segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A inevitável saída de Azenha

Despedir um treinador nas primeiras jornadas do campeonato é, quanto a mim, um enorme erro. Afinal, foi esse treinador quem programou a época, quem esteve envolvido na contratação dos jogadores e formou a equipa segundo as suas ideias. Há, no entanto, sempre duas perspectivas diferentes: se os resultados forem maus e os jogadores não assimilarem a filosofia de quem os dirige, fará sentido que haja a tal chicotada psicológica no início da temporada pois, assim, resta tempo suficiente para o novo treinador trabalhar. Seja como for, atente-se a referência à psicologia. Quando um treinador abandona o comando técnico de uma equipa, pretende-se que haja uma mudança de mentalidade. Que sentido faria contratar alguém com ideias iguais?

Deixo-lhe, acima, o parágrafo introdutório de um texto aqui publicado no passado sábado. Centrou-se, sobretudo, na falta de paciência bem característica dos dirigentes portugueses que demitem o treinador à primeira tentativa falhada por parte da equipa. Por coerência, mantenho a opinião de que é errado fazê-lo no início da época e somente devido a maus resultados (sublinhe-se esta parte). No entanto, naturalmente, existem situações em que mudar o comandante técnico é mesmo a melhor opção pois os jogadores não assimilam o que é pretendido e o próprio treinador desgasta-se em demasiada. Aí, aceito que os dirigentes o façam. Que existam as tais chicotadas psicológicas. Com tempo para o novo técnico trabalhar.

Neste momento, cumprida que está a quarta jornada, Carlos Azenha, no Vitória de Setúbal, foi a segunda vítima de despedimento nesta edição do campeonato português. O Vitória, clube histórico mas a viver imensos problemas principalmente a nível financeiro, sentiu dificuldades logo na pré-época. O plantel foi remodelado, poucos jogadores se mantiveram e começou a preparação mais tarde do que os outros devido a todas as experiências que Azenha foi obrigado a fazer. Teve, assim, um início de temporada absolutamente desastroso. Perdeu - e ficará na História por isso - por 8-1 frente ao Benfica, num resultado muitíssimo invulgar nos dias que correm. O treinador, apesar de contestado, continuou no comando da equipa. Foi um voto de confiança.

Após uma derrota tão expressiva, restava uma única alternativa aos sadinos: vencer e limpar a má imagem deixada na ronda anterior. Defrontou, ontem, o União de Leiria, ou seja, uma equipa que será, à partida, um rival na luta pela manutenção. Se o jogo com o Benfica poderia ter sido um acidente frente a uma equipa grande que, de longe, conta com outros recursos (humanos e económicos), os leirienses são uma equipa semelhante ao Vitória. São equipas do mesmo campeonato, como é habitual dizer-se. O resultado foi uma derrota, em casa, por 4-0. Para os adeptos sadinos, sofrer duas derrotas seguidas foi demasiado penoso. No entanto, mesmo parecendo paradoxal, deverá ter custado ainda mais a partida com o União de Leiria por aquilo que já foi escrito. Carlos Azenha, obviamente, ficou sem margem de manobra. O clube e, sobretudo, os jogadores precisam de uma mudança de mentalidade. Precisam, lá está, do efeito psicológico da saída do técnico.

1 Comentário:

Admin disse...

O Vitória Naval Académica e Leixões terão imensas dificuldades em se manter na Liga Sagres na minha opinião.
Quanto ao Vitória a pré época foi mal preparada.
Bom Artigo.

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