sexta-feira, 16 de abril de 2010

Análise: Aimar para mudar o curso do derby

O Benfica é mais forte que o Sporting. Tem-no demonstrado ao longo de toda a época. Os vinte e três pontos, atraso com que os leões chegaram ao duelo com os encarnados, são um dado exemplificativo disso mesmo. Enquanto o Benfica luta pelo título, estando próximo de o conquistar, tendo a pressão do Sp.Braga mas só dependendo de si, o Sporting não tem um objectivo mais realista do que o quarto luga que lhe dará acesso à Liga Europa. Um derby, contudo, tem características diferentes. É especial, são noventa minutos que por vezes destoam de tudo o resto, é um capítulo de uma rivalidade imortal que aumenta a vontade de complicar a vida ao adversário. O Sporting, sem nada a ganhar nesta época, poderia obrigar o Benfica a redobrados cuidados na ponta final do campeonato. Seria uma consolação.

Carlos Carvalhal teve onze dias para preparar a partida com o Benfica. Fê-lo com tempo, pôde experimentar alternativas e preparar uma estratégia capaz. Privilegiando a coesão defensiva, jogando com duplo pivô defensivo (Miguel Veloso e Pedro Mendes), como já fizera, por exemplo, com o Everton e com o FC Porto, o treinador leonino colocou - sem que tenha sido uma total supresa - João Pereira descaído sob o lado direito do meio-campo do Sporting. A ideia, ao juntar dois laterais de origem, Abel no seu posto e João Pereira mais avançado, passava por procurar impedir os eventuais desequilíbrios provocados por Di María. Jorge Jesus trocou as voltas: passou Angelito para a direita, em frente a Leando Grimi, Ramires ficou na esquerda. O argentino, porém, não conseguiu espaço de progressão. Mérito do Sporting.

Na primeira parte, os leões conseguiram ser superiores ao Benfica. Foram uma equipa unida, sem pressão, jogando com a convicção de que seria possível vencer na casa do maior rival. A teia de Carlos Carvalhal para manietar os benfiquistas resultou na plenitude. O Benfica não conseguiu progredir com a bola, na tentativa de abrir espaços na defesa leonina e, então, colocar a bola em Cardozo ou Éder Luís - a aposta surpresa de Jorge Jesus, ocupando a vaga de Saviola, não teve efeitos: o brasileiro passou ao lado do jogo. Os jogadores do Sporting mostraram conhecimento dos pontos fortes dos encarnados, souberam neutralizá-los e procuraram o ataque. A maior lacuna da primeira parte leonina esteve, porém, no pendor ofensivo. Foram raras as vezes em que a baliza de Quim esteve em real perigo.

A exibição do Sporting com o intuito de impedir que o Benfica ganhasse ascendente e montasse o cerco em volta da área de Rui Patrício roçou quase a perfeição. Falhou, no entanto, quando era necessário pressionar a defensiva do Benfica. Yannick Djaló, o jogador mais desequilibrador dos leões, pouco se viu, Miguel Veloso e João Moutinho não participaram de forma assertiva nas saídas para ataque e Liedson, isolado entre os defesas encarnados, não teve meios para ser decisivo. E, aos poucos, o Benfica foi-se soltando da alçada leonina. Despertou ainda antes do intervalo e terminou junto à baliza contrária. Jorge Jesus percebeu a urgência de intervir. A equipa estava carenciada de alguém capaz de desmontar o Sporting, dominando e fazer com que fosse o opositor a procurar a bola. Pablo Aimar substituiu Éder Luís. O Benfica recomeçou melhor.

Há sempre as duas diferentes faces da moeda: o Benfica conseguiu explanar o seu futebol, jogando no meio-campo adversário, trocou a bola de pé para pé como gosta para avançar no terreno; o Sporting quebrou, perdeu a união que tivera até aí, algo a que a débil condição física de Pedro Mendes (embora tenha jogado até ao final) deu um contributo fundamental. O Benfica melhorou a cada minuto, o Sporting perdeu a intensidade e a capacidade de organização que demonstrara - só por uma vez criou perigo na segunda parte: Abel rematou de longe para defesa de Quim junto ao poste. Galvanizados pelo público, com a possibilidade de ultrapassarem mais uma barreira decisiva ruma à conquista do título, o Benfica assumiu o jogo, superiorizou-se, partiu para a baliza de Rui Patrício. Chegou ao golo aos sessenta e oito minutos.

O ataque do Benfica foi mais ágil e mais veloz do que a defesa do Sporting para marcar. Cardozo concluiu uma extraordinária jogada de Rúben Amorim, lateral na ausência de Maxi Pereira, seguido de um cruzamento-remate de Fábio Coentrão. Carlos Carvalhal procurou mudar. Não se prevenira aquando da entrada de Aimar, procurou reagir. O treinador leonino tirou Abel, recuando João Pereira, para lançar Saleiro. Não teve efeitos. Foi tarde. Tem sido apanágio nesta temporada: quando está em vantagem, sobretudo jogando na Luz, raramente o Benfica vacila e se coloca à mercê do rival. Procura, isso sim, tranquilizar-se e engordar o marcador. Iria, então, chegar ao segundo golo. O jogo terminou com o tento de Pablo Aimar. As dúvidas que restavam desapareceram, o derby ficou resolvido. A conquista do campeonato também.

NOTA: Devido a problemas informáticos, a análise ao derby Benfica-Sporting, posterior à crónica do jogo, só pôde ter sido colocada durante o dia de hoje.


1 Comentário:

Jornal Só Desporto disse...

Grande Benfica. Boa análise quanto ao Sporting época para esquecer.

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