As palavras de Bruno Carvalho são também uma constatação do óbvio porque os benfiquistas têm sempre esperanças renovadas na conquista do título mas isso acaba por se desmoronar com o passar dos tempos. Na presente temporada existiam enormes expectativas que saíram totalmente furadas. É preciso mudar. É preciso seguir o exemplo dos melhores, diz Bruno Carvalho. Ao falar dos melhores referiu a tão falada organização do FC Porto, clube possuidor de uma excelente estrutura de apoio a jogadores e treinadores, apontando como um exemplo a seguir. Percebe-se aquilo que Bruno Carvalho pretende, percebe-se as ideias. Eu reconheço que estou de acordo. Mas será que os adeptos aceitam que o seu presidente diga que o FC Porto é superior? Não me parece. E é precisamente aí que Bruno Carvalho mais terá a perder porque ainda há quem defenda um clima de guerra entre os clubes. Sem perceberem que são eles os maiores prejudicados.
domingo, 12 de abril de 2009
O bom discurso de Bruno Carvalho
As palavras de Bruno Carvalho são também uma constatação do óbvio porque os benfiquistas têm sempre esperanças renovadas na conquista do título mas isso acaba por se desmoronar com o passar dos tempos. Na presente temporada existiam enormes expectativas que saíram totalmente furadas. É preciso mudar. É preciso seguir o exemplo dos melhores, diz Bruno Carvalho. Ao falar dos melhores referiu a tão falada organização do FC Porto, clube possuidor de uma excelente estrutura de apoio a jogadores e treinadores, apontando como um exemplo a seguir. Percebe-se aquilo que Bruno Carvalho pretende, percebe-se as ideias. Eu reconheço que estou de acordo. Mas será que os adeptos aceitam que o seu presidente diga que o FC Porto é superior? Não me parece. E é precisamente aí que Bruno Carvalho mais terá a perder porque ainda há quem defenda um clima de guerra entre os clubes. Sem perceberem que são eles os maiores prejudicados.
sábado, 11 de abril de 2009
A tecla não falha e o Benfica chumba
Falta menos uma jornada e o FC Porto mantém a vantagem de quatro pontos para o Sporting. Ganharam ambos, com justiça. Ao invés, o Benfica foi vencido pela Académica no Estádio da Luz, a segunda derrota seguida em casa. Depois de Roberto, foi Tiero a estragar as contas de Quique Flores que ficaram agora bem complicadas até em relação ao segundo lugar (quatro pontos de diferença). Encaminha-se outra taça para o Dragão?
Deram alvíssaras os adeptos do FC Porto pela entrega dos troféus respectivos aos dois últimos campeonatos ganhos. O jogo com o Estrela da Amadora, antes e depois de encontros europeus com o Manchester United, serviu para dar mais um passo para nova conquista. Não só pelos resultados mas pelas exibições consistentes e sólidas que os portistas apresentam. Contudo, neste jogo nem sempre assim foi: a equipa entrou algo apática, sem pressionar alto e com algumas dificuldades em assentar o ritmo. Eram ainda os resquícios do desgastante jogo de Old Trafford. O Estrela, há que dizê-lo, esteve melhor nos primeiros quinze/vinte minutos mas nem Helton nem os defesas dos dragões vacilaram. Um remate de Farías para defesa de Nélson foi, talvez, a pedra de toque para mudar o jogo e para que o FC Porto pusesse o plano em prática. Veio o golo de Bruno Alves, um golão de livre, à meia hora de jogo. Aí, o jogo praticamente ficou sentenciado. Na segunda parte, o FC Porto consolidou o seu jogo e, consequentemente, o resultado. Vieram mais dois golos de Ernesto Farías que fixaram o 3-0 final. Com uma gestão perfeita de Jesualdo Ferreira, em mais um passo para o tetra.
Como diria o outro, tantas tácticas e tantas descobertas para nada porque no final quem resolve é Liedson. É uma verdade que ninguém ousa sequer contestar, de tão evidente que se torna. O levezinho é um jogador de enorme categoria que não precisa de muito para fazer mossa nas defesas contrárias. O jogo com a Naval serviu novamente para o comprovar. Primeiro, Liedson aproveitou uma escorregadela de Baradji e cruzou a bola para que Pereirinha inaugurasse o marcador; depois, no minuto 27, foi inteligente antecipando-se aos defesas navalistas para desviar um livre de Moutinho para dentro da baliza; e deu, já em cima do final, o golpe de misericórdia na Naval, num lance em que aproveitou uma defesa de Peiser para a frente, estabelecendo assim o 3-1 final. Pelo meio surgiu o golo da equipa de Ulisses Morais, aos 16 minutos, marcado por Marcelinho após um erro de Miguel Veloso - regressou para jogar a trinco - e coroando um bom período da Naval. Depois surgiu Liedson, como já foi dito, para resolver de vez. E para dar uma vitória justa ao Sporting. Sem brilhantismo, porém.
Quique Flores disse querer mudar a má imagem deixada pelo Benfica na Amadora apesar da vitória. Não conseguiu. Piorou até. Os encarnados sofreram a segunda derrota consecutiva em casa, ao perder por 1-0 com a Académica, embora tenham jogado bem melhor do que na jornada anterior. Paradoxal, não? Ganha quem marca mais e só isso conta. A Académica fê-lo. Não que tenha jogado bem, nada disso, mas foi mais eficaz do que o Benfica. Marcou aos 22 minutos, num bom golo de Tiero, com um cabeceamento sem hipóteses para Quim mas muito consentido pela defesa encarnada. Os encarnados reagiram e ainda antes do intervalo, Pablo Aimar acertou na barra. A segunda parte foi de total domínio do Benfica, sempre em busca do golo do empate, frente a uma Académica que se fechou em redor da sua área desistindo do ataque. Houve oportunidades de sobra mas aí também surgiu Peskovic, um guarda-redes gigante, numa noite fantástica fazendo lembrar a sua exibição em Alvalade. Além disso Cardozo ainda acertou no poste e o árbitro Marco Ferreira anulou mal um golo a Aimar por falta inexistente de Nuno Gomes. Quique lançou Di María, Balboa e Mantorras, sem que nenhum deles tenha mudado o que quer que fosse. No final viram-se lenços e até lençóis brancos. Maus, maus lençóis para o Benfica.
O Belenenses deu um pontapé na crise e venceu o Vitória de Setúbal, um jogo absolutamente decisivo como considerou Jaime Pacheco. São dois clubes históricos, com enorme percurso no futebol português que vivem maus momentos quer em termos futebolísticos quer em termos financeiros. Por outro lado, o Rio Ave mantém-se no último lugar depois de derrotado pelo Leixões que voltou finalmente às vitórias, subindo ao sexto lugar em troca com o Marítimo que arrancou um empate em Braga. Nessa luta pela UEFA, o Vitória de Guimarães não aproveitou a oportunidade de se chegar mais à frente e empatou com o Paços de Ferreira, sendo mesmo ultrapassado pela Académica. A jornada termina apenas na segunda-feira com o encontro entre Trofense e Nacional que pode levar a novas mexidas: a equipa de Manuel Machado poderá subir ao quarto lugar trocando com o Sp.Braga, em caso de vitória, o que a acontecer fará com que o Trofense caia para o penúltimo lugar, do qual escapa o Belenenses. Contudo, são apenas hipóteses. A confirmar na segunda.
Macheda por entre ascenções e quedas
O sucesso de Macheda fez-me lembrar de um Benfica-FC Porto, em 2007. O jogo estava empatado e, nos minutos finais, um tal de Renteria conseguiu isolar-se em frente ao guarda-redes encarnado. Tinha tudo para marcar e quase entregar o campeonato à sua equipa. Não teve discernimento para isso e falhou. Um falhanço enorme de um jovem que havia chegado há pouco tempo quer ao clube quer ao próprio jogo. Ficou com o seu futuro comprometido. E é a imagem desse erro, dessa troca de pés, que ficou para os adeptos, especialmente para os adeptos portistas. Acabou por sair para o Sp.Braga, com poucas oportunidades no Dragão. Um exemplo de como um lance marca para sempre um jogador.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Ter preconceitos
Reconheço também que nem sempre acreditei no trabalho de Jesualdo Ferreira. Aqui, mais uma vez, também não fui o único. Porém, a sua terceira época no FC Porto está a ser a melhor da sua carreira pois tem o campeonato e a Taça de Portugal bem encaminhados e conseguiu algo não alcançado desde Mourinho, ou seja, aos quartos-de-final da Liga dos Campeões - e recorde-se, está em vantagem na eliminatória com o campeão europeu, Manchester United. Com a época ainda em curso, muito se tem falado da renovação (ou não!) de Jesualdo pois ainda não há uma confirmação oficial de que isso venha a acontecer. A mim parece-me que Jesualdo Ferreira merece essa renovação. Sobretudo por esta época. E tem mérito, obviamente, naquilo que se falou na primeira parte do texto: a formação de jogadores.
Por fim, tenho de reconhecer que fiquei desiludido com Quique Flores e o seu Benfica. Um treinador novo, metódico e frontal que disse querer devolver aos encarnados a grandeza de outrora; Rui Costa ficou com a pasta do futebol e tratou de compor um plantel que pudesse dar essas garantias, o melhor da última década, contando com jogadores de classe internacional como Aimar, Suazo ou Reyes. Fazendo uma retrospectiva, é claro que muito se prometeu e pouco se cumpriu. A época não correu da forma pretendida com as eliminações da Taça de Portugal e da Taça UEFA e também com a conquista do campeonato muito complicada, a Taça da Liga acaba por ser uma espécie de salvação embora esta não tenha ainda real importância no panorama do futebol português. Pior do que isso só as exibições como a que foi possível ver na Amadora: sem chama, sem garra, sem atitude. O Benfica é, por isso, uma equipa de extremos capaz do melhor e do pior. Ora, um candidato ao título não pode ser tão incostante. Nem Quique Flores pode fazer tantas experiências e tantas mudanças na equipa que apresenta semana após semana. As mudanças na baliza servem apenas para o comprovar.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Bernardino Barros e os sete ofícios - Parte I
Bernardino Barros é um dos mais conceituados comentadores de futebol. Decidiu cedo ser jornalista, jornalista desportivo, a grande paixão. Experimentou de tudo, desde jornais, televisões e rádios. Actualmente está na Renascença, desde 2004. Diz que não se importa que falem mal dele pois aquilo que quer é que falem. Tal como num relato, não há tempo para descanso. É sempre em parada & resposta.
"NÃO ME VEJO SEM FAZER RÁDIO"
FUTEBOLÊS: O Bernardino começou cedo no jornalismo desportivo. O que o levou?
BERNARDINO BARROS: Primeiro porque o desporto sempre foi a minha paixão. Todo o desporto, futebol, ténis, basquetebol, etc. Depois porque queria viver as incidências desses desportos por dentro e não só como mero espectador. Finalmente porque o gosto pela escrita era, e ainda é, muita, optei por escrever as emoções de quem vivia de perto os acontecimentos desportivos. Comecei no bissemanário Norte Desportivo, dirigido por Alves Teixeira, a fazer jogos de juniores e juvenis. Depois passei para o Comércio do Porto, onde fazia preferencialmente a página dedicada ao basquetebol, o meu desporto preferido, futebol e ténis.
BB: Os que marcaram a minha infância. Na escrita, Amadeu José de Freitas, Vítor Santos, Carlos Pinhão, Manuel Dias e Aurélio Márcio. Na rádio, António Pedro, Justiniano Vargues, David Borges, Ribeiro Cristóvão, José Barroso e o meu saudoso Jorge Perestrelo. Hoje as referências são outras.
F: Passou por jornais, televisões e rádios. Tem preferência por algum?
BB: Gosto e gostei de trabalhar em todas essas áreas, mas a paixão é, e será sempre, a rádio. Não me vejo sem fazer rádio. É diferente de tudo. É intimista, ninguém nos conhece, só reconhecem a voz. Obriga-nos ao improviso e não há como emendar os erros, ou falhanços. Obriga a uma grande concentração. Como costumo dizer “a rádio em directo obriga-nos e ensina-nos a trabalhar no arame sem rede”.
F: Actualmente está na Renascença. Como chegou lá?
BB: Depois de 14 anos na TSF e desiludido com o rumo que a rádio tomava na altura em que resolvi mudar (2004), essa minha intenção chegou aos ouvidos do Pedro Azevedo. Como precisavam de um comentador no norte do país, e depois de saber se eu estava receptivo a um convite para mudar, e perante a minha confirmação, falou com o Ribeiro Cristóvão, que me convidou pessoalmente. Entrei em Março de 2004 e cá me mantenho com toda a energia, fazendo parte de uma das mais prestigiadas equipas desportivas do país, integrando uma rádio de referência.
F: Habitualmente tem comentários bem dispostos, sobretudo,
BB: Não há duplas ideais. Gosto muito de trabalhar com os dois Pedros. Pela particularidade do Pedro Sousa ser mais aberto na forma como relata, proporciona-se que possa ser mais aberto na forma como comento, mas não me parece que seja assim tão sorumbático na forma como trabalho em equipa com o Pedro Azevedo. São dois estilos diferentes, com os quais caso bem.
F: Até porque trabalha mais com Pedro Azevedo.
BB: O hábito de trabalhar com o Pedro Azevedo, faz com que haja uma grande cumplicidade entre nós, sabendo quando entramos na respiração um do outro, quando as pausas são necessárias, e sobretudo como lemos o jogo nas suas mais variadas vertentes. Como diz o ditado “o hábito faz o monge” e o nosso hábito é muito maior. Acima de tudo são dois excelentes profissionais, dois excelentes amigos e para mim os melhores relatadores em actividade em Portugal.
(CONTINUA)
Bernardino Barros e os sete ofícios - Parte II
"NÃO IMPORTA SE FALAM BEM OU MAL, IMPORTA QUE FALEM"
BB: Infelizmente em Portugal não se gosta de desporto, gosta-se dos clubes, e por isso, quem assume a sua inclinação por alguma cor, tem problemas. Se calhar é por isso que a maior parte dos relatadores e comentadores prefere negar o seu clubismo, dizendo que são da Académica ou de qualquer clube da sua terra ou bairro. Só que na escola escolhemos um clube e ele fica para sempre.
F: O que faz, então, para ser um comentador imparcial?
BB: A imparcialidade não existe. Não conheço ninguém que dê a sua opinião e que seja imparcial. Seja comentador desportivo, analista político, teatral, televisivo, etc.
BB: O Euro 2004, o Mundial da Alemanha, a final da Liga dos Campeões e da Taça UEFA com o FC Porto, a final da Taça UEFA com o Sporting em Alvalade, os mundiais de Hóquei em Patins, O mundial do futebol de Juniores em Lisboa. São tantos e variados que é difícil escolher um. Felizmente que os vivi, e espero viver mais uns tantos.
F: E piores?
BB: As mortes em directo do Pavão e do Féher.
F: Diz também que o jornalismo desportivo atravessa uma espécie de crise. É verdade?
BB: Claro que sim, é só olhar á nossa volta e ver os órgãos de comunicação que fecham ou fecharam e mandaram para o desemprego tantos jornalistas. Ainda agora um dos potentados da comunicação social, resolver “despedir” centenas de jornalistas, quando na festa de Final de Ano, os patrões davam os parabéns aos trabalhadores pela subida em numero de vendas. O que mudou de Dezembro até Fevereiro?
F: Como se verifica isso?
BB: Pelo monopólio da comunicação social estar em três ou quatro grandes grupos. Como são os “patrões” de vários títulos, escrita e falada, obrigam os trabalhadores a “sinergias” ilegais. Se fui contratado para a rádio, porque carga de água sou abrigado a fazer a crónica do mesmo jogo para o jornal do grupo? Ou vice-versa? Só que quem não faz vai embora, e como infelizmente os “recibos verdes” vieram para ficar, a impunidade é total. Como diz o ditado “manda quem pode, obedece quem deve” e como o mercado de trabalho está nas mãos de uns poucos, é “comer e calar”. Culpa teve quem permitiu o e legislou a concentração dos media em tão poucos grupos. Os tubarões não deixam comer os pequenos, só que mais tarde ou mais cedo, morrem, ou por serem caçados ou por enfartamento.
F: Além de todo o trabalho, participa também com crónicas em blogues como o FUTEBOLÊS. Por que o faz e como concilia tudo isso?
BB: Da mesma forma e pelo mesmo motivo que aceito convites para moderar colóquios ou debates. Porque gosto de participar e estar envolvido no desporto, e porque ainda há quem goste de nós, por isso enquanto puder, responderei sim a esses convites, desde que tenha tempo para isso. Foi assim que aceitei o teu amável convite para colaborar neste teu espaço.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
LC: Super-Barça em direcção a Roma
Uma meia-final parece ter os protagonistas encontrados (Barcelona e Chelsea) apenas com a primeira mão disputada. Nos outros jogos existe bem mais suspense pois tudo está em aberto: Manchester United, apontado como favorito à vitória final, surpreendido pelo FC Porto terá de ganhar no Dragão, algo nunca conseguido por uma equipa de Sua Majestade; Arsenal e Villareal empataram em Espanha, a um golo, o que dá vantagem aos ingleses. Em relação ao primeiro, o jogo do FC Porto, o resultado final dá alguma margem aos portistas que estão em vantagem na eliminatória. Além disso, a exibição conseguida em Old Trafford foi notável e deixou boas indicações para o jogo do Dragão, onde Alex Ferguson será obrigado a meter a carne toda no assador. Quanto ao jogo entre Arsenal e Villareal foi decidido por dois golos de levantar o estádio: primeiro Marcos Senna para os espanhóis, depois Adebayor empatando o jogo e dando vantagem para o jogo da segunda mão aos gunners. Contudo, este Villareal foi capaz de vencer o Panathinaikos, em Atenas, e deverá ser levado em conta.
Por estes motivos e mais alguns, a Liga dos Campeões é tão apaixonante. Já se viram recuperações incríveis, milagrosas quase, por isso nada se pode dar como definitivo para já. Fica também bem patente o domínio das equipas inglesas que terá, pelo menos, um representante na próxima fase. Ou até podem três - Manchester, Arsenal e Liverpool/Chelsea. Esperemos que não. Pelo FC Porto.