domingo, 8 de fevereiro de 2009

FC Porto-Benfica, 1-1: Fez-se justiça por linhas tortas


Estádio do Dragão, 50 mil espectadores, ambiente fantástico. Jogaram os dois primeiros da classificação, FC Porto e Benfica. Deu empate. O clássico foi vivo, teve intensidade e emoção. Foi um jogão, apesar de não ter sido um primor técnico. E acaba por ter um efeito de copo meio cheio: o FC Porto continua líder e o Benfica mantém-se a apenas um ponto. O resultado foi justo. Mas houve polémica também.

Durante a semana que antecedeu o jogo falou-se da condição física que poderia ser importante para o desfecho do clássico. Tinha havido Taça da Liga, na quarta-feira e Jesualdo Ferreira, como se sabe, poupou toda a equipa ante o Sporting; Quique Flores não foi nessas cantigas e, apesar de ter feito descansar alguns jogadores, não fez nenhuma revolução no onze. Então, o FC Porto tirou proveitos desse descanço e esteve melhor fisicamente? Não se notou absolutamente nada. Porque o ritmo nunca foi avassalador. E foram os encarnados quem tiveram o controlo na maior parte do tempo.

A primeira meia-hora foi de claro domínio do FC Porto. Com oportunidades. Uma em que Lucho, isolado só com Moreira pela frente, cabeceou por cima foi a mais flagrante. Por esta altura, o Benfica sentia dificuldades na construção de jogo e quase nunca saía para o ataque. Porém, este ritmo imposto pelos portistas durou 30 minutos, apenas isso - não foi avassalador, nem por sombras. E não produziu efeitos. Porque depois apareceu Aimar que lançou uns pózinhos e o Benfica começou a ser melhor. Era pelo argentino que passava a construção de jogo e a ofensividade do Benfica. Lá atrás, Sidnei e Luisão tratavam de Hulk e Lisandro - jogou muito longe da zona do agrião, onde gosta de estar. A partida estava agora mais aberta e dividida com o Benfica por cima. Na primeira grande ameaça dos encarnados, Reyes esteve perto de marcar mas Helton não deixou. Não foi à primeira, havia de ser à segunda. Yebda saltou mais alto do que toda a gente e mandou a bola para o fundo da baliza do FC Porto. No momento certo, em cima do intervalo. O Benfica estava em vantagem. E bem.

EMPATAR POR LINHAS TORTAS

A segunda parte começou mais expectante. O FC Porto, naturalmente, meteu as mãos à obra na procura do empate e o Benfica juntou mais as linhas, à espera do que o jogo dava. Uma equipa personalizada, segura de si e com o controlo das operações. Poucos minutos estavam da segunda parte quando David Suazo esteve pertinho de fazer o segundo. Era uma machadada que acabaria com o jogo, numa altura em que os portistas procuravam a todo o custo o empate. Mas sem grande clarividência. O Benfica estava com uma defesa forte. E os avançados do FC Porto com falta de inspiração, também.

Estava cumprido o primeiro quarto de hora da segunda parte e Quique Flores meteu a marcha-atrás: retirou Suazo, o único ponta-de-lança e lançou Di María para explorar as transições rápidas. Jesualdo respondeu colocando Mariano González em campo para o lugar de Raul Meireles, explorando a velocidade também. Por esta altura, o Benfica fazia a melhor exibição da época e o resultado parecia cada vez mais fechado. Até aos 70 minutos, altura em que Pedro Proença assinalou penalty num lance entre Yebda e Lisandro. Um erro do árbitro, não houve falta. Lucho aproveitou e empatou a partida. O Dragão foi à loucura.


O jogo, praticamente, ficou sentenciado aí com o golo do empate. Os portistas voltaram a animar-se e foram em busca da vitória. Hulk, de fora da área, ainda obrigou Moreira a uma grande defesa; do outro lado, Di María assustou Helton, sem consequências. O jogo estava partido e qualquer uma das equipas podia ter marcado. Nesta fase, é justo dizer que o FC Porto voltou a ser melhor. O clássico acabou empatado. Com justiça. Apesar da gaffe de Pedro Proença.

DESTAQUES:

PEDRO PROENÇA: Fica manchado pelo penalty. Pedro Proença estava em cima da jogada, viu a mão de Yebda no peito de Lisandro e não hesitou (a mão realmente estava lá, mas o Licha já ia em queda antes disso). Errou, contudo. Como já havia errado antes quando mandou jogar num lance em que Reyes prendeu o pé de Lucho González, dentro da área, aos 18 minutos. Foi pena.

JESUALDO FERREIRA: Demorou a reagir com um Benfica superior e com claro controlo do meio-campo. Lançou depois Mariano e Farías, sem efeitos. De início, voltou a modificar o esquema, jogando com Rodríguez no meio e Hulk e Lisandro na frente mas os avançados portistas não estiveram muito em jogo.

QUIQUE FLORES: Tacticamente esteve melhor do que Jesualdo mas cometeu um pecado: retirou Suazo quando o Benfica estava em vantagem e procurava o segundo, passando a jogar sem ponta-de-lança. Foi como entregar o ouro ao bandido.

MELHOR EM CAMPO: Aimar. O jogo ofensivo do Benfica foi obra dele. É outra música com a bola nos pés.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma barrigada de futebol

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete! São sete os jogos transmitidos, hoje, pela SportTV em directo. Três de Inglaterra, dois de Itália e mais dois de Espanha. Uma barrigada de futebol. Delicioso o Portsmouth-Liverpool, narrado por Pedro Sousa.

Um verdadeiro jogo de Premier League, cheio de emoção e intensidade. Na segunda parte, principalmente - a primeira foi muito pragmática, expectante. Ainda com o jogo empatado a zero, Ryan Babel protagonizou um lance que parecia tirado dos melhores apanhados de futebol, quando, com a baliza completamente escancarada, não conseguiu marcar. Na jogada seguinte, golo do Portsmouth. É futebol. Sete minutos depois, Peter Crouch 'ofereceu' a bola a Dirk Kuyt, que não marcando ganhou um livre indirecto já dentro da àrea; remate de Fabio Aurelio e golo. Empate, aos 70 minutos. Foi então numa fase em que o golo do Liverpool, da reviravolta, se anunciava que o Portsmouth voltou a marcar. Por Hreidarsson, num frango de Reina. Mais um erro, mais um golo e a equipa de Tony Adams estava de novo na frente. Até ao minuto 85, quando Kuyt aproveitou uma barracada de Distin e fuzilou David James, também ele com culpas. Segundo empate no jogo. Ora bem, já se sabe que o Liverpool é a equipa que mais golos marca em período de descontos; cabeceamento de Fernando Torres e já está. Aos 91 minutos, estava feita a reviravolta. Depois de estar por duas vezes a perder. O futebol tem destas latitudes, como diria o outro.

Antes disso já tinha visto o Manchester City ganhar ao Midllesbrough com um golo de Craig Bellamy e uma exibição assombrosa do guarda-redes Shay Given, recém-chegado do Newcastle. Já tinha visto o Chelsea voltar a desperdiçar pontos, em casa, com um nulo frente ao Hull City. De Itália, vi o Inter ganhar 3-0 em Lecce. Neste momento ouço Carlos Dias no AC Milan-Reggina. E mesmo ao lado há o Real Madrid-Racing Santander. Tanta bola!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

As Crónicas do BB


A COSMÉTICA NÃO CHEGA

Estão na moda as operações de cosmética, quer no sentido figurativo, quer no sentido lato. No sentido lato, as ditas operações vão levando algumas figuras nacionais ao contacto com o bisturi, e apesar do sofrimento (não esbocem esse sorriso maroto porque isto não tem nada a ver com a Maya) que revelam após as ditas operações, não há grandes reclamações.


No sentido figurativo, elas raramente resultam, quer porque são arquitectadas por gente sem capacidade, quer porque são feitas em cima do joelho. É o que acontece no futebol português, onde as ondas de regeneração, de tão mal calculadas, se estão a transformar num tsunami de asneiras. Para não ser muito fastidioso tomemos apenas como exemplo a Taça da Liga, competição criada para dar mais jogos e consequentemente mais dinheiro aos clubes. Jogos só para alguns, os que chegam à fase final de grupos, porque os outros ficam logo pelo caminho.. Dinheiro só para os “grandes”, que beneficiaram de um sorteio “cozinhado” a preceito, e a verdade é que não “queimou no refogado”, pois saiu direitinho como tinha sido calculado, Sporting, Benfica, FC Porto e V. Guimarães nas meias-finais. Falta de espectadores na prova (ainda ontem nas meias-finais um total de 31.00 espectadores nos dois encontros), jogos sem interesse competitivo, ausência de delegados de arbitragem numa prova inequívoca que, nem a Liga, liga à Taça da Liga, e um regulamento arcaico, são as queixas mais ouvidas.


Sobre o regulamento e o célebre “goal average” já muito se explicou, e se o espírito da letra não condiz com o espírito da lei, o melhor é não se meterem a fazer regulamentos com anglicismos ou francesismos. A língua portuguesa é perfeita, embora alguns dos legisladores não a domine também na perfeição, mas isso já são outras histórias.


Faltava a cereja no topo do bolo, o argumento, estúpido e sem senso, dado pelo Conselho de Justiça da Federação, sobre o recurso do Belenenses que foi mal endereçado, pois nem sempre se deve seguir o caminho que os franceses indicam, “cherchez la femme”. É tudo uma questão de saber traduzir, coisa que os juízes não fizeram, optaram pelo que se quis dizer e não pelo espírito da lei. Abriu-se um precedente grave com esta decisão, não se julgava pelo que está escrito nos regulamentos, mas pelo que o bom senso manda. Já estou a ver alguns “chicos-espertos” do nosso futebol a começar a tirar proveito desta coisa do bom senso. Para os doutos “justiceiros”, média de golos e diferença de golos é a mesma coisa, na linguagem tida no futebol como comum. Argumentam ainda com a brilhante ideia que "mister" é a palavra comum para treinador. Eu também tenho uma palavra comum para os classificar, “assholes”, que pode ser traduzida como pessoas tontas ou estúpidas, mas dada a confusão reinante na Wikipédia para a definição correcta, o melhor é não a utilizar para fugir a más interpretações. Assim, apenas digo que, em certas pessoas, as operações de cosmética não resultam.


BERNARDINO BARROS

Taça da Liga: Derby dos derbis na final

Vai haver derby na final da Taça da Liga. Benfica-Sporting, o derby dos derbis. A equipa de Paulo Bento goleou o FC Porto, por 4-1, em Alvalade. É certo que os portistas alinharam sem nenhum dos titulares, mas de qualquer forma é sempre um jogo grande. Na Luz, o Benfica ganhou ao Vitória de Guimarães. Sem jogar bem, mais uma vez. Mas está na final. E é isso que interessa.

Apesar de jogar com o Sporting, um clássico, Jesualdo Ferreira não convocou nenhum dos habituais titulares. Preferiu levar jogadores menos utilizados e alguns juniores. Percebe-se por causa do jogo de domingo com o Benfica, para o campeonato. Paulo Bento também poupou alguns jogadores, mas mesmo assim jogou com seis habituais titulares. Ora vamos ao jogo. Que começou, praticamente, com o golo do FC Porto: a equipa do Sporting dormiu na parada, Tarik Sektioui aproveitou e colocou a bola dentro da baliza. Ainda nem dez minutos estavam decorridos. Porém, o Sporting assumiu o controlo do jogo e partiu em busca do prejuízo. Nuno, por duas vezes, evitou o golo do empate mas foi Tomás Costa quem esteve mais perto de marcar para o FC Porto. E este foi o último lance de perigo do campeão nacional em todo o jogo. Já depois de Postiga ter visto um golo ser-lhe bem anulado, o Sporting conseguiu empatar. Carlos Xistra (vá-se lá saber porquê) marcou penalty e Romagnoli enganou Nuno. 1-1 ao intervalo. No reinício da partida, o Sporting voltou a marcar. Novo penalty - aparetemente bem marcado, apesar do teatro de Hélder Postiga - e novo golo de Romagnoli. O jogo acabou. O FC Porto não conseguiu reagir e o Sporting jogou a bel-prazer. E voltou a marcar. Por duas vezes, Derlei. Primeiro após um passe sensacional de Vukcevic; depois com um pontapé de moinho fantástico que não deu hipótese a Nuno. O dragãozinho foi impotente e saiu vergado de Alvalade.

Na outra meia-final, o Benfica recebeu o Vitória de Guimarães. Quique Flores também fez algumas alterações na equipa (nenhuma revolução, nem de perto nem de longe): Quim, dois meses depois, regressou à baliza; Miguel Vítor foi o lateral direito em troca com Maxi e Reyes, Aimar e Katsouranis regressaram. O Vitória entrou melhor e no primeiro quarto de hora foi a melhor equipa. Porém, nunca criou lances de perigo iminente para a baliza de Quim. Perigo criou o Benfica, quando Cardozo acertou na barra - está com a pontaria afinada nos ferros. Mas este foi um caso isolado. Porque chegou o intervalo, sem grandes oportunidades e com um jogo muito disputado a meio. O reatamento voltou a começar melhor para a equipa de Manuel Cajuda e Fajardo esteve perto de marcar. Talvez tenha sido o 'despertador' do Benfica e, depois disso, Quique Flores colocou Maxi Pereira na direita, passando Miguel Vítor para o centro da defesa, tornando assim a equipa mais dinâmica e mais perigosa. Até porque por esta altura o Vitória estava mais atrevido. Porém, foi o Benfica a marcar. Num autogolo de Gregory - um golaço, diga-se. E voltaram a marcar os encarnados, por Aimar (ao tempo, Pablo!) aos 87 minutos. Desmarets reduziu, dois minutos depois, para o Vitória. E Artur Soares Dias, excelente arbitragem, apitou para o final.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os relatos únicos da Renascença

É por estas e por muitas outras que os relatos da Renascença são diferentes de todos os outros. São vibrantes, intensos e com boa disposição. Únicos. O Belenenses-FC Porto foi um exemplo disso. Não faltaram gargalhadas. Contagiantes.

(A propósito do cartão vermelho a Fucile que o deixa disponível para o clássico com o Benfica)

Pedro Sousa: Estes regulamentos da Liga são uma treta!

Jorge Coroado:
Fazem lembrar os regulamentos do campeonato das reservas, quando o Benfica, há uns anos, com Carlos Manuel fez cinco jogos de reservas na mesma semana para limpar o castigo do jogador.


Pedro Sousa: Há uns anos? Há trinta, não é?

Jorge Coroado: Também não sou assim tão velho, entenda-se.

Pedro Sousa: Mas quase...

Bernardino Barros: Ah ah ah

A Taça da Liga (pela enésima vez)

Nestes últimos tempos tenho escrito alguns textos sobre a Taça da Liga, sobre os árbitros (ou Comissão de Arbitragem, como quiserem!) e sobre futebol português no seu todo. Este é mais um. Da Taça da Liga. E dos regulamentos que ninguém compreende. Primeiro foi a história do goal-average que se fosse levado à letra colocaria o Belenenses nas meias-finais, porque o seu quociente entre golos era superior ao do Vitória de Guimarães; porém, para a Liga goal-average é a diferença entre golos marcados e golos sofridos e por isso o adversário do Benfica é o Vitória. Os recursos do Belenenses foram rejeitados pelo Conselho de Justiça. Não pelo conteúdo mas por falarem de Andreia Couto, directora-executiva da Liga que nada tinha que ver com o assunto. Pois.

Como se já não bastasse, veio o caso do vermelho a Fucile. O jogador uruguaio do FC Porto estava com cinco amarelos e assim excluído do próximo jogo do campeonato; no Restelo, frente ao Belenenses, foi expulso, ou seja, não participará no jogo imediatamente a seguir (com o Sporting, para a Taça da Liga). Desta situação conclui-se uma coisa: se o jogador tiver cinco amarelos cumpre o castigo no jogo do campeonato - nem que seja com um mês de distância! - mas se vir um vermelho já o cumpre no jogo seguinte independentemente da competição (desde que não seja internacional, claro). Dá para perceber? Não. O FC Porto, inteligentemente, aproveitou a situação para contar com Fucile no clássico com o Benfica.

A Taça da Liga é um erro. Os regulamentos são uma anedota. É uma barracada atrás da outra.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

O dragão na pole-position com Hulk a guiar

ANÁLISE JORNADA 16 - LIGA SAGRES

Desta vez o FC Porto agarrou-se à liderança. Após uma boa exibição no Restelo onde demonstrou que está bem melhor do que há uns tempos e cheio de vontade para ficar no topo. Conseguiu. Numa jornada em que o Sporting voltou a desperdiçar uma boa oportunidade de se chegar à frente, o Benfica mantém-se pertinho da liderança. E domingo há clássico no Dragão, que promete ser escaldante! Os portistas partem na pole-position.


O FC Porto continua líder. Com categoria e, acima de tudo, com mérito. Mas mesmo assim teve que passar por alguns calafrios, frente ao Belenenses. Que já se esperavam. A equipa de Jaime Pacheco tem vindo a subir de produção e, aos poucos, consegue ser mais forte. Se não, bastava olhar para o jogo com o Benfica, na jornada passada. Jesualdo sabia dos riscos. Os portistas entraram em campo com o gás todo, dispostos a passar mais uma semana no primeiro lugar. Já depois de dois ou três ameaços, Hulk marcou o primeiro. Plenamente justo. Um minuto depois, aos 22, Rodríguez cabeceou de cima para baixo e fez o segundo. De um momento para o outro o jogo parecia arrumado tal era o domínio do FC Porto. Pois bem, parecia. Jaime Pacheco alterou a equipa, o Belém reencontrou-se e reduziu a desvantagem. E relançou o jogo. Antes do intervalo, Rodrigo Arroz esteve perto de empatar. Helton não deixou. A segunda parte começou da mesma forma, com o FC Porto por cima. Porém, foi Ávalos quem esteve à beira do golo. Não teve arte nem engenho e os portistas fizeram a gestão do jogo como bem entenderam. Até surgir mais um golo, de Lucho, a passe de Lisandro (na primeira vez que tocou na bola!). Com o resultado feito, tempo ainda para um golpe de teatro: Fucile havia visto um amarelo na primeira parte que o tirava do clássico com o Benfica, por ser o quinto; forçou quanto pôde o segundo e foi expulso, cumprindo assim castigo na Taça da Liga - ante o Sporting - e estará disponível para o jogo com os encarnados. Os regulamentos são assim e os portistas foram bem mais inteligentes. Excelente arbitragem de Duarte Gomes.

O Benfica continua no segundo lugar, um ponto atrás do campeão. Isso porque cumpriu a sua obrigação e venceu o Rio Ave, último classificado. Graças a um golo de Mantorras. Não, não há engano: o golo da vitória foi marcado por Pedro Mantorras. Para euforia total do estádio da Luz. Ora vamos ao início. Quique Flores fez algumas alterações na equipa: colocou Carlos Martins no meio ao lado de Yebda e entregou o ataque a Nuno Gomes e Cardozo em vez de Aimar e Suazo. A primeira parte não foi bem jogada, longe disso, muito por culpa do relvado (não seria uma piscina?) e o Rio Ave foi a equipa que melhor se adaptou. Mas nunca chegou com grande perigo à baliza de Moreira. Do outro lado, Cardozo acertou em cheio no poste e, em cima do intervalo, Carlos Martins obrigou Paiva a uma defesa sensacional. O reatamento não foi muito diferente. O jogo continuou na mesma toada, sem grandes brilhantismos (impossível naquele terreno, diga-se!). Cardozo voltou a acertar no poste, aos 59 minutos, e depois surgiu o tal golo de Mantorras. O golo da vitória. Evandro e Pedro Moutinho estiveram perto de empatar mas não passaram disso.
Sim, porque esta era a noite de Mantorras. Excelente arbiragem de Rui Costa.

Antes do jogo dos encarnados, jogou o Sporting. Que voltou a perder pontos e a permitir que a concorrência directa se destacasse ainda mais. Na Trofa, não conseguiu mais do que um empate a zero. Não é que seja uma total surpresa, até porque o Trofense venceu o Benfica e empatou no Dragão e já se viu que os grandes têm dificuldades em jogar com a equipa de Tulipa. Houve uma novidade numa das equipas, na de arbitragem: João Ferreira lesionou-se e teve de ser susbtituído pelo quarto árbitro, Nuno Campos - no final falaremos dele. O Sporting entrou bem no jogo. Assumiu o controlo e acercou-se da baliza de Paulo Lopes. Porém, sem sucesso quer pela falta de pontaria dos seus jogadores quer pela excelente exibição do guarda-redes. Aos 25 minutos, Liedson soltou-se da marcação mas acertou na trave. Mais tarde, foi Izmailov quem colocou a bola no fundo da baliza mas em fora-de-jogo. No resto pouco mais. O Trofense esteve quase todo o jogo no seu meio-campo. E foi protegido pela sorte. Ao Sporting voltou a faltar mais ambição, mesmo merecendo ganhar. Além do empate, Paulo Bento ficou sem Liedson, por lesão. Excelente arbitragem de Nuno Campos. Sim, é um árbitro de segunda categoria.

No duelo entre quarto e quinto, Leixões e Nacional, houve empate. A zero. Mais um para a equipa de José Mota. Quem aproveitou esse empate foi o Marítimo que igualou os rivais da Madeira, graças a uma vitória por 1-0 sobre a Naval. No jogo de Vitórias intranquilos, o de Guimarães venceu o de Setúbal muito por culpa do endiabrado Nuno Assis, autor de um hat-trick. Empate a dois em Coimbra entre Académica e Estrela. Também o Sp.Braga regressou às vitórias, depois dos polémicos encontros com Benfica e FC Porto, frente ao Paços. A luta pela UEFA também está animada.

O líder é o mesmo. As arbitragens, pelo menos dos jogos dos grandes, foram excelentes. Quer de Duarte Gomes, Rui Costa ou do desconhecido Nuno Campos. É justo dizê-lo. Ainda para mais quando os árbitros são tão criticados.