quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Islândia-Portugal (1-3): Missão cumprida com eficácia

COMENTÁRIO

Missão inteiramente cumprida: Portugal bateu a Islândia, evidenciou as diferenças existentes entre as duas selecções, deu seguimento ao que fizera ante a Dinamarca e terminou a dupla-jornada, frente a dinamarqueses e islandeses, com seis pontos somados. Está vivo. Ganhou nova alma, recuperou a confiança, chutou o desconforto para bem longe, esqueceu os tumultos do passado, atropelou o péssimo arranque e ganhou. Fez por jogar bem, revelou união e consistência, foi uma verdadeira equipa, como nunca fora nos últimos meses, livrando-se de azares ou colocando-se a jeito de ver o adversário, mesmo que com qualidade inferior, ser capaz de repetir os feitos históricos do Chipre ou da Noruega. Cumprira metade do seu trabalho com a Dinamarca, em teoria o adversário mais capaz, mostrando-se sempre superior, dominador e vencendo com segurança. Na Islândia, afastando fantasmas, deu seguimento. E sorri.

Portugal é superior à Islândia. Nem há, sequer, comparação entre a valia individual e colectiva. Assim como não há entre a selecção portuguesa e Chipre. Mas os cipriotas, que nunca haviam pontuado com Portugal, aproveitaram a confusão, aumentaram o caos interno, pintalgaram os jogadores portugueses de vergonha e roubaram pontos à selecção nacional, marcando quatro golos, com ousadia e sentido de oportunidade. Portugal chegou ao limiar após a derrota em Oslo: teria que mudar, já ficara numa posição delicada, não poderia manter-se o impasse e a nuvem negra em torno de Carlos Queiroz, precisava urgentemente de um abanão. Entrou Paulo Bento. A mudança trouxe efeitos positivos. O novo seleccionador foi frontal, não se escondeu ou fechou em copas, respondeu de forma aberta, mudou a convocatória, alterou a equipa e, mais importante do que tudo isso, conseguiu motivar os jogadores e uni-los em torno do objectivo. Começou a ganhar.

Coeso, unido, confiante e consciente das suas capacidades, Portugal juntou as premissas para obter sucesso, focando-se apenas em apagar o mau início e recuperar o tempo perdido. Na Islândia, depois de ter ganho um novo fôlego pela vitória ante a Dinamarca, a selecção portuguesa marcou cedo, sofreu o empate, poderia ter sido assolada por erros e vícios do passado, mas conseguiu responder bem, impondo a lei do mais forte, remetendo os islandeses à sua área e conseguindo, de novo, chegar aos três golos. Portugal não se mostrou tão sólido como contra a Dinamarca, teve algumas desconcentrações, abusou da altivez após o golo inicial de Cristiano Ronaldo, em segundo em dois jogos do capitão, baixou o ritmo, viu a Islândia, audaz e briosa, crescer e chegar ao empate. Não abalou. Nem poderia: é incomparavelmente mais forte, tem mais recursos e sabe o que quer. Esteve sempre por cima e recolocou-se na frente.

Os islandeses, limitados mas voluntariosos, apostaraa no jogo aéreo, a única forma de levar perigo, adoptando uma fórmula rudimentar e directa. O segundo golo português chegou num tiro certeiro de Raúl Meireles. Portugal voltou a saltar para a frente, serenou o ímpeto islandês e repôs a normalidade - mesmo não tendo atingido o nível do jogo do Dragão, em que soube guardar, gerir e circular a bola. A selecção portuguesa jogou pelo seguro, manteve-se cuidadosa, respeitou o adversário e, até porque não precisava, não partiu numa busca desenfreada pela baliza islandesa. Portugal, com Paulo Bento, pratica um futebol simples, seguro, com trocas de bola e imprime dinamismo. É uma equipa pragmática e que sabe do que precisa. Hélder Postiga, regressado após longa ausência, marcou no final. Tudo correu bem. Fica uma vitória confortável, justa e preciosa. Agora, há oito meses até ao próximo jogo.

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