sábado, 19 de setembro de 2009

O insaciável Mourinho

O segredo é ser insaciável. A frase pertence a José Mourinho e é uma representação perfeita daquilo que o move e o leva a querer sempre chegar mais além. Amanhã, frente ao Cagliari, Mourinho alcançará o seu jogo quatrocentos como treinador principal. A estreia foi há já nove anos, no Bessa, num jogo pelo Benfica terminado como uma derrota. Na altura, não foi um bom prenúncio para um jovem técnico de trinta e sete anos que o então presidente Vale e Azevedo tinha escolhido, de forma arriscada, para comandar os encarnados. Teve o seu momento alto, em Dezembro, ao vencer o Sporting por 3-0. Esse foi, contudo, o seu último jogo na Luz pois viria a ser substituído por Toni, após a entrada de Manuel Vilarinho para a presidência do clube benfiquista.

Feitas as contas, foi apenas uma passagem fugaz pelo lugar principal de um banco de suplentes. José Mourinho, para Vilarinho, era apenas um treinador a prazo e não houve continuidade na aposta que Vale e Azevedo tão bem fizera - independentemente da sua gestão caótica, tem o mérito de ter sido o primeiro a descobrir Mourinho. Ao Benfica, seguiu-se o União de Leiria. Foi um passo atrás na carreira para, logo após, serem dados dois em frente. Gigantes. A extraordinária temporada alcançada nos leirienses, foi motivo mais do que suficiente para despertar a cobiça dos grandes portugueses. O FC Porto estava num período de grande crise de resultados, Pinto da Costa despedira Octávio Machado e o setubalense voltou à ribalta.

Foi na chegada às Antas que José Mourinho assumiu, de vez, a sua personalidade. Forte, ambicioso e desconcertante: na próxima época, tenho a certeza de que seremos campeões. Convenhamos que para um treinador que nada havia ganho, esta afirmação representou um risco brutal. Mas foi, principalmente, o início da marca Mourinho no futebol português. O FC Porto bebeu do treinador a confiança e a vontade de ganhar. Após a conquista da Liga dos Campeões, em 2004, Portugal ficou demasiado curto para tanta ambição. A tal ambição insaciável que Mourinho confessa, hoje, em entrevista ao jornal A BOLA.

Seguiu-se o Chelsea. Mais um degrau na carreira e no ego de José Mourinho porque, cinquenta anos depois, os londrinos voltaram a ser campeões ingleses. Por duas épocas consecutivas. Não passa de um provocador para os rivais, ficará para sempre como um ídolo para os adeptos blues. Tudo ganho, o projecto em Inglaterra estava cumprido. Era a vez de experimentar um outro campeonato, o italiano, talvez o mais aliciante a nível táctico. Chegou, viu os rivais, provocou-os até não mais poder e, acima de tudo, venceu mais dois troféus - Serie A e Supertaça. A partir daqui, esquece-se o passado e encara-se o futuro porque quatrocentos jogos e catorze títulos não chegam para o saciar.

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