sábado, 5 de junho de 2010

O futuro azul com André Villas Boas

A época anterior do FC Porto, após quatro anos de glórias, resume-se a uma palavrinha a que todas as equipas querem fugir e não ousam, sequer, pensá-la: fracasso. Tornou-se, por isso, obrigatório mudar. Um ciclo fechou-se. Foi o de Jesualdo Ferreira. O treinador tem méritos no tricampeonato (o primeiro título fora conquistado por Co Adriaanse), foi importante na cimentação de vários jogadores e apareceu sempre em defesa dos dragões. Jesualdo cresceu como técnico e fez crescer o clube. Chegou, contudo, a hora do divórcio. A temporada não correu bem e há essa necessidade de mudança no FC Porto. Pinto da Costa virou a página, rompeu com o anterior paradigma. O anúncio oficial da contratação de André Villas Boas serviu para mostrar essa vontade de injectar sangue novo na equipa. E a de correr um tremendo risco. A aposta está feita.

Pela juventude de Villas Boas e pela obrigatoriedade de superar a temporada transacta que assiste ao FC Porto, a escolha do ex-treinador da Académica seria sempre muito arriscada. Em momentos de aperto, como foi este caso dos dragões, seria mais natural que os responsáveis optassem por alguém mais calejado, experiente e conhecedor da realidade do futebol português. André Villas Boas tem a seu favor o facto de ser portista, ter entrado muito jovem no clube e o conhecer bem. Há, porém, neste jogo de prós e contras, alguns factores que, com normalidade, fazem com que a sua contratação seja vista com desconfiança: apenas iniciou a carreira de treinador em Outubro, após deixar as estatísticas e observações que durante sete anos fez na equipa técnica de José Mourinho, e, apesar da melhoria vislumbrada no futebol da Académica, nada provou ainda.

Em Outubro passado, com a Académica na última posição, José Eduardo Simões, líder dos estudantes, abriu as portas a André Villas Boas. O até então colaborador de José Mourinho deixou o Internazionale para apostar verdadeiramente na carreira de treinador principal. A sua entrada melhorou substancialmente a Académica: futebol positivo, com os olhos colocados na baliza adversária, tentando usar as suas armas para supreender os rivais. Com isso, naturalmente, os estudantes ascenderam na classificação. André Villas Boas rapidamente se tornou num treinador na moda. Houve quem nele visse um verdadeiro discípulo de Mourinho e o Sporting, antes de Carlos Carvalhal, manifestou interesse na sua contratação. O estado de graça do treinador acabou por ficar algo afectado pela ponta final da Académica - conseguindo a manutenção mais dificilmente do que era expectável após a sua chegada.

A Académica foi, afinal, apenas um ponto de passagem para André Villas Boas. Funcionou como trampolim para, em poucos meses, assumir o comando do FC Porto. Com apenas trinta e dois anos, onde Jesualdo Ferreira chegou com sessenta, Villas Boas tornou-se no mais jovem treinador de sempre nos portistas. O tempo passado em Coimbra bastou para Pinto da Costa, com toda a sua experiência, apostar todas as fichas disponíveis. A André Villas Boas, os portistas pedem que mantenha as ideias que implementou na Académica, com um futebol vistoso e envolvente, que consiga tirar partido da escola privilegiada que teve com Bobby Robson e José Mourinho e dos maiores recursos que lhe colocarão à disposição, para recolocar o FC Porto no caminho das conquistas (voltando a roubar o título nacional ao Benfica). O desafio será triplo: para o FC Porto e para André Villas Boas, sobretudo, mas também para comprovar o sucesso da aposta pessoal de Pinto da Costa.

1 Comentário:

JornalSóDesporto disse...

Veremos se terá sucesso.

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