segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Benfica-Sp.Braga, 1-0 (crónica): Assertividade no triunfo

O ASSALTO DO CAMPEÃO AO SEGUNDO LUGAR

Passe de Saviola, domínio precioso de Carlos Martins, troca de pés e potência no remate. Bola termina no fundo da baliza de Felipe. Marca o Benfica e carimba a vitória: esteve por cima, foi mais equipa, mais incisivo, estava mais pressionado para vencer e criou mais oportunidades. Ganha com justiça devido a tudo isso. O Sp.Braga teve os seus momentos, levou Roberto a emergir, cresceu no final da primeira parte, surgiu do descanso mais ousado e mais solto, deixando a indefinição inicial, conseguindo jogar mais tempo no território adversário. Anularam-se, respeitaram-se e tiveram cautelas múltiplas. O jogo decidiu-se no pontapé de Carlos Martins. É um diabo irreverente, inconformado e lutou pelo golo. O Benfica mereceu-o. E chega ao segundo lugar.


Cautela, receio, fuga ao erro. Objectivo identificado, marcado a negrito, para tentar apertar o cerco ao FC Porto, esperando um passo errado do dragão, mantendo vivas as esperanças de lutar pelo título. O início pintalgado com derrotas do Benfica obriga o campeão a esforços redobrados: correr mais, lutar a dobrar, discutir cada jogo com o risco de ver o céu desabar-lhe em cima da cabeça. A margem de erro perdeu-se. Joga em casa, é campeão, tem o Mundo nas costas e precisa de vencer para recuperar a confiança e continuar a olhar para o bicampeonato como uma meta possível. No final se farão as contas. Mas é necessário que o Benfica, para isso, vença. Tem que assumir o jogo, travar o ímpeto do adversário, forçar para encontrar caminhos rumo à baliza contrária e ser dominador. É como o Sp.Braga se sente bem: à espreita da sua vez.

Diz-se que as comparações são sempre injustas. O principal argumento, talvez o que melhor aplicação tem neste caso concreto, é que não há anos iguais. Os rendimentos das equipas, por tudo o que as envolve, tem que ser sempre diferente. Nas situações de Benfica e Sp.Braga, campeão e vice-campeão por obra própria, deixando os rivais em sarilhos, mudaram para pior. Não têm a mesma força, a mesma dinâmica, o mesmo envolvimento. Não têm a mesma consistência que os fazia triunfar. É em grande parte por isso que chegam à sétima jornada como se jogassem uma verdadeira roleta. O Benfica, principalmente, sim, mas também o Sp.Braga, para recuperar a alegria perdida após a praxe europeia na Liga dos Campeões e continuar a acreditar que pode dar mais uns passinhos rumo à ilha dourada onde estão os grandes.

INDEFINIÇÃO ABALADA

O jogo começou entretido. Teve disputa, lutou-se no centro, as equipas anularam-se. Faltou ousadia: nenhuma quis dar um passo maior do que a perna, nem Benfica nem Sp.Braga se quis colocar a jeito das armas do rival, quiseram ter contenção e segurança na forma como jogaram. O campeão teve ascendente. Nem outra coisa seria de esperar. Essa é a forma natural das coisas: em casa, jogando mais pressionado, tendo maior responsabilidade, o Benfica teria de ser mais incisivo e dominador perante uma equipa matreira, pragmática e que gosta de explorar o adversário. O Sp.Braga, com Hugo Viana e Lima na equipa titular, indefinido e incapaz de se superiorizar, sentiu dificuldades para jogar. A primeira parte ganhou emoção a dez minutos do final. O Benfica imprimiu velocidade, Aimar deu para Saviola e Felipe travou o golo. Apenas aí houve realmente motivos de interesse.

Para trás haviam ficado trinta e cinco minutos de indefinição. O Benfica mais perigoso, belas defesas de Felipe frente a Carlos Martins e Alan Kardec, um calafrio de Roberto, um abuso de altivez de David Luiz, duelos individuais com temperatura elevada e alguns fogachos de Saviola. Jogo intermitente, pouco claro, longe de ser um regalo para vista. Foi, antes de mais, disputado no limite. O Sp.Braga, com dificuldades em se ligar e apenas vivendo das iniciativas de Alan, sem conseguir Luis Aguiar ter bola no pé e fazer a equipa progredir, apareceu nos minutos finais. Respondeu às três oportunidades do Benfica com duas de rajada: Roberto agigantou-se para impedir o golo de Elderson e Lima, logo após, atirou ao lado. Avisos, sinais de inconformismo, de querer fazer melhor. Os guarda-redes, ambos descansados, sobressaíram nos momentos-chave.

O GÉNIO DE MARTINS PARA DESCOMPLICAR

Carlos Martins é um inconformado por natureza. Irreverente, irascível, forte. Nem sempre as coisas lhe saem bem. Há, até, quem diga que é a falta de maturidade que por vezes evidencia, extrapolando facilmente as emoções, o principal impeditivo de se tornar num verdadeiro jogador de topo. Martins insiste, tenta, batalha. O jogo, depois do intervalo, regressou com um Sp.Braga melhor. Mas, no geral, com um futebol pouco pensado, exaltando o pragmatismo, salpicado de algumas oportunidades. Salino não emendou um cruzamento de Lima e Domingos encolheu os ombros, Saviola perdeu de forma incrível e Jorge Jesus desesperou. A forma como El Conejo desperdiça é um dado preocupante para os encarnados, de facto. Manteve-se a tal disputa, sim, mas o nível deixou a desejar. Regressamos a Carlos Martins. E saltamos para o minuto setenta e três.

Minuto setenta e três. Contagem decrescente para o final. Domingos Paciência já trocara Vandinho por Andrés Madrid, devido a lesão, logo se seguindo a entrada de Paulo César, carregando velocidade, para ocupar a vaga há muito deixada por Hugo Viana. O Benfica crescera com as alterações do rival. Faltavam, então, os tais dezassete minutos até aos noventa. Javier Saviola leva a bola, cruza-a, Carlos Martins recebe com o pé direito, deixa-a no esquerdo, remata com potência e colocação para o fundo da baliza de Felipe. Explode: libertação de raiva, golo num momento certo, inépcia atacante quebrada. O Benfica saltou para a frente. Foi quem mais fez por o merecer. Esteve por cima no jogo, foi mais pressionante, mais rematador e contou com mais oportunidades junto da baliza contrária. Venceu bem, portanto.

2 Comentários:

DUX XXI disse...

Fiquei com a sensação,e não fui o único, que o golo nasce de um contra-ataque em que não foi assinalada falta ao Benfica. Mesmo assim registe-se a surreal conferência de imprensa de Jorge Jesus: http://bancadadeimprensa.blogspot.com/2010/10/surreal-conferencia-de-imprensa-de.html

JornalSóDesporto disse...

Grande Golo de Carlos Martins estive presente no estádio.

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