quarta-feira, 27 de julho de 2011

Benfica: Um chefe que resolva o impasse

Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.

A pré-época é uma correria. Amontoam-se notícias, embrulham-se negócios e aquecem-se os motores. O período de transferências é demasiadamente longo, permite várias reflexões, várias investidas e vários acertos. Nos clubes portugueses, por exemplo, sobra apreensão e temor. Os europeus estão atentos, são os grandes senhores, têm capital e podem investir. Os cofres portugueses agradecem o que os adeptos repudiam, em tudo existem consequências boas e más. Há, por outro lado, a necessidade de corrigir erros, preencher crateras e evitar novos tropeções. O mercado serve para isso: sai quem não interessa e chega quem pode ser útil. O Benfica vive esse período.

A fase inicial do Benfica foi conturbada. O clube, depois de perder o título para o FC Porto, percebeu que teria de mudar. Olhou para o mercado de transferências, viu onde falhara e contratou. Vários jogadores por posição, alguns deles com qualidade firmada, outros com margem de progressão, a mesma linha dos últimos anos, uma long list para a nova época. O mais normal, nesta situação, seria que os reforços preenchessem lugares ocupados, na última época, por jogadores que, agora, já não faziam falta - César Peixoto ou Roberto, por exemplo, são dois casos que há muito se percebera não fazer sentido continuar. No entanto, o Benfica falhou na colocação dos jogadores que Jorge Jesus riscou. Mesmo não os querendo, manteve-os no plantel. Reforços, activos importantes e dispensáveis, tudo no mesmo grupo.

Hoje, a 27 de Julho, o Benfica iniciou oficialmente a época. Defrontou os turcos do Trabzonspor, em casa, para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Controlou, cresceu com os minutos, passou por sustos, conseguiu quebrar a resistência adversária, marcou dois golos soberbos e venceu com justiça. E naturalidade. Sobressaiu a consistência defensiva, a sobriedade de Artur ou o dinamismo de Nolito e Enzo Pérez. Os reforços estiveram em bom plano, responderam com exibições agradáveis e mostraram trabalho.Jorge Jesus sorriu, gostou e contentou-se com a vitória por dois golos. Não garante a passagem mas... quase. A vantagem é confortável e permite que o Benfica, na Turquia, possa encarar o jogo com segurança. Mas nem por isso descansou.

Há ainda muitas situações pendentes, que precisam de resposta e que vêem o tempo esfumar-se. Antes de conseguir qualquer base para a equipa, antes de implementar qualquer modelo ou filosofia de jogo, Jorge Jesus precisa de ser um chefe, decidido e eficaz, que organize o plantel do Benfica e utilize os jogadores que tem para conseguir um grupo sólido, equilibrado e com soluções para todas as posições. Há excesso de jogadores. Jesus precisa de se libertar dos que não quer, perceber o que fazer com os que forçam a saída e instruir os que serão a equipa-tipo. Vida de chefe.

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