terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fenerbahçe-FC Porto, 1-2: apagar o inferno!

Já está, acabou! O FC Porto apurou-se para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Num jogo de emoções em Istambul, os portistas fizeram uma grande primeira parte e depois souberam sofrer. O Fenerbahçe bem pode fazer a trouxa. E nem foi preciso um comandante.

Jesualdo Ferreira tinha à partida um problema: não podia contar com Lucho, a estrela da companhia. Jogou Tomás Costa no lugar de "El Comandante". E a equipa entrou bem, pressionante, aguerrida. O Fenerbahçe estava desnorteado, errava muitos passes e não conseguia ligar uma jogada. Aos 12', Raul Meireles mostrou que o ambiente infernal de Istambul não fazia mal a ninguém, com um remate de primeira que Volkan Demirel parou com uma grande defesa. Era um prenúncio do que aí vinha!

O Fenerbahçe dava uma casa atrás da outra e o FC Porto aproveitou. Aos dezoito minutos, o primeiro golo: depois de um grande passe de Fernando, Bruno Alves cruzou para área e Lisandro rematou para dentro da baliza de Demirel (andou a ver navios!). Um gelado argentino. Contudo, apenas dois minutos depois, Edu Dracena esteve perto, pertinho de empatar. Mas não passou disso.

A equipa turca continuava a tremer por todos os lados e o FC Porto voltou a marcar. Outra vez Lisandro, agora depois de um lançamento de Fucile. Alguém queira mais? Tomás Costa, pelos vistos, queria. Lançado em velocidade por Meireles, o argentino fez um chapéu a Demirel e quase marcou um golo de levantar o estádio. Quase, porque a bola bateu no poste. Aos 33 minutos, podia ter sido o xeque-mate. Não foi e o FC Porto chegou ao intervalo com dois golos de vantagem e o apuramento no bolso. Ganhava e convencia.

KAZIM ÀS TRÊS TABELAS

Para a segunda metade, Luis Aragonés colocou Kazim Kazim para tentar mais qualquer coisa. E o que é certo é que o Fenerbahçe melhorou. A defesa do FC Porto tremeu e, logo no primeiro minuto, os turcos quase marcaram. O jogo estava agora mais dividido e mais próximo da baliza de Helton. Aos 59 minutos, Hulk teve uma oportunidade soberba para acabar, definitivamente, com o jogo, mas não conseguiu passar por Demirel. Como quem não marca sofre, foi a vez do Fenerbahçe reduzir: Kazim Kazim rematou, a bola bateu em Bruno Alves e traiu Helton. E de um momento para o outro, um jogo que parecia resolvido voltou a ter emoção.

O Fenerbahçe mandou-se para cima da área do FC Porto, sempre em busca de um novo golo. Sem sucesso, diga-se, porque os portistas mostraram uma enorme maturidade e arragaram com unhas e dentes a vantagem. Sem espinhas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Confirmações, surpresas e desilusões

O futebol é feito de confirmações, surpresas e desilusões. O Leixões volta a ser o destaque. Ganhou em Vila do Conde, mantém a liderança. Pode não jogar um futebol atractivo pode ter sorte,ok, mas tem mérito. Muito. E neste momento já não é surpresa para ninguém, é a equipa-sensação.

Uma confirmação: o Benfica. A equipa de Quique Flores está completamente diferente daquilo que era o ano passado. Está uma equipa segura, forte e, sobretudo, ganhadora. Não encanta pelo futebol praticado, mas ganha com justiça, como aconteceu na passada jornada em Coimbra. Mas como diz o treinador, ainda falta acertar muita coisa.

O Sporting está intranquilo. É um facto. Ganhou à Naval, justamente, mas a equipa está sob brasas. Até pelas expulsões acumuladas (na Figueira foram duas, Caneira e Derlei) e pelo ataque de Paulo Bento aos árbitros.

O Vitória de Guimarães tem sido uma desilusão até agora. É certo que perdeu jogadores importantes (Ghilas, Alan e Geromel) mas esperava-se mais de uma equipa que surpreendeu tudo e todos na época passada. Depois de derrotas com Benfica e FC Porto, empatou em casa com o Paços de Ferreira (parece que se está a endireitar).

Futebol é isto mesmo...

sábado, 22 de novembro de 2008

Auto-propaganda escusada...



Confesso que já gostei mais de Cristiano Ronaldo. É um jogador fantástico, ok, mas tem um ego demasiado grande.


Não me parece que fique bem a um jogador fazer auto-propaganda e gabar as suas qualidades. Ronaldo fê-lo: "Seria lógico ser o melhor do Mundo" e "Sou o primeiro, o segundo e o terceiro melhor do Mundo". Frases desajustadas, no mínimo.

Outra coisa é a atitude. Os jogadores são profissionais, são pagos (e de que maneira) para jogar e devem dar sempre o máximo. Cristiano Ronaldo, na Selecção, não me parece que faça tudo o que está ao seu alcance: joga de forma lenta, sem alegria, quase obrigado. Mas este é, infelizmente, um mal comum. Pode-se dizer que as Selecções não pagam salários, mas deve ser um previlégio representar o país e não um frete.

O terceiro aspecto que não aprecio em Ronaldo é a sua relação com o público. Ainda hoje, depois de ser substituído no Aston Villa-Manchester United e de ter ouvido assobios do público do Villa, virou-se para a bancada dizendo "I'm a number one" e mandando calar os adeptos. Uma arrogância que não fica nada bem.

E agora, com a eleição para melhor do Mundo à porta, Ronaldo tem tudo para a ganhar. Pela época que fez merece-o, sem quaisquer dúvidas. Até porque se perder será uma tremenda injustiça. Mas também uma grande lição de humildade e um exemplo de demonstrar que andar de peito feito pode não resultar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Brasil-Portugal, 6-2: era amigável, não era?


Não, não há engano: o Brasil ganhou mesmo a Portugal por 6-2. Num jogo particular (sim, porque de amigável não teve nada) tudo parecia indicar para um duelo entre Kaká e Cristiano Ronaldo, uma espécie de passagem de testemunho de melhor do Mundo. Puro engano! Até porque enquanto o brasileiro sacou uma exibição dos diabos, a de Ronaldo foi um inferno. Mau de mais para ser verdade.

Portugal até começou a ganhar. Ou melhor, entrou no jogo a ganhar. Remate de Bruno Alves já dentro da área e desvio de Danny, "à Madjer". Um golo sensacional, de calcanhar. Ainda não estavam decorridos cinco minutos.

Contudo, o golo trouxe um sentido contrário: acordou a equipa brasileira para uma exibição de gala. Defesa segura, controlo no meio-campo, velocidade e golo. O empate. Luís Fabiano, depois de um drible de Robinho a Pepe, bateu Quim. O meio-campo de Portugal era um autêntico passador, um
passe-vite. Não fazia cócegas aos brasileiros. Kaká partiu a defesa portuguesa, libertou-se de Paulo Ferreira e Bruno Alves e deu o golo a Fabiano. Bis do avançado numa rotação perfeita. Reviravolta no resultado.

Carlos Queiroz fez entrar Raul Meireles para o lugar de Danny (foi o menos mau) e Nani para o lugar do regressado Tiago. Portugal aumentou a agressividade, mas o escrete continuava a mandar no jogo. E cada vez mais. Robinho, supersónico, conduziu o contra-ataque, contou com Luís Fabiano como intermediário e Maicon fez um golaço. Loucura no Bezerrão. Que não iria ficar por aqui, contando com as mesmas personagens: depois de um remate de Robinho, Fabiano - enorme exibição! - antecipou-se a Quim e completou o seu "hat-trick". 4-1.

Portugal estava agora vergado, sem forças para tanto Brasil. Mesmo assim, ainda conseguiu reduzir a desvantagem, num remate cruzado de Simão. Mas este foi apenas um aparte na festa canarinha. Foi Elano quem fez questão de dar mais vida à festa (era mesmo preciso?) com um golo de levantar o estádio.O jogo praticamente acabou aqui. Depois houve substituições e mais substituições, que partiram o ritmo. Porém, antes do apito final, mais um golaço. Cabeceamento de Adriano e já está, 6-2. Impotente, Carlos Queiroz levou as maõs à cabeça.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Este Leixões vai mesmo de Mota...

Senhor Leixões, super Leixões, fantástico Leixões. Escolham como quiserem. O certo, certinho, é que a equipa de José Mota lidera isolada a Liga Sagres. E com todo o mérito, depois de uma vitória categórica sobre o Sporting. Pode não jogar um futebol do outro mundo, mas vale pelo colectivo, tem capacidade de sofrimento (ou carácter) e merece, sem dúvida, o lugar que ocupa. E os resultados no Dragão e Alvalade não enganam.

O FC Porto regressou às vitórias para o campeonato, depois de o fazer também na Liga dos Campeões e na Taça de Portugal. O jogo com o V.Guimarães (muito apático, nem parecem os mesmos) foi, talvez, o melhor da temporada e trouxe uma equipa bem mais aguerrida e activa. Os golos de Lisandro e Farías deitaram abaixo o castelo. A retoma parece estar feita.

Com a derrota do Sporting, o Benfica aproveitou para se distanciar ainda mais (5 pontos para os leões e 4 para o FC Porto). Na Luz, contra o Estrela - grandes profissionais, mesmo sem receber fizeram um grande jogo - um golo de Sidnei bastou para que a equipa de Quique Flores se mantivesse colado ao primeiro lugar. Certo que não foi uma exibição de encher o olho, foi até um jogo lento e sem grandes motivos de interesse, mas o objectivo principal foi alcançado. A frase "vence mas não convence" aplica-se na perfeição.

De resto, vitória do Sp.Braga sobre o Setúbal, que não mostra nem um pouco daquilo que fez o ano passado; empate na Choupana entre o Nacional e o Rio Ave; primeira vitória do Paços de Ferreira, frente à Naval e vitória do Marítimo, na Trofa, que catapultou os madeirenses para os lugares do topo, depois de um mau arranque. É assim o futebol.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Assim vai a nossa arbitragem...

É uma La Palice: a arbitragem portuguesa vai de mal a pior.

E quando falo de arbitragem não me refiro apenas aos árbitros, mas sim a todo o sistema. Vejamos: Bruno Paixão (está na baila!) fez uma péssima arbitragem em Alvalade, com prejuízo do Sporting e do FC Porto, mas recebeu "Bom" do observador. Perante tanta confusão gerada por essa nota, Vítor Pereira, presidente da comissão de arbitragem, veio dizer que não era um "Bom" mas sim uma positiva à justa e que não podia ir ao mercado de Inverno contratar árbitros. Ou seja, foi diplomata, mas não lhe fica nada bem criticar um árbitro (por ele escolhido) em público.

Entretanto Bruno Paixão foi designado para um jogo da Taça UEFA, Manchester City-PSG. Quem é internacional arrisca-se a isto...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

As crónicas do BB


O QUE VAI ACONTECER AO FUTEBOL PORTUGUÊS?

Perante a pergunta muitas nuvens negras se avistam no horizonte, e não é do tempo invernoso que se faz sentir, isso sim pelo amontoar de dívidas que os clubes profissionais vão acumulando. Os clubes gastam o que não têm, os jogadores preferem ordenados chorudos, prometidos mas não pagos, a propostas mais baixas de clubes que honram os seus compromissos. O Sindicato dos Jogadores sem força suficiente para fazer valer os seus direitos, vai clamando mas ninguém os ouve. A Liga de Clubes enfia a cabeça na areia e limita-se a cumprir o seu papel de organizadora de jogos, preterindo o de fiscalizador, fechando os olhos a incumprimentos que saltam à vista de toda a gente.


Com tudo isto, nada impede, que escassos dois meses após o inicio dos campeonatos profissionais, se entrasse na bancarrota. O Estrela da Amadora já lá chegou, outros para lá caminham (é só questão de esperar mais algumas semanas), os clubes da segunda liga já reuniram com a entidade patronal pedindo mais dinheiro, pois a torneira por onde jorra o líquido que paga a segunda competição profissional não chega para refrescar a garganta a tantos sequiosos. O Boavista safou-se do pedido de insolvência do Beira-Mar, mas já tem outro às costas e muitos outros se seguirão, pois os credores estão em bicha para receber o que a gestão de João Loureiro andou a esconder durante muito tempo, dívidas, muitas dívidas.


Volto pois a um tema que acho importante e relevante. Quem passa as certidões que garantem a inscrição dos clubes endividados na Liga? A Liga aceita, sem fiscalizar, todo o documento que lhe chega às mãos? O súbito enriquecimento não é um fenómeno estranho, para quem na véspera de acabar o prazo legal de apresentação dos documentos de “boa fé”, ainda tinha os credores à soleira da porta?


Responda quem souber, porque pelo que ouvimos do inefável presidente da Liga, prefere contornar as perguntas sobre o assunto, com respostas redondas e sem sumo, diria que resposta à moda da política, ou seja, diz muita coisa mas também coisa nenhuma. A semana passada realizou-se importante reunião de clubes na Liga, para pôr fim a um calendário de jogos catastrófico e que afasta os espectadores de jogos da Taça da Liga e de Portugal. Talvez se vá a tempo de salvar algo para a próxima época. E que tal haver reunião e decisões drásticas sobre os clubes não cumpridores? A transparência de Hermínio e Ricardo não chega a todos os sectores do futebol? Ou a preocupação vai para o caso das escutas que valem mas não valem? Como vai o “justiceiro” Costa descalçar a bota?


Entretanto as chicotadas psicológicas aí estão, Paulo Alves e António Sousa cá no burgo e Carlos Carvalhal além fronteiras.


Os grandes oscilam boas exibições com exibições razoáveis e medíocres, Leixões e Nacional lá vão fazendo como a formiga, amealham no Inverno para passar uma Primavera descansada, enquanto Guimarães e Braga são desilusão, pelo muito que prometeram e pelo pouco que vão cumprindo.


Ou seja nada muda no reino do futebol, até as arbitragens são o que se vai vendo semana após semana, e é preciso muita paixão, para assistir a tanta diatribe.


Fiquem bem e até Dezembro.

BERNARDINO BARROS (Director de comunicação da Global Sport)