sábado, 30 de janeiro de 2010

Gladiadores do Minho

Onze guerreiros em força, onze leões procurando reerguer-se após terem batido no tapete. A vitória como objectivo comum. Há, porém, muito mais do que três pontos em jogo: os guerreiros querem provar sem espaço a dúvidas que têm capacidade para lutar com qualquer adversário, os leões necessitam de recuperar o estatuto superior que deixava os outros com poucas hipóteses de sobrevivência. Um coliseu, a casa dos lutadores, composto por aqueles que anseiam saber com quem realmente podem contar e desejosos de assistir ao golpe de misericórdia nas aspirações do felino, eliminando-o do confronto e reduzindo o número de adversários. É assim, com um passo de cada vez, nenhum em falso, que as surpresas poderão acontecer. Não é fácil contrariar a lógica que favorece os mais fortes.

Em casa, mandam os que lá estão. Se os residentes liderarem o campeonato, ainda mais força ganha essa ideia. Sem complexos, os bracarenses chamaram a si o favoritismo, depois do pleno de triunfos grandes na primeira volta, cada vez mais solidificados no topo. Carlos Carvalhal, todavia, alertou para as qualidades dos seus: sete vitórias consecutivas, registo puramente triunfador após a paragem, clara subida de rendimento e, portanto, uma palavra a dizer. O início do jogo deu-lhe razão: o Sporting entrou com vontade de leão, pressionante, encurtando espaço ao Sp.Braga, remetendo-o ao seu meio-campo, jogando mais junto da área adversária. A estratégia baralhou os minhotos, inabituados a serem empurrados na sua própria fortaleza. Aos poucos, a pressão alta do Sporting foi diminuindo.

O Sp.Braga soube esperar, conseguiu soltar-se do ímpeto inicial e aliar alguma posse de bola para procurar explorar as transições rápidas que tanta mossa fazem. Chegou ao golo, batida a meia-hora de jogo. Na primeira real ocasião de que dispôs para o fazer, antes havia sido o outro Sporting mais incisivo, embora, de igual forma, também não criando problemas de maior para Eduardo. O Sp.Braga foi feliz. Paulo César passou sobre Miguel Veloso, iludiu João Pereira, contou com um desvio em Tonel, enganou Rui Patrício. Em vantagem, tudo seria diferente. A equipa estabilizou, assentou o seu jogo, entregou-se à magia de Mossoró, explorou as faixas laterais do terreno na velocidade. É aí que eles são temíveis. O golo podia ser um knock-out no Sporting, toalha no chão, entregando o controlo absoluto ao Sp.Braga.

As verdadeiras lutas, contudo, não são assim tão fáceis de resolver. Nem esta foi. O leão rugiu, obrigado a correr atrás do prejuízo, nunca poderia virar a cara à luta. Houve mais espaço, claras melhorias, com o marcador a favor, de uns bracarenses que não tinham começado bem. Os guerreiros, fiéis à sua máxima de nunca se desunirem, não deram chances para que a reacção leonina tivesse efeitos práticos. Protegeram bem o seu forte, é sua imagem de marca. Houve necessidade de endurecer a disputa, maior agressividade nos confrontos, atitudes de grande garra de qualquer um deles. Um final emocionante: uns nunca perdendo a esperança de como era possível algo mais, outros com enorme coesão para segurarem o que já haviam conquistado. Luta de gladiadores, vitória dos guerreiros de Braga. Mais uma.

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