segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O carro de corrida azul

O FC Porto é uma espécie de carro de corrida. Faz a preparação, dá voltas ao circuito, limpa as areias da engrenagem, carbura e prepara o seu desempenho. Liga o turbo, chama a confiança, enche-se de fé e carrega no acelerador. É demolidor, avassalador, veloz. Anda mais rápido do que os adversários, ganha avanço nos primeiros metros, destaca-se, foge, consegue conforto. Está bem. O carro responde. O condutor imprime maior dinamismo, puxa, faz o motor atingir o vermelho, chegar ao seu limite e continuar a trabalhar. Há muita qualidade. Nas voltas seguintes, com os rivais distantes, retira o pé do acelerador: tem vantagem, é preciso mantê-la, sabe que possui boa margem de manobra e tende a relaxar. Mesmo assim não quebra. É precisamente aí que se vê a qualidade do material. Este FC Porto é bom.

De orgulho ferido, revoltado, jogando contra o campeão, o FC Porto atingiu o pico exibicional frente ao Benfica. Jogou, circulou, teve velocidade de ponta, marcou, divertiu-se. Fez do jogo um puro gozo, pelos cinco golos conseguidos ante o grande adversário, aliado a uma eficiência brutal, estabelecendo a distância em dez pontos, motivando-se ainda mais na corrida pelo seu objectivo e atingindo, com força, a concorrência. A partir daí mudou. O carro está mais pesado, mais lento, mais previsível. Dá sinais de desgaste, de excesso, necessita de refrear e ser mais pausado. Treme, quase sai de pista, vê as curvas como um obstáculo. Mas passa. Pode arranhar a pintura, sim, mas não passa disso. O FC Porto termina 2010 sem derrotas, apenas com três empates, sendo dois deles no campeonato, está na fase seguinte da Liga Europa, irá jogar os oitavos-de-final da Taça de Portugal e lidera a Liga Portuguesa com oito pontos de vantagem. Se não é perfeito, anda lá muito perto.

O segredo, leitor, está em perceber os segredos e os limites da máquina. A azul, do FC Porto, é muito boa. Mas isso não quer dizer que seja imbatível, que atinja a perfeição, que roce o brilhantismo ou que se exiba sempre, sem excepções, com o pé no acelerador. Por vezes é necessário apostar outras fichas. Não arriscar tanto, não acelerar a fundo, mas saber gerir, segurar o carro e ter uma condução segura. André Villas Boas tem sido um perito. Na viragem do ano, o dragão está nas suas sete quintas. Continua invicto. Deixou o brilhantismo mas tam conforto. Ganha e isso é o mais importante. Chega a 2011 com a pole-position. Resta saber guardar e gerir a corrida...

NOTA: Artigo escrito no âmbito da parceria com o blogue Império Futebolístico.

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