quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Made In England: Será este o ano de afirmação do City?

O Mundial já lá vai e por estes dias os “fanáticos“ pelo futebol estão famintos, mas em breve essa fome será saciada. As ligas europeias estão a recomeçar e neste caso em especial a Premier League inicia-se no próximo fim-de-semana. No domingo passado abriu oficialmente a época futebolística em Inglaterra. O Manchester United arrecadou mais um troféu, a Community Shield, e logo perante um concorrente directo ao título, o actual campeão Chelsea. A vitória por 3-1 foi clara e indiscutivel. Mas neste arranque de temporada todos os olhos se viram para o Manchester City. Os blues de Manchester são já vencedores do campeonato das contratações, trazendo para as Eastlands jogadores como Yaya Touré e Aleksandar Kolarov, estando ainda em negociações por James Milner (Aston Villa) e Mario Balotelli (Inter).

Apesar de terem falhado a conquista do tão desejado quarto lugar na época passada, muitos adeptos de futebol colocam o City como potencial cópia do Blackburn de Jack Walker e o Chelsea de Roman Abramovich na capacidade de “comprar“ o título. As
apostas para a Premier League prevêem uma probabilidade de cinco/um de tal acontecer e poderá mesmo ser uma aposta segura. Os clubes rivais começam já a dar sinais de nervosismo expresso em palavras de alguns dos seus jogadores que dizem duvidar da qualidade do investimento dos donos bilionários do Manchester City. Paul Scholes, do United, foi dos primeiros a dizer que não sabe ainda qual o real valor do rival.

Salomon Kalou, do Chelsea, foi mais longfe, ao afirmar que ainda não pode ter tanta certeza que a equipa de Mancini está mais forte que na época passada: "só porque entram 10 novos jogadores todos os anos não significa que vão terminar em primeiro lugar na tabela“ afirmou o costa-marfinense. “Gastar muito dinheiro em novas contratações não garante nada“, adiantou. O Manchester City obteve resultados impressionantes nos confrontos directos com os rivais ao título na época passada, rivais esses que são o Chelsea, Manchester United e Arsenal, esperando-se iguais performances na nova época.

Curiosamente, o seu primeiro jogo vai ser contra a equipa que lhes “roubou“ o quarto lugar e a possibilidade de jogar na Liga dos Campeões, o Tottenham. Com tudo isto, os homens de Mancini precisam ainda de se tornarem numa verdadeira equipa e assegurar que não cedem tantos empates como no passado. Não será tarefa fácil. Os
sites de apostas sugerem que o City deverá ganhar um troféu mas não necessariamente o de campeão inglês. Um pequeno palpite para terminar: é de esperar um Chelsea ainda forte a suplantar um Manchester United envelhecido e um Manchester City com muitas dificuldades em gerir todas as estrelas na mesma equipa.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o futebol inglês e voltará a marcar presença no FUTEBOLÊS

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Supertaça: Minuto noventa

O Benfica partiu como favorito: campeão, bem estruturado, mantendo a dinâmica criada e apenas com um desaire, o derradeiro teste antes da Supertaça Cândido de Oliveira, para refrear a euforia. Os encarnados partiram confiantes, conhecendo a sua valia, mesmo tendo perdido dois jogadores tão importantes como Di María e Ramires, acreditando plenamente num início de temporada triunfal. O FC Porto, acostumado nos últimos anos a marcar presença na Supertaça como campeão, chegou a Aveiro como uma equipa de orgulho ferido, em transformação, quebrando com o passado e virando a página rumo a um futuro mais risonho, com novas ideias e um novo corpo. A pré-época carregou a apreensão, a desconfiança, sobre a equipa e sobre André Villas Boas, não deixou perceber se haveria efeitos positivos.

Ferido no seu orgulho, olhado com desconfiança e sem dar mostras de melhorias substanciais em relação ao passado, ao contrário da manutenção das belas exibições do Benfica, o FC Porto puxou pela garra, por toda a sua força, libertou o espírito e conseguiu superiorizar-se. O golo de Rolando, marcado no terceiro minuto, foi fundamental. O jogo ficou na mão dos dragões. O Benfica, confuso e desconexo, não reagiu, nunca soube lidar com a pressão altíssima feita pela equipa portista, demonstrou imensas debilidades para se organizar e construir lances de futebol ofensivo. Houve mérito e demérito, as duas faces da medalha, para impedir a reacção encarnada. As opções de Jorge Jesus não tiveram resultados. Airton, por exemplo, nunca conseguiu ser o elo de ligação, como é Javi García - não foi utilizado -, entre a defesa e o ataque, dando equilíbrio à equipa. O meio-campo do FC Porto dominou a toda a linha.

Tanto Benfica como FC Porto jogaram com os mesmos esquemas do ano passado. Jorge Jesus, ao contrário do que fizera nos últimos jogos de preparação, optou pelo preenchimento do meio-campo. Airton, como se disse, nunca se encontrou: nervoso, intermitente e incapaz de contribuir para o equilíbrio da equipa. A falta de um extremo que dê todas as garantias de sucesso, alguém que possa vestir a pele de Di María, levou o treinador encarnado a optar pelo adiantamento de Fábio Coentrão, entrando César Peixoto para a zona defensiva - Rúben Amorim teve imensas dificuldades com as diabruras de Varela, bem apoiado por Álvaro Pereira. Não ganhou força na defesa, antes agressividade, nem Coentrão foi um verdadeiro desequilibrador, porque é a partir de trás, jogando como lateral-esquerdo, que consegue ser dinâmico, ofensivo e influente na manobra ofensiva da equipa. Também Pablo Aimar e Carlos Martins não tiveram bola. A equipa nunca se soltou das amarras.

O Benfica jogou mal? Jogou. Mas não só. Também, por boa acção do FC Porto, não teve espaço para jogar. A equipa portista, titubeante e pouco assertiva durante a pré-época, entrou no relvado com força, garra e um enorme espírito de entreajuda. Afastar de vez o FC Porto expectante, adormecido, previsível e incapaz de assumir o jogo que apareceu na temporada passada, no fim de ciclo de Jesualdo Ferreira, é o primeiro objectivo de André Villas Boas: o novo treinador pretende uma equipa pressionante, em alerta máximo, ousada, audaz e crente nas suas capacidades. Dos reforços contratados para a nova temporada, contudo, apenas João Moutinho - belíssima exibição, pujante e aguerrida, mostrando que não terá de viver uma fase tormentosa de adaptação - entrou na equipa titular. Manteve-se a táctica, mantiveram-se os jogadores, mas mudou a atitude e a forma de jogar. O Benfica sentiu a transfiguração.

É indiscutível: o FC Porto ganhou a Supertaça, justa e merecidamente, dominando o Benfica na maior parte dos noventa minutos, concedendo poucos espaços e sendo sempre mais perigoso. Ganhou força, chutou a apreensão para canto e mostrou uma nova vida. Mesmo demonstrando algum abaixamento de rendimento na segunda parte, perfeitamente justificado pela fase precoce de temporada, e com algumas distracções nos últimos minutos do jogo. Há arestas a limar, sem dúvida, mas os dragões estão no bom caminho. Por outro lado, mesmo tendo perdido e sendo superiorizado pelo adversário e incapaz de marcar qualquer golo, algo pouco visto na época anterior, o Benfica não passa do oitenta ao oito. A Supertaça, contudo, serviu para demonstrar que ainda há muito para acertar nos encarnados. Roberto, por exemplo, treme em cada lance e faz tremer a equipa. E mais importante: como substituir Di María e Ramires?

sábado, 7 de agosto de 2010

Supertaça: Benfica-FC Porto, 0-2 (crónica)

Mandões, adultos e com nariz empinado. O FC Porto apareceu transfigurado. Com audácia, garra e preparado para deixar a última gota de suor em campo. O golo chegou cedo: terceiro minuto. Marcou Rolando, um novo líder no centro da defesa portista, órfã de Bruno Alves, procurando a sua emancipação absoluta. Não tremeu, ao contrário dos defesa benfiquistas e de Roberto, trapalhões e indecisos, colocando a bola no fundo da baliza encarnada. A tonalidade azul, forte e concentrada, instalou-se logo no começo - depois de uma primeira aventura de Fábio Coentrão. E não se tratou de um fogacho, um mero oásis, apenas fogo de vista. O FC Porto manteve-se unido, fulgurante, carregado do espírito de vitória, pressionando alto e impedindo que o Benfica ganhasse o seu território e tivesse a bola. Os dragões instalaram-se confortavelmente, aniquilaram o rival e jogaram com atitude. O Benfica demorou a reagir.

Aos encarnados, abalados pelo golo precoce do FC Porto, faltou velocidade, criatividade e rasgo. Faltou, numa palavra, lucidez: para colocar a bola no chão, pensar e organizar o seu futebol. Os dragões, pressionantes e aguerridos, são grandes responsáveis por isso. A cabeçada de Rolando encheu o peito do FC Porto, trouxe a paz de espírito necessária e deixou a equipa portista com confiança renovada. O Benfica, confuso, surpreendido e errante, encontrou pouco espaço. A primeira vez que o campeão deu um ar da sua graça, quebrando o controlo azul, aconteceu aos vinte minutos, num remate forte de Carlos Martins que Helton defendeu bem. O Benfica teve pouca profundidade, nunca conseguindo desorganizar a defensiva portista. O regresso à fórmula do ano passado, bem-sucedida, não resultou: nem Aimar nem Martins tiveram bola, Airton não conseguiu ligar os sectores e Fábio Coentrão não foi o extremo desejado.

A venda de Di María levantara uma questão de fundo: teria o Benfica substituto à altura? Nos jogos de preparação, mesmo não havendo nenhuma fotocópia, Nicólas Gaitán e Franco Jara deram boas indicações. Jorge Jesus, em certa altura, chegou mesmo a adoptar um novo esquema táctico, soltando um dos jogadores do meio-campo para a formação de um tridente no ataque. No jogo frente ao FC Porto, contudo, o treinador encarnado adiantou Fábio Coentrão no terreno e colocou, com isso, César Peixoto no lado esquerdo da defesa do Benfica. A dinâmica pretendida não apareceu: Hulk e Varela, homens capazes de todas as diabruras, pujantes e destemidos, fizeram a cabeça em água aos defesas do Benfica, imprimiram um ritmo forte, possante e intenso. O FC Porto jogou bem pelas alas, com toque curto, sempre de cabeça bem levantada. O dragão está diferente, mais solto e ousado, beneficiando do golo de Rolando.

O AR DE GRAÇA DO CAMPEÃO

O remate de Carlos Martins, aos vinte minutos, tratou-se apenas de uma ameaça. Ou, no fundo, um sinal de que o Benfica, mesmo tendo despertado a medo, pretendia corrigir os erros, dizimar o prejuízo e lançar-se para a vitória. O FC Porto, não caindo na tentação de refrear os ímpetos para saborear a vantagem tangencial, um pecado de morte, respondeu de pronto, na mesma moeda, num tiro de Sapunaru que Roberto, bem, desviou para canto. Foi, porventura, pouco depois dessa oportunidade de aumentar a vantagem, num período de controlo portista capaz de deixar o Benfica afastado da baliza de Helton, que os encarnados cresceram. Depois da meia-hora, El Conejo Saviola, numa boa envolvência ofensiva, rematou ao lado. Apesar disso, contudo, o perigo, capaz dos maiores estragos, esteve sempre ligado ao FC Porto. Em cima do intervalo, Luisão, um verdadeiro chefe defensivo, impediu o golo de João Moutinho.

Com um meio-campo capaz, tanto a impedir os avanços do Benfica como a lançar as investidas atacantes de Hulk e Varela, o FC Porto ficou com o jogo na mão. Restava perceber qual seria o tempo de validade para tamanha intensidade e entrega, duas características inerentes desde o primeiro minuto, numa fase tão precoce da época. Com o passar dos minutos, os portistas perderam, com naturalidade, a frescura o início e a equipa baixou as suas linhas. O Benfica, com quarenta e cinco minutos para dar a volta, procurou reagir, conseguiu ter mais tempo a bola, encontrar mais espaço para progredir mas faltou sempre o clique de génio capaz de resolver. A equipa não virou a cara à luta, teve coração, espreitou oportunidades. Foi, contudo, insegura e pouco incisiva nas suas ideias. O golo andou perto, aos sessenta e seis minutos, de novo num remate de Carlos Martins travado por Helton e sem emenda certeira de Saviola.

O GOLPE FINAL

O golpe de misericórdia do FC Porto estava guardado. A equipa azul deixara de ser tão pressionante e dominadora, passara a usar a velocidade e o balanceamento do Benfica para criar perigo. Ao aviso benfiquista, seguiu-se o segundo golo portista. Jogada simples, de puro contra-ataque, tão simples como eficaz: Varela recolheu o lançamento longo, encarou com Luisão, coxeando e há muito com a substituição pedida, cruzou rasteiro, tenso e mortal, para um golo oportuno de Radamel Falcao. O FC Porto colocou um ponto final nas dúvidas. Colocou as mãos sobre a Supertaça, a décima sétima do seu historial, para não mais largar. Antes do final, numa última tentativa, Saviola obrigou Helton a uma belíssima defesa. O guarda-redes brasileiro, agora promovido a capitão, foi um pilar importante, transmitiu serenidade e resolveu com eficácia os lances de perigo que os atacantes do Benfica lhe colocaram. O sucesso começou nele.

Olhado com desconfiança à partida, o FC Porto encerra o primeiro jogo da época com uma vitória. Vale um título, renovando a conquista do ano passado, para além de trazer uma enorme confiança para o ataque às primeiras jornadas do campeonato. Os dragões venceram um rival directo, o actual campeão nacional, deixando boas indicações, sobretudo do meio-campo para a frente - com destaque para exibições de João Moutinho, Varela e Rolando -, além de que a equipa, voluntariosa e unida, procurou sempre uma ajuda constante capaz de travar o Benfica. Para os encarnados fica uma derrota, falhando frente a um rival a conquista de um troféu, num jogo em que o Benfica entrou a perder e nunca demonstrou verdadeira capacidade para desorganizar e empurrar o FC Porto. Houve, até, algum desnorte que levou à criação de picardias e entradas bem ríspidas. Óscar Cardozo, César Peixoto e David Luiz são três exemplos disso.

Supertaça: Benfica-FC Porto (antevisão)

Dia um. Na época futebolística em Portugal, nas emoções, nas vibrações fortes, nas palpitações e no calor de um clássico, em Agosto, entre Benfica e FC Porto. O desgaste, o experimentalismo e as afinações da pré-época dão lugar à primeira grande disputa: Supertaça Cândido de Oliveira, entre campeão e detentor da Taça de Portugal, opõe dois dos principais emblemas do futebol português, inimigos de guerra, sempre em cenário bélico e sem baixar a guarda. Diferem como o dia da noite, nunca se irão entender, nem fazer tréguas na rivalidade que os separa e os coloca em pólos tão separados. Para o pontapé de saída na nova temporada, quebrando a monotonia dos jogos de preparação e acompanhado pelo calor de Agosto, nada melhor do que um jogo com estas características. Ganhar o campeonato nacional, saindo por cima em Maio, é o objectivo de qualquer um deles. A Supertaça, frente a um rival directo, será sempre um bom mote.

Estabilidade. O Benfica vive um período de harmonia. Manteve o treinador, a estrutura e renovou a ambição. Mesmo tendo perdido Di María e Ramires, além da dispensa de Quim, três jogadores titularíssimos na temporada anterior, os encarnados, pelo que demonstraram na pré-época e por possuírem todas as condições para assentarem o seu futebol, levam alguma vantagem sobre os principais rivais. Estarão, por isso, na pole-position. A dinâmica ofensiva, o empreendedorismo e a garra que resultaram na conquista do título nacional, quebrando um hiato de cinco anos sem conseguir triunfar no campeonato, devolveram aos benfiquistas a tranquilidade e a paz de espírito necessárias, embora tenham perdido duas pedras importantes o que levou Jorge Jesus a algumas mutações tácticas. A pré-época demonstrou que os encarnados se mantêm fortes. Só uma derrota com o Tottenham, no derradeiro jogo de preparação, refreou a euforia.

Mudança. Profunda. De mentalidade, sobretudo: André Villas Boas substituiu Jesualdo Ferreira, iniciou um novo ciclo, trouxe novos métodos, outras ideias e terá novas caras à disposição. O FC Porto, habituado a ganhar na última vintena e meia de anos, falhou o pentacampeonato, mesmo iniciando a temporada a ganhar a Supertaça e terminando com sucesso no Jamor, cedeu perante Benfica e Sp.Braga, algo que levou a que fosse necessária a adopção de uma ruptura com o passado. A pré-temporada serviu para introduzir novos jogadores, rodar a equipa, perceber quais são aqueles com quem o treinador pode contar e, mais do que isso, para testar pela primeira vez os efeitos do trabalho realizado por Villas Boas. A participação no Torneio de Paris saldou-se em duas derrotas, ante Paris Saint-Germain e Bordéus, algo que fez aumentar a apreensão dos adeptos portistas: qual a preparação para o jogo com o Benfica?

Noventa minutos, alguns mais se for necessário, duas equipas sedentas de vitória, para começarem com o pé direito e atingirem o rival no coração, muita expectativa para perceber como se encontram numa fase ainda tão precoce e quem resiste melhor. Jorge Jesus e André Villas Boas sabem a importância de começar bem, mesmo não sendo uma prova prioritária - sobretudo o portista quer provar que o FC Porto tem uma equipa capaz -, garantindo que estão prontos para a luta, esta em Aveiro, e para toda a guerra que travarão ao longo do campeonato. Sem caras conhecidas como Di María, Quim ou Ramires, no Benfica, mas com os reforços Roberto, Franco Jara ou ainda Gaitán dispostos a mostrarem-se. No FC Porto, já não há Bruno Alves e resta um vazio no centro da defesa, algo que deverá fazer Maicon saltar para a equipa titular. João Moutinho, a contratação mais sonante do defeso, iniciar-se-á como dragão.

Rúben Micael, jogador importante na segunda fase da época passada no FC Porto, e Alan Kardec, um dos destaques da pré-temporada, falharão a Supertaça por lesão. O portista, que deveria ser titular, verá a sua vaga ocupada por Belluschi. Há, posto isto, ainda duas questões nas laterais. Fucile e Maxi Pereira, uruguaios que estiveram na África do Sul, ficarão de fora das opções dos treinadores: o primeiro poderá estar de saída para o Schalke 04, o segundo não está nas melhores condições para o primeiro jogo da época. Também James Rodríguez e Walter, reforços azuis, não estarão ainda em campo nesta primeira aparição, a nível oficial, do novo dragão. Por último, Raúl Meireles: o médio português deverá seguir as pisadas de Bruno Alves, deixando o FC Porto, mas, ao contrário de Fucile, foi convocado. Tratou-se de uma surpresa. Não é crível, contudo, que Meireles seja utilizado em Aveiro. Villas Boas tem a decisão.

EQUIPAS PROVÁVEIS


BENFICA: Roberto; Rúben Amorim, David Luiz, Luisão e Fábio Coentrão; Airton, Carlos Martins e Pablo Aimar; Saviola, Franco Jara e Cardozo.

FC PORTO: Helton; Miguel Lopes, Rolando, Maicon e Álvaro Pereira; Fernando, João Moutinho e Belluschi; Hulk, Varela e Falcao.

Made in England: Um clássico para abrir o apetite

A abertura habitual da época com a “FA Community Shield“ (versão inglesa da Supertaça) é, para muitos, pouco mais do que um amigável glorificado. No entanto, está em jogo o primeiro troféu da temporada, assim como a oportunidade de dar o primeiro golpe psicológico num adversário directo. Com Manchester United a defrontar o Chelsea, é também a última oportunidade que os treinadores têm para ver os seus jogadores em acção antes de partirem para o compromisso com a selecção a meio da semana - compromisso este que não é visto com bons olhos. Carlo Ancelotti já mencionou que sente que vários dos seus jogadores não estão com os níveis necessários de preparação, isto depois do esforço no Campeonato do Mundo e na pré-temporada. A demonstrá-lo estão três derrotas sofridas recentemente pelos blues.

Quanto ao Manchester, teve também um misto de vitórias e derrotas neste Verão mas, como factor positivo, os avançados parecem ter reencontrado o caminho para o fundo das redes. Dimitar Berbatov, o recém-chegado Javier Hernández e Michael Owen estiveram todos em boa forma e a marcar. A preocupação no ataque reside em Wayne Rooney, depois de uma participação no Mundial muito fraca e de alguns problemas fora do campo numa recente noitada em Manchester, o atacante inglês poderá estar a passar por uma crise de confiança. Apesar disso, Rooney à parte, sir Alex Ferguson estará contente com a boa forma dos restantes avançados, que mostram vontade de ajudar a equipa a triunfar.

Entre as duas equipas as ausências são muitas. No Manchester, Michael Carrick lesionou-se esta semana e falhará o início da temporada, juntando-se a Rio Ferdinand nos indisponíveis - o defesa ainda recupera da lesão no joelho que o afastou do Mundial. Anderson, que recentemente saiu ileso de um aparatoso acidente de viação em Portugal, está em vias de regressar mas não antes de domingo. Os irmãos Rafael e Fábio da Silva, a contas com uma intoxicação alimentar, estão em dúvida. Owen Hargreaves e Gabriel Obertan também estão fora de acção. No Chelsea, Ancelotti deverá manter o onze inicial do último amigável com apenas uma alteração: Hilário, à partida, jogará no lugar então ocupado por Ross Turnbull. Didier Drogba deverá ficar no banco, enquanto Petr Cech, Alex e Bosingwa, todos lesionados, ficam fora das contas.

O relvado do estádio de Wembley é também motivo para apreensão. Muito criticado no final da última época, foi substituído, mas parece ainda não estar ao nível desejado. De resto, Michael Owen espera não ter mesmo azar da última vez que o pisou, onde se lesionou e ficou afastado por um tempo considerável. As apostas no vencedor já estão ao rubro com as previsões a não estabelecerem um vencedor antecipado. Aquecem-se assim os motores para o arranque da Premier League no fim-de-semana seguinte.

MADE IN ENGLAND é um espaço quinzenal, assinado por Armando Vieira, que incide sobre o futebol inglês e voltará a marcar presença no FUTEBOLÊS

O regresso

Depois de alguns dias de pausa, o FUTEBOLÊS está de regresso. O que se passou no futebol português durante este interregno? O Sp.Braga carimbou o passaporte para o playoff da Liga dos Campeões, o Sporting e o Marítimo fizeram o mesmo na Liga Europa, enquanto Benfica e FC Porto prepararam arduamente a abertura oficial da temporada em Portugal, já sem Ramires e Bruno Alves: o brasileiro rumou ao Chelsea e o defesa português foi seduzido pelo Zenit de São Petersburgo, em negócios realizados por vinte e dois milhões de euros. Também os novos adversários europeus, à excepção dos benfiquistas - que entram directamente nos milhões da fase de grupos da Champions - , já estão sorteados. O Sp.Braga, sem ter muito por onde escolher, irá defrontar o Sevilha, uma das principais equipas espanholas neste século - conseguindo boas caminhadas tanto internamente como nas provas europeias.

A felicidade que faltou aos minhotos ficou para a Liga Europa. O Sporting, depois de ultrapassar o Nordsjaelland, embora não tenha conseguido vincar as enormes diferenças qualitativas entre ambas as equipas, apenas vencendo pela margem mínima nos dois jogos, voltará a defrontar um adversário dinamarquês, o Brondby, de novo com muitíssimo boas perspectivas de seguir em frente. Já o Marítimo, tendo vencido com grande comodidade o Bangor City, encontrará o BATE Borisov, equipa bielorrussa que defrontou, na temporada anterior, o Benfica. Pela primeira vez na competição, este ano afastado da principal prova europeia de clubes, o FC Porto terá pela frente os belgas do Genk. Todos eles, porventura não tanto o BATE Borisov, são adversários totalmente ao alcance das equipas portuguesas, podendo, qualquer uma delas, alcançar a presença na fase de grupos da Liga Europa. O FUTEBOLÊS, já sabe, acompanhará.

Este dia sete de Agosto, o dia de regresso do blogue, fica marcado pela Supertaça Cândido de Oliveira. Benfica e FC Porto, campeão e detentor da Taça de Portugal, discutirão, a partir das 20h45, o primeiro troféu da temporada. Durante a tarde, o leitor poderá ler no FUTEBOLÊS a antevisão e, logo após o jogo, a sua crónica. Será, portanto, também um novo arranque. Como na temporada anterior, todas as jornadas da Liga ZON Sagres terão análise completa, os jogos grandes contarão com antevisão e crónica, além de que todas as provas de relevo, como Taça de Portugal, Taça da Liga e competições europeias, terão destaque. Análises, comentários, crónicas e opiniões estão garantidas, além de uma nova entrevista, um olhar atento sobre o futebol português, com o jornalista Pedro Azevedo. Poderão ainda surgir, com o tempo, algumas novidades. Está pronto a tempo do pontapé de saída, leitor?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Em pausa até ao dia 7

Um Mundial é um evento sem paralelo. De quatro em quatro anos, no Verão, há uma gigantesca onda de animação por toda a parte. O de 2010, o primeiro realizado em África, começou ao pé coxinho: com insegurança, medo e muita tensão. Levantaram-se as interrogações sobre a legitimidade da escolha. À medida que o tempo foi passando, contudo, os africanos, genuinamente apaixonados e radiantes, mereceram ter junto a si as maiores estrelas do planeta. Ao longo de um mês, a prova teve total acompanhamento no FUTEBOLÊS, também com a inclusão do espaço diário Minha África, assinado por Bernardino Barros (obrigado, Bernardino, um abraço!). Natural destaque para os jogos da selecção portuguesa, com antevisões e crónicas dos jogos, comentário às partidas mais decisivas, opiniões, um alfabeto especial relacionado com o Mundial da África do Sul e a escolha, com fotos, dos momentos mais marcantes.

Depois do final do Mundial, interpretado e devidamente analisado, futebol à parte e olhos colocados na nonagésima sétima edição do Tour de France. Bem interessante, com momentos de belo espectáculo e indefinição em relação à posse da camisola amarela. Alberto Contador e Andy Schleck, tal como no ano passado, ocuparam os primeiros lugares do pódio final, deram mostras de grande qualidade e construiram um duelo vivo e intenso que promete voltar a marcar presença nas próximas edições da Grande Boucle. Este ano marcou também a despedida, modesta e repleta de dificuldades, de Lance Armstrong e, na perspectiva do ciclismo português, trouxe um enorme feito: vitória de Sérgio Paulinho, na décima etapa, quebrou um interregno de vinte e um anos sem triunfos portugueses. Alberto Contador, fazendo jus ao estatuto de número um do Mundo, conquistou o Tour pela terceira vez. Para o ano, está prometido, há mais luta.

O FUTEBOLÊS entra agora numa pequena pausa. O regresso fica marcado para o dia 7 de Agosto, dia da Supertaça Cândido de Oliveira, no primeiro grande duelo, precoce mas escaldante como sempre, entre Benfica e FC Porto. Águias e dragões disputarão em Aveiro o primeiro troféu da temporada, abrindo-a oficialmente em Portugal, e essa poderá ser uma boa rampa de lançamento para o campeonato. É nesse dia, com antevisão e crónica do jogo, que o blogue estará de volta. Também o mercado, ainda aberto nessa altura, terá uma atenção especial e, no fim-de-semana que se segue, já a bola começará a rolar para o principal campeonato do futebol português. Com o avançar do mês de Agosto, já no seu final, o FUTEBOLÊS voltará a falar com Pedro Azevedo, jornalista da Rádio Renascença, para um novo olhar ao passado, ao presente e ao futuro do futebol português. E Mundial 2010, claro, como pano de fundo.

Leitor: sugira mudanças, questione ou proponha algo para o regresso do FUTEBOLÊS. Deixe, no fundo, a sua opinião, positiva ou negativa, sempre de forma construtiva. Poderá fazê-lo através do e-mail
futeboles08@sapo.pt. No regresso, a sete de Agosto, o blogue poderá ter novidades, não só na linha a seguir mas também em termos gráficos. Até lá!