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sábado, 6 de agosto de 2011
FUTEBOLÊS: Novo site
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terça-feira, 2 de agosto de 2011
Quando sai a sorte grande... sem jogar!
Ontem, em Portugal, surgiu uma surpresa. Uma surpresa gigantesca.
Roberto, o Roberto do Benfica, foi vendido ao Saragoça. Pronto, tudo bem: o portero espanhol era terceira opção, ficou marcado pela época anterior, perdeu o lugar para Artur e Eduardo, ficou sem condições para continuar. Um dos principais propósitos do Benfica, nesta temporada, era colocar Roberto. Vendido ou emprestado. Pelas notícias, o espanhol negou-se a sair por empréstimo e continuou no plantel do Benfica - ele, Artur, Eduardo, Mika e Júlio César. Só lhe restava abandonar o clube. Portanto, até aqui, onde está a surpresa?
A novidade, violenta e estonteante, chega depois de saber que Roberto saiu. A surpresa é que o Benfica encaixa, pela transferência do guarda-redes, oito milhões e seiscentos mil euros. De novo, pausadamente: oito milhões e seiscentos mil euros. Quer isto dizer que, um ano depois de o ter contratado ao Atlético de Madrid, com uma época negra e errante pelo meio, o Benfica consegue transferir Roberto e, com isso, lucrar cem mil euros. Um negócio da China.
O adepto benfiquista interroga-se e sorri com malandrice. É como se não tivesse jogado e lhe tivessem saído milhões e milhões de euros. Cash, assim caídos do céu aos trambolhões, por milagre. Roberto foi um pesadelo, cedeu pontos, não foi o guarda-redes esperado e fraquejou, mas, apesar de tudo isso, de todos os defeitos, acabou por render um montante gigantesco. Como é possível que um clube como o Saragoça, que luta para não descer, que está mergulhado em problemas financeiros, que demonstra contenção nas compras, cometa uma loucura assim, tão grande prova de confiança, para contar com um guarda-redes que já teve mas que falhou completamente no Benfica?
A verdade pura e dura é esta: o Saragoça pagou oito milhões e seiscentos mil euros ao Benfica pelo passe de Roberto Jiménez. Impressionante.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
FC Porto: Vitórias morais valem, dragão?
Vitórias morais, podem esquecer, não servem. Quando o resultado é negativo, quando o objectivo sai gorado, quando o suor não vale a pena, de nada vale ter jogado bem, ter obrigado o guarda-redes adversário a aplicar-se a fundo, ter dominado e ter acertado nos postes. Tudo isso, no final, representa um zero, um zero gordo, sem validade. Mas nos jogos de preparação, quando a principal meta é a avaliação das capacidades de resposta da equipa e dos jogadores, o caso pode mudar de figura e as vitórias morais até representam, por vezes, ser um bom prenúncio. O FC Porto hoje, na Suíça, sentiu-o: jogou com o Olympique Lyonnais, controlou o jogo, lançou-se ao rival, criou oportunidades e, feitas as contas, acabou derrotado. Por dois-um.
A uma semana do arranque oficial da época, frente ao Vitória de Guimarães, em jogo da Supertaça, o treinador Vítor Pereira deve ter gostado do que viu. A equipa esteve bem, mostrou dinamismo, teve consistência e cumpriu grande parte dos objectivos traçados. Moutinho comandou o meio-campo, Souza apresentou-se menos precipitado e Kléber, o grande destaque da pré-época, mostrou raça, querer e esforço. O dragão ainda se sente órfão das principais figuras, ainda não tem Falcao nem Álvaro Pereira, talvez até nem os venha a ter mais, mas revelou atitude, garra e alternativas válidas.
O que falhou, então, na exibição do FC Porto? Finalizar. Faltou poder de fogo ao dragão, faltou concretizar as oportunidades e consumar o domínio. Hulk tentou, Fucile acertou no poste, o perigo espreitou mas não passou disso, apenas Rúben Micael, de orgulho ferido depois da desfeita de Lisandro López, conseguiu concluir com êxito. O Lyon marcou das duas vezes em que alvejou a baliza de Helton, por Lisandro e Michel Bastos, golos a abrir e fechar o jogo, em dois erros da defesa azul, conseguindo a primeira vitória na pré-temporada. O FC Porto, pelo contrário, perdeu, depois de uma série imaculada. Mesmo que fique com uma vitória moral.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Opinião: A sombra do que fomos
Três homens, uma mesa e uma garrafa. Uns aperitivos pelo meio. Sentam-se, conversam e relembram o passado. Os olhos brilham, enchem-se de água, tudo ali é saudade. Já passaram os sessenta mas as recordações estão lá, vivas, eternas e melancólicas. A nostalgia invade-os, toma-lhes a alma e fá-los sonhar. Estão noutra. Metade da idade, o dobro da força, o triplo da energia. Recordam o que os fazia viver. Porra, como estamos velhos. Voltaram a juntar-se. Como antes. Há muito que não o faziam. Comem, bebem, conversam e revivem. Do que fizeram, do que mudou, de tudo. Diz um deles: e o nosso Sporting? Os outros não respondem. E o nosso Sporting? Olhares cruzados, ombros encolhidos, sobrancelhas franzidas. Bem, lá está...
O Jordão, pá, o Jordão é que era um artista, ele e o Manel, o de Sarilhos, o grande Manel. Ali há entusiasmo, há muitas memórias, há muito orgulho naquelas palavras e naqueles tempos de ontem. Há amor a uma causa. A voz sobe, os gestos tornam-se mais rápidos, as palavras saem com facilidade e as imagens não podiam ser mais nítidas. Então, pá, não estão a ouvir? Não se lembram daquelas tardes no velhinho José de Alvalade? Eles ouvem. E recordam. Sabem do que se fala e têm muito a dizer. Por que não o fazem? Por que preferem olhar para o chão? Não têm o mesmo espírito nem a mesma garra. São mais comedidos e quase se desligaram da actualidade. Sabes, actualmente, não temos tido muitas razões de festa...
Aquele genica acalma. Leva um certo tempo até interiorizar as palavras. Não é daquelas coisas que entram a cem e saem a duzentos. Não, é diferente. Estas fizeram eco, ficaram e propagaram-se. Pois, realmente, não há razões de festa para os sportinguistas, o presente não tem sido lá muito bom, é verdade, mas não faz mal que três amigos recordem os tempos bons que passaram. Somos a sombra do que fomos, diz-lhe um. É precisamente por isso que não querem aquele assunto. Há outros, outras recordações. Sim, mas podemos sempre voltar a acreditar no nosso Sporting, não? E outra vez sim, porque, olhando bem para a coisa, é possível. Precisam de acreditar. Bebem um copo, apoiam-se sobre a mesa e desenrolam a fita. Agora estão os três na mesma onda, com um sorriso. Bons tempos viveram.
Os sportinguistas sentem que o seu Sporting está adormecido. Precisam de olhar para trás, de puxar pela memória e gastar energias, para se orgulharem do clube que escolheram e se manterem ligados a ele de coração. Recordam. Porque, diz-se por aí, recordar é viver. Os últimos tempos foram maus de mais, com dureza desmedida, capazes de fracturar qualquer alma e qualquer amor pelo clube. Pá, até estive quase a deixar de pagar as quotas, mas depois... Mas depois não o fez. Porquê? Não deve ter sido do pena. Foi porque apesar de todos os problemas, daquela confusão toda, continuou a sobrar um fiozinho de esperança. Pequeno, sim, mas não desapareceu. Estava à espera de um motivo para ressurgir.
Três homens de sessenta anos estão ultrapassados para ir para o relvado, pôr as recordações em prática e levar tudo à frente. Por isso, têm de confiar em quem os representa. Há bons jogadores, aqueles tipos novos têm contratado bem. A fé parece ter voltado a Alvalade. Um novo presidente, um novo rumo no futebol, um treinador mobilizador e um plantel renovado. Tudo isso junto para voltar a haver alma, garra, vontade e muito querer. As páginas negras mancharam mas não apagaram os registos do passado. Há quem os recorde e os queira ver aplicados no presente. Se o gosto pelo clube se manteve, se as quotas continuaram pagas, nada melhor do que acreditar que, agora sim, será melhor. Pode não dar para chegar ao céu mas, ao menos, que dê para honrar o nome e a camisola. Para que o Sporting renasça. Vamos a Alvalade hoje, pá?
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Opinião: A necessidade de viajar para a Europa
O Brasil sempre foi uma mina de ouro. Talento, arte, técnica, os melhores habilidosos do planeta, os jogadores mais entusiasmantes. Têm ritmo, sabem o que fazer à bola, tratam-na como amiga, são melhores que os outros. Só que aquele futebol de rua, sem regras ou amarras, começa a saber a pouco. O talento é demasiado para jogar entre amigos, para ganhar umas apostas com os irmãos de sempre. Abre-se a porta: Europa. Mamãe, tchau, vou lá pra Europa, quero o meu sonho. É uma espécie de El Dorado. Agora é preciso aprender regras, aprender posicionamentos, aprender táctica, aprender como se joga. Agora há amarras e o samba não chega. Na Europa joga-se à Paolo Rossi, seu Telê sabe...
Muitos não se adaptam. Droga, cara, como é possível? Têm talento mas nunca deixam o estado bruto. Não limam arestas, não assimilam a forma de jogar e perdem-se. O talento, aquele perfume das ruas, continua lá. Pegam na bola, levantam-na, passam-na para trás da orelha, baixam-na pelo pescoço e voltam a colar-se no pé. Delicia pela facilidade e pela arte. Aquilo, sim, é verdadeira arte, que pena não puder ser totalmente aplicada. Mas há quem consiga. Mamãe, como diz seu Vinicíus de Moraes, por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo. Por isso há que acreditar, que sonhar, que ousar e que procurar um lugar. Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho conseguiram depois de Yeso Amalfi ter sido o primeiro a correr Mundo. Por que não eu?, pensa Neymar.
Os brasileiros sentem falta do futebol de outros tempos. Da magia que dava títulos. Do deslumbramento aliado às conquistas. Agora está diferente. Mudou e não é possível jogar como antes. Querem a todo o custo voltar a ter um jogador entre os melhores do Mundo, alguém que supere Messi e Ronaldo, o Cristiano, alguém que prove que o espectáculo, os dribles, a pureza da técnica é a verdadeira essência do futebol e é uma boa forma de lucrar. Apostam tudo em Nylmar. Um menino que saiu das ruas, que leva todo esse génio nos pés, que finta como poucos, é um alvo apetecível. Só que Neymar ainda joga sozinho, ainda abusa do individualismo e ainda tem pouca noção do colectivo. Falhou na Copa América. Ele e todos os outros.
Neymar tem dezanove anos. E talento, génio, arte, habilidade, técnica: é um portento. Só que em bruto. Pode ser o melhor do Mundo? Pode. Mas tem que sair para a Europa, tem que limar arestas, tem que aprender como se joga futebol por cá e tem que enriquecer a sua cultura táctica. Tem que juntar inteligência à magia. Aí, poderá ser um novo Ronaldo, o Nazário, que desperte os brasileiros. A fórmula é esta: o Brasil produz, a Europa potencia, o jogador cresce e todos ganham. Será?
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Benfica: Um chefe que resolva o impasse
A pré-época é uma correria. Amontoam-se notícias, embrulham-se negócios e aquecem-se os motores. O período de transferências é demasiadamente longo, permite várias reflexões, várias investidas e vários acertos. Nos clubes portugueses, por exemplo, sobra apreensão e temor. Os europeus estão atentos, são os grandes senhores, têm capital e podem investir. Os cofres portugueses agradecem o que os adeptos repudiam, em tudo existem consequências boas e más. Há, por outro lado, a necessidade de corrigir erros, preencher crateras e evitar novos tropeções. O mercado serve para isso: sai quem não interessa e chega quem pode ser útil. O Benfica vive esse período.
A fase inicial do Benfica foi conturbada. O clube, depois de perder o título para o FC Porto, percebeu que teria de mudar. Olhou para o mercado de transferências, viu onde falhara e contratou. Vários jogadores por posição, alguns deles com qualidade firmada, outros com margem de progressão, a mesma linha dos últimos anos, uma long list para a nova época. O mais normal, nesta situação, seria que os reforços preenchessem lugares ocupados, na última época, por jogadores que, agora, já não faziam falta - César Peixoto ou Roberto, por exemplo, são dois casos que há muito se percebera não fazer sentido continuar. No entanto, o Benfica falhou na colocação dos jogadores que Jorge Jesus riscou. Mesmo não os querendo, manteve-os no plantel. Reforços, activos importantes e dispensáveis, tudo no mesmo grupo.
Hoje, a 27 de Julho, o Benfica iniciou oficialmente a época. Defrontou os turcos do Trabzonspor, em casa, para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Controlou, cresceu com os minutos, passou por sustos, conseguiu quebrar a resistência adversária, marcou dois golos soberbos e venceu com justiça. E naturalidade. Sobressaiu a consistência defensiva, a sobriedade de Artur ou o dinamismo de Nolito e Enzo Pérez. Os reforços estiveram em bom plano, responderam com exibições agradáveis e mostraram trabalho.Jorge Jesus sorriu, gostou e contentou-se com a vitória por dois golos. Não garante a passagem mas... quase. A vantagem é confortável e permite que o Benfica, na Turquia, possa encarar o jogo com segurança. Mas nem por isso descansou.
Há ainda muitas situações pendentes, que precisam de resposta e que vêem o tempo esfumar-se. Antes de conseguir qualquer base para a equipa, antes de implementar qualquer modelo ou filosofia de jogo, Jorge Jesus precisa de ser um chefe, decidido e eficaz, que organize o plantel do Benfica e utilize os jogadores que tem para conseguir um grupo sólido, equilibrado e com soluções para todas as posições. Há excesso de jogadores. Jesus precisa de se libertar dos que não quer, perceber o que fazer com os que forçam a saída e instruir os que serão a equipa-tipo. Vida de chefe.
domingo, 24 de julho de 2011
Opinião: Knocking on Evans door
Um momento, por favor. Nada de perturbações que estraguem a concentração. O período é de reflexão. Contagem decrescente, ânsia, espera que não acaba, hora de decidir tudo, tensão maldita. Nestas coisas, para aliviar, fica sempre bem uma musiquinha de fundo. Um iPod, dois auscultadores e um novo mundo pela frente. Final Countdown, não há melhor para aquele instante, é tradução à letra, sentido literal, encaixa na perfeição. Acelera o ritmo, faz bater o coração e sentir as veias. O palco está ali, à nossa frente, num ambiente frenético. Louco, louco, louco. Andy, vamos lá? É a tua vez, já foi tudo, concentra-te. Os músculos contraem, as pulsações sobem, todos vibram. Há que defender, que pedalar, que dar tudo, que ir para lá dos limites. A vontade é o éter.
Cadel, coragem, coragem, estás em grande, isso, mais um esforço. Dentes cerrados, determinação total, sangue, suor e lágrimas, tudo junto, vontade de voar numa bicicleta, de anular todos os tempos e pulverizar a concorrência. Atrás, no carro de apoio, os olhares cruzam-se: o tempo é uma relíquia, o homem parece que vai pelos ares, ganha segundo atrás de segundo, leva um ritmo impressionante e está disparado para o sucesso. Noutros anos já andou lá perto, já o sentiu, já quase o agarrou. Mas fugiu-lhe sempre. Às vezes até pelo meio dos dedos. I have a dream, responde ele. Não é o único. São muitos a perseguir o mesmo objectivo, a querer a mesma glória e a desejar o mesmo. Afinal, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Por isso pedala como nunca.
A vida corre mal a Andy. A vontade não é tudo. Ele quer, ele sua, ele luta. Desaparece o sorriso, reina a apreensão, o momento não é de conquistas, nada disso, é só de nervos e quase desespero. Passam pela cabeça imagens míticas, muitas voltas, muitas acelerações. E outras peças mal jogadas, zelo a mais e demasiada preocupação em ter um contador de adversários. Alberto, o figurão das outras vezes, dera dores de cabeça, obrigara a estratégias reforçadas e fora o alvo a abater. Com sucesso. Só que havia mais, outros estavam à cuca, preparados para saltar, para aproveitar e para rolar rumo ao topo. Tudo passa pela mente em segundos. O que está feito não se muda. Não se volta atrás. Agora sou eu, a bicicleta e o tempo, vamos lá.
Se há dia perfeito, este é um deles. Tudo corre às mil maravilhas. Cadel vai no melhor, segue imparável, ritmo altíssimo, rotações elevadas, o sonho leva-o, a vontade empurra-o e a glória espera-o. Está às portas do céu. Evans on heaven's door. Arrisca, força mais um bocadinho e está quase. As indicações que recebe estimulam, fazem-no pedalar intensamente, querer ainda mais. Vamos, Cadel, estás a ganhar dois minutos, ele está mal, não tem andamento, está fora, segue. Cadel Evans respira. Pensa nos anos em que foi segundo, pensa nas dificuldades que teve noutras épocas, pensa em como o título mundial o fez mudar de atitude e como teve sempre a melhor estratégia desde o início neste ano. Neurónio contra neurónio, flashes momentâneos, múltiplas imagens. Sorrisos e lágrimas, numa pedalada forte e intensa.
Andy está no fim da luta contra o tempo e contra o destino. Desde os primeiros dias que olhou para Contador como principal alvo, como inimigo e culpado por não ter ganho nos anos anteriores. Dois segundos lugares não sabem a nada a quem tem ambição. É pouco, é frustrante. Agora, sem Contador na luta, também não deu para outra coisa. Custa ainda mais. Andy começou expectante, perdeu tempo, explodiu rumo ao Galibier, deixou os adversários para trás, assumiu a liderança no Alpe d'Huez, talento puro, ganhou chama, mas o contra-relógio..., não, o contra-relógio ainda precisa de muitas horas de esfoço, de determinação e de prática. Evans não o deixou ganhar tempo precioso nos Alpes e agora roubou-lhe o sorriso. Chega vergado e vencido. I'm back. Com certeza. Para o ano, Andy lá estará à procura de ser feliz.
Cadel Evans tropeçou, correu, pedalou, sonhou, acreditou, voou e ganhou. Teve alma, teve tenacidade, teve vontade, teve sorte e teve o controlo nas mãos. Geriu o tempo, o espaço e o estado de espírito. Enfrentou Andy e ganhou das duas vezes. Duas? Sim, percebe-se agora que no Galibier, no dia da vitória assombrosa de Andy Schleck, também ganhou. Porque teve quatro minutos de atraso, mordeu a língua e perseguiu como nunca, encurtou o espaço e resistiu aos Alpes, mesmo em desvantagem, com tudo controlado para o contra-relógio. Sonhou, deixou-se de contar lugares no pódio ao lado do primeiro e assumiu a liderança. Sentiu a felicidade e a concretização do sonho de uma vida. Era agora ou nunca mais. Congratulations, Mr. Evans. Thanks, Andy, you have a long time.
sábado, 23 de julho de 2011
Tropeçar, andar, correr e talvez voar
Se Jorge Jesus gostar de Saramago, se concordar com o que ele diz acerca da evolução do Homem, deve estar na dúvida. O Benfica precisa de melhorar, tem que apagar a época passada, cheia de tropeções e pouca capacidade para voar. Para isso, contrata. Um, dois, três, ene jogadores. Capdevilla, Nolito, Eduardo ou Garay são bons. Se conseguirem encaixar bem na equipa, se entrarem na dinâmica e no espírito de futebol ofensivo, pressionante e veloz que Jorge Jesus gosta, podem fazer o Benfica deixar os tropeções e começar a correr outra vez. Mas, hoje, existem muitas dúvidas: se Luisão fica, sobre quem serão os reforços dispensados, sobre o que fazer com quem não encaixa e se há um substituto para Fábio Coentrão. Por isso, para já, é preciso dar passos firmes. Voará depois?
Se Domingos Paciência gostar de Saramago, se concordar com o que ele diz acerca da evolução do Homem, deve encontrar ali, no meio daquelas palavras, um fio de esperança. O Sporting só tem que melhorar, o Sporting só tem a ganhar, o Sporting só pode corrigir o que de mal tem feito. Nos anos anteriores, nem andar conseguiu. Apenas somou equívocos e nódoas negras. Agora quer mudar, romper, rasgar tudo o que de mau aconteceu e abrir um novo momento. Chegaram reforços em catadupa. A expectativa elevou-se com Capel, com Luis Aguiar, com Oneywu ou Rinaudo. Voltou a confiança, a serenidade e o apoio. O Sporting parece ter reencontrado condições para andar. E caminhar com calma e sem pressa rumo ao futuro. Dará para, tão cedo, querer ousar voar?
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Opinião: Um pesadelo de cadeira
O despertador toca. As pestanas soltam-se em dois tempos. O espevitar é forte, violento, faz acelerar o coração e sentir o sangue a pulsar. A cabeça lateja. Lá dentro, um eco, primeiro ao fundo, depois crescente, uma sucessão de imagens e de rostos pelo meio, sempre a bater, sem misericórdia, para fazer estragos. Cadeira de sonho, cadeira de sonho, cadeira de sonho. O som cresce, aumenta, mói e destroça a alma. Traz outras palavras coladas, traz sorrisos, traz imagens de vitória, saltos de alegria. É o clube que eu adoro, daqui não saio, é um sonho, não abdico deste lugar por nada. A pressão é cada vez maior, solta-se o lençol, a almofada vai pelos ares em linha recta. Um Prozac, por favor. Pode ser que a coisa alivie. O que é isto, pá?
Mãos na cara, cabeça baixa, indicadores passados pelos olhos e um movimento rápido para erguer o pescoço. O que é isto, pá? A pergunta repete-se. Foi um pesadelo, só pode ter sido, foi um pesadelo, o André, o nosso André, não fazia isso, ele é um de nós, carago, não nos ia deixar assim. Liga a televisão. Ainda ensonado, com os olhos semicerrados, pode ser que aquilo tenha sido o efeito de um copo a mais, sabe-se lá, há coisas que não se explicam. Não, esqueçam, não há pesadelos, não há ressaca, não há nada a não ser o que é na verdade. Um, dois, vamos lá interiorizar. A realidade pura e dura é que André Villas Boas rescindiu com o FC Porto, pagou os quinze milhões de euros da cláusula e partiu para o Chelsea. Oh não, nem o Prozac ajuda. Cabeça na almofada e esquecido o mundo maldito.
André Villas Boas é, agora, nome proibido para a maior parte dos portistas. Foi um herói, um herói louco, por aquilo que fez, pelas vitórias, pelos recordes, pelos títulos, pelos saltos, por uma época de sonho, mas, não há hipótese, foi tudo por água abaixo. A irritação não sai. O sentimento de traição apodera-se, corrói por dentro, faz mossa e absorve a razão. Porra, pá, pensei que eras um dos nossos, que desilusão, que traidor, que mercenário, és um falso. André foi embora. Tomba do pedestal, perde o crédito, passa a zé-ninguém, só mais um que serviu e foi servido pelo clube, sai sem glória depois de um ano imortal. Deixou o dragão enfurecido, revoltado e em erupção.
A carga pronta e metida nos contentores, adeus, ó meus amores, que me vou. Agradecido. Com quatro títulos ganhos, com um percurso dourado, com uma época que dava para uma estátua logo à primeira tentativa. Mas a vida é feita de momentos. Houve um em que o Chelsea chamou, as libras amontoaram-se, André perdeu-se nos cálculos, viu uma possibilidade única, gostou e aceitou deixar tudo para trás. Não havia como recusar. André era o adepto, era o jovem, era o dragão, era o treinador. Era muitas coisas num só. Os dragões de bancada reviam-se nele. Competente, entusiasmante, categórico e portista. Naquela pose de mão no queixo havia compromisso pela vitória, naquele olhar fixo a vontade de superar tudo, no discurso a capacidade de mudar o destino e nos saltos a alegria de alguém que trabalha por paixão e por gozo. Cadeira de sonho, cadeira de sonho, cadeira de sonho.
O Prozac fez efeito. O adepto está mais calmo. Já não tem os olhos vermelhos de raiva nem morde a língua. Mas a marca fica para sempre. André podia sair, é claro que podia, porque é muito bom no que faz, qualquer um iria, mas não agora, não com a época quase a começar, não depois de tantas juras de amor, não depois de ter sossegado os adeptos, não depois de os ter deixado sonhar com uma época ao nível da anterior. Se calhar, nem ele estava à espera. Por isso foi dizendo que queria continuar no FC Porto, que queria lá construir carreira, que queria ser mais feliz do que nunca, que queria o céu e a terra, que iria ser sempre mais um dragão. Mas o Chelsea investiu forte. André não recusou.
Para os adeptos, depois de tudo, será apenas um cobarde, um vendedor de ilusões e um miúdo precipitado. Que esteve na cadeira de sonho e caiu num pesadelo de cadeira. É pena. Também para ele. Porque a época histórica não merecia. É possível mudar o destino.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
FUTEBOLÊS: De volta para puxar pela alma
Há por aí umas teorias que defendem que as coisas acontecem quando menos se espera. Tenha muita aplicação ou não, neste caso está na medida certa: este regresso, expectante e para perceber o que poderá realmente dar, aconteceu por acaso, sem que o esperasse. O comentário que abre o texto, da autoria do jornalista Pascoal Sousa, o Bigsousa, fez com que voltasse. Quanto mais não seja para desentorpecer os dedos. Se é para durar? Resposta à treinador pragmático: vamos ver, jogo a jogo.
A nova época começa a 7 de Agosto. Em Aveiro, FC Porto e Vitória de Guimarães, campeão e finalista da Taça de Portugal, abrem a temporada. Estamos prontos?!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
FUTEBOLÊS: A vírgula
Ficam dois anos e pouco de evolução. Recheados de opiniões, de crónicas, de análises, de colaborações, de contactos. Foram crescendo os leitores, as parcerias, as referências. Umas positivas e outras nem tanto. É sempre assim. Estar quatro vezes em destaque no Jornal de Notícias, uma no Público e outra na Rádio Renascença foi bom, melhor do que imaginava, deu um empurrão para continuar. O FUTEBOLÊS foi uma ideia igual a tantas outras. Mas teve graça.
Olho para trás, fixo-me nos primeiros tempos do blogue e leio os textos. Dedo no rato, olhos no monitor, velocidade de ponta para conseguir acompanhar. Aparecem as primeiras crónicas de jogos de futebol, a primeira visão crítica, as primeiras colaborações. Surgem os primeiros artigos escritos com cabeça, tronco e membros, diferentes, melhores, evolutivos e mais capazes. Hoje tudo é diferente. A evolução foi brutal, a escrita escorre, as ideias saem com facilidade e em segundos deixam a mente e passam para o computador. Ouve-se o barulho das teclas, dois ou três cliques, uma vista de olhos e está feito. Uma crónica, uma opinião, um artigo simples, outro mais enfeitado, com análises pelo meio. É necessário inventar, imaginar, fazer. Uma, duas, três, ene vezes. Com análises, opiniões, colaborações, reportagens e entrevistas. Para que só depois possam chegar os leitores, os comentários, os destaques.
António Boronha, Bernardino Barros, Cruz dos Santos, Jorge Baptista, Jorge Coroado, Pedro Azevedo, Pedro Sousa, João Pedro Mendonça, Rogério Azevedo, Pascoal Sousa, José Marinho, Nuno Mourão, Miguel Lourenço Pereira ou Armando Vieira. De uma forma ou de outra, em momentos diferentes, todos colaboraram com o FUTEBOLÊS. Fica um obrigado.
Até já?!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
2010 futebolístico de A a Z - Segunda Parte
N: Nefasto.
Diz-se que o futebol é um negócio. Pode, por vezes, a palavra ter uma conotação negativa, mas a verdade, leitor, é que é mesmo. Daí que, como qualquer comerciante que deseja estar acima da concorrência, seja bom ter os melhores produtos, saber onde os encontrar, forçar para os conseguir e, depois, rentabilizá-los ao máximo para um possível retorno futuro. O FC Porto fez, no Verão, um dos maiores negócios da história do futebol português: resgatou João Moutinho ao Sporting. Pelo dinheiro investido, pela força oportuna como o processo foi conduzido e pelo impacto, moralizador de um lado e decepcionante do outro, que teve. Actualmente, Moutinho é uma das pedras-chave da máquina portista. Sentido de oportunidade. E de negócio.
P: Pesadelo.
Q: Queiroz.
R: Ronaldo.
S: Sporting.
T: Túnel.
U: Ufanar.
V: Villas Boas.
W: Wesley.
X: Xau.
Y: Yes, they can.
Z: Zero.
NOTA: Como se percebe, neste artigo, não se considera o FC Porto-Nacional, a primeira derrota azul, por já ter acontecido em... 2011.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
2010 futebolístico de A a Z - Primeira Parte
A: Andrés Iniesta.
Em África do Sul. Com problemas, sim, principalmente ao nível de segurança e de estruturação, mas organizado com paixão, genuína e pura, de um povo humilde e radiante por ver as maiores estrelas do futebol mundial junto de si. África do Sul começou por dar sinais de impreparação e terminou com uma certeza: mereceu organizar um evento assim, realizou-se, viveu nas nuvens e, mesmo que tenha sido somente por um mês, foi o centro do Mundo. Trabalhou para superar as dificuldades, entregou-se para tapar as brechas e esforçou-se para ser recompensada. Deu o seu melhor. E foi bem-sucedida. África do Sul assistiu à coroação da Espanha, ao regresso de Diego Armando Maradona aos grandes palcos, à força demolidora da Alemanha.
D: Deixem-me sonhar.
José Torres partiu em 2010. Deixou obra feita. E uma frase marcante, intemporal e profunda, proferida em 1986, antes da partida para o México, no regresso de Portugal aos Mundiais: deixem-me sonhar. Apenas sonhar, acreditar, confiar, tentar. Deixar-se levar, entregar-se ao destino, abrindo horizontes. Domingos Paciência, treinador do sensacional Sp.Braga que conseguiu em 2010 chegar mais alto do que nunca, repetiu a frase a cada dia, a cada treino, a cada conversa, a cada jogo. A sua equipa sonhou, batalhou, porfiou e surpreendeu. Não estabeleceu um objectivo, não se colocou em bicos de pés, apenas acreditou. O Sp.Braga foi vice-campeão, entrou de forma brilhante na Liga dos Campeões e lutou. Teve o seu ano de ouro.
E: Espanha.
Vicente del Bosque, Don Vicente, herdou uma selecção campeã da Europa. Espanha tivera sucesso. Restava dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Não mudando no que estava bem, não rompendo com um passado recente vitorioso nem, muito menos, alterando a forma da equipa se apresentar. Ao mesmo tempo, o Barcelona, o carrossel de futebol construído e alimentado por Pep Guardiola, emerge, surpreende, quebra recordes, ultrapassa barreiras, torna-se um monstro cada vez maior e destrói, massacra, asfixia. Tem uma base sólida, tem cultura, tem um leque vasto de espanhóis. A selecção só pode beneficiar. O tiki-taka de Xavi e Iniesta é transportado para La Roja. O título mundial, pela forma como se apresentou, assenta como uma luva.
F: Futebol total.
Abaixo, leitor, na próxima letra destacam-se dois dos principais jogos do ano: o FC Porto-Benfica e o Barcelona-Real Madrid, dois duelos de titãs, dois duelos pelo título, ambos ganhos por cinco-zero, um resultado esmagador e massacrante. Houve, contudo, mais jogos importantes, marcantes, simbólicos no decorrer de 2010. No campeonato português jogaram-se, por exemplo, o Benfica-Rio Ave, que devolveu o título aos encarnados cinco anos depois, e o FC Porto-Sp.Braga, vivo e intenso do princípio ao fim, num teste de fogo ao dragão. Também o jogo da selecção nacional contra a Espanha, vencido por quatro-zero, ou o brilharete do Sp.Braga em Sevilha e, em casa, ante o Arsenal. Sem esquecer, internacionalmente, os duelos do Inter com o Chelsea e o Barcelona, que guiaram os italianos ao título europeu, ante o Bayern.
G: Goleada.
Cinco-zero. Resultado gordo, pesado, inusitado. Ainda mais raro quando se defrontam duas equipas poderosas, ambiciosas, que discutem o topo, colam os olhos no primeiro lugar e não admitem nada mais do que ser campeão, uma, duas, muitas vezes para garantir a hegemonia internamente e serem a principal bandeira para o exterior. Aconteceu em Portugal e Espanha. O FC Porto está para o Barcelona como o Benfica está para o Real Madrid: os dois primeiros cresceram, subiram a pulso, ganharam a região e só depois alastraram o seu domínio, são equipas poderosas actualmente, enquanto os outros dois, de ascendência nobre e gloriosos em tempos idos, perderam fulgor. FC Porto e Barcelona destroçaram os rivais com cinco golpes. Sem misericórdia.
H: Hulk.
Incrível. Forte. Demolidor. Hulk encara o adversário, é veloz, arranca, destói, galga metros, alia uma potência descomunal a uma técnica que o faz saltar para o pedestal do campeonato. Viveu, em 2010, momentos diferentes. Desceu às trevas por ter sido castigado devido às ocorrências no túnel da Luz, depois do Benfica-FC Porto da temporada passada, sendo marcado como jogador violento, mau perdedor, afastado, a par de Sapunaru, da competição. Regressou em Março, depois de uma decisão que anulou os quatro meses de castigo decretados, com um novo espírito: menos individualista, mais sóbrio, mais calmo, melhor do que nunca. Precisamente aí iniciou-se o ciclo dourado do FC Porto. Hulk é o maior destaque deste campeonato.
I: Internazionale Milano.
Discurso simples, assertivo, frontal: esta equipa, comigo, vai jogar o dobro. Soou a arrogância, a demagogia, a propaganda. Os benfiquistas aplaudiram mas desconfiaram: gostaram de ouvir o novo treinador arrancar com palavras fortes, prometendo mudanças na postura e no destino dos títulos, embora, por outro lado, tenham sentido que o discurso se repetira porque mais uma vez o Benfica terminara a época - excepção feita à Taça da Liga - sem glória. Jesus cumpriu: transformou o Benfica numa máquina futebolística, colocou as peças nos seus devidos lugares, ressuscitou o inferno benfiquista e relançou os encarnados para o topo. Foi campeão, ganhou a Taça da Liga e chegou longe na Liga Europa. Jorge Jesus pode ter perdido o estado de graça, sim, mas não o estatuto de obreiro do título encarnado.
K: Kick and rush.
Uma bola, um pontapé, uma corrida e uma sorte. O futebol português, leitor, assemelha-se, muitas vezes, a isto. Verifica-se, sobretudo, nas equipas de menor dimensão, especialmente quando defrontam os grandes, sabendo, à partida, que as probabilidades de sucesso são reduzidas. Desligam-se da qualidade apresentada, dos princípios de jogo, assumem uma postura defensiva, por vezes exacerbada, correndo em busca de um ponto, de algo palpável, dos mínimos. Refreiam a ambição de vencer e fixam-se apenas em sobreviver. São realistas, até em demasia, pois prescindem de lutar. Usam as suas armas. Por vezes resulta. Sente-se, contudo, na forma como os adeptos de distanciam. Ninguém gosta de ver um jogo transformado num monólogo.
L: Liderança.
Os três principais clubes portugueses, os grandes, têm modelos de liderança bem distintos. O FC Porto, demolidor e hegemónico na última vintena e meia de anos, tem em Pinto da Costa uma figura carismática, consensual, intocável. O dragão perdeu o campeonato. O presidente, com total confiança do povo portista, alterou, traçou novos planos, com os objectivos de sempre e arrancou fortíssimo rumo à nova temporada, visando impedir o bicampeonato do Benfica. O clube encarnado viveu, até Maio de 2010, o melhor período do reinado de Luís Filipe Vieira, vendeu duas peças importantes, não as colmatou da melhor forma e tropeçou decisivamente na primeira parte da nova época. No Sporting, José Eduardo Bettencourt está ligado ao pesadelo leonino: sem títulos, sem chama, sem recursos económicos. O passivo dos três é elevadíssimo.
M: Mourinho.
Corrida louca, braços no ar, punho cerrado, ar superior, elegante e forte, com o indicador colado na boca: ganhei, acabou, acabei por cima. O fim de Mourinho à frente do Inter chegou com a conquista da Liga dos Campeões. Pode parecer paradoxal, leitor, mas é bem simples. Voltar, quase meio século depois, a ser campeão europeu era o objectivo nerazzurro. Foi conseguido. Ponto final. O objectivo de Mourinho cumpriu-se, o ciclo fechou-se, com muitas guerras e polémicas pelo meio, conquistando, em dois anos, uma Liga dos Campeões, duas supertaças, uma taça e dois campeonatos. Mourinho chegou a Espanha. Um desafio maior do que nunca, em Madrid, para potencializar todos os recursos do Real, bater o Barcelona e voltar a tocar o céu.
NOTA: A segunda parte será publicada nas próximas horas.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Liga ZON Sagres: Análise da jornada 14
Pleno de vitórias dos grandes, lugares fixados no topo, constituição natural do pódio. Sabores diferentes: divertimento do FC Porto, inquietação do Benfica, desapontamento do Sporting. Nada se alterou, nos três primeiros lugares, na última jornada deste ano. Os oito pontos de vantagem do FC Porto são importantes, funcionam como uma almofada e deixam o dragão, invicto e audaz, em posição privilegiada, na pole-position, para atacar a segunda parte da temporada. A equipa portista sentiu uma quebra pós-Benfica e perdeu o brilhantismo, sim, mas manteve-se vitoriosa, invicta e capaz. Ganhou, cimentou a liderança, empinou o nariz e seguiu caminho. Os adversários, sobretudo o campeão, ainda acreditam, esperam, anseiam. Têm fé. E pretendem um resto de época melhor.
Primeiro lugar, oito pontos de vantagem, posição confortável e passada segura. Uma vitória, dourada e fundamental, para fechar: em Paços de Ferreira, por três golos de diferença, aparentemente fácil, clara e sem discussão, mas, no fundo, enganadora: o FC Porto foi melhor, teve uma primeira parte de alto rendimento, dominou e destruiu, chegou à vantagem, falhou mais oportunidades para aumentar, só que no final, por acção da equipa pacense na segunda parte, tremeu, mais uma vez, mostrou debilidades, viu Helton agigantar-se e só no período de descontos, numa grande penalidade mal assinalada por Artur Soares Dias, que já antes perdoara um derrube a Hulk na área, serenou. Marcou por Otamendi, por Hulk e por Walter. O dragão foi asfixiante no início e apático no fim. Mesmo assim venceu. Com robustez, com confiança e com os galões de quem é líder. O FC Porto termina o ano invicto. É campeão de Inverno. E, mesmo perdendo o brilhantismo exibido, continua seguro. Está no topo. Bem agarrado.
Segundo lugar, oito pontos de atraso para o topo, posição inquietante para o campeão e prestações titubeantes. O Benfica começou mal o campeonato: três derrotas em quatro jogos, FC Porto a fugir, defesa do título comprometida e decisões difícieis. Melhorou, correu em busca do prejuízo, conseguiu uma bela série de vitórias sem sofrer golos, foi esmagado por um dragão enraivecido e demolidor, abalou verdadeiramente aí, mas recuperou, depois, o trilho vencedor, com vitórias, no campeonato, sobre Naval, Beira-Mar e Olhanense. Apurou-se, também, para a Taça de Portugal. Desiludiu na Europa, conseguindo o terceiro lugar in extremis, depois de falhar a Liga dos Campeões. Mas conseguiu terminar bem o ano. Não conseguiu que o FC Porto escorregasse, permitindo recuperar o fôlego, mas venceu o Rio Ave: bom jogo, entrada massacrante, jogo dinâmico, uma espécie ar de graça da época passada, Toto Salvio em destaque e vitória robusta, por 5-2, sobre uma briosa equipa vila-condense.
Terceiro lugar, treze pontos de diferença para o primeiro lugar, barreira dura e campeonato transformado em utopia. O Sporting chega a Dezembro, mal refeito de uma temporada de verdadeiro pesadelo, com as suas aspirações a conquistar o título, para onde partiu com algum atraso relativamente ao campeão Benfica e ao FC Porto, arruinadas. Persegue, mesmo assim, a melhor classificação possível. Encara um jogo de cada vez, pretende vencê-lo, cimentando a sua posição, pressionando e esperando que os adversários percam pontos. Depois de duas derrotas, uma inconsequente e outra que afastou a Taça de Portugal, o leão apareceu bem em Setúbal, mostrou garra, fez do orgulho ferido uma arma, assumiu-se dominador, ganhou o controlo do jogo e ganhou clara e merecidamente. Marcou duas vezes por Yannick Djaló, regressado aos golos, pelo meio contando também com a ajuda preciosa de Abel. A vitória serve, pelo menos, para manter o Sporting vivo, acordado e fixado no terceiro lugar. Mais do que isso é utopia.
O União de Leiria fecha o ano no quarto lugar. A equipa leiriense, depois de um arranque intermitente, soma vinte e quatro pontos, apenas menos um de que o Sporting, por ter vencido, na Figueira, a Naval (0-3) - resultado que levou à demissão de Rogério Gonçalves, segundo treinador dos figueirenses nesta temporada, devido à série de maus resultados que deixa a equipa na última posição, com apenas cinco pontos conquistados. O último lugar de acesso à Europa é, actualmente, ocupado pelo Vitória de Guimarães, com vinte e dois pontos, embora a equipa vimaranense tenha sido derrotada, em Aveiro, pelo surpreendente Beira-Mar (3-2) - em oitavo, somando dezanove pontos. Nacional (empate, a zero, em Olhão) e Sp.Braga (regresso triunfal, categórico, gordo: 5-0 à Académica) estão em posição intermédia, com vinte e um e vinte pontos, respectivamente. O Marítimo empatou (1-1) com o Portimonense e fixou-se, a par do Olhanense, no décimo lugar, com dezasseis pontos. Seguem-se P.Ferreira (quinze), Rio Ave (catorze), V.Setúbal (treze) e Portimonense (nove).
O MOMENTO DA JORNADA
Jorge Baptista: Rússia e Qatar vão corresponder
(Desse modo, talvez contribuam com algo de inovador para o futebol internacional, em vez de proclamarem aos sete ventos, quais Calimeros, que o nosso futebol é pequenino e sem expressão nos corredores obscuros do futebol internacional. São os mesmos que passam a vida a proclamar a criação de lobbies, como se estes nao fossem meros tráficos de influência.)
Muitos, com ironia bacoca, defendem que o objectivo da FIFA passa por ganhar mais dinheiro para o futuro com a entrega dos Mundiais à Russia e ao Qatar. Não será esse e a modernização o objectivo de todo o desenvolvimento? Nao será melhor para todos os apaixonados do futebol que o nível do futebol europeu e de algum futebol sul-americano consiga ser igualado pelo resto do planeta? A não ser que o talento e a competência criem tanto aborrecimento. Em especial, à mediocridade...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Liga ZON Sagres: Um momento de retoma leonina

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O carro de corrida azul
De orgulho ferido, revoltado, jogando contra o campeão, o FC Porto atingiu o pico exibicional frente ao Benfica. Jogou, circulou, teve velocidade de ponta, marcou, divertiu-se. Fez do jogo um puro gozo, pelos cinco golos conseguidos ante o grande adversário, aliado a uma eficiência brutal, estabelecendo a distância em dez pontos, motivando-se ainda mais na corrida pelo seu objectivo e atingindo, com força, a concorrência. A partir daí mudou. O carro está mais pesado, mais lento, mais previsível. Dá sinais de desgaste, de excesso, necessita de refrear e ser mais pausado. Treme, quase sai de pista, vê as curvas como um obstáculo. Mas passa. Pode arranhar a pintura, sim, mas não passa disso. O FC Porto termina 2010 sem derrotas, apenas com três empates, sendo dois deles no campeonato, está na fase seguinte da Liga Europa, irá jogar os oitavos-de-final da Taça de Portugal e lidera a Liga Portuguesa com oito pontos de vantagem. Se não é perfeito, anda lá muito perto.
O segredo, leitor, está em perceber os segredos e os limites da máquina. A azul, do FC Porto, é muito boa. Mas isso não quer dizer que seja imbatível, que atinja a perfeição, que roce o brilhantismo ou que se exiba sempre, sem excepções, com o pé no acelerador. Por vezes é necessário apostar outras fichas. Não arriscar tanto, não acelerar a fundo, mas saber gerir, segurar o carro e ter uma condução segura. André Villas Boas tem sido um perito. Na viragem do ano, o dragão está nas suas sete quintas. Continua invicto. Deixou o brilhantismo mas tam conforto. Ganha e isso é o mais importante. Chega a 2011 com a pole-position. Resta saber guardar e gerir a corrida...
NOTA: Artigo escrito no âmbito da parceria com o blogue Império Futebolístico.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Sporting: A falta de um desígnio
A verdade, contudo, é que este Sporting, o actual, chega a Dezembro numa posição delicada. De novo. Repetem-se as manifestações de desagrado, repetem-se as oscilações inquietantes entre extremos, repetem-se os erros e repete-se o discurso, ineficaz, que pretende transmitir uma mensagem de trabalho, de garra e que, um dia, vai ter resultados. É uma espiral. Os adeptos desanimam, desconfiam e desligam. Há jogos em que o Sporting se mostra audaz, forte, consistente e revela condições para se assumir, de novo, no seu lugar. A primeira parte da partida com o FC Porto, por exemplo, foi aquilo que o Sporting melhor fez nesta temporada: agressivo, concentrado, altivo, astuto e expedito. Poderia ter funcionado como mote para um futuro mais risonho. O leão não conseguiu. Voltou ao estado inicial: abatido, impotente, frustrado.
Em Dezembro, à décima terceira jornada, o Sporting tem o campeonato perdido. Pode o leitor argumentar que faltam dezassete jogos, cada um deles vale três pontos e há, ao todo, cinquenta e um para disputar. A realidade, contudo, mostra que o leão está mais frágil, mais carente, mais em risco do que o FC Porto - sólido, robusto e invicto. Há, para além das dificuldades vividas no campeonato, o principal objectivo, a eliminação da Taça de Portugal. O Sporting caiu ontem, em Setúbal, frente ao Vitória. Foi surpreendido pela astúcia sadina, equipa extremamente eficaz, não conseguiu soltar-se, revelou-se demasiado amorfo, sem inspiração para afastar a apatia, não teve alma e caiu. Está triste. Caiu, quis levantar-se e não o conseguiu. Queixa-se de si próprio, dos seus medos, do temor que revela em assumir a bola, levantar a cabeça e caminhar rumo a um horizonte. Ao Sporting falta, leitor, um sonho. E, depois, correr para o alcançar.
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. É uma mensagem intemporal, que se repete e que define o estado actual do Sporting. Escrevi-o na análise do jogo com o FC Porto, o clássico, em que o leão se mostrou ao nível daquilo que lhe é exigido. O clube - clube, sim, é de propósito! - precisa de um rumo, uma orientação, um horizonte. Precisa de abrir a mente, lutar, querer conquistar e mostrar capacidade empreendedora. Neste momento, leitor, creio que não haja um desígnio. Há a vontade de limpar o passado, esquecer e voltar a ser grande no verdadeiro sentido da palavra. Mas como? Sem sonho, sem metas, sem objectivos? Impossível.
sábado, 11 de dezembro de 2010
Liga ZON Sagres: Análise da jornada 13
O pior jogo do FC Porto. Assim mesmo, sem rodeios, indo directo ao assunto: o dragão esteve abúlico, desinspirado, sem graça, sem rasgo e sem o mesmo dinamismo inicial. Ganhou, continua invicto, segue a sua caminhada, dá passos largos rumo ao seu objectivo e mantém os rivas atrasados, distantes, desmoralizados. Mas este FC Porto habituara a ser convincente, pressionante, dominador, asfixiando o adversário, criando oportunidades em catadupa, dizimando as defesas contrárias e marcando muitos golos. Era elegante, senhorial, requintado. Agora está mais pragmático, sente o cansaço a acumular, mostra sinais de desgaste e treme. Esteve, depois de Alvalade, pertinho de um novo empate. No final, depois de ter desligado e visto o Vitória crescer, o Dragão sorriu, respirou, pulou de alegria quando Jaílson atirou uma grande penalidade para a bancada. O golo de Hulk, na primeira parte, de penalty, valeu ouro.
Óscar Cardozo e Javier Saviola, avançados, goleadores, dupla finalizadora do Benfica, suportes da equipa campeã nacional da temporada passada, de regresso ao activo. O activo de ambos são os golos. Vivem deles. Tacuara fora decisivo ante o Beira-Mar, num regresso perfeito, marcando e assistindo, fazendo, também, com que o parceiro de ataque melhorasse os seus níveis e marcasse. Saviola cresce com Cardozo ao lado: é uma evidência. O jogo com o Olhanense teve a dupla em destaque. Além de Marcelo Moretto. A equipa algarvia começara bem, criara perigo, deixara a nu a insegurança e os receios deste Benfica, titubeante, mas acabou traída, num verdeiro hara-kiri, por Moretto, guarda-redes brasileiro, num frango colossal a cabeceamento de Cardozo. O Benfica ganhou conforto, ascendente e no segundo tempo, com Saviola, aumentou a vantagem. Jogo comme si comme ça.
A posição do Sporting é ingrata. O leão saiu de uma temporada de pesadelo, colocou a cabeça de fora, respirou, renovou ambições, fez um upgrade, deixou boas indicações, mas foi cedendo, tropeçando, titubeando. Está com treze pontos de atraso. Barreira longa, dura, desencorajadora. Apresenta, agora, melhorias, sinais de alguma regularidade, ganhou maior consistência com o regresso de Pedro Mendes e com o fortalecimento de André Santos, conseguiu subir o nível. No Algarve, ante um Portimonense carente de pontos, marcou por Postiga, sofreu o empate num desvio oportuno de Pires, teve na memória o passado recente, mas impôs-se, marcando, por duas vezes, antes do intervalo, em remates certeiros de Maniche e André Santos. Geriu, depois, a vantagem, resguardou-se e impediu, em compacto, que o Portimonense reduzisse. Ganhou e ascendeu à terceira posição - em igualdade com o Vitória de Guimarães.
Os vimaranses, depois de derrotados pelo Marítimo, voltaram, em casa, a ceder pontos. Ante o Paços de Ferreira, mantendo a tradição, o Vitória não foi além de um empate (1-1), sentindo, por isso, a colagem do Sporting e a aproximação de União de Leiria e Nacional, concorrentes por lugares europeus, ambos vencedores: a equipa leiriense derrotou o Sp.Braga, em verdadeira queda livre, somando erros e desaires, por 3-1, ao passo que os madeirenses, em casa, bateram a Naval (2-1). A equipa da Figueira da Foz, mesmo depois da entrada de Rogério Gonçalves, não consegue acertar o passo - tem somente cinco pontos - e ocupa, com o Portimonense - tem oito -, as últimas posições. Rio Ave e Beira-Mar, procurando estabilidade, empataram a um e no encerramento da jornada, em Coimbra, o Marítimo, atingindo o pico da sua retoma após um início confrangedor, goleou os estudantes (1-5). Bela recuperação da equipa madeirense.
O MOMENTO DA JORNADA
Made in England: O que tens tu, campeão?
O Arsenal está, provisoriamente, no primeiro lugar, graças ao empate do Chelsea e ao adiamento do jogo do Manchester United, anterior líder, devido à neve - a vitória sobre o Fulham coloca os gunners com um ponto de vantagem sobre a equipa de Alex Ferguson. A exibição do Arsenal não foi convincente, nada disso, mas o mais importante, os três pontos, foram alcançados num jogo pintalgado de momentos cintilantes de Nasri. Os níveis de confiança estão mais elevados, contudo, nos próximos tempos, os gunners têm pela frente importantes desafios. Esta equipa ainda não está afinada, mas neste momento nenhuma da Premier League parece ter atingido a plenitude dos seus recursos. As apostas para adivinhar o futuro campeão estão agora totalmente baralhadas.
O Manchester City, outsider rico na luta pelo título, recebeu e ganhou a uma das equipas sensação do momento, o Bolton, com uma exibição segura e dominante. Um golo madrugador de Carlitos Tévez foi o suficiente para garantir a vitória, embora tenha ficado a sensação de ter sabido a pouco. O Bolton não é, no entanto, esta época, presa fácil. Os citizens aproximaram-se, assim, dos primeiros, estando a escassos três pontos do Arsenal. Finalmente o Tottenham, para não destoar, também continua a ter performances irregulares. Se no ano passado jogar em Birmingham era sinónimo de não ganhar, este ano nem por isso, excepto para o Tottenham. Os spurs são melhor equipa e isso notou-se durante o jogo. Os da casa conseguiram o empate graças a uma exibição muito esforçada, plena de garra. O empate final penaliza os visitantes mas não escandaliza. Ainda a seis pontos do topo, o Tottenham continua na luta, nem que seja por um lugar na Liga dos Campeões.
MADE IN ENGLAND: Espaço quinzenal, produzido em parceria com Armando Vieira, sobre as incidências da Premier League inglesa.