quarta-feira, 22 de outubro de 2008

FC Porto-Dínamo Kiev, 0-1: tudo a Leste!


A equipa do FC Porto andou a leste, contra o Dínamo de Kiev, em pleno Dragão. Numa noite onde nada parecia correr bem, Aliyev fez um grande golo e deu uma vitória histórica aos ucranianos. E os portistas voltaram a perder em casa, para a Champions, três anos depois.

Jesualdo tinha alertado para o jogo colectivo deste Dínamo de Kiev. Disse-o e repetiu-o. Mas não chegou. A equipa portista entou no jogo relaxada, demais até. Apenas quando tinham a bola, imprimia maior ritmo, mas sem grande profundidade. Numa jogada de insistência e de raça de Lisandro, o FC Porto andou perto do golo, com Lucho a rematar ao poste.
O Dínamo não fez cócegas, até que Olexandr Aliyev fez abanar o sino. Cobrou um livre, a bola levou um efeito esquisito e só parou dentro da baliza de Nuno. Culpas para o guarda-redes.

REAGIR AO GOLO

Depois do (inesperado) golo do Kiev, o FC Porto finalmente apareceu. A equipa assumiu o domínio do encontro e chegou-se mais à baliza de Bogush. Sem grande sucesso, porque o guarda-redes chegou e sobrou para as encomendas. Ao intervalo, Jesualdo trocou Fernando (certinho) por Hulk, passando para um 4x4x2 com Mariano (dos mais esforçados) e Rodríguez (perdido no espaço) bem abertos nas alas.


Entraram depois Tomás Costa e Tarik. Era o tudo ou nada para os portistas. Mas a equipa nunca foi inteligente. Hulk começou a rematar de todas as maneiras e feitios, os jogadores tornaram-se demasiado individualistas. O Dínamo já tinha a mala aviada e fechou-se no seu meio-campo, com onze jogadores atrás da linha da bola e tentando sempre explorar o contra-ataque. Porém, a história estava contada desde os 27 minutos.

Agora resta ao FC Porto ganhar na Ucrânia. Se assim não for, a qualificação já era.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Selecção: não foi azar, foi azelhice!


Inacreditável!! Portugal empatou, em Braga, com a Albânia, que a partir do minuto 40 jogou com menos um elemento. Não, não é nenhuma piada.

Portugal jogou lento, lento, lento. Sem imaginação, sem um médio criativo - que saudades, Deco! - sem chama, sem nada. Pior, o apuramento para o Mundial 2010 está muito, muito complicado. Num grupo onde os principais adversários da Selecção nacional são a Dinamarca e a Hungria. Custa a acreditar, mas é verdade.

É certo que a Albânia teve sorte. Bola no poste de Hugo Almeida, falhanços incríveis dos jogadores portugueses e um guarda-redes herói, Beqaj. Mas este empate não é só azar. É antes azelhice. A bandeirinha na janela, os gritos por "Portugaaaal" e as noites de glória deram lugar a assobios, bocejos e protestos. O triste fado de andar a fazer contas regressou e já há quem suspire por Scolari.

Pior do que tudo isto - será possível haver pior? - só as reacções no final da partida. Madaíl saiu do seu lugar quando ainda faltavam oito minutos para o fim; Carlos Queiroz não apareceu no "flash-interview" e Ronaldo - para melhor do mundo tem que dar muitíssimo mais - revoltou-se contra o público. Isto faz-me lembrar alguma coisa...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Trocas e baldrocas

Na semana em que o FC Porto voltou à liderança do campeonato (só precisou de 37 dias para o fazer) depois da vitória no clássico frente ao Sporting e do empate do Benfica em Matosinhos, o Belenenses mudou de treinador.
Saiu Casemiro Mior que ainda não tinha ganho nenhum jogo e entrou Jaime Pacheco. Mas também podia ter sido Jorge Costa. Expliquemos: o Belenenses tinha tudo certo com Jorge Costa, actual treinador do Olhanense, mas um telefonema de um dirigente do Belém pensando estar a ligar para Jaime Pacheco foi o motivo para que o ex-capitão do FC Porto acabasse com as negociações. Digno dos apanhados.


PS: Não quero com isto dizer que Jaime Pacheco seja inferior a Jorge Costa. Mas a situação tem a sua piada.

domingo, 5 de outubro de 2008

Sporting - FC Porto: ter ou não o tal estofo


O FC Porto ganhou em Alvalade. A vitória da melhor equipa. Da equipa mais coesa, mais unida, mais solidária. Num jogo nem sempre bem jogado, é certo, mas com uma intensidade enorme, houve de tudo:
golos, falhanços e erros de arbitragem. Um verdadeiro clássico.

O jogo começou bem. Intenso, disputado, dividido, mas muito a meio-campo. O ritmo, esse, é que não era muito elevado. Andava tudo a pisar ovos até que Tomás Costa, primeiro, para o FC Porto e Postiga, do lado do Sporting, deram um safanão na partida. As equipas acordaram e veio o primeiro golo à passagem dos vinte minutos. Tomás Costa ganhou na insistência a bola a Grimi - andou a ver navios - e cruzou para a área, onde Lisandro colocou o FC Porto em vantagem no clássico. Com o golo, os portistas assumiram o comando e controlavam o jogo como bem entendiam. Até que, nove minutos depois do golo de Lisandro, Lucílio Baptista marcou penalty para o Sporting, num encosto de braço de Tomás Costa sobre Moutinho. Um penalty simpático. Na marcação, o mesmo João Moutinho enfrentou Nuno e voltou a empatar a partida. Empate que não durou mais do que dois minutos, porque aos 30', o FC Porto voltou a marcar. Um golaço de Bruno Alves de livre directo! Os portistas voltaram a assumir o comando da partida, superiorizando-se a um Sporting muito intermitente. Mesmo assim, em cima do fim da primeira parte, Derlei com um bom cabeceamento quase marcava, obrigando Nuno a uma grande defesa.

SABER GERIR

Ao intervalo, Paulo Bento alterou a equipa. Tirou Grimi que esteve desastrado e colocou Pereirinha no meio-campo, recuando Miguel Veloso para a lateral esquerda e Rochemback na posição de médio defensivo (onde esteve melhor). A equipa melhorou um pouco de produção, mas foi o FC Porto quem voltou a estar muito perto do golo. Nova bomba de Bruno Alves, que desta vez acertou em cheio na barra. Três minutos volvidos, aos 55', Jesualdo Ferreira retirou Tomás Costa, a quem o árbitro já tinha perdoado a expulsão, e colocou Mariano González para explorar o contra-ataque. E foi mesmo num contra-ataque que os portistas podiam ter dado o KO, num grande remate de Rodríguez que passou a centímetros do poste da baliza de Rui Patrício.

Faltavam 25 minutos para o final, quando Paulo Bento esgotou as substituições. Trocou Abel por Romagnoli (trouxe mais dinâmica ao jogo) passando Pereirinha para o lado direito da defesa e entrou Liedson para o lugar de Postiga. E foi dos pés de Romagnoli que quase surgiu o empate, aos 71 minutos, numa perdida incrível de Derlei com a baliza aberta. Até final, o Sporting tentou de todas as formas possíveis chegar ao empate mas esbarrou sempre num gigante chamado Bruno Alves ou então em Nuno, que esteve muito seguro e concentrado. O apito final confirmou aquilo que há muito estava escrito: a vitória do FC Porto.

DESTAQUES

LUCÍLIO BAPTISTA: O penalty para o Sporting marcou a exibição. É um daqueles lances em que há contacto mas fica a dúvida se era ou não motivo para assinalar falta - a tal questão da intensidade. Depois disso, Lucílio desnorteou-se por completo. E ainda poupou as expulsões de Tomás Costa e Derlei.

PAULO BENTO: Surpreendeu ao colocar Yannick no lugar de Romagnoli e o Sporting começou mal logo desde aí. Tentou alterar as peças, talvez até em demasia, mas nunca obteve resultados práticos. Á semelhança do derby, voltou a não acertar na táctica.

JESUALDO FERREIRA: O FC Porto, sem fazer um jogo do outro mundo, ganhou com toda a justiça. E os festejos de Jesualdo no fim do jogo demonstram bem a importância deste resultado.

MELHOR EM CAMPO: Bruno Alves. Foi imperial na defesa e ainda marcou um grande golo que deu a vitória ao FC Porto. Mas Nuno e Fernando também estiveram em grande.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Taça UEFA: Benfica voltou a ser de Reyes


O Benfica está apurado para a fase de grupos da Taça UEFA. Depois de dar a volta à eliminatória, os encarnados eliminaram o Nápoles, numa grande exibição colectiva. Mas nem sempre foi fácil.

Vamos começar pelo início. E por meia hora de grande futebol. Que podia ter começado mal. Lavezzi, aos quatro minutos, apareceu em frente a Quim e podia ter deitado por terra a estratégia de Quique Flores. Assim como no derby, quando Yannick podia ter marcado logo no primeiro minuto para o Sporting. Depois disso, o Benfica atirou-se de cabeça. O Nápoles resistia como podia, defendendo com quase toda a equipa atrás da linha da bola, apenas com Zalayeta e Lavezzi na frente. Oportunidades havia de sobra: Dí María, Sidnei, Nuno Gomes, Yebda e Reyes quase levaram cinquenta mil pessoas à loucura. Mas não acertavam com a baliza de Gianello. Acabaram esses trinta minutos de intenso futebol e o Nápoles mesmo à italiana, conseguiu neutralizar as investidas do Benfica e voltar a subir as linhas.

O último quarto de hora da primeira parte foi do Nápoles, que usou a frieza e o calculismo que são típicos das equipas transalpinas. Começou com um fantástico pontapé de Lavezzi - esteve em todas - e acabou com um cabeceamento de Cannavaro ao poste, seguido de um remate de Zalayeta. Pelo meio, aquelas picardias para enervar os jogadores e até os adeptos.

REYES DESCOMPLICOU

A segunda parte começou da mesma forma. Com os napolitanos em cima do Benfica. O Nápoles parecia ter o jogo controlado. Pois bem, parecia. Até ao momento em que Katsouranis isola Reyes, meio golo. O espanhol fez o resto e colocou o Benfica com um pé na fase de grupos da Taça UEFA. Reyes, mais uma vez decisivo. A partir daqui, os italianos pouco mais fizeram. Aos 82', Carlos Martins, entrado há pouco, ofereceu o 2-0 a Nuno Gomes. O capitão não se fez rogado e mandou a bola lá para dentro da baliza. Loucura total na Luz.

Grande exibição do Benfica. Yebda e Reyes foram enormes. E Katsouranis, então...


RESULTADOS:

Benfica 2-0 Nápoles (4-3, APURADO)
V. Guimarães 2-2 Portsmouth (2-4, ELIMINADO)

Valência 2-1 Marítimo (3-1, ELIMINADO)

Heerenveen 5-2 V.Setúbal (6-3, ELIMINADO)

Artmedia 0-2 Sp.Braga (0-6, APURADO)


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Sporting-Basileia, 2-0: dever cumprido

Dever cumprido. O Sporting venceu o Basileia por 2-0, com golos de Romagnoli e Derlei. E até deu para recuperar Vukcevic.

Paulo Bento apresentou quase a mesma equipa do derby, apenas colocando Derlei no lugar de Yannick Djaló. E Vukcevic, depois de tanto imbróglio, foi convocado mas começou no banco. O s primeiros minutos do jogo foram lentos, com as equipas sem imaginação. Na primeira parte apenas duas oportunidades: aos nove minutos, Derlei cabeceou ao lado e mesmo em cima do intervalo, o mesmo Derlei obrigou o guarda-redes Constanzo a uma grande defesa. Nada mais se viu na primeira etapa. E os assobios aparecerem, claro.

Ao intervalo entrou Vukcevic para o lugar de Rochemback. Enorme ovação do público de Alvalade. O Sporting entrou bem melhor, mais rápido, mais fluído. Derlei - sempre ele - atirou ao poste e, aos 55 minutos, surgiu o primeiro golo. Um golo esquisito, no mínimo. Abraham ao tentar aliviar chutou contra Romagnoli e fez com que a bola entrasse na baliza de Constanzo. Só visto.
O Basileia tentou reagir ao golo sofrido e chegou mais perto da área de Patrício, embora sem grande perigo. O jogo estava mais aberto, mas o Sporting teve sempre o controlo. E voltou mesmo a marcar. A quatro minutos do fim, Romagnoli descobriu Derlei no meio da defesa suiça e o avançado brasileiro não desperdiçou. Assunto arrumado.

Mesmo sem fazer uma grande exibição, o Sporting cumpriu a obrigação. E Vuk parece que fez as pazes com a equipa.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

As crónicas do BB


A CONTA-GOTAS

Desde a minha primeira crónica o que mudou no futebol português? Quase nada, respondo eu, mas se calhar o melhor é acrescentar que mudou alguma coisa.


Equilíbrio no topo, como era previsto, decepções (Braga e Guimarães), confirmações (V. Setúbal e Nacional) e surpresas (Leixões pela positiva e Belenenses pela negativa), Eu sei que só mais duas jornadas se jogaram no mês de Setembro. O panorama vai ser igual neste calendário de Outubro, mas quem escolheu esta calendarização foram os clubes e a Liga.

As críticas começam a chegar à praça pública, com o argumento de a Taça de Portugal e a Carlsberg Cup não terem um modelo competitivo que proporcione boas receitas e interesse do público. O Varzim já veio a terreiro criticar o molde e o apoio financeiro da Liga Vitalis, afirmando que o retorno do apoio publicitário meteu água, apenas e só sete mil e quinhentos euros na temporada transacta por clube. Claro que as receitas das transmissões televisivas não agradam aos clubes, já que poucos têm acordo com a Olivedesportos, e por isso o caos começa a instalar-se, pouca receita e muitos gastos. Mas este não tem sido o panorama habitual do futebol português? Quem tem coragem para inverter o rumo dos acontecimentos? A Liga vai fazendo algumas operações de cosmética, sponsorização das provas profissionais, mas cujo retorno financeiro para os clubes se revelam um autêntico "flop".


O FC Porto está mais fraco e com menos soluções que na época transacta, revelando-se algumas das suas contratações inadaptadas ao estilo do futebol português, e nem será necessário recorrer ao descalabro da exibição de ontem contra o Arsenal para o provar, basta atentar no nível exibicional dos primeiros jogos da equipa orientada por Jesualdo Ferreira.

O Sporting fez alarde de equipa ganhadora nas primeiras jornadas, mas bastou um jogo mais equilibrado com um dos candidatos, Benfica, para se descobrirem defeitos onde antes só havia virtudes. O Sporting quis jogar para o resultado e com o resultado e foi surpreendido por um Benfica que começa a construir uma equipa forte, e a inclusão de Katsouranis no meio campo, pode ser o factor decisivo para que a equipa de Quique Flores caminhe para uma época de sucesso.


Uma coisa mudou para melhor, as chicotadas psicológicas, que na época transacta aconteceram logo á primeira jornada, com Fernando Santos (Benfica) a sentir o estalar do látego, e esta época só à terceira jornada ele estalou, nas costas de Toni (Trofense).


Meus amigos voltaremos ao contacto nos inícios de Novembro, com este mês a decorrer só com mais duas jornadas, jogadas na primeira e última semanas. No meio uma paragem para um jogo da Selecção, e outra competição a emergir já com os grandes, a Taça de Portugal, onde a gestão de plantel vai ser o mote, o que poderá originar algumas surpresas.
É o campeonato que temos e que os seus intervenientes e responsáveis querem. Até quando?

BERNARDINO BARROS