bem e adivinhava-se o golo. Rochemback (20') e Postiga (22') bem tentaram, mas Helton foi enorme. Porém, à passagem da meia hora, veio o golo. Cruzamento de Izmailov que contou com um corte atabalhoado de Fernando fez a bola cair, direitinha, onde estava Liedson. Pedro Emanuel dormiu na parada e o Levezinho, de cabeça, marcou. Vantagem merecida, nesta altura.

Pode dizer-se que o Sporting da primeira parte foi, possivelmente, o melhor desta época. Teve mais oportunidade para marcar, mas não conseguia aproveitar. Em cima do intervalo, foi Hulk quem mostrou que o FC Porto ainda não estava entregue, com um remate que passou perto da baliza de Rui Patrício.


OS DOIS INCRÍVEIS: HULK E BRUNO PAIXÃO

Ao intervalo, Jesualdo Ferreira sentiu a necessidade de modificar alguma coisa, para anular a passividade da sua equipa e tentar o golo. Para isso, trocou Mariano (fez mais de defesa do que de extremo) por Tomás Costa, passando para um 4x4x2 com as linhas mais juntas. O FC Porto entrou bem melhor em campo, instalando-se no terreno leonino, procurando sempre a velocidade, quer de Hulk, quer de Lisandro ou, mais tarde, de Rodríguez. Mas, com os portistas mais preocupados em atacar do que defender, pertenceu a Moutinho a oportunidade de marcar. Helton opôs-se com uma grande defesa.

Foi então que apareceu Hulk. O brasileiro corre que se farta, não dá um lance por perdido e só tem olhos para a baliza. Aos 58 minutos, recuperou a bola, correu 60 metros, entrou na área do Sporting e rematou para o fundo da baliza. Fantástico!

Mas desengane-se quem pensa que Hulk se ficou por aqui. Primeiro, repetiu o sprint que deu o golo e caiu na área, com Polga (em falta?). Mais tarde, foi abalroado por Patrício dentro da área e envolveu-se com Caneira. Bruno Paixão expulsou o central (decisão Salomónica, um amarelo para cada, quando deveria ter mostrado o vermelho directo), mas não assinalou o penalty do guarda-redes.


O clima aqueceu, o jogo partiu-se e mandaram-se as tácticas às urtigas. Nesta fase, o FC Porto estava por cima, era melhor. Paulo Bento colocou Pedro Silva, na esquerda, para equilibrar a defesa, passando Veloso para central. O lateral brasileiro entrou bem, com boas arrancadas pelo flanco que moeram o juízo a Fucile (viria a ser substituído por Lino, por já não estar nas melhores condições físicas). A superioridade numérica dos portistas não dava grandes frutos, até porque o Sporting estava mais compacto, mas também não durou muito tempo. Pedro Emanuel - decididamente não era a sua noite - cometeu falta sobre Moutinho e viu, bem, o segundo amarelo. Mas Bruno Paixão voltaria a errar, depois disso, quando Rolando cortou a bola com o braço dentro da área. O tempo regulamentar estava jogado.

Chegou o prolongamento. Literalmente, porque foi um prolongamento daquilo que se passou nos outros 90 minutos. Polémica é que houve de sobra. Ambas as equipas se queixaram de penaltis não assinaldos: primeiro o Sporting, numa obstrução de Bruno Alves a Abel; depois os portistas, na marcação de um canto, num agarrão de Rochemback a Rolando Protestos, protestos e mais protestos, mas o certo é que Bruno Paixão mandou jogar. Houve ainda mais uma expulsão (correcta!), de Hulk, por ter simulado uma grande penalidade. Não merecia sair de cena assim o jogador brasileiro, mas só se pode queixar de si próprio.

Com tanto burburinho, vieram as grandes penalidades que iriam decidir o vencedor da eliminatória. Há quem lhes chame lotaria. E talvez seja, porque é um momento de sorte, de frieza. Os dois primeiros a tentar marcar, Lucho e Rochemback, falharam: o argentino atirou ao travessão e o brasileiro viu Helton agigantar-se mais uma vez. Depois de uma série de cinco penaltis convertidos, foi Abel quem falhou, permitindo mais uma defesa de Helton. Para a História fica a vitória do FC Porto por 5-4 nos penaltis e a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal.

Ufa, acabou!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Benfica-Galatasaray, 0-2: banho turco!

Mesmo com meia equipa de fora, o Galatasaray provou na Luz que está mais vivo do que podem pensar. É verdade que a exibição do Benfica, principalmente na segunda parte, deixa muito a desejar, mas há que dar mérito a estes turcos. Que deram um autêntico banho... turco.

Costuma-se dizer que em equipa que ganha não se mexe, mas Quique Flores não é dessas conversas. Colocou Di María e Reyes nas alas e Nuno Gomes no apoio a Suazo, deixando Aimar de fora. Surpreendentemente, diga-se, pois El Mago foi fundamental em Guimarães e está em crescendo de forma.

O Galatasaray apresentou uma equipa bem organizada, num 4x2x1x3, à espera do que o jogo dava. Fernando Meira e Ayhan Akman à frente dos defesas, Lincoln como elemento de ligação entre o meio-campo e o ataque e Milan Baros, Turan e Karan, como ponta-de-lança, na frente de ataque. Uma equipa sólida, com boa organização

O Benfica entrou mal no jogo. Algo nervoso e a abusar do jogo directo para Suazo. O Galatasaray esteve perto do golo, logo aos três minutos, mas Karan não conseguiu chegar a tempo ao passe de Lincoln. A equipa encarnada reagiu aos 18 minutos, numa desmarcação de Di María para Nuno Gomes, mas o capitão acertou em Asik. Mais tarde, foi De Sanctis, numa defesa por instinto, quem impediu o golo de David Suazo. O hondurenho estava em todas as oportunidades de golo. Era, por isso, o melhor dos benfiquistas. Chegou o intervalo, com o nulo.

AINDA PIOR NO REGRESSO

O descanso parece ter feito mal ao Benfica. Se já na primeira parte tinha entrado mal no jogo, no reatamento foi ainda pior. O meio-campo não funcionava e os turcos aproveitaram para se aproximarem da baliza encarnada. Aos 51 minutos, Milan Baros obrigou Quim a uma defesa enorme. Na sequência do canto, Asik, à vontade, marcou para o Galatasaray. O golo dos turcos deixou o jogo com um sentido único: a baliza do Benfica.

Quique tentou animar o jogo, dar outra vida à equipa. Colocou Carlos Martins, Cardozo e Aimar. Insuficiente, porém. O Galatasaray, sem grandes estrelas na equipa, dominava por completo a partida, enquanto que o Benfica não criava perigo, não pressionava. O segundo golo não causou estranheza. Maxi dormiu na parada e Karan, perante Quim, não teve dificuldade em marcar. Aos 70 minutos, a história estava contada.

Não se pode dizer que a vitória dos turcos tenha sido injusta. Porque não foi mesmo.

AC Milan-Sp.Braga, 1-0: tamanha injustiça!


Injusto, mil vezes injusto. O Sp.Braga perdeu em San Siro, frente ao Milan, com um golaço de Ronaldinho, aos 92 minutos. Apesar da derrota, a equipa arsenalista conseguiu aquilo de que poucos são capazes: silenciar por completo o Giuseppe Meazza. De lhes tirar o chapéu, por isso!

Jorge Jesus tinha avisado que ia tentar uma surpresa, frente ao todo-poderoso AC Milan. E assim foi. A equipa entrou sem grandes complexos, sem medo, com uma confiança e uma vontade enormes. Nada daquilo a que estamos habituados, quando as equipas portuguesas (sim, falo dos "grandes") jogam em Old Trafford, Santiago Bernabéu ou Stamford Bridge, por exemplo. Mas este Sp.Braga não. Jogou com losango no meio e com dois pontas-de-lança (Renteria e Meyong) que fizeram a vida num Inferno à defesa do Milan.

Os italianos, por seu lado, apresentaram uma equipa cheia de estrelas: Inzaghi e Shevchenko na frente e Alexandre Pato atrás dos dois avançados. Faltava, porém, Káka, a estrela da companhia. Mesmo assim um ataque temível, teoricamente. Sim, porque em campo, no jogo, a defesa do Braga anulou, por completo, as investidas milanesas. Tremeu apenas num cabeceamento de Pipo Ingazhi, que passou bem perto da baliza de Eduardo.

E A VITÓRIA ALI TÃO PERTO

Mas quem estava por cima do jogo era o Sp.Braga. Renteria, ainda que muito trapalhão, moeu o juízo a Senderos e, logo aos cinco minutos, escapou bem mas rematou ao lado. Mais tarde, foi César Peixoto quem teve o golo nos pés, mas Dida fez uma defesa enorme. Enquanto isso, o Milan não conseguia construir jogo, criar perigo. Carlo Ancelotti, perante a incapacidade da sua equipa lançou dois ases: Ronaldinho e Seedorf.

Quando tudo parecia indicar para mais um resultado fantástico deste Sp.Braga na Europa, Gattuso aproveitou uma desconcentração de Moisés e Luís Aguiar, entregou a bola a Ronaldinho (era o ás de trunfo!) e o brasileiro fez o resto. Meteu a bola na gaveta, aos 92 minutos. Um golaço.

Que injustiça! Tão cínicos que são estes italianos...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dínamo Kiev-FC Porto, 1-2: gelar a Ucrânia!

Ufa! Vamos por partes: o FC Porto ganhou ao Dínamo, em Kiev, e está agora bem mais próximo da passagem aos oitavos, dependendo apenas de si. Dez minutos finais de loucos, electrizantes, dramáticos até deram a vitória aos dragões.

Os portistas foram para a Ucrânia com um e um só pensamento: ganhar. Para isso, Jesualdo fez três alterações em relação ao último onze: Helton regressou à baliza depois da experiência (mal sucedida) com Nuno, Tarik foi titular e Pedro Emanuel foi o lateral esquerdo - nem Lino nem Benítez, na ausência de Fucile.

A primeira parte pareceu uma autêntica fotocópia do jogo do Dragão: o FC Porto com o controlo do jogo, com uma bola no poste e com o Dínamo a marcar no primeiro remate à baliza portista. Aos 20 minutos, a tarefa complicava-se, e de que maneira, para a equipa portuguesa.

O INCRÍVEL HULK E EL COMANDANTE

Mas, desta vez houve uma diferença em relação ao jogo de há quinze dias. Uma grande diferença, a atitude. O FC Porto foi para cima do adversário (não sufocou, nada disso), que se fechou nos seus últimos 30 metros. Mas faltava quem empurrasse a bola para dentro da baliza. Daí que ao intervalo, o treinador portista tenha trocado Tarik Sektioui, pouco em jogo, por Hulk. E foi com esta troca que o campeão nacional criou mais perigo para a baliza de Bogush.

Aos 70 minutos, livre cobrado por Raul Meireles, cabeceamento de Rolando e golo do FC Porto. O golo do empate, que dava nova vida aos portistas, que deixava o apuramento mais perto. Foi a partir deste momento, que o jogo deu uma volta de 360º, ficou partido, muito mais emotivo. O Dínamo aproximou-se da baliza de Helton (em grande no regresso), chegando até a atirar uma bola ao poste e, do outro lado, Lisandro teve na cabeça uma grande oportunidade para virar o resultado e dar o xeque nos ucranianos.

Porém, o melhor estava mesmo reservado para o fim. Primeiro minuto do tempo de descontos, Lisandro fugiu pela direita, cruzou para a área e Lucho só teve de empurrar. Euforia total, provada até pela expulsão de El Comandante depois de ter tirado a camisola, quando já tinha um amarelo. Que final de loucos!

Com esta vitória, o FC Porto tem a faca e o queijo na mão. E na Turquia, frente ao Fenerbahçe, pode fazer a tosta.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Sporting-Shakthar, 1-0: oitavos aí vão eles...

O Sporting está nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Num jogo sem grandes oportunidades, em que os guarda-redes quase que podiam ser dispensados, Derlei marcou o único golo. O golo que dá a inédita passagem à equipa leonina. O golo que dá os milhões.

Na primeira parte, nenhuma das equipas saiu da cepa torta. Num jogo onde quase não eram precisas balizas, muito discutido, enfim sem grandes motivos de interesse. Apesar de o Sporting ter o controlo da partida, era o Shakthar quem criava mais perigo, muito por culpa da acção de Fernandinho e do lateral Srna (joga a 100 à hora). A equipa leonina usava e abusava do jogo directo para Liedson (não se viu) e Postiga. Até ao intervalo, o jogo foi insosso, sem saborão. À semelhança daquilo que se viu em Donetsk.

A FORÇA VINDA DA BANCADA

A segunda metade começou na mesma toada. Controlo do Sporting, Shakthar mais perigoso mas a jogar muito longe da área de Rui Patrício. Até aos 61 minutos, altura em que o jogo finalmente ficou mais vivo, mais vibrante. Primeiro num livre de Veloso em que ninguém conseguiu empurrar a bola para dentro da baliza e depois numa tentativa de desmarcação de Liedson para Postiga, sem sucesso. O Sporting estava, agora, por cima do adversário e esteve perto, perto de marcar: cruzamento de Abel e Liedson, à meia-volta, rematou ao lado do poste da baliza de Pyatov. O Shakthar ia criando perigo através das investidas de Srna, mas não contava com grande apoio.

O momento alto chegou, enfim: Izmailov teve um grande trabalho no lado direito (já dentro da área), serviu Derlei e o Ninja não deu hipóteses a Pyatov. Estava feita a História aos 73 minutos. Sim, porque até final foi só gerir e contar com uma defesa imperial que guardou a sete chaves o tesouro.

Para terminar, uma palavra para o público de Alvalade: fantástico. Projectou a equipa para a vitória.

Euforias e crises...

O FC Porto não está bem. Depois de na semana passada, o Leixões ter gelado o Dragão, agora foi a vez da Naval abater os portistas, com um golo de Daniel Cruz. É lógico que esta situação não é normal, ainda para mais no tricampeão nacional. Pior que isso, é o desnorte evidenciado pela equipa, pelas suas pedras-base.

Ao contrário, o Benfica ganhou, numa exibição de grande carácter e união - complicada desde a expulsão de Reyes perto do intervalo - em Guimarães, frente ao Vitória. Assim como o Sporting que, graças a um golo de Liedson, venceu o Rio Ave em Vila do Conde num jogo com pouco interesse.

Mas falta o melhor e como os últimos são os primeiros, falta o líder. O Leixões. Vitória sobre o Paços e comando isolado. Alguém diria que isso era possível à sétima jornada? Ninguém, certamente! Mas desengane-se quem pensa que este campeonato é normal.

sábado, 1 de novembro de 2008

Aqui há crise...


Não há duas sem três. O FC Porto perdeu pela terceira vez consecutiva. Frente à Naval, na Figueira, depois de Dínamo de Kiev e Leixões. O que já não acontecia desde que farmácia se escrevia com "ph". Um autêntico desnorte.

Os portistas nunca estiveram em campo. Literalmente. Sem atitude, sem garra, sem chama. Apenas duas (sim, duas!) grandes ocasiões de golo. Primeiro quando Lisandro permitiu uma grande defesa a Peiser; depois num cabeceamento de Bruno Alves ao poste. De resto, não houve ideias, nem audácia e, principalmente, não houve inspiração.

Jesualdo também não escapou ao desastre. Naufragou tacticamente. Mandou Lino para a bancada para apostar em Benítez para lateral esquerdo, ao intervalo passou Tomás Costa para essa posição e acabou com Raul Meireles. São trocas a mais e não há sistema que resista. Mas não é o único culpado, evidentemente. Não houve Lucho, nem Rodríguez, nem Lisandro. Sapunaru esteve desastrado, Nuno falhou (e de que maneira) no golo.

O campeão está em crise. É inegável.


PS: Grande atitude de Bruno Alves no final do jogo. Falou com os adeptos e com os jornalistas sem rodeios. Grande.