domingo, 11 de outubro de 2009

Coisas de futebol

Como é o futebol. A presença no Mundial 2010 foi, para os portugueses, uma miragem. Tornou-se tarefa heróica assegurar a qualificação directa e até o segundo lugar, o tal que dá acesso a um playoff, esteve bem complicado. Eram mesmo necessárias ajudas externas para que a Selecção nacional conseguisse entrar nesse grupo de oito equipas que procurarão chegar à África do Sul por uma via secundária. O dia de ontem tornou-se verdadeiramente decisivo: Portugal precisava de vencer a Hungria, em casa, e esperar que a Dinamarca fizesse o favorzinho de derrotar a Suécia. Sucesso em ambos. Agora, resta ganhar a Malta para disputar o playoff. Que, mesmo assim, não é sinónimo de presença no Mundial. Sublinhe-se essa parte.

Como é o futebol. Caso Tiago não se tivesse lesionado, Pedro Mendes não seria convocado. Nem, muito menos, seria titular se Pepe estivesse disponível. O azar de uns é a sorte de outros, diz-se por aí. O médio do Glasgow Rangers, vimaranense de gema, foi o segredo que Carlos Queiroz tão bem guardou até algumas horas antes da partida e ninguém foi capaz de desvendar. Frente à Hungria foi, porém, um dos jogadores que esteve em melhor nível: depois de ter uma gaffe nos primeiros minutos, conseguiu uma prestação serena que deu consistência ao tridente do meio-campo. Poucas vezes chamado para jogos da Selecção, Pedro Mendes mostrou que é uma solução que deverá ser levada em conta.

Como é o futebol. A França irá disputar o playoff, Portugal, esperemos, para lá caminha. Nos seus grupos, a Sérvia e a Dinamarca apuraram-se directamente. Terão os sérvios melhores recursos do que os franceses? Não, de todo. E os dinamarqueses, serão superiores a Portugal? Não, outra vez. Servem estes dois casos para exemplificar que nem sempre chega ter os melhores intérpretes se o resto da banda não funcionar. A verdade é que ambas as equipas, de forma mais justa e espectacular ou não, conseguiram somar os pontos que lhes permitem marcar presença no Mundial. Ibrahimovic, pela sua Suécia, também deverá ficar a ver pela televisão. Na Argentina, Maradona deve estar a fazer contas à vida. Diz Blatter que se não estiverem lá Ronaldo, Ribéry, Messi ou Ibrahimovic, aparecerão outros. Certo... mas não é a mesma coisa.

Apuramento Mundial: Luz nos horizontes

CRÓNICA

Se a sorte não quis nada com os portugueses em jogos passados, desta vez não temos do que nos queixar. Bem pelo contrário porque tudo correu como era pretendido: a Selecção nacional ganhou e a Suécia, rival na luta pela segunda posição do agrupamento, perdeu frente à Dinamarca que, assim, garantiu a qualificação directa. Na Luz, sabia-se que Portugal era favorito mas nem por isso teria facilidades. Necessária concentração e atitude durante os noventa minutos. Sem jogar bem, o importante foi a vitória e a subida à posição que garante a presença no playoff. Quarta-feira, há que confirmá-la.


Quando era mais do que expectável que fosse Miguel Veloso, até pelas rotinas que já possui, a ocupar o vértice mais recuado do losango, em detrimento do castigado Pepe, Carlos Queiroz inovou: colocou Pedro Mendes como titular e reestruturou a equipa num 4x3x3, deixando para trás o esquema táctico que utilizara nas últimas duas partidas. Chegou, depois, a notícia que qualquer português mais queria ouvir: a Suécia perdera em Copenhaga. O mesmo é dizer que os dinamarqueses asseguraram a qualificação directa e, acima de tudo, que Portugal fica com tudo para conseguir chegar ao playoff de acesso ao Mundial. O tão desejado mote estava dado.

Chegava, agora, a vez de Portugal cumprir a sua parte do trabalho. Perante um público cheio de confiança e com vontade de empurrar a equipa rumo ao golo, nada poderia correr mal aos portugueses. Ninguém pedia um jogo rendilhado e recheado de grandes pormenores técnicos, mas sim uma vitória fosse como fosse. Essa era, aliás, a estratégia que a Selecção nacional havia delineado para esta partida porque, assim como já está mais do que provado, jogar bem nem sempre é sinónimo de sucesso: ser o mais simples possível e chegar cedo ao golo. Foi, no entanto, a Hungria que dispôs, no sétimo minuto, da primeira ocasião para marcar. Eduardo, atento, defendeu bem um remate de Gera.

As equipas estavam expectantes, sem querer correr qualquer risco, como que esperasse para ver quais as intenções do adversário.
Passaram dezoito minutos assim, estudando-se mutuamente. Chegou o minuto dezoito. A primeira arrancada realmente perigosa de Ronaldo, pela esquerda. O primeiro golo: o extremo português do Real Madrid cruzou para a entrada da pequena área, Gabor Babos defendeu para a frente e Simão, carregado de oportunismo, empurrou para dentro da baliza da Hungria. Não havia como desperdiçar tamanha oferta do guarda-redes húngaro. Eficácia a cem por cento dos portugueses. O público pedia outro golo, quantos mais melhor para ultrapassar esta barreira: Simão um minuto após ter marcado, deu a Babos a oportunidade de se redimir.

O ENGORDAR NATURAL DE UM RESULTADO JUSTO

Interessava, nesta fase, que Portugal não caísse na tentação de se retrair e entregar a iniciativa ao adversário. Pelo contrário, deveria procurar o segundo golo e nunca se contentar com a vantagem tangencial. Surgiu, porém, aos vinte e cinco minutos, uma contrariedade, com a saída de Cristiano Ronaldo, que se ressentiu de uma lesão no tornozelo que o apoquentou durante a semana. O capitão, mesmo sem ser brilhante, tem elevada importância no ataque e, após a sua saída, Portugal perdeu alguma intensidade no seu jogo permitindo que a Hungria procurasse alongar-se até junto da baliza de Eduardo. As oportunidades de golo apareceriam, de novo, já dentro dos cinco minutos finais. Dzsudsák, com um remate de longe que passou pertinho do poste, e Juhasz, em cheio na trave, mostraram que não era ainda tempo para festejos. Pelo meio, Ricardo Carvalho perdeu incrivelmente o segundo golo.

Se não o fizera logo após se ter colocado em vantagem, viria a fazê-lo na segunda etapa: Portugal baixou as linhas e entregou a iniciativa de jogo à Hungria. A equipa de Erwin Koeman tornou-se mais atrevida mas mostrou ser bem limitada em termos técnicos - causa até alguma estranheza como conseguiu somar treze pontos e estar ainda na discussão pela presença na África do Sul. Fruto dessa acção dos húngaros, o jogo ganhou maior abertura. Portugal, como equipa mais forte que é, aproveitou para se acercar da baliza de Babos mas, desta feita, o guarda-redes respondeu sempre à altura. Adiou a festa o mais que pôde.

A Selecção nacional justificava já um segundo golo, o que lhe daria a tão desejada tranquilidade e acabasse de vez com a ansiedade. Não pelo jogo apresentado mas sim pelo número de ocasiões que criara. Faltava sensivelmente um quarto de hora para o final quando o alcançou. Foi depois de uma cabeçada certeira de Liedson que os portugueses suspiraram, enfim, de alívio. Já bastava de ter o coração nas mãos e não havia necessidade alguma de manter o suspense. Agora, os húngaros estavam no tapete. O extraordinário golo de Simão Sabrosa, coroando uma exibição de alto nível, foi o culminar de uma noite em que os deuses do futebol estiveram com Portugal. Agora, venha Malta para assegurar o playoff.

sábado, 10 de outubro de 2009

O tudo ou nada em noventa minutos (antevisão)

A qualificação para o Mundial 2010, na perspectiva portuguesa, pode ser comparada a um caminho estreito e de difícil passagem. Uma espécie de parque radical, onde o risco é máximo e não há como remendar um passo em falso que seja. Por terem já desperdiçado várias tentativas de chegar ao final com todo o sucesso, os jogadores portugueses foram obrigados a uma prova de salto de barreiras. Só as ultrapassando, e contar também com um bónus pelo esforço, será possível chegar à última jornada com a esperança de conseguir, apesar de todos os percalços, chegar ao final da corrida na frente. Com o equipamento bem sujo das quedas. Esta é, recorrendo a um chavão, a fase do tudo ou nada.

Sem meios termos, sem desculpas: só ganhar os dois jogos e esperar por um tropeção da Suécia, permite que a equipa nacional continue a acreditar que poderá marcar presença na África do Sul. Na Luz, há que ultrapassar uma Selecção da Hungria que, tal como ficou provado no jogo de Budapeste, não é um adversário que faça tremer os portugueses. Nem pouco mais ou menos, porque a nossa Selecçao é inquestionavelmente superior. Horas antes de Portugal entrar em campo, os suecos jogam na Dinamarca e é aí que residem as esperanças de todos nós em ver a formação de Ibrahimovic perder pontos. Uma vitória dinamarquesa será um bom tónico para Portugal. Contudo, poderá trazer ainda mais ansiedade mas Carlos Queiroz já garantiu que é sob pressão que a equipa se sente melhor.

O seleccionador nacional não poderá contar com o homem que marcou o golo da vitória na capital húngara: Pepe. O central do Real Madrid, adaptado a trinco por Queiroz, irá cumprir um jogo de castigo e será Pedro Mendes, convocado após a lesão de Tiago, a assumir a vaga - é oficial. Causa surpresa que assim seja porque Miguel Veloso está mais do que habituado a jogar ali no losango Sporting. Independentemente disso, interessa também marcar o maior número possível de golos para que, em caso de igualdade pontual, Portugal leve vantagem sobre a Suécia no lugar que garante o acesso ao playoff. É preciso atacar do princípio ao fim, sempre com a baliza nos horizontes. Jogo com crónica no FUTEBOLÊS.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Opinião: Descobrindo os prazeres do futebol



A fintas hipnotizantes de Ronaldo, os dribles com a bola tal como um íman no pé esquerdo de Messi, o perfume espalhado por Kaká, a classe infinita de Xavi, as defesas miraculosas de Casillas, os pormaiores de Ibrahimovic. Um cardápio perfeito, com todos os condimentos necessários para o lucro, tudo junto para nuestros hermanos espanhóis se maravilharem. A nós, portugueses, basta ligar a televisão e ficar agarradinho noventa minutos a esse ópio. Como se fosse um desfile de estrelas, onde pode surgir qualquer coisa de excepcional e único em todo o momento. O jogo acaba, então, ficamos apenas com a satisfação entranhada. Tão perto e tão longe que estão os futebóis.

O tempo passou num ápice, nem se deu por ele. Um outro jogo há-de vir, não há problema. Sem que nada façamos para isso, somos levados para outra galáxia. Há mesmo quem a considere a maior de todas: Inglaterra. O Cristiano Ronaldo já lá não está. Ok, e depois? Não se perdeu o cerrar de dentes de Rooney ou a excelência de Giggs. O instinto de Drogba, Torres ou Anelka. O toque de Gerrard ou Lampard. Nada disto saiu, tudo continua exactamente como antes. E estes são apenas os atractivos maiores para uma tarde bem passada. Recheada da magia que a televisão atira para junto de nós, aquela que só os ingleses conseguem pôr nos seus estádios. Não se explica, entra-se na onda.

Começamos nas raízes de Iglesias, chegamos aos Beatles, falta Ramazzotti para completar o trio de ouro. Do futebol que muitas vezes se torna música. José Mourinho, claro. É o primeiro a vir à memória. De quem mais nos poderíamos lembrar quando falamos do Calcio? Não pensou logo no Speciale, leitor? Muitos são os que se tornaram fãs de Itália devido ao setubalense. É um futebol chato. Mas Mourinho, por si só, é um bom motivo para continuarmos da mesma forma, sem pensar sequer em mudar de canal, porque há espectáculo garantido. Ibra foi embora, veio Eto'o. Não é bem a mesma coisa em termos de jogo mas para o adepto a diferença é quase nenhuma. Pato e Diego, pés mágicos nos rivais, garantias de qualidade em casa. Que pena é que Ronaldinho não esteja para aí virado. Que pena!...

Percorremos as três fortalezas, falta ainda chegar à França e à Alemanha. Estão mais abaixo, ninguém duvida, mas sempre matamos saudades de uma dupla que tanto talento por cá deixou: Lucho e Lisandro. Bendita a televisão que o permite! Repitam-se as graças porque, além disso, também nos encanta com Ribéry ou faz-nos descobrir a arte de um Grafite brasileiro com pés mágicos. Tanta coisa boa que podemos ver num dia só, com um pequeno toque no botão do comando da televisão. Depois disso, desligamos a corrente. Continuamos comodamente instalados no sofá. Nunca dali saímos. O corpo, pelo menos, não se mexeu. Mas ficou a satisfação.

VISTO DA BANCADA regressa hoje e será agora um espaço de opinião mensal

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Quando a Matemática ajuda a explicar o futebol

A Selecção nacional portuguesa tem, por esta altura, um problema bicudo pela frente. A presença no Mundial 2010, na África do Sul, está em sério risco. Falhar uma competição de de Selecções representa algo a que nós, portugueses, não estávamos já habituados pois desde o falhanço para o França'98 que não acontecia algo do género. No entanto, a exclusão do Mundial do próximo ano terá de ser encarada como um cenário bem provável de acontecer. Há, contudo, ainda esperança em como Portugal, beneficiando de uma ajuda de terceiros, consiga chegar ao playoff. Será uma espécie de estrada secundária para a África do Sul.

Surge, neste período delicado, uma questão importante: seria este um grupo assim tão forte para que Portugal não alcançasse a primeira posição, ou seja, a única que garante o acesso directo ao Mundial? Não, na minha opinião e independentemente dos resultados que foram surgindo, a Selecção portuguesa é a mais forte do seu agrupamento. À partida, Dinamarca - primeira classificada e, em princípio, a que conseguirá carimbar o bilhete para África do Sul - e Suécia tratam-se dos adversários mais fortes mas não são, de forma alguma, equipas de topo mundial. A Hungria poderá ser colocada imediatamente atrás (embora mais frágil do que as escandinavas, tal como ficou provado no último jogo frente a Portugal) mas com bem mais qualidade do que Malta e Albânia, as formações mais débeis do grupo.

Não foi, nem de perto nem de longe, devido às últimas prestações que Portugal fracassou. Aliás, a primeira parte alcançada em Copenhaga foi, muito provavelmente, o que de melhor se viu desta Selecção - embora não tenha acertado com a pontaria. Antes, apenas ganhara em Malta e na Albânia. Em casa, o saldo não é agradável: derrota (dramática) com a Dinamarca e nulos com a Albânia - este sim, um resultado verdadeiramente inaceitável - e com a Suécia, score que se repetiu em terras suecas. São, ao todo, onze pontos desperdiçados.

Quase tantos como os somados que são treze, isto é, menos cinco do que os dinamarqueses e menos dois do que os suecos. Com duas partidas pela frente, resta aos portugueses acreditar no segundo lugar, aquele que dará a participação num playoff de acesso ao Mundial. Para que tal aconteça, será necessário vencer, em casa, a Hungria e Malta e esperar ainda que a Suécia perca pontos. Na próxima jornada deste grupo, sábado, os dois primeiros classificados defrontar-se-ão e poderá ser aqui que Portugal tenha mais benefícios. Há que chutar para canto o pessimismo e acreditar nas possibilidades.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Necessidade ou a saída mais fácil?

Começou com Carlos Azenha, continuou com Ulisses Morais e Carlos Carvalhal, e chegou agora a Rogério Gonçalves e Nelo Vingada. São cinco treinadores que foram despedidos, ou seja, sofreram aquilo a que se chama de chicotada psicológica. Em apenas sete jornadas que estão jogadas no campeonato português, ainda nem um terço foi disputado, é um número bem elevado e que representa uma marca recorde na Europa. Trata-se, à partida, de um sinal claro de que os resultados não agradaram aos responsáveis de um determinado clube e, por isso, julgaram ser necessário um abanão para colocar a equipa na rota certa. Por outro lado, mostra também que é o treinador que mais exposto está a este tipo de situações.

Faz parte da própria natureza do jogo: quando as coisas não correm como era desejado, o treinador é o primeiro a arcar com as consequências porque, afinal, é ele quem comanda a equipa. Há, contudo, inúmeras situações em que o técnico é apenas uma parte de um problema que vai bem para além das suas competências - também é culpado, obviamente, mas longe de ser o único. Pergunto-lhe, leitor, quantas vezes saíram jogadores ou dirigentes devido a um período negativo da sua equipa? Seria, talvez, mais sensato que assim fosse mas é aos treinadores que os bons resultados são exigidos. Independentemente da qualidade dos jogadores que tem e daquilo que pode fazer, o mais fácil é mesmo usar o tal chicote. Claro que há os casos em que há mesmo essa necessidade mas, convenhamos, na maioria deles há uma evidente precipitação. Efeitos até da pressão dos adeptos.

Carlos Carvalhal, despedido pelo Marítimo ao fim de seis jogos, referiu, há poucos dias, que, em Portugal, não são dadas as condições necessárias para os treinadores mostrarem o seu trabalho, isto é, não há tempo para que os projectos assumidos sejam levados até ao final. Poderá ser uma visão parcial, tudo bem, mas, na minha opinião, faz todo o sentido. Não pretendo com isto dizer que os treinadores deverão ter lugar garantido para sempre, mas há que lhes dar alguma margem de erro para que mostrem o seu trabalho. Sete jornadas é pouco. Numa fase tão precoce, nenhuma equipa está condenada ao que quer que seja e sem hipóteses de recuperar. para um bom campeonato. Concorde ou não, leitor, parece-me que é mesmo a saída mais fácil...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Liga Sagres: A melhor ronda

ANÁLISE

A jornada que mais golos teve, vinte e sete ao todo, serviu para confirmar que o Sp.Braga está mesmo empenhado em não largar o topo. Foram sete jogos ultrapassados com distinção pelos minhotos que, desta forma, se mantêm intocáveis e confortáveis no trono de líder. Vencer os primeiros jogos do campeonato, em setenta e seis edições, apenas tinha sido conseguido por nove vezes e sempre através de um dos grandes. O Sp.Braga resolveu, agora, entrar para a História. Uma equipa que respira confiança, que em cada jogo alimenta a esperança de conseguir um brilharete, e que apenas é surpresa para quem anda muito distraído destas coisas. Em relação aos grandes, apenas o Sporting perdeu terreno.

Pode-se mesmo dizer que o leão está abatido, parece impotente para chegar mais além. Em Alvalade, o jogo com o Belenenses serviu para aumentar a revolta dos adeptos sportinguistas. Mesmo vindo de uma vitória, era urgente que a equipa passasse por cima da terrível exibição frente ao Hertha, embora não tivesse Paulo Bento, o comandante, no banco. Certo, a qualidade de jogo melhorou um pouquinho, o Sporting criou oportunidades para marcar, mas não teve a arte necessária para desatar um nó que o Belenenses atou, a fim de sair, vinte e um anos depois, com pelo menos um ponto de Alvalade. Aquilo que poderia ser um jogo de reconciliação entre adeptos e jogadores sportinguistas, transformou-se em mais um motivo de contestação.

O dragão está a crescer. Não tem ainda o nível de épocas anteriores nem é tão forte colectivamente mas tem génios que encontram boas alternativas. Está uma equipa mais matreira, também: cria, marca, assegura a vantagem e faz a gestão do tempo. Não apresenta um futebol espectacular que encante os adeptos e chega até a expor-se em demasia perante o adversário, mas consegue ser letal e resolver as partidas nos momentos decisivos. No Algarve, Belluschi deu talento, Hulk explosão e Falcao mostrou todo o seu instinto goleador. O FC Porto marcou três golos e até poderiam ter sido mais, mas, verdade seja dita, também o Olhanense, em muito impulsionado pelo talento de Ukra e Castro, justificou um golo de honra.

A águia está nas suas sete quintas. Domina, vence e convence. Pressiona alto, encosta o adversário à sua baliza e tem uma atitude vencedora que procura sempre mais e melhor. Pode estar a golear mas Jorge Jesus não se contenta: procura a perfeição em cada lance. Marcar o mais cedo possível é a estratégia e, em Paços de Ferreira, foi David Luiz quem melhor a cumpriu. Depois, continuar como se o resultado fosse desfavorável até chegar à tranquilidade. Frente ao Paços, veio dos pés de Cardozo, num livre soberbo, ainda antes do intervalo que ditou uma vantagem de três golos. Claro, era tempo de gerir e entregar a iniciativa a uma equipa pacence que, embora tentasse, pouco ou nada poderia fazer mais. Aimar, Maxi e Di María não jogaram...

Colectivo quase perfeito, seguidor da máxima que defende um por todos e todos por um, grande coesão e um pitada de magia e talento individual: assim se apresenta o Sp.Braga, líder isolado do campeonato português, após a sua sétima vitória consecutiva, desta vez ante um Vitória de Setúbal que, apesar de brioso e digno, não teve capacidade para contrariar a lógica natural de um acontecimento anunciado. Não seguindo os bracarenses, o Rio Ave, seis jogos depois, sofreu a primeira derrota que coincidiu precisamente com a segunda vitória consecutiva da Naval de Augusto Inácio.

No Estádio do Mar, num jogo de altíssima qualidade e que teve emoção até final, o Leixões venceu a União de Leiria - tal como em Vila do Conde, cinco golos num três-dois final. Em Coimbra, o Académica-Marítimo marcou a estreia e a despedida dos treinadores: Van der Gaag orientou, embora se trate de uma situação a título provisório, os insulares, e Rogério Gonçalves despediu-se do comando técnico dos estudantes após a derrota por 4-2. Em Guimarães, Nelo Vingada está cada vez mais em apuros, após a derrota do Vitória frente ao Nacional - apenas uma vitória em sete tentativas é francamente pouco para os vimaranenses.