sábado, 23 de julho de 2011

Tropeçar, andar, correr e talvez voar

"O homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre, um dia voará".

Se Vítor Pereira gostar de Saramago, se concordar com o que ele diz acerca da evolução do Homem, deve estar satisfeito. O FC Porto chegou ao céu, tocou-o e por lá ficou, viveu um período de sonho, tudo divinal, até acordar abalado: André Villas Boas saiu, falou-se em traição, em deserção, o treinador foi e parte do favoritismo também. Porquê? Porque André era uma das principais armas e porque com ele outras iriam. Para já, não se confirma. Hulk, Moutinho, Falcao continuam fiéis. Ainda podem sair, sim, há quase um mês de indefinição e de receio, mas, neste momento, o dragão corre. Chegaram ainda Kléber, Danilo ou Iturbe. Mantém-se a fé, mantém-se a alegria, mantém-se o futebol atacante e mantém-se a mensagem de querer sempre mais. É para voar outra vez?

Se Jorge Jesus gostar de Saramago, se concordar com o que ele diz acerca da evolução do Homem, deve estar na dúvida. O Benfica precisa de melhorar, tem que apagar a época passada, cheia de tropeções e pouca capacidade para voar. Para isso, contrata. Um, dois, três, ene jogadores. Capdevilla, Nolito, Eduardo ou Garay são bons. Se conseguirem encaixar bem na equipa, se entrarem na dinâmica e no espírito de futebol ofensivo, pressionante e veloz que Jorge Jesus gosta, podem fazer o Benfica deixar os tropeções e começar a correr outra vez. Mas, hoje, existem muitas dúvidas: se Luisão fica, sobre quem serão os reforços dispensados, sobre o que fazer com quem não encaixa e se há um substituto para Fábio Coentrão. Por isso, para já, é preciso dar passos firmes. Voará depois?

Se Domingos Paciência gostar de Saramago, se concordar com o que ele diz acerca da evolução do Homem, deve encontrar ali, no meio daquelas palavras, um fio de esperança. O Sporting só tem que melhorar, o Sporting só tem a ganhar, o Sporting só pode corrigir o que de mal tem feito. Nos anos anteriores, nem andar conseguiu. Apenas somou equívocos e nódoas negras. Agora quer mudar, romper, rasgar tudo o que de mau aconteceu e abrir um novo momento. Chegaram reforços em catadupa. A expectativa elevou-se com Capel, com Luis Aguiar, com Oneywu ou Rinaudo. Voltou a confiança, a serenidade e o apoio. O Sporting parece ter reencontrado condições para andar. E caminhar com calma e sem pressa rumo ao futuro. Dará para, tão cedo, querer ousar voar?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Opinião: Um pesadelo de cadeira

O despertador toca. As pestanas soltam-se em dois tempos. O espevitar é forte, violento, faz acelerar o coração e sentir o sangue a pulsar. A cabeça lateja. Lá dentro, um eco, primeiro ao fundo, depois crescente, uma sucessão de imagens e de rostos pelo meio, sempre a bater, sem misericórdia, para fazer estragos. Cadeira de sonho, cadeira de sonho, cadeira de sonho. O som cresce, aumenta, mói e destroça a alma. Traz outras palavras coladas, traz sorrisos, traz imagens de vitória, saltos de alegria. É o clube que eu adoro, daqui não saio, é um sonho, não abdico deste lugar por nada. A pressão é cada vez maior, solta-se o lençol, a almofada vai pelos ares em linha recta. Um Prozac, por favor. Pode ser que a coisa alivie. O que é isto, pá?


Mãos na cara, cabeça baixa, indicadores passados pelos olhos e um movimento rápido para erguer o pescoço. O que é isto, pá? A pergunta repete-se. Foi um pesadelo, só pode ter sido, foi um pesadelo, o André, o nosso André, não fazia isso, ele é um de nós, carago, não nos ia deixar assim. Liga a televisão. Ainda ensonado, com os olhos semicerrados, pode ser que aquilo tenha sido o efeito de um copo a mais, sabe-se lá, há coisas que não se explicam. Não, esqueçam, não há pesadelos, não há ressaca, não há nada a não ser o que é na verdade. Um, dois, vamos lá interiorizar. A realidade pura e dura é que André Villas Boas rescindiu com o FC Porto, pagou os quinze milhões de euros da cláusula e partiu para o Chelsea. Oh não, nem o Prozac ajuda. Cabeça na almofada e esquecido o mundo maldito.


André Villas Boas é, agora, nome proibido para a maior parte dos portistas. Foi um herói, um herói louco, por aquilo que fez, pelas vitórias, pelos recordes, pelos títulos, pelos saltos, por uma época de sonho, mas, não há hipótese, foi tudo por água abaixo. A irritação não sai. O sentimento de traição apodera-se, corrói por dentro, faz mossa e absorve a razão. Porra, pá, pensei que eras um dos nossos, que desilusão, que traidor, que mercenário, és um falso. André foi embora. Tomba do pedestal, perde o crédito, passa a zé-ninguém, só mais um que serviu e foi servido pelo clube, sai sem glória depois de um ano imortal. Deixou o dragão enfurecido, revoltado e em erupção.


A carga pronta e metida nos contentores, adeus, ó meus amores, que me vou. Agradecido. Com quatro títulos ganhos, com um percurso dourado, com uma época que dava para uma estátua logo à primeira tentativa. Mas a vida é feita de momentos. Houve um em que o Chelsea chamou, as libras amontoaram-se, André perdeu-se nos cálculos, viu uma possibilidade única, gostou e aceitou deixar tudo para trás. Não havia como recusar. André era o adepto, era o jovem, era o dragão, era o treinador. Era muitas coisas num só. Os dragões de bancada reviam-se nele. Competente, entusiasmante, categórico e portista. Naquela pose de mão no queixo havia compromisso pela vitória, naquele olhar fixo a vontade de superar tudo, no discurso a capacidade de mudar o destino e nos saltos a alegria de alguém que trabalha por paixão e por gozo. Cadeira de sonho, cadeira de sonho, cadeira de sonho.


O Prozac fez efeito. O adepto está mais calmo. Já não tem os olhos vermelhos de raiva nem morde a língua. Mas a marca fica para sempre. André podia sair, é claro que podia, porque é muito bom no que faz, qualquer um iria, mas não agora, não com a época quase a começar, não depois de tantas juras de amor, não depois de ter sossegado os adeptos, não depois de os ter deixado sonhar com uma época ao nível da anterior. Se calhar, nem ele estava à espera. Por isso foi dizendo que queria continuar no FC Porto, que queria lá construir carreira, que queria ser mais feliz do que nunca, que queria o céu e a terra, que iria ser sempre mais um dragão. Mas o Chelsea investiu forte. André não recusou.

Para os adeptos, depois de tudo, será apenas um cobarde, um vendedor de ilusões e um miúdo precipitado. Que esteve na cadeira de sonho e caiu num pesadelo de cadeira. É pena. Também para ele. Porque a época histórica não merecia.
É possível mudar o destino.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

FUTEBOLÊS: De volta para puxar pela alma

como é? Não terá chegado a hora de voltar? faz falta este blogue e não quero apagá-lo da galeria. Nem que seja um post por semana, vá, toca a puxar pela alma.

Passaram mais de seis meses desde a vírgula. O último texto publicado neste blogue, um dos poucos deste ano, foi no dia 5 de Janeiro. Hoje, a 20 de Julho, é tempo de acrescentar qualquer coisa depois da tal vírgula, juntar mais algumas palavras, muitas ou poucas logo se verá, preencher o espaço vazio e puxar pela alma.

Há por aí umas teorias que defendem que as coisas acontecem quando menos se espera. Tenha muita aplicação ou não, neste caso está na medida certa: este regresso, expectante e para perceber o que poderá realmente dar, aconteceu por acaso, sem que o esperasse. O comentário que abre o texto, da autoria do jornalista Pascoal Sousa, o Bigsousa, fez com que voltasse. Quanto mais não seja para desentorpecer os dedos. Se é para durar? Resposta à treinador pragmático: vamos ver, jogo a jogo.

A nova época começa a 7 de Agosto. Em Aveiro, FC Porto e Vitória de Guimarães, campeão e finalista da Taça de Portugal, abrem a temporada. Estamos prontos?!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

FUTEBOLÊS: A vírgula

Uma opinião e dois dias de intervalo. Um comentário, uma análise e cinco dias a seco. Uma crónica antes de uma desactualização de uma semana. O FUTEBOLÊS tem sido assim nos últimos meses. Não faltam temas, não faltam verbos, não faltam adjectivos, não falta por onde escrever. Mas falta tempo, inspiração e disponibilidade. Tudo tem um ponto final, leitor. Ou, pelo menos, uma vírgula. Este é o momento de colocar uma no FUTEBOLÊS.

Ficam dois anos e pouco de evolução. Recheados de opiniões, de crónicas, de análises, de colaborações, de contactos. Foram crescendo os leitores, as parcerias, as referências. Umas positivas e outras nem tanto. É sempre assim. Estar quatro vezes em destaque no Jornal de Notícias, uma no Público e outra na Rádio Renascença foi bom, melhor do que imaginava, deu um empurrão para continuar. O FUTEBOLÊS foi uma ideia igual a tantas outras. Mas teve graça.

Olho para trás, fixo-me nos primeiros tempos do blogue e leio os textos. Dedo no rato, olhos no monitor, velocidade de ponta para conseguir acompanhar. Aparecem as primeiras crónicas de jogos de futebol, a primeira visão crítica, as primeiras colaborações. Surgem os primeiros artigos escritos com cabeça, tronco e membros, diferentes, melhores, evolutivos e mais capazes. Hoje tudo é diferente. A evolução foi brutal, a escrita escorre, as ideias saem com facilidade e em segundos deixam a mente e passam para o computador. Ouve-se o barulho das teclas, dois ou três cliques, uma vista de olhos e está feito. Uma crónica, uma opinião, um artigo simples, outro mais enfeitado, com análises pelo meio. É necessário inventar, imaginar, fazer. Uma, duas, três, ene vezes. Com análises, opiniões, colaborações, reportagens e entrevistas. Para que só depois possam chegar os leitores, os comentários, os destaques.

Colaborações, leitor, sempre foram um ponto fundamental. Por e-mail, com poucas palavras, desenvolvem-se contactos seja com quem for. Há o risco de não ser respondido, sim, mas vamos em frente. Sem que o esperasse, sem qualquer contacto antes de começar o blogue, conseguiu entrevistas, umas melhores e outras piores, sem sair de casa. Pedro Sousa, Pedro Azevedo, António Boronha, Jorge Coroado ou Bernardino Barros foram questionados, aceitaram, tiveram disponibilidade e responderam. Os registos estão no FUTEBOLÊS, aqui ao lado, em parada e resposta. Chegou, depois, o momento de passar para verdadeiras entrevistas. Pedro Azevedo, de novo: duas vezes, em Agosto e Setembro, anos diferentes, para olhar a temas semelhantes - para ter sucesso numa profissão é preciso interesse nela, não é, Pedro?

António Boronha, Bernardino Barros, Cruz dos Santos, Jorge Baptista, Jorge Coroado, Pedro Azevedo, Pedro Sousa, João Pedro Mendonça, Rogério Azevedo, Pascoal Sousa, José Marinho, Nuno Mourão, Miguel Lourenço Pereira ou Armando Vieira. De uma forma ou de outra, em momentos diferentes, todos colaboraram com o FUTEBOLÊS. Fica um obrigado.

Até já?!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

2010 futebolístico de A a Z - Segunda Parte

DA CAN NEFASTA AO ZERO DO DRAGÃO

N: Nefasto.

Negro, funesto, dramático, desolador. O arranque da Taça das Confederações Africanas, em Angola, foi o momento mais trágico de 2010: a selecção de Togo foi vítima de um brutal ataque quando se encontava em Cabinda, cidade angolana, que culminou na morte de três elementos da sua comitiva. O acto bárbaro e sangrento levou a selecção togolesa, pressionada pelo governo, a abandonar a competição, sendo desqualificada por falta de comparência pela organização do torneio, percebendo não existirem quaisquer garantias de segurança para permanecer em solo angolano. A CAN viria a ser ganha pelo Egipto, pela sétima vez na História, depois de, na final, a selecção egipcía ter derrotado o Gana. Mas há muito ficara manchada e ensombrada.

O: Oportunidade.
Diz-se que o futebol é um negócio. Pode, por vezes, a palavra ter uma conotação negativa, mas a verdade, leitor, é que é mesmo. Daí que, como qualquer comerciante que deseja estar acima da concorrência, seja bom ter os melhores produtos, saber onde os encontrar, forçar para os conseguir e, depois, rentabilizá-los ao máximo para um possível retorno futuro. O FC Porto fez, no Verão, um dos maiores negócios da história do futebol português: resgatou João Moutinho ao Sporting. Pelo dinheiro investido, pela força oportuna como o processo foi conduzido e pelo impacto, moralizador de um lado e decepcionante do outro, que teve. Actualmente, Moutinho é uma das pedras-chave da máquina portista. Sentido de oportunidade. E de negócio.

P: Pesadelo.

Assim mesmo, sem eufemismos ou meias-palavras: o Sporting viveu, em 2010, um verdadeiro pesadelo. Entrou mal, agudizou a crise, viveu momentos sem paralelo na sua história de mais de cem anos e termina o ano arredado das duas principais provas a que se propôs: campeonato e Taça de Portugal. Está numa situação periclitante, turbulenta, caótica. Já Carlos Carvalhal, Salema Garção ou Sá Pinto abandonaram a estrutura leonina, para, em sentido contrário, terem sido contratados Paulo Sérgio, Costinha ou, mais recentemente, José Couceiro. A verdade é que os problemas, os erros, os desaires prevalecem. O Sporting terminou a época passada, em Maio, a vinte e oito pontos do campeão Benfica e sem nada conquistado. Será para repetir?

Q: Queiroz.

Carlos Queiroz chegou à selecção em 2008. Discurso sério, realista, frio e pragmático. Postura sóbria e metódica. Carlos Queiroz será sempre um professor: prepara, estuda, observa, teoriza e traça planos. Rompeu com o tempo de Luiz Filipe Scolari: o pragmatismo ultrapassou a ambição, as bandeiras saíram das janelas, o país distanciou-se, fracassou a mobilização e a selecção, à imagem do seleccionador, assumiu-se receosa, temerária, pouco mágica e carente de um toque de génio. Portugal foi cinzento no Mundial da África do Sul. Chegou aos oitavos-de-final e caiu frente ao futuro campeão do Mundo, sim, mas nunca se revelou na sua plenitude. Carlos Queiroz foi reú. E envolveu-se em polémicas que lhe custaram o lugar. Bateu no fundo.

R: Ronaldo.

Quarenta e nove golos. De cabeça, de pé direito, de pé esquerdo, das formas mais estranhas, felizes ou construídos com mestria, para todos os gostos há registos. Cristiano Ronaldo terminou 2010 em alta: forte, possante, capaz. Mas nunca poderia estar nos finalistas para vencer a Bola de Ouro. O Real Madrid, para onde se mudou no Verão de 2009, terminou a época sem título, sem retorno do investimento e ultrapassado a toda a escala pelo Barcelona. O Mundial da África do Sul, com a prestação cinzenta e apática de Portugal, mostrou também o pior Cristiano Ronaldo: individualista, impotente e eclipsado. Por tudo isso, ficou arredado. Mas nem por isso deixou de marcar a época. No Real Madrid, por exemplo, foi o grande, o maior, o único suporte.

S: Sporting.

O Sporting já apareceu, leitor, atrás. Na letra pê, de pesadelo. Mesmo assim, porque 2010 foi verdadeiramente um ano calamitoso e inusitado no historial leonino, importa vincar a ideia. Ficar a cerca de trinta pontos do primeiro lugar no campeonato, na quarta posição, além de somar derrotas pesadas, frente a FC Porto e Benfica, que valeram a eliminação das outras duas provas internas, Taça de Portugal e Taça da Liga, é algo a que o Sporting não está habituado. Mais: não se coaduna, nem pouco mais ou menos, com um grande, com um clube ambicioso, que luta por título e que coloca a fasquia elevada. Até o estatuto do Sporting esteve tremido. A estrutura apresenta problemas, denota debilidades, não responde de forma eficaz e a equipa, no relvado, sente-o. Faltam chama, falta matéria-prima, faltam recursos. E, sobretudo, meios.

T: Túnel.
O leitor abre o dicionário na letra tê. Procura e lá encontra: túnel. Tem vários significados e um deles, no sentido figurado, salta à atenção: túnel pode representar uma fase obscura e difícil. Em 2010, recuperando suspeições e intimidações do passado, o futebol português falou de túneis, acendeu a polémica em torno deles e viveu uma tal fase obscura, polémica, densa. O túnel da Luz, de onde saíram as suspensões de Hulk e Sapunaru por agressões a stewards, serviu para alimentar a revolta portista. Pinto da Costa classificou o título benfiquista como uma vitória na Liga dos túneis. Não foi, contudo, apenas no jogo com o FC Porto que o túnel foi falado. Acontecera, antes, nos jogos do campeão com o Sp.Braga e com o Nacional. Um lugar obscuro.

U: Ufanar.
A palavra não é, leitor, muito conhecida. Define alguém que se pode gabar se determinado feito. Nem todos se podem ufanar, por exemplo, de, como Sp.Braga, ter terminado uma fase de grupos complicada, em ano de estreia na Liga dos Campeões, defrontando Arsenal, Shakthar Donetsk ou Partizan, com nove pontos somados - mais do que o AC Milan, que se apurou. Tal como nem todas as equipas, como Barcelona e Real Madrid, de terem os dois principais jogadores do planeta. Há Messi e Ronaldo: correm, driblam, passam, divertem, assistem, marcam, vivem e respiram futebol. Um é franzino, veloz, esguio. O outro possante, capaz, destruidor. Podem-se ufanar os clubes, os treinadores, os colegas e os adeptos. 2010 foi um ano dourado para ambos.

V: Villas Boas.
André desligou-se de José Mourinho. Assumiu a Académica, aceitou o risco, colocou-se na corda bamba e seguiu em frente. Rapidamente chamou a atenção, saltou para a moda, despertou cobiça. O Sporting interessou-se, fracassou, André Villas Boas permaneceu na Académica, ganhou aprendizagens, continuou o seu trabalho e viu serem-lhe abertas as portas do seu clube, o FC Porto, por Pinto da Costa querer romper com o passado. Chegou com força. Mudou a forma de jogar, colocou o dragão no trilho das vitórias e construiu uma máquina poderosa. Conquistou a Supertaça, tem o campeonato bem encaminhado e é candidato assumido na Europa. O FC Porto está invicto, mostra-se elegante e funciona com harmonia. Ano perfeito para André Villas Boas.

W: Wesley.

Jogou, desmarcou, correu, pensou, assistiu e marcou. Wesley Sneijder foi uma peça fundamental no Inter de Milão. Chegou dispensado de Madrid, como Robben, entrou de caras na equipa montada por José Mourinho, assumiu-se como cérebro do Internazionale, guiou a equipa, deu-lhe um toque de génio e revelou-se, em sociedade perfeita com Diego Milito, nos momentos decisivos ao longo da temporada. Conseguiu, ainda, uma prestação convincente na Holanda, mantendo a posição de destaque como no clube, contribuindo de forma fulcral para a cavalgada holandesa rumo à final do Mundial, a terceira da sua História, onde a Espanha levou a melhor. Sneijder esteve sempre no topo. Causa estranheza ter sido esquecido para a Bola de Ouro.

X:
Xau.
Então, xau! A frase pertence a Jorge Jesus, foi dirigida a um jornalista no flash interview do jogo entre o Benfica e o Beira-Mar, confortavelmente vencido pelos encarnados, numa fase em que a eliminação da Liga dos Campeões abalou o campeão nacional. Mostra a tensão do treinador numa altura que a temporada do Benfica foi colocada em xeque. 2010 foi também o adeus de Ricardo Costa e Hermínio Loureiro. O primeiro, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, abandonou o cargo manchado pela polémica em torno do FC Porto e das suspensões de Hulk e Sapunaru, castigados em quatro e seis meses, respectivamente, mas que, afinal, por deliberação do Conselho de Justiça, apenas teriam de cumprir três e quatro... jogos. Polémica a rodos.

Y:
Yes, they can.
São portugueses e estão no estrangeiro. José Mourinho: sempre, indiscutivelmente e como expoente máximo. O mais conhecido treinador português venceu, com o Inter, a Liga dos Campeões, quarenta e cinco anos depois da última conquista europeia do clube nerazzurro, conseguindo chegar ao pentacampeonato e à Taça de Itália. Além dele, também outros dois treinadores triunfaram: Nelo Vingada sagrou-se campeão na Coreia do Sul, ao serviço do FC Seul, e Álvaro Magalhães, em Angola, levou o Interclube de Luanda ao título. Simão Sabrosa e Tiago, no Atlético de Madrid, venceram a Liga Europa, enquanto jogadores como Bosingwa, Paulo Ferreira e Hilário (Chelsea) ou Danny, Bruno Alves e Fernando Meira (Zenit de São Petersburgo) se sagraram campeões nacionais em Inglaterra e Rússia, respectivamente.

Z: Zero.
O FC Porto terminou 2010 sem derrotas pós-dia 21 de Março, altura em que, no Algarve, foi vencido pelo Benfica. O dragão, contando vinte e três vitórias e três empates, tornou-se a única equipa europeia a chegar ao Natal sem qualquer jogo perdido. Demonstra, na perfeição, a forma como o FC Porto, desde que André Villas Boas chegou ao comando técnico, no Verão, deu seguimento à excelente recta final da temporada anterior, com dez vitórias consecutivas nos últimos tempos de Jesualdo Ferreira, ganhou pontos, credibilizou-se para a época 2010-11, agarrou-se ao topo no campeonato português, cavalgou na Liga Europa e garantiu, com relativa comodidade, um lugar nos quartos-de-final da Taça de Portugal. Sem derrotas. Ficou por isso, nas palavras de André Villas Boas, com a cabeça a prémio. Até quando?...

NOTA: Como se percebe, neste artigo, não se considera o FC Porto-Nacional, a primeira derrota azul, por já ter acontecido em... 2011.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 futebolístico de A a Z - Primeira Parte

DE ANDRÉS INIESTA A MOURINHO

A: Andrés Iniesta.

Aprimorado. Com passada elegante, fino recorte e cabeça erguida. Bola nos pés, cérebro em funcionamento apressado, mil e uma ideias, controlo total, tentativa de colocar a bola num determinado lugar, acção e já está. A mente e o corpo interligam-se, Iniesta executa, os companheiros movem-se, a equipa trabalha, carbura, desenvolve, galga terreno. É esse no Barcelona e na selecção espanhola. Em 2010, Iniesta esteve lesionado grande parte da época, sim, mas regressou em grande: foi o centro do Barça triturador em Espanha e o autor do golo que deu, pela primeira vez na História, um título mundial aos espanhóis. Está na pole-position para receber a Bola de Ouro. Com Xavi e Messi na concorrência. São os dinamizadores do tiki-taka.

B: Benfica.
Um gigante. Adormecido. Preso ao passado, superado, caído em desgraça. Vivendo sem títulos, sem alimento, sem a grandeza de outrora. Cansado de falhanços sucessivos, repetindo erros, alimentando promessas e sempre terminando desiludido. Mudou em 2010. Jorge Jesus chegou com audácia, moral, confiança em alta. Prometeu uma equipa a jogar o dobro, elevando a fasquia, rompendo com o passado recente e destruindo as pretensões dos adversários, sobretudo do pentacampeonato do FC Porto. Até Maio, altura em que conquistou o trigésimo segundo título do seu historial, o Benfica foi a melhor equipa portuguesa, roçou a perfeição, apresentou-se como um rolo compressor e destruidor. Foi campeão. Até Maio foi mágico.

C: Campeonato do Mundo.
Em África do Sul. Com problemas, sim, principalmente ao nível de segurança e de estruturação, mas organizado com paixão, genuína e pura, de um povo humilde e radiante por ver as maiores estrelas do futebol mundial junto de si. África do Sul começou por dar sinais de impreparação e terminou com uma certeza: mereceu organizar um evento assim, realizou-se, viveu nas nuvens e, mesmo que tenha sido somente por um mês, foi o centro do Mundo. Trabalhou para superar as dificuldades, entregou-se para tapar as brechas e esforçou-se para ser recompensada. Deu o seu melhor. E foi bem-sucedida. África do Sul assistiu à coroação da Espanha, ao regresso de Diego Armando Maradona aos grandes palcos, à força demolidora da Alemanha.

D: Deixem-me sonhar.
José Torres partiu em 2010. Deixou obra feita. E uma frase marcante, intemporal e profunda, proferida em 1986, antes da partida para o México, no regresso de Portugal aos Mundiais: deixem-me sonhar. Apenas sonhar, acreditar, confiar, tentar. Deixar-se levar, entregar-se ao destino, abrindo horizontes. Domingos Paciência, treinador do sensacional Sp.Braga que conseguiu em 2010 chegar mais alto do que nunca, repetiu a frase a cada dia, a cada treino, a cada conversa, a cada jogo. A sua equipa sonhou, batalhou, porfiou e surpreendeu. Não estabeleceu um objectivo, não se colocou em bicos de pés, apenas acreditou. O Sp.Braga foi vice-campeão, entrou de forma brilhante na Liga dos Campeões e lutou. Teve o seu ano de ouro.

E: Espanha.
Vicente del Bosque, Don Vicente, herdou uma selecção campeã da Europa. Espanha tivera sucesso. Restava dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Não mudando no que estava bem, não rompendo com um passado recente vitorioso nem, muito menos, alterando a forma da equipa se apresentar. Ao mesmo tempo, o Barcelona, o carrossel de futebol construído e alimentado por Pep Guardiola, emerge, surpreende, quebra recordes, ultrapassa barreiras, torna-se um monstro cada vez maior e destrói, massacra, asfixia. Tem uma base sólida, tem cultura, tem um leque vasto de espanhóis. A selecção só pode beneficiar. O tiki-taka de Xavi e Iniesta é transportado para La Roja. O título mundial, pela forma como se apresentou, assenta como uma luva.

F: Futebol total.
Abaixo, leitor, na próxima letra destacam-se dois dos principais jogos do ano: o FC Porto-Benfica e o Barcelona-Real Madrid, dois duelos de titãs, dois duelos pelo título, ambos ganhos por cinco-zero, um resultado esmagador e massacrante. Houve, contudo, mais jogos importantes, marcantes, simbólicos no decorrer de 2010. No campeonato português jogaram-se, por exemplo, o Benfica-Rio Ave, que devolveu o título aos encarnados cinco anos depois, e o FC Porto-Sp.Braga, vivo e intenso do princípio ao fim, num teste de fogo ao dragão. Também o jogo da selecção nacional contra a Espanha, vencido por quatro-zero, ou o brilharete do Sp.Braga em Sevilha e, em casa, ante o Arsenal. Sem esquecer, internacionalmente, os duelos do Inter com o Chelsea e o Barcelona, que guiaram os italianos ao título europeu, ante o Bayern.

G: Goleada.
Cinco-zero. Resultado gordo, pesado, inusitado. Ainda mais raro quando se defrontam duas equipas poderosas, ambiciosas, que discutem o topo, colam os olhos no primeiro lugar e não admitem nada mais do que ser campeão, uma, duas, muitas vezes para garantir a hegemonia internamente e serem a principal bandeira para o exterior. Aconteceu em Portugal e Espanha. O FC Porto está para o Barcelona como o Benfica está para o Real Madrid: os dois primeiros cresceram, subiram a pulso, ganharam a região e só depois alastraram o seu domínio, são equipas poderosas actualmente, enquanto os outros dois, de ascendência nobre e gloriosos em tempos idos, perderam fulgor. FC Porto e Barcelona destroçaram os rivais com cinco golpes. Sem misericórdia.

H: Hulk.
Incrível. Forte. Demolidor. Hulk encara o adversário, é veloz, arranca, destói, galga metros, alia uma potência descomunal a uma técnica que o faz saltar para o pedestal do campeonato. Viveu, em 2010, momentos diferentes. Desceu às trevas por ter sido castigado devido às ocorrências no túnel da Luz, depois do Benfica-FC Porto da temporada passada, sendo marcado como jogador violento, mau perdedor, afastado, a par de Sapunaru, da competição. Regressou em Março, depois de uma decisão que anulou os quatro meses de castigo decretados, com um novo espírito: menos individualista, mais sóbrio, mais calmo, melhor do que nunca. Precisamente aí iniciou-se o ciclo dourado do FC Porto. Hulk é o maior destaque deste campeonato.

I: Internazionale Milano.
Tetracampeão italiano, taças e supertaças pelo meio, reinado incontestado em Itália, domínio a toda a prova, demonstração de força sem parelelo internamente. Será, à partida, o desejado por qualquer clube. Ao Inter nunca desapareceu a sensação de saber a pouco. Ganhava fácil em Itália, sim, mas faltava afirmar-se na Europa. Chegar longe, ultrapassar a maldição dos oitavos-de-final, sonhar com a final e repetir o êxito de Helenio Herrera, há já quarenta e cinco anos, assumindo o título de campeão europeu. O Inter jogou à italiana, abusou do pragmatismo, levou os seus princípios ao limite, não teve pejo em defender ou em cortar a inspiração dos adversários. Foi guiado por Mourinho. E teve Sneijder, Milito, Cambiasso ou Zanetti. Uma equipa.

J: Jorge Jesus.
Discurso simples, assertivo, frontal: esta equipa, comigo, vai jogar o dobro. Soou a arrogância, a demagogia, a propaganda. Os benfiquistas aplaudiram mas desconfiaram: gostaram de ouvir o novo treinador arrancar com palavras fortes, prometendo mudanças na postura e no destino dos títulos, embora, por outro lado, tenham sentido que o discurso se repetira porque mais uma vez o Benfica terminara a época - excepção feita à Taça da Liga - sem glória. Jesus cumpriu: transformou o Benfica numa máquina futebolística, colocou as peças nos seus devidos lugares, ressuscitou o inferno benfiquista e relançou os encarnados para o topo. Foi campeão, ganhou a Taça da Liga e chegou longe na Liga Europa. Jorge Jesus pode ter perdido o estado de graça, sim, mas não o estatuto de obreiro do título encarnado.

K:
Kick and rush.
Uma bola, um pontapé, uma corrida e uma sorte. O futebol português, leitor, assemelha-se, muitas vezes, a isto. Verifica-se, sobretudo, nas equipas de menor dimensão, especialmente quando defrontam os grandes, sabendo, à partida, que as probabilidades de sucesso são reduzidas. Desligam-se da qualidade apresentada, dos princípios de jogo, assumem uma postura defensiva, por vezes exacerbada, correndo em busca de um ponto, de algo palpável, dos mínimos. Refreiam a ambição de vencer e fixam-se apenas em sobreviver. São realistas, até em demasia, pois prescindem de lutar. Usam as suas armas. Por vezes resulta. Sente-se, contudo, na forma como os adeptos de distanciam. Ninguém gosta de ver um jogo transformado num monólogo.

L: Liderança.
Os três principais clubes portugueses, os grandes, têm modelos de liderança bem distintos. O FC Porto, demolidor e hegemónico na última vintena e meia de anos, tem em Pinto da Costa uma figura carismática, consensual, intocável. O dragão perdeu o campeonato. O presidente, com total confiança do povo portista, alterou, traçou novos planos, com os objectivos de sempre e arrancou fortíssimo rumo à nova temporada, visando impedir o bicampeonato do Benfica. O clube encarnado viveu, até Maio de 2010, o melhor período do reinado de Luís Filipe Vieira, vendeu duas peças importantes, não as colmatou da melhor forma e tropeçou decisivamente na primeira parte da nova época. No Sporting, José Eduardo Bettencourt está ligado ao pesadelo leonino: sem títulos, sem chama, sem recursos económicos. O passivo dos três é elevadíssimo.

M: Mourinho.
Corrida louca, braços no ar, punho cerrado, ar superior, elegante e forte, com o indicador colado na boca: ganhei, acabou, acabei por cima. O fim de Mourinho à frente do Inter chegou com a conquista da Liga dos Campeões. Pode parecer paradoxal, leitor, mas é bem simples. Voltar, quase meio século depois, a ser campeão europeu era o objectivo nerazzurro. Foi conseguido. Ponto final. O objectivo de Mourinho cumpriu-se, o ciclo fechou-se, com muitas guerras e polémicas pelo meio, conquistando, em dois anos, uma Liga dos Campeões, duas supertaças, uma taça e dois campeonatos. Mourinho chegou a Espanha. Um desafio maior do que nunca, em Madrid, para potencializar todos os recursos do Real, bater o Barcelona e voltar a tocar o céu.

NOTA: A segunda parte será publicada nas próximas horas.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Liga ZON Sagres: Análise da jornada 14

O DRAGÃO CAMPEÃO DE INVERNO

Pleno de vitórias dos grandes, lugares fixados no topo, constituição natural do pódio. Sabores diferentes: divertimento do FC Porto, inquietação do Benfica, desapontamento do Sporting. Nada se alterou, nos três primeiros lugares, na última jornada deste ano. Os oito pontos de vantagem do FC Porto são importantes, funcionam como uma almofada e deixam o dragão, invicto e audaz, em posição privilegiada, na pole-position, para atacar a segunda parte da temporada. A equipa portista sentiu uma quebra pós-Benfica e perdeu o brilhantismo, sim, mas manteve-se vitoriosa, invicta e capaz. Ganhou, cimentou a liderança, empinou o nariz e seguiu caminho. Os adversários, sobretudo o campeão, ainda acreditam, esperam, anseiam. Têm fé. E pretendem um resto de época melhor.


Primeiro lugar, oito pontos de vantagem, posição confortável e passada segura. Uma vitória, dourada e fundamental, para fechar: em Paços de Ferreira, por três golos de diferença, aparentemente fácil, clara e sem discussão, mas, no fundo, enganadora: o FC Porto foi melhor, teve uma primeira parte de alto rendimento, dominou e destruiu, chegou à vantagem, falhou mais oportunidades para aumentar, só que no final, por acção da equipa pacense na segunda parte, tremeu, mais uma vez, mostrou debilidades, viu Helton agigantar-se e só no período de descontos, numa grande penalidade mal assinalada por Artur Soares Dias, que já antes perdoara um derrube a Hulk na área, serenou. Marcou por Otamendi, por Hulk e por Walter. O dragão foi asfixiante no início e apático no fim. Mesmo assim venceu. Com robustez, com confiança e com os galões de quem é líder. O FC Porto termina o ano invicto. É campeão de Inverno. E, mesmo perdendo o brilhantismo exibido, continua seguro. Está no topo. Bem agarrado.

Segundo lugar, oito pontos de atraso para o topo, posição inquietante para o campeão e prestações titubeantes. O Benfica começou mal o campeonato: três derrotas em quatro jogos, FC Porto a fugir, defesa do título comprometida e decisões difícieis. Melhorou, correu em busca do prejuízo, conseguiu uma bela série de vitórias sem sofrer golos, foi esmagado por um dragão enraivecido e demolidor, abalou verdadeiramente aí, mas recuperou, depois, o trilho vencedor, com vitórias, no campeonato, sobre Naval, Beira-Mar e Olhanense. Apurou-se, também, para a Taça de Portugal. Desiludiu na Europa, conseguindo o terceiro lugar in extremis, depois de falhar a Liga dos Campeões. Mas conseguiu terminar bem o ano. Não conseguiu que o FC Porto escorregasse, permitindo recuperar o fôlego, mas venceu o Rio Ave: bom jogo, entrada massacrante, jogo dinâmico, uma espécie ar de graça da época passada, Toto Salvio em destaque e vitória robusta, por 5-2, sobre uma briosa equipa vila-condense.

Terceiro lugar, treze pontos de diferença para o primeiro lugar, barreira dura e campeonato transformado em utopia. O Sporting chega a Dezembro, mal refeito de uma temporada de verdadeiro pesadelo, com as suas aspirações a conquistar o título, para onde partiu com algum atraso relativamente ao campeão Benfica e ao FC Porto, arruinadas. Persegue, mesmo assim, a melhor classificação possível. Encara um jogo de cada vez, pretende vencê-lo, cimentando a sua posição, pressionando e esperando que os adversários percam pontos. Depois de duas derrotas, uma inconsequente e outra que afastou a Taça de Portugal, o leão apareceu bem em Setúbal, mostrou garra, fez do orgulho ferido uma arma, assumiu-se dominador, ganhou o controlo do jogo e ganhou clara e merecidamente. Marcou duas vezes por Yannick Djaló, regressado aos golos, pelo meio contando também com a ajuda preciosa de Abel. A vitória serve, pelo menos, para manter o Sporting vivo, acordado e fixado no terceiro lugar. Mais do que isso é utopia.

O União de Leiria fecha o ano no quarto lugar. A equipa leiriense, depois de um arranque intermitente, soma vinte e quatro pontos, apenas menos um de que o Sporting, por ter vencido, na Figueira, a Naval (0-3) - resultado que levou à demissão de Rogério Gonçalves, segundo treinador dos figueirenses nesta temporada, devido à série de maus resultados que deixa a equipa na última posição, com apenas cinco pontos conquistados. O último lugar de acesso à Europa é, actualmente, ocupado pelo Vitória de Guimarães, com vinte e dois pontos, embora a equipa vimaranense tenha sido derrotada, em Aveiro, pelo surpreendente Beira-Mar (3-2) - em oitavo, somando dezanove pontos. Nacional (empate, a zero, em Olhão) e Sp.Braga (regresso triunfal, categórico, gordo: 5-0 à Académica) estão em posição intermédia, com vinte e um e vinte pontos, respectivamente. O Marítimo empatou (1-1) com o Portimonense e fixou-se, a par do Olhanense, no décimo lugar, com dezasseis pontos. Seguem-se P.Ferreira (quinze), Rio Ave (catorze), V.Setúbal (treze) e Portimonense (nove).

O MOMENTO DA JORNADA