sexta-feira, 11 de junho de 2010

Portugal em Mundiais: 1966 - Inglaterra

Número treze nas costas. Mas não de azar. Nada disso. Ali havia talento, genialidade pura, todo o sangue de um avançado temível que se emancipava e se mostrava a todo o universo. Jogava por Portugal mas nascera em Lourenço Marques, actualmente Maputo, no seio de Moçambique. Representava a metrópole portuguesa. Eusébio da Silva Ferreira era o nome daquele jovem avançado, vinte e quatro anos cumpridos, uma garra incrível, força da natureza, amigo íntimo da bola e dos golos. Correndo como uma gazela, levantando a cabeça, rematando fortíssimo para marcar. Sempre fora assim. Ajudara o Benfica a rumar à glória e estava, agora, a liderar uma selecção nacional que nunca estivera presente num Campeonato do Mundo de futebol. Portugal chegou a Inglaterra, em 1966, ser saber muito bem naquilo em que estava. Era um sonho que se cumpria. Checoslováquia, Turquia e Roménia tinham ficado para trás.

Chamaram àquela selecção portuguesa, comandada pelo brasileiro Otto Glória, equipa dos Magriços. A alcunha pegou e ficou marcada para a eternidade. Os Lusíadas, obra-prima de Luís de Camões, obra-prima da literatura portuguesa, serviram de fonte inspiradora. Aí se contava a história de doze cavaleiros que haviam partido para Inglaterra, procurando defender a honra de doze damas britânicas. Neles estavam os verdadeiros Magriços. Camões exaltou a bravura e a coragem dos portugueses. E foi por isso que a alcunha se adaptou tão bem. A selecção portuguesa, com Eusébio, Coluna ou Simões, partiu para Inglaterra como quem parte à descoberta de um mundo novo. Nunca se encontrara naquela situação, não tinha os holofotes sobre si, pouca importância possuia perante um Brasil de Pelé, uma Inglaterra de Charlton, uma RFA de Beckenbauer ou, até, uma URSS de Yashin.

O grupo C do Mundial de 1966, o primeiro e único disputado em solo britânico, lá tinha Portugal. Acompanhado de Hungria, Bulgária e Brasil, o todo-poderoso bicampeão do Mundo na Suécia e no Chile.
Passavam dois. Seria sempre difícil, ainda para mais sendo Portugal um estreante. As surpresas chegaram. A triplicar. Portugal puxou o orgulho, aproveitou o desconhecimento para ser feliz, ganhou onde poucos esperariam. Começou por bater, 3-1, uma Hungria, já sem Férenc Puskas, entretanto rumado a Espanha, mas com Florian Albert no papel de maior estrela. Em Old Trafford, casa de Bobby Charlton, o jogo começou mal. Uma equipa sofrer aos dois minutos, embora com muitos jogadores habituados a triunfar na Europa, pelo Benfica, mas inabituada a um Mundial, poderia ter sido fatal. Não foi. José Augusto e Torres deram a volta. O estádio do Manchester United voltaria a ser um bom palco: 3-0 à Bulgária.

Num tempo em que a vitória valia dois pontos, Portugal somara quatro. Tinha o Brasil pela frente, em Goodison Park. Era o verdadeiro teste de fogo. Superado com mestria. Os brasileiros, bicampeões mundiais, ficaram pelo caminho. A vitória portuguesa, curiosamente com um treinador brasileiro ao leme, ficou sentenciada com golos de António Simões e dois de Eusébio. Pelé, a maior estrela em todo o planeta, jogara nos limites da disponibilidade. Deu tudo, mesmo lesionado, mas foi inglório. Os portugueses foram acusados de jogo sujo e violento. Sem dar relevo a isso, a verdade é que Eusébio começava também a despontar, com a camisola da selecção nacional, em Inglaterra. A fase de grupos foi ultrapassada com êxito por Portugal. Nove golos marcados e apenas dois sofridos, nos três jogos disputados, é um registo que comprova a qualidade que reinava entre os portugueses.

A Coreia do Norte esperava nos quartos-de-final. Era, também ela, uma surpresa. Frente a Portugal, teve um início de jogo sufocante, avassalador, diabólico. Começou no primeiro minuto e parou ao vigésimo quinto. Nesse curto espaço de tempo, em pouco mais do que um quarto do tempo total da partida, marcou três golos. Atarantado, atordido e sobressaltado, Portugal ainda não se encontrara e já sofrera mais golos do que na fase de grupos. Precisava de reagir rapidamente. Era necessário dar continuidade ao que de tão bom fizera, não deitar tudo a perder. Na cidade dos Beatles, onde há seis anos nascera o grupo de rock, Eusébio começou o seu espectáculo. Não gostou de ver os festejos norte-coreanos. Dois minutos depois do terceiro golo, reduziu. A esperança, afinal, ainda lá estava. É sempre a última a morrer. Antes do intervalo, encurtou ainda mais a distância. A Coreia estava ao alcance.

O ritmo não podia baixar. Portugal reduzira mas ainda estava atrasado no resultado. Olhando para o marcador, no Goodison Park, a Coreia do Norte levava vantagem. Não seria por muito mais tempo. Eusébio da Silva Ferreira, o tal número treze, já fora o melhor artilheiro do campeonato nacional e da Taça dos Campeões Europeus, ao serviço do Benfica, nesse ano de 1966. Pretendia deixar a sua marca, tornando-se imortal, no Mundial. O primeiro em que estava com a selecção portuguesa. Precisou de três minutos para completar o poker, quatro golos, dois deles de grande penalidade, que colocou Portugal à frente da Coreia do Norte. Aos cinquenta e nove minutos, depois de empatar há três, os Magriços conseguiram a reviravolta. Épica. Para fechar a partida com chave de ouro, deitando para trás das costas aquele início atribulado, José Augusto fixou o resultado: 5-3. Venha o próximo!

Meias-finais do Campeonato do Mundo de 1966. Pela primeira vez em prova, Portugal surpreendia. Tinha, agora, as atenções voltadas para si. Eusébio, a estrela, fazia despertar cada vez maior cobiça. Pela frente, no mítico Wembley, aparecia a Inglaterra. Era a anfitriã e queria ganhar, nada de servir de cicerone para a real emergência de uma selecção que se destacara até aí. Portugal fora bom, sim. Inglaterra queria travar e cavalgar para a vitória. Bobby Charlton sempre pareceu presdestinado ao sucesso. Em 1958, num trágico acidente em Munique, oito seus companheiros no Manchester United perderam a vida. Bobby sobreviveu. Ganhou esse duelo à má fortuna. O seu momento de glória estava prestes a chegar, após se ter mostrado, em 1962, no Chile. Estava para Inglaterra do mesmo modo que Eusébio estava para Portugal. Ambos ambicionavam o troféu. Só um o poderia ter.

Bobby Charlton não iniciara bem o Mundial 1966. Fê-lo em crescendo. Começou, com o decorrer dos jogos, a melhorar. Chegou à partida com Portugal na plenitude. Pronto a explodir, driblando sucessivamente, para destruir a equipa portuguesa e catapultar a Inglaterra para a final. No jogo com os Magriços marcou por duas vezes. Aos trinta e oitenta minutos. Já se vira Portugal recuperar de uma desvantagem de três golos. Não há jogos iguais, a surpresa deixara de o ser e os adversários olhavam os portugueses doutra forma. Eusébio, de novo ele, ainda reduziu, dois minutos depois do bis de Charlton. Mas foi tarde. O apito final colocou a Inglaterra na final do seu Mundial. Eusébio chorou copiosamente. Queria mais, merecia mais, Portugal tinha potencial para chegar além das meias-finais. Só que não dera para a final, a Inglaterra havia sido forte e eficaz para alcançar o seu objectivo. Restava terminar em terceiro.

Para um estreante, uma selecção sem a força do Brasil ou da Inglaterra, ficar com a medalha de bronze seria motivo de grande felicidade e honra. Para isso havia que vencer a União Soviética, que caíra aos pés da Alemanha Ocidental. Eusébio da Silva Ferreira contava com oito golos marcados. Já batera o brasileiro Manga e o inglês Gordon Banks. Agora pela frente tinha Lev Yashin, o Aranha Negra, um monstro das balizas já com a veterania de quarenta anos completados. De grande penalidade, a quarta de que dispôs no torneio, o Rei português enganou Yashin. Ao seu jeito, com toda a força no pé direito, furou a rede. Os soviéticos, situados logo atrás das principais potências mundiais, empataram por Malofeev. Mas Portugal merecia terminar no pódio. A caminhada dos Magriços, brilhante e histórica, culminou mesmo no terceiro lugar. Um golo de José Torres foi decisivo. Marcou a História. Irrepetível até hoje.

DA INGLATERRA À ALEMANHA é um espaço onde serão destacadas as participações portuguesas em Mundiais

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Mundial 2010: Que jogo de contrastes é esse, África do Sul?


A partir do momento em que se iniciou a contagem descrescente para o Mundial da África do Sul que se levantaram inúmeras questões relacionadas com a segurança. África é, ainda hoje, um continente sem os índices de desenvolvimento da Europa e caracteriza-se por não possuir, nem pouco mais ou menos, as mesmas condições europeias. Daí que tenha surgido contestação à escolha da FIFA, liderada por Joseph Blatter, em ter, pela primeira vez na história dos Campeonatos do Mundo de futebol, ter escolhido o continente africano para receber a maior prova mundial. Percebeu-se, desde logo, que seria absolutamente imperativo que a África do Sul, país escolhido, se transformasse e passasse, então, a dispor de todas as condições para acolher um evento desta envergadura. A poucos dias do início do Mundial 2010, contudo, há ainda muito por melhorar.

Os primeiros sinais vindos de África do Sul não foram positivos: estradas em condições muito deficitárias, muitas delas ainda por asfaltar, e pouco dinamismo, próprio de quem necessita de se transformar para acolher um Mundial, na organização. Aquilo que fica, à vista desarmada, é que ainda se mantêm o amadorismo e o improviso, em detrimento do profissionalismo e de uma preparação minuciosa e extremamente cuidada. O jogo de Portugal, disputado frente a Moçambique, pode servir como um exemplo disso mesmo. A selecção nacional, no derradeiro ensaio antes do início do Mundial, jogou num estádio de críquete, improvisado para receber uma partida de futebol. Também no encontro particular entre Nigéria e Coreia do Norte, um adversário de Portugal, existiram problemas no controlo das entradas para o estádio. A ânsia de chegar aos lugares poderia ter sido fatal.

É precisamente neste contexto que se inserem os problemas de segurança. A Taça das Confederações, disputada no ano passado, serviu para testar a África do Sul. Os resultados foram positivos e pensou-se que, apesar da existência de lacunas, o tempo seria capaz de trazer os melhoramentos necessários. Contudo, à medida que o Mundial se foi aproximando, contrariamente ao que era expectável, foi subindo o clima de hostilidade, com ameaças e violência. A Taça das Nações Africanas, em Angola, começou com terror, motivando, depois de uma recepção com um tiroteio, o abandono da selecção do Togo - vitimando, inclusivamente, elementos da comitiva togolesa. O que se verificou na CAN serviu de alerta em relação ao Mundial da África do Sul. Mesmo havendo ameaças, a FIFA entendeu estarem reunidas todas as condições.

Durante a madrugada de hoje, dia 9 de Junho, o hotel onde estavam instalados jornalistas ibéricos foi vítima de um assalto à mão armada. Dois jornalistas portugueses e um espanhol foram assaltados, tendo-lhes sido levado, para além de dinheiro, todo o equipamento de que dispunham para realizarem o seu trabalho - António Simões, repórter-fotográfico que integra a comitiva do jornal O Jogo, chegou, mesmo, a ter uma arma apontada. A dois dias do arranque oficial da prova este é um sinal claro de que África do Sul não possui, ainda, condições verdadeiramente eficazes para combater os perigos e consiga colocar em completa segurança a vida de todos aqueles que se deslocaram para o acompanhamento do Mundial 2010. O sorriso e a alegria de quem pretende ver os seus ídolos contrasta com toda esta marginalidade. África do Sul é precisamente isso: um grande contraste.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mundial 2010: A praga das lesões chegou aos portugueses


Ponto prévio: o Mundial da África do Sul tem sido atormentado por lesões. Havia já há largos meses, na perspectiva de Portugal, a ausência forçada de Bosingwa da convocatória de Carlos Queiroz. David Beckham e Michael Ballack, de fora nas selecções inglesa e alemã, respectivamente, são outros dois exemplos. Para juntar a estes três casos, acrescem as saídas forçadas de Rio Ferdinand (Inglaterra), Michael Essien (Gana) e John Obi Mikel (Nigéria). As lesões, o motivo fatal, é o denominador comum a todas essas baixas de peso - podemos ainda, embora se trate de um caso de saúde e não causado por um problema físico, a impossibilidade de Lassana Diarra ser convocado por Raymond Domenech, seleccionador francês. São baixas confirmadas. A que se junta, agora, Nani. O extremo português, um dos jogadores em maior destaque na selecção nacional, está fora das contas.

A época que realizou em Manchester, onde começou mal mas depois conseguiu afirmar-se na plenitude para uma temporada de alto nível que contrasta com o fracasso colectivo dos red devils no campeonato inglês e na Liga dos Campeões, deu a Nani um novo estatuto e uma nova responsabilidade na selecção nacional. Na fase de apuramento, com evidência para o playoff de acesso ao Mundial 2010, nas partidas ante a Bósnia, o jogador do United revelou-se absolutamente decisivo - foi dos seus pés que saíram os passes para os golos de Bruno Alves, na Luz, e de Raúl Meireles, em Zenica, que funcionaram como carimbo no passaporte para África do Sul - e, durante o estágio na Covilhã, foi sempre um elemento com sinal positivo. Destacou-se na partida com Cabo Verde, apesar da fraca exibição colectiva, e com os Camarões, onde marcou um espectacular golo. Nele, os portugueses depositavam grandes esperanças.

Atravessando aquele que é, por certo, o melhor momento da sua carreira de futebolista, a lesão de Nani vem quebrar o sonho do jogador em participar num Mundial, o seu ponto alto, e também afectar a selecção nacional. É necessário que haja, em cada equipa, uma boa dose de magia, virtuosismo e criatividade que possam torná-la mais capaz. Será uma baixa importante, por isso. Carlos Queiroz, após ter tomado conhecimento da impossibilidade de Nani estar em condições de participar no Mundial, decidiu chamar Rúben Amorim. A ideia percebe-se: Amorim é um médio de origem e pode, como o fez no Benfica da temporada passada, jogar como lateral-direito, passando Paulo Ferreira para a esquerda e permitindo a subida de Fábio Coentrão. No entanto, também João Moutinho ou Carlos Martins, por exemplo, seriam outras opções a ter em conta. Sobretudo por se tratarem de jogadores com maior pendor ofensivo.

Cristiano Ronaldo, Nani e Deco. Era, essencialmente, sobre este trio que recaía a missão de abrir as defesas contrárias e conseguir, com isso, que Portugal encontrasse espaço para explanar o seu futebol. Com a ausência do extremo do United, Ronaldo, já com o peso de ser um dos melhores do planeta e de ter de corresponder em absoluto na selecção nacional, poderá ver a sua responsabilidade acrescida. Tal como Deco. Para manter o seu 4x3x3, com Liedson ou Hugo Almeida no centro e Ronaldo numa faixa, Carlos Queiroz deve escolher, para a vaga deixada em aberto por Nani, entre Simão e Danny. O extremo do Atlético de Madrid, o jogador mais internacional dos vinte e três chamados à África do Sul, seria o substituto natural. Contudo, a exibição de Danny, hoje, na vitória (3-0) sobre Moçambique, poderá ter baralhado as contas. Será, portanto, uma boa dor de cabeça para o seleccionador.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dois anos a comunicar em futebolês

Chegar. Como tantos outros. Escrever. Fazer disso um processo cíclico, constante, sem quebras. Só assim é possível consolidar um projecto como o FUTEBOLÊS. A princípio, quando no dia 8 de Junho de 2008 decidi criar o blogue, não tinha sequer uma ideia muito concreta daquilo que pretendia. Simplesmente decidi fazê-lo. Desse para onde desse. Nunca me fixei pelos números. Pelo contrário. Entendi sempre que essa parte, tão desejada por quem quer realmente ser um marco na internet, ficaria para segundo plano. O objectivo foi apenas escrever. Para desenvolver as minhas capacidades, para mostrar algumas ideias e, no fundo, para ficar completamente inserido nesse mundo da blogosfera. As visitas e os comentários viriam por acréscimo, seriam a recompensa, o reconhecimento de que havia feito algo de positivo. Faz sentido.

Recuemos dois anos e um mês. Em Maio de 2008, sem ideias de criar um blogue, enviei algumas perguntas ao jornalista Pedro Sousa, da Rádio Renascença. A resposta à entrevista, se é que se pode chamar assim, foi rápida. Achei que seria um bom ponto de partida para iniciar um blogue. Escreveria só sobre futebol. Dedos estalados e puuff!, nasceu o FUTEBOLÊS. O momento calhou bem: início do Europeu de 2008, na Áustria e na Suíça, tema garantido para os textos, com a participação portuguesa para esmiuçar. Pelo meio, como qualquer curioso, olhava para a tabela de visitantes. Eram poucos. Tal como os comentários. Não havia retorno. Um monólogo. Mas o fim do FUTEBOLÊS nunca foi uma hipótese. O blogue tinha era que crescer. Para ter sucesso nalguma coisa, é preciso interesse. Ouvi a frase e gostei. Ficou-me.

O que importava mesmo era manter a mesma ideia do início e atrair visitantes. Só assim poderia fazer sentido. Escrever com a certeza de que muitos outros irão ler dá, não é difícil de perceber, bem mais motivação. Teria de procurar algo de novo. Convidei Bernardino Barros, comentador da Rádio Renascença, para colaborar mensalmente. Pedido aceite, tudo tratado. Sempre tive sorte nos pedidos de colaboração que enviei. Para procurar que o blogue ganhasse maior destaque, alargando horizontes, mantive a ideia de questionar - não gosto de utilizar a palavra entrevista quando apenas envio as perguntas, pronto! - outros jornalistas. Escolhi uma nova referência: Pedro Azevedo. Foi como juntar o útil ao agradável. Aos poucos, mantendo sempre a mesma filosofia do início, começaram a chegar as tais recompensas. Assim, sim!

Um comentário normal fez chegar um convite para colaborar com o Futebolartte - que, actualmente, é o Futebol Portugal. Aí percebi que estava mesmo no caminho certo. Seguiu-se, pouco depois, o Mestres do Futebol. Fui convidado a escrever uma crónica semanal. Foi aceite e, até ao encerramento dos Mestres, fiz a bola rolar no meu espaço. Ao mesmo tempo, o FUTEBOLÊS conseguiu consolidar-se. Demorou, sim, mas chegou. Mais vale tarde do que nunca, não é? A partir de Setembro de 2009 ganhou a força que faltava. E que havia de ter sido conquistada logo desde o primeiro dia. A qualidade dos textos melhorou imenso. Esqueçam comparações com o início, não são sequer possíveis. Esse objectivo foi cumprido. Cimentação do blogue implica aumento de visitantes. Os números subiram, realmente sim, e muito.

Os comentários começaram a aparecer, cada vez mais diversificados, mostrando o maior alcance do blogue. Mas não foi uma explosão para o topo, nem pouco mais ou menos. Nada que faça o FUTEBOLÊS ser dos blogues mais visitados. Essa maior força chega através dos convites de parceria, da troca de endereços e, acima de tudo, das propostas de colaboração com outros blogues do mesmo género, sempre com o futebol como centro. Actualmente, para além de membro do Futebol Portugal, colaboro - claro que de forma diferente em cada um deles - com o Negócios do Futebol, com o Mosaico Futebolístico, com o Jornaleiro Desportivo e, mais recentemente, com o Futebol Total. São muitos blogues. Fui convidado a escrever e, claro, nem pensei duas vezes. É bom sinal. E o FUTEBOLÊS só tem a ganhar com isso.

Este segundo ano foi o de completa afirmação do blogue. Conseguiu ter cada vez mais visitas, mais comentários, maior destaque e reconhecimento. Foi precisamente como esperava: escrever, sempre para fazer melhor, mais tarde ou mais cedo, trará as devidas recompensas. Foi nesse período que melhorei (muito, muito!) as crónicas aos jogos mais importantes, as análises ao campeonato e as opiniões vistas da bancada. E em Agosto, aí sim, consegui uma verdadeira entrevista, de novo ao Pedro Azevedo. Correu bem, acho. O FUTEBOLÊS tem sido útil também para contactar com quem nunca o tinha pensado fazer, com as minhas referências do jornalismo. Um destaque no sítio da Rádio Renascença e quatro referências nos blogues da semana do Jornal de Notícias são a pedra de toque para continuar. Isso é o verdadeiro barómetro.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mundial 2010: A onda que leva Portugal


Navegadores. Como n'Os Lusíadas, na partida das naus para enfrentar todos os perigos do mar, os portugueses encheram o peito de orgulho, carregando a honra nacional, preparando-se para conquistar a glória. É precisamente esse espírito guerreiro, de luta, nunca desistindo enquanto for possível ganhar, que Carlos Queiroz pretende incutir nos jogadores da selecção nacional. Verdadeiramente empurrados por uma multidão que, como noutros tempos, deu aos mãos no apoio a Portugal, deixando de lado as diferenças para se unir na procura de que a selecção parta com toda a confiança e sinta que é acarinhada pelo país, os vinte e três eleitos por Queiroz rumaram à África do Sul. Confiantes, motivados e dispostos a serem felizes. Sem se colocar em bicos de pés ou elevando em demasia a fasquia, Portugal deve acreditar nas suas capacidades. Sabendo, porém, que terá uma fase de grupos complicadíssima pela frente.

A tarefa de Portugal, na África do Sul, é tudo menos fácil. Dificilmente poderia ser pior. A selecção portuguesa, mantendo essa analogia dos Navegadores, irá encontrar dois verdadeiros Adamastores na fase de grupos do Mundial 2010: Costa do Marfim e, sobretudo, Brasil. O facto de o primeiro jogo ser frente aos costa-marfinenses, no próximo dia 15, poderá, contudo, ter um efeito positivo. A selecção da Costa do Marfim, agora liderada por Sven-Goran Eriksson, é forte, carrega o estandarte de equipa com maior potencial do continente africano e vai ganhando, com os anos, uma força cada vez maior. Isso não significa, no entanto, que se trate de um papão que Portugal deva temer. É uma equipa capaz, mas ao alcance de Portugal. Há, além disso, uma dúvida, um aperto no coração dos adeptos costa-marfinenses, uma tortura na cabeça de Eriksson: Didier Drogba, a estrela maior, um avançado letal, está em dúvida.

Começar com o pé direito, vencendo a Costa do Marfim, em Port Elizabeth, será um passo fundamental para o apuramento. Afinal, em teoria, o Brasil situa-se num patamar cimeiro e será entre costa-marfinenses e portugueses que será discutida a outra vaga no apuramento para os oitavos-de-final da competição - a Coreia do Norte, presente pela primeira vez num Mundial desde 1966, demonstra inúmeras debilidades, é frágil e pouco crível que alcance, num grupo com três opositores tão fortes, intrometer-se nas contas da passagem à próxima fase. Caso Portugal consiga uma vitória ante a Costa do Marfim, aquele que será o seu adversário directo, poderá, com um triunfo frente aos norte-coreanos, carimbar o passaporte para os oitavos, encarando o jogo frente ao Brasil, onde possuiu menos possibilidades de vitória, sem pressão. Mas é teoria... e vale o que vale. Para não ter de correr atrás do prejuízo, nada como ganhar na estreia.

Impõe-se perguntar: deve ser estabelecido, à partida, um objectivo para Portugal atingir? Não. O propósito da selecção portuguesa, pelo facto de estar inserido num grupo forte, deverá centrar-se, antes de mais, na passagem aos oitavos-de-final. Isso significará a obtenção dos mínimos que os portugueses exigem aos jogadores convocados por Carlos Queiroz. E será, ainda, o objectivo de Portugal. O que se seguir, após deixar para trás a fase de grupos, será bom e, nas eliminatórias, os Navegadores devem acreditar e procurar chegar o mais longe possível, contornando os obstáculos que lhe forem colocados no caminho. O que se pretende dizer, afinal, é que só após estar ultrapassada a fase de grupos se podem taxar novos objectivos, alargando os horizontes para uma visão mais ambiciosa e optimista. O mote para a crença foi dado na partida de Portugal e na chegada da selecção a Magaliesburg. Sonhar não custa. O futebol tem de tudo!...

O Mundial 2010 terá total acompanhamento no FUTEBOLÊS

sábado, 5 de junho de 2010

HEXA EM 2014


Primeiro tempo magnífico: lançamento de gênio do meio-campo por Felipe Melo, conclusão perfeita de Robinho. Terminando os primeiros quarenta e cinco minutos, a seleção de Dunga se credencia como a principal favorita para vencer a Copa do Mundo da África. O Brasil passeava em campo, em cima de uma seleção que não perdia desde 2008. Depois, acaba o segundo tempo. Brasil eliminado, treinador burro, Felipe Melo vilão da derrota, time sem criatividade com um atacante firuleiro e pouco objetivo: Robinho. Foram dois jogos dentro de um. Um primeiro tempo onde o Brasil mandou no jogo, fez um gol, mas poderia ter feito três. No segundo tempo a Holanda foi superior e não seria nenhum absurdo se tivesse goleado o time brasileiro.


O clima em Porto Alegre foi de muita decepção após a partida. O povo gaúcho, diferentemente do restante do país, não vibra tanto com a seleção brasileira. No entanto, em 2010 houve uma maior mobilização, motivada em grande parte por ser um gaúcho o comandante do grupo. Além disso, a campanha anti-Dunga do centro do país, serviu como combustível para os gaúchos apoiarem ainda mais o técnico da seleção brasileira. Para boa parte dos gaúchos, no entanto, a tristeza durou aproximadamente três horas, quando Loco Abreu cobrou o último pênalti do Uruguai na vitória heróica dos vizinhos sobre a seleção da Gana. Os gaúchos voltaram a ter uma equipe para torcer.


A frustração da derrota na Copa da África foi diferente da última eliminação em 2006, quando o Brasil foi eliminado também nas quartas de final. Nesta Copa, embora grande parte da imprensa afirmasse que a seleção de Dunga tinha uma morte anunciada, pouca gente realmente acreditava na derrota brasileira, ainda mais depois do primeiro tempo da partida contra a Holanda. Ficou a sensação de que o Brasil poderia ter ido mais longe. Na Alemanha em 2006, por exemplo, foi unanimidade que o Brasil não merecia a classificação.


Voltando ao jogo contra a Holanda, excetuando alguns poucos jornalistas, a imprensa tratou a eliminação brasileira como um fracasso. As críticas que Dunga recebeu quando saiu do Brasil foram atenuadas durante a Copa e voltaram em dobro após o jogo contra a Holanda. A falta de jogadores diferenciados e a opção por jogadores em má fase em seus clubes foram as principais contestações, além das restrições ao trabalho da imprensa durante os treinamentos na África.


Realmente faltou talento no time. Alguns jogadores estavam em má fase, mas mesmo assim, o Brasil tinha plenas condições de trazer o hexacampeonato. A última Copa foi um claro exemplo de que um time bem organizado e com disciplina tática vale mais do que individualidades. A Itália de 2006 não tinha nenhum Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo ou Adriano e foi campeã, enquanto o Brasil caiu fora para a França de Henry e Zidane. Não foi por ter deixado de levar Ganso ou Neimar que o Brasil perdeu. A Copa do Mundo é um torneio diferente. Não é um campeonato em que há tempo de se recuperar de um erro. A partir das oitavas de final, a eliminatória é decidida em um jogo e uma falha é fatal, não pode acontecer. Um momento de desatenção ou desequilíbrio não dá chance de recuperação. Foi o que aconteceu com o Brasil.


Nessa partida, a Holanda voltou melhor no segundo tempo, mas não ameaçou o gol brasileiro, até que em um cruzamento despretencioso o goleiro Júlio César, que tantas vezes salvou o Brasil, cometeu uma falha grave e a bola entrou. Muitos atribuíram o erro a Felipe Melo, mas o erro foi do goleiro. Felipe Melo estava na bola quando Júlio César veio por cima, deslocando o volante brasileiro; por isso, a cabeçada saiu para trás. Pela imagem da televisão, nota-se que o goleiro grita “Minha!”, só que em uma hora daquelas o jogador não sai da bola para o goleiro agarrar se ele sabe que está na bola. O erro foi de Júlio César e o gol abalou o time. O segundo gol da Holanda veio ao natural.


Não foi apenas no gol que Felipe Melo se fez presente. Faz tempo que toda opinião pública alerta para o temperamento do jogador. Ainda assim, ele deu razão a todos que o criticavam. Felipe Melo não tem condições psicológicas de jogar em um grande clube, o que dizer na seleção mais vencedora do mundo. Apostar nesse jogador, apesar de sua terrível fase na Juventus, foi o maior erro de Dunga. Errou ao apostar em Felipe Melo e também ao não contar com um jogador de talento como Ronaldinho ou Ganso. Só que neste erro ele não está sozinho. O planejamento no ano da Copa foi equivocado. O último amistoso antes da convocação foi no início de março. Dunga não queria convocar jogadores que não haviam estado na seleção, por isso, deveria ter sido feito algum amistoso mais perto do dia da convocação, para exatamente testar jogadores que estavam atuando no Brasil e em destaque nos seus clubes.


Para a Copa de 2014 deve ser feita uma reformulação no elenco, já que a maioria dos jogadores desta seleção tem mais de trinta anos. A saída de Dunga está certa, pois jogando em casa não podemos ter um técnico com tanta reprovação por parte da torcida. O Brasil tem uma safra de jogadores de muito talento que devem chegar ao auge em 2014, como Ganso, Neimar, Mário Fernandes, etc. O planejamento deve ser bem pensado, pois, sendo o anfitrião, o Brasil não terá as eliminatórias sul-americanas como parâmetro.

HEXA EM 2014


Primeiro tempo magnífico: lançamento de gênio do meio-campo por Felipe Melo, conclusão perfeita de Robinho. Terminando os primeiros quarenta e cinco minutos, a seleção de Dunga se credencia como a principal favorita para vencer a Copa do Mundo da África. O Brasil passeava em campo, em cima de uma seleção que não perdia desde 2008. Depois, acaba o segundo tempo. Brasil eliminado, treinador burro, Felipe Melo vilão da derrota, time sem criatividade com um atacante firuleiro e pouco objetivo: Robinho. Foram dois jogos dentro de um. Um primeiro tempo onde o Brasil mandou no jogo, fez um gol, mas poderia ter feito três. No segundo tempo a Holanda foi superior e não seria nenhum absurdo se tivesse goleado o time brasileiro.


O clima em Porto Alegre foi de muita decepção após a partida. O povo gaúcho, diferentemente do restante do país, não vibra tanto com a seleção brasileira. No entanto, em 2010 houve uma maior mobilização, motivada em grande parte por ser um gaúcho o comandante do grupo. Além disso, a campanha anti-Dunga do centro do país, serviu como combustível para os gaúchos apoiarem ainda mais o técnico da seleção brasileira. Para boa parte dos gaúchos, no entanto, a tristeza durou aproximadamente três horas, quando Loco Abreu cobrou o último pênalti do Uruguai na vitória heróica dos vizinhos sobre a seleção da Gana. Os gaúchos voltaram a ter uma equipe para torcer.


A frustração da derrota na Copa da África foi diferente da última eliminação em 2006, quando o Brasil foi eliminado também nas quartas de final. Nesta Copa, embora grande parte da imprensa afirmasse que a seleção de Dunga tinha uma morte anunciada, pouca gente realmente acreditava na derrota brasileira, ainda mais depois do primeiro tempo da partida contra a Holanda. Ficou a sensação de que o Brasil poderia ter ido mais longe. Na Alemanha em 2006, por exemplo, foi unanimidade que o Brasil não merecia a classificação.


Voltando ao jogo contra a Holanda, excetuando alguns poucos jornalistas, a imprensa tratou a eliminação brasileira como um fracasso. As críticas que Dunga recebeu quando saiu do Brasil foram atenuadas durante a Copa e voltaram em dobro após o jogo contra a Holanda. A falta de jogadores diferenciados e a opção por jogadores em má fase em seus clubes foram as principais contestações, além das restrições ao trabalho da imprensa durante os treinamentos na África.


Realmente faltou talento no time. Alguns jogadores estavam em má fase, mas mesmo assim, o Brasil tinha plenas condições de trazer o hexacampeonato. A última Copa foi um claro exemplo de que um time bem organizado e com disciplina tática vale mais do que individualidades. A Itália de 2006 não tinha nenhum Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo ou Adriano e foi campeã, enquanto o Brasil caiu fora para a França de Henry e Zidane. Não foi por ter deixado de levar Ganso ou Neimar que o Brasil perdeu. A Copa do Mundo é um torneio diferente. Não é um campeonato em que há tempo de se recuperar de um erro. A partir das oitavas de final, a eliminatória é decidida em um jogo e uma falha é fatal, não pode acontecer. Um momento de desatenção ou desequilíbrio não dá chance de recuperação. Foi o que aconteceu com o Brasil.


Nessa partida, a Holanda voltou melhor no segundo tempo, mas não ameaçou o gol brasileiro, até que em um cruzamento despretencioso o goleiro Júlio César, que tantas vezes salvou o Brasil, cometeu uma falha grave e a bola entrou. Muitos atribuíram o erro a Felipe Melo, mas o erro foi do goleiro. Felipe Melo estava na bola quando Júlio César veio por cima, deslocando o volante brasileiro; por isso, a cabeçada saiu para trás. Pela imagem da televisão, nota-se que o goleiro grita “Minha!”, só que em uma hora daquelas o jogador não sai da bola para o goleiro agarrar se ele sabe que está na bola. O erro foi de Júlio César e o gol abalou o time. O segundo gol da Holanda veio ao natural.


Não foi apenas no gol que Felipe Melo se fez presente. Faz tempo que toda opinião pública alerta para o temperamento do jogador. Ainda assim, ele deu razão a todos que o criticavam. Felipe Melo não tem condições psicológicas de jogar em um grande clube, o que dizer na seleção mais vencedora do mundo. Apostar nesse jogador, apesar de sua terrível fase na Juventus, foi o maior erro de Dunga. Errou ao apostar em Felipe Melo e também ao não contar com um jogador de talento como Ronaldinho ou Ganso. Só que neste erro ele não está sozinho. O planejamento no ano da Copa foi equivocado. O último amistoso antes da convocação foi no início de março. Dunga não queria convocar jogadores que não haviam estado na seleção, por isso, deveria ter sido feito algum amistoso mais perto do dia da convocação, para exatamente testar jogadores que estavam atuando no Brasil e em destaque nos seus clubes.


Para a Copa de 2014 deve ser feita uma reformulação no elenco, já que a maioria dos jogadores desta seleção tem mais de trinta anos. A saída de Dunga está certa, pois jogando em casa não podemos ter um técnico com tanta reprovação por parte da torcida. O Brasil tem uma safra de jogadores de muito talento que devem chegar ao auge em 2014, como Ganso, Neimar, Mário Fernandes, etc. O planejamento deve ser bem pensado, pois, sendo o anfitrião, o Brasil não terá as eliminatórias sul-americanas como parâmetro.


Texto escrito por Uriel Garber, sobre a participação do escrete no Mundial 2010